#35anosescoladavila

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Rumo ao 36º ano de vida institucional

Por Sonia Barreira

Neste ano em que completamos 35 anos, dedicamos o espaço do nosso blog ao projeto #35anosescoladavila no qual tivemos a oportunidade de receber narrativas variadas de muitos participantes da nossa história institucional.

Narrativas que emocionaram, alegraram, provocaram muitas risadas e lembranças importantes e significativas. Enchemo-nos de orgulho ao constatar a importância desta escola na vida de tantas pessoas.

A construção de um projeto educacional se faz no dia a dia e a muitas mãos, e nós tivemos a sorte de contar com colaboradores incríveis, assim como com apoiadores fantásticos. Vimos crescer diversas gerações, com perfis variados, posicionamentos distintos e escolhas singulares, mas todas engajadas na construção de um mundo melhor. Sentimo-nos realizadas.

Conhecemos também as nossas falhas, imperfeições e desafios, e constantemente nos revemos, sem perder a essência de uma escola plural, humanista, que acredita no diálogo como a ferramenta mais importante para o bem coletivo.

Por isso, finalizamos esta série de narrativas agradecendo a todos aqueles que apontam nossos defeitos, e o fazem com o respeito que esta equipe merece.

Pais, alunos, professores e funcionários… Obrigada por nos ajudar a construir a ESCOLA DA VILA! Nossa força para enfrentar as adversidades vem de vocês.

Projeto Videoaula 9ºs anos

videoaula

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Por Antonio Ouro, aluno do 9º ano D

O terceiro trimestre do nono ano é o mais marcante para a disciplina de matemática. O modo de aprender é reinventado, com um trabalho que já é feito há dois anos, possibilitando aos alunos explorarem uma nova maneira de adquirir conhecimento nessa área, haja vista que todas as outras avaliações de matemática são provas. O resultado do projeto inovador foi extremamente satisfatório, tendo uma ótima recepção por parte dos alunos, que se dedicaram fortemente às produções.

A proposta era que um grupo (com dois ou três alunos) fizesse um vídeo informativo sobre um tema da disciplina de matemática, que ainda não havia sido explorado durante as aulas. Os possíveis assuntos a serem tratados eram: matemática financeira, simetria, área e perímetro, gráficos com função de segundo grau, lógica e probabilidade. O meio de comunicação, além de ser novidade para muitos, permite o uso de recursos técnicos que um texto, por exemplo, não oferece.

Além de terem a liberdade de escolher o próprio tema, os grupos tiveram plena autonomia na realização do trabalho. Isso não significa que não puderam tirar dúvidas com a professora para entender mais sobre o tema e, consequentemente, aprimorar o material.

O vídeo, entretanto, não era a única coisa que os alunos deveriam produzir. Fazia parte do projeto, também, a realização de um roteiro. Nesse material deveriam estar incluídas as falas dos integrantes nos vídeos, as informações sobre o tema escolhido, referências bibliográficas etc. Cada uma dessas partes (vídeo e roteiro) valia 50% da nota final do vídeo.

Seguem abaixo os links de alguns vídeos produzidos pelos alunos do 9º ano de 2015.

Matemática Financeira
Nicolas, Ulysses e Paulo
Gabriel Carneiro, Caio e Victor
Pedro Sader, Douglas, Enrico e Pedro Moraes
Maria, Rita e Helena

Simetria
Gabriela , Manuela e Victoria
Luiza e Catarina
Lucas e Luana

Área e Perímetro Circular
Katherine, Lorena, Julia e Nicole
Mateus e Sean

Função de Segundo Grau
Paulo, Giulia e Valentina

Lógica
Julia, Maria Eugênia e Dora
Alexandre, Beatriz e Nina
Guilherme A, Pedro Gabriel e Sofia

Chance e Possibilidades
Letícia e Emanuela
Manuela, Marcela e Mariana
Manuela, Lua e Vitória

Tangram
Pedro Azanha
Livia e Julio

#35anosescoladavila

Dani Munerato

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Por Daniela Munerato

Cheguei por aqui em fevereiro de 2002, na correria de um início de semestre na Unidade Morumbi. Desde então, passei por diversas experiências das quais tenho memórias que gostaria de compartilhar, como um percurso repleto de vida e movimento.

A Vila proporciona experiências importantes. Aqui vivenciei diversas funções, como estagiária, professora da Educação Infantil, formadora de professores nos cursos do Centro de Formação, professora da Pós-Graduação, orientadora da Educação Infantil e dos primeiros anos, e aguardo o que ainda estiver por vir, sempre ávida pelos desafios. Encontrei nesse tempo o que procurava: o diálogo entre a teoria e a prática sob o olhar de autores que eu sempre estudei, e ainda de muitos outros que tive a oportunidade de conhecer através de tantas ações formativas. Além disso, a atenção para o aluno em cada fase de seu desenvolvimento, repleto de respeito, escuta e propostas que o façam sempre avançar me encantam. Um lugar que certamente os prepara para a vida!

O movimento no nosso dia a dia é intenso. Em nossas prateleiras, sempre cabe mais um livro, e os mesmos precisam ser lidos mais de uma vez. Literatura, música, arte e cultura são temas presentes, bem como o respeito ao outro, a formação dos grupos e a importância da interação e da cooperação. As equipes estão sempre juntas. Os dias parecem ter muito mais que 24 horas e, ao final deles, apesar dos momentos desafiadores que os compõem, os de parceria sempre se sobressaem.

Se eu imaginar uma caixinha com tesouros guardados, como as crianças pequenas costumam fazer, terei lembranças como os amigos secretos envolvendo todos os funcionários da escola, as discussões nos primeiros Simpósios com dilemas do cotidiano, os acantonamentos do Grupo 3 e as Festas Juninas temáticas. A caixinha seria repleta de nomes, com amizades para sempre, pessoas de referência e enorme admiração. Não poderia faltar a imagem da primeira criança que vi chorar de emoção, junto a todos os bilhetes e desenhos que recebo até hoje e revelam laços importantes. Entre todas essas memórias, uma carta muito especial de pais de um aluno querido, endereçada a mim e à minha estagiária da época, da qual segue um breve trecho:

Dizem que no Japão, a ninguém é dado o direito de elevar sua cabeça à altura maior do que a cabeça do Imperador. Uma única exceção confirma a regra: o imperador japonês desce de seu trono e declina de sua vaidade e poder, baixa sua cabeça só e exclusivamente diante do professor de ensino primário (hoje fundamental). A ninguém mais. Sinal do respeito de uma cultura, sinal do valor de um professor. (…) enfim, também sou dado a observações, e, naturalmente observei vocês o tempo todo. Eu e Rosana o fizemos, às vezes comentando; às vezes no silêncio de cada um… O que percebi foi uma enorme dedicação; uma sabedoria para o ofício; uma sensibilidade para o gênero humano; quem faz relatórios daquele tipo, com tamanha riqueza de detalhes, com tal carinho? Quem vai ao ponto daquele modo, sem dar bandeira, sem fazer estardalhaço, sem chamar a atenção para si mesmo?

Vocês fizeram deste modo cada momento de nossa relação neste ano, e eu passei a admirá-las, na calma, na doçura de vocês com cada criança. Cada relatório que nos chegou e emocionou: alguém zelava e orientava meu filho; compreendia-o; despertava nele o sentido do ser humano que progride; do aprendizado, da transformação do bebê que vai fazendo a si mesmo criança – e, infelizmente, daí para frente também. (…) vocês carregam uma missão. O imperador do Japão saberia reconhecer isso.” 

Neste contexto de parceria, termino meu breve relato agradecendo todas as equipes das quais faço e já fiz parte, cada aluno e cada família que tive e tenho o privilégio de acompanhar como professora ou orientadora. Parabéns, Escola da Vila! Que venham as comemorações de 40, 45, 50… E a continuação da nossa história!

#35anosescoladavila

Zelia Cavalcanti

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Entre o passado e o futuro

Por Zélia Cavalcanti 

Quando, em 1978, resolvi abandonar o doutorado em história contemporânea do Brasil, na FFLCH, para trabalhar em uma escola de educação infantil, que minha filha começara a frequentar no ano anterior, ainda não conhecia o livro de Hannah Arendt cujo título tomei emprestado para nomear esse post e, com o qual tanto aprenderia anos depois.

O desencanto com a carreira universitária, que se mostrava, para mim, muito solitária, e o encantamento com a animada e ruidosa curiosidade das crianças por tudo que as cerca provocaram essa mudança de rumo profissional. Deixei a monitoria de seminários para grupos de veteranos do departamento de História e aceitei o convite para ser professora de uma classe de nove crianças de cinco anos de idade do período vespertino na Escola Criarte.

Gostei. Tanto que, em 1980, aceitei o convite para participar do grupo fundador da Escola da Vila, Pré-escola e Centro de Estudos. Professora, responsável pelo atendimento de pais, de novo professora e depois coordenadora de educação infantil, professora em cursos do Centro de Estudos, coordenadora do Centro de Formação. E assim se passaram três décadas e meia.

Durante esses anos, aprendi muito. Aprendi com as crianças, que me ensinaram a querer saber mais sobre elas, tanto pelo convívio cotidiano como pelo que estudei para melhor conhecê-las. Aprendi com os outros profissionais: os colegas desde o início, os que chegaram e ainda estão, e os que passaram.

Hoje tenho absoluta certeza de que, por mais que me dedicasse a ler e a estudar, sem as múltiplas interações que tive oportunidade de viver nesse período não teria aprendido o que hoje sei sobre educar e ser educador.

O tempo passou e, com ele, o meu tempo na escola. No próximo ano deixarei as atividades relacionadas ao Centro de Formação, que vinha realizando nos últimos quinze anos.

Saber que continuarei vinculada a essa maneira particular de pensar e fazer educação escolar, podendo, como já aconteceu anteriormente, compartilhar o conhecimento construído na Vila em outros projetos, é o que me dá plena certeza de que fiz a coisa certa quando, em 1978, deixei de olhar para o passado (pesquisando e ensinando história) e passei a me dedicar ao futuro, colocando todo meu interesse na educação das novas gerações.

#35anosescoladavila

Um encontro, grandes novidades!

Por Marilene Penha

-Você é a Lena, professora do meu sobrinho Wladimir? – Sim, sou eu.

- Muito prazer! Queria muito conhecê-la, meu sobrinho fala muito de você! Meu nome é Ivone, sou arquiteta, vim do Rio, estou morando em São Paulo agora, mas gostaria de mudar de profissão, será que eu poderia participar como ouvinte das suas aulas? – Bem, isso eu precisava falar com minha orientadora, olha só, ela vem vindo, vamos falar com ela já?

Algum tempo depois, Ivone se tornou educadora.

Ao longo da vida, fomos professoras companheiras de ciclo. O tempo passou, cruzamos outros caminhos, outras escolas, e, 10 anos depois, tivemos um novo encontro:

- Lena, como está você? Sabe que agora estou trabalhando na escola da Vila e, veja só, estamos precisando de uma professora para o 2º ano. Você aceitaria? – Mas, Ivone, você acha que dou conta? – Claro, Lena! Eu tenho certeza de que você vai gostar muito de lá!

E, assim, foi pelas mãos de Ivone (literalmente!) que cheguei à escola, pois, acredite, eu havia me mudado recentemente para a zona oeste e não conhecia nem a Avenida Francisco Morato, muito menos a Rua Alfredo Mendes da Silva, onde está a Unidade Morumbi.

Foi nessa unidade que minha vivência na Vila teve início. No meu primeiro dia de trabalho, Ivone me deu carona, me lembro de subir as escadas e seguir caminhando por um longo corredor, atravessando um largo espaço de muito verde, para chegar até a classe e ser recebida pelas minhas futuras parceiras e, no futuro, grandes amigas: Ângela, Mônica e Patrícia. Elas me deram uma folha com a foto de todos os meus alunos e disseram: – Aqui está o seu carômetro! Pensei: Nossa! Já vi que vou ter muitas novidades por aqui! Confesso que fiquei emocionada só de ver aquelas carinhas (que jeito bacana de conhecer os alunos antes do primeiro dia de aula!)!

Trabalhei nesta unidade por 9 anos e fui muito feliz lá. Em seguida, trabalhei mais 6 anos na unidade Butantã, onde fui igualmente acolhida e ainda me lembro do primeiro dia de trabalho: Entrei na escola e Wanilda veio ao meu encontro dizendo: – Seja bem-vinda à sua nova unidade! Durante todo esse tempo, posso dizer que eu trabalhei muito, aprendi muito, e me apaixonei ainda mais pela profissão. Hoje, acredite, já estou aposentada, mas ao lado de todas as boas lembranças que tenho: os projetos, acampamentos com as crianças, festivais de poesia, palestras, as reuniões semanais, mensais, e também aquelas que fazíamos durante os encontros para comemorar fosse o que fosse, onde de repente nos víamos falando de projetos, planejamentos, novas ideias… Ai, ai, ai, professor gosta muito de falar de escola!

Continuo sendo professora e encontrando com os antigos colegas e funcionários, e, pode crer: é sempre aquele encontro carinhoso, que só grandes amigos podem viver.

Quero dar dois recados: o primeiro é para Ivone: – Obrigada por me levar para a Vila!

E o outro, para finalizar: – Obrigada a todos e vida longa à Escola da Vila!

Marilene Penha

P.S.: Ainda guardo com carinho alguns carômetros – lembrança dos meus queridos alunos.

Jovens engajados em pesquisa científica

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Por Susane Lancman Sarfatti 

Desde que assisti ao filme chinês Nenhum a menos, penso na perfeição do título. Tenho curiosidade em saber se a tradução foi literal ou uma escolha da produtora brasileira. De qualquer forma, esse título expressa o lema de qualquer educador: “nenhum a menos”. Nenhum aluno a menos na escola, nenhum a menos na sala de aula, nenhum a menos no processo de ensino e aprendizagem.

O filme é poesia pura. Cada cena, cada ângulo da filmagem, e em cada silêncio sente-se a singela ação do diretor Zhang Yimou. A pobreza da zona rural chinesa, a precariedade da escola, a delicadeza do professor Gao reservando um único giz para cada dia letivo, e a obsessão da professora substituta para cumprir a missão a ela reservada de não deixar nenhum aluno partir da escola fazem desse filme uma obra-prima.

Nenhum a menos! Entretanto, me vi deixando alunos para trás nesse mês de novembro. Explico: a Escola da Vila fez uma parceria com o Instituto Butantan para que alunos do Ensino Médio participassem de pesquisas desenvolvidas nesse centro de excelência de pesquisa científica nas áreas de Biologia e Química, mas era preciso um processo seletivo.

Sem dúvida, uma oportunidade incrível. Mas, não era possível absorver todos os candidatos. O lema era: “alguns a menos”.

Claro que participar de processos seletivos é educativo. Podemos, inclusive, nos lembrar de todas as frases clichês: “a vida não se faz só de sucessos”, “saber perder é importante”, “é preciso aprender a cair e levantar”, “os fracassos moldam o caráter”. Mas, confesso, que como educadora sofri para escolher os alunos participantes.

Primeiramente, duas pesquisadoras foram às classes de 1º ano para apresentar as linhas gerais de suas pesquisas, que aceitavam pesquisadores aprendizes. Erika Zaher, na área de Biologia, dirigindo pesquisa relacionada a migrações de pássaros e borboletas, e Sonia Aparecida de Andrade, na área de Química, com vacina a partir da saliva de lagartas. Foi possível observar, desde os primeiros minutos, a atenção dos alunos, os olhos de alguns brilhando. Logo em seguida, a inscrição dos candidatos durante a hora do recreio.

Como selecionar? Decidimos com as pesquisadoras que as notas dos alunos na disciplina em questão seriam um dos critérios, e outro seria a escrita de um texto em que os alunos explicassem a razão de seus interesses em participar da pesquisa.

Recebi mensagens no Facebook e visitas à minha sala para saber mais como escrever o texto. A ansiedade era visível, tanto antes da entrega quanto depois, quando os alunos queriam saber do resultado.

Lemos, eu e Fermin, todos os textos. A cada leitura a decisão se tornava mais penosa. Conhecendo a história de cada um deles, ficava difícil não avaliar o impacto da escolha. Passamos os textos às pesquisadoras para que elas pudessem nos ajudar na seleção. Decisão acertada, porque elas puderam verificar se o interesse do aluno estava alinhado com o trabalho de pesquisa que seria realizado e, desta forma, serem mais objetivas.

Agora, nossos alunos selecionados estão trabalhando quatro horas semanais no Instituto Butantan como pesquisadores-aprendizes, e acreditamos que essa experiência venha a contribuir no processo de formação de cada um deles.

Agradeço imensamente à Erika, que trouxe a ideia para Escola, e à Sonia, que me receberam no Instituto Butantan para explicar o projeto. Esperamos que essa parceria dê muitos frutos, e que tantos outros alunos possam participar desse projeto.

Em breve, espero que os alunos-pequisadores escrevam no blog da Escola nos contando suas vivências.

#35anosescoladavila

Por Tarcila Predieri Proto

35 anos de Escola da Vila… E eu aqui há 25! Cheguei em 1990, na antiga terceira série do primário, e desde então faço o mesmo caminho de casa para a escola e da escola para casa… antes como aluna, e agora como professora.

E foi aqui, muitos anos atrás, que me encantei pelo esporte e ganhei minha primeira medalha, de prata, em 1992.

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Por incrível que pareça, essa é a calçada da escola… quantos já passaram ou ainda passarão por aí?

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Esse é o outro lado da rua… Com o segurança Edson, que ainda está conosco, agora como porteiro. E essa na foto, junto com a gente, é minha amiga até hoje. Chegou a trabalhar aqui, no laboratório, e nos conhecemos em 1988.

Ah, sim! As verdadeiras amizades continuam… Mesmo fora da escola!

Cheguei a ser monitora de matemática no então 1º ano do colegial, com o apoio das minhas professoras Chacur (de álgebra) e Inez (de geometria).

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E, o que falar deles, dos professores?

Júlio tinha cabelo, Washington usava óculos, Marcio e Marcelo formavam “a dupla perfeita do samba”, viviam cantando pelos corredores. Mas todos com a mesma essência até hoje.  Ensinar, por meio da prática esportiva, valores importantíssimos que usaremos para o resto de nossas vidas: cooperar, dividir situações de sucesso e fracasso, coragem para enfrentar desafios, condições para resolver problemas. Eu não fazia ideia de nenhum desses valores! A gente só entende depois que sai da escola…

Porque, enquanto eu estava na escola, quando perdia um gol, tinha vontade de sair da quadra, e quando perdia um jogo, queria parar de treinar… E só hoje entendo que tudo isso faz parte! E que jogar o próximo jogo é ainda mais desafiador e gratificante!

E o que falar do espaço físico? Quanta mudança. O atual ginásio (quadrona) era descoberto, como mostra a foto da cerimônia de abertura da PRIMEIRA OLIMPÍADA DA ESCOLA, em 1990.

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Sim, este é o nosso atual ginásio coberto!

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Nesta foto estou me preparando para a Cerimônia de Abertura… E essa escada de barro é hoje a nossa arquibancada!

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Nesta foto, vai começar o meu primeiro jogo pela escola… “câmbio”. E eu sou aquela, com a cabeça baixa, olhando pra mão… Será que eu estava ansiosa?

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Aqui estamos exatamente onde fica hoje a nossa cantina!

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E ficar na escola para assistir aos jogos do irmão? Claro, era super divertido!

Coisas simples eram muito disputadas, como ficar no placar manual trocando os números a cada gol ou tirar a lama da quadra para que o jogo pudesse continuar…

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E se eu disser que a Wanilda está nessa foto, vocês acreditam? Sim, ela nos acompanhou por anos e anos nas olimpíadas da escola.

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Depois de uns anos, o alambrado foi colocado em volta da quadra e, um pouco mais tarde, o ginásio foi coberto.

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E a sala dos professores de educação física? Nem sonhava em existir! Só havia bananeiras!

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E, claro, eu não poderia nunca deixar de falar deles, dos meus pais!

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Eles estiveram presentes em todos esses momentos, em todos os jogos, em todos os gols, em toda essa caminhada!

Agradeço a todos, todos os dias, por poder ter feito parte disso, com tantas lembranças e conquistas!

Agradeço a todos os professores, que tanto me ensinaram e me prepararam para eu estar aqui hoje fazendo tudo de que mais gosto, e com o que mais me identifico! E essa história, tenho certeza, também será contada por muitos alunos!

E que ela nunca tenha fim!

Tarcila Predieri Proto

Ex-aluna 1990-1998

Estagiária 1999-2003

Professora 2003-2015.

Passagem dos alunos do 9º ano para o Ensino Médio

9ºs anos

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Por Susane Lancman Sarfatti

Momentos de passagem são propícios para a reflexão. Assim, a passagem dos alunos do 9º ano para o Ensino Médio é um ótimo momento para pensar: “Que tipo de aluno tenho sido? Que tipo de jovem venho me tornando? Estou satisfeito com as minhas escolhas?”.

São muitas as etapas que compõem esse processo de reflexão: conversa com os orientadores, questionário, dinâmica com os alunos veteranos do Ensino Médio, avaliações e, por fim, uma entrevista entre cada aluno e sua família com a equipe do Ensino Médio.

O jovem aluno do 9º ano está em sua sala de aula quando é chamado por uma monitora para comparecer à sala de reuniões. Lá, encontra sua família. Todos estão reunidos para falar desse momento de passagem. Há uma tensão no ar! De todas as partes. Somos desconhecidos. O tempo é restrito para uma conversa que deve ter seu tom de seriedade, um tanto de informação e espaço para revelações. São singelos 30 ou 40 minutos em que aparece angústia com o que está por vir, medo dos novos desafios, surpresas com o desempenho nas provas de passagem, análise de percursos, choro de emoção de pais e alunos, e algumas risadas de descontração. “Minutos intensos”, foi o que escutei de muitos entrevistados ao final do encontro.

Uma aluna entra na sala de reuniões e pergunto: “Como se sente estando prestes a entrar no Ensino Médio?”. Ela me olha como se eu estivesse fazendo uma pergunta sem nexo, e me diz: “Estou tranquila”. Com esses exatos 5 segundos iniciais, já é possível traçar o roteiro da entrevista: a tranquila jovem precisa compreender o significado desse momento de passagem para que possa ter mais tempo de elaborar o que está sendo finalizado e o que está por vir.

A classe que frequenta há 4 anos deixará de existir, muitos amigos estarão em salas diferentes no ano seguinte, das 8 disciplinas curriculares passará a ter 11, dos velhos conhecidos professores do Fundamental 2 não sobrará nenhum para dar aula no ano seguinte, do conhecido prédio em que sabe seus detalhes irá para um prédio novo com tanto para descobrir, da posição de aluna mais velha do Fundamental será a pirralha do Ensino Médio, o grau de exigência e profundidade em relação aos conteúdos que vêm crescendo ano após ano terá um salto considerável…

Enfim, não estamos em momento de maré tranquila, e é preciso que os alunos percebam isso para se preparar. Depois de 35 minutos de conversa, a aluna me questiona: “Seu objetivo era me deixar nervosa?”. “Em certo sentido, sim”, respondo. “Então, você conseguiu”, ela diz sorrindo. Ufa! Objetivo cumprido, que venha a próxima!

A porta se abre e entra um aluno escoltado pelos pais. A mãe senta-se de um lado, o pai do outro, e o filho entre os dois. Faço a pergunta de praxe: “Como se sente estando prestes a entrar no Ensino Médio?”. O menino olha para seus portos seguros e, com um meio-sorriso, diz: “Muito nervoso”. Ele passa a contar o que os irmãos mais velhos lhe dizem em casa em relação ao Ensino Médio, e há um certo tom de terror: “Tudo lá é MUITO mais difícil”. Os pais olham com pena para o filho caçula, parecem também sofrer. Assim, durante a conversa, o foco é desmistificar ou dimensionar o tamanho do MUITO, que para alguns alunos toma o tamanho de um monstro tão grande, que pode ser paralisante. Uma estratégia é analisar o processo de aprendizagem do Fundamental 2, e as provas de passagem do aluno em questão e fazer uma projeção do tamanho do desafio. No final do encontro o aluno me pergunta: “Então, você está me dizendo que o desafio não vai ser tão grande?”. “Veja bem, não faço profecia, mas a projeção para o Ensino Médio em relação ao seu desempenho me parece boa, você sempre foi um excelente aluno, não é mesmo?”, respondi. Às vezes é preciso reafirmar o óbvio para dar segurança nesse momento de passagem.

Um assunto frequente trazido por alguns dos alunos nesses encontros é a “injustiça pedagógica”. Muitos querem entender por que estudam muito e o desempenho é baixo, enquanto outros estudam menos e têm melhor desempenho. Isso não é dito em tom racional e como mera curiosidade, ao contrário, as lágrimas rolam e o tom de revolta aparece na frase:  “Isso não é justo!”. Pois é, a questão é complexa, são muitos os fatores que explicam a maior ou menor dificuldade do aluno em determinado conteúdo escolar e, em 30 minutos, o que é possível discutir é o grau de disponibilidade de aprendizagem que o aluno pretende ter no Ensino Médio para continuar avançando. A fórmula EMPENHO E DESEMPENHO não parece mesmo muito justa, então, nos resta calibrar o empenho para ter maior desempenho, mesmo que a calibragem de cada aluno seja muito diferente. “Abaixo a injustiça pedagógica! Eu também apoiaria o manifesto que uma aluna disse que iria fazer.

Depois de aproximadamente oitenta entrevistas, sinto que também vivi um turbilhão de emoções participando da história de cada um dos alunos e de seus familiares.

Infelizmente, não será possível me lembrar de todos os detalhes ali vividos, mas terei a oportunidade de acompanhar e participar da história que cada um desses alunos irá construir no Ensino Médio.

#35anosescoladavila

Maria Inez  de Castro Cerullo

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Por Maria Inez de Castro Cerullo

Em 1995, mais precisamente no meio do ano, professores e funcionários do Colégio Fernando Pessoa ficaram sabendo que a escola havia sido vendida e que os novos gestores queriam se apresentar e conversar conosco.

Nessa reunião, lembro bem de Sônia Barreira, grávida de seu filho mais novo, e de Zélia Cavalcanti com um laptop “moderníssimo” para a época se apresentando, informando e tranquilizando a equipe de professores e orientadores. Então continuamos como professores, agora da Escola da Vila.

A partir daí, foram 20 anos de muita aprendizagem, muita desestabilização e aprimoramento da prática pedagógica, pois a Vila está sempre se renovando. Da série final do Ensino Fundamental 2 passei ao Ensino Médio, novos desafios vieram e muitas boas lembranças ficaram. Alunos que voltam à escola dizendo o quanto fomos importantes na sua formação, colegas com quem convivi e que me fizeram aprender mais e muito.

Dizem que trabalhar em educação com adolescentes é sempre fazer uma aposta, pois na maioria das vezes não vemos o “produto final” de nosso trabalho. Mas, às vezes, temos essa possibilidade, como nos encontros de 10 anos de formados de nossos alunos ou quando ex-alunos tornam-se colegas, e esses momentos são muito especiais para um educador.

Enfim, como cheguei à Escola da Vila? A Vila chegou até mim, me fez parte de sua equipe e ficou na minha vida.

Parabéns pelos 35 anos!

#35anosescoladavila

Angela Crescenzo

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Por Angela de Crescenzo

Muitas coisas já foram escritas, muitas palavras lindas e por muitas pessoas a respeito dos 35 anos da Vila! Então… O que escrever??!!

Minha história se mistura com a história da Vila desde o final dos anos 80! Eu tinha uma escola e a equipe da Vila dava supervisão para nós da escola Fênix!! Passado um tempo, minha vida tomou outro rumo e nossos caminhos se distanciaram fisicamente, mas não por muito tempo!!

Voltei à escola como mãe. Afinal, só tinha uma escola em que acreditava e queria que minha filha estudasse, a Escola da Vila!!

Depois de alguns meses, fui convidada a assumir uma classe de 1ª série, em agosto!!  O desafio era grande, ainda mais começando com uma classe no meio do ano. Mas, preciso dizer, foi um ótimo começo. Por essa razão, desde então, durante estes 22 anos, estamos juntas, a Vila e eu!! Choramos, rimos, aprendemos, crescemos, estudamos…

Muitos aspectos me dão orgulho em trabalhar nesta escola: um deles é fazer parte e ajudar na construção permanente deste  projeto pedagógico e, assim,  também  ir me transformando como profissional.

Sou apaixonada pelo que faço!

Faz alguns anos, deixei de trabalhar no fundamental 1 e passei a atuar no fundamental 2, como orientadora educacional. Estou trabalhando com os adolescentes, fase de muitas transformações e inquietações, bem como de muita criatividade, muitos planos, desejos de mudança, tudo isso pode ser potencializado desde que o ambiente escolar também crie situações para que os meninos e meninas possam discutir, refletir e protagonizar projetos, visando compreender a realidade e seu papel dentro dela e as possibilidades de transformação. Este é outro aspecto que me causa orgulho, aqui na Vila isso é considerado, e os alunos são convidados a aprender a conviver num espaço coletivo sem perder sua individualidade e buscando constituir-se como pessoa.

E o que dizer dos projetos desenvolvidos em cada disciplina? Poderia ficar elencando muitos, mas julgo que não seja necessário, pois todos que fazem parte desta escola já os conhecem de alguma maneira.

Enfim… São muitas palavras, saberes  e sentimentos que me unem à Escola da Vila!

Este trecho da  poesia “A Escola é“, de  Paulo Freire, ilustra um pouco de tudo isso:

“(…) Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar,

É também criar laços de amizade, É criar ambiente de camaradagem,

É conviver, é se ‘amarrar´ nela!

Ora é lógico…

Numa escola assim vai ser fácil! Estudar, trabalhar, crescer,

Fazer amigos, educar-se, ser feliz.”

Eu sou e estou “amarrada” na Escola da Vila!! Parabéns!!! Que venham muitos e muitos 35 anos!!!!