Meios digitais: usar para refletir e refletir para usar

Por Helena Andrade Mendonça, coordenação de Tecnologias Educacionais

Repare nestas fotos:

Escola da Vila
Preparação para os debates que acontecem em História no 9º ano.

Escola da Vila
Projeto “Arabian nights”. Etapa de trabalho conjunto com o 8º e 9º ano.

Escola da Vila
Projeto de um equipamento por aluno no 6º ano.

Escola da Vila
Projeto ”Discurso, Política e Religião” no 2º ano do EM. Etapa de legendagem de vídeos.

Escola da Vila
Estudo de Matemática no 8º ano.

Escola da Vila
Alunos do 7º ano conhecendo jogos criados por alunos do curso de Mídias Digitais.

Escola da Vila
Alunos do 9º ano planejando a construção de aplicativos para celular nas aulas de Matemática.

Escola da Vila
Oficina da Casa de Makers oferecida aos alunos do Ensino Fundamental 2.

Escola da Vila
Construção de uma revista digital coletiva no 7º ano do Ensino Fundamental.

Escola da Vila
Representação de dados por meio da construção de gráficos no 8º ano.

Escola da Vila
Escrita de cartões-postais a colegas estrangeiros – Penpals Project – Inglês 6º ano.

Escola da Vila
Produção de um podcast nas aulas de História da Arte do Ensino Médio.

Os meios digitais geram não apenas novos gêneros discursivos e práticas letradas, mas também novas formas de agir, comunicar-se e produzir conhecimentos. Os saberes se ampliam e, por consequência, torna-se necessário um novo olhar para o ensino da leitura e da escrita nas escolas.
Flora Perelman, em visita à Escola da Vila em agosto 2018
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Os meios digitais fazem parte de muitas situações que vivemos diariamente. As práticas de estudo também não contam mais apenas com livros, cadernos e lápis. Um papel importante da escola hoje é fazer uso das práticas em papel e nas telas e refletir sobre como abordá-las com os alunos e quais são as condições didáticas necessárias para que eles possam se apropriar de tais procedimentos. Os recursos digitais não são neutros, trazem consigo possibilidades, limitações, ideais, apelos comerciais e interesses específicos.  Quando são usados na escola, podem promover uma forma diferente de aprender, se comparados ao uso do papel. Num primeiro momento, o procedimento de uso da tecnologia pode ser um desafio a ser superado, mas a prática leva à apropriação de tal tecnologia, que pode até se tornar transparente, quando usada como uma ferramenta.

Desde 2016 temos usado materiais digitais, em algumas áreas do conhecimento e um computador pessoal por aluno nas séries iniciais do Ensino Fundamental 2. Em algumas aulas, as atividades e os registros usam algum recurso digital e, além do procedimento em si – anotação de aula –, os estudantes precisam se apropriar também das ferramentas, das limitações e das novas possibilidades que se apresentam. As formas de representação, a estrutura textual e o suporte do registro mobilizam diferentes funções cognitivas e trazem outras possibilidades de trabalho.

Na criação de uma revista na web, por exemplo, que é realizada no 7º ano, os gêneros digitais trazem características específicas, há a possibilidade de criação e tomada de decisão quanto ao uso de hipertexto, torna-se mais fácil o compartilhamento desses textos na web e o feedback de leitores, bem como o uso de imagem e de material da internet; torna-se necessário abordar a questão do direito autoral, principalmente por causa do aumento e facilidade de circulação da informação, além de outras práticas que estão relacionados à cultura digital.

As tecnologias digitais, os recursos e ambientes virtuais podem se tornar transparentes em alguns momentos, mas, ao mesmo tempo que oferecem novas possibilidades, podem também trazer limitações. Uma tecnologia digital pode não ser acessível a um determinado grupo de pessoas, um determinado formato pode não ser compatível com determinados equipamentos, o sistema que roda em um determinado aparelho não roda em outro, uma interface rebuscada pode não ser compreendida pelos usuários, enfim, os recursos de cada ambiente propiciam, ou não, determinadas ações. Essas possibilidades e limitações são discutidas por diversos autores que abordam o conceito de apropriação de tecnologias digitais e suas implicações.

Quando se pensa em produção digital na escola, é importante levar em conta o público que terá acesso às plataformas que hospedam os materiais e os formatos que são oferecidos. Se quisermos que os nossos alunos produzam e publiquem na internet e que não sejam meramente consumidores, este deve ser um dos aspectos discutidos na escola.

É fundamental pensarmos nos meios digitais e na sua presença na escola, visando não somente o uso, mas principalmente a reflexão sobre os seus usos. É importante também buscarmos a sistematização no que diz respeito à educação digital dos estudantes.

Esse é o caminho que procuramos trilhar na escola por meio de ações de formação dos professores e de diversos projetos nos diferentes segmentos visando a formação dos estudantes.

Para saber mais sobre o trabalho com tecnologias digitais:

Vila Digital no F2

“Qual é a lógica por trás de…?” – Revelações sobre o trabalho com meios digitais

Os alunos estão na rede! E a escola, o que ela tem a ver com isso?