Conversa entre alunos de diferentes séries e unidades: a temática do feminismo

Escola da Vila

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Por Joana Sampaio Primo

Todas as instituições (re)produzem a sociedade na qual estão inseridas; nas escolas não é diferente. Todavia, as instituições de ensino têm uma particularidade que as fortalece, a saber, o papel de transmitir para quem está sendo formado os princípios e conhecimentos acumulados num dado período histórico. Assim, se por um lado a escola reproduz padrões e valores sociais, por outro ela é um campo de permanente produção e reflexão, já que ensinar e aprender são ações construídas cotidianamente.

O feminismo – como bem abordado em post recente deste Blog – tem ressurgido com força nos últimos 5 anos, movimento que chega às escolas pela organização e reflexão de seus agentes, alunos e professores. Reconhecidamente um tema que trata das relações cotidianas, refletir sobre essa temática significa pensar o lugar de (re)produção dos homens e mulheres em nossa sociedade e, especificamente, nas escolas.

No final do ano passado, resolvemos introduzir no espaço das aulas de Orientação Educacional, da Unidade Granja, reflexões sobre o lugar da mulher em nossa sociedade. Num primeiro momento, pode parecer um assunto precoce para estudantes de 6º e 7º anos, porém vivenciávamos situações nas quais percebíamos que as alunas e os alunos (re)produziam determinados comportamentos sem refletirem sobre suas determinações.

Fizemos uma sequência de discussões com a turma. Eles se envolviam nas atividades, mas agiam como se não houvesse nenhuma relação com eles nem com suas atitudes. Instigadas por essas participações, planejamos outras estratégias.

Resgatamos um encaminhamento que faz parte de nossa prática na Escola da Vila, isto é, alunas e alunos ocuparem o papel de transmissores do conhecimento, pois concebemos que o exercício de comunicar um saber implica uma nova maneira de compreendê-lo. Trata-se, também, de uma estratégia na qual os estudantes podem ocupar outra posição em relação aos colegas e ao conhecimento, modificando o lugar de quem vai ensinar e de quem está sendo ensinado. Apostamos, portanto, que escutar um colega de idade próxima reconfigura as possibilidades de transmissão e de compreensão, aproximando alunas e alunos do que está sendo discutido.

Orientadas por esses princípios, propusemos, no final do ano passado, uma conversa entre duas alunas e um aluno do Coletivo Feminista do Fundamental II e os estudantes de 6º e 7º anos da Granja. A conversa com pessoas de outras Unidades e idades era uma forma de aproximá-los da temática e de valorizar o Coletivo que foi criado por iniciativa própria dos alunos.

Com a mediação da Orientação das unidades, combinamos com o Coletivo um dia para virem. Eles se prepararam, compartilharam um plano de aula especificando o que gostariam de discutir com os alunos da Granja, estavam animados! Por aqui, antecipamos com nossos estudantes o dia da conversa e quem viria discutir feminismo com eles, ficaram ansiosos! Na última tarde de segunda-feira do F2 antes das férias, fizemos uma grande roda de conversa e nada melhor do que acompanharmos o que aconteceu pelo relato de algumas alunas que quiseram compartilhar a experiência que viveram.

Sofia Lebrão Ferreira
Quando começamos a conversar sobre feminismo na aula de OE, fiquei um pouco sem graça e sem entender o porquê daquilo e sua importância na sociedade, porque esse assunto não é do nosso dia a dia e costume. Depois da conversa com os alunos das outras unidades, percebi que era muito mais que uma aula qualquer de OE sobre esse tema. Percebi que o feminismo é algo muito grande, e aprendi muito, acho que todos aprenderam, porque antes eram só risadas e brincadeiras sem graça, depois todos começaram a levar muito a sério e entender. E esse, eu acho, foi o ponto forte dessa conversa com os alunos, o fato de que tudo ficou mais claro, debaixo do nosso nariz, todos os dias, o tempo todo, mas não percebíamos nem sabíamos o que era. Muitos nem sabiam o significado da palavra feminismo, eu era uma dessas pessoas, mas todos nós ficamos conscientes sobre esse assunto tão comum atualmente.

Carolina Bonfiglioli Lopes
Para mim, a diferença entre escutar a temática do feminismo sendo abordada na aula de OE e na conversa com as alunas e os alunos na Unidade Butantã foi que nas aulas de OE o clima era muito tenso e sério, mas com os alunos era mais informal, e havia as atividades sobre pensar no que você brincou quando era criança, que roupas usou, e eu achei isso bem legal porque nós poderíamos pensar nas divisões que “temos” que seguir.

O que eu achei mais importante na conversa com os alunos e as alunas foi que muitas coisas foram esclarecidas e que nós pudemos ver diferentes pontos de vista (das outras unidades).

Alice Novis Rossi
O coletivo feminista de 2016 envolveu um grande processo de aprendizagem. Não só para as alunas que eram pouco familiarizadas com o assunto, mas também para as que, como a maioria do oitavo e do nono ano, já sabiam um pouco sobre o assunto.

(…)

À medida que o coletivo foi avançando, as pessoas estavam ficando mais engajadas e com um conhecimento maior sobre o assunto, chegamos aos poucos a temas mais complexos, como representatividade da mulher na cultura pop, a mulher como objeto nas publicidades, vertentes do feminismo, etc.

(…)

Resumindo, foi possível notar uma mudança no comportamento e na visão de todas as pessoas que participaram do coletivo ao longo do segundo semestre. As discussões envolveram um processo de aprendizado incrível, e promoveram um ambiente confortável para que as pessoas expressassem sua opinião (embora algumas pessoas ainda estejam em posição de ouvintes). O coletivo trouxe com ele exatamente a sensação de coletividade, uma ideia de estarmos juntas fazendo uma coisa importante para mudar o espaço escolar que também é nosso.

Cecilia Bajour na Escola da Vila

Escola da Vila

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Por Andrea Polo

Você não precisa de um local específico para ler uma história, nem de um livro que buzine, brilhe ou se desdobre em mil objetos. Você não precisa de uma varinha de condão para fazer mágica com as palavras, mas tem que saber como favorecer relações instigantes entre as crianças e as narrativas!

Na quinta-feira passada, tivemos a oportunidade de ouvir por algumas horas uma pesquisadora apaixonante! Já conhecia Cecilia Bajour por meio de textos extremamente belos sobre as pontes construídas pelos autores para aproximar sua obra dos leitores sem criar abismos intransponíveis. Ela fala do que se pode esperar, ocultar, dizer ou silenciar a cada virada de página e das diferentes visões de infância e criança que estão subentendidas na maneira como um livro é concebido!

É difícil traduzir em palavras o que acontece quando temos um livro nas mãos e um grupo de crianças dispostas a pactuar conosco uma grande “viagem” inexplicavelmente particular, na medida em que cada um é capaz de estabelecer suas próprias relações com imagens, palavras, contextos, e ao mesmo tempo coletiva porque, em grupo, podemos nos “alimentar” das ideias uns dos outros.

Vou tentar contar para vocês um pouco dessa relação.

Alguém abre um livro, estabelece-se um silêncio emocionante… Cada criança adentra ao espaço da história com suas próprias “ferramentas”. Diante da mesma narrativa colocamo-nos como coparticipantes e somos autorizados a “ser” quem quisermos, viver por alguns milésimos de segundos a dúvida do que acontecerá na próxima página e, ao encontrar novas dúvidas, somos impulsionados a continuar ativos nessa relação entre livro como material de arte, história, silêncio, incertezas e construção de sentido. Quando os adultos subestimam a capacidade das crianças de “jogar esse jogo”, partem então para “encontros” unilaterais com a leitura, nos quais a palavra é monopolizada e a postura do mediador a mais controladora possível.

A palestra de Cecilia reafirmou nossa crença de que há um caminho de muita confiança entre leitor e receptor. Nesse contexto, as crianças são capazes de criar e inventar. As histórias abrem significados e o grupo os expande cooperativamente. Instauram-se a partir daí respostas provisórias para textos desafiadores com modos de ler igualmente desafiadores.

As histórias não precisam da “tradução” dos adultos ou de simplificações que barateiam a narrativa. Enquanto lemos, as zonas ambíguas vão se construindo, e as crianças entendem onde o texto pretendia se “calar” ou nos interrogar.

Vale prestar atenção na inquietude que o “não saber” suscita e costurar teias múltiplas de interpretação sem fechá-las, deixando que os leitores apresentem suas hipóteses e falem sobre elas.

Termino com um trecho do livro Ouvir nas entrelinhas – O valor da escuta nas práticas de leitura”, da própria Cecilia Bajour:

“… acreditar que os leitores podem lidar com textos que os deixem inquietos ou em estado de interrogação é uma maneira de apostar nas aprendizagens sobre ambiguidade e a polissemia na arte e na vida. Nem todos os silêncios precisam ser preenchidos…”.

Para que possam dialogar com o “silêncio”, faço algumas indicações:

zoom  Zoom, de Istvan Banyai

willy  Willy y Hugo, de Anthony Browne

lobos  Lobos, de Emily Gravett

Romper os limites das disciplinas: um grande desafio

Escola da Vila

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Por Susane Lancman 

Dois professores na sala de aula, o de História e o de Língua Portuguesa, dão aula conjuntamente. Atentos, 31 alunos do 1o ano C. A fala se intercala entre o professor Guilherme e o professor Silas, um dueto afinado. Alguns questionamentos que permeiam a aula: Qual a relação entre o livro “Minha vida de menina”, de Helena Morley, e as disciplinas? Por que uma atividade interdisciplinar? Como funcionarão as aulas? O que será estudado com a obra literária do ponto de vista da História? E da Língua Portuguesa? Por que romper os limites das disciplinas?

Há uma piada que circula no meio educacional que diz que a única coisa que liga as diferentes salas de aula em uma escola são os canos e os fios elétricos. Não é o nosso caso na Escola da Vila: temos reuniões pedagógicas semanais para, justamente, discutir a unidade entre as salas de aula em relação às questões metodológicas, escolhas curriculares e valores educacionais, na busca insana de relacionar saberes.

O desafio da interdisciplinaridade é grande, afinal, é preciso romper o corpus de conteúdo organizado por disciplinas, algo rígido, construído em décadas de história da educação, em que o conhecimento foi fragmentado, encerrando as disciplinas nelas mesmas.

Romper com a presença de um só professor em sala de aula, em que ele detém todo o saber. Romper, em algumas situações, com a organização do espaço em que os alunos só interagem com o seu grupo/classe.

Mas, esse esforço só tem sentido quando se compreende que a interdisciplinaridade é uma oportunidade concreta para a revisão das relações com o conhecimento, provocando a organização de um ambiente interativo, entrelaçando os saberes e as pessoas, ampliando, na prática, o conceito da construção coletiva.

Nesse processo de troca entre professores, ampliam-se os conhecimentos dos próprios docentes sobre o objeto de ensino e sobre a forma de ensinar. Entretanto, compartilhar de forma sistemática um projeto, ter objetivos comuns, depender do fazer do outro exige muita discussão e comprometimento.

Em relação aos alunos, a interdisciplinaridade permite ampliar o olhar sobre as ciências, conectando conteúdos, possibilitando dar novos significados aos conteúdos e à realidade, relacionando a teoria e o real. Além disso, uma das formas dos alunos desenvolverem a criticidade é terem acesso a situações complexas, que possam ser estudadas por diferentes áreas do conhecimento, superando a fragmentação entre as disciplinas, o que possibilita gerar maior autonomia intelectual.

É bom ressaltar que a integração das disciplinas em si não desenvolve qualquer habilidade, pois depende da forma pela qual o trabalho é didaticamente estruturado. Assim, antes de integrar, é preciso perguntar: por que integrar? O que integrar? Quem integra? Como se faz a integração? O passo seguinte é definir o problema ou o fenômeno que será estudado; determinar os conhecimentos necessários, inclusive as disciplinas, modelos, tradições e bibliografias; desenvolver um marco integrador e as questões a serem pesquisadas; especificar os estudos ou pesquisas concretas que devem ser empreendidos. Por fim, é necessário construir novas organizações do espaço, do tempo e do currículo.

A aula de História e Língua Portuguesa termina com os alunos sentados, em grupo, discutindo o tema que irão focar durante a leitura de “Minha vida de menina”: trabalho, religião, gênero, educação, família e escravidão. Os grupos discutem os temas, votam, negociam-nos com os outros grupos e decidem a “lente” que será usada durante a leitura.

Sem dúvida, ler o livro com o foco nas questões relacionadas à literatura já traria enorme aprendizagem, mas, lê-lo também com a lente da disciplina de História, pode ampliar ainda mais o olhar dos nossos alunos.

Nova composição societária da Escola da Vila

Escola da Vila

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Por Sônia Barreira, Fernanda Flores, Vania Marincek, Ana Luiza Amaral, Eva Diaz

No mundo atual, com as profundas transformações provocadas pelas novas tecnologias e com as importantes mudanças no cenário social, político e econômico, acreditamos que mais do que nunca, as escolas precisam se articular em redes profissionais que permitam um debate frequente e consistente sobre a educação necessária para as novas gerações.

Neste momento, observa-se também forte movimento de consolidação de escolas que, em parceria com empresas, buscam melhorar a saúde financeira das instituições e viabilizar sua perenidade.

A Escola da Vila, que há alguns anos planeja sua sucessão e a continuidade de seu projeto educacional, encontrou em 2016 o sócio ideal para estruturar a criação de um grupo de escolas, em um movimento que fortalece ainda mais sua proposta de ensino, ajuda a escola a enfrentar os desafios financeiros e fazer frente aos grandes grupos educacionais.

Assim, é com grande satisfação que comunicamos a todos vocês que três grandes escolas brasileiras – a Escola da Vila, de São Paulo, a Escola Parque, do Rio de Janeiro, e a Escola Balão Vermelho, de Belo Horizonte –, com nítidas afinidades filosóficas e pautadas em teorias de educação contemporâneas, se reúnem numa sólida parceria com o objetivo maior de fortalecer nossos projetos pedagógicos precursores da valorização da autonomia, cooperação e pensamento crítico dos nossos estudantes.

Nesta parceria, viabilizada e estruturada em uma sociedade com a Bahema, as três escolas, reconhecidas e prestigiadas em suas cidades e no Brasil, vão sistematizar trocas de experiências, projetos de intercâmbio, atividades formativas e outras iniciativas que reafirmam o exercício de uma educação crítica e relevante, além de compartilhar métodos de gestão administrativa.

A Bahema é uma empresa brasileira com histórico de 60 anos de participação em diferentes setores da economia e que desde 2016 escolheu investir na educação básica.

Compartilhamos com a comunidade escolar essa notícia que tanto nos entusiasma, assegurando que nossa identidade, nossa equipe e nosso funcionamento permanecem e a eles se acrescentam as experiências dessas instituições, com o fortalecimento de nossos ideais educativos e ampliação de nossa capacidade de promover inovações e atualizar frequentemente nossas práticas.

A partir deste ano, estudantes, pais e professores poderão observar as vantagens desta parceria. Um Comitê formado por educadores das três escolas já estuda, discute e viabiliza as primeiras trocas de experiências entre os colégios.

É com orgulho que somamos nossos saberes e convicções para continuar a educar pessoas comprometidas com o conhecimento, com uma sociedade mais justa e com os desafios da contemporaneidade. Nasce assim, um grupo educacional de qualidade ímpar, formado por escolas independentes e unido pelo compromisso com a formação integral de seus alunos e alunas.

O outro em nós: cultura e agrupamentos escolares

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Por Fermín Damirdjian

Um rifle simples, apoiado no ombro de um rapaz, apontado para um alce. É um dia de sol no Alaska. Boa visibilidade. Neve, cores. As narinas do animal expiram uma névoa breve que um eterno sol poente insiste em iluminar. Para o rapaz, seria apenas apertar o gatilho, mas isso não ocorre. Um movimento acidentado se transfigura por trás de um arbusto, e traduz uma cria que procura a mãe, caminhando com dificuldade na neve fofa. O rifle desce, o rapaz olha decepcionado, mas convicto de suspender a caça que o alimentaria por alguns dias.

Trata-se de uma cena do filme Na natureza selvagem, primorosamente dirigido por Sean Penn (2004, EUA. 147 min). O personagem é representado por Emile Hirsch, em uma performance sensível, que expõe a saga de um jovem que rompe com seus vínculos afetivos e sociais para lançar-se em um caminho longo, somente com a roupa do corpo, pela Dakota do Sul, Arizona e Califórnia, e então rumo ao Alaska, onde procura viver por conta própria. Sua relação com a família é truncada e vazia de sentido. Formou-se no college com notas suficientes para seguir carreira em Harvard, e tem uma polpuda reserva financeira, oriunda de uma família que almejava esse desfecho acadêmico para filho. Ele, no entanto, doa todo seu dinheiro a uma instituição filantrópica e abandona a irmã, os pais e sua cidade. Viaja durante alguns anos até chegar no coração da inóspita província onde pretende seguir sua vida. Esse é seu projeto.

É uma história verídica, reconstruída em um livro escrito pelo jornalista norte-americano Jon Krakauer, que contribuiu para o roteiro do filme. É com a breve sequência de 12 minutos que apresenta sua formatura, seu rompimento com sua identidade civil, e seus primeiros momentos no Alaska que inauguramos “Ensino Médio na Escola da Vila”, no auditório, com todos os alunos do 1o ano. E por que essa escolha? A resposta requer algumas digressões.

As assembleias de classe começam no 2o ano do Fundamental I da Escola da Vila. O espaço para considerar abertamente os conflitos e anseios que conformam o cerne da convivência grupal é um sustentáculo fundamental para o desenvolvimento da linguagem e da percepção dos vínculos, matéria básica da condição humana. A sensibilidade na arte, o exercício cognitivo, a prática de esportes coletivos, as especulações lógico-matemáticas, as construções teóricas estão permeadas, de forma irremediável, pelo desenvolvimento moral. Sendo assim, todo e qualquer âmbito que possibilite a explicitação das diferenças e semelhanças entre as ambições dos diversos indivíduos que dão vida à escola − os alunos − está sempre em destaque ao longo de toda a escolaridade.

Um desses âmbitos são os trabalhos em grupo. É possível dizer que esse formato, fonte de produções exímias dos nossos alunos, é também o berço de conflitos dos mais radicais entre aqueles que produzem e os que “não fazem nada”. Discordamos, no entanto, de que ele seja o caldeirão que cria esse conflito. Ele é, sim, o âmbito onde se tratam as diferenças e também onde se gera um ambiente saudável de convivência. O engano está em acreditar que a criação de um bom ambiente de convivência seja possível sem a reunião dos membros em torno de um assunto a ser desenvolvido, seja ele estritamente acadêmico ou não. Se há tensões nessa convivência, procuramos propiciar práticas que a tornem mais construtiva do que destrutiva, e os trabalhos em grupo são uma instância de processamento dessa convivência.

No caso do Ensino Médio, essa experiência se torna mais exigente − como ocorre com os desafios que surgem a cada segmento − pelo qual o aluno avança. Dentro de cada grupo-classe, os subgrupos de trabalho, no primeiro trimestre, são previamente escolhidos pela orientação da escola, seguindo critérios de heterogeneidade. Tenta-se formar agrupamentos que contemplem um mesmo número de meninos e meninas, distribuir bem os alunos recém-matriculados na escola, e também reunir perfis diferentes. É bom saber que esses perfis não são estanques − ao contrário, os alunos, como qualquer ser em franco desenvolvimento − mudam, e muito.

Pois bem. Além de eles não escolherem os grupos, estes também são fixos, de modo que o mesmo grupo permanecerá ao longo de todo o primeiro trimestre, realizando trabalhos de disciplinas das mais variadas. Isso faz com que o grupo tenha oportunidade de corrigir seu funcionamento, de um trabalho a outro. Ao invés de um aluno preservar a sua forma de se comportar em grupo, ele está exposto ao parecer de seus colegas. Para tanto, a orientação educacional procura abrir espaços de avaliação e de negociação entre os integrantes para que consigam se ajudar.

É curioso observar como a figura do Outro pode ser um problema ou um conforto. Pouco antes do início das aulas, as redes sociais dos nossos alunos debatem intensamente sobre “com quem vou cair”. Uma verdadeira roda da fortuna se reflete nos olhos de cada um enquanto especula sobre perder ou não a sua matilha na estepe africana. Sabemos que o refúgio de um pequeno mamífero se resume à sua manada. E assim se portam os alunos quando entram em sala pela primeira vez. Ocupam as carteiras e alinham-se com quem podem se sentir mais reconfortados. No fundo, na frente, no meio, ao lado; cercado de amigos ou com apenas um colega que, quem sabe, pode compensar o distanciamento daqueles que a providência divina colocou na outra sala, ao fundo, no andar de cima. Longe dele.

A orientação conduz, então, uma discussão que parte do filme. Por que o sujeito não matou o alce? Pelo óbvio motivo de ter se sensibilizado por sua cria que ficaria órfã. Em uma sala falou-se em compaixão. Em outra, de respeito. Também entraram outros elementos, que apontavam para a ambiguidade de um sujeito que procurou se isolar da cultura de modo radical, mas que, ao mesmo tempo, não se entregou às leis da selva para sobreviver, por não poder abandonar a sua humanidade. Se, por um lado, o outro o repelia − nunca mais se teve notícias de Christopher McCandless, o personagem real, até que o jornalista Jon Krakauer rastreou todos os seus passos, do interior dos Estados Unidos até o México, e dali até o Alaska − por outro lado, esse outro estava presente dentro dele em forma nada menos que de cultura. A compaixão é de natureza humana, no fim das contas. E o preço por tê-la, se queremos viver como animais, pode ser determinante. Vale a pena assistir ao filme para entender essa ideia em sua amplitude.

A discussão apontou para os caminhos que serão trilhados por abordagens antropológicas, pelas quais os alunos irão transitar ao longo de todo o primeiro ano, especialmente na disciplina de filosofia.

Em um segundo momento, discorreu-se sobre facilidades e dificuldades dos agrupamentos. Cada um deveria pensar como, com as suas próprias características, poderia contribuir ou prejudicar o grupo e, em função disso, traçar uma meta. Logo, o grupo finalmente se reúne e se reconhece, e todos se apresentam com as suas próprias metas. Por fim, e mais importante, os alunos se debruçam sobre a redação de uma convenção que todos assinam de próprio punho e à qual retornarão sempre que, de um trabalho para outro, for preciso chamar a atenção de seus membros.

Toda essa sequência não se dá como forma de estruturar uma maneira coletiva de vigiar e punir, mas, sim, de ampliar e sofisticar as negociações inevitáveis entre as pessoas que conformam um âmbito coletivo, e das quais o desenvolvimento do conhecimento não pode se furtar a contemplar. Isso não pode ser feito sem um determinado grau de tensão, mas certamente quanto mais preparados estiverem todos, mais frutíferos serão os avanços.

Os desafios morais aumentam na mesma proporção que as exigências acadêmicas. O saber e a moralidade se desenvolvem em um mesmo processo. O cenário em que são cultivados vai determinar os valores que cada um levará dentro de si − seja em ambiente acadêmico, profissional ou longe do outro.

Pais: protagonistas da formatura do 3º ano

Escola da vila

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Por Susane Lancman 

O dia da colação de grau é especial, mas a maior beleza está no processo que compõe a formatura, que tem duração de quase um ano inteiro.

Todo ano é sempre igual. Mudam os personagens, grupos diferentes de alunos e pais com suas características específicas, mas fica o ritual. O que mais me emociona é ver o processo de construção da formatura por parte dos alunos. A escolha dos paraninfos, dos oradores, do mestre de cerimônias, do discurso e da surpresa para os pais. E, por parte dos pais, a escolha do tema, os comes e bebes, a decoração, e a SURPRESA PARA OS FILHOS.

Em relação aos pais, tudo começa na primeira reunião, em que é apresentada a ideia de eles estarem à frente de algumas decisões relacionadas à formatura. Mostram-se exemplos de anos anteriores, decide-se o local da Escola que será usado, são formadas comissões, e é agendado o primeiro encontro. A primeira decisão é relativa ao tema: “Qual característica dos alunos poderia se revelar como um tema do grupo?”. A partir daí, pensa-se na decoração, nos discursos… E as reuniões seguem com diferentes pautas até tudo estar organizado.

O número de reuniões varia de ano para ano, bem como a quantidade de pais participantes do processo. Cada grupo de pais é único, com criações peculiares, tornando a formatura uma surpresa para todos.

Durante as férias contei inúmeras vezes para amigos e familiares o processo de formatura dos pais deste ano, especificamente o flash mob. Para que não fiquem mal-entendidos, escrevo sobre essa última formatura pelo fato de a lembrança ser recente e ainda estar viva, e pela grande emoção que gerou nos pais, como é possível ler no relato a seguir, de Priscila, mãe do Caio Canedo Romano.

Descrevo brevemente, como espectadora, o que vi: os discursos terminam, os mestres de cerimônia descem do palco, 450 pessoas sentadas em suas cadeiras, alunos se localizam no centro, pais e convidados estão nas cadeiras no fundo e nas laterais da quadra. Segundos de silêncio, uma música começa a tocar, uma mãe se levanta da cadeira, dança em seu próprio lugar,  senta-se novamente, e a música continua. Três pais se levantam das cadeiras, dançam no próprio lugar, e sentam-se. Os alunos se entreolham, e a música continua.  Dez pais se levantam, eles dançam e sentam-se, e a música continua. Os alunos ficam boquiabertos. Trinta pais se levantam, eles dançam e sentam-se, e a música continua. Os alunos parecem paralisados. Mais de cem pais se levantam, saindo dos mais diferentes cantos do ginásio, e dançam. Eles se dirigem para a frente do palco, a música contagia a todos, os pais se juntam do lado esquerdo do ginásio, e dançam… incrivelmente coordenados, sintonizados e emocionados. Os alunos parecem atônitos! A música termina, e a ovação é geral.

Antes de dar voz à mãe, vale dizer que, todos os anos, participar da finalização do ciclo de escolaridade obrigatório gera um sentimento dúbio. Parafraseando Ferreira Gullar:

Uma parte de mim

É a tristeza com a partida dos formandos.

Outra parte é a felicidade

De vê-los ultrapassando os muros da escola. 

Uma parte de mim

Sofre com a mudança.

Outra parte vislumbra

E se deslumbra com o novo.

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Uma experiência que vale a pena contar

Por Priscila Canedo

Eu queria falar sobre como uma vivência artística pode unir, tocar e transformar um grupo de pessoas. A criação do flash mob que apresentamos para os nossos filhos na noite de formatura foi uma experiência que vale a pena contar, porque toda aquela emoção que contagiou as pessoas na hora foi um processo que nasceu singelo e cresceu.

A colação de grau do Ensino Médio é toda organizada pelos pais, com inteiro suporte da escola. Como em todo evento de formatura, têm os discursos dos coordenadores, dos paraninfos e oradores. Os filhos fazem uma homenagem aos pais, e os pais aos filhos.

A verdade é que, com o turbilhão da vida diária, juntar um grupo de pais para discutir e organizar uma festa e uma homenagem não é fácil. O propósito de todos é o mesmo, as ideias são muitas, mas a rotina pessoal de cada família dificulta o encontro. O grupo inicial que começou a preparar a festa era bem pequeno, formado por mães e pais que tinham certa afinidade ou que já haviam organizado formaturas de filhos mais velhos em anos anteriores.

O projeto flash mob idealizado por esse pequeno grupo nos foi apresentado na última reunião entre pais e professores da escola. Ninguém sabia muito bem o que viria dali para a frente. Eu tive a impressão de que aquele momento de apresentação seria para recrutar o maior número de pais possível para participar, e também para conhecer o nosso facilitador e coreógrafo, Rubens de Oliveira, que já naquela noite fez a gente dar uns passinhos, movimentar o nosso corpo e dar muitas risadas.

Foi lindo! Durante mais ou menos dois meses, nós, pais de alunos do terceiro ano do Ensino Médio nos reuníamos às quartas-feiras para dançar. Aquele pequeno grupo foi crescendo e se conectando a cada ensaio, com exercícios de respiração, dinâmicas de integração, e muito movimento. Nos primeiros encontros a gente ia chegando devagar, cumprimentando os demais com um aceno tímido, recebendo os comandos e obedecendo. A conexão foi progressiva. A cada encontro notava-se a evolução e crescia o envolvimento de cada um.

Uma vez, fomos divididos em grupos e o Rubens nos propôs pensarmos em uma palavra para dizer aos nossos filhos, e com essa palavra deveríamos criar uma pequena coreografia para expressá-la. Foi uma missão divertida, que nos fez perceber que estávamos fortemente conectados. Dos cinco grupos formados, quatro deles escolheram a mesma palavra: coragem.

As relações se fortaleceram! No ensaio geral o clima foi de ansiedade e comprometimento. A apresentação seria uma surpresa para a maioria dos filhos. Quando a música começou e ainda nada acontecia, eu fiquei olhando a expressão da molecada. Eles se viravam de um lado para o outro à procura do que poderia acontecer. Foi quando as primeiras mães se levantaram, depois os pais, até que todos começaram a dançar e a coroar toda essa vivência que passamos juntos.

O coletivo feminista no Fundamental 2 e a libertação feminina

Escola da Vila-

Alguns saldos importantes do ano de 2016

 

Por Manuela Lima, aluna do 9º B (2016) 

O espaço moral cedido pela escola para nós, alunas do nono ano, organizarmos um coletivo feminista semanal, no intuito de conscientizar xs menores sobre, principalmente, igualdade e identidade de gênero, tem trazido à tona muitas questões majoritariamente a respeito dos direitos da mulher no papel, e sua diferença para a sociedade em si. É justamente esse tipo de reflexão que buscamos nxs alunxs participantes do coletivo para que elxs possam levar o conhecimento para fora da sala de aula, fora da escola.

Muitas meninas já vieram falar conosco sobre a importância do coletivo no processo de amadurecimento pelo qual elas estão passando, e sempre ressaltando o fator empoderamento. Elas corrigem comentários preconceituosos em geral, e isso está cada vez mais evidentemente presente no cotidiano do sétimo ano, por exemplo, e sem o coletivo isso talvez não estivesse tão marcado. Isso porque já discutimos a revelação do machismo desde as piadas (onde ele aparece sempre muito banalizado) até nas peças publicitárias, passando pela definição de xingamento e de ver o “ser mulher” como algo pejorativo, machismo nas músicas, esse tipo de coisa.

Tomamos muito cuidado, também, para não tratar de temas de forma extremamente radical sem apresentar dois pontos de vista, por causa dxs menores, que são facilmente influenciadxs pela nossa opinião. Assim, o coletivo passa a acrescentar muito na vida das participantes, de um jeito incrível.

Participam dos encontros meninos e meninas de todo F2. Entendemos a importância da participação de todos, uma vez que nossos objetivos são: 1) promover a sororidade dentro e fora da escola, podendo assim ajudar muitas meninas a se fortalecerem e se empoderarem; e 2) expandir nossos conhecimentos sobre a causa por meio de debates, rodas de conversa, discussões de acontecimentos, textos, vídeos, notícias etc. Assim, nada melhor do que promover um espaço aberto, que possibilite que todos adquiram maior conhecimento, consciência e a possibilidade de refletir (e transformar) relações que ocorrem no próprio cotidiano. Está dando certo! Percebemos que eles têm sido cada vez mais respeitosos e cuidadosos com algumas falas ao fazerem referências, “brincadeiras” com as meninas.

O coletivo esse ano foi espaço de libertação expressiva. Desabafos, acolhimentos, tudo de melhor. Posso dizer em nome de todo o nono ano que sou eternamente grata por poder passar as tardes de sexta-feira com tanta gente maravilhosa e que tem se empoderado cada vez mais, e levado questões e reflexões para a vida.

Novos temas em educação e a necessidade de pensar sobre eles

Escola da Vila-

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Por Sônia Barreira

Para a Escola da Vila o ano de 2016 foi intenso. Trabalhamos muito, como sempre, mas enfrentamos temas novos e bastante desafiadores para todos.

Passamos por processos de luto que abalaram a equipe, mas mantivemos o foco e cuidamos de nosso trabalho com muito carinho, preservando a memória daqueles que nos deixaram.

Demos início ao planejamento de novos projetos, como a preparação para a implantação do uso do computador pessoal nas turmas de sextos anos do Morumbi e Butantã, o que requereu grande investimento dos professores, desde a elaboração do material digital até a aprendizagem de novos procedimentos no mundo virtual.

Revigoramos ações de investigação científica no Fundamental 1, envolvendo a participação das famílias e promovendo situações de aprendizagem inusitadas e fecundas. Com os pequenos intensificamos as vivências nos grupos multisseriados, diminuindo assim os efeitos de uma seriação precoce.

Mas a novidade maior ficou por conta da forte adesão de nossas alunas aos movimentos feministas que se popularizaram recentemente. Alunas de 12 a 17 anos de idade passaram a nos questionar frequentemente sobre a presença do machismo e da discriminação na sociedade de um modo geral, e na escola em particular. Essas colocações, impactantes para nós que somos herdeiras das conquistas feministas dos anos de 1970 e 1980, nos fizeram ver que estávamos um tanto acomodadas e começamos a nos questionar: há discriminação no ambiente escolar? Onde? Como?

Esse olhar mais atento, impulsionado pela pressão das alunas e dos profissionais mais jovens nos levaram a promover, entre outras ações, rodas de conversa com professores universitários, que se dedicavam ao tema, debates internos que culminaram com uma festa de final de ano com toda a equipe, totalmente diferente da habitual. Convidamos duas professoras do Ensino Médio, Cristina Maher e Paula Camargo, de Sociologia e Geografia respectivamente, para que fizessem uma apresentação  sobre algumas ideias acerca de sexo e gênero geradas pela nossa cultura, muitas vezes naturalizadas, e as desigualdades identificadas por um conjunto expressivo de pesquisas que clarificam em dados estatísticos os lugares sociais ocupados pelas mulheres. As duas mestras deram um show de conhecimento em suas apresentações, o que nos obrigou a refletir e analisar o tema.

Em seguida, nos reunimos em 15 subgrupos que misturaram professores de diversos segmentos, funcionários administrativos, da limpeza e manutenção, direção, equipe técnica, todo mundo, das três unidades, discutindo a partir das ideias trazidas pelas professoras palestrantes: há discriminação no ambiente escolar? Em que já avançamos? O que falta avançar?

Os 45 minutos de roda de conversa produziram depoimentos importantes, novas reflexões, trocas de repertório, dificuldades partilhadas, e, acima de tudo, uma conversa entre iguais, profissionais dedicados a fazer a escola possível, que precisam refletir, porque não têm respostas para tudo e precisam se ouvir, se olhar, se conhecer e se reconhecer. Foi intenso, bonito e importante para todos.

Saímos de férias felizes por constatar que conseguimos um ambiente democrático e seguro para discutir temas complexos, para os quais não temos o mesmo posicionamento, mas que não podemos deixar de enfrentar.

No próximo post, o texto das alunas e alunos que participaram do Grupo Feminista de 2016.

Uma boa conversa para início de ano…

Escola da Vila

Por Fernanda Flores

O valor de ler para as crianças, mesmo quando já leem por si mesmas.

Ano após ano, sempre somos consultadas por mães e pais sobre como podem ajudar seus filhos frente ao novo que se descortina.

Sem sombra de dúvida, a boa e velha leitura compartilhada em família é de longe daquelas ações das mais preciosas na formação das crianças! Seja à noitinha como ritual de adormecer, quer num momento confortável que melhor se adeque à rotina de cada família, ler e ouvir histórias perpetua um sem fim de oportunidades de relação: com a história que se está a ler, com as histórias de cada um dos envolvidos, com as memórias incitadas pelas palavras e imagens que envolvem a situação.

Não há mistério e, ao mesmo tempo, todos os mistérios do encontro estão ali contidos.

A fascinação por como sucedem as relações sutis entre palavra e imagem, como os diálogos vão compondo as representações do enredo, dos personagens e suas histórias, dançando na imaginação singular de cada um dos ouvintes, forma o que de mais humano há em nós: o sonho, a imaginação, a curiosidade instigada.

Essa leitura compartilhada em família com regularidade, constitui um ritual fantástico, pleno em qualidades, pois também nos ajuda como educadores a reconhecer (e se apaixonar) pelo tanto que as crianças seguem pensando e aprendem com as histórias que ouvem, elaborando perguntas e explicações imprevisíveis que nos ajudam a entender mais como pensam e organizam o mundo.

Ampliam horizontes, inserindo as crianças noutros contextos, menos familiares, mais plurais, oportunizando a valorização das diferenças culturais e dando muitos espaços para que enfrentem dilemas e questões existenciais humanas com distanciamento e uma implicação afetiva amenizada pela distância concreta frente à situação narrada.

É oportuno recomendar a leitura do texto Para fugir das armadilhas na escolha de bons livros para as crianças escrito por Paula Lisboa para nosso blog ano passado, que dá maravilhosas dicas relacionadas às escolhas do que ler (e evitar) na formação leitora de nossas crianças.

Um ano repleto de encontros literários para todos nós!

O começo do ano ou a volta às aulas

Escola da Vila

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Por Sônia Barreira 

O caderno novo, o estojo, a lancheira, a mochila. Expectativa, ansiedade, desejo, saudades. O receio, o embaraço, e o reencontro. Tudo isso junto, misturado e confuso faz parte da volta às aulas. Tanto para o aluno que conhece a escola, como para o novo, que acabou de chegar.

A alegria de retomar a rotina e reencontrar os amigos vem junto com as obrigações e responsabilidades, em qualquer idade, em qualquer segmento da escolaridade.

Com exceção dos muito pequenos, todos sabem e esperam que a escola lhes ofereça inúmeras situações para aprender, desafiadoras, engraçadas, maçantes, rotineiras, incríveis, chatas, legais, envolventes, de todos os tipos! O ano começa num dia, mas naquela semana, mês, trimestre, um mosaico de demandas, experiências, vivências e aprendizagens acontecerão de modo intenso e fecundo.

Da parte da escola, o cuidado no planejamento de tudo isso, incluindo a recepção dos novatos, tratando de conciliar duas coisas centrais: que tudo seja educativo e importante para que os alunos aprendam e se desenvolvam, e que tudo seja significativo e faça sentido para eles. Fazer da aprendizagem um processo significativo é o desafio maior para todos nós educadores da Escola da Vila!

E, ainda que o foco do início do ano seja o planejamento cuidadoso do dia a dia, vale lembrar que somos norteados por três valores fundamentais, cada vez mais importantes no mundo atual: a busca pela construção da autonomia moral e intelectual dos alunos, a convicção de que o conhecimento é o ingrediente indispensável para isso, e que cooperação é o elemento central para a vida em comum.

Esses três valores são guias importantes para todas as ações que desenvolvemos com nossos alunos, e, portanto, são a marca da nossa escola. Que o ano de 2017 seja muito fecundo para todos, e que nossa tarefa seja concretizada da melhor maneira possível.

Bem-vindos ao novo ano letivo!