O trânsito no cotidiano da Escola

Escola da Vila

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Reedição de texto de Vania Marincek de abril/2013

Quem passa na frente da escola no início da manhã, no horário de almoço ou no final da tarde, não imagina a quantidade de cuidados e de ações que são necessários para que os alunos entrem e saiam da escola em segurança. São muitos aspectos a serem considerados, desde a decisão por portões diferentes para quem entra e para quem sai, a fim de garantir o fluxo e a segurança dos alunos, até a organização do espaço da rua, para que as famílias possam buscar e deixar seus filhos com rapidez.

Todo início de ano, equacionamos um conjunto de variáveis, para obter um funcionamento ajustado e eficiente, revendo os procedimentos já estabelecidos e fazendo os ajustes que consideramos necessários para que o funcionamento nesses horários aconteça da melhor forma possível.

Sistematicamente, acionamos os órgãos responsáveis pelo gerenciamento do trânsito em nossa cidade, para solicitar a revisão do plano que melhor atenda à mobilidade nas regiões ao redor da escola e nem sempre o que consideramos bom para nossa comunidade pode ser viabilizado.

Sabemos que alguns aspectos dessa organização dependem de leis e regras de funcionamento de trânsito externos a nossas decisões. Assim, para o bom funcionamento da proposta de organização da escola é fundamental a participação responsável de toda a comunidade. Parar em filas duplas, estacionar em garagens e desconsiderar as solicitações dos funcionários da escola são exemplos de atitudes que comprometem o funcionamento da estrutura montada, gerando um verdadeiro caos nas ruas da escola e seus arredores.

Muito mais grave do que a desorganização gerada na rotina por aqueles que desconsideram as regras é o que se comunica aos nossos filhos e filhas com essas atitudes. As crianças, os adolescentes e os jovens se constituem por meio da observação e da reprodução dos modelos que presenciam. Dificilmente pensarão no coletivo, se seguirem presenciando cenas em que a vontade individual se sobrepõe ao bem-estar da comunidade. Essa é uma reflexão importante, que todos os que se ocupam de educar deveriam compartilhar. Nilton Bonder, em artigo na Folha de São Paulo, faz uma análise do papel de quem conduz um carro. “Quem conduz um automóvel é uma consciência”, diz ele.

O debate, a discussão e o diálogo sobre essas atitudes são sempre fomentados por nós, porque são importantes para que possamos ajudar todos a tomar consciência dessa situação. No entanto, é preciso lembrar que a escola, como instituição, tem seus limites de tempo e pessoas e deve priorizar, sempre, a educação de seus alunos, contando com a comunidade de responsáveis fazendo a sua parte.

Sobre uma partida inesperada, ignorância e educação

Escola da Vila

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Por Gabriel Castanho Sanches de Oliveira, ex-aluno da Vila

Durante esta semana, recebi com enorme pesar uma triste notícia. Que me tocou profundamente. A perda de uma das mais queridas professoras com quem tive o privilégio de aprender sobre tantas coisas. Inez Cerullo deixará em mim muitas reflexões e aprendizados, além de saudade. Agradeço sempre por ter tido a oportunidade de, ainda em vida, ter feito a ela uma singela homenagem.

A matemática, matéria que lecionava minha querida e já saudosa Inez, sempre foi um campo difícil para mim. Extremamente difícil. Ao longo de anos, apesar da boa vontade e insistência de outros grandes professores que tive, as dificuldades se multiplicavam. Proporcionalmente, aumentava também meu desinteresse. Isso me custou algumas férias fazendo reforço, horas e horas de aulas particulares e, no final das contas, uma repetência.

Até que cheguei ao colegial simplesmente ignorando a matemática. Ignorava a ponto de ser para mim uma imensidão escura, que eu não fazia o mínimo esforço para enxergar. Havia me tornado um perfeito ignorante.

Foi então que conheci Inez. O começo não foi fácil, o bloqueio que eu havia desenvolvido em relação à matemática era robusto. Além disso, eu não era um aluno exemplar do ponto de vista comportamental. Mas, de maneira sutil e natural, fui percebendo por qual caminho aquela mulher forte e doce me direcionava cautelosamente.

Meus amigos da época do colegial são testemunhas de que em determinado momento, já no terceiro ano, eu realizava todas as provas bimestrais sentado ao lado da mesa dela, virado de frente para eles. Era incrível. Algo totalmente diferente do que eu já tinha visto ou vivido. Alguns até questionavam o motivo, inclusive eu.

O que ninguém sabia é que tínhamos um acordo velado. O combinado era de que eu seria o exemplo para os outros colegas. Sentar ao lado da professora nos momentos de avaliação não era um privilégio, muito pelo contrário, poderia ser inclusive motivo de vergonha. No entanto, a representação daquilo era de que ela estaria do meu lado para encarar o desafio, desde que eu estivesse do lado dela e disposto a encarar a dificuldade. Foi uma parceria. Se o aluno com maior dificuldade estava disposto a encarar o desafio, quem poderia não estar? Se aquele que poderia arruinar as aulas estava ao lado da professora, quem não estaria? Se o aluno com maior dificuldade iria passar de ano e se formar, quem não iria? E assim sucedeu.

No dia da cerimônia de entrega do diploma, uma cena da qual jamais me esquecerei. Outro grande e saudoso mestre, Pedro Ravelli, professor de história, estava com o canudo na mão para fazer a entrega enquanto eu subia ao palco. Fazia todo sentido e eu me sentiria honrado, dado meu fascínio pela matéria e o professor em questão… Eis que Inez, de maneira surpreendente e bem-humorada, tomou-lhe o canudo e disse que faria questão de entregá-lo a mim. Pronto. Eu voltava a enxergar o mundo da matemática outra vez.

Fica o questionamento: seria a matemática ciência exata ou humana? E o que representaria um professor/mestre/educador, senão aquele que joga a luz de sua sabedoria sobre o aluno/discípulo e o ensina a encontrar o caminho para a própria luz?

Como eu gostaria que cada jovem estudante no Brasil tivesse a oportunidade de aprender matemática com a Inez, ou história com o Pedro…

E então me peguei refletindo esta semana. Que o Brasil é um dos países que menos investem em educação no mundo é claro e cristalino. Que nosso país tem um grande déficit educacional também. E então ganha força o discurso da ignorância. Ora, é exatamente o mundo da matemática que eu não conseguia enxergar. A escuridão, mesmo para quem não consegue enxergar, está lá. Mas não é vista. Com a ignorância é a mesma coisa. Discursos medíocres, rasos, contraditórios, segregadores, oportunistas acabam por refletir essa escuridão. Refletem a tal ignorância. Refletem também a canalhice daqueles que reconhecem a escuridão e somam-se a ela.

Mas render-se a escuridão? Jamais.

Onde há escuridão, haverá luz.

E que minha querida professora siga seu caminho iluminado. Assim como meu querido professor.

Desse plano seremos iluminados por eles, e encontraremos o caminho para não seguir na escuridão.

Fotografia é arte ou é ciência?

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Por Mauritz Gregorio de Vries, professor de Química do Ensino Médio

No Grupo de Investigações Científicas (GIC) investigamos fenômenos e técnicas diversas. Nos últimos anos construímos sistemas de captação de água e desenvolvemos um tratamento para torná-la potável, investigamos diversas características do solo e construímos técnicas para remediá-lo (construção de composteira e correção de pH), desenvolvemos pilhas rústicas, decompusemos a água para aproveitar o gás hidrogênio e o gás oxigênio, fizemos diversas reações químicas para obter diferentes gases e, assim, analisarmos o crescimento de plantas em diferentes atmosferas, entre muitas e muitas outras experiências.

De forma geral, a cada ano começamos o trabalho com um projeto coletivo, no qual todos os alunos estão envolvidos com o mesmo problema. Com o tempo, a partir da maior familiaridade com o laboratório, visitas a feiras de ciências e experiências com o controle de variáveis, os projetos individuais serão planejados e desenvolvidos. E, de modo gradual, o papel de construir perguntas, decidir quais materiais são necessários, planejar e replanejar o percurso investigativo e analisar os resultados é, cada vez mais, assumido pelos alunos com autonomia.

O nosso projeto coletivo de 2018 é o de fotografia, conhecimentos e aparatos. Construímos câmaras escuras e projetores e, a partir da análise desses resultados e estudos, estudamos o mecanismo da visão humana. Na sequência, fizemos nossos “pinholes” – latas metálicas com um pequeno orifício – e no seu interior colocamos um pedaço de papel fotossensível. Fizemos fotos com diferentes tempos de exposição do papel à luz e também tomamos o cuidado de medir o nível de luminosidade para calibrar as nossas câmeras. Assim, conseguimos materializar as imagens num pedaço de papel! Para revelar a imagem negativa, fizemos o nosso próprio revelador, interruptor e fixador! No momento, estamos realizando ajustes, melhorando a câmera que fizemos e testando diferentes reveladores. Para terminar, nos envolveremos ainda no desafio de fabricar o nosso próprio papel fotossensível. Imaginem a materialização de uma imagem inteiramente feita à mão?! Ao colocar a mão na massa, registrar, pesquisar, replanejar, discutir, nos envolvemos no problema de modo mais integral, de modo que nem sempre somos capazes de distinguir em nossa prática o que é técnica, o que é arte ou o que é ciência!

Ampliando a experiência escolar

Por Sonia Barreira, Direção Geral
e Celina Martins, Coordenação de Apoio do F2

O currículo escolar está em discussão nacional. Na Vila, ele está em discussão todos os dias! Nosso projeto pedagógico concretiza um currículo dinâmico, flexível e orientado para a aprendizagem significativa. Mas o que isso quer dizer?

Quer dizer que, durante todo o ano, a equipe tem metas de ensino claras, mas é também desafiada a discutir os temas trazidos pelos alunos, algumas das questões endereçadas por eles devem ser encaminhadas, debatidas, se possível respondidas. Da mesma forma, não podemos nos furtar a tratar dos temas que surgem das experiências cotidianas ou das páginas dos jornais! O currículo se constitui, portanto, de elementos estruturados e planejados de maneira mais demarcada, realizados num percurso de maior fôlego, mas também situações novas, frescas, de ritmo mais acelerado e temas do momento.

Escola da Vila
Vila Ativa

Para dar conta desse processo com o devido equilíbrio, é preciso haver, por parte dos professores, o senso de oportunidade, sem deixar de lado a responsabilidade pelo planejamento.

Nessa perspectiva, a Vila desenvolveu alguns mecanismos de trabalho, entre eles a SAD – Semana de atividades diversificadas –, que permite a realização de um conjunto expressivo de atividades distintas das habituais com novas dinâmicas e temas. Debates e palestras com convidados externos; visitas a museus de arte e ciência; oficinas de dança, fotografia, de construção de engenhocas, de programação; muitos são os exemplos de novas oportunidades de aprendizagem, com novos arranjos de tempo, espaço e pessoas, viabilizadas nessas semanas especiais.

Escola da Vila
Grupo de Investigações Científicas

Além disso, fomos implantando, ao longo dos anos, projetos de trabalhos complementares, opcionais, voltados a diferentes necessidades educacionais, com conteúdos que ora tangenciam o currículo regular, outras vezes o expandem, ou ainda permitem sua revisão ou aprofundamento.

É o caso de quatro atividades complementares: o Grupo de Investigações Científicas  (GIC), voltado para investigação de fenômenos e técnicas; o Vilalê (Clube de leitura), no qual o grupo elege, lê e comenta um livro comum a todos os participantes, a Oficina de Matemática, que oferece desafios que visam reaproximar o aluno da matemática e instigá-lo a enfrentar situações de resolução de problemas, e o VilaAtiva, voltado neste ano para a investigação sobre a complexidade da cidade.

Escola da Vila
Oficina de Matemática

Cada uma dessas atividades/cursos traz princípios importantes de sua área de origem, em consistência com o projeto pedagógico e os referenciais didáticos das áreas, mas também se constituem como espaços distintos dos cursos regulares, seja pela mistura de alunos de diferentes séries, pelas outras marcações temporais ou até pela ocupação de novos espaços dentro e fora da escola.

Escola da Vila
Vilalê

Nos próximos posts do nosso blog, você poderá conhecer um pouco melhor sobre o trabalho de cada um desses projetos por meio dos relatos dos professores envolvidos com cada um deles.

Minha experiência no comitê de famílias da Vila 

Escola da Vila

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Por Renato Salgado, pai de dois alunos da Vila e profissional de comunicação e design, em que lida frequentemente com desafios sobre como comunicar valores institucionais para círculos de interlocutores e acredita que isso é o que a Vila vem precisando ultimamente.

Agora que a maré “mais ou menos” acalmou, queria compartilhar com vocês algumas reflexões.

Em 2017, quando veio a público a compra da Escola da Vila pelo Grupo Bahema, a “comunidade Vila” (alunos, pais, professores e colaboradores) se sentiu meio “traída”, pelo que considerou uma dupla falta: foi vendida para um grupo de investimento (que, neste meio, é facilmente lido como um agente que prioriza resultado financeiro, mesmo em detrimento/flexibilização de valores) e, veladamente, um sentimento de indignação por “não termos nem sequer sido consultados! Viemos a saber disso pelos jornais, como fato consumado”.

A legitimidade desses dois sentimentos me causou um desejo de entender mais a fundo esse processo, como um resultado de uma cultura instaurada. Sempre acredito que os processos coletivos são complexos por misturarem leituras racionais com componentes emotivos…

Eu, como pai de dois filhos na Vila, percebi, em meio àquele fuzuê, uma qualidade muito grande: se a comunidade se sentiu traída, é porque antes se sentira incluída. E isso era porque a Escola da Vila soube criar, ao longo de seus 38 anos, um sentimento de pertencimento que sua comunidade aprovava, praticava e valorizava.

Ora, esse sentido de apropriação pelos interlocutores ao redor de uma Marca é o que, hoje em dia, as empresas e instituições mais almejam e zelam. A Vila tinha isso de sobra e “estava jogando fora junto com a água da bacia”.

Com isso, senti que o maior problema que a Escola da Vila enfrentava não era um problema de perda de princípios (era cedo para dizer isso), mas, sim, um imenso problema de comunicação. A escola não soube reconhecer que criara, ao longo de décadas, um espaço no qual a comunidade se sentia “dona” da escola e, consequentemente, não podia ter tomado essa decisão tão profunda sem envolver essa comunidade. Ou seja, a escola não soube comunicar sua transformação.

Esse é um processo de posicionamento institucional no qual eu navego algumas vezes com meus clientes no meu exercício profissional e senti, à época, um desejo de ajudar a clarear essa nuvem (também para sentir se a continuidade da educação dos meus filhos na Vila estaria preservada. Eu, pessoalmente, não via – necessariamente – como ruim a venda, mas compartilhava com outras famílias a sensação de que “só o tempo diria”).

Sincrônico a isso vi em algumas famílias, por motivos parecidos, o mesmo desejo e disponibilidade. E, finalmente, somou-se a isso a abertura da Vila para acolher esse grupo que culminou com um chamado às famílias para a formação do que veio a ser o Comitê.

Fizemos, desde agosto de 2017, três reuniões. Pouco, mas já o suficiente para gerar profundas reflexões e semear mudanças, como a que conto a seguir.

Já no primeiro encontro eu coloquei essa minha abordagem do problema. Percebi uma escuta atenta e quase aliviada da diretoria da escola e da Bahema, pois de certa forma foi reconhecido um aspecto que até então era difuso e incompreensível. Minha leitura é que eles – por causa do tombo – estavam fazendo uma enormidade de medidas de recuperação da confiabilidade e não estavam priorizando comunicar essas ações. Eu considerava isso tão fundamental quanto fazê-las: só assim a comunidade se reconheceria novamente como tal.

Sugeri que eles procurassem alguma ajuda (uma consultoria) para recuperarem seus valores institucionais e encontrassem vias de comunicá-los de maneira compreensível para sua comunidade.

Surpreendi-me com a rápida adesão à minha ideia, bem como a outras de outros participantes do comitê. Com isso, está sendo realizado um trabalho que, em breve, resultará em um afinamento do modo da Vila se comunicar com seus interlocutores (alunos, professores, famílias, colaboradores, pares, concorrentes, governos, sociedade).

Na última reunião do comitê das famílias da Vila, dia 7/5/18, sentimos que seria muito enriquecedor para este espaço de reflexão e busca de estreitamento da relação da Vila com sua comunidade, que ele fosse mais representativo (hoje somos 12 participantes das três unidades).

Com isso, vimos convidar familiares interessados em participar desse exercício de reflexão (sobre os interesses e conflitos que sentimos, como pessoas desta comunidade) para integrar o comitê.

Os interessados podem nos contatar pelo e-mail: familiasvila@gmail.com A ideia é marcarmos um primeiro encontro de apresentação do que vimos vivendo desde o início e de estabelecimento de estratégias de continuidade contando com a visão ampliada que mais olhares certamente construirão.

Acho que isto é o que a Vila é: nós.

Um abraço a todos.

Saber quando não intervir: uma competência profissional

Escola da Vila

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Por Sonia Barreira, direção geral

Não é tarefa fácil explicar como ensinamos aqui na Vila, mas, às vezes, um de nós tem uma inspiração e descreve uma cena emblemática que fala muito sobre as decisões que um professor tem de tomar no dia a dia para que os alunos aprendam.

“Vejamos uma cena escolar típica: crianças de 6 anos, reunidas em grupos de 4, cuja proposta em sala de aula é a explicação de um problema matemático. As crianças disputam a palavra entre si. A tensão é alimentada duplamente, tanto porque é preciso ganhar espaço para se expressar como ao mesmo tempo deduzir o problema em questão. Pior ainda quando uma colega coloca argumentos pertinentes. Isso pode ajudar, por um lado, pois, com as contribuições do outro, uma aluna consegue reafirmar a sua incipiente teoria, mas também pode dificultar, na medida em que ela pode se ver perdendo a batalha intelectual travada em plena manhã de um dia letivo. A professora não tem pressa em formalizar a resposta correta. As alunas se envolvem, procuram palavras, por vezes desanimam e desistem, e em seguida voltam a encarar o problema com entusiasmo renovado quando uma solução despenca do córtex pré-frontal para a ponta da língua. E alguns ainda têm a desvantagem do aparelho ortodôntico, que atravanca as palavras e limita o desempenho em campo.” (Fermín Damirdjian, Ensinar à distância ou aprender na convivência? 3/4/2018) 

A ideia aqui era apenas mostrar como a troca entre os alunos é fecunda e possibilita a aprendizagem. No entanto, grifamos uma afirmação que pode ter passado despercebida: a atuação, ou melhor dizendo, a “não atuação” do professor. E por que isso merece destaque?

Porque no contexto dinâmico e imprevisível da sala de aula, o professor só pode “não se apressar em formalizar a resposta correta” se ele sabe da importância fundamental da interação entre pares. E para acreditar nisso a ponto de suspender temporariamente aquilo que usualmente parece ser a ação principal do docente – dar a explicação correta – é preciso compreender como se processa a aprendizagem.

É preciso instaurar o problema para as crianças. A suspensão temporária da explicação deve gerar boas perguntas para engajar aqueles que estão à margem da discussão. É necessário também ressaltar algumas hipóteses, retomar algumas certezas, construir outros desafios. Outro ingrediente é a construção da confiança e do respeito – é preciso coragem e incentivo para arriscar apresentar em voz alta uma solução que nasceu dentro de cada um.

Enquanto aprendem a enfrentar um problema matemático, são obrigados a ouvir o colega tentando convencê-lo a explicar por que concorda ou não. Para isso é necessário ser claro, falar num tom amistoso, trazer o outro para sua ideia. Também é preciso reconhecer quando o outro parece ter razão, e isso é reflexão. É isso o que chamamos de cooperação. No contexto da aprendizagem, cooperar não é ajudar e sim operar com o outro, pensar e agir considerando as ideias e a transformação em ideias novas, a partir desse embate o que cada um sabe e o que, juntos, podem aprender.

Assim, ao optarmos por ensinar matemática dessa maneira e não de outra, não estamos escolhendo apenas a melhor forma de adquirir conceitos matemáticos, que afinal são os conhecimentos em jogo, estamos também educando para o diálogo, para a vida coletiva. Estamos escolhendo a melhor forma de ensinar e de educar, em simultâneo.

Esta é a força do nosso projeto pedagógico.

Quando ser diferente faz toda a diferença

Escola da Vila

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Por Marília Costa, direção da Unidade Granja Viana

O que é ser diferente? Uma vez, em uma palestra, após discursar certo tempo acerca dos conceitos de igualdade e diferença, perguntei ao público por que é tão frequente rejeitarmos o que é diferente. Uma professora, muito espontaneamente me respondeu: porque o diferente assusta. Outros complementaram: porque o diferente é desconhecido e dá medo! Diante dessas respostas, eu perguntei: então por que vocês não se assustam com quem está sentado ao seu lado? Afinal, nós somos essencialmente diferentes!

É interessante pensar o que faz rejeitarmos as religiões diferentes da nossa, rejeitarmos ideias diferentes do nosso modo de pensar ou, mesmo, rejeitarmos o aluno que aprende de um modo diferente, o amigo que fala diferente ou gosta de coisas diferentes. Não é qualquer diferença que nos assusta e não é qualquer diferença que gera sentimentos de rejeição.

David Rodrigues, educador português, ressalta que a igualdade é uma construção humana, ancorada em determinados valores e no conceito de justiça, e data do século XVIII, portanto, só existe, conceitualmente, do ponto de vista ético, e só muito recentemente passou a ser objeto de reflexão nas relações humanas. Concretamente, o que existe são diferenças, do ponto de vista biopsicossocial. Diferenças que são naturais e outras que são produzidas socialmente, diferenças que são visíveis, tangíveis e outras que são invisíveis, intangíveis. Contudo, muitas vezes o que reconhecemos como diferença é uma mistura de diferença e desigualdade (RODRIGUES, 2014), pois percebemos o que é diferente das características que atendem aos padrões hegemônicos como não desejável ou negativo (SILVA, 2000). Todas as características humanas e formas de ser humano, que não se encaixam nesses padrões, tendem a ser vistas como desvios, como é o caso dos alunos com deficiência ou com dificuldade de aprendizagem ou dos alunos pertencentes a minorias linguísticas, dos alunos obesos, entre tantos outros exemplos.

Não existe um ser humano igual ao outro, pois somos naturalmente diferentes em relação a vários aspectos relacionados à etnia, sexualidade, cultura, subjetividade, genética, entre outros. Apesar disso, com frequência atribuímos valores a essas diferenças que nos fazem rejeitá-las ou desejá-las.

Compreender a diferença como expressão da diversidade humana e valorizá-la como fonte de enriquecimento requer uma formação ética que dê sustentação a uma convivência pautada no respeito mútuo, na colaboração, na participação, no senso de justiça. Isso exige um equilíbrio entre o reconhecimento da igualdade e da diferença. Como diz Boaventura Souza Santos (2002, p.75): “Temos direito à igualdade sempre que a diferença nos inferioriza. Temos direito à diferença sempre que a igualdade nos descaracteriza”. Na nossa escola, esse é um desafio cotidiano. São muitas as situações em que refletimos a respeito de quando tratar todos os alunos da mesma forma e quando utilizar estratégias diferenciadas, quando oferecer apoios específicos, quando dar mais tempo para realizar uma atividade, entre tantas outras decisões que tomamos almejando que todos aprendam os conteúdos curriculares no máximo do seu potencial. Não existe resposta certa para cada uma dessas situações, pois é necessário avaliar o contexto, tomar decisões e avaliá-las constantemente.

Crianças e adolescentes, que crescem entendendo que as diferenças fazem parte da diversidade humana e que uma sociedade justa é aquela em que todos têm e podem exercer os mesmos direitos, convivem valorizando a diversidade, pois reconhecem o quanto ela agrega, soma.

Na nossa escola, diferença e diversidade são alicerces da proposta pedagógica, pois entendemos que a aprendizagem, em todas as suas dimensões, é mais significativa quando existe pluralidade de ideias, opiniões, versões, jeitos de ser e tantas outras diferenças. A homogeneidade limita. A heterogeneidade amplia. Portanto, para nós, a diferença é mola propulsora, é fator de enriquecimento.


Referências

RODRIGUES, David. Os desafios da Equidade e da Inclusão na formação de professores. RODRIGUES, David; ARMSTRONG, Felicity. A inclusão nas escolas. Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2014.

SANTOS, Boaventura de Souza (Org). Reconhecer para libertar – os caminhos do cosmopolitismo multicultural. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.

SILVA, Tomás Tadeu. A produção social da identidade e da diferença. In: SILVA, Tomás Tadeu (Org.). Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis/RJ: Vozes, 2000.

O retorno do Blog da Vila

Escola da Vila

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Por Sonia Barreira, direção geral

Este blog teve início em 2010, com a intenção de ampliar os canais de comunicação com as famílias da Escola da Vila.

Naquele momento, pretendíamos manter uma publicação diária, o que fizemos por quatro anos, progressivamente fomos reorganizando nossa produção com a finalidade de atendermos a todos os segmentos e passamos a produzir textos três vezes na semana.

Até o final de 2017 foram 965 textos: 271 sobre Educação Básica, 133 sobre Educação Infantil, 144 sobre F1, 134 sobre F2, 145 sobre Ensino Médio e 138 sobre o nosso Centro de Formação de Professores.

Neste ano, ainda que um pouco atrasados em relação ao início do ano letivo, retomaremos nossos posts a partir de abril, regularmente em três eixos principais:

a) Reflexões autorais sobre temas que impactam o cenário educacional e posicionamentos institucionais sobre políticas públicas, tendências educativas e questões que impactam nosso Projeto Pedagógico.

b) Análise sobre projetos, atividades e acontecimentos de nossa escola que contribuam para o conhecimento de toda a comunidade sobre como e por que concretizamos o currículo escolar da forma que o fazemos.

c) Curadoria e resenhas de textos, exposições, leituras e atividades de outras instituições que possam interessar às famílias das nossas escolas e aos educadores de modo geral.

Não haverá compromisso com dias para a publicação, muito embora nosso desejo é manter de duas a três publicações por semana.

Nas primeiras semanas de abril, o blog retoma com uma análise sensível e profunda do orientador do Ensino Médio, Fermín Damirdjian, sobre a ideia veiculada na mídia sobre a possibilidade do currículo do Ensino Médio poder acontecer 40% a distância.

Em seguida, Fernanda Flores, diretora da Educação Infantil e do F1, retomará nosso posicionamento sobre o sentido da Educação Infantil escolar, seguida de textos da equipe que destacam a importância do profissional educador para essa etapa do desenvolvimento humano.

Ainda nesse período, vamos divulgar um posicionamento claro e detalhado sobre a visão da Escola da Vila sobre a inclusão, logo após reunião com as famílias dedicada a essa temática.

No que se refere à rotina escolar, teremos como destaque o projeto do Fundamental 2 do Butantã do “Recreio com Jogos” – que visa estimular a ampliação das atividades de recreação dos alunos desse segmento.

A equipe do Fundamental 1 vai produzir posts destacando os projetos interséries que, em 2018, ganharam em regularidade e amplitude.

Como desejamos que o Blog da Vila siga cumprindo sua missão de contribuir com o debate de temas de interesse de nossa comunidade e com vistas a ampliar o campo de questões abordado, contamos com a sua colaboração, respondendo à seguinte breve enquete, neste formulário.

Enfoque metodológico construtivista: aspecto essencial da nossa cultura

Escola da Vila

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Por Susane Lancman, coordenadora do Ensino Médio

De forma gradual, sem muita explicação teórica, nossos alunos vão se apropriando da cultura da Escola da Vila. Assim, vocabulário, valores, ações, metodologias vão sendo aprendidos de forma natural. Alunos novos passam rapidamente a usar a palavra parque como sinônimo de recreio, SMA como recuperação. O pedido de um professor para avaliar a postura de estudante é compreendido como um rol de atitudes esperadas por parte do aluno dentro da sala de aula que necessitam de reflexão constante para possíveis ajustes. Levantamento de conhecimento prévio é percebido como parte do processo de aprendizagem.

Aqueles que participam há muitos anos da cultura da Vila nem sempre se dão conta de que suas características estão emaranhadas no nosso a dia a dia. Muitas vezes é o aluno “estrangeiro” que traz em seus relatos a estranheza com a nossa cultura.

“Como o professor de Ciências Naturais quer que eu explique como acontece o dia e a noite no primeiro dia de aula se ele ainda não explicou a matéria?!”, perguntava um aluno novo do 6º ano em meio às lágrimas ao se deparar com a questão norteadora de uma sequência didática.

“Se eu sentar em dupla vai ter cola nas atividades!”, exclamava outro aluno novo do 8º ano como se estivesse explicando o óbvio.

“Eu não entendo para que reescrever tantas vezes o mesmo texto, assim eu nunca fico livre da atividade”, dizia outro aluno.

Cada instituição cria, de forma consciente ou não, sua cultura, e seus participantes vão aprendendo e se identificando com o modo operante. Alguns se dão conta da cultura e se apropriam a cada dia, e para outros esse processo passa despercebido, principalmente para aqueles que estão na Vila há muito tempo e imaginam que aspetos da nossa cultura são inerentes a todas as instituições escolares.

A conscientização e a clareza dos aspectos que compõem a cultura institucional dependem da idade do aluno, da experiência e do conhecimento que tem do projeto pedagógico da escola para que se entenda que a troca da palavra recuperação para SMA não é um detalhe, sentar em dupla não é uma alegoria, criar questões norteadoras é de extrema relevância para a realização de sequências didáticas, ter sucessivas etapas de revisão textual é parte essencial do processo de construção da escrita. Mas, vale dizer que a identidade cultural não é um conjunto de valores fixos e imutáveis, sofre mudanças pelas novas pesquisas pedagógicas e educacionais, pelas novas experiências e conhecimento da equipe de trabalho e pelo grupo de alunos que traz inovações de comportamentos e pensamentos.

Na medida em que essa cultura institucional é incorporada é comum que alguns alunos passem a cobrar que todos, alunos e professores, sigam o modelo vigente. Assim, todos os anos ouvimos na coordenação e orientação dos diferentes segmentos alunos que se mostram indignados por atitudes e procedimento de alunos e professores que não seguem os “padrões”:

“Alguém precisa explicar urgente para fulano que aqui é importante compartilhar ideias!”

“O professor ciclano não socializa as hipóteses dos alunos. Você não acha que ele é de outra caixinha?”

Muitas vezes percebemos que estamos formando pequenos pedagogos que rezam em nossa cartilha. Eles entendem que em nosso enfoque metodológico é preciso que o professor construa situações didáticas em que o aluno chegue a reconstruir o saber socialmente constituído mediante aproximações sucessivas. Para tanto é necessário partir de uma situação-problema, criar formas dos alunos explicitarem seus conhecimentos prévios certos e errados, propor formas de socializarem as hipóteses dos alunos em dupla, em quartetos e no grupão, discutir as hipóteses comparando-as com o saber científico, reformular as hipóteses iniciais, enfim levar em conta oficialmente a construção do saber por parte dos alunos.

A construção de conhecimento pode parecer simples para os que não estão implicados diretamente no processo de ensino, mas há complexidade em todas as etapas. São muitos os desafios: criar a questão norteadora em que os alunos tenham conhecimentos prévios suficientes e ao mesmo tempo lacunas a investigar, organizar as duplas e quartetos com critérios consistentes que levem a avanços na aprendizagem, organizar a socialização das hipóteses, escolher o material e a forma de apresentar o saber socialmente construído, propor atividades que possibilitem aos alunos retomarem suas hipóteses iniciais. E é preciso considerar que a maioria dos professores estudou em escolas em que imperava o modelo de ensino normativo, portanto precisam se formar em outra concepção de ensino e aprendizagem. Esse modelo está centrado no conteúdo, em que a ação do professor é transmitir conceitos, apresentá-los, dar exemplos sobre o que está ensinando, enquanto a função do aluno é, basicamente, escutar as explicações do professor, estar atento e, em seguida, exercitar, aplicar àquilo que aprendeu. A concepção do saber vigente nesse modelo é a de um saber que está pronto e o professor faz a intermediação entre esse saber já elaborado e acabado para os alunos.

Se por um lado os alunos se apropriam da cultura da Escola de forma gradual e natural, por outro lado a modificação da concepção de ensino e aprendizagem de uma lógica centrada no conteúdo para a da construção de conhecimento exige um trabalho contínuo de formação da equipe pedagógica para que todos os profissionais sejam da mesma “caixinha”. Só assim é possível construir um projeto pedagógico consistente e sério em que há unidade em relação à cultura pedagógica.

O que é de todos e o que é de alguns

Escola da Vila

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Por Ricardo Buzzo, professor de Ciências Humanas do F2

No final do mês de setembro, o Supremo Tribunal Federal julgou uma ação que solicitava a explicitação de que as escolas públicas não poderiam oferecer disciplinas de ensino religioso de caráter confessional. O pedido, feito pela Procuradoria-Geral da República, precisa ser olhado com calma. O que o motivou, o fato de ter sido feito e, por fim, a decisão tomada pelo tribunal dizem muito a respeito da disputa por uma concepção de Estado, Democracia e República que não é recente na história do nosso país.

O que levou a procuradoria a iniciar a ação foi um acordo entre o Estado brasileiro e o Vaticano, que previa colaboração mútua para implementar o ensino católico, entre outras confissões, nas escolas públicas. A discussão proposta vai muito além do catolicismo. A decisão majoritária entendeu que, uma vez que a oferta dessa disciplina será facultativa, não fere o princípio do Estado laico, um dos ditames constitucionais.

A questão aí é até que ponto Estado e religião se misturam. A religião – no caso uma única religião – foi fundamental para a criação dos Estados, no início da Era Moderna. Boa parte do suporte ideológico fornecido aos primeiros reis vinha da igreja, e a teoria de que o poder real era de origem divina era bastante disseminada. Nesse contexto, aquele que não professava a religião dominante era um pária e seria perseguido tanto pela população intolerante quando pelo aparato estatal.

Com o advento do movimento filosófico que propunha a igualdade entre os indivíduos e um Estado voltado para os interesses comuns, essa ligação umbilical entre Estado e religião passou a ser questionada, radicalmente por alguns, suavemente por outros, mas entrou na ordem do dia, e as novas organizações estatais que surgiram no século XIX e XX tinham como princípio que sua legitimidade vinha da população que governava e não de qualquer outro lugar ou qualidade do governante.

No Brasil, o tema é particularmente sensível. Os reis ibéricos tinham tal ligação com a igreja católica que eram responsáveis pelo seu financiamento em seus territórios, e também eram considerados líderes religiosos: os clérigos de seus territórios deveriam responder a eles. No Brasil, durante o Império, essa instituição se manteve. Foi excluída apenas com a proclamação da República. Faz pouco mais de um século, portanto, que nosso Estado se separou efetivamente da religião, não sem deixar marcas. A constituição vigente, noventa e nove anos após a proclamação da República, foi promulgada diante de um crucifixo que permanece no Congresso Nacional e cita Deus em seu preâmbulo. Isso não quer dizer que, então, devemos nos curvar à presença da religião no aparelho estatal. Pelo contrário, essa é uma disputa ainda viva.

Ao Estado cabe gerir o bem público. Democrático, cabe a ele especialmente defender os direitos das minorias diante de uma maioria que busque lhe impor uma conduta que viole sua liberdade individual. No âmbito religioso, o máximo que o Estado interessado em garantir as liberdades individuais pode fazer é coibir a discriminação religiosa. Para além disso, a religião pertence ao foro íntimo. Se ocupa o espaço e principalmente o poder público, sua estrutura proselitista tende perigosamente à intolerância e violência, como já vimos durante a Idade Média e Moderna europeias, ou nos regimes religiosos do Oriente Médio, em comunidades coloniais norte-americanas, entre inúmeras outras.

Dito isto, se uma instituição religiosa decide, por exemplo, constituir uma escola e nessa escola decide oferecer aulas confessionais, tendo toda a sua comunidade de pais voluntariamente matriculado seus filhos nesta instituição, temos aí a ação de agentes privados, usando dos meios de que dispõem para reproduzir sua fé. Se uma instituição estuda e ensina a seus alunos a história das doutrinas religiosas, a organização dos diversos pensamentos teológicos de diferentes religiões atreladas a diferentes filosofias, certamente estará contribuindo para uma sociedade aberta e plural.

Outra situação, muito diferente, é uma instituição sustentada por recursos públicos ocupar o papel de quem propaga alguma fé, mesmo que a fé predominante na comunidade em que se insira. Ao Estado, na verdade a qualquer instituição de ensino republicana, cabe fomentar a tolerância, a compreensão de que o outro, mesmo minoritário ou distante, é um cidadão igual a todos, a despeito da crença, raça, classe social. Se, ao contrário, dedica espaço, tempo, recursos para que uma doutrina específica se dissemine, caminha mais para a direção de afirmar que aquilo que não está sendo ensinado não é válido. Mais do que isso, nesse caminho que visa tratar a confissão religiosa como pertencente ao âmbito privado, de forma distinta e separada do Estado, vivemos um pequeno retrocesso, uma pitada de padroado em pleno século XXI.

Num contexto em que discursos xenofóbicos ganham espaço, manifestações de ódio perdem a vergonha de existir, mais do que valorizar a sua própria religião, caberia ao estado garantir que o aluno valorize a religião do outro, apontando para a construção de uma comunidade política em que todos se reconheçam e se legitimem em seus pensamentos e crenças. Se, ao contrário, o bem comum serve a um grupo, perdem aqueles que defendem o Estado como comunidade política de iguais.