Blog também tem férias!

ferias

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Caros leitores e leitoras,

Nosso blog entra de férias hoje e retoma suas publicações no mês de agosto, trazendo novos posts sobre o trabalho realizado na escola e mais histórias divertidas e emocionantes sobre os 35 anos da Vila.

Se ainda não escreveu a sua história, aproveite esses dias livres para se inspirar.

Tenham todos as merecidas férias!

#35anosescoladavila

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Por Daniela Lopes Giaquinto

A Escola da Vila entrou na minha vida muito antes de eu entrar na vida dela… Mais de 10 anos atrás, quando cursava a faculdade de psicologia, uma professora muito querida falava sobre essa escola “diferente”, discutia conosco sua forma de trabalhar e entender educação, e eu me encantava com o que ouvia, imaginando como gostaria de ter sido aluna desse lugar.

Me formei, deixei a psicologia de lado e mergulhei no mundo da educação, cursei pedagogia, e foi assim que entrei na vida da Vila. Como professora, meio de sopetão, no susto.

Durante o tempo em que fiz parte dessa equipe, ganhei muitos presentes. Pessoas incríveis que, generosamente, compartilharam comigo seus saberes e suas reflexões sobre essa profissão tão cheia de poesia e contradições, felicidades e angústias. Para além disso, compartilhamos nossas vidas, risos e lágrimas e conquistei boas amigas. Professoras incríveis, pessoas especiais, entre as quais destaco Andressa Mille, Viviane Reis, Beatriz Vanucchi, Miruna Kayano, Teresa Lomar e minha linda Julia Richter, este ano assumindo o 4º ano (tô cheia de orgulho!). Mas é só uma amostra do “povo” bom que tem por lá…

Ainda que nosso relacionamento profissional não tenha sido longo, posso dizer que durou o suficiente para me preparar para o emprego dos meus sonhos, não perfeito porque isso não existe, mas aquele que responde aos meus anseios mais idealistas e pessoais, no qual me sinto realizada. Essa é uma característica marcante da Vila, se estamos lá, estamos aprendendo. Sou grata por isso.

Mas nossa história não termina aqui. Esse foi só o começo. Afinal, meu filho é um aluno da escola. Com dúvidas, trouxe-o ao Espaço da Vila, lugar de amor e mais amor para a Vila. Dúvidas porque meu filho é uma criança de junho, seria o caçulinha da turma, sendo a dele uma turma de crianças tão sabidas… Será que o melhor não seria deixá-lo mais um ano no Espaço da Vila? Será que ele estava pronto para o G1? Ouvi os conselhos da Ana Paula Yazbek e arrisquei. Em 2014, o Diego frequentou o G1.

Posso afirmar com todas as letras que foi a decisão mais acertada. Meu filho é muito feliz na escola. Seu desenvolvimento foi lindo, e é emocionante para nós, meu marido e eu, observarmos o quanto ele cresceu durante o ano que passou e, em especial, como a relação dele com o aprender tem se desenrolado de forma positiva, prazerosa. E ele aguarda, ansioso e cheio de saudade, o início das aulas, agora um “menino crescido do G2”. Meu amor sincero e cheio de gratidão por Day Monteiro, Andrea Polo, Marcola, Julio, Simone, Lion e “Teacha” Sofia, que tornam a vida do meu filho cheia de cores, sons, movimentos e descobertas. Mas não só eles. A Escola da Vila é composta por um tanto de pessoas que não conhecemos, ou cujos nomes não sabemos, mas que conhecem o Diego e são cheias de amorosidade, carinho e atenção… Dona Lelê, Alex, Gilvan, Aline, Pamela, Cris, Eric, todo pessoal da monitoria, da limpeza, da nutrição, Janaína, Aline, Wanilda, Roseles… Enfim, toda equipe administrativa. E, claro, Vania Marincek e Fernanda Flores.

Temos ainda alguns anos pela frente, em que espero ver meu filho crescendo, sempre curioso, investigativo, aprendendo a refletir, pesquisar, ler, escrever, conviver… e, sendo como é hoje, muito feliz. Estaremos juntos nos 50 anos da Vila…

Parabéns a todos!

Beijos,

Daniela Lopes Giaquinto, ex professora e mãe do Diego.


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#35anosescoladavila

neninha

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Por Deise Capelossi (Neninha)

Eu tenho 51 anos, a Escola da Vila tem 35 anos. Trabalho há mais de 20 anos na escola, dois filhos na Vila, de 1995 a 2015, portanto mais 20 anos de escolaridade na Vila… Não tem como separar minha vida profissional e pessoal da Escola da Vila, ainda mais que, antes mesmo de eu trabalhar na escola, eu já acompanhava os primeiros passos da Vila por causa da Clice, minha irmã, que já fazia parte da equipe desde seu início.

Assim como as famílias que aqui passam e ficam com essa marca na sua história e na formação de seus filhos, comigo não foi diferente, não é diferente. O relato animado dos meus filhos quando falam da escola é uma das marcas mais importantes que uma escola pode deixar para seus alunos. O respeito que eu tenho pelos meus colegas de trabalho e o aprendizado adquirido neste ambiente educacional são também marcas importantes na minha vida profissional.

Vida e profissão, alunos e filhos, pais de alunos e amigos, professores e colegas, casa e escola. Tudo junto e separado, assim foram meus mais de 20 anos de Vila.

Felicito a equipe e a todos que por aqui passaram pela bela história construída.


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#35anosescoladavila

julia abrao

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Por Júlia Abrão

Me lembro até hoje do “teste” que fiz para entrar na 1ª série da Vila. Me lembro de quando meu irmão mais velho chegou correndo na escola em que eu fazia o Pré gritando: “Você passou na Vila!” Me lembro dos professores. Me lembro da primeira vez em que colei numa prova. Me lembro de que fui pega (desculpa, Marília). Meu primeiro “E”. Me lembro de quando a mesma Marília leu Drácula à luz de velas para a turma. Me lembro dos lanches coletivos. E da Guerra das Bolas. Me lembro da primeira vez que caí na dupla com o menino de quem eu gostava. Me lembro de quando falaram de anticoncepcionais e de drogas. Me lembro dos pentaminós e do Escher. Me lembro das peças de teatro. Das visitas à Bienal. Me lembro do bananal. Me lembro da rádio na hora do intervalo. Me lembro de que pediram nossa opinião quando decidiram mudar o logo do coqueiro. Me lembro de que “nuvens brancas passam por brancas nuvens”. Me lembro de que fomos a primeira 5ª, 6ª, 7ª e 8ª séries da história da Vila. Me lembro de diálogos. Me lembro de aulas que caminhavam para fora do currículo regular das outras escolas simplesmente porque os alunos pediam mais. Iam longe. Se interessavam, perguntavam, questionavam. Me lembro de quando tive que deixar a Vila. Me lembro das Festas Juninas e de encontros que fizemos depois. Me lembro da primeira vez que achei algumas carinhas no Facebook e de que sorri de saudades e carinho. Me lembro da Vila como me lembro do cheiro do café da minha falecida vó Celeste. É tanto carinho e lembrança boa que não me lembro das broncas, não me lembro das brigas… Obrigada, Vila. Obrigada por me fazer questionar tudo desde cedo. E por ter sido parte importantíssima dos rumos que tomei até me tornar educadora.


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#35anosescoladavila

marcelo

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Por Marcelo Maghidman
Tafkid Marketing Educacional e Cultural Consultoria

Queridos Amigos da Vila,

Foi aproximadamente no Período Jurássico o primeiro encontro com a Vila.

Iniciou-se em uma relação de cliente e fornecedor, mas caminhou para a assessoria e, creio eu, uma longa amizade.

Do primeiro período, tenho as lembranças de haver vendido um serviço de Portal Educacional (Klick Educação) quando ninguém abria as portas a este tipo de inovação.

Lá estava a Vila, firme em seus propósitos de experimentação, avanço e ousadia.

Entretanto, foi no período em que atuei como consultor que mais me aproximei e pude compreender as idiossincrasias de um grupo feminino com muita personalidade.

Vivi alguns anos de proximidade com assuntos relacionados à sucessão, acordos societários, profissionalização, gestão, entre tantas demandas.

Pude conviver de perto com Ana Maria, Sônia e Zélia, com Ana Luiza e Vania, assim como um grande corpo de coordenação.

Assisti a mudanças substanciais no então Centro de Estudos da Escola da Vila, até se transformar em Centro de Formação, para o qual espero também haver contribuído.

São muitas lembranças de extensas e acaloradas reuniões, outras efemérides, assim como o curso que ministrei junto com a Sônia no Centro. Acreditem, realizamos um curso juntos!

Posso dizer que sempre me senti em casa na Vila. Seu ambiente instigador de aprendizado, sem frescura ou formalidade, ajudaram no desenvolvimento de minha consultoria, tanto quanto de minha visão sobre educação.

São Paulo é uma cidade mais rica com a existência desse polo formador de crianças, jovens e profissionais da educação.

Espero que haja ficado na Vila um pouquinho de mim, frente ao muito que carrego de vocês.

Agradeço a companhia e a confiança de sempre.

Felicidades nos 35 anos!

Um abraço carinhoso e agradecido.


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A SAD na unidade Granja Viana: sustentabilidade e as influências africanas na cultura brasileira

Texto colaborativo da equipe de professoras da unidade Granja Viana

Cumprindo o objetivo de proporcionar momentos de troca de saberes entre as crianças de diferentes faixas etárias, na semana de 8 a 12 de junho aconteceu a SAD – Semana de Atividades Diversificadas – na unidade Granja Viana. Por três dias, os alunos do período da manhã puderam entrar em contato com o tema Sustentabilidade X Consumo em atividades que favoreceram a reflexão das criançasNo período da tarde o tema escolhido foi “as influências africanas na cultura brasileira”.

Sustentabilidade X Consumo

No primeiro dia, a partir da apreciação coletiva de trechos do filme “Criança, a Alma do Negócio”, agrupados em pequenos grupos de diversas séries, os alunos discutiram os problemas que envolvem o consumo excessivo, a propaganda, as relações entre ter e ser, e puderam compartilhar saberes e valores.

No segundo dia, os alunos conversaram com Luciano Castro de Jesus, engenheiro químico, com especialização em sustentabilidade e pai do Henrique, aluno do 5º ano. Numa conversa animada e proveitosa, Luciano falou sobre a importância da conscientização para a preservação do meio ambiente através da reciclagem, da reutilização e do consumo sem exagero, para que nossa relação com o meio ambiente seja sustentável. Além disso, com os brinquedos trazidos de casa pelas crianças, foi realizada a 1ª Feira de Troca de Brinquedos da escola. Uma ação na qual as crianças se envolveram, se divertiram e puderam conhecer na prática o significado da palavra SUSTENTABILIDADE.

Feira de troca de brinquedos

Palestra Luciano

E, para fechar a semana, no terceiro dia da SAD, todos se envolveram na confecção das prendas para a Festa Junina, com o objetivo de tornar possível a reutilização de materiais, com os próprios alunos colocando a mão na massa!

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As influências africanas na cultura brasileira

Para disparar o tema os alunos da tarde assistiram o filme Kiriku - que trata da história de um menino africano que precisa enfrentar vários desafios para salvar sua aldeia de uma feiticeira. Durante o filme apreciaram inúmeras referências da cultura africana, como musicalidade, vestimentas, a relação com a natureza e lendas.

Na oficina de contação de história, puderam viajar pelo mundo da imaginação e conhecer um pouco mais dessa cultura. Na oficina de culinária prepararam uma cocada com o gostinho da Angola.

Contação de história

Oficina de culinária

A brincadeira e a música não ficaram de fora, todos aprenderam o jogo Mancala, originário da semente de Baobá, e uma dança que descreve algumas regiões da África.

Brincadeiras e música

Após cada oficina, em rodas de conversa que incluíam alunos de 1º, 2º e 3º ano, as crianças trocaram saberes e estabeleceram relações entre nossa cultura e a cultura africana.

#35anosescoladavila

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Minha história com a Vila…

Por Susane Lancman Sarfatti

Cara Escola da Vila,

Imagino que você já deve estar pensando o quão retrógrada sou em escrever uma carta a você, quando temos formas mais modernas de comunicação: Facebook, Skype, Vídeo conferência, Hangout… Mas, sou das antigas. E é justamente por isso que retomo a nossa trajetória nesses quase 20 anos de convivência.

Conheci você quando tinha 15 anos, uma menina em pleno processo de passagem para juventude, e eu, com um pouco mais de uma década do que você, aportando na Terra da Garoa, que mudou tanto que nem chove mais.

Sempre que penso na mudança da infância para a adolescência, me aparecem a imagem e as palavras da Alice no País das Maravilhas: “Ai meu Deus! Como está tudo esquisito hoje! E ontem estava tudo tão normal. Será que mudei durante a noite? Deixe ver: eu era a mesma quando me levantei hoje de manhã? Estou quase jurando que me sentia um pouquinho diferente. Mas, se não sou a mesma, então que é que sou? Ah, aí que está o problema!”

Você, Vila, tal como Alice, sempre se mostrou questionadora, tentando entender seus princípios e valores, tentando agir de forma coerente e respondendo de forma consistente a grande questão: “Quem sou eu?”

Confesso que me deslumbrei com tantas questões que você trazia, tudo exigia uma explicação. As boas ações pedagógicas e educacionais não bastavam se não tivessem respaldo teórico. Assim, as minhas certezas se converteram em dúvidas ou em busca pelo conhecimento, desde o primeiro momento em que iniciei o estágio.

Primeiro fui estagiária do 4º ano e me entusiasmava ver a forma que a professora instigava os alunos a discutir, parecia um grande maestro de uma orquestra maravilhosa. Impactou-me ler com alunos tão pequenos Graciliano Ramos, trabalhar algoritmos alternativos da divisão, relacionar a pontuação com tipologia textual… Nossa, que sabidos (palavra do seu repertório que absorvi) eram esses alunos. Nessa época, conheci a Delia Lerner, pesquisadora tão difundida no seu meio que passei a me achar também íntima dela.

Depois fiz estágio no grupo 4, conheci a Grécia, os Polos Norte e Sul, as versões de contos de fadas, os jogos matemáticos… Um mundo novo se abria. E, sem dúvida, a pesquisadora Emilia Ferreiro foi o ícone das novas descobertas com a teoria psicogenética da alfabetização que lemos ainda em espanhol. Deslumbrei-me com a forma que os alunos aprendiam sobre a língua com palavras e assuntos tão difíceis: Hércules, Atenas, mitos, Hera, pinguins, Amyr Klink, morsa… Era a curiosidade pelo mundo que abria as portas das letras.

No ano seguinte e por vários anos, fui professora da 3ª série. Costumo brincar dizendo que, como pulei quando pequena a 3ª série, passei muitos anos repetindo essa série, como professora. Foram momentos maravilhosos com alunos muito bacanas (mais uma palavra do seu repertório. E repertório também é palavra sua) e projetos e sequências didáticas instigantes. Você me apresentou autores que ajudavam a embasar o nosso trabalho: Beatriz Aizenberg, Bernard Schneuwly, Mario Carretero, Ana Spinoza, Ana Maria Kaufmann, Patricia Sadovsky… Essa sua busca em relacionar a prática com a teoria e vice versa me encantou e ainda me encanta.

Paralelamente ao trabalho em sala de aula, iniciei, no Centro de Estudos, dando cursos de formação de professores. E a criação do PIF, Programa Interno de Formação, foi um momento muito especial. Ficou claro para mim que fazer um bom trabalho com os alunos é um grande desafio, mas falar sobre o trabalho para colegas era um desafio ainda maior, pois exige um outro nível de reflexão sobre a prática.

No seu Centro de Estudos, pude refletir sobre a natureza do ser professor e os aspectos que permeiam a identidade docente, tornando o meu trabalho mais consistente e significativo para uma prática transformadora. Viajei dando cursos para Fortaleza, Salvador, Porto Alegre, Curitiba, Brasília… Enfim, entrar no avião com o curso em um pendrive, levar caixas com todo o material a ser distribuído e aportar nas escolas para representar o seu saber foi um grande aprendizado. Para tanto estudei muito Perrenoud, Cesar Coll, Monica Gardner, Zabala, Zabalza, Isabel Alarcão…

Passados alguns anos, veio um novo desafio: atuar no fundamental 2 como orientadora educacional. Um novo mundo de estudos se abria, o foco não eram mais as didáticas das disciplinas e áreas, nem tampouco a formação de professores: era preciso entender melhor sobre a construção moral do sujeito, as características da adolescência e seus conflitos emocionais e sociais, as novas configurações familiares, a atuação com as famílias… Novos autores: Puig, Savater, Yves … e o retorno ao meus velhos amigos, Piaget e Freud, base na minha formação, antes de conhecer você.

A lista interminável de autores e pesquisadores da educação que listo nesta carta me parecem tão íntimos que escrevo como se fossem velhos conhecidos, por isso a falta do nome completo. Obrigada por tê-los me apresentado. Agradeço também aos muitos colegas e amigos de trabalho que conheci através de você.

Agora, cá estou no Ensino Médio. Poderia dizer que é um novo desafio pela nova faixa etária, contudo, hoje percebo que, independentemente da idade dos alunos, o desafio é fazer um trabalho de qualidade: é ser uma boa professora. E é isso que continuo buscando, sabendo que conto com o seu apoio e incentivo nessa longa jornada.

Parabéns pelos seus 35 anos! Você continua com uma aparência jovial e ativa, mais segura e estável, como qualquer mulher bem vivida com a sua idade que está mais madura.

Beijos,

Susane


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Por que não faltar à SAD

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Por Fermín Damirdjian

Poucos debates hoje em dia são tão complexos, instigantes e desafiadores quanto aqueles sobre o melhor formato para uma escola que se propõe a incluir a maior diversidade possível de perfis pessoais e sociais. Tal debate transita entre uma estrutura convencional de uma grade horária até opções oferecidas aos alunos sobre projetos e atividades que eles mesmos poderiam escolher para preencher a sua semana. São apenas alguns dos modelos com os quais nossa equipe trava contato ao viajar pelo mundo conhecendo as mais variadas instituições de ensino.

Seja como for, sabemos que diversificar o formato e os conteúdos só pode acrescentar à formação dos nossos alunos. Entendemos que, para além do formato praticado pela Escola da Vila, o que se aprende dentro dos muros de uma escola se presta à constituição de valores e referenciais culturais que permitirão aos alunos transitar pelo mundo com um olhar aguçado, através do qual seja possível encadear os mais diversos fenômenos do conhecimento com a menor quantidade de fronteiras possível entre os campos do saber.

A Semana de Atividades Diversificadas, vulgo  SAD, procura desconstruir nossa grade horária semanal para oferecer aos alunos outra forma de entrar em contato com os mais diversos campos da cultura. E, com certa frequência, não muita, mas ainda assim dentro de uma margem que nos surpreende, alunos e eventualmente famílias nos trazem a pergunta: “Pode faltar na SAD?”. Embora se trate de uma pequena quantidade de alunos, vale a pena discorrer sobre o assunto.

Antes de prosseguir, é interessante revermos algo do que vimos na SAD no mês de junho.

Com a presença de um escritor, foi realizada uma palestra sobre os “Cem anos do genocídio armênio”. Um evento amplamente documentado por historiadores respeitados, além de um Prêmio Nobel de Literatura de origem turca – e que, justamente por tratar do assunto abertamente, vive exilado de seu país de origem, como muitos turcos que procuram investigar o evento, não reconhecido pelo governo do país como propriamente um genocídio.

Tivemos, também, uma palestra sobre violência e jogos esportivos em que foram tratadas tanto medidas práticas − que costumam ser tomadas por instituições mundo afora, policiais ou não, para coibir os atos violentos nos esportes −, assim como foi feita uma abordagem de natureza antropológica e psicanalítica sobre a dificuldade de separar a disputa simbolizada pelos valores próprios de um jogo daquilo que se transforma em ato de violência quando esses referenciais se perdem.

E, ainda, a oportunidade de assistir ao filme Nós que aqui estamos por vós esperamos, produção nacional do diretor Marcelo Masagão, que ofereceu aos alunos uma obra que perpassa, em brilhante trabalho de edição de imagens de época, uma trajetória da primeira metade do século XX. As guerras, a mídia, os espetáculos de massa; a música, os esportes, a formação das grandes cidades; a rápida mudança de paradigmas sociais, o desenfreado entrosamento cultural entre as nações; as vanguardas artísticas, o progresso tecnológico; o desenvolvimento urbano, o êxodo rural, as mudanças climáticas e as vanguardas artísticas europeias e latino-americanas são elementos expostos pelo filme, com os quais os alunos podem travar contato com o repertório curricular abordado em sala de aula nas mais diversas disciplinas.

Pois bem, essa é uma pincelada rápida do que ocorre na Semana de Atividades Diversificadas, para mencionar apenas o Ensino Médio. Faltou, ainda, citar as oficinas de dança, o início das pesquisas de campo do 2º ano e, provavelmente, outras atividades sobre as quais, por falta de espaço, não discorro aqui.

O fato é que essa inclusão de temas variados e a desconstrução de uma rotina rígida de aulas, sob o olhar da equipe, é um ganho. No entanto, algo ocorre que, para alguns alunos, é uma oportunidade para não frequentar a escola. Talvez porque a formalidade do conhecimento, distribuído e sistematizado em aulas, tenha ainda um peso cultural que remete à obrigatoriedade, àquilo que “cai na prova”.

Por outro lado, quando se busca enriquecer esse formato e conteúdos com elementos complementares, perde-se esse sentido de dever, tão enraizado na tradição escolar. O que não se pergunta diretamente em prova perde peso no imaginário dos alunos. E é aí que entra um valor, abstrato e dificilmente traduzido em medidas concretas, que é o do conhecimento. E aqui falamos do conhecimento sem bordas institucionais, disciplinares.  O conhecimento adquirido vivencialmente, seja ouvindo um palestrante, seja assistindo a um filme, seja fazendo uma oficina de música, visitando um museu ou a sede de um movimento social.

Consideremos agora outra situação: um aluno teve uma resposta em prova considerada “insuficiente” pelo professor em determinada disciplina. O primeiro argumenta que colocou ali aquilo que a pergunta pedia. Há um certo grau de sofisticação, porém, que o professor a essa altura consideraria necessário para que a resposta fosse plenamente satisfatória. Não apenas porque o assunto foi discutido ao longo de três aulas, e dificilmente possa ser bem resumido em poucas linhas, mas também porque esperamos dos nossos alunos certa riqueza cultural em seu repertório.

Por isso, o estímulo a ler jornais, ir a museus, ver filmes, frequentar teatros ou quaisquer outras contribuições para a formação dos sujeitos, além das lições de casa, dos trabalhos e das provas. Estes, formalidades necessárias para a vida escolar, devem estar a serviço de uma compreensão mais completa da sociedade e para a formação do caráter, pautados por princípios éticos.

As viagens de campo talvez sejam um bom exemplo de fusão entre formalidades curriculares e aprendizagem por vivências. Nelas há situações mais livres, e outras mais rigorosas de produção de conhecimento, mas todas procuram ampliar e flexibilizar o ato de conhecer.  A SAD caminha nesse sentido: transitar entre diversos campos do saber. Em última instância, essas devem ser premissas daqueles que escolhem a Escola da Vila. Faltar nesses dias é incorrer em uma contradição que explicita certo distanciamento do aluno em relação ao projeto que ele escolheu como seu.

#35anosescoladavila

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A minha história de vida na Vila

Por Marcos Mourão (Marcola)

Dedicada ao professor de Ed. Física Marcelo Barros da Silva, o Jabú  

A primeira vez que ouvi falar da Escola da Vila foi na minha graduação na USP. Fazia o curso de licenciatura em Educação Física, e o professor Oswaldo Ferraz, da disciplina “Ed. Física na  infância”, convidou dois colegas para uma conversa com a turma, um deles era o professor  Marcelo Barros, conhecido como Jabú. Quando Jabú começou a falar sobre a proposta de trabalho na Escola da Vila, imediatamente senti uma grande empatia por suas ideias. Para conhecê-las  mais a fundo, resolvi que iria tentar fazer um estágio de observação na unidade Butantã. Lembro-me do dia em que vi, pela primeira vez, o portão azul de entrada na Barroso Neto. Estava fechado, sem tranca, cadeado. Esperei algum tempo, e, como não apareceu ninguém, resolvi entrar. Subi os degraus de pedra e logo avistei uma moça, a Alessandra, na época, a secretária. Perguntei pelo Jabú, e a Alê me pediu para esperá-lo na quadra. Quadra? Qual quadra? Na época, só havia um pátio coberto por uma lona laranja, conhecida como “Asa Delta”! Fiquei aguardando um pouco e logo chegou a turma de crianças. Assim que a aula começou, as ideias expostas na faculdade começaram a se materializar. Uma aula que não se norteava pela atividade repetitiva de exercícios? Estranho… Uma aula que respeitava a atividade corporal da criança? Muito estranho…  Uma aula que não precisava de linhas esportivas na quadra e que não propunha o uso de material complicado, caro e específico, mas utilizava sucatas e outros materiais simples, de fácil acesso? Bem estranho… Uma aula na qual as crianças interagiam, se divertiam e não se agrediam? Esquisitíssimo!

Decidi que era isso que queria fazer na minha vida profissional! Passei então a estudar alguns teóricos da pedagogia e da psicologia e voltar minha atenção ao desenvolvimento infantil e ao jogo, aguardando a oportunidade de um dia ser convidado pela Escola da Vila. E essa oportunidade veio com a introdução da atividade de extensão curricular de capoeira, no segundo semestre de 1993. Nessa época, a escola atendia aos alunos do fundamental 1, mas, no ano seguinte, abriria a primeira turma de 6º ano E, com a perspectiva de trabalhar com uma faixa etária inédita, me convidaram para assumir as aulas de educação física e introduzir o treinamento esportivo! Obviamente fiquei muito feliz e preocupado… Será que daria conta?

Minha primeira entrevista foi com o Vinicius Signorelli, coordenador do ensino fundamental 2. Para aqueles que não conheceram o Vinicius na época, pensem na figura de um viking. Acrescentem a ela um pouco de Einstein e Beethoven. Era fácil se intimidar à primeira vista…

Fui muito bem recebido por toda a equipe da escola. Para se ter uma ideia, as reuniões pedagógicas de terça-feira aconteciam numa sala do bloco B com todo o corpo pedagógico! Muitas reuniões podiam ser chamadas de “terças insanas”! Era uma concentração absurda de ideias e conceitos pedagógicos por m²! Imaginem um garoto de 23 anos, recém-formado, com pouca experiência docente, nesse ambiente! De qualquer modo, ficava escutando e admirando aquelas mentes brilhantes. Mentes? Mas eu não era do corpo? Pois é, uma das coisas que aprendia aos poucos era que o professor de educação física que gostaria de me tornar precisaria de tantos estudos, tanto embasamento teórico, tanto conhecimento, como todos os outros mestres.

Bigode (matemática),  Vinicius (ciência), Graça (Geografia), Conceição (História), Sérgio (Teatro), Claudio Cretti (Artes), Noemi (Português), Zinia (Inglês), Clice (O.E) são os primeiros professores do ensino fundamental 2 de 1994 que me marcaram profundamente. Com eles aprendi que não sabia nada, mas tinha sempre um colega que sabia, pois não dava para construir uma equipe sozinho. Pelo menos isso eu aprendi na elaboração do trabalho de implementação do ensino fundamental 2.

Falando em saberes, quero destacar um deles para dar a dimensão do tempo que já passei nesta escola. Era 1994, e uma reunião quase inteira foi ocupada para a apresentação de algo revolucionário na busca e na troca de saberes: a INTERNET.

Ficamos todos ao redor de uma mesa, aguardando a conexão por linha discada, enquanto o ruído característico (os mais velhos lembram) acusava a tentativa. Após uns vinte minutos discando, nada apareceu na tela. Tivemos que nos contentar com os relatos do Vicente sobre  o site da NASA, de como era fantástico, etc. Hoje conto essa história aos meus filhos Pedro (14) e Marina (16), como se fôssemos homens da caverna em busca do fogo!

Pois é, foi na Escola da Vila que, desde pequenos, eles sempre estudaram. Pedro ainda teve o privilégio de frequentar o Espaço da Vila, Berçário de 0 a 3 anos. Confesso que tenho uma certa “inveja” deles… Como gostaria de ter uma escola assim na minha formação. Uma escola que cumpre o seu papel de formar estudantes, que olha com respeito a diversidade e a inclusão, que não restringe a sua atuação à sala de aula, que se compromete com as questões sociais, que orienta e educa seus alunos, suas famílias. E que, com uma significativa  parcela de minha contribuição, trata o corpo e o movimento numa perspectiva integrada, libertadora e autônoma. Obrigado, Escola da Vila, e parabéns pelos seus 35 anos!!!!


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#35anosescoladavila

wanilda

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Um pedaço de mim

Por Wanilda Tieppo

Eu tentei chegar à Vila em 1984! Recém-formada, em busca de especialização na Educação Infantil, coloquei meu currículo bem pobre debaixo do braço e toquei a companhia da Escola da Vila. Nesse mesmo portão azul, na rua Barroso Neto, 91, entreguei a minha experiência! Não fui selecionada.

Anos depois, em 1996, eu já estava numa escola, e quem chegou foi a Escola da Vila.

Ela chegou com um baita currículo institucional debaixo do braço, e achei que, mais uma vez, eu não seria “selecionada”.

Era o mês de junho e, na ocasião, eu coordenava a Educação Infantil do Colégio Fernando Pessoa.

Quem coordenava esse segmento na Escola da Vila era a Zélia Cavalcanti. Gente, eu não tinha chance nenhuma! Disputar, mesmo que na unidade Morumbi, o cargo com uma grande educadora, com expertise invejável, historiadora, escritora de livros, meu pai! Nem no meu mais ambicioso e maluco sonho eu teria alguma chance.

Toquei o meu trabalho com a certeza de que, no final do ano, eu teria de procurar outra escola.

Em dezembro, Sonia Barreira me chamou para uma conversa e eu saí da minha sala com destino à sala dela imaginando que seria dispensada. E o que é surpreendente: “Eu teria compreendido, com toda a honestidade, a decisão dela”.

Pois é! Em vez de demissão, veio o convite para ser assistente de direção. Gente! Confesso que o meu susto e a minha alegria foram enormes.

Em todos esses anos, minhas atribuições foram as mais variadas: cuidar da segurança e da rotina da escola; coordenar a equipe de atendimento, a de monitoria; ser responsável pela comunicação interna e com os pais; atender os pais novos; organizar os eventos, as formaturas, a chegada de trabalho de campo; e mais umas coisinhas.

Esse turbilhão de tarefas e de mudanças constantes de responsabilidade “bate” com meu jeito agitado. Gosto de mudanças, gosto de desafios, e gosto de aprender.

Se me pedissem para resumir a minha experiência profissional na Escola da Vila em uma única palavra, eu usaria a seguinte: APRENDIZAGEM.

Nossa! Como aprendi e como aprendo no meu dia a dia! E é isso que me fascina e me tira da cama bem cedinho para trabalhar.

Sou uma funcionária orgulhosa da Escola em que trabalho, e estou feliz por estar aqui neste ano de comemorações!

 Parabéns, Vila, pelos 35 anos de contribuição para a educação!


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