Enfoque metodológico construtivista: aspecto essencial da nossa cultura

Escola da Vila

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Por Susane Lancman, coordenadora do Ensino Médio

De forma gradual, sem muita explicação teórica, nossos alunos vão se apropriando da cultura da Escola da Vila. Assim, vocabulário, valores, ações, metodologias vão sendo aprendidos de forma natural. Alunos novos passam rapidamente a usar a palavra parque como sinônimo de recreio, SMA como recuperação. O pedido de um professor para avaliar a postura de estudante é compreendido como um rol de atitudes esperadas por parte do aluno dentro da sala de aula que necessitam de reflexão constante para possíveis ajustes. Levantamento de conhecimento prévio é percebido como parte do processo de aprendizagem.

Aqueles que participam há muitos anos da cultura da Vila nem sempre se dão conta de que suas características estão emaranhadas no nosso a dia a dia. Muitas vezes é o aluno “estrangeiro” que traz em seus relatos a estranheza com a nossa cultura.

“Como o professor de Ciências Naturais quer que eu explique como acontece o dia e a noite no primeiro dia de aula se ele ainda não explicou a matéria?!”, perguntava um aluno novo do 6º ano em meio às lágrimas ao se deparar com a questão norteadora de uma sequência didática.

“Se eu sentar em dupla vai ter cola nas atividades!”, exclamava outro aluno novo do 8º ano como se estivesse explicando o óbvio.

“Eu não entendo para que reescrever tantas vezes o mesmo texto, assim eu nunca fico livre da atividade”, dizia outro aluno.

Cada instituição cria, de forma consciente ou não, sua cultura, e seus participantes vão aprendendo e se identificando com o modo operante. Alguns se dão conta da cultura e se apropriam a cada dia, e para outros esse processo passa despercebido, principalmente para aqueles que estão na Vila há muito tempo e imaginam que aspetos da nossa cultura são inerentes a todas as instituições escolares.

A conscientização e a clareza dos aspectos que compõem a cultura institucional dependem da idade do aluno, da experiência e do conhecimento que tem do projeto pedagógico da escola para que se entenda que a troca da palavra recuperação para SMA não é um detalhe, sentar em dupla não é uma alegoria, criar questões norteadoras é de extrema relevância para a realização de sequências didáticas, ter sucessivas etapas de revisão textual é parte essencial do processo de construção da escrita. Mas, vale dizer que a identidade cultural não é um conjunto de valores fixos e imutáveis, sofre mudanças pelas novas pesquisas pedagógicas e educacionais, pelas novas experiências e conhecimento da equipe de trabalho e pelo grupo de alunos que traz inovações de comportamentos e pensamentos.

Na medida em que essa cultura institucional é incorporada é comum que alguns alunos passem a cobrar que todos, alunos e professores, sigam o modelo vigente. Assim, todos os anos ouvimos na coordenação e orientação dos diferentes segmentos alunos que se mostram indignados por atitudes e procedimento de alunos e professores que não seguem os “padrões”:

“Alguém precisa explicar urgente para fulano que aqui é importante compartilhar ideias!”

“O professor ciclano não socializa as hipóteses dos alunos. Você não acha que ele é de outra caixinha?”

Muitas vezes percebemos que estamos formando pequenos pedagogos que rezam em nossa cartilha. Eles entendem que em nosso enfoque metodológico é preciso que o professor construa situações didáticas em que o aluno chegue a reconstruir o saber socialmente constituído mediante aproximações sucessivas. Para tanto é necessário partir de uma situação-problema, criar formas dos alunos explicitarem seus conhecimentos prévios certos e errados, propor formas de socializarem as hipóteses dos alunos em dupla, em quartetos e no grupão, discutir as hipóteses comparando-as com o saber científico, reformular as hipóteses iniciais, enfim levar em conta oficialmente a construção do saber por parte dos alunos.

A construção de conhecimento pode parecer simples para os que não estão implicados diretamente no processo de ensino, mas há complexidade em todas as etapas. São muitos os desafios: criar a questão norteadora em que os alunos tenham conhecimentos prévios suficientes e ao mesmo tempo lacunas a investigar, organizar as duplas e quartetos com critérios consistentes que levem a avanços na aprendizagem, organizar a socialização das hipóteses, escolher o material e a forma de apresentar o saber socialmente construído, propor atividades que possibilitem aos alunos retomarem suas hipóteses iniciais. E é preciso considerar que a maioria dos professores estudou em escolas em que imperava o modelo de ensino normativo, portanto precisam se formar em outra concepção de ensino e aprendizagem. Esse modelo está centrado no conteúdo, em que a ação do professor é transmitir conceitos, apresentá-los, dar exemplos sobre o que está ensinando, enquanto a função do aluno é, basicamente, escutar as explicações do professor, estar atento e, em seguida, exercitar, aplicar àquilo que aprendeu. A concepção do saber vigente nesse modelo é a de um saber que está pronto e o professor faz a intermediação entre esse saber já elaborado e acabado para os alunos.

Se por um lado os alunos se apropriam da cultura da Escola de forma gradual e natural, por outro lado a modificação da concepção de ensino e aprendizagem de uma lógica centrada no conteúdo para a da construção de conhecimento exige um trabalho contínuo de formação da equipe pedagógica para que todos os profissionais sejam da mesma “caixinha”. Só assim é possível construir um projeto pedagógico consistente e sério em que há unidade em relação à cultura pedagógica.

O que é de todos e o que é de alguns

Escola da Vila

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Por Ricardo Buzzo, professor de Ciências Humanas do F2

No final do mês de setembro, o Supremo Tribunal Federal julgou uma ação que solicitava a explicitação de que as escolas públicas não poderiam oferecer disciplinas de ensino religioso de caráter confessional. O pedido, feito pela Procuradoria-Geral da República, precisa ser olhado com calma. O que o motivou, o fato de ter sido feito e, por fim, a decisão tomada pelo tribunal dizem muito a respeito da disputa por uma concepção de Estado, Democracia e República que não é recente na história do nosso país.

O que levou a procuradoria a iniciar a ação foi um acordo entre o Estado brasileiro e o Vaticano, que previa colaboração mútua para implementar o ensino católico, entre outras confissões, nas escolas públicas. A discussão proposta vai muito além do catolicismo. A decisão majoritária entendeu que, uma vez que a oferta dessa disciplina será facultativa, não fere o princípio do Estado laico, um dos ditames constitucionais.

A questão aí é até que ponto Estado e religião se misturam. A religião – no caso uma única religião – foi fundamental para a criação dos Estados, no início da Era Moderna. Boa parte do suporte ideológico fornecido aos primeiros reis vinha da igreja, e a teoria de que o poder real era de origem divina era bastante disseminada. Nesse contexto, aquele que não professava a religião dominante era um pária e seria perseguido tanto pela população intolerante quando pelo aparato estatal.

Com o advento do movimento filosófico que propunha a igualdade entre os indivíduos e um Estado voltado para os interesses comuns, essa ligação umbilical entre Estado e religião passou a ser questionada, radicalmente por alguns, suavemente por outros, mas entrou na ordem do dia, e as novas organizações estatais que surgiram no século XIX e XX tinham como princípio que sua legitimidade vinha da população que governava e não de qualquer outro lugar ou qualidade do governante.

No Brasil, o tema é particularmente sensível. Os reis ibéricos tinham tal ligação com a igreja católica que eram responsáveis pelo seu financiamento em seus territórios, e também eram considerados líderes religiosos: os clérigos de seus territórios deveriam responder a eles. No Brasil, durante o Império, essa instituição se manteve. Foi excluída apenas com a proclamação da República. Faz pouco mais de um século, portanto, que nosso Estado se separou efetivamente da religião, não sem deixar marcas. A constituição vigente, noventa e nove anos após a proclamação da República, foi promulgada diante de um crucifixo que permanece no Congresso Nacional e cita Deus em seu preâmbulo. Isso não quer dizer que, então, devemos nos curvar à presença da religião no aparelho estatal. Pelo contrário, essa é uma disputa ainda viva.

Ao Estado cabe gerir o bem público. Democrático, cabe a ele especialmente defender os direitos das minorias diante de uma maioria que busque lhe impor uma conduta que viole sua liberdade individual. No âmbito religioso, o máximo que o Estado interessado em garantir as liberdades individuais pode fazer é coibir a discriminação religiosa. Para além disso, a religião pertence ao foro íntimo. Se ocupa o espaço e principalmente o poder público, sua estrutura proselitista tende perigosamente à intolerância e violência, como já vimos durante a Idade Média e Moderna europeias, ou nos regimes religiosos do Oriente Médio, em comunidades coloniais norte-americanas, entre inúmeras outras.

Dito isto, se uma instituição religiosa decide, por exemplo, constituir uma escola e nessa escola decide oferecer aulas confessionais, tendo toda a sua comunidade de pais voluntariamente matriculado seus filhos nesta instituição, temos aí a ação de agentes privados, usando dos meios de que dispõem para reproduzir sua fé. Se uma instituição estuda e ensina a seus alunos a história das doutrinas religiosas, a organização dos diversos pensamentos teológicos de diferentes religiões atreladas a diferentes filosofias, certamente estará contribuindo para uma sociedade aberta e plural.

Outra situação, muito diferente, é uma instituição sustentada por recursos públicos ocupar o papel de quem propaga alguma fé, mesmo que a fé predominante na comunidade em que se insira. Ao Estado, na verdade a qualquer instituição de ensino republicana, cabe fomentar a tolerância, a compreensão de que o outro, mesmo minoritário ou distante, é um cidadão igual a todos, a despeito da crença, raça, classe social. Se, ao contrário, dedica espaço, tempo, recursos para que uma doutrina específica se dissemine, caminha mais para a direção de afirmar que aquilo que não está sendo ensinado não é válido. Mais do que isso, nesse caminho que visa tratar a confissão religiosa como pertencente ao âmbito privado, de forma distinta e separada do Estado, vivemos um pequeno retrocesso, uma pitada de padroado em pleno século XXI.

Num contexto em que discursos xenofóbicos ganham espaço, manifestações de ódio perdem a vergonha de existir, mais do que valorizar a sua própria religião, caberia ao estado garantir que o aluno valorize a religião do outro, apontando para a construção de uma comunidade política em que todos se reconheçam e se legitimem em seus pensamentos e crenças. Se, ao contrário, o bem comum serve a um grupo, perdem aqueles que defendem o Estado como comunidade política de iguais.

Vasto mundo

Vila Literária

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Por Vicente Domingues Régis

“Minha liberdade é escrever. A palavra é o meu domínio sobre o mundo.”
Clarice Lispector

É com grande satisfação que chegamos ao lançamento de mais uma revista com os textos de alunos de 2º a 5º ano do Ensino Fundamental da Escola da Vila, produzidos para o IV Concurso Literário. Este concurso é mais uma das ações que compõem a Vila Literária, evento voltado para os alunos de Educação Infantil e Fundamental 1 com o propósito de festejar a literatura e sua relação com a música, o teatro e as demais linguagens artísticas.

Nesta edição, contamos com mais de cem textos que nos brindam com diversos personagens, conflitos, emoções e enredos, formando um grande retrato que revela a potência criadora do imaginário infantil. Ao passo que o leitor passeia por esse vasto mundo e suas histórias que só os olhos das crianças são capazes de contar, pode também vislumbrar as ferramentas que vêm sendo construídas ao longo da escolaridade por nossos alunos.

Convidamos, portanto, o leitor a percorrer esse caminho poético pelo imaginário infantil, para se deparar com uma bruxa que tinha os dentes muito sujos, mas que podia comer quatro pessoas de uma vez. Nesse caminho também se encontra uma curiosa explicação para a origem da raiva, que tem início lá no país das emoções, por conta de uma confusão entre uma bruxa e dois príncipes. Além de um planeta chamado Grhouland, que é habitado pelos Grhouls, que eram a raça mais triste que já existiu, assim como muitas outras possibilidades que só são possíveis por conta da inventividade e autenticidade dos nossos pequenos escritores.

Toda essa profusão criativa consiste num grande desafio para o júri do concurso. E, para contar um pouco dessa experiência, convidamos Claudia Aratangy, ex-professora da Vila, atual diretora pedagógica da Bahema, escritora de blog e leitora voraz, que participou do júri na categoria Histórias de Infância, do 4º ano.

Missão jurada

Ao ser convidada para compor o júri do VI Concurso Literário da Vila, além de honrada, fiquei um pouco receosa – como avaliar de forma justa os textos dos alunos? Seria eu capaz de fazer isso?

Escrever não é tarefa simples. Quando eu era criança, escrever na escola era um tormento. Por mais bem-intencionadas que fossem as professoras, o que nos propunham eram as chamadas redações, que tinham como tema datas comemorativas, passeios, férias ou o mais complicado de todos: o tal “tema livre” que nos aprisionava e torturava no enorme vácuo da falta de ideias. A indicação do gênero textual também não tinha limites claros: combinávamos relato, memória e até divulgação científica – uma salada. Para o bem ou para o mal, nossos leitores resumiam-se à professora e, em alguns casos, mães e pais. Fazíamos o que estava ao nosso alcance para tentar escrever algo que correspondesse às expectativas de leitores tão importantes. O resultado era pífio.

Hoje as propostas escolares são bem mais estruturadas, também porque são mais fundamentadas – os alunos leem e analisam os gêneros que irão escrever, aprendem a organizar suas ideias, planejam a escrita e, além disso, podem ter diferentes leitores para seus textos, pois não ficam mais restritos a uma folha de papel ou aprisionados em um caderno – o mundo é o limite, já que temos a web.

Assim, embora escrever continue a ser uma tarefa árdua, hoje há mais conhecimentos e recursos didáticos disponíveis, e os alunos se beneficiam deles. Ao que parece, quando nos deparamos com os textos do concurso, podemos concluir que, na Escola da Vila, escrever transformou-se em um desafio que meninos e meninas estão dispostos a enfrentar espontaneamente e com sucesso.

Como nunca havia sido jurada em um concurso dessa natureza, optei por participar em apenas uma das categorias – Narrativas de Infância – me arrependi depois, pois gostaria de ter lido mais textos.

Foi inspirador passear entre as memórias vividas ou inventadas das crianças. Observar como começam a estar atentas às escolhas que faz um escritor: busca de palavras para tornar o texto mais engraçado ou mais comovente, frases encaixadas para criar suspense ou empatia, a evidente preocupação com a cumplicidade do leitor.

Não foi simples eleger as narrativas para serem premiadas – gostaria de homenagear todos que se empenharam nessa tarefa! Como isso não era possível, busquei seguir as orientações da organização do concurso. Li, me deixei levar pelo impacto causado pela história e, em seguida, analisei em que medida a narrativa apresentava um fato de infância, caracterizava ambientes e personagens, temperava com pitadas de humor ou emoção e surpreendia com desfecho inusitado. Combinando critérios mais objetivos com outros um pouco mais subjetivos, fiz minha classificação. Curioso observar que nenhum jurado fez a escolha exatamente igual ao outro – o que confirma que muitos textos eram dignos da premiação. O resultado final é uma composição dos pontos em comum entre as várias escolhas. Acredito que fomos tão justos quanto possível!

Acredito que a experiência de um concurso – independentemente de ser premiado ou não – propicia aprendizagens preciosas e, espero, que cada ano mais alunos se atrevam a encarar esse desafio. Espero, também, poder participar novamente da difícil – mas prazerosa – missão de ser jurada.

Parecer da Escola da Vila sobre Alfabetização na BNCC

Escola da Vila
Produção em dupla realizada por alunos do 1º ano para o Projeto Mitos Gregos

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Por Fernanda Flores, diretora pedagógica da Educação Infantil e Fundamental 1

No meio educacional, passamos por processo de imensa importância, a definição de uma base nacional comum curricular com implicações diretas na organização dos currículos das escolas, ou seja, uma lei nacional sobre os objetivos gerais de aprendizagem, aquilo que se pretende que se ensine na educação básica para todos os brasileiros e brasileiras em território nacional.

A alfabetização é um aspecto chave na inserção e na construção de vínculos de todo ser humano com sua cultura de origem. É um ponto central, a partir do qual se decide quem são os que terão mais ferramentas para comunicar o que pensam, compartilhando um acervo social e cultural, assumindo-o como próprio, e quem ficará à margem, sem os meios suficientes para participar de forma qualificada da cultura escrita.

Quando há risco de a alfabetização voltar a ser vista como uma etapa mecânica e isolada dos processos de aprendizagem da leitura e da escrita, precisamos dedicar todas as forças para nos opor, para marcar posição contrária e, certamente, para unir vozes que impactem uma revisão da versão que se encontra em discussão no Conselho Nacional de Educação.

Vimo-nos convocadas a situar uma e outra vez, quantas forem necessárias, que o documento da BNCC em sua terceira versão apresenta uma visão reducionista dos processos relacionados à aprendizagem da leitura e da escrita, aumentando a distância entre os que têm acesso a práticas pedagógicas que consideram a formação do leitor e escritor como um aprendiz de um ofício, que aprende porque está imerso, desde o primeiro dia na escola, em contato frequente e sistemático com contextos de leitura e escrita; e os que menos têm acesso, ou simplesmente são introduzidos ao mundo da escrita via a aprendizagem isolada dos nomes das letras, das sílabas e de (pseudo) textos que dizem nada a ninguém, esvaziados de sentido porque são meros pretextos para ensinar letras, sons e sua combinatória.

Vimos aqui publicar nosso parecer crítico, enviado em 11 de setembro ao Conselho Nacional de Educação, e expressamos nosso compromisso com a educação pública, com o valor da educação como direito primordial, em condições de equidade e qualidade garantidas pelo estado. Valorizamos, assim, a oportunidade de participar em discussões que deem suporte ao avanço qualificado das políticas educacionais de nosso país.

Para conhecer o Parecer na íntegra, clique aqui.

Por que é tão difícil dizer não?

Lidia Aratangy na Vila

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Por Cecília Galoro, mãe de alunos da unidade Granja Viana

Em uma noite fria e chuvosa, como a da última quinta-feira 17 de agosto, a Escola da Vila – Unidade Granja Viana – recebeu um auditório lotado de famílias e educadores, no evento em que a psicóloga Lidia Aratangy foi convidada para falar sobre o Não e sua importância na educação das crianças.

Com o tema Por que é difícil dizer não?, pais, mães, professores e educadores de São Paulo, Cotia e região se mostraram interessados em refletir sobre a árdua tarefa de colocar limites para as crianças nos dias de hoje.

A psicóloga, com grande experiência de vida e profissão, abordou de maneira simples e divertida pontos cruciais que devem ser levados em conta na hora de educar por amor.

A palestra foi preparada em conjunto com todos os participantes, que enviaram antecipadamente suas maiores questões e dificuldades para serem esclarecidas, fazendo com que o evento fosse, de fato, uma rica troca de experiências, proposta presente e convergente na maneira de atuar da Escola da Vila.

Ao relatar, por exemplo, que é um erro tentar evitar as frustrações inerentes do processo de amadurecimento das crianças e jovens, Lidia deixa claro que muitas vezes, em vez de amor, podemos ter colaborado para a dor de nossos filhos no futuro, já que, certamente, eles irão conviver com fracassos ao longo da vida.

Durante 1h30, muitos mitos foram desmistificados, propondo uma reflexão autêntica sobre o papel de cada pessoa em contato com uma criança, e a responsabilidade de todos no processo de educar.

Aspectos e dúvidas como o desafiante mundo virtual, castigos, a banalização do não, o diálogo verdadeiro, um não pode virar um sim, o que significa ser amigo do seu filho, liberdade e limite, a diversidade vivenciada e não apenas discursada, respeito e, por fim, a nossa responsabilidade em manter a crença na humanidade, sendo filtros e não esponjas, para assim valorizarmos nos nossos filhos e alunos, seus atos de solidariedade, tolerância e cuidado com o meio ambiente, foram explanados de forma clara, com o objetivo de colaborar para a transformação de um futuro melhor, que será construído por eles nas bases da educação que nós oferecemos hoje.

Certamente todos os que compareceram, dizendo não ao frio, à chuva, ao trânsito e sim ao tempo dedicado aos seus filhos e alunos, saíram desse encontro certos de que saber escolher entre o sim e o não é um grande ato de coragem e amor.

Transformador, podemos dizer.


A palestra está disponível no canal do Youtube da Escola da Vila.
Por que é difícil dizer não?

Blog entra de férias

Caros leitores e leitoras,

Nosso blog entra de férias hoje e retoma suas publicações no mês de agosto, trazendo novos posts sobre o trabalho realizado na escola e também nossas reflexões acerca de temas educacionais contemporâneos.

Mas, como fechamento do semestre, escolhemos um texto escrito sobre Férias, em 2014, pelo orientador do Ensino Médio, muito oportuno para esse período!

Boa leitura e tenham todos merecidas férias!

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Férias!

Escola da Vila

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Por Fermín Damirdjian

Por esta época, as escolas dão aos alunos as diretrizes dos trabalhos escolares a serem feitos nas férias. Algo como um ou dois livros a serem lidos e algum filme para assistir, no caso do Ensino Médio da Escola da Vila. Para alguns casos específicos, seria uma oportunidade para o aluno retomar conteúdos que não puderam ser bem assimilados por ele na correria dos dias letivos. Sabemos que a escola tem um ritmo próprio que, por mais que os educadores se disponham a fazer algumas adaptações, há um calendário que avança, inexorável como qualquer medida de tempo. Há alunos para os quais essa medida atropela suas possibilidades de aprendizagem, que existem, mas que requerem uma situação menos frenética para serem desenvolvidas.

De um jeito ou de outro, vemos os rostos dos alunos se desfigurando em expressões de desagrado, em queixas de excesso de conteúdo, de falta de sossego e de tempo para o ócio. Não raro os pais também manifestam seu desconforto, especialmente quando as atividades para as férias atravessam a oportunidade do lazer em família, arduamente conquistada entre os longos períodos de tensão profissional.

Se as férias são férias, por que diabos a escola invade esse precioso tempo com leituras e tarefas? De fato, a escola não é obrigada a fazer uso desse período. É mesmo uma opção. E o que se leva em conta para seguir esse caminho são muitos fatores.

Em primeiro lugar, no Ensino Médio, contamos com o fôlego dos nossos alunos. E isso é algo que costuma espantar os pais de primeira viagem com seus filhos no 1º ano desse segmento, já na mudança de ritmo e da grade de matérias que passarão a fazer parte da rotina dos filhos. Mas logo veem e se surpreendem que eles respondem, em geral, de forma positiva à profundidade e à diversidade desses conteúdos. Não raro no primeiro trimestre, alguns se queixam de ver o filho estudando até a madrugada para uma prova do dia seguinte. É mais do que óbio que não medimos o grau de eficácia didática pelas olheiras dos nossos alunos. Mas dentre as exigências está o aprendizado sobre os procedimentos de estudo e o aprimoramento de sua postura de estudante como elementos a serem conquistados, de forma a antecipar e a organizar seus afazeres. Ainda assim, é claro que em algumas épocas os estudos podem invadir as horas de sono.

Por outro lado, a exigência dos alunos por férias plenas pode ser vista como uma reivindicação básica nesse caldeirão de contradições que caracteriza essa fase da vida: uma negociação árdua e extenuante, no dia a dia escolar e familiar, daquilo que querem preservar da infância, tal como o conforto e a distensão, e o que querem ganhar da vida adulta que se espreita no horizonte, como a independência supostamente ampla e irrestrita.

Mas cabe-nos olhar mais detalhadamente as coisas se quisermos sair do senso comum e se pretendemos levantar elementos que nos ajudem a lidar com aqueles que pretendemos educar. E se há algo que pode caracterizar nosso papel é a tensão que caracteriza a prática educativa e que pode variar de figura e de intensidade no convívio com aqueles que educamos, sejam filhos ou alunos, mas que nunca cessa.

Tanto na escola como na família, há momentos de carinho, de comunhão, de troca com esses adultos, sem dúvida alguma. No caso da família, as férias são a oportunidade de ter algumas dessas vivências com maior frequência do que no dia a dia. Mas em todos os casos, é preciso considerar que há uma luz que nunca se apaga completamente. É como a chama-piloto dos antigos aquecedores a gás, que mantinha o aparelho aceso, pronto para ferver a água do encanamento, em qualquer momento do dia ou da noite, ao longo de toda a sua existência. E talvez seja isso o que mais desgasta no papel daquele que educa: o fato de nunca desligarmos totalmente. Por mais que nos propusermos a isso, estar dentro de um cinema ou levantar o jornal e deixar-se absorver por notícias banais já é uma opção. E, como toda opção, carrega em si a responsabilidade da escolha.

Os lares dos anos 70 tinham em casa uma caixa mágica chamada TV em cores, na época acusada de paralisar a infância diante de sua luz animada. Aquelas crianças, que hoje são pais, veem-se diante de muitos outros recursos que anestesiam a tensão da educação. E, como toda anestesia, consistem num mero disfarce de alguma dor ou tensão.

Outros, mais radicais, poderiam apontar para a abundância de entorpecentes, tão diversificados e com poder de ação mais intensificados, que circulam pelo mercado legal ou ilegal, na mesma proporção do aumento dos canais de TV nas últimas décadas. E, com eles, a promoção permanente dos prazeres e limites que devem ser extrapolados, com urgência, como referência de realização pessoal.

Não raro os adultos se queixam do imediatismo dos jovens que se assustam diante de uma lição de casa ou da obrigação de estudar. Alguns alunos nem sequer se assustam, mas apenas não compreendem por onde devem começar, pois há um sentido de dever que não foi lá muito desenvolvido. Para além de pensar em um mundo fartamente irrigado com drogas e gadgets, é preciso pensar que estes últimos compõem o dia a dia familiar pelas mãos dos próprios adultos.

Como já foi dito, a tensão da chama-piloto pesa, e muito, para esses adultos. Por isso a anestesia não é só opção de crianças e adolescentes. Ela cumpre um papel de distensão na medida em que, uma vez tendo as crianças hipnotizadas diante de um tablet, os adultos conseguem ler jornal, conversar, lavar a louça, trabalhar ou relaxar.

Pouco se considera o tempo do final de semana para ajudar a família a fazer algumas das tarefas realizadas apenas por adultos. Um adolescente arrumando a cama, descarregando as compras do supermercado do carro, ajudando o pai no trabalho ou trocando uma lâmpada são imagens que parecem ser de um país muito distante, especialmente se comparadas à vida diária da classe média paulistana.

Isso para não falarmos em aproveitar as férias para fazer um trabalho voluntário, um estágio ou alguma coisa que, minimamente, ou mesmo simbolicamente, procure retribuir as oportunidades oferecidas pela família e, por que não, pela sociedade. O filme  Supersize me (2004) concentra-se no aumento do consumo mínimo do McDonald’s ao longo dos anos, mas seria muito obtuso reduzi-lo a isso e não pensar em um mundo que elevou a níveis para lá de insalubres os padrões mínimos de consumo e lazer. E é claro que não falamos apenas de saúde física, mas principalmente de saúde mental e “cultural”.

A pergunta que fica não é porque os alunos e os filhos se espantam com um dever a ser realizado nas férias, seja ele escolar, doméstico ou do mundo laboral. O que sim devemos olhar é por que oferecemos tão pouco, quando temos a ilusão de fornecer muito.

É evidente o bem que pode fazer a uma família descansar, e descansar junto. Mas não podemos nos iludir de que nesse momento não há educação, não há papéis. Ao contrário, os papéis nunca cessam. O tempo de distensão e os meios para fazê-lo são sempre escolhas que compõem a educação do filho. É preciso entender que, depois de uma refeição, algo ou alguém lava aquela louça. Pode-se dormir até tarde se for essa a opção, mas algo, em algum momento, deve evitar escamotear a regra mais básica de qualquer forma de vida: até o Animal Planet ensina que não existe almoço grátis, nem na savana africana, nem em nossa confortável paisagem doméstica.

Isso não significa exercer o sadismo para mostrar como a vida é dura, de forma alguma. Mas apenas acreditar que eles podem, ao longo de 30 alegres dias, em Paris, em Boiçucanga ou na Vila Gomes, ler um ou dois livros e fazer uma lista de exercícios.

Não se trata de apontar as falhas deles, mas de nos olharmos no espelho e observar nossas opções cotidianas. É o sentido de dever que parece estar enfraquecido, junto com a capacidade dos adultos para suportar a tensão de seu papel.

Famosxs da internet

Digital beggar por Eduardo Salles
Ilustração de Eduardo Salles

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Por Helena Mendonça

Você conhece a Giovanna do forninho? Ou a Chloe, que, em um vídeo caseiro, não entende por que sua irmã chora com a notícia recebida da mãe? A notícia do encontro dessas duas personagens que ficaram famosas ao se tornarem sucessos virais na internet causou estranhamento em muitos que não acompanham a avalanche de memes* das redes sociais. Elas se tornaram personagens principais ao divulgarem uma grande marca de tecnologia, que propunha uma busca na internet, para quem não as conhecia. Uma boa jogada de marketing que traz à tona o vazio e a rapidez com que os famosos da internet vêm e vão.

Assistindo aos vídeos que as fizeram famosas, podemos citar o que a Profª Paula Sibilia apresenta em seu livro “O show do eu”¹. Uma das ideias trata do desejo da exaltação da própria vida com o crescente acesso às mídias e redes sociais e de como a capacidade criativa da sociedade e a curiosidade sobre a vida alheia se tornam uma mercadoria. O que é ser famoso? O que é ser um influenciador? Esse também foi tema de um dos vídeos do Porta do Fundos recentemente. Uma entrevistadora que tenta entender o porquê da “famosidade” de uma pessoa que se tornou sucesso na internet, mais especificamente no Instagram e Snapchat. Algumas das perguntas da entrevista: “Por que as pessoas curtem as suas fotos? Quem é você? Por que você é famosa?” E a resposta: “As pessoas começaram a curtir e depois outras curtiram porque as primeiras curtiram e aí eu fiquei famosa…”.

Para além de ter um canal no YouTube, saber editar um vídeo, tentar entender o que dá mais curtidas e conhecer estratégias para que os espectadores vejam o vídeo até o final, é fundamental questionarmos esse movimento, analisarmos os vídeos construindo critérios com os estudantes, discutindo sobre o tema e levando em consideração que a maioria dos jovens segue, assiste e compartilha esse material. Eles participam desse movimento, surfando nessa onda muitas vezes sem se questionar sobre os valores envolvidos nessas ações.

Por causa dessas e outras práticas particulares do mundo digital, é fundamental que as práticas educacionais sejam revisitadas. Temas como a pesquisa, seleção e apresentação de dados encontrados na web, a criação de produtos digitais e seus diferentes formatos e formas de representação, a comunicação e as redes sociais, o trabalho e a economia, bem como o ativismo social digital, são alguns dos temas que também devem estar presentes na escola. Um dos documentos que temos usado como referência de currículo de educação digital para os alunos traz como uma das habilidades da convivência digital a compreensão do impacto social das tecnologias digitais. Entender e avaliar a capacidade que as tecnologias têm de impactar positivamente ou negativamente os indivíduos e a sociedade em suas questões sociais, econômicas e culturais é um dos temas de trabalho que constroem a formação do estudante. Outros temas igualmente importantes são a proteção da informação digital pessoal e de outros, o respeito ao direito de privacidade, o reconhecimento de dilemas éticos e as consequências legais no uso e na apropriação de material digital, bem como o impacto do digital no direito de propriedade intelectual.

A atenção à qualidade do material que é oferecido às crianças e aos jovens não é algo novo, a programação da televisão foi um grande motivo de discussão na época da sua popularização. Talvez a maior diferença agora seja a possibilidade de criação de material, agora digital; criação esta que se torna possível com ferramentas cada vez mais acessíveis, fartos canais de distribuição e um enorme público à disposição.

Nesse sentido, a escola tem promovido diversas ações visando a construção de conhecimento com o digital, levando em consideração também as questões didáticas que são impactadas por essa mudança. Essas ações vão desde o aprendizado técnico de recursos disponíveis para diferentes fazeres, passando pela formulação de critérios de produção, análise de referências, contato com diversas possibilidades, até a discussão sobre temas mais ligados ao universo digital, mencionados acima, a criação individual e coletiva e finalmente publicação e a interação com os diferentes públicos. Assim esperamos formar estudantes conscientes e críticos perante o universo digital.


(*) Memes: imagens ou vídeos que são remixados pelos usuários e se tornam virais, ou seja, são compartilhados por muitas pessoas, às vezes remixados e compartilhados novamente.

¹SIBILIA, Paula. O show do eu: a intimidade como espetáculo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.

Publicação relacionada:
YouTube, YouTubers e a Escola 

Visita à Escola Parque

Por Sônia Barreira e Fernanda Flores, direção pedagógica da Escola da Vila

Recebemos a equipe da Escola Parque e da Escola Balão Vermelho no dia 19 de maio para apresentar nossa escola e nosso projeto pedagógico. Ao preparamos as apresentações nos perguntávamos o que devíamos ressaltar, quais os destaques e quais os principais desafios que nossa equipe enfrenta nos últimos anos. Esse processo, a visitação e o encontro nos levaram a olhar nossa escola sob uma perspectiva diferente da habitual.

Normalmente imersas no dia a dia, essa oportunidade nos levou a constatar algumas conquistas históricas das que nem sempre nos damos conta: a estabilidade dos projetos, a fartura de documentação pedagógica produzida pela equipe, a superação de desafios que nos colocamos ano a ano. Temos uma produção intensa e avançamos de modo orgânico, lembrando o funcionamento de um organismo vivo, interdependente e pulsante.

Na sexta-feira, dia 9 de junho, nos tornamos visitantes. Fomos recebidas com acolhimento e entusiasmo pela equipe da Escola Parque. Inicialmente, tivemos uma apresentação feita pelos diretores e conhecemos os pilares de um Projeto Pedagógico de 47 anos de idade! Como o nosso, em transformação permanente, revisado e atualizado constantemente.

Escola da Vila visita a escola Parque

Em seguida, os grupos se dividiram por segmento. Pela Educação Infantil e Fundamental 1, as equipes de coordenação e orientação apresentaram as características principais do trabalho que realizam e tivemos oportunidade de, mais uma vez, aprofundar conhecimento sobre aquilo que nos aproxima e aquilo que fazemos de formas próprias, podendo trocar experiências e desafios que as escolas enfrentam nessas etapas da escolaridade.

O Fundamental 2 e o Ensino Médio foram brindados com apresentações dos próprios alunos, que nos contaram sobre projetos propostos a eles e vividos com intensidade e curiosidade próprias de alunos engajados e comprometidos. Algumas propostas dialogam com ações realizadas na Escola da Vila, outras, totalmente únicas, pareciam responder às demandas que conhecemos, portanto inspiradoras e instigantes.

Escola da Vila visita a escola Parque

Escola da Vila visita a escola Parque

A escolha por parte dos alunos, tema que nos desafia atualmente, parece ter sido bem equacionada na Parque, muito embora disponham de um tempo didático mais amplo que o nosso, ainda assim, nos estimulou a reconsiderar a organização de alguns mecanismos de trabalho.

A distribuição do trabalho na equipe técnica foi outro elemento novo para nós, e boa parte das reuniões foi gasta para entendermos quem faz o quê, e a relação daquelas funções com as nossas aqui na Vila. Coordenador, orientador, psicopedagogo não equivalem diretamente aos nossos cargos. Pensar na forma de realizar o trabalho fora da sala de aula também resultou em conversas férteis e reflexões intensas.

Escola da Vila visita a escola Parque

O passeio guiado pelas dependências da escola da Barra, finalizando a Semana do Ambiente, nos mobilizou a pensar no trabalho que fazemos com a sustentabilidade e protagonismos dos alunos. Podemos mais!

Escola da Vila visita a escola Parque

Escola da Vila visita a escola Parque

Olhar o dia a dia de uma escola é inspirador, conhecer soluções pedagógicas e educacionais de uma equipe que compartilha os mesmos valores que a nossa é desafiador. Agradecemos a todos os profissionais da Escola Parque a generosidade com a qual se dedicaram a nos receber.

Nova composição societária da Escola da Vila

Escola da Vila

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Por Sônia Barreira, Fernanda Flores, Vania Marincek, Ana Luiza Amaral, Eva Diaz

No mundo atual, com as profundas transformações provocadas pelas novas tecnologias e com as importantes mudanças no cenário social, político e econômico, acreditamos que mais do que nunca, as escolas precisam se articular em redes profissionais que permitam um debate frequente e consistente sobre a educação necessária para as novas gerações.

Neste momento, observa-se também forte movimento de consolidação de escolas que, em parceria com empresas, buscam melhorar a saúde financeira das instituições e viabilizar sua perenidade.

A Escola da Vila, que há alguns anos planeja sua sucessão e a continuidade de seu projeto educacional, encontrou em 2016 o sócio ideal para estruturar a criação de um grupo de escolas, em um movimento que fortalece ainda mais sua proposta de ensino, ajuda a escola a enfrentar os desafios financeiros e fazer frente aos grandes grupos educacionais.

Assim, é com grande satisfação que comunicamos a todos vocês que três grandes escolas brasileiras – a Escola da Vila, de São Paulo, a Escola Parque, do Rio de Janeiro, e a Escola Balão Vermelho, de Belo Horizonte –, com nítidas afinidades filosóficas e pautadas em teorias de educação contemporâneas, se reúnem numa sólida parceria com o objetivo maior de fortalecer nossos projetos pedagógicos precursores da valorização da autonomia, cooperação e pensamento crítico dos nossos estudantes.

Nesta parceria, viabilizada e estruturada em uma sociedade com a Bahema, as três escolas, reconhecidas e prestigiadas em suas cidades e no Brasil, vão sistematizar trocas de experiências, projetos de intercâmbio, atividades formativas e outras iniciativas que reafirmam o exercício de uma educação crítica e relevante, além de compartilhar métodos de gestão administrativa.

A Bahema é uma empresa brasileira com histórico de 60 anos de participação em diferentes setores da economia e que desde 2016 escolheu investir na educação básica.

Compartilhamos com a comunidade escolar essa notícia que tanto nos entusiasma, assegurando que nossa identidade, nossa equipe e nosso funcionamento permanecem e a eles se acrescentam as experiências dessas instituições, com o fortalecimento de nossos ideais educativos e ampliação de nossa capacidade de promover inovações e atualizar frequentemente nossas práticas.

A partir deste ano, estudantes, pais e professores poderão observar as vantagens desta parceria. Um Comitê formado por educadores das três escolas já estuda, discute e viabiliza as primeiras trocas de experiências entre os colégios.

É com orgulho que somamos nossos saberes e convicções para continuar a educar pessoas comprometidas com o conhecimento, com uma sociedade mais justa e com os desafios da contemporaneidade. Nasce assim, um grupo educacional de qualidade ímpar, formado por escolas independentes e unido pelo compromisso com a formação integral de seus alunos e alunas.

O coletivo feminista no Fundamental 2 e a libertação feminina

Escola da Vila-

Alguns saldos importantes do ano de 2016

 

Por Manuela Lima, aluna do 9º B (2016) 

O espaço moral cedido pela escola para nós, alunas do nono ano, organizarmos um coletivo feminista semanal, no intuito de conscientizar xs menores sobre, principalmente, igualdade e identidade de gênero, tem trazido à tona muitas questões majoritariamente a respeito dos direitos da mulher no papel, e sua diferença para a sociedade em si. É justamente esse tipo de reflexão que buscamos nxs alunxs participantes do coletivo para que elxs possam levar o conhecimento para fora da sala de aula, fora da escola.

Muitas meninas já vieram falar conosco sobre a importância do coletivo no processo de amadurecimento pelo qual elas estão passando, e sempre ressaltando o fator empoderamento. Elas corrigem comentários preconceituosos em geral, e isso está cada vez mais evidentemente presente no cotidiano do sétimo ano, por exemplo, e sem o coletivo isso talvez não estivesse tão marcado. Isso porque já discutimos a revelação do machismo desde as piadas (onde ele aparece sempre muito banalizado) até nas peças publicitárias, passando pela definição de xingamento e de ver o “ser mulher” como algo pejorativo, machismo nas músicas, esse tipo de coisa.

Tomamos muito cuidado, também, para não tratar de temas de forma extremamente radical sem apresentar dois pontos de vista, por causa dxs menores, que são facilmente influenciadxs pela nossa opinião. Assim, o coletivo passa a acrescentar muito na vida das participantes, de um jeito incrível.

Participam dos encontros meninos e meninas de todo F2. Entendemos a importância da participação de todos, uma vez que nossos objetivos são: 1) promover a sororidade dentro e fora da escola, podendo assim ajudar muitas meninas a se fortalecerem e se empoderarem; e 2) expandir nossos conhecimentos sobre a causa por meio de debates, rodas de conversa, discussões de acontecimentos, textos, vídeos, notícias etc. Assim, nada melhor do que promover um espaço aberto, que possibilite que todos adquiram maior conhecimento, consciência e a possibilidade de refletir (e transformar) relações que ocorrem no próprio cotidiano. Está dando certo! Percebemos que eles têm sido cada vez mais respeitosos e cuidadosos com algumas falas ao fazerem referências, “brincadeiras” com as meninas.

O coletivo esse ano foi espaço de libertação expressiva. Desabafos, acolhimentos, tudo de melhor. Posso dizer em nome de todo o nono ano que sou eternamente grata por poder passar as tardes de sexta-feira com tanta gente maravilhosa e que tem se empoderado cada vez mais, e levado questões e reflexões para a vida.