A experiência de produzir e estrear uma peça

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Por Gabriel Rosa e Dora Novais do 3o EM, alunos do Grupo de Teatro e do Núcleo de Produção Cultural da Vila

Este ano passou muito rápido, e nós do Núcleo de Produção e do Grupo de Teatro, com certeza, aproveitamos cada minuto. Apesar de todo o caos no país, 2018 foi um ano incrível e trouxe um vasto leque de projetos. O maior de todos, sem dúvida, foi a adaptação coletiva da obra de José Saramago, “Ensaio sobre a Cegueira”, nomeada de “Relatos Cegos”. O grupo todo escolheu e aceitou encarar esse grande desafio que é transformar uma narrativa criada na linguagem literária para a linguagem teatral. Assim, cada integrante do grupo ficou responsável por adaptar uma parte do livro, fizemos diversos cortes e muitas descrições que não cabiam dentro da linguagem do teatro ficaram de fora. Compusemos uma trilha sonora original e levamos pro palco, da nossa maneira, a história desses personagens que enfrentam tantos conflitos ao tentar organizar uma pequena sociedade sem regras.

Muitos integrantes, além de fazer parte do Grupo de Teatro, também fazem parte do Núcleo de Produção Cultural. Para quem ainda não conhece: o Núcleo é um grupo formado por alunos que têm como intuito auxiliar em produções e projetos culturais da escola, como a peça “Relatos Cegos”. Assim, além de atuar, muitos alunos tiveram também a engrandecedora experiência de trabalhar com a produção. Pensamos, assim, nos figurinos e todos os adereços que compunham o cenário. Além disso, o Núcleo foi responsável por levar o Grupo de Teatro para diversos festivais de teatro estudantil, no interior e São Paulo. Para isso, nós tivemos que arrecadar dinheiro para levar a nossa peça para esses festivais e para investir em outros projetos culturais destinados para a comunidade escolar. Fizemos o nosso próprio Sarau, nosso Brechó, fizemos vendas de doce na escola e até criamos produtos próprios do Núcleo, como sacolas e camisetas, para vender. Participamos da Festa Junina, da organização do Festival de Poesia e apresentamos um pequeno trecho da peça no evento. Tudo isso feito pelos próprios alunos, com as arrecadações revertidas para todos os outros alunos que compõem a comunidade vilana. Nós não iríamos conseguir sem a ajuda e o grande apoio da Luiza Zaidan, que, além de dirigir a peça, nos orienta no Núcleo.

A principal característica do teatro, em nossa opinião, é o trabalho em grupo, algo que a Escola da Vila presa em seu currículo e que, com certeza, nos ajudou a realizar todos os nossos projetos. A participação e o apoio da comunidade escolar e de cada funcionário da escola foram essenciais para a realização de cada projeto. Uma das mais lindas experiências que vivemos, sem dúvida, foi a oficina com as bailarinas cegas da Associação Fernanda Bianchini. Esse encontro não só fez diferença na construção de personagens da peça, mas fez diferença também para a nossa formação como seres humanos.

Tivemos diversas vitórias durante este ano. Construímos uma peça do zero, uma peça que foi capaz de tocar o público, convidando-o a refletir sobre o mundo em que vivemos. Reservamos um teatro para nossas apresentações e tivemos o orgulho de pagar o aluguel com nossa primeira bilheteria. Para os integrantes do grupo que estão no 3o ano, infelizmente, foi o último ano de teatro, mas foi uma experiência com muitas risadas e união. Nós, integrantes do Grupo de Teatro, somos mais do que colegas, nós conseguimos construir uma grande amizade.

Que 2019 também seja um ano maravilhoso, como foi este.

O XII Festival de Poesia da Vila

Escola da Vila
Clique na foto para acessar o álbum do Flickr

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Por Luisa Furman, coordenação do Setor Cultural

Reconfortante e alentador foi o que mais se ouviu sobre o XII Festival de Poesia, protagonizado por alunos e alunas de Fundamental 2 e Ensino Médio, no dia 20 de outubro.

Funcionários, famílias, convidados e estudantes se emocionaram assistindo a declamações surpreendentes e sensíveis de quem teve coragem de subir ao palco naquele dia.

Os membros do júri de poesia falada e escrita, profissionais da literatura e do teatro, declararam ter dificuldade para escolher os vencedores, tamanha a qualidade das produções.

Os poemas de teor político deram o tom este ano, como não poderia deixar de ser, considerando como nossos alunos são atentos, críticos e reflexivos. Mas não ficaram de fora os de amor, de humor, os melancólicos e os existencialistas.

Os grupos de teatro do Fundamental 2 e do Ensino Médio apresentaram fragmentos dos textos em que estão trabalhando ao longo do semestre, propondo um terreno de embate entre teatro e poesia.

A peça “Refugo”, de Abi Morgan, usa da narrativa épica para abordar a realidade dos jovens refugiados que perderam suas famílias na busca por uma vida melhor, em terra estrangeira. Os alunos de F2 se colocam na pele de adolescentes, como eles, que somam as questões próprias da idade ao fato de estarem longe de casa.

Já em cena da peça “Relatos Cegos”, os alunos do EM mesclaram textos de Drummond e Saramago para trazer  ao palco as aflições de uma sociedade à beira do abismo, vivendo o caos da falta de informação e de esclarecimento, representados por uma cegueira metafórica.

Ambos os textos abriram a possibilidade do diálogo com a plateia, propondo uma reflexão sobre as complexidades políticas do nosso tempo. Porque, como dizem os alunos, “fazer teatro e recitar poesia são, também, formas de fazer política”.

Também gostaria de destacar os mestres de cerimônia, que fizeram um excelente trabalho organizando as apresentações e animando o público, com muita propriedade.

Parabenizamos especialmente os vencedores dos concursos! A sensação que ficou é que fomos todos premiados com tanta poesia e beleza e a certeza de que a expressão, a literatura e a cultura são valores inegociáveis para nossa comunidade.

Vencedores do concurso de poesia escrita:

Categoria A – alunos de 6º a 8º ano F2

1° lugar
Vamos conversar, de Marina Zilles, 8º ano

2° lugar 
Sem título, de Cecília Pereira Rona, 8º ano

3° lugar
O trajeto, de Lara Campos de Almeida Monteiro, 7º ano

Categoria B – alunos de 9º ano F2 ao 3º ano EM

1° lugar
Fotografia 08-10, de Lua Bonduki, 3º ano

2° lugar
Ponto de Vista, de Bento Sipahi, 9º ano

3° lugar
Legado Covarde, de Luana Neinstein Pereira, 9º ano

Menção honrosa
Ruído, de Valentina Oliveira, 3º ano

Vencedores do concurso de Poesia Falada:

Categoria A – alunos de 6º a 8º ano F2

1º lugar
Beatriz Provezano, Isabel Bertolini, Violeta Leonel, Joana Barros, Giulia Fonseca, Paula Lopez, 6º ano
Poema Feministas, de Giulia Fonseca Rosa e Silva

2º lugar
Marina Fedrizzi Zilles, 8º ano
Poema A mesma gente, de sua autoria

3º lugar
Nicolas Fernandes Leite, 8º ano
Poema Trump e o mundo atrás das grades, de sua autoria

Menção honrosa
Giulia Helena Soares Dardé e Emanuela Botelho Matias, 6º ano
Poema Uma surpresa, de Maria Luiza, Clara, Giulia e Emanuela

Categoria B – alunos de 9º ano F2 ao 3º ano EM

1º lugar
Bento Sipahi Pires Gonçalves dos Santos, 9º ano
Poema Preto também humano, de autoria sua autoria

2º lugar
Teresa Marques de Sousa, 2º ano
Poema Mulheres negras, de Yzalu

3º lugar
Mariana Carreira Behrend – 3º ano
Poema A flor e a náusea, de Carlos Drummond de Andrade

Menção Honrosa

Tiago Costa Soriano, 9º ano
Poema Perigo constante de contágio, de sua autoria

Luana Neistein Pereira, 9º ano
Poema Divóricio do Tempo, de sua autoria

Categoria C – funcionários, ex-alunos e famílias Vila

1º lugar
Juliana Giannini, Luiza Moraes, Natália Zuccala, Isabela Pires, equipe de Língua Portuguesa e Literatura
Poema Cantiga de enganar, de Carlos Drummond de Andrade

2º lugar
Median Aurea Trigo Grotti Vidal Costa, telefonista
Poema Arácne, de Manuel Bandeira

3º lugar
Estella Rona Garib, estagiária de Língua Portuguesa e Literatura
Poema A morte do leiteiro, Carlos Drumond de Andrade

 

Vila Literária: um evento, muitos autores!

Escola da Vila

Por Vicente Domingues Régis

No sábado dia 21 de outubro tivemos a IV Vila Literária, evento que reuniu crianças, suas famílias, professores, funcionários e demais convidados, ao redor de livros, trocas, leituras, oficinas, exposições e apresentações.

Muito do que se viu é fruto dos valores da escola em ação. A autonomia, a cooperação e o conhecimento são o tecido que sustenta as aprendizagens e as experiências que têm parte de seu ápice no próprio evento, mas não somente, pois foram inúmeras as situações que o antecederam e que seguem permeando o cotidiano das salas de Educação Infantil e Fundamental 1 no fomento da formação leitora de nossos jovens.

Um dos aspectos centrais que queremos aqui destacar é o valor da autoria e do protagonismo. O evento é costurado a muitas mãos desde sua concepção, envolvendo equipes de professores que engajam alunos e alunas na criação e transformação daquilo que já fazem na escola em espaços expositivos, propositivos de experiências de fruição com a Literatura e a Arte.

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Esses valores são percebidos nas muitas ações e exposições que tomam os espaços das unidades e do evento, em especial, traduzindo a essência do que entendemos por ter o aluno ao centro dos processos de ensino e aprendizagem.

Essa autoria se transforma no protagonismo juvenil que movimenta os grupos de teatro dos alunos de Fundamental 2, Ensino Médio e o Núcleo de Produção Cultural, que deram ainda mais vida aos textos escritos pelos alunos de 2o, 3o, 4o e 5o ano, na cerimônia de premiação do concurso literário. Protagonismo este que também se pode notar quando os mesmos alunos se transformaram em personagens de Alice no País das Maravilhas e circularam pela escola anunciando para o público as atividades propostas.

É essa mesma autoria que enxergamos em nossos professores e professoras, preparando uma série de oficinas para receber nossa comunidade, incluindo contação de histórias, criação de personagens, teatro de sombras e tantas outras que tinham como foco a relação da literatura com as demais linguagens artísticas.

Esses valores também mobilizaram a formação de um grupo de música de câmara formado integralmente por pais da escola, que nos brindou com uma maravilhosa apresentação no auditório. Apresentação que contou com um belíssimo programa composto por obras de compositores como Heitor Villa-Lobos, Edmundo Villani-Côrtes, Chico Buarque e Alexandre Guerra, sendo este último pai de dois alunos da escola. Não poderíamos deixar de agradecer aEliane Tokeshi (violinista), Emerson De Biaggi (violista), Vana Bock, (violoncelista) e Alexandre Zamith (pianista) pela tarde que combinou sensibilidade e virtuosismo, aproximando a música erudita do imaginário infantil.

O valor de formação de propostas como essa é enorme, e aproveitamos para compartilhar o álbum de fotos do evento, com registros das diferentes atividades realizadas e, mais do que isso, da participação encantada de nossa comunidade!

Para finalizar, agradecemos a participação e o envolvimento de todos, em especial daqueles que contribuíram com seu trabalho e dedicação para que a IV Vila Literária ficasse, mais uma vez, marcada na memória das crianças e suas famílias.

Sentidos e Sensações. Assim, como deve ser.

Escola da Vila
As fotos do evento estão no Flickr da Vila.

Por Cecilia Galoro, mãe de alunos da unidade Granja Viana

Dar a mão para o outro na roda, misturar, deixar espontâneo. Partilhar o sabor das frutas, ter na seleção de músicas um chorinho para ouvir de manhã, posar com sorriso para a foto, criar e se expressar por meio da dança. Tão boa a educação assim, leve, solta, de verdade…

No último sábado, a Escola da Vila – unidade Granja Viana – partilhou com a comunidade um evento lindo. “Sentidos e Sensações”, uma manhã de experiências para vivenciar esses prazeres. Pais e filhos, famílias, amigos, trocando um bom-dia, dividindo emoções simples que despertam quando damos aquele empurrãozinho diferente na nossa vida cheia de atribulações e rotina.

Oficinas de culinária, fotografia, pintura e dança embalaram momentos e fizeram a gente se lembrar de que todos nós carregamos o entusiasmo, natural da criança que se deixa levar pelas sensações. E aí fica gostoso sentar no chão, experimentar o doce e o azedo da mandala de frutas, aprender a registrar e guardar imagens e fotos nos monóculos, requebrar no frevo e girar na ciranda.

Deixar tudo correr sozinho, só permitindo que as sensações se expressem.

Essa lembrança é mais um aprendizado que tiramos da espontaneidade dos pequenos. O entusiasmo salta da cama com eles e por ali vai ficando junto dos cinco sentidos que, sabiamente, permitem explorar durante todo o tempo. Tudo é visto mesmo, eles nunca passam apenas os olhos. Tudo tem sabor. Tudo se ouve e se registra. Tudo se mexe, se sente. Tudo faz sentido.

Promover essas oportunidades e esses momentos de troca entre adultos, jovens e crianças ajuda a gente a retomar o fôlego e construir dias melhores e pessoas mais felizes. Ajuda a não esquecer como é bom participar das escolhas dos nossos filhos e dar um tempo para fluir a simplicidade que a vida tem.

Juntos e livres.

Valeu, Escola da Vila. Foi uma manhã incrível.

Vasto mundo

Vila Literária

Por Vicente Domingues Régis

“Minha liberdade é escrever. A palavra é o meu domínio sobre o mundo.”
Clarice Lispector

É com grande satisfação que chegamos ao lançamento de mais uma revista com os textos de alunos de 2º a 5º ano do Ensino Fundamental da Escola da Vila, produzidos para o IV Concurso Literário. Este concurso é mais uma das ações que compõem a Vila Literária, evento voltado para os alunos de Educação Infantil e Fundamental 1 com o propósito de festejar a literatura e sua relação com a música, o teatro e as demais linguagens artísticas.

Nesta edição, contamos com mais de cem textos que nos brindam com diversos personagens, conflitos, emoções e enredos, formando um grande retrato que revela a potência criadora do imaginário infantil. Ao passo que o leitor passeia por esse vasto mundo e suas histórias que só os olhos das crianças são capazes de contar, pode também vislumbrar as ferramentas que vêm sendo construídas ao longo da escolaridade por nossos alunos.

Convidamos, portanto, o leitor a percorrer esse caminho poético pelo imaginário infantil, para se deparar com uma bruxa que tinha os dentes muito sujos, mas que podia comer quatro pessoas de uma vez. Nesse caminho também se encontra uma curiosa explicação para a origem da raiva, que tem início lá no país das emoções, por conta de uma confusão entre uma bruxa e dois príncipes. Além de um planeta chamado Grhouland, que é habitado pelos Grhouls, que eram a raça mais triste que já existiu, assim como muitas outras possibilidades que só são possíveis por conta da inventividade e autenticidade dos nossos pequenos escritores.

Toda essa profusão criativa consiste num grande desafio para o júri do concurso. E, para contar um pouco dessa experiência, convidamos Claudia Aratangy, ex-professora da Vila, atual diretora pedagógica da Bahema, escritora de blog e leitora voraz, que participou do júri na categoria Histórias de Infância, do 4º ano.

Missão jurada

Ao ser convidada para compor o júri do VI Concurso Literário da Vila, além de honrada, fiquei um pouco receosa – como avaliar de forma justa os textos dos alunos? Seria eu capaz de fazer isso?

Escrever não é tarefa simples. Quando eu era criança, escrever na escola era um tormento. Por mais bem-intencionadas que fossem as professoras, o que nos propunham eram as chamadas redações, que tinham como tema datas comemorativas, passeios, férias ou o mais complicado de todos: o tal “tema livre” que nos aprisionava e torturava no enorme vácuo da falta de ideias. A indicação do gênero textual também não tinha limites claros: combinávamos relato, memória e até divulgação científica – uma salada. Para o bem ou para o mal, nossos leitores resumiam-se à professora e, em alguns casos, mães e pais. Fazíamos o que estava ao nosso alcance para tentar escrever algo que correspondesse às expectativas de leitores tão importantes. O resultado era pífio.

Hoje as propostas escolares são bem mais estruturadas, também porque são mais fundamentadas – os alunos leem e analisam os gêneros que irão escrever, aprendem a organizar suas ideias, planejam a escrita e, além disso, podem ter diferentes leitores para seus textos, pois não ficam mais restritos a uma folha de papel ou aprisionados em um caderno – o mundo é o limite, já que temos a web.

Assim, embora escrever continue a ser uma tarefa árdua, hoje há mais conhecimentos e recursos didáticos disponíveis, e os alunos se beneficiam deles. Ao que parece, quando nos deparamos com os textos do concurso, podemos concluir que, na Escola da Vila, escrever transformou-se em um desafio que meninos e meninas estão dispostos a enfrentar espontaneamente e com sucesso.

Como nunca havia sido jurada em um concurso dessa natureza, optei por participar em apenas uma das categorias – Narrativas de Infância – me arrependi depois, pois gostaria de ter lido mais textos.

Foi inspirador passear entre as memórias vividas ou inventadas das crianças. Observar como começam a estar atentas às escolhas que faz um escritor: busca de palavras para tornar o texto mais engraçado ou mais comovente, frases encaixadas para criar suspense ou empatia, a evidente preocupação com a cumplicidade do leitor.

Não foi simples eleger as narrativas para serem premiadas – gostaria de homenagear todos que se empenharam nessa tarefa! Como isso não era possível, busquei seguir as orientações da organização do concurso. Li, me deixei levar pelo impacto causado pela história e, em seguida, analisei em que medida a narrativa apresentava um fato de infância, caracterizava ambientes e personagens, temperava com pitadas de humor ou emoção e surpreendia com desfecho inusitado. Combinando critérios mais objetivos com outros um pouco mais subjetivos, fiz minha classificação. Curioso observar que nenhum jurado fez a escolha exatamente igual ao outro – o que confirma que muitos textos eram dignos da premiação. O resultado final é uma composição dos pontos em comum entre as várias escolhas. Acredito que fomos tão justos quanto possível!

Acredito que a experiência de um concurso – independentemente de ser premiado ou não – propicia aprendizagens preciosas e, espero, que cada ano mais alunos se atrevam a encarar esse desafio. Espero, também, poder participar novamente da difícil – mas prazerosa – missão de ser jurada.

Sobre eventos, celebrações e Brasil

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

Por Eliane Mingues, formadora dos professores de F1 da Unidade Granja Viana

Ao final de um evento, seja ele qual for e onde for, lá no fundo, nos vem uma sensação boa de dever cumprido, já perceberam? Dever que é quase um aliado da obrigação e muitas vezes tão comum, quando falamos de instituições. Só que, na verdade, quando o evento é mais do que um dia na agenda, essa sensação não é de dever, mas de satisfação – porque tudo deu certo.

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

E aqui vale um parêntese, o que é dar certo? Como andam nossas métricas de sucesso e perfeição? Com nossos dias corridos e exigências cada vez mais acirradas, estamos conseguindo valorizar o que de fato importa? É nessas horas, no depois, que temos que colocar reparo: o que é perfeito? Perfeito para quem?

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

Os eventos, aqui na Escola da Vila, são grandes parceiros dessa minha reflexão. Isso porque eles não são seus, nem meus, nem de ninguém, mas, sim, de cada aluno e de suas emoções e empenhos ali depositados. A partir de cada um é que chega até nós a celebração daquilo que eles fizeram, puderam e conseguiram, numa partilha solidária que só as a crianças sabem prover.

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

O “Um Pouquinho de Brasil”, realizado no último sábado na unidade da Granja Viana, foi mais um evento que deu certo. Emocionou quem esteve presente porque pudemos sentir cada depósito de atitude e comprometimento dos alunos com aquele dia. Sua duração, das 10h às 14h30, foi apenas um instante para celebrar com eles uma festa que começou muito, muito antes. No pensamento conjunto entre professores e alunos sobre as oficinas, na preparação de cada trabalho, no empenho de sua preparação e montagem, nos sons e nas formas que queríamos contar a respeito do nosso país, esse tal Brasil que anda atribulado ultimamente, assim como todo o restante do mundo, de certa forma.

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

É que, “Um Pouquinho de Brasil”, uma tradição na Vila, é o reconhecimento autêntico do nosso espaço na rica cultura popular brasileira que nunca pode ser abandonada pelo lastro da globalização. A gente sempre celebrou o Brasil por aqui, e construindo esse pensamento com nossas crianças e jovens, preservamos um orgulho que passa pelo reconhecimento do que temos de melhor, mas também de pior, para corajosamente ampliarmos o bem ou contribuirmos verdadeiramente com as mudanças necessárias.

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

Cada lantejoula costurada no painel da entrada, cada colagem do nosso lambe-lambe comunitário para a fachada da escola, cada família participante, cada som do tambor na apresentação do grupo Tiquequê, cada olhar curioso perante as tecnologias que convivem, e muito bem, com as tradições, cada olho no olho dos nossos alunos, cada qual, cada um, cada ação individual e coletiva dessa festa nos encharca de vida boa, fica na memória e faz jus aos dias que buscamos para o futuro das nossas crianças.

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

“Um Pouquinho de Brasil”, aqui na Granja, ainda nos deu a conhecer outras situações especiais de outros projetos desenvolvidos durante o primeiro semestre, e assim pudemos adentrar outros cenários e conhecer os répteis e animais do fundo do mar, o museu da família, que este ano foi todo organizado pelos alunos, e a exposição dos anos 60 e 70, que retratou toda a pesquisa e o estudo sobre esse tão conturbado período da nossa história.

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

E depois de sair tão nutrida por tantas e tantas coisas lindas construídas pelos alunos, tudo o que foi possível sentir ali naquele sábado de sol foi: que bom que somos brasileiros. Que bom que decidimos estar juntos. Que bom que escolhemos partilhar esse momento. Que bom que vocês foram lá para ver os alunos da Escola da Vila cuidando do patrimônio do nosso país.

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

Que bom que tudo deu certo. E que bom, sendo assim, ter sido perfeito entre os seus diferentes e os seus iguais.

Dever cumprido! Ou melhor, mais um ano de grande satisfação.

Ah, a Vila Literária!

Vila Literária

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Por Vicente Régis, coordenador do Setor Cultural,
com a participação de Francisco Zardo de Melo, aluno do 6º ano

No segundo semestre, no dia 21 de outubro, teremos a quarta edição da Vila Literária. Para quem não o conhece, este é um evento de celebração da literatura, da poesia, da metáfora e da arte. Momento de celebração da coragem de se jogar em uma produção artística que revela um pouco mais do que somos, de nosso imaginário. Momento de entrar em contato com artistas que fazem do ato de inventar, escrever e contar histórias, recitar poemas ou criar oficinas seu principal caminho no mundo. Momento de celebração da literatura como linguagem que nos constrói, nos diverte, nos emociona e nos informa.

Além das oficinas, exposição de trabalhos de ilustradores, intervenções artísticas, oficinas diversas e uma feira de troca de livros, entre outras surpresas, teremos a premiação do IV Concurso Literário, concurso este que conta, a cada edição, com a participação de mais e mais estudantes do 2º ao 5º ano do Fundamental 1.

Este concurso prevê um processo de escolha de destaques que serão homenageados no dia do evento, e alguns dos textos são escolhidos pelo Grupo de Teatro do Ensino Médio para serem encenados ao público presente.

Mas o que um concurso escolar tem de importante? Entendemos que o real ganho de um convite como este está em estimular a produção literária autoral dentro da escola, abrir espaço para mais uma situação de produção textual, porém com menos tutoria dos adultos, espontânea e de livre adesão.

Acreditamos que os grandes ganhadores deste concurso são os alunos e as alunas que participam, que se empolgam e abraçaram o convite! Isso porque escrever um texto para um concurso é uma atividade bastante potente para o desenvolvimento da escrita e da habilidade de inventar narrativas e afins, que complementa a formação literária feita em sala de aula, quer seu texto ganhe destaque ou não. Quando as crianças se atiram em uma tarefa como esta, faz-se necessário lançar mão de muitas das competências desenvolvidas em anos de processos relacionados ao ato de escrever. E isso vale muito mais do que a seleção dos destaques.

Convidamos o aluno Francisco Zardo de Melo, atualmente no 6º ano, que participou das edições anteriores, para compartilhar seu depoimento!

“Ah, a Vila Literária!

É uma experiência incrível. Você se dedica um tempo, mas não é um tempo mal gasto. É um tempo gostoso, um tempo muito bem gasto. Na primeira vez, foi uma empolgação incrível. Descrever uma bruxa, usando a pura imaginação. Após muito trabalho, ver seu texto reconhecido, subir em um palco pra falar pra um monte de gente. Ter esse reconhecimento é demais!

Na segunda vez, estava mais tranquilo. Já tinha mais experiência como leitor. Tinha que escrever sobre minha família, alguma história engraçada. Escrevi sobre a vinda de uma humilde família portuguesa em busca de novos ares em território brasileiro. Escrevi com muito empenho, e me restou esperar. E, de novo, acabei ganhando. A mesma sensação, a mesma empolgação. Falei de novo para um montão de gente. Nem tanta gente, mas a empolgação traz a sensação de uma multidão. De novo a sensação de reconhecimento. Essa experiência que levo até hoje e vou levar para toda a minha vida. Um trabalho, um tempo, muito bem gasto, e que traz alegria, reconhecimento, empolgação e diversos sentimentos incríveis que todos vão levar para toda a sua vida, cada um de um jeito.

Bom, essa é minha experiência com a Vila Literária e com tudo que a Vila nos traz de literatura.” 

Aguardamos ansiosos as inscrições de todos os textos de nossos alunos e alunas para mais uma emocionante edição!

E, para os leitores interessados, compartilhamos aqui as revistas das edições anteriores com todos os textos entregues na I, II e III Vilas Literárias!!!

Festa Junina da unidade Granja Viana. Um evento feito por todos e para todos

Festa Junina Escola da Vila Granja Viana
Clique na foto para acessar o álbum da festa no Flickr da Vila

Por Vania Marincek, diretora da unidade Granja Viana

No sábado deste fim de semana, aconteceu a Festa Junina da unidade Granja Viana, e foi um sucesso. Muita animação, muita dança, muita alegria!

Quem esteve na festa pôde ver o cuidado com que a escola foi preparada para o evento, mas nem todos sabem que, para que isso acontecesse, houve trabalho de muita gente, e não só de quem trabalha na Vila.

Festa Junina Escola da Vila Granja Viana

Desde o planejamento e a concepção feitos pela equipe do setor cultural, passando pela decoração, confeccionada por todos da equipe administrativa, a organização do espaço e montagem da decoração pela equipe de manutenção e limpeza, até a confecção das prendas das barracas, elaboradas pelos alunos e professores de cada turma.

Festa Junina Escola da Vila Granja Viana

Esse tem sido o tom de nossas festas desde o primeiro ano da Vila na Granja. No primeiro ano tudo era novo, alunos, pais, funcionários e professores, todos estavam chegando e se conhecendo. Era o início de uma nova comunidade que começava a se constituir em cada ação com as crianças, em cada encontro com as famílias, e a festa junina cumpriu um papel importante nesse processo por ser uma festa com a participação de todos, com o foco na diversão e no aprendizado das crianças.

Festa Junina Escola da Vila Granja Viana

Uma festa com a qual todos se comprometeram, a começar pelas prendas que foram feitas pelos próprios alunos. O resultado foi lindo, as crianças se divertiram a valer nas barracas e valorizaram as prendas que ganhavam nas brincadeiras, tinham orgulho por terem feito cada uma delas. Era algo feito por eles e para eles.

Festa Junina Escola da Vila Granja Viana

Com a evidência do sucesso de nossa festa, no ano seguinte criamos as oficinas para pais, uma forma dos pais participarem de maneira mais efetiva. Oficinas semanais, no mês que antecede os festejos, em que as famílias podem participar ajudando na confecção das prendas e dos adereços que serão usados na decoração do evento.

Festa Junina Escola da Vila Granja Viana

Cada um participa como e quando pode. Algumas oficinas contam com um número grande de participantes, outras com uma menor participação, mas o que é unanimidade no depoimento de quem já participou é o prazer em produzir algo para as crianças e sentir-se mais próximo dos filhos e da interlocução com outros pais.

Festa Junina Escola da Vila Granja Viana

A festa deste ano foi a nossa 4ª festa junina, e vimos nossa opção por fazê-la com a cooperação de todos reforçada em muitos momentos. Nos depoimentos dos alunos em sala, que contam que guardaram com carinho as prendas recebidas em outros anos, no envolvimento deles na produção das lembranças, desde os pequeninos do 1º ano até os mais velhos do F2; na participação não só dos pais nas oficinas, mas também de avós que vieram e ajudaram muito e, por fim, no clima contagiante do dia da festa.

Festa Junina Escola da Vila Granja Viana

Uma festa feita por todos e para todos os que convivem juntos no espaço da Escola!

Um momento de suspensão

Escola da Vila
Clique na foto para acessar o álbum no flickr

Por Tuna Serzedello

Olhos atentos observando filhos, alunos, colegas transformarem o espaço da escola em um lugar de sonho, lembranças, histórias, memórias individuais e coletivas.

A potência do teatro, latente nos alunos-atores, grande demais para ser contida em um corpo (ou vários) invade a sala e as mentes e os corpos dos espectadores, obrigada a seguir o elenco pelos espaços da escola, numa ação teatral que não fica presa a um só espaço da instituição, mas invade todos os outros.

Aqueles, pais e professores, acostumados a mostrar o caminho a ser seguido pelos jovens, neste momento de suspensão, se deixam levar pelos alunos-filhos-atores.

São muitas as denominações para esses jovens, sem contar os papéis que assumiram na peça Terror e Miséria do III Reich, mas que, como quer o autor alemão, com distanciamento brechtiano, sem deixar de serem eles mesmos, de exercitar sua consciência crítica.

Empoderados da força das convenções teatrais, que como uma onda transformadora, como um “superpoder” adquirido, vão se transformando e transformando ao seu redor: escola vira palco, que vira cozinha, que vira hospital, que vira trincheira. Espaços imaginários que se materializam ali, naquele mesmo lugar, no qual durante o dia se aprende matemática, química e literatura: um grande espaço transformador.

O mundo é grande demais e cabe inteiro nas salas dessa escola, que processa e devolve o aprendizado por meio de seus alunos, em forma de ato: de teatro.

O protagonismo jovem se exercita nesse palco da escola, que permite ser transformada por eles e assim os transforma.

O ato de transformar é transformador” diz o homem de teatro Augusto Boal.

Que os aplausos que nos despertaram desse momento de suspensão nos façam perceber a grandeza do feito de todos os envolvidos ali: pais, professores, alunos e funcionários da escola.

Hoje, quando voltarmos à “normalidade” da vida escolar, jamais nos esqueceremos de que aquela sala, ontem, foi um tribunal do III Reich, e que aquele aluno, sentado ali, carrega em si um ator. E ator é aquele que age.

Relato de Rafaela Sérpico

“A vida é o que fazemos com nosso tempo.
Eu gosto de fazer teatro, e pra mim, minha vida só começou de verdade no momento em que fiz a primeira aula, em que li o primeiro livro em forma de peça e fui em uma peça. Quando subi em um palco pela primeira vez, devo admitir, achei que meu coração ia sair pulando e roubar minha cena.
Esse ano, fiz uma das peças que mais me entusiasmou.
Às vezes, treinando no meu quarto e falando “Heil Hitler” dava vontade e até cheguei a chorar diante de tudo que esta expressão tem por trás…
Mas, ao mesmo tempo, eu consegui me conhecer mais, consegui perceber que mesmo com todo esse valor de “bem” e “mal” imposto pela sociedade, todos temos ambos os lados, e todos devemos expressá-los e não guardar e guardar dentro da gente, porque eu sei que uma hora isso precisa sair. E essa peça me ajudou por isso, porque ela me mostrou esse lado, de que é importante ser aquilo que você não é, falar aquilo que você mais despreza e simplesmente encarar isso mais do que tudo, como uma forma de aprendizado e justa oportunidade de poder dizer tais diferentes concepções, afinal, a realidade dessa peça não é a minha, eu disse coisas que jamais pensaria ou teria tal visão de mundo. Mas eu me senti mais leve e eu não estou dizendo que meu lado “mal” é nazista, porque eu não sou nazista de lado nenhum.
O que quero dizer com tudo isso é simplesmente que eu percebi com essa peça, que o teatro é a melhor forma de colocar o lado “mal” para fora e é também a ferramenta que mais me traz autoconhecimento.
“Terror e miséria do III Reich” foi uma experiência simplesmente incrível, e por mim eu sairia pelo mundo todo apresentando ela e falando esse texto maravilhoso, e que trouxe o que nenhum dos milhões de filmes sobre o nazismo que eu assisti jamais me mostraram e representaram.
Fazer essa peça e usar meu tempo pra ensaiar ela em casa ou na escola foi a experiência que me mostrou que, da minha vida, que é o que eu faço com o meu tempo, quero fazer teatro, afinal, não existe vida onde não há teatro.”

Relato de Carolina Alayon

“Nós do Grupo de Teatro 2016 da Escola da Vila, realizamos a peça “Terror e a Miséria no Terceiro Reich” por Bertold Brecht, dramaturgo poeta alemão. Foi escrita entre 1935 e 1938, fazendo uso de recortes de jornal, notícias recebidas da resistência – Brecht vivia então na Dinamarca –, rádio, ou qualquer forma que pudesse levar a informação além das fronteiras do Reich, que se estabelecia. É um panorama da sociedade alemã sob o domínio nazista. Uma coleção de instantâneos saída de casas operárias e cortes judiciais, de trabalhadores socialistas e comunidades judaicas, de campos de concentração e aulas da juventude hitlerista. Mais do que retratar uma década mergulhada em equívocos, Brecht nos força a enxergar a decadência de toda uma sociedade, sufocada pelo terror.
Esta peça teatral composta de múltiplos quadros independentes, aparentemente desconexos, em que cada cena nos mostra uma faceta do regime, em que as personagens cumprem todo o seu papel numa aparição breve que contudo as não diminui nem lhes retira força, encontra a sua unidade no seu título.
Os atores confirmam a ênfase desafiadora do texto e do caráter trágico, violento, repressor e opressor de seus personagens. Para atingirmos a compreensão do ato fora necessário muito esforço da parte de todos e ensaios acompanhados da direção de Tuna Serzedello, que disponibilizou obras de referência para estudo do grupo. Este diretor, que contribui maravilhosamente trabalhando arte/teatro com jovens, nos orientou no processo de construção do personagem e de ocupação do espaço da Escola para a apresentação, processo que demanda foco, bom gosto e disciplina.A profundidade e clareza do teatro, que consuma o momento histórico retratado em uma situação prática, é forte devido a temática, espelhada no período da Guerra nazista, do facismo hitlerista. Sua força intensa atinge o espectador quanto ser observador e sentimentalista, provocando um dilema reflexivo entre conforto e incômodo referente às condições físicas e emocionais tanto do personagem, quanto dos atores e dele próprio.”

XI Festival de Poesia. Tempo, espera e silêncio

Festival de Poesia da Escola da Vila
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A missanga, todos a veem.
Ninguém nota o fio que,
em colar vistoso,
vai compondo as missangas.
Também assim é a voz do poeta:
um fio de silêncio costurando o tempo

Mia Couto

Por Vicente Domingues Régis 

O que faz com que mais de mil pessoas se encontrem e destinem grandes porções de seu escasso tempo à poesia, uma prática tão antiga e tão distante dos atuais traços da sociedade contemporânea, marcada pela velocidade, pela voracidade e pelo consumo? Qual força sobrepuja o desejo quase incontrolável, que nos direciona diariamente para a frente das telas de nossos dispositivos eletrônicos, fazendo com que direcionemos nossa atenção para uma, duas ou três pessoas que declamam lentamente textos de Mel Duarte, Mário de Andrade, Mayakovsky ou Wislawa Szymborska? Por que insistimos em nos sentar na grama, em silêncio, durante tanto tempo, envolvidos pelas vozes daqueles que ousam derramar íntimos sentimentos em um antigo coreto, embalados pelos maxixes, choros e marchinhas de compositores como Anacleto de Medeiros, nascido há cento e cinquenta anos?

Como resposta a estas questões, nos reunimos no sábado, dia 29 de outubro, em frente ao coreto do Parque da Chácara do Jóquei para a realização do XI Festival de Poesia: “A poesia na rua, a rua na poesia”. Foram seis horas intensas de declamação, música, performance, oficinas, exposições de trabalhos, e encontros. Seis horas de protagonismo dos jovens que frequentam nossa escola, das suas famílias, de seus professores, e dos demais membros da nossa comunidade.

O espaço para a realização desse evento foi gentilmente cedido pela administração do parque, mediante a contrapartida de esgotamento da fossa de um dos banheiros e pintura do coreto e da área externa do redondel, realizados pela escola. Tivemos um público estimado de 1.200 pessoas durante o evento, que contou com o concurso de poesia falada, no qual foram declamados poemas de Vinicius de Moraes, Ana Cristina Cézar e Solano Trindade, entres muitos outros autores, e mais uma série de ações. Dentre estas, destacam-se as oficinas de criação de pôsteres, origami, criação de proposta de arte visual baseada em poema, o show dos Batutas do Coreto em homenagem a Anacleto de Medeiros, compositor carioca de importância fundamental para música brasileira, e, ainda, as apresentações dos grupos de teatro do Fundamental 2 e do Ensino Médio. Como encerramento do evento, alunos do Ensino Médio criaram uma performance relacionando o conto Soroco, sua mãe, sua filha, de Guimarães Rosa, com as canções Trenzinho Caipira, de Villa-Lobos − que ganhou letra de Ferreira Gullar e Terceira Margem do Rio − canção homônima do conhecido conto de Guimarães criada por Milton Nascimento e Caetano Veloso. Tudo isso aberto ao público que frequenta o parque.

Vale ainda lembrar que os mais de 150 poemas inscritos no concurso de poesia escrita, assim como as oitenta inscrições para o concurso de poesia falada são, em grande parte, ecos de uma proposta pedagógica que valoriza a sensibilidade, a subjetividade e o diálogo. Reverberam de uma proposta pautada na autonomia e na cooperação, como pode-se observar no belíssimo e fundamental trabalho dos mestres de cerimônia: Carlos Navas, Daniel Innecco, Gustavo Torres, Gabriel Sampaio, Mariana Assef, Sabrina Cardoso e Yuri Carvalho − que se organizaram para tocar o evento e precisaram de pouquíssimo auxílio do setor cultural e dos demais profissionais da escola envolvidos na organização do festival.

Certamente, são muitos os motivos que concorrem para que destinemos tanta energia e tempo num festival como este. Entretanto, são estes de natureza tão subjetiva, singela e variada que não cabem ser resumidos aqui. Vale concluir: sentimos a necessidade do encontro em torno do fio que vem sendo tecido em silêncio pelos poetas há tanto tempo.

Aproveitamos o momento para parabenizar mais uma vez os vencedores dos concursos de poesia escrita e falada:

Poesia Falada

Categoria A

1o lugar: Bento Sipahi Pires Gonçalves dos Santos.

2o lugar: Alice Rossi, Lola Aguiar, Dora Mariani, Sofia Camargo.

3o lugar: Majoí Sotero Costa.

Menções honrosas: Frederico Kipnis e Luis Fernando Souza Dória.

Categoria B

1o lugar: Antonia Vilas Boas Cardoso de Oliveira, Cecilia Neves Nannini, Marina Gregori Tokita, Manuela Arruda Pinto Lima, Paola Franceschini Giovanolli.

2o lugar: Lorena Polo.

3o lugar: Giulia Guarrera Zanetti.

Menção honrosa: Helena Veliago Costa e Laura Santanda.

Menção honrosa: Sofia de Carvalho Galvão e Fernanda Contarelli Lima

Categoria C

1o lugar: Median Aurea Trigo Grotti Vidal Costa.

2o lugar: Juliana Giannini, Luiza Moraes e Clarice Barreira.

3o lugar: Paula Lisboa e Teresa Lisboa.

Menção honrosa: Noam Rafael Kramer.

Poesia escrita

Categoria A

1o lugar: João Pedro Sequeira Rocha, “Infinito”.

2º lugar: Benny Sadka, “Marola”.

3º lugar: Bruno França, “Amor aleatório”.

Menções honrosas:

Nicolas Fernandes, “Negritude”.

Anne Hirata, “O tempo”.

Categoria B

1º lugar: Beatriz Bannwart Novaes, “sem título”.

2º lugar: Catarina Simonetti de Mattos, “Epinaufraga”.

3º lugar: Lua Bonduki de Sousa, “cena estática”.

Menções honrosas:

Bruna Duarte Savietto Frati.

Júlia Menezes, “A menina de cá”.