#35anosescoladavila

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Rumo ao 36º ano de vida institucional

Por Sonia Barreira

Neste ano em que completamos 35 anos, dedicamos o espaço do nosso blog ao projeto #35anosescoladavila no qual tivemos a oportunidade de receber narrativas variadas de muitos participantes da nossa história institucional.

Narrativas que emocionaram, alegraram, provocaram muitas risadas e lembranças importantes e significativas. Enchemo-nos de orgulho ao constatar a importância desta escola na vida de tantas pessoas.

A construção de um projeto educacional se faz no dia a dia e a muitas mãos, e nós tivemos a sorte de contar com colaboradores incríveis, assim como com apoiadores fantásticos. Vimos crescer diversas gerações, com perfis variados, posicionamentos distintos e escolhas singulares, mas todas engajadas na construção de um mundo melhor. Sentimo-nos realizadas.

Conhecemos também as nossas falhas, imperfeições e desafios, e constantemente nos revemos, sem perder a essência de uma escola plural, humanista, que acredita no diálogo como a ferramenta mais importante para o bem coletivo.

Por isso, finalizamos esta série de narrativas agradecendo a todos aqueles que apontam nossos defeitos, e o fazem com o respeito que esta equipe merece.

Pais, alunos, professores e funcionários… Obrigada por nos ajudar a construir a ESCOLA DA VILA! Nossa força para enfrentar as adversidades vem de vocês.

#35anosescoladavila

Dani Munerato

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Por Daniela Munerato

Cheguei por aqui em fevereiro de 2002, na correria de um início de semestre na Unidade Morumbi. Desde então, passei por diversas experiências das quais tenho memórias que gostaria de compartilhar, como um percurso repleto de vida e movimento.

A Vila proporciona experiências importantes. Aqui vivenciei diversas funções, como estagiária, professora da Educação Infantil, formadora de professores nos cursos do Centro de Formação, professora da Pós-Graduação, orientadora da Educação Infantil e dos primeiros anos, e aguardo o que ainda estiver por vir, sempre ávida pelos desafios. Encontrei nesse tempo o que procurava: o diálogo entre a teoria e a prática sob o olhar de autores que eu sempre estudei, e ainda de muitos outros que tive a oportunidade de conhecer através de tantas ações formativas. Além disso, a atenção para o aluno em cada fase de seu desenvolvimento, repleto de respeito, escuta e propostas que o façam sempre avançar me encantam. Um lugar que certamente os prepara para a vida!

O movimento no nosso dia a dia é intenso. Em nossas prateleiras, sempre cabe mais um livro, e os mesmos precisam ser lidos mais de uma vez. Literatura, música, arte e cultura são temas presentes, bem como o respeito ao outro, a formação dos grupos e a importância da interação e da cooperação. As equipes estão sempre juntas. Os dias parecem ter muito mais que 24 horas e, ao final deles, apesar dos momentos desafiadores que os compõem, os de parceria sempre se sobressaem.

Se eu imaginar uma caixinha com tesouros guardados, como as crianças pequenas costumam fazer, terei lembranças como os amigos secretos envolvendo todos os funcionários da escola, as discussões nos primeiros Simpósios com dilemas do cotidiano, os acantonamentos do Grupo 3 e as Festas Juninas temáticas. A caixinha seria repleta de nomes, com amizades para sempre, pessoas de referência e enorme admiração. Não poderia faltar a imagem da primeira criança que vi chorar de emoção, junto a todos os bilhetes e desenhos que recebo até hoje e revelam laços importantes. Entre todas essas memórias, uma carta muito especial de pais de um aluno querido, endereçada a mim e à minha estagiária da época, da qual segue um breve trecho:

Dizem que no Japão, a ninguém é dado o direito de elevar sua cabeça à altura maior do que a cabeça do Imperador. Uma única exceção confirma a regra: o imperador japonês desce de seu trono e declina de sua vaidade e poder, baixa sua cabeça só e exclusivamente diante do professor de ensino primário (hoje fundamental). A ninguém mais. Sinal do respeito de uma cultura, sinal do valor de um professor. (…) enfim, também sou dado a observações, e, naturalmente observei vocês o tempo todo. Eu e Rosana o fizemos, às vezes comentando; às vezes no silêncio de cada um… O que percebi foi uma enorme dedicação; uma sabedoria para o ofício; uma sensibilidade para o gênero humano; quem faz relatórios daquele tipo, com tamanha riqueza de detalhes, com tal carinho? Quem vai ao ponto daquele modo, sem dar bandeira, sem fazer estardalhaço, sem chamar a atenção para si mesmo?

Vocês fizeram deste modo cada momento de nossa relação neste ano, e eu passei a admirá-las, na calma, na doçura de vocês com cada criança. Cada relatório que nos chegou e emocionou: alguém zelava e orientava meu filho; compreendia-o; despertava nele o sentido do ser humano que progride; do aprendizado, da transformação do bebê que vai fazendo a si mesmo criança – e, infelizmente, daí para frente também. (…) vocês carregam uma missão. O imperador do Japão saberia reconhecer isso.” 

Neste contexto de parceria, termino meu breve relato agradecendo todas as equipes das quais faço e já fiz parte, cada aluno e cada família que tive e tenho o privilégio de acompanhar como professora ou orientadora. Parabéns, Escola da Vila! Que venham as comemorações de 40, 45, 50… E a continuação da nossa história!

#35anosescoladavila

Zelia Cavalcanti

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Entre o passado e o futuro

Por Zélia Cavalcanti 

Quando, em 1978, resolvi abandonar o doutorado em história contemporânea do Brasil, na FFLCH, para trabalhar em uma escola de educação infantil, que minha filha começara a frequentar no ano anterior, ainda não conhecia o livro de Hannah Arendt cujo título tomei emprestado para nomear esse post e, com o qual tanto aprenderia anos depois.

O desencanto com a carreira universitária, que se mostrava, para mim, muito solitária, e o encantamento com a animada e ruidosa curiosidade das crianças por tudo que as cerca provocaram essa mudança de rumo profissional. Deixei a monitoria de seminários para grupos de veteranos do departamento de História e aceitei o convite para ser professora de uma classe de nove crianças de cinco anos de idade do período vespertino na Escola Criarte.

Gostei. Tanto que, em 1980, aceitei o convite para participar do grupo fundador da Escola da Vila, Pré-escola e Centro de Estudos. Professora, responsável pelo atendimento de pais, de novo professora e depois coordenadora de educação infantil, professora em cursos do Centro de Estudos, coordenadora do Centro de Formação. E assim se passaram três décadas e meia.

Durante esses anos, aprendi muito. Aprendi com as crianças, que me ensinaram a querer saber mais sobre elas, tanto pelo convívio cotidiano como pelo que estudei para melhor conhecê-las. Aprendi com os outros profissionais: os colegas desde o início, os que chegaram e ainda estão, e os que passaram.

Hoje tenho absoluta certeza de que, por mais que me dedicasse a ler e a estudar, sem as múltiplas interações que tive oportunidade de viver nesse período não teria aprendido o que hoje sei sobre educar e ser educador.

O tempo passou e, com ele, o meu tempo na escola. No próximo ano deixarei as atividades relacionadas ao Centro de Formação, que vinha realizando nos últimos quinze anos.

Saber que continuarei vinculada a essa maneira particular de pensar e fazer educação escolar, podendo, como já aconteceu anteriormente, compartilhar o conhecimento construído na Vila em outros projetos, é o que me dá plena certeza de que fiz a coisa certa quando, em 1978, deixei de olhar para o passado (pesquisando e ensinando história) e passei a me dedicar ao futuro, colocando todo meu interesse na educação das novas gerações.

#35anosescoladavila

Um encontro, grandes novidades!

Por Marilene Penha

-Você é a Lena, professora do meu sobrinho Wladimir? – Sim, sou eu.

- Muito prazer! Queria muito conhecê-la, meu sobrinho fala muito de você! Meu nome é Ivone, sou arquiteta, vim do Rio, estou morando em São Paulo agora, mas gostaria de mudar de profissão, será que eu poderia participar como ouvinte das suas aulas? – Bem, isso eu precisava falar com minha orientadora, olha só, ela vem vindo, vamos falar com ela já?

Algum tempo depois, Ivone se tornou educadora.

Ao longo da vida, fomos professoras companheiras de ciclo. O tempo passou, cruzamos outros caminhos, outras escolas, e, 10 anos depois, tivemos um novo encontro:

- Lena, como está você? Sabe que agora estou trabalhando na escola da Vila e, veja só, estamos precisando de uma professora para o 2º ano. Você aceitaria? – Mas, Ivone, você acha que dou conta? – Claro, Lena! Eu tenho certeza de que você vai gostar muito de lá!

E, assim, foi pelas mãos de Ivone (literalmente!) que cheguei à escola, pois, acredite, eu havia me mudado recentemente para a zona oeste e não conhecia nem a Avenida Francisco Morato, muito menos a Rua Alfredo Mendes da Silva, onde está a Unidade Morumbi.

Foi nessa unidade que minha vivência na Vila teve início. No meu primeiro dia de trabalho, Ivone me deu carona, me lembro de subir as escadas e seguir caminhando por um longo corredor, atravessando um largo espaço de muito verde, para chegar até a classe e ser recebida pelas minhas futuras parceiras e, no futuro, grandes amigas: Ângela, Mônica e Patrícia. Elas me deram uma folha com a foto de todos os meus alunos e disseram: – Aqui está o seu carômetro! Pensei: Nossa! Já vi que vou ter muitas novidades por aqui! Confesso que fiquei emocionada só de ver aquelas carinhas (que jeito bacana de conhecer os alunos antes do primeiro dia de aula!)!

Trabalhei nesta unidade por 9 anos e fui muito feliz lá. Em seguida, trabalhei mais 6 anos na unidade Butantã, onde fui igualmente acolhida e ainda me lembro do primeiro dia de trabalho: Entrei na escola e Wanilda veio ao meu encontro dizendo: – Seja bem-vinda à sua nova unidade! Durante todo esse tempo, posso dizer que eu trabalhei muito, aprendi muito, e me apaixonei ainda mais pela profissão. Hoje, acredite, já estou aposentada, mas ao lado de todas as boas lembranças que tenho: os projetos, acampamentos com as crianças, festivais de poesia, palestras, as reuniões semanais, mensais, e também aquelas que fazíamos durante os encontros para comemorar fosse o que fosse, onde de repente nos víamos falando de projetos, planejamentos, novas ideias… Ai, ai, ai, professor gosta muito de falar de escola!

Continuo sendo professora e encontrando com os antigos colegas e funcionários, e, pode crer: é sempre aquele encontro carinhoso, que só grandes amigos podem viver.

Quero dar dois recados: o primeiro é para Ivone: – Obrigada por me levar para a Vila!

E o outro, para finalizar: – Obrigada a todos e vida longa à Escola da Vila!

Marilene Penha

P.S.: Ainda guardo com carinho alguns carômetros – lembrança dos meus queridos alunos.

#35anosescoladavila

Por Tarcila Predieri Proto

35 anos de Escola da Vila… E eu aqui há 25! Cheguei em 1990, na antiga terceira série do primário, e desde então faço o mesmo caminho de casa para a escola e da escola para casa… antes como aluna, e agora como professora.

E foi aqui, muitos anos atrás, que me encantei pelo esporte e ganhei minha primeira medalha, de prata, em 1992.

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Por incrível que pareça, essa é a calçada da escola… quantos já passaram ou ainda passarão por aí?

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Esse é o outro lado da rua… Com o segurança Edson, que ainda está conosco, agora como porteiro. E essa na foto, junto com a gente, é minha amiga até hoje. Chegou a trabalhar aqui, no laboratório, e nos conhecemos em 1988.

Ah, sim! As verdadeiras amizades continuam… Mesmo fora da escola!

Cheguei a ser monitora de matemática no então 1º ano do colegial, com o apoio das minhas professoras Chacur (de álgebra) e Inez (de geometria).

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E, o que falar deles, dos professores?

Júlio tinha cabelo, Washington usava óculos, Marcio e Marcelo formavam “a dupla perfeita do samba”, viviam cantando pelos corredores. Mas todos com a mesma essência até hoje.  Ensinar, por meio da prática esportiva, valores importantíssimos que usaremos para o resto de nossas vidas: cooperar, dividir situações de sucesso e fracasso, coragem para enfrentar desafios, condições para resolver problemas. Eu não fazia ideia de nenhum desses valores! A gente só entende depois que sai da escola…

Porque, enquanto eu estava na escola, quando perdia um gol, tinha vontade de sair da quadra, e quando perdia um jogo, queria parar de treinar… E só hoje entendo que tudo isso faz parte! E que jogar o próximo jogo é ainda mais desafiador e gratificante!

E o que falar do espaço físico? Quanta mudança. O atual ginásio (quadrona) era descoberto, como mostra a foto da cerimônia de abertura da PRIMEIRA OLIMPÍADA DA ESCOLA, em 1990.

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Sim, este é o nosso atual ginásio coberto!

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Nesta foto estou me preparando para a Cerimônia de Abertura… E essa escada de barro é hoje a nossa arquibancada!

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Nesta foto, vai começar o meu primeiro jogo pela escola… “câmbio”. E eu sou aquela, com a cabeça baixa, olhando pra mão… Será que eu estava ansiosa?

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Aqui estamos exatamente onde fica hoje a nossa cantina!

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E ficar na escola para assistir aos jogos do irmão? Claro, era super divertido!

Coisas simples eram muito disputadas, como ficar no placar manual trocando os números a cada gol ou tirar a lama da quadra para que o jogo pudesse continuar…

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E se eu disser que a Wanilda está nessa foto, vocês acreditam? Sim, ela nos acompanhou por anos e anos nas olimpíadas da escola.

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Depois de uns anos, o alambrado foi colocado em volta da quadra e, um pouco mais tarde, o ginásio foi coberto.

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E a sala dos professores de educação física? Nem sonhava em existir! Só havia bananeiras!

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E, claro, eu não poderia nunca deixar de falar deles, dos meus pais!

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Eles estiveram presentes em todos esses momentos, em todos os jogos, em todos os gols, em toda essa caminhada!

Agradeço a todos, todos os dias, por poder ter feito parte disso, com tantas lembranças e conquistas!

Agradeço a todos os professores, que tanto me ensinaram e me prepararam para eu estar aqui hoje fazendo tudo de que mais gosto, e com o que mais me identifico! E essa história, tenho certeza, também será contada por muitos alunos!

E que ela nunca tenha fim!

Tarcila Predieri Proto

Ex-aluna 1990-1998

Estagiária 1999-2003

Professora 2003-2015.

#35anosescoladavila

Maria Inez  de Castro Cerullo

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Por Maria Inez de Castro Cerullo

Em 1995, mais precisamente no meio do ano, professores e funcionários do Colégio Fernando Pessoa ficaram sabendo que a escola havia sido vendida e que os novos gestores queriam se apresentar e conversar conosco.

Nessa reunião, lembro bem de Sônia Barreira, grávida de seu filho mais novo, e de Zélia Cavalcanti com um laptop “moderníssimo” para a época se apresentando, informando e tranquilizando a equipe de professores e orientadores. Então continuamos como professores, agora da Escola da Vila.

A partir daí, foram 20 anos de muita aprendizagem, muita desestabilização e aprimoramento da prática pedagógica, pois a Vila está sempre se renovando. Da série final do Ensino Fundamental 2 passei ao Ensino Médio, novos desafios vieram e muitas boas lembranças ficaram. Alunos que voltam à escola dizendo o quanto fomos importantes na sua formação, colegas com quem convivi e que me fizeram aprender mais e muito.

Dizem que trabalhar em educação com adolescentes é sempre fazer uma aposta, pois na maioria das vezes não vemos o “produto final” de nosso trabalho. Mas, às vezes, temos essa possibilidade, como nos encontros de 10 anos de formados de nossos alunos ou quando ex-alunos tornam-se colegas, e esses momentos são muito especiais para um educador.

Enfim, como cheguei à Escola da Vila? A Vila chegou até mim, me fez parte de sua equipe e ficou na minha vida.

Parabéns pelos 35 anos!

#35anosescoladavila

Angela Crescenzo

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Por Angela de Crescenzo

Muitas coisas já foram escritas, muitas palavras lindas e por muitas pessoas a respeito dos 35 anos da Vila! Então… O que escrever??!!

Minha história se mistura com a história da Vila desde o final dos anos 80! Eu tinha uma escola e a equipe da Vila dava supervisão para nós da escola Fênix!! Passado um tempo, minha vida tomou outro rumo e nossos caminhos se distanciaram fisicamente, mas não por muito tempo!!

Voltei à escola como mãe. Afinal, só tinha uma escola em que acreditava e queria que minha filha estudasse, a Escola da Vila!!

Depois de alguns meses, fui convidada a assumir uma classe de 1ª série, em agosto!!  O desafio era grande, ainda mais começando com uma classe no meio do ano. Mas, preciso dizer, foi um ótimo começo. Por essa razão, desde então, durante estes 22 anos, estamos juntas, a Vila e eu!! Choramos, rimos, aprendemos, crescemos, estudamos…

Muitos aspectos me dão orgulho em trabalhar nesta escola: um deles é fazer parte e ajudar na construção permanente deste  projeto pedagógico e, assim,  também  ir me transformando como profissional.

Sou apaixonada pelo que faço!

Faz alguns anos, deixei de trabalhar no fundamental 1 e passei a atuar no fundamental 2, como orientadora educacional. Estou trabalhando com os adolescentes, fase de muitas transformações e inquietações, bem como de muita criatividade, muitos planos, desejos de mudança, tudo isso pode ser potencializado desde que o ambiente escolar também crie situações para que os meninos e meninas possam discutir, refletir e protagonizar projetos, visando compreender a realidade e seu papel dentro dela e as possibilidades de transformação. Este é outro aspecto que me causa orgulho, aqui na Vila isso é considerado, e os alunos são convidados a aprender a conviver num espaço coletivo sem perder sua individualidade e buscando constituir-se como pessoa.

E o que dizer dos projetos desenvolvidos em cada disciplina? Poderia ficar elencando muitos, mas julgo que não seja necessário, pois todos que fazem parte desta escola já os conhecem de alguma maneira.

Enfim… São muitas palavras, saberes  e sentimentos que me unem à Escola da Vila!

Este trecho da  poesia “A Escola é“, de  Paulo Freire, ilustra um pouco de tudo isso:

“(…) Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar,

É também criar laços de amizade, É criar ambiente de camaradagem,

É conviver, é se ‘amarrar´ nela!

Ora é lógico…

Numa escola assim vai ser fácil! Estudar, trabalhar, crescer,

Fazer amigos, educar-se, ser feliz.”

Eu sou e estou “amarrada” na Escola da Vila!! Parabéns!!! Que venham muitos e muitos 35 anos!!!!

#35anosescoladavila

Anna Candida

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Por Anna Cândida Azevedo Marques Brazil Xavier, aluna do 5º ano D

Meu nome é Anna, eu entrei esse ano na Vila, já estudei em 4 escolas e essa é a melhor, espero nunca ter de mudar de escola de novo.

A minha classe é a melhor! Desde o primeiro dia já me enturmei, com as meninas pelo menos. Agora no fim do ano para mim é como se eu sempre tivesse estudado na  Escola da Vila, tenho muitos amigas e alguns amigos.

Nas minhas outras escolas nunca tivemos discussões legais ou aulas que não dessem sono. A minha professora, Aline, é muito legal! Óbvio que às vezes ela dá umas explodidas, mas somos humanos, não é? Realmente adoro a Vila e nunca mais quero mudar de escola!

#35anosescoladavila

Fernanda Flores

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Por Fernanda Flores

Receava começar este texto e me perder em mim.

Mas alguns acontecimentos são especialmente únicos e disparam uma vontade de escrever que, então, abracei… Sem medo de ser piegas, sem medo de … nada.

Seus 35 anos me permitem isso, pois deles compartilho 25, menos uns 4 nos quais estive em outros caminhos da vida… Como filho que sai de casa e depois volta…

Mas hoje, o que de especial vivi, somente a vida na escola me pôde proporcionar… É disso que desejo falar: uma escola proporciona tantas emoções simultaneamente que somente aqueles que dela fazem (ou fizeram) seu cotidiano têm a possibilidade de imaginar do que estamos falando…

Uma manhã com agenda lotada de desafios os mais diversos, que abraçamos, pensamos juntas, reclamamos, ponderamos, revisamos, e, sempre na parceria especial das guerreiras da gestão, procuramos melhores caminhos para seguir, fazendo ESSA escola pulsante, com as caras de TODOS os nossos alunos e alunas, e com a MARCA única de nossos professores e professoras.

À tarde, um bate-papo espontâneo com um menino de 3 anos que chamava sua irmã de 5 para sair de sua sala e vir se sentar com ele, numa beiradinha de banco no qual cabia somente mais um… E eu, ao me sentar e puxar papo, entendo que ali não era o meu lugar e que precisava sair muito, mas muito rápido, para dar lugar a uma irmã que teimava em vir, entretida com as coisas de seu grupo, demorando a sair de sua sala aos olhos do ansioso irmão. Coisas de escola…

Pouco depois, encontro com parte de minha equipe maravilhosa para fazer um balanço do ano e as projeções que têm para 2016, entre pontos que precisamos manter como conquistas lindas de equipe e outros que devemos seguir aprofundando nessa insana e maravilhosa missão de educar em uma escola nos dias de hoje. Conversas francas e cheias de planos partilhados.

E, à noite, (o que dizer das tantas noites que trabalhamos na escola, pela escola…) a emoção de apresentar aos pais de nossa própria comunidade o que será da vida escolar de seus filhos ao alçar novo voo, deixando aos poucos a segurança conhecida da Educação Infantil rumo ao Fundamental.

E, nesse contexto, contar com parceiras especiais e poder, ainda, de cancha, apresentar uma professora querida com quem trabalho e admiro há tantos anos, introduzindo-a ao desafiador mundo da orientação. Vê-la experiente e segura, tocando lado a lado uma singela reunião que tanto significa para nós.

Assim, da soma dos casos de todos os dias, você me fez, em seus 35 anos, nas parcerias incontáveis, nos desafios de ensinar e aprender, em cada um dos meus alunos e alunas, nas conversas nas salas dos professores, nas entrevistas com mães e pais, nos inúmeros bons dias… Enfim, obrigada por esse sem fim de experiências e por ser sempre tão intensa, nossa Escola da Vila.

#35anosescoladavila

Fermín

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O elevador

Por Fermín Damirdjian

Era uma terça-feira qualquer de 2007. Eu esperava o elevador, na garagem, com as mãos carregadas de compras do supermercado. Tudo disposto daquela forma que não sabemos exatamente como abriremos a porta quando ele chegar, mas na qual está tudo tão bem encaixado que deixamos para resolver esse pequeno problema somente quando a caixa metálica, de fato, plantar-se diante de nós.

Assim estava eu, como um monumento à minha vida ordinária, quando alguém faz o favor de me ligar no celular. Aqueles de telinha verde. Tinha um jogo da cobrinha que eu costumava usar no ônibus quando me cansava de ler.

Pensei um pouco se valia a pena sair do meu pedestal de herói da garagem, pai de família que voltava pra casa com as mãos fartas para alimentar minha esposa e uma pirralha de pouco menos de um ano de idade. Marina faria um ano na quinta-feira. Mas o celular persistia, e, para encher o elevador com sacos de supermercado, eu precisava trabalhar. Na época, era tutor de alunos, uma iniciativa absolutamente individual. Recebia alunos do Lourenço Castanho, da Viva, do Pentágono, do St. Pauls, da Play Pen e de qualquer um que quisesse me enviar um jovem desajustado com o sistema escolar. Também tinha uma orientadora e um orientador de uma escola do Butantã que vinham me encaminhando alguns desses espécimes. De modo que era melhor atender.

Largo as sacolas de uma das mãos, deposito a valiosa carga no chão e enfio a mão no bolso para arrancar aquele aparelho piolhento que não parava de escandalizar a garagem, na esperança de que o telefonema realmente valesse a pena.

- Boa tarde, é o Fermín que fala?

- Sim, sou eu.

- Meu nome é Neninha (Quem?? Cada nome…). Você deixou um curriculum aqui com a Verinha e o Chicão (Todo mundo ali parecia ter um nomão ou um nominho.), e quero saber se você ainda tem interesse em vir até aqui conversar conosco. 

Interesse? Eu tenho uma filha pra criar, minha senhora.

- Ah, acho que sim. Por que não? Se for em um horário viável… (Eu tinha montes de horários viáveis!).

- Pode ser na quinta feira, às 14h? 

Justo no aniversário da Marina. A gente iria almoçar junto, os três…

- Claro que sim. Está ótimo. Está perfeito. Agendado.

Desliguei, o elevador chegou, como chegou também a quinta-feira. Ao contrário da escola do Butantã, que eu tinha visitado para estreitar meus contatos profissionais com uma orientadora baixinha e um orientador barbudo, agora eu tinha que ir à outra Escola da Vila, que ficava no final da Eliseu de Almeida. Cheguei pontualíssimo, afinal, eu tinha aquele horário viável. Na verdade, a quinta-feira inteira estava insuportavelmente viável naquela época. Tão viável que realoquei a singela comemoração do primeiro aniversário da Marina em qualquer outro momento do dia.

Fui, por fim, a uma sala conversar com uma mulher que falava muito sobre educação e pedagogia. Não era uma fala muito extensa ou prolixa. Parecia ater-se às informações necessárias de uma conversa. Nem muito mais, nem muito menos, sem deixar de ser dinâmica.

- Trabalhar em escola é, sim, um tanto cansativo, por ter um grande volume de ações ao mesmo tempo. Chegamos ao fim do ano bem esgotados. No entanto, esperamos sempre recomeçar no ano seguinte, e tudo o que fazemos nos motiva e instiga novas ideias e coisas por experimentar.

E seguia. Enquanto a ouvia, eu olhava em volta tentando absorver referências. Meus olhos sempre trabalham bastante. Com frequência, costumam ser bem mais ativos do que minha audição e mais ainda que a minha parca concentração. Havia um quadro na parede, em cima da cabeça da diretora. Outros, a meu lado esquerdo. À minha direita, uma estante imensa, repleta de livros que, somado ao assoalho de madeira, davam uma acústica aconchegante ao lugar. Era uma casa meio surrada pelo uso, como uma roupa antiga, já com algum cheiro próprio. Bem à altura do meu antebraço direito, meus olhos pousaram sobre uma referência importante: Tempos interessantes, a autobriografia do Hobsbawm. Em meio à pedagogia, que eu vinha perseguindo com certa distância desde que eu me afastara da clínica com adolescentes em instituições públicas e ONGs, a história era sempre uma parceira que me acompanhava em minha leitura de cabeceira. Um porto seguro, um vínculo leal que sobrevivia ao meu trânsito profissional da clínica com jovens em direção à educação. E este senhor elegante, sábio, inglês, que sabia falar tanto de Marx como de Maradona, Eric Hobsbawm era uma referência intelectual e afetiva sobre quem eu me apoiava desde minha tenra juventude. Se na adolescência eu trocava as leituras escolares por Ernesto Sábato e García Márquez, na faculdade eu traía o bom e velho Freud com extensas leituras deste historiador contemporâneo.

- Seria importante se você pudesse vir amanhã conversar com a Susane para ver sua disponibilidade de horários.

Que gente prática. Amanhã? Horários? Não sei se já mencionei, mas eu tinha alguns horários viáveis, naquela época.

Sendo assim, no dia seguinte, às 7h20, fui conversar com uma orientadora grandona que parecia levar o trabalho mais à sério que um sacerdote em retiro, embora nem tão serena nem muito menos lenta como um monge. Montamos ali uma grade horária um tanto assassina. Por mais que eu tivesse, sim, abundância de horários viáveis, parecia que estavam me empurrando para compor uma seleção em meio às quartas de final de uma Copa do Mundo, sem eu saber exatamente a quem eu deveria passar a bola. Tinha horários viáveis, mas também não vamos exagerar. Eu tinha vida lá fora.

Não importa. Entrei em campo. Uma das minhas primeiras incumbências foi colecionar uns papéis amarelos que significavam algo muito, mas muito importante. Eu também tinha que xerocar TODAS as provas que tivessem uma nota abaixo de “C”. Era agosto. Havia provinhas, provonas. Lições. Palavras estranhas, como, por exemplo, “SMA”. Parecia conversa de uma seita secreta que habitava galerias subterrâneas. Um encontro muito importante, da escola toda, em algum sábado, parecia se aproximar e deixar todos os professores muito, muito, muito tensos. Tudo bem, eu já tinha trabalhado na ala pública de hospitais psiquiátricos. Podia suportar muitas coisas.

Tinha que lidar com pirralhos de onze anos e também de quatorze. Irreverentes, mas também afetivos e simpáticos. Aulas interessantes, situações engraçadas. Certa confiança foi-se tecendo, tanto com aquela massa de púberes como com as figuras que me rodeavam como parceiros de trabalho.

Quando eu já tinha me aclimatado e me sentia confortável, com uma boa ideia do que eu deveria fazer, resolveram me catapultar para outro território escolar. Algo como um além-mar dentro da própria escola. Mas que gente inquieta! Devem enlouquecer seus maridos mudando os móveis da sala todos os meses. Logo eu, que gosto de rotina. Que me desorganizo sozinho, sem precisar da ajuda de ninguém.

Mas vamos lá. Outra equipe a conhecer, outro espaço, e outra massa de pirralhos, já com outra cara, no Ensino Médio. Algo naquilo tudo me instigava. Muitas coisas me intrigavam e motivavam. Foi-se construindo um sentimento que era um misto de exaustão e vício. O mesmo fenômeno que suga é também o que alimenta. Essencialmente, trabalhar com jovens. Deparar-se diariamente com o próprio passado. Vibrar quando conseguimos oferecer algo que fez sentido aos alunos, repensar a escola quando eles só fazem pela tarefa. Sentir que as necessidades dos alunos são tão absurdas quanto legítimas. Que nós, adultos, precisamos a cada semana repensar nossos vícios diante de situações que parecem burlar a experiência que se acumula e se mostra útil. Mas que nunca é suficiente.

Passado algum tempo ali, e para a minha alegria, aquele orientador que me recebera com a orientadora no Butantã, anos atrás, agora caíra na cadeira ao meu lado. Mais algum tempo e aquela com quem eu montara minha grade horária semanal no Fundamental II foi alegremente catapultada para o nosso pedaço. E como essa gente gosta tanto de mudanças, nunca mais frequentei aquela salinha com a estante gigante. Agora os orientadores, coordenadores e diretora frequentamos outra, algo mais moderna, talvez mais fria. Há menos livros, bem menos. Mas em sua essência, é a mesma. Inclusive porque ali ainda repousa, silencioso e resoluto, o volume de Eric Hobsbawm, indicando que ainda não se esgotaram esses tempos interessantes.