A proposta do Período Complementar


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Por Daniela Munerato

Chegar cedo à escola, conviver com companheiros de Grupo 1 a 1º ano, e ainda ter a oportunidade de realizar propostas divertidas e muito diferentes neste período oposto aos das aulas regulares: esta é a proposta do Período Complementar! Acompanhados de professor fixo e de um auxiliar, as crianças vivenciam experiências muito diferentes a cada dia da semana. E nesta configuração, temos as seguintes propostas: Teatro, Horta e Culinária, Capoeira, Oficina de Arte e Circo.

Além disso, pode-se optar por frequentar o Complementar a semana toda ou somente um ou mais dias. Deste modo, há dias em que se pode encontrar o grupo todo, e outros em que encontramos determinado grupo de amigos. Estas interações representam uma enorme riqueza, pois acompanhamos amizades entre companheiros de turma/série, mas também entre companheiros de diferentes idades e repertórios, uns aprendendo com os outros. Aprendendo a ser parte de um grupo e também aprendendo novas brincadeiras uns com os outros, ajudando uns aos outros, e tudo isso possibilita a descoberta de novas referências.

Quanto à estrutura dos encontros diários, logo que chegam as crianças são recebidas em cantos montados no espaço aberto e também dentro da sala, o que lhes dá a possibilidade de circular por todo espaço físico da Educação Infantil. Depois vem a grande roda, onde o grupo conversa sobre as brincadeiras e as interações que aconteceram, e também sobre o que foi planejado para aquele dia. Após o lanche vão todos para o espaço do parque, onde montam cabanas, realizam suas brincadeiras prediletas e aprendem outras novas.

Em relação à alimentação, tanto o lanche da manhã como o almoço estão inclusos na mensalidade do Período Complementar, e as refeições são especialmente acompanhada pela equipe de nutrição.

Quem não deseja realizar exercícios circenses, com panos e trapézio? É sempre uma emoção! E esperar o professor de Capoeira, caminhar até a sala cantando e aprender a gingar, entre tantos outros movimentos? O Teatro abre ainda mais as portas da imaginação, enquanto trabalhamos o corpo, a voz e as relações no grupo como um todo. Tudo isso envolvendo muita imaginação e formas de expressão. Dentro da oficina de Arte cabem inúmeras propostas: Artes Visuais, Música e Movimento na companhia de Marisa, nossa professora de Inglês! E a nossa horta, então? Que experiência fascinante acompanhar o crescimento daquilo que plantamos, aprendendo os cuidados necessários, para depois utilizar estes alimentos nas aulas de Culinária, onde aprendermos receitas deliciosas!

Depois do almoço – que acontece no espaço da cantina da escola – temos um tempo higiene e descanso. Ouvimos histórias, realizamos massagem e relaxamento, e recarregamos as energias para o período vespertino. Depois cada criança vai para a sua sala, se juntar à sua turma, animados para novas aventuras e aprendizagens.

Encontros de atualização – Ana Espinoza e a equipe de Educação Infantil.


Por Dayse Gonçalves

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Professora:  D., como foi transportar água neste recipiente?

D: Eu corri e caiu muita água.

Professora: Olhem que importante o que D. disse. Se correr cai muita água?

E.: Cai toda a água, porque o pote é muito aberto.

Professora: Mas porque será que a água cai?

E.: Porque é muito molinha. (trecho de roda de conversa)

“No experimento com as batatas, num bequer a batata estava inteira e no outro, picada. Aconteceu que a batata picada ficou mole mais rápido e deu até para amassar com o garfo. E a batata inteira ficou dura, não deu para amassar. A batata picada ficava se mexendo, rodando e borbulhando dentro do béquer. A água quente entrou em todas as partes da batata picada e por isso ela ficou mole mais rápido.” (texto ditado à professora)

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Para quem não acompanha este blog, estamos falando de encontros com especialistas que supervisionam o trabalho que realizamos, com vistas a ampliar o nosso conhecimento de referência sobre vários temas, em especial sobre os conteúdos que ensinamos através das situações didáticas que planejamos.

De volta ao Brasil e à Escola da Vila, neste mês de novembro recebemos Ana Espinoza, especialista argentina em Didática das Ciências Naturais, com quem discutimos algumas sequências que realizamos na Educação Infantil: Transporte de Água; Misturas Heterogêneas e sobre o Cozimento de Alimentos.

Como bem disseram as colegas de trabalho que me antecederam neste blog (Lilian, F1 e Ivone, F2) e que também compartilharam com nossos leitores notícias sobre a supervisão em CN, seguimos discutindo o papel do experimento na aprendizagem, o papel das representações infantis e os obstáculos conceituais com os quais nos deparamos, dada a faixa etária e a natureza dos objetos de ensino.

Foi o primeiro de uma série de encontros que terão continuidade ao longo de 2012, no qual discutimos também a importância da participação das crianças na proposição dos experimentos, com base nas hipóteses que têm sobre os fenômenos que são objetos de investigação.

Para a equipe pedagógica, foi também uma grande oportunidade de compreender melhor o papel dos Conceitos Estruturantes na aprendizagem de Ciências.

Os pequenos vão a uma biblioteca pública!

 

Por Daniela Munerato

A leitura é a mais nobre das distrações. (Marcel Proust)

Frequentar a biblioteca Tatiana Belinky e José Mindlin na escola é sempre um momento muito esperado e, ao mesmo tempo, encantador. As crianças, desde o Grupo 1, ouvem histórias diversas nestes espaços e compreendem que este espaço é quase mágico. Vocês já imaginaram ter tantos livros num só lugar?

A partir do Grupo 2 as crianças iniciam uma outra etapa na sua vida de leitores: tornam-se usuários plenos de uma biblioteca! Podem emprestar livros semanalmente. Livros que permanecem em casa durante o período de uma semana e podem ser compartilhados com diferentes leitores (pais, mães, irmãos mais velhos e outras pessoas queridas, com as quais as crianças convivem diariamente). Podem ser lidos, folheados, mas são também cuidados de um jeito especial, e sempre trazidos no prazo combinado, para que um novo empréstimo possa ser realizado.

Para o G3 – já leitores vorazes – guardamos uma novidade muito especial, e que amplia ainda mais os olhares dos nossos pequenos leitores para o mundo dos livros: uma visita a uma biblioteca pública! E o que isto significa?

Significa a visita a um lugar onde todos somos (ou deveríamos ser) iguais. O Manifesto do IFLA/Unesco refere doze importantes missões de uma biblioteca pública, sendo algumas delas fortalecer o hábito da leitura, assegurar às pessoas meio de desenvolver-se de forma criativa, o apreço pelas artes e pelas realizações científicas, entre outras tantas. É também um lugar preparado cuidadosamente para comportar um tal acervo, para receber os usuários de forma confortável… Sem falar no tanto que as crianças podem pensar sobre sua relação com os livros que pertencem à uma comunidade, seja ela privada, como a da escola, seja ela a sociedade, as pessoas do bairro. A compreensão do que é um espaço público e um espaço privado… são tantas aprendizagens! E, o melhor de tudo, saber que se pode ler livros que circulam por muitas casas, que frequentam muitos e diferentes leitores. E que não precisamos tê-los todos.

E foi neste contexto de preparação que o dia tão esperado chegou para cada um dos Grupos 3.  Lancheiras em mãos, combinados feitos e todos em direção ao ônibus! Isto mesmo! Este foi o primeiro passeio feito com a escola. E fomos cantando, contando, escolhendo parceiros de viagem, com os quais interagiam durante todo o percurso de ida e volta. Os assuntos? Reconhecimento do trajeto, carros que passavam, pontos de referência, etc.

Na biblioteca, os olhinhos brilhavam e as crianças já sabiam que era preciso falar baixo. Observavam as pessoas que não conheciam lendo, estudando, escrevendo. A Neide, bibliotecária responsável por nos receber, o fez com muito carinho. Contou-nos a história desta biblioteca e todos os procedimentos necessários para sermos usuários daquele espaço. O número amplo de livros e gibis do acervo deixou as crianças encantadas! Por fim, a compreensão de que aquele espaço e aqueles livros são de todos que desejassem e que estivessem dispostos a frequentar aquele espaço, a cuidar da conservação do acervo.

Descobriram livros para crianças, adultos, cegos; sobre assuntos que nem supunham existir. Também tiveram a oportunidade de conhecer objetos antigos, como um ferro de passar e uma máquina de costura, por exemplo, expostos naquele espaço, e receberam folhetos da programação e dos eventos que lá aconteceriam, como as rodas de história.

Para finalizar, exemplo de falas feitas pelas crianças:

“E o que o Álvaro Guerra fazia aqui?”

“O que é um livro de adulto?”

“Todos podem entrar, mas cachorros não podem!”

“Aqui tem livros de coisas antigas?”

Depois disso, só mesmo um delicioso lanche consumido no jardim da biblioteca. E muitas fotos para registrar estes momentos gostosos!

Agora a Neide aguarda a visita de vocês e das novas turmas de G3, em 2012.

As perguntas das crianças e as respostas dos adultos.

Por Daniela Munerato

Crianças… São incrivelmente observadoras, espertas, manifestam seus saberes de muitas formas e sempre querem saber mais. E nós? Como respondemos a todas as questões?

Iniciamos nossa reflexão lembrando que a aquisição da fala marca um momento importante na vida de qualquer criança. O falar abre portas, permitindo a comunicação, a interação, a expressão de sentimentos e desejos.

É através da interação também que as crianças observam respostas diferentes para as mesmas situações, e que a comida preferida, o repertório musical, as brincadeiras escolhidas variam a depender das pessoas. No início esta percepção gera conflitos, pois as informações são vistas como oponentes, como se a única resposta para uma boa pizza só pudesse ser de queijo e que qualquer outra palavra faria do queijo ruim. Mas, progressivamente, e com a ajuda dos adultos e de seus pares, elas conseguem compreender que opiniões diferentes fazem a diversidade, não significa ”e” ou somente “ou”.

Nós, enquanto adultos, observamos um movimento de repetição intenso dos nossos pequenos; tudo que escutam repetem, tentando construir sentidos, ampliando repertórios. O fato é até engraçado, pois repetem as palavras como compreendem e temos “batatinha quando nasce esparrama pelo chão” ao invés de “espalha a rama pelo chão”, “todos foram pelo menos eu” ao invés de “menos eu”, e “limãosile” para limusine, “açúrcar” para açúcar, e muitos outros exemplos. Assim, qualquer palavra pode ser reproduzida dentro e fora de contexto onde fazem sentido, pelo som que provocam, ritmo, extensão. Quantas vezes as crianças saem da escola cantando um trecho de uma música apresentada em uma história: “Eu sou um bolinho de creme reachado” e os pais não conseguem compreender.

Aos poucos, as palavras se tornam cheias de significado e com elas se formam frases cada vez mais completas, que conduzirão informações, desejos, sentimentos, pensamentos, regras a serem seguidas, para que sejam possível a convivência e o estabelecimento das relações.

Aos dois anos de idade a criança aprende a dizer “não” e esta será a resposta mais provável para tudo que for perguntado. Depois, o vocabulário vai aumentando até chegarmos aos famosos “porquês”, “como”, “onde”?

A criança chama: “pai, mãe” e lá vem o frio na barriga “o que será que vai perguntar desta vez?”

O importante é compreendermos a função desta frase, já que qualquer que seja a pergunta, não requererá extensas explicações. Algumas vezes a criança deseja somente obter uma informação, outras vezes, confirmar algo que já sabe. O principal é sentir-se atendido, cuidado, considerado. Ouvir mais de uma vez a mesma resposta também traz alguma segurança. Uma criança que mudará de endereço precisa ouvir muitas vezes que seus brinquedos irão com ela. Afinal, ela não pensa como nós!

O que precisamos considerar quando as crianças perguntam? A pergunta em si, o que elas desejam saber pontualmente, mesmo que do nosso ponto de vista a resposta pareça incompleta. Se sentir necessidade, a criança fará outras perguntas. Na dúvida sobre a questão, tente compreendê-la melhor. ”Você está falando disto? Onde ouviu isso? Para eu te responder, preciso saber o que fez você pensar sobre isso”

Enfim, o importante é responder. Esquivar-se das perguntas só gera ansiedade e até insegurança. Se o adulto de referência não responde, a criança continua perguntando para outras pessoas. Então, melhor que sejamos estas referências que acompanham as curiosidades e pensamentos de nossos pequenos, que vivem em permanente exercício a fim de compreenderem a nossa sociedade e as relações de modo geral.

Deliciosos encontros entre crianças e adultos.

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Por Paula Tonetto e Dayane Monteiro (Professoras de Grupo 2)
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No G2, com os pequenos de 4 anos, temos uma unidade de trabalho chamada “Profissões”, por meio da qual  eles têm a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o universo adulto.

Na primeira etapa do trabalho entrevistamos os profissionais que fazem nossa escola acontecer. Observamos fotos de diversas pessoas trabalhando, discutimos o que as crianças sabem sobre elas e depois visitamos esses profissionais em seu local de trabalho (o que se configura uma verdadeira aventura para nossos pequenos, pois conhecem espaços antes não explorados!), listamos o que despertou curiosidade e gostariam de descobrir, e, por fim, realizamos entrevistas com aqueles que atuam mais próximo às crianças.

Outro objetivo que temos nessa etapa, é que as crianças desnaturalizem algumas situações. Por exemplo, elas chegam todos os dias e encontram a nossa sala limpa e organizada, ou então veem sempre o jardim cheio de plantas e bem cuidado, e acabam ficando sem saber ou não se dão conta do trabalho que acontece para que essas coisas estejam desse jeito. Assim, quando começam a receber em classe estes profissionais e os entrevistam, além de conhecê-los no âmbito pessoal, as crianças têm a oportunidade de conhecer suas funções e passam a valorizar ainda mais o trabalho que realizam. Há também um estreitamento de vínculo, mais respeito e uma melhor aceitação das regras de convivência. Colaborar com o trabalho desses profissionais passa a ser mais tranquilo para nossos pequenos. Aliás, é uma graça vê-los cumprimentado o porteiro, o jardineiro, a auxiliar de limpeza, a bibliotecária, chamando estas pessoas pelo nome.

Na segunda etapa, conhecemos a profissão dos pais de nossos alunos. “O que será que meu pai e a minha mãe fazem enquanto eu estou na escola?” A ideia é esclarecer um pouco essa questão. Queremos ampliar o conhecimento de mundo das crianças e, além disso, enriquecer as possibilidades de jogo simbólico (o faz de conta). Mas, acima de tudo, pretendemos passar momentos agradáveis na companhia dos pais de nossos alunos.

Todos os pais são esperados com grande ansiedade! Marcamos no nosso calendário o dia de cada um vir à escola e, literalmente, contamos os dias. Para a criança que recebe o próprio pai ou a própria mãe é um dia tão especial quanto o aniversário! É uma situação onde todos saem ganhando. As crianças passam a conhecer os pais dos colegas e entram em contato com realidades nunca antes imaginadas (imagina que demais conhecer uma mãe que é pesquisadora e trabalha com ratinhos de laboratório ou um pai que é chefe de cozinha, ou, ainda, um engenheiro químico que realiza uma experiência na frente de todo mundo?). Os pais, por sua vez, têm a chance de entrar na sala de aula do filho e conhecer também um pouquinho mais do que acontece no dia-a-dia da escola.

E as relações entre os pais e as crianças não se encerram no dia da visita. É muito gratificante, tanto para nós, professoras, quanto para os pais, poder notar, nas horas de entrada e saída, as crianças reconhecendo os adultos que aparecem para buscar seus filhos, cumprimentando-os e comentando “Lembra quando você veio aqui e mostrou aquela bola grandona e deixou a gente sentar em cima?”, ou “Eu lembro do dia que a gente cozinhou junto, foi muito legal!”.

Tem uma profissão muito cabeluda ou não acha jeito de apresentá-la numa maneira fácil para as crianças? Não tem problema, é possível também apresentar um hobby. Fazemos de (quase) tudo para que não se perca essa chance única de aproximar pais e filhos num ambiente tão importante e próprio da criança como a escola.

Criança também pesquisa.

Por Alessandra e Anelise (Professoras de G2 e G3)

Pesquisar é algo que faz parte da vida do estudante e, mais adiante, também da vida profissional. Além de favorecer aprendizagens, instiga o interesse e a curiosidade. Por isso, desde a educação infantil, é possível que as crianças exerçam o papel de “pesquisadoras”, mesmo que não tenham ideia de tudo que estão aprendendo enquanto estão apaixonadas por um tema e ávidas por descobrir cada vez mais coisas sobre ele.

Nas classes de Grupo 1 (3 anos) a Grupo 3 (5 anos), no segundo semestre, são propostas situações de pesquisa. Na maior parte das vezes, o assunto tem relação com o mundo animal, por conta do interesse dos pequenos. Assim, emprestamos este tema da Biologia, para ter a possibilidade de pesquisar em fontes variadas. Geralmente os recortes são “Animais e seus filhotes”, “Animais do fundo do mar” e “Animais da fauna brasileira”.

Claro que as crianças ganham muito em termos de conhecimento de mundo, mas ganham mais ainda em relação às Práticas de Linguagem (leitura, escrita, oralidade). Passam a compreender a função dos índices; refletem sobre as fontes, na etapa em que estamos selecionando o material de trabalho; escutam a leitura de um trecho de texto em busca de informações pontuais; aproximam-se de vocabulário específico; apreciam imagens (estáticas e em movimento) para nelas identificar informações; produzem desenhos e escritas para registrar o que aprenderam ou o que mais gostaria de saber; comunicam aos colegas de salas e de segmento os dados que conseguiram obter, entre outras coisas.

Se no Grupo 1 (3 anos) o desafio é principalmente a leitura de imagens e acompanhar a professora na seleção de fontes e na leitura de trechos de textos, no G3, se fazem perguntas sobre a presença de mapas, do conteúdo de legendas, do propósito de determinadas ilustrações, referem a presença de subtítulos para ajudar o leitor a localizar mais rapidamente as informações, entre outras coisas. Além disso, eventualmente, são convidados a uma reflexão sobre o sistema de escrita. Não dependem apenas da leitura e da escrita realizada pelo professor. Nas suas interações com os materiais de pesquisa e com os pares, também lêem por si mesmos, refletem sobre onde pode estar escrito determinada palavra (ONÇA PINTADA, por exemplo), apoiando-se em conhecimentos que já têm do sistema alfabético, como a letra inicial ou a relação entre parte da palavra procurada e o nome de algum amigo; alguns conseguem identificar com tranquilidade um dado numérico em meio a outros símbolos, e depois anotá-lo. Tudo isso sem necessariamente saber ler e escrever de forma convencional.

Por tudo isso e começando pela grande curiosidade característica de crianças desta faixa etária, se justifica este trabalho. Podem ter certeza, elas ganham muito com tudo isso.

As escolas na mira dos pais.

Por Dayse Gonçalves – coordenadora pedagógica da Educação Infantil

Todas as escolas, no início de segundo semestre, estão às voltas com o recebimento de reservas de vaga, e com a apresentação de seus projetos pedagógicos para novas famílias e novos alunos. Bem, nem sempre a preocupação é com a apresentação do projeto, falar dele, dizer o que se faz e porque se faz. Em muitas escolas a situação é quase o inverso: são elas que escolhem os alunos que desejam receber, portanto são os pais que estão fazendo um grande esforço para apresentar seus filhos, inclusive já nesta idade.

 O título talvez não seja bom, admito, porque não nos sentimos na mira quando estamos diante de um coletivo de pais enquanto apresentamos o projeto pedagógico nesta época do ano. Como o nosso segmento – o da Educação Infantil – tem a idade da escola, é confortável falar sobre o que fazemos, sobre os princípios e valores que presidem nosso projeto, sobre o dia a dia e as rotinas por aqui, sobre aspectos do currículo e, por que não, das didáticas específicas. Afinal, acreditamos ser importante compartilhar o máximo de informações sobre o tipo de educação que acontece por aqui.

Obviamente conhecemos tudo o que a mídia publica nesta época do ano.  E compreendemos, naturalmente, a necessária preparação dos pais para o encontro com coordenadores de escola. Quando se quer tudo e o melhor, as perguntas versam sobre os mais variados temas, afinal, queremos alunos/filhos bem preparados academicamente, mas que sejam também pessoas sensíveis e criativas, que saibam se relacionar, que tenham uma boa autoestima e, para algumas famílias, que estejam preparados para o mercado de trabalho, que é “implacável”, para utilizar um termo que sempre aparece.

De nossa parte, certamente esperamos formar e preparar bem nossos alunos, e esperamos mais: esperamos que possam contribuir para mudar o mundo, inclusive o mundo do trabalho, com suas competências, habilidades, e com uma visão de sociedade melhor que a dos homens e mulheres deste mercado de trabalho implacável. Por que não?

Por fim, uma platéia de pais de crianças pequenas é sempre muito interessante e diversificada. Há os que estão buscando “a melhor escola” para seu primogênito e, obviamente, gostariam de acertar “de primeira”, e há os que já criaram filhos de uma primeira união, e a quem a experiência também já mostrou que entre uma boa escola e as boas intenções dos pais, há o próprio filho, com sua personalidade, com suas potencialidades e suas dificuldades, que também vão determinar o maior ou menor grau de sucesso na vida escolar.

De qualquer forma, sabemos que o mais importante, neste momento de tomada de decisão, é reconhecer que escola e família devem compartilham critérios educativos. Esta é, sem dúvida, a primeira condição. Depois, feita a escolha, deve-se apostar na construção do conhecimento mútuo, de um vínculo de respeito entre família e escola, e numa boa comunicação. Refiro-me a entrevistas individuais, reuniões de pais, relatórios, comunicados e outras notícias do trabalho veiculadas através de outras mídias. E, para finalizar, acredite: uma escola bem intencionada fará de tudo para divulgar como concretiza suas intenções educativas.

Os avós visitam a escola de seus pequenos netos.

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Por Dayse Gonçalves

Na Educação Infantil, segmento onde as crianças são, na sua maioria, acompanhadas por adultos à hora da chegada e da saída, observamos que muitos avós contribuem de forma muito ativa na organização da rotina das crianças (e, porque não dizer, de seus pais!). Não é incomum observarmos netos e netas comemorando a chegada do avô ou da avó (ou de ambos) no final do período em determinado dia da semana. Ouvi ao longo de todo o Grupo 1 um menininho dizer, há alguns anos: “Hoje é dia do meu avô Zé vir me buscar!” E era sempre emocionante o encontro entre os dois. De onde estivesse vinha para encontrar, de braços abertos, o vovô Zé. Saía no colo – apesar de já bem crescidinho – mas estava justificado porque aquele colinho era uma extensão do abraço que tinha só começado no momento do encontro.

O vô Zé, pelo que sei, ainda vem uma vez por semana (e já está no seu quarto ano de EV), mas há os que têm uma participação ainda maior na vida dos pequenos, se responsabilizando por trazê-los ou buscá-los mais dias na semana. Outros, ainda, gostariam de ter esta chance, mas vários fatores os impedem. Mas têm ao menos a oportunidade de vir num dia muito especial à escola: o dia em que a turma de G1 os recebe para uma boa conversa sobre seus tempos de criança. Então os avós têm o seu dia nas turmas de Grupo 1. Cada dia vem uma avó ou um avô. Ou ambos, se forem avós do mesmo neto.

Agora no segundo semestre há um cronograma de visitas agendadas, com promessas de conversas sobre os mais variados temas: brincadeiras de infância, histórias preferidas, lanches inesquecíveis, lembranças de brinquedos, jeitos de se vestir para ocasiões especiais, a entrada na escola, as fantasias que vestiam, os lugares que frequentavam ou que visitavam nos passeios em família, o cinema na sua época, canções nunca esquecidas, etc.

Para nós, que desenvolvemos esta Unidade de Trabalho há muitos anos, é muito interessante e também muito gostoso acompanhar como avôs e avós, com seus relatos, fotos e objetos de época, vão se apresentando às crianças pequenas. Melhor, vão apresentando um tempo diferente do das crianças, e com isso as crianças vão fazendo incríveis descobertas. Isso mesmo, descobertas!

Outro dia, por exemplo, ouvindo uma mãe comentar de uma brincadeira de infância da avó, ouvi uma criança de três anos comentar de volta que não sabia que sua avó tinha sido criança. Não é uma graça? O pensamento infantil é muito interessante. Para os pequenos, tudo sempre foi como se apresenta para eles neste momento. Das pessoas às formas de viver e de se relacionar. Por essa razão este convívio intergeracional é tão importante. Aprender que se aprende sobre um tempo passado ouvindo um depoimento, um relato, ou, ainda, conversando sobre uma imagem ou objeto de época.

Lembro-me de uma vez também, em que uma avó enviou para a escola, atendendo às solicitações da professora da neta, fotografias de quando era pequena. Foi um momento mágico para a neta, para a professora e para seus amigos! Todos os colegas, inclusive a própria criança, diziam ser aquela foto da menina. Então a professora conversou com eles sobre um outro possível tipo de herança que costumamos recebemos de nossos avós: a semelhança física!

Dentre tantas descobertas maravilhosas por parte dos pequenos, há ainda a magia que o encontro representa para os próprios avós. É sempre com gosto e empenho que se preparam para vir à escola. Poder relembrar passagens gostosas da infância, poder abrir seus guardados (memórias concretas e imateriais) para compartilhar com os pequenos… Do lado dos pequenos, a surpresa de reconhecer no “lenço atrás” o corre cotia ou o pato pato ganso que brincam hoje, ou em saber que não havia muitas fantasias que existem hoje, e nem que não eram usadas no dia a dia. Em compensação, havia outras coisas muito legais com que meninos e meninas se divertiam.

Dentre as muitas razões para manter este trabalho nas turmas de G1, a principal talvez seja mesmo essa: a de reconhecer no nosso presente o passado de nossos avós. E de se reconhecer neles e de reconhecê-los em nós.

A difícil arte de aprender que na vida há momentos de tristeza.

“Fiz ela na casa dela, brincando, porque ela ia gostar” – Fonte: Mural Grupo 3A

Por Daniela Munerato e Dayse Gonçalves – Coordenação da Educação Infantil

Sexta-feira, dia 2 de setembro, perdemos nossa querida aluna Julia Macedo, do G3A. Uma menina que vivia sempre fantasiada, que adorava ser princesa. Uma das últimas boas lembranças que temos dela é a carta que escreveu para a turma dias antes de falecer. Nela, contava sobre a festa de aniversário de princesas que seus pais tinham preparado para ela. Numa das passagens dizia que em vez de ter ido à Disney, a Disney tinha vindo até ela.

E foi essa a imagem que ficou da Julia para as crianças: a imagem de uma menina princesa, que gostava de brincadeiras simbólicas envolvendo fantasias, bonecas e bebês, casinha e comidinhas, tudo muito delicado, como ela própria era.

No mural de despedida e de homenagem à companheira querida podem-se ver muitas referências a esse universo.

Trabalhar na construção deste mural foi muito importante, porque ajudaria as crianças a compreenderem que a relação com a colega não acabaria ali. Mas tínhamos uma dúvida: e se nem todas as crianças quisessem participar? Afinal, as crianças lidam de um jeito muito diferente dos adultos nestas situações. E podia ser também que ao longo dos dias algumas manifestassem alteração de humor. Algumas poderiam sentir raiva, poderiam ficar mais agitadas, voltar a fazer perguntas… Era preciso lidar com isso. Esperávamos também que ainda que sentissem tristeza, certamente iam querer brincar e se divertir, porque é brincando também que a criança aprende sobre a vida. Sabíamos que era importante ensinar a elas também que não existem normas no que diz respeito a sentimentos. Que não existem sentimentos bons ou ruins.
Todos os colegas de turma quiseram participar. Então o mural ficou ali, num lugar escolhido por todos. Sabíamos que ele nos ajudaria a construir um outro tipo de vínculo com a amiga Julia. Ele nos daria a oportunidade de conversar sobre saudade, além de nos ajudar a ter boas lembranças, que guardaríamos como pequenos tesouros em nossos corações.

E foi assim que começamos a semana, com grandes desafios a enfrentar: o primeiro deles era o simples ato de receber as crianças. E se nos emocionássemos? Era preciso lembrar de tudo que já tínhamos lido e das orientações recebidas da Dra. Maria Helena Pereira Franco, que foi um porto seguro para nós nos últimos meses, e que nos ensinou que se acontecesse de nos emocionarmos, estaríamos ensinando às crianças a lidar naturalmente com seus próprios sentimentos. Sabíamos também que elas chegariam com o que tinham para expressar e perguntar. Isso mesmo, perguntar. As crianças lidam com a morte de um jeito muito diferente do adulto. São curiosas e desejam compreender o mundo e os acontecimentos à sua volta. Seria preciso responder às perguntas de forma simples, mas com honestidade, não utilizando metáforas. E, por último, o desafio de marcar este momento de tristeza que o desaparecimento de Julia representava para nós, e por essa razão a rotina não podia ser a mesma de todos os dias, ainda que soubéssemos que enfrentando este tipo de situação e dando vazão à nossa tristeza, sentimos também necessidade de nos distrairmos, como já foi dito. Então nos permitimos demorar um pouco mais na oficina de Arte do que de costume, escolhemos juntos uma brincadeira para realizar. E alguém teve a idéia de escolher uma das brincadeiras preferidas da Julia para realizarmos naquele dia. E foi assim que ficamos todos muito juntos no dia do reencontro.
A experiência de perder seres queridos – como Matheus e Julia – é terrível mas traz alguns aprendizados. Aprendemos um pouco mais sobre como lidar com nossas emoções, com nossos sentimentos, sobre como tratar do tema com nossos alunos, com crianças pequenas, e que a morte é parte integrante da vida.

Queremos concluir este post com um agradecimento especial aos pais das crianças do G3A e do G3Bm, e em especial à Priscila e Nícolas, que demonstraram tanta solidariedade e ofereceram tantas formas de ajuda.
Queremos agradecer também aos professores da Educação Infantil: em especial à Mariana Mas, por sua coragem e sensibilidade, ao Vicente, à Marisa, à Regina e à Lili, dentre outras coisas por terem aguentado firme, conseguindo ser e fazer o que era preciso durante este tempo.

Por último, queremos incluir aqui a colega Joana e seu marido Rodrigo – pais da princesa Julia -, que junto com os outros pais, confiou em nós e a nós seu pequeno tesouro, e que tanto nos ensinaram.

 

“Acabei!”

Por Fernanda Issa e Tucha – Professoras da Educação Infantil

É comum que as professoras de Educação Infantil ouçam esta exclamação ao longo do dia, vinda de alguma porta fechada do banheiro.

Na Educação Infantil, os alunos de G1 e G2 são sempre acompanhados ao banheiro por algum adulto (professoras ou monitoras). Nestas situações, nosso papel é de orientar e auxiliar as crianças para que façam uso adequado daquele espaço, pois ainda não temos banheiros automatizados: os assentos dos nossos vasos sanitários não sobem e descem sozinhos, é preciso um pequeno apertãozinho para que a descarga seja efetuada e, o mais incrível de tudo, não existe uma “mão mágica” com papel higiênico bem dobradinho para limpar os bumbuns mais fofos jamais vistos!

Cabe então a nós, professoras, ensinarmos aos nossos pequenos todas estas tarefas para que possam, progressivamente, serem cada vez mais autônomos ao usarem o banheiro e, dentre todas estas, limpar-se sozinho é de fato a mais desafiante.

Ao ouvirmos “Acabei!”, costumamos auxiliar os alunos de G1 e G2 verbalizando todas as nossas ações enquanto atuamos, e no caso dos alunos de G3 estas são executadas pelas próprias crianças, com nossa supervisão, orientado-as verbalmente do lado de fora da porta do banheiro. Dizemos assim: “Vou pegar primeiro um pedaço de papel, nem muito grande, nem muito pequeno; depois vou passar no seu bumbum e jogar no lixo; vou pegar outro pedaço de papel do mesmo tamanho e fazer a mesma coisa, até o papel sair limpinho. Pronto! Papel limpinho, bumbum sem cocô”!

E com isso esperamos que aprendam mais este procedimento, aprendizado de grande importância agora que estão com quase seis anos de idade. Portanto, que tal experimentarem também em casa o passo a passo para um bumbum limpinho, investindo neste importante conquista?