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Uma Vila de muitas experiências

Por Elvira Nadai

Meus dois filhos, Bruno e Mariana Nadai, foram alunos da Escola da Vila. Bruno, do pré à 5ª série,  como se falava entre 1987 e 1995. A Mari fez todo o ensino infantil e básico na escola. Entrou com três anos e saiu com dezoito, diretamente para a faculdade de jornalismo, em 2002. No painel de formatura dos alunos, uma das frases que definia sua passagem era: “18 anos de vida, 15 anos de Vila”. Bem legal, não é?

Eu e o Nadai escolhemos a Vila sabendo perfeitamente que tipo de formação escolar desejávamos para nossas crianças, e tínhamos confiança de que poderíamos encontrá-la ali: uma formação humanista, que estimulasse o companheirismo, a solidariedade entre as crianças e o respeito pelo outro. Que investisse, de fato, na curiosidade intelectual e na autonomia dos alunos, na confiança para perguntar e para polemizar. E, como todas as crianças, incluindo as minhas, perguntavam e polemizavam, confesso que, às vezes, cansava um pouco. Mas valeu a pena, afinal e ao final.

Tivemos dúvidas em relação ao ensino e à aprendizagem da moçada? É claro que tivemos: quando as crianças diziam que escreviam de seu jeito e eu, agoniada, achando que podiam aprender “errado”; quando nos atrapalhávamos com as atividades de Matemática e a gente sem poder ajudar diante daquelas tais de base 2, 3, 4  (ainda bem que a Iole Druck, professora do departamento de Matemática da USP veio em nosso socorro e entendemos mais ou menos as “bases” desconhecidas para a maioria dos pais); quando a primeira turma de 5ª série começou e nos dividimos entre nos solidarizar com os professores (e direção), suas novas dificuldades e desafios, e encontrar maneiras de controlar nossas próprias dúvidas e inseguranças com as “novidades” daquela fase. É certo que houve momentos em que nos sentimos meio “cobaias” naquele início.

Conflitos??? Vários, e de natureza e graus diversos… Qual comunidade não os tem, com a reunião de pessoas diferentes, com conhecimentos diversos, expectativas variadas, etc etc. Experimentamos conflitos quando nem todos os pais concordamos com a primeira expulsão de um aluno, medida que consideramos excessiva; quando Mari e amigas queriam permanecer na escola depois das aulas e a Sônia não concordava, pois elas distraiam os alunos da tarde, especialmente os meninos mais novos. De meu lado, achava que era muito bom os alunos gostarem da escola e de ficar na escola, ou quando eu me metia a achar que esse ou aquele conteúdo poderia ser aprofundado.

Mas quantos momentos deliciosos vivemos (e não vivenciamos, pois essa expressão é insuportável) nestes anos todos, ao percebermos o gosto em aprender das crianças, sua evolução e amadurecimento intelectual; ao participarmos de reuniões de pais e professores realmente produtivas e esclarecedoras. As festas juninas, os festivais de poesia do Fernando Pessoa, as atividades pedagógicas no dia a dia da escola e nos estudos do meio que nos faziam lamentar não termos tido acesso a uma escola assim no nosso tempo. Certo dia, Mari me levou a uma quase “epifania”: passeávamos em um sítio nas imediações de Cotia, e ela, ainda no segundo ou terceiro ano do fundamental, olhou para uma plantação vizinha e nos disse: “olhem, até parece um quadro de Van Gogh”. Demais, não?

Como mãe e jornalista da área de comunicação em educação, aproveitei cada momento em que meus filhos estiveram na Escola da Vila. Aprendi muito, me diverti um bocado, cobrei à beça. Fui uma “cricri” quase em tempo integral, segundo a Sônia. Tanto que ela, com seu humor peculiar (rsrsrsrs), me agraciou com o título de “mãe mais chata da escola”, na formatura de ensino fundamental da Mariana. Ganhei um lindo buquê de flores do campo, que adoro, e subi bem orgulhosa ao palco para recebê-lo. Era um elogio e um recado sobre a importância da participação da família na educação de seus filhos, o que a Sônia tratou de esclarecer logo, para alívio da plateia já meio incomodada. No final, rimos todos.

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Cristina Preta

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Por Maria Cristina Pereira (Cris Preta)

A Escola da Vila se mistura à historia da minha vida, dos meus ideais, dos meus sonhos e também dos meus desapegos.

Minha história com a Vila começou quando nós, um grupo de educadores idealistas, ou talvez sonhadores, criou uma escola que se chamava Criarte, em 1972. Sonhávamos mudar o mundo educando crianças com liberdade, já que vivíamos em plena ditadura e éramos apaixonadas por pensadores que nos faziam aspirar a um Brasil melhor.

Durante alguns anos, mantivemos essa escola para crianças pequenas, até que começamos a pensar nas crianças maiores. Juntamo-nos, então, a um grupo educacional mais experiente, que trabalhava com classes de 1a. série em diante. Mas ficou claro, muito rapidamente, que não era esse o nosso caminho.

Fomos corajosas, optamos pela separação, por começar de novo, deixando até nosso precioso piano para elas.

Foi assim que nasceu a Escola da Vila.

O local não podia ser outro: Vila Madalena, bairro já habitado por artistas, intelectuais, além dos moradores originais, que ali viviam há muitos anos.

O nome inspirador foi dado pela Rosa, perfeito.

Éramos uma comunidade, revezávamos os cargos, ora éramos professoras, ora orientadoras.

Foi esse revezamento que me fez sair por um tempo da Escola. Eu não queria voltar à sala de aula, pois tinha duas filhas quase bebês. Resolvi, então, comunicar ao grupo minha decisão e foi esse o momento do desligamento. Quem não aceitasse a regra tinha de deixar a sociedade. Optei por ficar com os filhos e sair da Escola. Foi cruel, mas era assim que funcionávamos.

Nesse período de afastamento, formei-me em Psicodrama Pedagógico e tentei nova vida profissional. Mas, no meio do caminho, apareceu o livro Psicogênese da língua escrita, de Emília Ferreiro e Ana Teberosky. E lá estava eu, de novo, envolvida com o mesmo grupo, estudando o que, para nós, foi uma revolução.

Decidi voltar à Escola como professora de alfabetização, para experimentar tudo que aprendíamos nos livros. Foi assim que a intenção de ficar um ano em uma classe se estendeu por quatro anos, depois por mais outros tantos como coordenadora e professora do Centro de Estudos.

Até que o mundo me chamou de novo e acabei indo para o MEC fazer os PCNs.

Hoje, acompanho o crescimento da Escola e ainda sinto um grande orgulho de tudo.

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Liliane Neves

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Vila na veia

Por Liliane Neves Gomes
educadora, mãe do Lorenzo, da Luísa e do Bruno Santiago

Minha história com a Escola da Vila começou em 1990. Ainda na Faculdade de Pedagogia, uma professora falou de uma escola progressista, que dava cursos para professores. Me inscrevi no curso da Daniela Padovan, um grupo de estudos de Psicogênese da Língua, tudo novidade.

Me apaixonei pela escola e não parei mais de participar dos cursos de formação. Dar aulas na Vila era impossível, morava sozinha e precisava dobrar período na escola, e isso era inviável para um professor na Vila. Não desisti da escola, decidi que, quando tivesse filhos, eles estudariam na Vila, detalhe: eu era solteira.

Em 1999, Lorenzo realizou a profecia anunciada, estreou no grupo 1. Em 2000, foi a vez da Luísa. Em 2006, o Bruno iniciou em uma escola toda nova, sem sala com porta em arco, sem banheiros da “fazenda”, mas, fazer o quê? A modernidade chegou à Vila também.

Foram muitos anos de escola, de festas juninas, pouquinho de Brasil, anos 60, festas das 8as, livros da família, tudo 3 vezes, tudo igual e tudo diferente.

Mas o mais marcante da Vila pra mim é a marca que foi deixada nos meus filhos, na forma de ser, na forma de se relacionar com o mundo aqui fora, no olhar para o diferente, no compromisso com a realidade e na liberdade de não seguir a moda ou o padrão estabelecido. Hoje, o Lorenzo (19 anos) cursa jornalismo na Unesp; a Luisa, Serviço Social, na Unifesp; e o Bruno está no 6º ano, todos muito felizes. Pra mim, uma honra, um orgulho, ter uma escola que, de fato, dividiu conosco a difícil tarefa de educar filhos e cidadãos.


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benny

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Por Benny Sadka, aluno do 5º ano

Entrei na Vila no primeiro ano. Meu primeiro dia de aula foi meio chato porque eu não conhecia ninguém, então eu ficava sozinho. Mas uma semana depois eu fiz um amigo, e ele me ajudou a fazer outros amigos na escola. Depois que fiz meus amigos segui com a escola e teve a Festa Junina, que gostei muito, por isso é o meu evento favorito.

No começo do ano seguinte tive uma professora muito legal e divertida. Ela se chama Andrea Polo e até hoje ela é a minha professora preferida.

Parabéns Escola!


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Escola da Vila e eu, uma história antiga e duradoura

Por Sandra Durazzo

Meu nome é Sandra Durazzo ou, como costumam se referir a mim aqui na Escola da Vila, a Sandra de inglês. Mas a minha história não começou com inglês, ou melhor, começou sim. Eu sou professora mais ou menos desde que nasci. Meus melhores amigos sempre me disseram que, faça o que fizer, você “É” professora e sempre será. Estavam certos. Foi por meio de aulas de inglês para executivos, num momento em que a minha carreira de engenheira tinha ficado de lado devido à maternidade, que eu conheci o Thomás, a Sônia e a Escola da Vila. Na época, procurava uma escola para a minha filha mais nova e, ao conhecer o projeto da Vila, senti que aqui ela seria feliz. E foi. Ela, e logo depois meu filho mais novo, viveram momentos marcantes desde o grupo 1 até a formatura no Ensino Médio. Hoje são jovens adultos daqueles que, depois de conversar um tanto, pensamos: “Que gente bacana!”.

E como é que virei a Sandra de inglês? Bem, após alguns anos de festa junina, reunião de pais, festa para as professoras dos filhos, enfim, de curtir o papel de mãe da escola, a Sônia me deu um voto de confiança gigante ao me convidar para dar aulas de inglês substituindo a professora Zínia, que tinha decidido seguir outros caminhos. Cheguei sem nem entender algumas das perguntas e respostas nas reuniões pedagógicas e, graças à generosidade e à paciência da Ivone, aprendi muito, construí muito e fiz inúmeras relações maravilhosas com alunos, professores, funcionários e pais (meu facebook é recheado de ex-alunos com seus filhos, mestrados, carreiras e conquistas).

As portas que a Escola da Vila me abriu foram incontáveis. Pude participar da construção do projeto de inglês na escola. Contribuo até hoje com a consolidação desse projeto e a formação dos professores. A empresa que montei com a Vera, outra professora da escola, multiplica o saber adquirido. Os cursos do Centro de Formação que ministro me proporcionam a chance de pensar a educação em uma perspectiva mais abrangente do ponto de vista geográfico. Os amigos que fiz aqui me acompanham em comemorações e saudades. Enfim, minha vida se transformou, consolidando o que meus amigos já sabiam: sou professora! Continuo estudando muito, afinal, essa é uma característica da Escola da Vila: uma instituição que aprende, que se reinventa o tempo todo, que enfrenta seus obstáculos com estudo, transformando-os em novas vitórias.

35 anos. Que sejam mais 35 e mais 35, formando “gente bacana” e abrindo portas para outros sortudos como eu! Parabéns!!!


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celia ribeiro

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Por Célia Ribeiro

Minha história com a Escola da Vila começou há 25 anos, em 1990, quando fiz um curso no Centro de Formação. Saí do curso apaixonada ainda mais pelo Construtivismo e com um sonho: de que meu filho estudasse na Vila.

Na época, eu trabalhava na Pré-escola Sementes do Amanhã, uma pré-escola aberta por mim e por outras educadoras que, assim como eu, haviam trabalhado na Chácara do Bambu (escola construtivista que funcionava onde hoje é a unidade Morumbi).

Por muitos anos, alfabetizei várias crianças com essa proposta encantadora de ensino. Na época, a Escola da Vila era a maior referência em Construtivismo entre os educadores.

Por motivos diversos, encerrei as atividades do Sementes do Amanhã, mudei totalmente de área profissional e, passados 15 anos, meu filho Lucas nasceu.

Em 2011, meu sonho começou a se realizar: o Lucas entrou no Grupo III da Vila – Morumbi.

Quando vim matriculá-lo, entrei novamente naquele espaço tão conhecido por mim, afinal, trabalhei lá por dois anos, quando era a Chácara do Bambu.

Senti uma emoção muito grande ao rever todas as árvores preservadas, o casarão reformado. Enfim, lá estava eu no mesmo lugar que fizera parte da minha vida no passado como professora, agora num novo papel, como mãe de aluno.

Dentre muitas coisas de que gosto na Vila, uma delas é o espaço, ele agrada muito os meus olhos.

Fico muito feliz em ter realizado o meu sonho, e também do Lucas ter a oportunidade de estudar numa Escola tão bonita, com árvores, bancos ao ar livre, uma biblioteca colorida e arejada.

Parabéns Escola da Vila, pelos seus 35 anos de preservação do espaço, dos conceitos, e, ao mesmo tempo, pela inovação do espaço e dos conceitos que estão em frequente adaptação aos novos tempos sem perder sua essência inicial.

Parabéns !!!!


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Kallyne e Alexandre Ciorciari

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Por Kallyne e Alexandre Ciorciari

E a nossa história é tão romântica que não poderíamos deixar de relatá-la.

Nossa pequena GIULIA, a essa altura no G3, foi mordida na boca por um cão da família! Não queria ir para escola, pois todos perguntariam o por quê do curativo, dos pontos no lábio. Tive uma conversa rápida com a coordenadora logo na entrada, que já sabia das dificuldades da nossa pequena em compartilhar coisas de casa com a escola e vice-versa. Como esperado, me tranquilizou dizendo que conversaria com a professora para ficar atenta, colocar-se à disposição para falar do assunto se achasse necessário, mas o que nós, pais, não esperávamos, é que essa preocupação da escola perduraria. Meses depois recebi uma ligação da coordenadora, Dayse, contando que a professora, muito habilidosa, aproveitou uma situação que ocorreu com um dos alunos que havia chegado à escola com o queixo suturado e ansioso para contar aos colegas. Imaginem que a professora fez uma roda de conversa para que todos ouvissem a história dele, e também contou uma experiência, dela mesma, semelhante à dele, abrindo espaço para mais alguém contar uma experiência parecida. E, adivinhem?! A GIULIA contou com detalhes o ocorrido, e a coordenadora, ansiosa em me contar a conquista da Giu, me ligou imediatamente, assim que soube.

Parceria assim no processo de desenvolvimento dos nossos filhos não tem preço!!!

Como boa escola que é, não ficamos com esse episódio somente. Vou relatar mais um que também foi excepcional!!!

Neste mesmo ano, 2012, faleceu o avô paterno. Achamos por bem manter a rotina dela daquele dia, pois ir à escola seria menos difícil que ficar o dia no velório. Contamos com a mãe de uma amiga da GIULIA para levá-la à escola.

Ligamos avisando a secretaria do ocorrido, até para a professora não ter surpresas com qualquer possível mudança no comportamento da Giu. E a coordenação, na época, a Dayse, me retornou minutos depois. Declarou o seu pesar pela perda e de quebra ainda nos enviou um texto maravilhoso que trata de morte e de como conversar sobre essas perdas com as crianças! Quanto acolhimento! Que parceria! Obrigada ESCOLA DA VILA!


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Vilaline

Por Aline Gasparini Montanheiro

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Começamos pequenasaline_1
Grupo 1, 2, 3, 4. “Pré”, não!
Sala grande, porta azul abobadada
Cantos, cabaninha, roda…
Banquinhos azuis com furo no meio
Tanque de areia e brinquedão
Grupos, histórias, recontos
Leitura, biblioteca, apresentação

Era uma vez
A alfabetização construtivista
Que reescrevendo histórias
E informando de um polo a outro
Tomou forma e criou sentido
Tornando-se clássica
Quase como a Grécia Antiga aline_2

Aguça-se o gosto pela leitura
Mas de ir ao parque não vemos a hora
Inscrevemo-nos nessa tessitura
Tal como imigrantes
Tateando nossa própria memória

Dos mamíferos aos microorganismos
Da primeira prova à tabuada pensada
Do jornal à poesia
Dos anos 60 aos quilombos
E na arte encontramos moradia

Como a gente cresce…
Fica crítica, analítica, moderna e contemporânea
Tipo um Outsider
Tenta se controlar
Mas não consegue
Bora pra Ubatuba, Paraty ou Petar aline_3
Que tudo segue

Aquela do início
Não é mais a mesma
Muitos por ela passaram
Alguns ficaram
Outros ainda virão

Mas Ensino Médio é preciso
Sem alívio, mais pressão
Não pode olhar pra trás
Senão perde o ar
Ainda tem que pensar
No vestibular!

A tal da bolinha
Saiu da caixinha
Está diferente
Abriu mais a mente marca
É professora
Aluna de outrora
Pra escola voltou
Aqui estou!

- Você é filha da Vila?
Perguntou alguém.
A questão talvez seja:
- Essa história é de quem?


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Aurea

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Por Áurea Trigo, telefonista da Escola da Vila

Memória é invasora, memória me acorda no meio da noite, me sacode no fim do dia, soprando no ouvido: “Conta aquela: vão gostar, não duvido…” (Augusto Boal)

Cheguei! Na Escola da Vila.

“Senti o frescor das árvores e o acolhimento do canto dos pássaros assim que cheguei ao seu portão”. Entrei e adentrei.

Depois disso, fui ficando, ficando, e já conto com vinte anos de trabalhos prestados no setor de telefonia da escola.

Entre tantas histórias vividas na Escola da Vila, vou escrever sobre um assunto que mexe com todos os seres humanos. Algo que gosto de fazer, pois sei que, com esse gesto, posso proporcionar momentos de alegria e prazer. Um belo prato com comida fresquinha, saborosa e feita com muito carinho. Fiz um combinado com minhas colegas do administrativo: nas férias de julho, em uma sexta-feira de muitas vividas neste vinte anos, eu faria um almoço para todas elas. Compartilharia meus dotes culinários e também seria uma forma de provar o meu bem querer por todas elas. Nosso almoço teria um cardápio para agradar a todos os paladares. Eu seria a cozinheira. Tudo combinado e, já que o assunto é comida, fizemos uma “vaquinha” para a compra de todos os ingredientes.

Caprichei no cardápio escolhido. Cação ao molho de camarão com arroz branco soltinho, purê de mandioca com leite de coco. Salada completa. As sobremesas, escolhidas por todos: doce de abóbora, cocada mole de colher e queijo branco fresco, torta de limão. Essa parte preparada toda em minha casa, para ganharmos tempo no preparo do almoço.

A cozinha ficava em ebulição total. Das panelas e das pessoas. Quando os aromas dos temperos do alho e da cebola subiam ao ar, espalhavam-se pela escola, esticando-se até as salas onde elas estavam trabalhando. Logo a cozinha estava cheia de “degustadores oficiais”. Entravam e diziam: “Se você não me deixar provar, vou ter um treco! Vou passar mal! Tô com fome!” Voltavam para suas salas com uma “provinha da comida”.

Próximas à cozinha, ficavam as salas dos grupos com suas mesinhas e cadeirinhas, e lá foi organizada a grande mesa para o nosso banquete. Chegou a hora de servir o tão esperado almoço. Todos sentados rindo, dizendo que, finalmente, estavam passando até mal de tanta fome! Servimo-nos dos alimentos todos ali juntos. Naquele dia, contamos muitas piadas, rimos tanto, tanto. Acredito até que só por estarmos usando o espaço e as mesinhas dos alunos, viramos naquele momento, também crianças, podíamos rir sem sermos tão severos adultos!

Passamos horas assim juntos. Ou foi só uma hora? Foi tão bom! Que deixamos agendado o próximo almoço. Passei o cardápio, Frango no Ninho. Todos concordaram, já imaginando sentir o aroma delicioso que iria exalar da cozinha.

Cada um cuidou de lavar seu prato, seu talher, limpamos tudo, e a cozinha de repente voltou ao normal do dia a dia. Agora na cozinha invadia o aroma do café coado. Impossível evocar as lembranças queridas sem me emocionar.  Trazer à minha memória o rosto de cada colega e seu riso feliz, dizendo: “Muito obrigado! Estava uma delícia!”.

Hoje já não fazemos mais esses almoços de férias, mas ficaram gravados em meu caderno de receitas todos os pratos que fiz. Os que agradaram mais o paladar de cada colega. A Rô, com o creme de mandioquinha com salsão e bacon. A Vera, com o macarrão à pizzaiolo e a macarronada à bolonhesa. A Cida, com a costelinha assada no vinho e as batatas sotê. A Luzinete, com o Yakisoba. A Dona Nenê, com o arroz e a couve. A Sílvia, com a feijoada, o peixe, o frango xadrez, a berinjela no forno e um quiabo com polenta recheada. Acho que era a mais fiel fã da minha  gastronomia.

Quem quiser ainda tenho as receitas.

Obrigada à minha querida diretora Ana Maria Cerqueira, que sempre participou desses nossos almoços e durante eles rimos muito.

A propósito, ela adora um delicioso pastel e uma gostosa sopa de agrião.

Aproveito para aqui agradecer e parabenizar as diretoras da Escola da Vila por seus trinta e cinco Anos de Vida com vidas.


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andrea_monteiro

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Por Andrea Monteiro

A Vila tem uma história interessante com a minha vida. Tenho uma irmã pedagoga que hoje está com 45 anos. Quando éramos estudantes, ela chegava tarde da noite algumas vezes em casa e, como dividíamos o mesmo quarto, muitas vezes ela comentava que tinha ido fazer um curso na Vila. E assim aconteceu por diversas vezes.

Na minha cabeça, a Vila era uma central de cursos para professores e estudantes de magistério, nada além disso.

Passados 8 anos, eu me casei, e minha enteada estudava na Vila, Marina Monteiro, e sua mãe era professora de História da Vila, a Conceição. Foi aí que entendi que a Vila era uma escola, Escola da Vila.

Dois anos depois, nasceu minha primeira filha, Beatriz Monteiro, morávamos na época em Moema, e ela acabou estudando a pré-escola num colégio do bairro.

Quando ela tinha 7 anos, mudamos para o Alto de Pinheiros e, de repente, eu estava matriculando minha filha naquela Escola da Vila que eu achava que era uma Central de Cursos para pedagogos… Acabei colocando ela na Vila sem nenhuma referência, o objetivo único era que as duas irmãs estudassem na mesma escola, já que, na época, não moravam juntas e era uma forma de mantê-las mais próximas.

A Bia foi aluna da querida Andrea Polo, logo no primeiro ano do ensino fundamental. Que sorte foi a nossa de ter essa professora de cara. A Bia saía da sala toda hora porque queria ir ver a irmã mais velha. Lembro-me da Andrea me dizendo que “tudo bem, isso ia passar e etc…”, o que, de fato, passou.

Na 1ª reunião que fui à escola, eu não conhecia ninguém. Uma moça que depois eu descobri que era a mãe da Julia Ferraz, colega da Bia, num determinado momento, comentou numa rodinha de mães: “Nossa, a Vila é tudo pra mim, essa escola é maravilhosa”. Nem me lembro em que contexto aquilo foi falado, mas fiquei impressionada naquele dia com tantas manifestações positivas em relação à escola.

Passaram-se meses e eu fui me enturmando com as mães, crianças e a própria escola. E aí descobri o porquê do encanto com a escola. Entre tantas qualidades, a Vila tem a maior e mais importante para uma criança no início de sua vida escolar – ela é uma escola verdadeiramente acolhedora. Ela acolhe a criança como nenhuma outra faz. Ela aceita as diferenças e é uma escola de inclusão de verdade.

As pessoas que escolhem colocar seus filhos na Vila não podem ser arrogantes, afetadas, fúteis, simplesmente porque isso não combina com a escola. Essas pessoas não permanecem na escola, não tem como. Os pais da Vila são pessoas inteligentes, simples, a maioria bem sucedida, inclusive, mas isso não é relevante pra ninguém. Aqui o que importa é a convivência desinteressada e harmônica entre as pessoas, sejam pais, sejam filhos.

Em 2014, a Bia viajou com a escola em razão do intercâmbio com a Argentina. Fui buscá-la na escola e um pai que eu nem conhecia me falou, enquanto esperávamos a van chegar: “Como eu sou feliz de ter podido proporcionar ao meu filho que estudasse nesta escola.” Sinceramente, fiquei tão comovida na hora com tamanha demonstração de carinho pela escola que nem perguntei quem era o filho dele.

Marina fez grandes amigos na Vila, está hoje com 19 anos e entrou na POLI em 2014. Apesar de sempre ter gostado mais da área de exatas, adora literatura, lê muito, e eu tenho certeza de que ela aprendeu isso na Vila da forma mais prazerosa possível. Tem um carinho especial pela escola e, com certeza, vivenciou momentos inesquecíveis na Vila.

Enquanto escrevo esse texto, obviamente me vêm tantas lembranças à cabeça, como festas juninas, reuniões, peças de teatro, a palestra sobre “Luto” num ano difícil da sala da Bia (o que foi uma demonstração enorme de carinho e preocupação naquele momento com os alunos), entre tantos outros.

Não posso deixar de escrever que a Bia pediu pra sair da escola no 1º ano do ensino médio – queria uma experiência diferente e nós, pais, respeitamos a decisão e aceitamos sua saída. Passados 5 meses, a Bia começou a ficar triste. Um dia confessou que estava morrendo de saudades da escola e dos amigos. Lá fui eu pedir clemência ao Fermín, outra pessoa doce e maravilhosa que um dia a Vila contratou. Ele nem hesitou – “pode voltar”. E foi a melhor coisa que fizemos. Em uma semana, ela era outra pessoa.

Este ano é o último ano dela na Vila. Não quero nem pensar na formatura. Já fico emocionada só de escrever essa palavra.

Como ela foi feliz nessa escola, que saudades vou sentir da turma dela se reunindo em casa: o Tatá, a Clarinha Orfão, Marina Perez, Bruno, Karen, Lara, Gui, entre tantos outros. Aliás, inesquecível o discurso do Gui no aniversário de 15 anos dela. Só quem ouviu pode descrever. Tenho certeza que eles serão amigos pra vida toda, ainda que cada um vá seguir seu caminho. Espero que esse seja um dos grandes legados que a Vila vai deixar pra eles.

Por fim, diante de tantos bons momentos de que acabei me lembrando, escrevendo esse texto modesto, mas feito com muito carinho, só posso agradecer ao destino por ele ter colocado a Vila no meu caminho, e dela ter sido minha parceira na educação formal e emocional de duas garotas que se tornaram meninas maravilhosas.

Um beijo enorme a todos vocês e parabéns pelos merecidos 35 anos de história.


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