Por que é tão difícil dizer não?

Lidia Aratangy na Vila

-

Por Cecília Galoro, mãe de alunos da unidade Granja Viana

Em uma noite fria e chuvosa, como a da última quinta-feira 17 de agosto, a Escola da Vila – Unidade Granja Viana – recebeu um auditório lotado de famílias e educadores, no evento em que a psicóloga Lidia Aratangy foi convidada para falar sobre o Não e sua importância na educação das crianças.

Com o tema Por que é difícil dizer não?, pais, mães, professores e educadores de São Paulo, Cotia e região se mostraram interessados em refletir sobre a árdua tarefa de colocar limites para as crianças nos dias de hoje.

A psicóloga, com grande experiência de vida e profissão, abordou de maneira simples e divertida pontos cruciais que devem ser levados em conta na hora de educar por amor.

A palestra foi preparada em conjunto com todos os participantes, que enviaram antecipadamente suas maiores questões e dificuldades para serem esclarecidas, fazendo com que o evento fosse, de fato, uma rica troca de experiências, proposta presente e convergente na maneira de atuar da Escola da Vila.

Ao relatar, por exemplo, que é um erro tentar evitar as frustrações inerentes do processo de amadurecimento das crianças e jovens, Lidia deixa claro que muitas vezes, em vez de amor, podemos ter colaborado para a dor de nossos filhos no futuro, já que, certamente, eles irão conviver com fracassos ao longo da vida.

Durante 1h30, muitos mitos foram desmistificados, propondo uma reflexão autêntica sobre o papel de cada pessoa em contato com uma criança, e a responsabilidade de todos no processo de educar.

Aspectos e dúvidas como o desafiante mundo virtual, castigos, a banalização do não, o diálogo verdadeiro, um não pode virar um sim, o que significa ser amigo do seu filho, liberdade e limite, a diversidade vivenciada e não apenas discursada, respeito e, por fim, a nossa responsabilidade em manter a crença na humanidade, sendo filtros e não esponjas, para assim valorizarmos nos nossos filhos e alunos, seus atos de solidariedade, tolerância e cuidado com o meio ambiente, foram explanados de forma clara, com o objetivo de colaborar para a transformação de um futuro melhor, que será construído por eles nas bases da educação que nós oferecemos hoje.

Certamente todos os que compareceram, dizendo não ao frio, à chuva, ao trânsito e sim ao tempo dedicado aos seus filhos e alunos, saíram desse encontro certos de que saber escolher entre o sim e o não é um grande ato de coragem e amor.

Transformador, podemos dizer.


A palestra está disponível no canal do Youtube da Escola da Vila.
Por que é difícil dizer não?

Blog entra de férias

Caros leitores e leitoras,

Nosso blog entra de férias hoje e retoma suas publicações no mês de agosto, trazendo novos posts sobre o trabalho realizado na escola e também nossas reflexões acerca de temas educacionais contemporâneos.

Mas, como fechamento do semestre, escolhemos um texto escrito sobre Férias, em 2014, pelo orientador do Ensino Médio, muito oportuno para esse período!

Boa leitura e tenham todos merecidas férias!

-

Férias!

Escola da Vila

-

Por Fermín Damirdjian

Por esta época, as escolas dão aos alunos as diretrizes dos trabalhos escolares a serem feitos nas férias. Algo como um ou dois livros a serem lidos e algum filme para assistir, no caso do Ensino Médio da Escola da Vila. Para alguns casos específicos, seria uma oportunidade para o aluno retomar conteúdos que não puderam ser bem assimilados por ele na correria dos dias letivos. Sabemos que a escola tem um ritmo próprio que, por mais que os educadores se disponham a fazer algumas adaptações, há um calendário que avança, inexorável como qualquer medida de tempo. Há alunos para os quais essa medida atropela suas possibilidades de aprendizagem, que existem, mas que requerem uma situação menos frenética para serem desenvolvidas.

De um jeito ou de outro, vemos os rostos dos alunos se desfigurando em expressões de desagrado, em queixas de excesso de conteúdo, de falta de sossego e de tempo para o ócio. Não raro os pais também manifestam seu desconforto, especialmente quando as atividades para as férias atravessam a oportunidade do lazer em família, arduamente conquistada entre os longos períodos de tensão profissional.

Se as férias são férias, por que diabos a escola invade esse precioso tempo com leituras e tarefas? De fato, a escola não é obrigada a fazer uso desse período. É mesmo uma opção. E o que se leva em conta para seguir esse caminho são muitos fatores.

Em primeiro lugar, no Ensino Médio, contamos com o fôlego dos nossos alunos. E isso é algo que costuma espantar os pais de primeira viagem com seus filhos no 1º ano desse segmento, já na mudança de ritmo e da grade de matérias que passarão a fazer parte da rotina dos filhos. Mas logo veem e se surpreendem que eles respondem, em geral, de forma positiva à profundidade e à diversidade desses conteúdos. Não raro no primeiro trimestre, alguns se queixam de ver o filho estudando até a madrugada para uma prova do dia seguinte. É mais do que óbio que não medimos o grau de eficácia didática pelas olheiras dos nossos alunos. Mas dentre as exigências está o aprendizado sobre os procedimentos de estudo e o aprimoramento de sua postura de estudante como elementos a serem conquistados, de forma a antecipar e a organizar seus afazeres. Ainda assim, é claro que em algumas épocas os estudos podem invadir as horas de sono.

Por outro lado, a exigência dos alunos por férias plenas pode ser vista como uma reivindicação básica nesse caldeirão de contradições que caracteriza essa fase da vida: uma negociação árdua e extenuante, no dia a dia escolar e familiar, daquilo que querem preservar da infância, tal como o conforto e a distensão, e o que querem ganhar da vida adulta que se espreita no horizonte, como a independência supostamente ampla e irrestrita.

Mas cabe-nos olhar mais detalhadamente as coisas se quisermos sair do senso comum e se pretendemos levantar elementos que nos ajudem a lidar com aqueles que pretendemos educar. E se há algo que pode caracterizar nosso papel é a tensão que caracteriza a prática educativa e que pode variar de figura e de intensidade no convívio com aqueles que educamos, sejam filhos ou alunos, mas que nunca cessa.

Tanto na escola como na família, há momentos de carinho, de comunhão, de troca com esses adultos, sem dúvida alguma. No caso da família, as férias são a oportunidade de ter algumas dessas vivências com maior frequência do que no dia a dia. Mas em todos os casos, é preciso considerar que há uma luz que nunca se apaga completamente. É como a chama-piloto dos antigos aquecedores a gás, que mantinha o aparelho aceso, pronto para ferver a água do encanamento, em qualquer momento do dia ou da noite, ao longo de toda a sua existência. E talvez seja isso o que mais desgasta no papel daquele que educa: o fato de nunca desligarmos totalmente. Por mais que nos propusermos a isso, estar dentro de um cinema ou levantar o jornal e deixar-se absorver por notícias banais já é uma opção. E, como toda opção, carrega em si a responsabilidade da escolha.

Os lares dos anos 70 tinham em casa uma caixa mágica chamada TV em cores, na época acusada de paralisar a infância diante de sua luz animada. Aquelas crianças, que hoje são pais, veem-se diante de muitos outros recursos que anestesiam a tensão da educação. E, como toda anestesia, consistem num mero disfarce de alguma dor ou tensão.

Outros, mais radicais, poderiam apontar para a abundância de entorpecentes, tão diversificados e com poder de ação mais intensificados, que circulam pelo mercado legal ou ilegal, na mesma proporção do aumento dos canais de TV nas últimas décadas. E, com eles, a promoção permanente dos prazeres e limites que devem ser extrapolados, com urgência, como referência de realização pessoal.

Não raro os adultos se queixam do imediatismo dos jovens que se assustam diante de uma lição de casa ou da obrigação de estudar. Alguns alunos nem sequer se assustam, mas apenas não compreendem por onde devem começar, pois há um sentido de dever que não foi lá muito desenvolvido. Para além de pensar em um mundo fartamente irrigado com drogas e gadgets, é preciso pensar que estes últimos compõem o dia a dia familiar pelas mãos dos próprios adultos.

Como já foi dito, a tensão da chama-piloto pesa, e muito, para esses adultos. Por isso a anestesia não é só opção de crianças e adolescentes. Ela cumpre um papel de distensão na medida em que, uma vez tendo as crianças hipnotizadas diante de um tablet, os adultos conseguem ler jornal, conversar, lavar a louça, trabalhar ou relaxar.

Pouco se considera o tempo do final de semana para ajudar a família a fazer algumas das tarefas realizadas apenas por adultos. Um adolescente arrumando a cama, descarregando as compras do supermercado do carro, ajudando o pai no trabalho ou trocando uma lâmpada são imagens que parecem ser de um país muito distante, especialmente se comparadas à vida diária da classe média paulistana.

Isso para não falarmos em aproveitar as férias para fazer um trabalho voluntário, um estágio ou alguma coisa que, minimamente, ou mesmo simbolicamente, procure retribuir as oportunidades oferecidas pela família e, por que não, pela sociedade. O filme  Supersize me (2004) concentra-se no aumento do consumo mínimo do McDonald’s ao longo dos anos, mas seria muito obtuso reduzi-lo a isso e não pensar em um mundo que elevou a níveis para lá de insalubres os padrões mínimos de consumo e lazer. E é claro que não falamos apenas de saúde física, mas principalmente de saúde mental e “cultural”.

A pergunta que fica não é porque os alunos e os filhos se espantam com um dever a ser realizado nas férias, seja ele escolar, doméstico ou do mundo laboral. O que sim devemos olhar é por que oferecemos tão pouco, quando temos a ilusão de fornecer muito.

É evidente o bem que pode fazer a uma família descansar, e descansar junto. Mas não podemos nos iludir de que nesse momento não há educação, não há papéis. Ao contrário, os papéis nunca cessam. O tempo de distensão e os meios para fazê-lo são sempre escolhas que compõem a educação do filho. É preciso entender que, depois de uma refeição, algo ou alguém lava aquela louça. Pode-se dormir até tarde se for essa a opção, mas algo, em algum momento, deve evitar escamotear a regra mais básica de qualquer forma de vida: até o Animal Planet ensina que não existe almoço grátis, nem na savana africana, nem em nossa confortável paisagem doméstica.

Isso não significa exercer o sadismo para mostrar como a vida é dura, de forma alguma. Mas apenas acreditar que eles podem, ao longo de 30 alegres dias, em Paris, em Boiçucanga ou na Vila Gomes, ler um ou dois livros e fazer uma lista de exercícios.

Não se trata de apontar as falhas deles, mas de nos olharmos no espelho e observar nossas opções cotidianas. É o sentido de dever que parece estar enfraquecido, junto com a capacidade dos adultos para suportar a tensão de seu papel.

Famosxs da internet

Digital beggar por Eduardo Salles
Ilustração de Eduardo Salles

-

Por Helena Mendonça

Você conhece a Giovanna do forninho? Ou a Chloe, que, em um vídeo caseiro, não entende por que sua irmã chora com a notícia recebida da mãe? A notícia do encontro dessas duas personagens que ficaram famosas ao se tornarem sucessos virais na internet causou estranhamento em muitos que não acompanham a avalanche de memes* das redes sociais. Elas se tornaram personagens principais ao divulgarem uma grande marca de tecnologia, que propunha uma busca na internet, para quem não as conhecia. Uma boa jogada de marketing que traz à tona o vazio e a rapidez com que os famosos da internet vêm e vão.

Assistindo aos vídeos que as fizeram famosas, podemos citar o que a Profª Paula Sibilia apresenta em seu livro “O show do eu”¹. Uma das ideias trata do desejo da exaltação da própria vida com o crescente acesso às mídias e redes sociais e de como a capacidade criativa da sociedade e a curiosidade sobre a vida alheia se tornam uma mercadoria. O que é ser famoso? O que é ser um influenciador? Esse também foi tema de um dos vídeos do Porta do Fundos recentemente. Uma entrevistadora que tenta entender o porquê da “famosidade” de uma pessoa que se tornou sucesso na internet, mais especificamente no Instagram e Snapchat. Algumas das perguntas da entrevista: “Por que as pessoas curtem as suas fotos? Quem é você? Por que você é famosa?” E a resposta: “As pessoas começaram a curtir e depois outras curtiram porque as primeiras curtiram e aí eu fiquei famosa…”.

Para além de ter um canal no YouTube, saber editar um vídeo, tentar entender o que dá mais curtidas e conhecer estratégias para que os espectadores vejam o vídeo até o final, é fundamental questionarmos esse movimento, analisarmos os vídeos construindo critérios com os estudantes, discutindo sobre o tema e levando em consideração que a maioria dos jovens segue, assiste e compartilha esse material. Eles participam desse movimento, surfando nessa onda muitas vezes sem se questionar sobre os valores envolvidos nessas ações.

Por causa dessas e outras práticas particulares do mundo digital, é fundamental que as práticas educacionais sejam revisitadas. Temas como a pesquisa, seleção e apresentação de dados encontrados na web, a criação de produtos digitais e seus diferentes formatos e formas de representação, a comunicação e as redes sociais, o trabalho e a economia, bem como o ativismo social digital, são alguns dos temas que também devem estar presentes na escola. Um dos documentos que temos usado como referência de currículo de educação digital para os alunos traz como uma das habilidades da convivência digital a compreensão do impacto social das tecnologias digitais. Entender e avaliar a capacidade que as tecnologias têm de impactar positivamente ou negativamente os indivíduos e a sociedade em suas questões sociais, econômicas e culturais é um dos temas de trabalho que constroem a formação do estudante. Outros temas igualmente importantes são a proteção da informação digital pessoal e de outros, o respeito ao direito de privacidade, o reconhecimento de dilemas éticos e as consequências legais no uso e na apropriação de material digital, bem como o impacto do digital no direito de propriedade intelectual.

A atenção à qualidade do material que é oferecido às crianças e aos jovens não é algo novo, a programação da televisão foi um grande motivo de discussão na época da sua popularização. Talvez a maior diferença agora seja a possibilidade de criação de material, agora digital; criação esta que se torna possível com ferramentas cada vez mais acessíveis, fartos canais de distribuição e um enorme público à disposição.

Nesse sentido, a escola tem promovido diversas ações visando a construção de conhecimento com o digital, levando em consideração também as questões didáticas que são impactadas por essa mudança. Essas ações vão desde o aprendizado técnico de recursos disponíveis para diferentes fazeres, passando pela formulação de critérios de produção, análise de referências, contato com diversas possibilidades, até a discussão sobre temas mais ligados ao universo digital, mencionados acima, a criação individual e coletiva e finalmente publicação e a interação com os diferentes públicos. Assim esperamos formar estudantes conscientes e críticos perante o universo digital.


(*) Memes: imagens ou vídeos que são remixados pelos usuários e se tornam virais, ou seja, são compartilhados por muitas pessoas, às vezes remixados e compartilhados novamente.

¹SIBILIA, Paula. O show do eu: a intimidade como espetáculo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.

Publicação relacionada:
YouTube, YouTubers e a Escola 

Visita à Escola Parque

Por Sônia Barreira e Fernanda Flores, direção pedagógica da Escola da Vila

Recebemos a equipe da Escola Parque e da Escola Balão Vermelho no dia 19 de maio para apresentar nossa escola e nosso projeto pedagógico. Ao preparamos as apresentações nos perguntávamos o que devíamos ressaltar, quais os destaques e quais os principais desafios que nossa equipe enfrenta nos últimos anos. Esse processo, a visitação e o encontro nos levaram a olhar nossa escola sob uma perspectiva diferente da habitual.

Normalmente imersas no dia a dia, essa oportunidade nos levou a constatar algumas conquistas históricas das que nem sempre nos damos conta: a estabilidade dos projetos, a fartura de documentação pedagógica produzida pela equipe, a superação de desafios que nos colocamos ano a ano. Temos uma produção intensa e avançamos de modo orgânico, lembrando o funcionamento de um organismo vivo, interdependente e pulsante.

Na sexta-feira, dia 9 de junho, nos tornamos visitantes. Fomos recebidas com acolhimento e entusiasmo pela equipe da Escola Parque. Inicialmente, tivemos uma apresentação feita pelos diretores e conhecemos os pilares de um Projeto Pedagógico de 47 anos de idade! Como o nosso, em transformação permanente, revisado e atualizado constantemente.

Escola da Vila visita a escola Parque

Em seguida, os grupos se dividiram por segmento. Pela Educação Infantil e Fundamental 1, as equipes de coordenação e orientação apresentaram as características principais do trabalho que realizam e tivemos oportunidade de, mais uma vez, aprofundar conhecimento sobre aquilo que nos aproxima e aquilo que fazemos de formas próprias, podendo trocar experiências e desafios que as escolas enfrentam nessas etapas da escolaridade.

O Fundamental 2 e o Ensino Médio foram brindados com apresentações dos próprios alunos, que nos contaram sobre projetos propostos a eles e vividos com intensidade e curiosidade próprias de alunos engajados e comprometidos. Algumas propostas dialogam com ações realizadas na Escola da Vila, outras, totalmente únicas, pareciam responder às demandas que conhecemos, portanto inspiradoras e instigantes.

Escola da Vila visita a escola Parque

Escola da Vila visita a escola Parque

A escolha por parte dos alunos, tema que nos desafia atualmente, parece ter sido bem equacionada na Parque, muito embora disponham de um tempo didático mais amplo que o nosso, ainda assim, nos estimulou a reconsiderar a organização de alguns mecanismos de trabalho.

A distribuição do trabalho na equipe técnica foi outro elemento novo para nós, e boa parte das reuniões foi gasta para entendermos quem faz o quê, e a relação daquelas funções com as nossas aqui na Vila. Coordenador, orientador, psicopedagogo não equivalem diretamente aos nossos cargos. Pensar na forma de realizar o trabalho fora da sala de aula também resultou em conversas férteis e reflexões intensas.

Escola da Vila visita a escola Parque

O passeio guiado pelas dependências da escola da Barra, finalizando a Semana do Ambiente, nos mobilizou a pensar no trabalho que fazemos com a sustentabilidade e protagonismos dos alunos. Podemos mais!

Escola da Vila visita a escola Parque

Escola da Vila visita a escola Parque

Olhar o dia a dia de uma escola é inspirador, conhecer soluções pedagógicas e educacionais de uma equipe que compartilha os mesmos valores que a nossa é desafiador. Agradecemos a todos os profissionais da Escola Parque a generosidade com a qual se dedicaram a nos receber.

Nova composição societária da Escola da Vila

Escola da Vila

-

Por Sônia Barreira, Fernanda Flores, Vania Marincek, Ana Luiza Amaral, Eva Diaz

No mundo atual, com as profundas transformações provocadas pelas novas tecnologias e com as importantes mudanças no cenário social, político e econômico, acreditamos que mais do que nunca, as escolas precisam se articular em redes profissionais que permitam um debate frequente e consistente sobre a educação necessária para as novas gerações.

Neste momento, observa-se também forte movimento de consolidação de escolas que, em parceria com empresas, buscam melhorar a saúde financeira das instituições e viabilizar sua perenidade.

A Escola da Vila, que há alguns anos planeja sua sucessão e a continuidade de seu projeto educacional, encontrou em 2016 o sócio ideal para estruturar a criação de um grupo de escolas, em um movimento que fortalece ainda mais sua proposta de ensino, ajuda a escola a enfrentar os desafios financeiros e fazer frente aos grandes grupos educacionais.

Assim, é com grande satisfação que comunicamos a todos vocês que três grandes escolas brasileiras – a Escola da Vila, de São Paulo, a Escola Parque, do Rio de Janeiro, e a Escola Balão Vermelho, de Belo Horizonte –, com nítidas afinidades filosóficas e pautadas em teorias de educação contemporâneas, se reúnem numa sólida parceria com o objetivo maior de fortalecer nossos projetos pedagógicos precursores da valorização da autonomia, cooperação e pensamento crítico dos nossos estudantes.

Nesta parceria, viabilizada e estruturada em uma sociedade com a Bahema, as três escolas, reconhecidas e prestigiadas em suas cidades e no Brasil, vão sistematizar trocas de experiências, projetos de intercâmbio, atividades formativas e outras iniciativas que reafirmam o exercício de uma educação crítica e relevante, além de compartilhar métodos de gestão administrativa.

A Bahema é uma empresa brasileira com histórico de 60 anos de participação em diferentes setores da economia e que desde 2016 escolheu investir na educação básica.

Compartilhamos com a comunidade escolar essa notícia que tanto nos entusiasma, assegurando que nossa identidade, nossa equipe e nosso funcionamento permanecem e a eles se acrescentam as experiências dessas instituições, com o fortalecimento de nossos ideais educativos e ampliação de nossa capacidade de promover inovações e atualizar frequentemente nossas práticas.

A partir deste ano, estudantes, pais e professores poderão observar as vantagens desta parceria. Um Comitê formado por educadores das três escolas já estuda, discute e viabiliza as primeiras trocas de experiências entre os colégios.

É com orgulho que somamos nossos saberes e convicções para continuar a educar pessoas comprometidas com o conhecimento, com uma sociedade mais justa e com os desafios da contemporaneidade. Nasce assim, um grupo educacional de qualidade ímpar, formado por escolas independentes e unido pelo compromisso com a formação integral de seus alunos e alunas.

O coletivo feminista no Fundamental 2 e a libertação feminina

Escola da Vila-

Alguns saldos importantes do ano de 2016

 

Por Manuela Lima, aluna do 9º B (2016) 

O espaço moral cedido pela escola para nós, alunas do nono ano, organizarmos um coletivo feminista semanal, no intuito de conscientizar xs menores sobre, principalmente, igualdade e identidade de gênero, tem trazido à tona muitas questões majoritariamente a respeito dos direitos da mulher no papel, e sua diferença para a sociedade em si. É justamente esse tipo de reflexão que buscamos nxs alunxs participantes do coletivo para que elxs possam levar o conhecimento para fora da sala de aula, fora da escola.

Muitas meninas já vieram falar conosco sobre a importância do coletivo no processo de amadurecimento pelo qual elas estão passando, e sempre ressaltando o fator empoderamento. Elas corrigem comentários preconceituosos em geral, e isso está cada vez mais evidentemente presente no cotidiano do sétimo ano, por exemplo, e sem o coletivo isso talvez não estivesse tão marcado. Isso porque já discutimos a revelação do machismo desde as piadas (onde ele aparece sempre muito banalizado) até nas peças publicitárias, passando pela definição de xingamento e de ver o “ser mulher” como algo pejorativo, machismo nas músicas, esse tipo de coisa.

Tomamos muito cuidado, também, para não tratar de temas de forma extremamente radical sem apresentar dois pontos de vista, por causa dxs menores, que são facilmente influenciadxs pela nossa opinião. Assim, o coletivo passa a acrescentar muito na vida das participantes, de um jeito incrível.

Participam dos encontros meninos e meninas de todo F2. Entendemos a importância da participação de todos, uma vez que nossos objetivos são: 1) promover a sororidade dentro e fora da escola, podendo assim ajudar muitas meninas a se fortalecerem e se empoderarem; e 2) expandir nossos conhecimentos sobre a causa por meio de debates, rodas de conversa, discussões de acontecimentos, textos, vídeos, notícias etc. Assim, nada melhor do que promover um espaço aberto, que possibilite que todos adquiram maior conhecimento, consciência e a possibilidade de refletir (e transformar) relações que ocorrem no próprio cotidiano. Está dando certo! Percebemos que eles têm sido cada vez mais respeitosos e cuidadosos com algumas falas ao fazerem referências, “brincadeiras” com as meninas.

O coletivo esse ano foi espaço de libertação expressiva. Desabafos, acolhimentos, tudo de melhor. Posso dizer em nome de todo o nono ano que sou eternamente grata por poder passar as tardes de sexta-feira com tanta gente maravilhosa e que tem se empoderado cada vez mais, e levado questões e reflexões para a vida.

Novos temas em educação e a necessidade de pensar sobre eles

Escola da Vila-

-

Por Sônia Barreira

Para a Escola da Vila o ano de 2016 foi intenso. Trabalhamos muito, como sempre, mas enfrentamos temas novos e bastante desafiadores para todos.

Passamos por processos de luto que abalaram a equipe, mas mantivemos o foco e cuidamos de nosso trabalho com muito carinho, preservando a memória daqueles que nos deixaram.

Demos início ao planejamento de novos projetos, como a preparação para a implantação do uso do computador pessoal nas turmas de sextos anos do Morumbi e Butantã, o que requereu grande investimento dos professores, desde a elaboração do material digital até a aprendizagem de novos procedimentos no mundo virtual.

Revigoramos ações de investigação científica no Fundamental 1, envolvendo a participação das famílias e promovendo situações de aprendizagem inusitadas e fecundas. Com os pequenos intensificamos as vivências nos grupos multisseriados, diminuindo assim os efeitos de uma seriação precoce.

Mas a novidade maior ficou por conta da forte adesão de nossas alunas aos movimentos feministas que se popularizaram recentemente. Alunas de 12 a 17 anos de idade passaram a nos questionar frequentemente sobre a presença do machismo e da discriminação na sociedade de um modo geral, e na escola em particular. Essas colocações, impactantes para nós que somos herdeiras das conquistas feministas dos anos de 1970 e 1980, nos fizeram ver que estávamos um tanto acomodadas e começamos a nos questionar: há discriminação no ambiente escolar? Onde? Como?

Esse olhar mais atento, impulsionado pela pressão das alunas e dos profissionais mais jovens nos levaram a promover, entre outras ações, rodas de conversa com professores universitários, que se dedicavam ao tema, debates internos que culminaram com uma festa de final de ano com toda a equipe, totalmente diferente da habitual. Convidamos duas professoras do Ensino Médio, Cristina Maher e Paula Camargo, de Sociologia e Geografia respectivamente, para que fizessem uma apresentação  sobre algumas ideias acerca de sexo e gênero geradas pela nossa cultura, muitas vezes naturalizadas, e as desigualdades identificadas por um conjunto expressivo de pesquisas que clarificam em dados estatísticos os lugares sociais ocupados pelas mulheres. As duas mestras deram um show de conhecimento em suas apresentações, o que nos obrigou a refletir e analisar o tema.

Em seguida, nos reunimos em 15 subgrupos que misturaram professores de diversos segmentos, funcionários administrativos, da limpeza e manutenção, direção, equipe técnica, todo mundo, das três unidades, discutindo a partir das ideias trazidas pelas professoras palestrantes: há discriminação no ambiente escolar? Em que já avançamos? O que falta avançar?

Os 45 minutos de roda de conversa produziram depoimentos importantes, novas reflexões, trocas de repertório, dificuldades partilhadas, e, acima de tudo, uma conversa entre iguais, profissionais dedicados a fazer a escola possível, que precisam refletir, porque não têm respostas para tudo e precisam se ouvir, se olhar, se conhecer e se reconhecer. Foi intenso, bonito e importante para todos.

Saímos de férias felizes por constatar que conseguimos um ambiente democrático e seguro para discutir temas complexos, para os quais não temos o mesmo posicionamento, mas que não podemos deixar de enfrentar.

No próximo post, o texto das alunas e alunos que participaram do Grupo Feminista de 2016.

O começo do ano ou a volta às aulas

Escola da Vila

-

Por Sônia Barreira 

O caderno novo, o estojo, a lancheira, a mochila. Expectativa, ansiedade, desejo, saudades. O receio, o embaraço, e o reencontro. Tudo isso junto, misturado e confuso faz parte da volta às aulas. Tanto para o aluno que conhece a escola, como para o novo, que acabou de chegar.

A alegria de retomar a rotina e reencontrar os amigos vem junto com as obrigações e responsabilidades, em qualquer idade, em qualquer segmento da escolaridade.

Com exceção dos muito pequenos, todos sabem e esperam que a escola lhes ofereça inúmeras situações para aprender, desafiadoras, engraçadas, maçantes, rotineiras, incríveis, chatas, legais, envolventes, de todos os tipos! O ano começa num dia, mas naquela semana, mês, trimestre, um mosaico de demandas, experiências, vivências e aprendizagens acontecerão de modo intenso e fecundo.

Da parte da escola, o cuidado no planejamento de tudo isso, incluindo a recepção dos novatos, tratando de conciliar duas coisas centrais: que tudo seja educativo e importante para que os alunos aprendam e se desenvolvam, e que tudo seja significativo e faça sentido para eles. Fazer da aprendizagem um processo significativo é o desafio maior para todos nós educadores da Escola da Vila!

E, ainda que o foco do início do ano seja o planejamento cuidadoso do dia a dia, vale lembrar que somos norteados por três valores fundamentais, cada vez mais importantes no mundo atual: a busca pela construção da autonomia moral e intelectual dos alunos, a convicção de que o conhecimento é o ingrediente indispensável para isso, e que cooperação é o elemento central para a vida em comum.

Esses três valores são guias importantes para todas as ações que desenvolvemos com nossos alunos, e, portanto, são a marca da nossa escola. Que o ano de 2017 seja muito fecundo para todos, e que nossa tarefa seja concretizada da melhor maneira possível.

Bem-vindos ao novo ano letivo!

Soneto da Rosa

Escola da Vila
Produção de aluno do 1º ano do F1

-

Por Vinicius de Moraes

Mais um ano na estrada percorrida
Vem, como o astro matinal, que a adora
Molhar de puras lágrimas de aurora
A morna rosa escura e apetecida.

-
E da fragrante tepidez sonora
No recesso, como ávida ferida
Guardar o plasma múltiplo da vida
Que a faz materna e plácida, e agora

-
Rosa geral de sonho e plenitude
Transforma em novas rosas de beleza
Em novas rosas de carnal virtude

-
Para que o sonho viva da certeza
Para que o tempo da paixão não mude
Para que se una o verbo à natureza.

-

Desejamos que 2017 traga alegria, entusiasmo e ótimas novidades!

Simpósio Interno da Escola da Vila

-

Por Fernanda Flores

No último sábado, dia 8 de outubro, tivemos a abertura do Simpósio Interno da Escola da Vila. Como parte de nossa história, mais uma vez, contamos com a apresentação de oitenta trabalhos de professores que atuam da Educação Infantil ao Ensino Médio - divididos em 23 mesas temáticas -, com apresentações que se estendem a mais duas reuniões pedagógicas, até o dia 18 de outubro.

Segundo Ivone Domingues, coordenadora pedagógica de Fundamental 2, “como a memória é algo sempre em reconstrução, vale a pena retomar os principais motivos que levaram a Escola da Vila a criar esse evento anual. O maior propósito do Simpósio é fomentar algo que consideramos central para todos os profissionais da educação: a prática da escrita reflexiva. O Simpósio foi criado para isso. Para promover o que Donald Schön (1983) denomina de reflexão sobre a ação, uma análise a posteriori realizada pelo professor sobre as características e os processos do seu trabalho.

Espera-se que cada membro da equipe procure refletir sobre o seu trabalho, usando a escrita como meio de tomar distância da sua prática pedagógica e possa problematizá-la, dispondo-se a dialogar com seus pares a partir dessa produção. Sabemos que o estudo, a teoria, quando tomados com sentido, são sempre necessários para avançar, mas é preciso dizer, também, que tão ou mais importantes são as ideias próprias, é a problematização do que se vive no ambiente escolar, pois é a partir desse debate que o conhecimento coletivo se constrói.”

A Escola da Vila tem tradição na valorização da escrita, no debate e na criação de espaços de construção coletiva do conhecimento, algo inerente à sua dinâmica. Estamos em clima efervescente, debatendo ideias, discutindo opções didáticas, propostas, inovações, e nos aproximando mais das maneiras de pensar o trabalho em outros segmentos. Enfim, consolidando novamente, também na equipe de professores, alguns dos princípios centrais de nosso projeto pedagógico: a autonomia e a cooperação intelectual.

Como ápice de toda essa produção, com muito orgulho, aproveitamos esse canal para compartilhar a revista Conversa de Professor, que chega à sua 5ª edição, divulgando os trabalhos de nossa equipe, selecionados do Simpósio de 2015.

Boa leitura!