A oralidade posta em prática: participação de alunos do 8º ano no 3º ICLOC Jovem

Por Juliana Giannini, professora de LPL do F2 

Aconteceu, no dia 7 de outubro, a terceira edição do ICLOC Jovem, congresso organizado pelo Instituto Singularidades que tem como objetivo a divulgação de trabalhos e projetos realizados por alunos do Ensino Fundamental 2, Ensino Médio e graduação. A proposta, segundo o instituto, é valorizar produções que tiveram impacto nos âmbitos da ética, da política e da educação, tanto dentro como fora de sala de aula. 

Escola da Vila
Os alunos Davi Manzini, Tiago Soriano, Maria Fernanda Almeida e Gabriela Fernandes apresentam o trabalho “O desastre da publicidade brasileira: o sexismo nas peças publicitárias

Dentre os diversos grupos, das mais variadas instituições de ensino de São Paulo e de outras cidades do Brasil, dois grupos de alunos do 8º ano da Escola da Vila se apresentaram no ICLOC. O primeiro grupo, formado pelos alunos Davi Manzini, Gabriela Fernandes, Maria Fernanda Almeida e Tiago Soriano, apresentou o trabalho “O desastre da publicidade brasileira: o sexismo nas peças publicitárias”, que foi produzido no primeiro trimestre deste ano, nas aulas de Língua Portuguesa e Literatura, como resultado do Projeto Publicidade. Em uma mesa cujo tema central era a reflexão sobre a publicidade e as suas consequências éticas e políticas na formação do sujeito, eles tiveram a oportunidade de dialogar com outros alunos, bem como com outros projetos didáticos e conhecer semelhanças e diferenças nos estudos realizados nas diferentes instituições de ensino. Além disso, a habilidade de conseguir falar em público e organizar um discurso propriamente oral, um dos objetivos de formação no âmbito das práticas de linguagem que faz parte do percurso escolar desde bastante cedo na Escola da Vila, foi colocada em prática, mas dessa vez para um público externo.

Escola da Vila
As alunas Yolanda Monaco, Rosa Hellmeister e Alice Vilas Boas apresentam o trabalho “Reflexões sobre a obra Capitães da Areia”

Diferentemente do primeiro grupo, o segundo, composto pelas alunas Alice Vilas Boas, Lorena Schaeffer, Rosa Hellmeister e Yolanda Monaco, apresentou o trabalho “Reflexões sobre a obra Capitães da Areia”, produzido especialmente para o congresso. Ao longo do primeiro e do segundo trimestres, a leitura e as discussões sobre o romance de Jorge Amado foram frequentes e resultaram na produção de um trabalho escrito, autoral, sobre um dos temas principais que se desenvolvem na obra. Para o congresso, as alunas se reuniram e elaboraram uma apresentação que expôs o percurso do trabalho com o livro, tanto em sala como em casa, tal como introduziu as suas próprias análises e interpretações. Em uma mesa sobre Literatura, a reflexão sobre um dos clássicos da literatura brasileira possibilitou conversas bastante interessantes a respeito das obras contemporâneas e, também, sobre os rumos ou as perspectivas para o ensino da Literatura nas escolas. Novamente, os desafios que envolvem a preparação de um discurso fundamentalmente oral e o intercâmbio com um público externo à escola se colocaram como situações de aprendizagem muito significativas. 

A experiência certamente foi engrandecedora, tanto para os alunos quanto para aqueles que estavam assistindo. Professores, coordenadores, pais e até mesmo colegas tiveram a oportunidade de ver os alunos e as alunas apresentando falas coerentes, bem fundamentadas e envolventes, que, sem dúvida, provocaram reflexões e debates aprofundados sobre esses temas, tão diversos, mas ao mesmo tempo tão importantes para o pensar sobre a escola e a sociedade brasileiras. 

Concurso culinário e experimentação de saladas: dos estudos à ação

Escola da VilaEscola da Vila
Vencedores do concurso culinário: Caio Marcondes de Barros, Catarina Miranda Almeida, Luiza Gregori Tokita, Sofia Maria Rechi Aguiar, Juliana Ogihara Greco e Lívia Maria Papolo Colombero.

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Por Elaine Occhialini e Celina Moraes

Como anda a alimentação de nossos adolescentes? O estudo de Alimentação e Saúde dos 8ºs anos possibilitou aos alunos fazer uma reflexão sobre seu consumo alimentar perante suas necessidades nutricionais, isto é, se dar conta do que comem e quanto comem e avaliar se o que consomem atende ao que um adolescente necessita em termos nutricionais e energéticos. Os alunos registraram todos os alimentos consumidos, em medidas caseiras, ao longo de uma semana, incluindo os horários de consumo, e depois quantificaram em porções para realizarem comparações a partir de parâmetros dados pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Organização Mundial da Saúde.

Algumas tendências que são observadas na alimentação dos adolescentes brasileiros (como aquelas relatadas na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, PeNSE) também puderam ser constatadas entre muitos de nossos alunos, como o baixo consumo de verduras e legumes, a diminuição no consumo de feijões e leite e um aumento significativo (para nosso público) no consumo de doces, especialmente em versões industrializadas, como bolachas e chocolates.

Aqui cabe uma reflexão sobre a organização do dia alimentar dos nossos alunos. Ao analisar os registros alimentares produzidos, verificamos que muitos não planejam as refeições para atender satisfatoriamente suas atividades e necessidade nutricionais: ainda é frequente que muitos venham para a escola sem café da manhã assim como também destinam pouco tempo para o consumo de uma maior quantidade de alimentos na hora do almoço.

Para ajudá-los a enfrentar as barreiras que cada vez mais corroboram com esse preocupante quadro alimentar, realizamos duas atividades diferenciadas nas quais os alunos puderam vivenciar aspectos mais subjetivos e sensoriais relacionados à alimentação: a experimentação de saladas e o concurso culinário de lanches. O concurso já acontece há alguns anos, cada vez com maior adesão dos alunos, mas a experimentação de saladas foi a novidade da vez.

Como observado nos registros alimentares, legumes e verduras continuam sendo os grupos de alimentos menos consumidos pelos adolescentes. Como são alimentos que oferecem uma quantidade menor de calorias, os adolescentes buscam “matar a fome” com alimentos mais energéticos e de baixo valor nutricional, como chocolates, doces, sucos adoçados e refrigerantes. No entanto, consumir regularmente verduras e legumes é extremamente relevante, visto o fornecimento de fibras, vitaminas e sais minerais proporcionado por esses grupos de alimentos.

A aula de saladas foi desenvolvida para estimular a experimentação de alimentos dessa ampla categoria, com a oferta de alface, rúcula, tomate, cenoura, brócolis e pepino. Nesse dia, os alunos também foram convidados a preparar molhos variados para temperar suas saladas: o clássico de limão, azeite e sal, outro de coalhada seca e hortelã, um de mostarda e mel e outro ainda com shoyu.

O resultado foi surpreendente! A maioria dos alunos mal se continha para começar o ataque gastronômico! Vários alunos experimentaram alimentos que achavam que não gostavam, outros se aventuraram nos diferentes molhos para buscar novos sabores, havia aqueles que incentivaram os colegas a provar suas combinações favoritas… Vamos deixar que nossas alunas Manoela e Lorena apresentem um pouco mais essa experiência:

Percebemos, assim, o quanto é importante manter a experimentação de novos alimentos mesmo para essa faixa etária e evidenciamos como é possível estimular o consumo de verduras e legumes com medidas simples, como a oferta de novos temperos.

O concurso culinário foi também um grande sucesso! Entre tortas, sanduíches e barrinhas de cereais tivemos 23 preparações, resultado do empenho de 45 entusiasmados cozinheiros! Fomos mais uma vez presenteados com muitas gostosuras e animação. Na defesa de seus pratos, relatos dos testes, da busca de receitas, das histórias de família e das preferências individuais. Ao final, o compartilhamento com toda a classe do resultado de seus talentos culinários. Nosso distinto grupo de jurados contou com a participação de alunos de cada turma (vagas disputadíssimas!), professores queridos (mais disputas!) e a presença ilustre do chef Caio Carbognin em algumas das classes. Aproveitamos este espaço para mais uma vez agradecer essa participação tão especial!

É difícil descrever o quanto essa atividade envolve os alunos e contribui para que explicitemos a alimentação como algo complexo, que envolve não apenas a composição nutricional de cada alimento, mas também afeto, memória, técnicas e muito mais. O apoio e o incentivo das famílias são também um ingrediente essencial nesses pratos. Que nossos adolescentes sigam se aventurando na cozinha e buscando uma alimentação saudável, saborosa, compartilhada com amigos e cheia de histórias.

Sobre eventos, celebrações e Brasil

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

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Por Eliane Mingues, formadora dos professores de F1 da Unidade Granja Viana

Ao final de um evento, seja ele qual for e onde for, lá no fundo, nos vem uma sensação boa de dever cumprido, já perceberam? Dever que é quase um aliado da obrigação e muitas vezes tão comum, quando falamos de instituições. Só que, na verdade, quando o evento é mais do que um dia na agenda, essa sensação não é de dever, mas de satisfação – porque tudo deu certo.

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

E aqui vale um parêntese, o que é dar certo? Como andam nossas métricas de sucesso e perfeição? Com nossos dias corridos e exigências cada vez mais acirradas, estamos conseguindo valorizar o que de fato importa? É nessas horas, no depois, que temos que colocar reparo: o que é perfeito? Perfeito para quem?

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

Os eventos, aqui na Escola da Vila, são grandes parceiros dessa minha reflexão. Isso porque eles não são seus, nem meus, nem de ninguém, mas, sim, de cada aluno e de suas emoções e empenhos ali depositados. A partir de cada um é que chega até nós a celebração daquilo que eles fizeram, puderam e conseguiram, numa partilha solidária que só as a crianças sabem prover.

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

O “Um Pouquinho de Brasil”, realizado no último sábado na unidade da Granja Viana, foi mais um evento que deu certo. Emocionou quem esteve presente porque pudemos sentir cada depósito de atitude e comprometimento dos alunos com aquele dia. Sua duração, das 10h às 14h30, foi apenas um instante para celebrar com eles uma festa que começou muito, muito antes. No pensamento conjunto entre professores e alunos sobre as oficinas, na preparação de cada trabalho, no empenho de sua preparação e montagem, nos sons e nas formas que queríamos contar a respeito do nosso país, esse tal Brasil que anda atribulado ultimamente, assim como todo o restante do mundo, de certa forma.

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

É que, “Um Pouquinho de Brasil”, uma tradição na Vila, é o reconhecimento autêntico do nosso espaço na rica cultura popular brasileira que nunca pode ser abandonada pelo lastro da globalização. A gente sempre celebrou o Brasil por aqui, e construindo esse pensamento com nossas crianças e jovens, preservamos um orgulho que passa pelo reconhecimento do que temos de melhor, mas também de pior, para corajosamente ampliarmos o bem ou contribuirmos verdadeiramente com as mudanças necessárias.

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

Cada lantejoula costurada no painel da entrada, cada colagem do nosso lambe-lambe comunitário para a fachada da escola, cada família participante, cada som do tambor na apresentação do grupo Tiquequê, cada olhar curioso perante as tecnologias que convivem, e muito bem, com as tradições, cada olho no olho dos nossos alunos, cada qual, cada um, cada ação individual e coletiva dessa festa nos encharca de vida boa, fica na memória e faz jus aos dias que buscamos para o futuro das nossas crianças.

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

“Um Pouquinho de Brasil”, aqui na Granja, ainda nos deu a conhecer outras situações especiais de outros projetos desenvolvidos durante o primeiro semestre, e assim pudemos adentrar outros cenários e conhecer os répteis e animais do fundo do mar, o museu da família, que este ano foi todo organizado pelos alunos, e a exposição dos anos 60 e 70, que retratou toda a pesquisa e o estudo sobre esse tão conturbado período da nossa história.

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

E depois de sair tão nutrida por tantas e tantas coisas lindas construídas pelos alunos, tudo o que foi possível sentir ali naquele sábado de sol foi: que bom que somos brasileiros. Que bom que decidimos estar juntos. Que bom que escolhemos partilhar esse momento. Que bom que vocês foram lá para ver os alunos da Escola da Vila cuidando do patrimônio do nosso país.

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

Que bom que tudo deu certo. E que bom, sendo assim, ter sido perfeito entre os seus diferentes e os seus iguais.

Dever cumprido! Ou melhor, mais um ano de grande satisfação.

Iqbal e o direito de ser criança

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Por Fernanda de Lima Passamai Perez

Em quase 7 anos de existência, o Vilalê, clube de leitura, leu diversos títulos que despertaram discussões acaloradas e sensibilizaram o grupo, mas nenhum como Iqbal.

Ao se propor o título, havia um desafio para além da linguagem, havia um fato real: o assassinato de uma criança. Iqbal, garoto paquistanês cuja história serve como fio condutor da narrativa, foi entregue pela família ainda muito pequeno para trabalhar como tecelão em uma das inúmeras tapeçarias de seu país, sem qualquer direito. E, diferente das muitas outras crianças que trabalhavam em situação semelhante, Iqbal não deixou de sonhar, não se rendeu ao destino que traçaram para ele.

A saga do garoto franzino e sorridente tornou-se conhecida mundialmente. Ainda que tenha tido sua vida abreviada, Iqbal deixou um legado. Esse legado inspirou desde a construção de escolas no Paquistão, bem como prêmios: Iqbal Masih Award for the Elimination of Child Labor e WORLD’S CHILDRENSPRIZE, entregues àqueles que combatem a escravidão infantil no mundo.

A empatia dos integrantes com esse personagem foi intensa. Embora A história de Iqbal seja uma ficção, ela é baseada em fatos reais, infelizmente. No decorrer da leitura, o grupo foi refletindo e tomando conhecimento de que esse cenário não era exclusividade de um longínquo país asiático. Mesmo aqui no Brasil havia crianças e adolescentes que trabalhavam em condições não favoráveis ao seu desenvolvimento, o que, de certo modo, impede o acesso delas à educação. Iniciou-se então uma série de questionamentos a respeito da falta de direitos dessas crianças, principalmente o direito de SER criança. Foi então que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) apareceu nas discussões. Mas o que é ECA? Por que a elaboração de um estatuto para garantir direitos às crianças? Criança tem direito? E se ela for pobre não pode trabalhar para ajudar a família?

Para responder às inquietações e curiosidades dos integrantes, em nosso último encontro, dia 23 de junho 2017, o Vilalê recebeu a visita de Francisco Bodião¹, mais conhecido como Chicão, orientador educacional do Ensino Médio, profundo conhecedor do ECA e ativista pelo direito à cidadania, principalmente de crianças e adolescentes – grupos bastante vulneráveis e pouco visíveis pela sociedade.

O encontro teve início com relatos dos integrantes sobre o livro e sobre a recepção da leitura por parte do grupo. Em seguida, Chicão relatou de maneira muito emocionante experiências pessoais que serviram para exemplificar a importância do ECA – que completou 27 anos no dia 13 de julho –, e seu significado para o Brasil no início da década de 1990, poucos anos depois da abertura política brasileira e com uma Carta Magna nova. Gradualmente, os presentes foram entendendo a importância de haver leis específicas, que garantam às crianças e aos adolescentes o acesso à educação, cultura e condições especiais de trabalho, com o fim de assegurar oportunidades equânimes para o desenvolvimento desses jovens como cidadãos. Entre as muitas informações que o nosso convidado compartilhou estava a de que, há 17 anos, a biblioteca Tatiana Belinky acolheu o grupo, do qual Chicão ainda faz parte, que criou o Fórum de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Butantã (FoCA), cujas reuniões acontecem mensalmente, e convidou a todos para participar da Semana do ECA – na última semana de setembro.

A história de Iqbal disparou diversas outras questões em relação a direitos para além da criança e do adolescente, a situação dos idosos no Brasil, por exemplo. Como desafio, nosso convidado propôs ao grupo buscar uma leitura que provocasse uma discussão a esse respeito. Desafio aceito!

Para finalizar, Chicão revelou um desejo: “Que a gente tenha cada vez mais dúvidas. Que a gente cada vez mais se pergunte. Que a gente não aceite de primeira qualquer coisa”.

Obrigada, Iqbal! Obrigada, Chicão!


¹Chicão Trabalhou na Pastoral do Menor da Praça da Sé.

As mil e uma noites e o dia 8 de março

Escola da Vila

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Por Priscila Demasi

No 5º ano, os alunos leem, de maneira compartilhada, o livro “As mil e uma noites”, traduzido por Ferreira Gullar. Durante a realização dessas leituras, os grupos se deparam com um contexto sociocultural que difere daquele em que estão inseridos, o que muitas vezes causa estranheza e motiva discussões acerca de outras realidades.

Este ano, quando o grupo do 5º B tomou conhecimento do papel que as mulheres ocupam dentro desse contexto literário, mostrou-se sensibilizado, alegando que essas mulheres estavam sendo vítimas de uma sociedade injusta, na qual todas as decisões e poderes se concentravam na figura masculina. Diante disso, foram questionados sobre o que achavam que seria uma sociedade justa, e surgiram descrições das mulheres com as quais convivem em casa.

“Seria justo se as mulheres pudessem trabalhar fora de casa também, porque é assim que acontece lá em casa.”

“Não é certo que só elas cuidem da casa e dos filhos, porque meu pai ajuda mais em casa do que a minha mãe.”

“Lá em casa as tarefas são divididas.”

“Minha mãe trabalha fora de casa mais do que meu pai.”

“Eles cobrem as mulheres, e acho que cada mulher tem o direito de escolher aquilo que quer usar.”

“Meu pai não manda na minha mãe. Ela sai quando quer e veste tudo o que gosta.” 

Diante dessa mobilização dos alunos, surgiu a ideia de criar um paralelo entre “as mulheres de sua vida” – contemporâneas, da cidade de São Paulo – com a realidade da protagonista do livro, Sherazade.

O intuito era que pudessem elaborar quem são essas mulheres com as quais convivem: com o que se identificam, do que gostam, o que fazem e como vivem. Ou seja, conhecer um pouco de sua identidade, ao mesmo tempo em que descobrem outras formas de viver propostas pela literatura dentro de um contexto social distinto do atual. Enfim, sensibilizar o olhar das crianças para os diferentes papéis que as mulheres ocuparam e ocupam na mesma ou em outras sociedades.

Nesse sentido, propusemos uma conversa com as crianças, sobre o “Dia Internacional da Mulher”. Para isso, promovemos um encontro com o “Coletivo Feminista” da escola, formado por alunos do 9º ano. As meninas contaram sobre como o grupo surgiu, sobre a atuação dentro da nossa comunidade escolar e também sobre o que discutem nos encontros que realizam. Além disso, trouxeram informações sobre a relevância do dia 8 de março, questionamentos acerca do papel da mulher na sociedade atual e suas lutas.

Escola da Vila

O encontro mobilizou um forte diálogo entre os alunos dos 5os e 9 os anos e possibilitou o surgimento de questionamentos e reflexões sobre o tema, além de novas possibilidades para pensar as circunstâncias próprias a cada tempo e cada cultura.

Oficinas de Matemática: encontros para além do tempo regular de sala de aula

Por Renata Akemi

Diante de um novo problema matemático, o que o aluno faz? Procura a solução com base em conhecimentos anteriores? Ou… tenta um pouco, mas logo desiste? Acredita que pode resolver o problema ou julga estar fora de seu alcance?

Nas aulas de matemática queremos que os alunos se lancem à resolução dos problemas propostos, estabeleçam relações, investiguem, discutam suas respostas com os colegas, argumentem, e se considerem capazes de produzir conhecimento matemático. Buscamos estratégias para incluir todos os alunos nesse fazer, com ações individuais e coletivas na sala de aula ou no processo de recuperação paralelo. Além disso, no contraturno, a escola oferece a Oficina de Matemática aos alunos do Ensino Fundamental 2.

Essas oficinas são organizadas com o objetivo de favorecer um vínculo positivo do aluno com a disciplina de matemática, retomar os conteúdos das séries anteriores, que ainda não foram construídos com segurança, e oferecer mais uma oportunidade de resolver dúvidas sobre os conteúdos vistos em aula.

Visando ao fortalecimento desse vínculo, promovemos atividades em que os alunos possam participar ativamente do fazer matemático e ocupem o lugar de quem vai apresentar ou explicar algo para o outro, tais como:

- resolver desafios, discutir estratégias e resoluções, produzir um cartaz para o mural da sala de aulas e, depois, inteirar-se das respostas dos colegas e analisá-las;

- ajudar alunos de séries anteriores a retomarem conteúdos;

- conhecer recursos tecnológicos interessantes para a disciplina e depois apresentar para a própria sala e atuar como monitor;

- produzir problemas que integrem orientações de estudo para as provas regulares e que serão usados por toda a sala;

- elaborar sínteses sobre os conteúdos estudados e compartilhar com os colegas esse material de estudo.

Para finalizar as atividades em 2016, os alunos da oficina de matemática produziram e atuaram como monitores de uma sala com desafios e jogos elaborados. Nossa “Sala (ma)temática” foi organizada para os alunos do 5º ano da escola.

Os alunos do Fundamental 1 participaram de um jogo de tabuleiro com perguntas sobre operações matemáticas, frações e números decimais, e pensaram em alguns desafios que consistiam na apresentação de contas incorretas que teriam de ser corrigidas com a movimentação de apenas um palito.

Ao pensar nas possibilidades de jogos e desafios para alunos menores, os alunos da oficina precisam refletir sobre os conteúdos que esses alunos já sabem, como articulá-los, quais perguntas os pequenos podem fazer e quais podem ser feitas a eles, como as respostas serão colocadas, entre outros. Além da oportunidade de os alunos da oficina ocuparem o papel do saber, de quem vai explicar, esse tipo de atividade ajuda a fortalecer os próprios mecanismos de autoavaliação, pois ao pensar em como o outro pode aprender, os alunos maiores criam ferramentas para pensar no próprio processo de aprendizagem.

As atividades que repercutem na própria sala ou em outra sala de aulas são bastante enriquecedoras para todos os envolvidos, e muito potentes para ajudar os alunos que apresentam dificuldades em matemática. Sabemos que para vincular o aluno positivamente à matemática são necessárias ações de diversas naturezas, e acreditamos que a atuação conjunta dos professores regulares e das oficinas, assim como as atividades que integram os alunos da escola constituem um caminho favorável para tal.

A tecnologia a favor do dinamismo nas aulas de inglês

Por Caroline Milan Brasilio,  Professora de Inglês – Unidade Granja Viana

As crianças estão cada dia mais conectadas. O mundo digital deixou de ser um mundo em paralelo e passou a fazer parte cotidiana da vida dos pequenos. Como podemos, então, tratar isso como uma vantagem nas aulas de inglês, tornando as aulas mais atrativas e dinâmicas, para atender às novas demandas das crianças já imersas no mundo tecnológico?

Palavras do cotidiano tecnológico de nossas crianças (download, share…) são utilizadas em inglês e já foram adotadas por elas e usadas habitualmente. Tutoriais no YouTube, filmes no Netflix, games online – o acesso a produções culturais e linguísticas do mundo todo por meio da internet; toda essa exposição ao idioma já acontece todos os dias, fora do contexto de sala de aula.

Estando nossa sala de aula também conectada com o mundo através da internet, temos então a possibilidade de explorar, de diferentes maneiras, situações de exposição e prática de inglês que tornam nossas aulas mais dinâmicas e interessantes, buscando a expansão do repertório de nossos alunos, por meio de oportunidades de contato com o idioma de formas diferentes no decorrer de seu percurso escolar.

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Nas turmas de 1º ano, a leitura da série Knuffle Bunny é seguida de vídeos, gravados pelo autor e sua filha, personagem principal das histórias, narrando o livro – situação que traz aos alunos o contato com outros falantes de inglês, além do professor. As imagens, antes estáticas do livro, ‘ganham vida’ – a identificação dos alunos com a história é imediata, e o uso do idioma é feito de forma leve e interessante para os pequenos. Além disso, em todas as aulas há contato com canções e parlendas em inglês, pelos canais online como o Super Simple Songs.

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Por meio do projeto Cartoon, presente nos cursos de 2º a 5º ano, nossos alunos assistem a desenhos animados em que o idioma é utilizado em situações cotidianas de comunicação, tendo contato com múltiplos falantes da língua. A partir dessa exposição, nossos alunos são conduzidos a analisar aspectos específicos do idioma, expressar suas opiniões sobre o material assistido em inglês e a produzir questionários que serão respondidos pelos colegas de outras séries. Esse transitar entre turmas também é um momento extremamente enriquecedor para os alunos, que têm a possibilidade de demonstrar seus conhecimentos e praticar com outros alunos que possuem experiências e contato diferentes com o idioma.

O interessante é notar que as propostas partem de situações reais de uso do idioma e possibilitam uma grande amplitude de desafios – aqueles menos experientes seguem modelos e se comunicam usando um repertório construído no projeto. Já aqueles mais experientes têm a oportunidade de explorar novos caminhos, testar seu próprio repertório e ampliá-lo ao entrar em contato com os cartoons autênticos.

A partir do Fundamental II, o dinamismo das aulas é potencializado por meio do uso de tecnologia em novos contextos. Na unidade Granja Viana, o uso de computadores pessoais nas salas de aula do 6º, 7º e 8º ano possibilita o uso e a prática do idioma em plataformas que favorecem o contato dinâmico com o professor e com material disponibilizado no Google Classroom e AVA; o uso de dicionários online, o contato com material genuíno produzido no idioma: diversas formas de exposição e prática de inglês. Por meio da escrita de e-mails para alunos de outros países no 6º ano, com a gravação de vídeos com notícias no 7º ano, na produção de um infográfico sobre a fome no mundo no 8º ano – a tecnologia apresenta aos alunos múltiplas oportunidades de contato e uso do inglês de modo dinâmico e atrativo.

Refletir e atualizar constantemente os recursos utilizados nas aulas de inglês que atendam a esse novo perfil de estudante, que por meio da tecnologia tem contato com uma gama imensa de conteúdo, que busca rápidas respostas e que tem contato com a língua em ambientes para além do contexto de sala de aula se faz necessário para que as aulas sejam sempre atuais e dinâmicas.

A configuração das salas e o trabalho interidades: a experiência das aulas de tutoria no F2 da Granja.

Por Ana Vitiritti 

Sempre que pensamos nas sequências didáticas de ensino, nós, professores, elencamos conteúdos conceituais, pensamos em atividades que possam promover a discussão na classe, temas que sejam ao mesmo tempo interessantes e estimulantes, garantindo a manutenção da aula, e que possam potencializar a aprendizagem. Mas não é só baseada em conteúdos que deverá estar a atenção do professor. Os agrupamentos produtivos e a ambientação da sala de aula contribuem para o alcance dos nossos objetivos.

Quando, premeditadamente, o professor define como será a organização da turma, sob a orientação adequada, os alunos poderão trocar nas duplas, nos trios, quartetos ou em um grupo grande de discussão. Essas trocas poderão criar um ambiente favorável à criação de hipóteses, à resolução de problemas, à necessidade de argumentação diante de um novo ponto de vista, possibilitando que os alunos coloquem em cheque suas ideias e administrem a sua própria aprendizagem.

Um aluno mais velho, por exemplo, poderá assumir um papel de mediador da discussão, poderá centralizar o registro do que foi discutido, poderá servir de exemplo para alunos mais novos. Por outro lado, um aluno mais novo, curioso e criativo poderá questionar as escolhas dos outros colegas procurando os porquês conceituais que ainda desconhece.

Nesse sentido, na Unidade da Granja temos desenvolvido agrupamentos de todos os alunos do F2 nas aulas de tutoria. Temos alunos do 6o ano, recém-chegados do F1, alunos do 7o ano, já acostumados às trocas de professores e procedimentos básicos trabalhados em sala, e alunos do 8o ano, que, com a própria diferença de idade, já possuem um grau de abstração e argumentação distinto dos menores.

Nas aulas, temos um grande tema de fundo das nossas discussões: a Mídia Digital. Estamos imersos em um mundo tecnológico, e os alunos acordam cercados pelas tecnologias digitais, vão para a escola com seus computadores e tablets, realizam as atividades também usando essas tecnologias e, quando ainda há tempo, não perdem nenhum segundo para conversar com seus amigos no snapchat ou twitter. Tema interessante e que desperta curiosidade sobre como foram os avanços nos últimos tempos. Como saímos da escrita nas paredes da caverna com corantes naturais à base de terra e chegamos a sinais de telefonia celular que, imediatamente, identificam as informações, reconhecem o local que o usuário está e, se bobear, já indicam o restaurante mais próximo?

Para a discussão desse tema, cada professor pinçou um aspecto que relaciona o tema à sua disciplina específica e às necessidades procedimentais que observa no grupo de alunos do F2 de maneira geral. Em Ciências Naturais, a necessidade de trabalhar o gênero descritivo e a escrita organizada, que representa passo a passo o que foi pensado, o que foi discutido e que retoma as ideias de causa e efeito. Em Língua Portuguesa, a necessidade de trabalhar a leitura e a interpretação de textos com um grau de aprofundamento distinto da superficialidade. Em Ciências Humanas, a necessidade de trabalhar as respostas completas, coerentes com o que foi pedido, a necessidade da interpretação de gráficos, tabelas, infográficos e esquemas. E, em Matemática, a necessidade de criar textos argumentativos que representem a resolução pretendida para a solução de problemas complexos, que envolvam cálculos simples e as regularidades da multiplicação.

Após a definição do tema, os alunos do F2 foram divididos nos grupos de trabalho mesclados e escolhidos de acordo com as necessidades pretendidas pelos professores. Em seguida, as estratégias dos professores foram criadas para atentar ao tema, atender aos objetivos específicos, levando em consideração as competências dos grupos interidades.

Diferentemente do que ocorre nos agrupamentos gerais com alunos de idades distintas, aqui eles foram selecionados com competências e habilidades muito semelhantes para que a proposta do professor pudesse ser desafiante para todos e para que no grupo exista uma ordem horizontal e eles tomem as decisões e apresentem soluções com a mesma propriedade, independentemente da série.

Essa escolha intencional teve como objetivo colocar o grupo de alunos em um mesmo lugar em relação à aprendizagem, mesmo sabendo das diferentes competências inerentes às idades. Segundo Vygotsky, a aprendizagem só se consuma quando intermediada pelo outro, e se esse outro é muito competente em relação ao o que sei, como saberei se sei ou se apenas reproduzo aquilo que é do outro? Se o outro é muito competente e eu ainda não, será que me espelho ou apenas me escondo? Se somos iguais, como faremos para resolver algo que não é de conhecimento de nenhum de nós?

As aulas começaram agora em fevereiro, e não temos ainda muitas notícias. Vamos esperar as próximas duas semanas, quando os primeiros módulos de atividades tiverem acabado para contar mais um pouco da nossa experiência com agrupamentos produtivos interidades nas aulas de tutoria da Granja. Mas algo já sabemos: o tema é interessante, e os grupos interidades trabalhando com um objetivo único no projeto poderão aprender com as diferenças e deverão saber ouvir e se posicionar de maneira clara e coerente diante de alunos que não são, necessariamente, de seu convívio diário, o que já é um ganho enorme.

Conversa entre alunos de diferentes séries e unidades: a temática do feminismo

Escola da Vila

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Por Joana Sampaio Primo

Todas as instituições (re)produzem a sociedade na qual estão inseridas; nas escolas não é diferente. Todavia, as instituições de ensino têm uma particularidade que as fortalece, a saber, o papel de transmitir para quem está sendo formado os princípios e conhecimentos acumulados num dado período histórico. Assim, se por um lado a escola reproduz padrões e valores sociais, por outro ela é um campo de permanente produção e reflexão, já que ensinar e aprender são ações construídas cotidianamente.

O feminismo – como bem abordado em post recente deste Blog – tem ressurgido com força nos últimos 5 anos, movimento que chega às escolas pela organização e reflexão de seus agentes, alunos e professores. Reconhecidamente um tema que trata das relações cotidianas, refletir sobre essa temática significa pensar o lugar de (re)produção dos homens e mulheres em nossa sociedade e, especificamente, nas escolas.

No final do ano passado, resolvemos introduzir no espaço das aulas de Orientação Educacional, da Unidade Granja, reflexões sobre o lugar da mulher em nossa sociedade. Num primeiro momento, pode parecer um assunto precoce para estudantes de 6º e 7º anos, porém vivenciávamos situações nas quais percebíamos que as alunas e os alunos (re)produziam determinados comportamentos sem refletirem sobre suas determinações.

Fizemos uma sequência de discussões com a turma. Eles se envolviam nas atividades, mas agiam como se não houvesse nenhuma relação com eles nem com suas atitudes. Instigadas por essas participações, planejamos outras estratégias.

Resgatamos um encaminhamento que faz parte de nossa prática na Escola da Vila, isto é, alunas e alunos ocuparem o papel de transmissores do conhecimento, pois concebemos que o exercício de comunicar um saber implica uma nova maneira de compreendê-lo. Trata-se, também, de uma estratégia na qual os estudantes podem ocupar outra posição em relação aos colegas e ao conhecimento, modificando o lugar de quem vai ensinar e de quem está sendo ensinado. Apostamos, portanto, que escutar um colega de idade próxima reconfigura as possibilidades de transmissão e de compreensão, aproximando alunas e alunos do que está sendo discutido.

Orientadas por esses princípios, propusemos, no final do ano passado, uma conversa entre duas alunas e um aluno do Coletivo Feminista do Fundamental II e os estudantes de 6º e 7º anos da Granja. A conversa com pessoas de outras Unidades e idades era uma forma de aproximá-los da temática e de valorizar o Coletivo que foi criado por iniciativa própria dos alunos.

Com a mediação da Orientação das unidades, combinamos com o Coletivo um dia para virem. Eles se prepararam, compartilharam um plano de aula especificando o que gostariam de discutir com os alunos da Granja, estavam animados! Por aqui, antecipamos com nossos estudantes o dia da conversa e quem viria discutir feminismo com eles, ficaram ansiosos! Na última tarde de segunda-feira do F2 antes das férias, fizemos uma grande roda de conversa e nada melhor do que acompanharmos o que aconteceu pelo relato de algumas alunas que quiseram compartilhar a experiência que viveram.

Sofia Lebrão Ferreira
Quando começamos a conversar sobre feminismo na aula de OE, fiquei um pouco sem graça e sem entender o porquê daquilo e sua importância na sociedade, porque esse assunto não é do nosso dia a dia e costume. Depois da conversa com os alunos das outras unidades, percebi que era muito mais que uma aula qualquer de OE sobre esse tema. Percebi que o feminismo é algo muito grande, e aprendi muito, acho que todos aprenderam, porque antes eram só risadas e brincadeiras sem graça, depois todos começaram a levar muito a sério e entender. E esse, eu acho, foi o ponto forte dessa conversa com os alunos, o fato de que tudo ficou mais claro, debaixo do nosso nariz, todos os dias, o tempo todo, mas não percebíamos nem sabíamos o que era. Muitos nem sabiam o significado da palavra feminismo, eu era uma dessas pessoas, mas todos nós ficamos conscientes sobre esse assunto tão comum atualmente.

Carolina Bonfiglioli Lopes
Para mim, a diferença entre escutar a temática do feminismo sendo abordada na aula de OE e na conversa com as alunas e os alunos na Unidade Butantã foi que nas aulas de OE o clima era muito tenso e sério, mas com os alunos era mais informal, e havia as atividades sobre pensar no que você brincou quando era criança, que roupas usou, e eu achei isso bem legal porque nós poderíamos pensar nas divisões que “temos” que seguir.

O que eu achei mais importante na conversa com os alunos e as alunas foi que muitas coisas foram esclarecidas e que nós pudemos ver diferentes pontos de vista (das outras unidades).

Alice Novis Rossi
O coletivo feminista de 2016 envolveu um grande processo de aprendizagem. Não só para as alunas que eram pouco familiarizadas com o assunto, mas também para as que, como a maioria do oitavo e do nono ano, já sabiam um pouco sobre o assunto.

(…)

À medida que o coletivo foi avançando, as pessoas estavam ficando mais engajadas e com um conhecimento maior sobre o assunto, chegamos aos poucos a temas mais complexos, como representatividade da mulher na cultura pop, a mulher como objeto nas publicidades, vertentes do feminismo, etc.

(…)

Resumindo, foi possível notar uma mudança no comportamento e na visão de todas as pessoas que participaram do coletivo ao longo do segundo semestre. As discussões envolveram um processo de aprendizado incrível, e promoveram um ambiente confortável para que as pessoas expressassem sua opinião (embora algumas pessoas ainda estejam em posição de ouvintes). O coletivo trouxe com ele exatamente a sensação de coletividade, uma ideia de estarmos juntas fazendo uma coisa importante para mudar o espaço escolar que também é nosso.

O coletivo feminista no Fundamental 2 e a libertação feminina

Escola da Vila-

Alguns saldos importantes do ano de 2016

 

Por Manuela Lima, aluna do 9º B (2016) 

O espaço moral cedido pela escola para nós, alunas do nono ano, organizarmos um coletivo feminista semanal, no intuito de conscientizar xs menores sobre, principalmente, igualdade e identidade de gênero, tem trazido à tona muitas questões majoritariamente a respeito dos direitos da mulher no papel, e sua diferença para a sociedade em si. É justamente esse tipo de reflexão que buscamos nxs alunxs participantes do coletivo para que elxs possam levar o conhecimento para fora da sala de aula, fora da escola.

Muitas meninas já vieram falar conosco sobre a importância do coletivo no processo de amadurecimento pelo qual elas estão passando, e sempre ressaltando o fator empoderamento. Elas corrigem comentários preconceituosos em geral, e isso está cada vez mais evidentemente presente no cotidiano do sétimo ano, por exemplo, e sem o coletivo isso talvez não estivesse tão marcado. Isso porque já discutimos a revelação do machismo desde as piadas (onde ele aparece sempre muito banalizado) até nas peças publicitárias, passando pela definição de xingamento e de ver o “ser mulher” como algo pejorativo, machismo nas músicas, esse tipo de coisa.

Tomamos muito cuidado, também, para não tratar de temas de forma extremamente radical sem apresentar dois pontos de vista, por causa dxs menores, que são facilmente influenciadxs pela nossa opinião. Assim, o coletivo passa a acrescentar muito na vida das participantes, de um jeito incrível.

Participam dos encontros meninos e meninas de todo F2. Entendemos a importância da participação de todos, uma vez que nossos objetivos são: 1) promover a sororidade dentro e fora da escola, podendo assim ajudar muitas meninas a se fortalecerem e se empoderarem; e 2) expandir nossos conhecimentos sobre a causa por meio de debates, rodas de conversa, discussões de acontecimentos, textos, vídeos, notícias etc. Assim, nada melhor do que promover um espaço aberto, que possibilite que todos adquiram maior conhecimento, consciência e a possibilidade de refletir (e transformar) relações que ocorrem no próprio cotidiano. Está dando certo! Percebemos que eles têm sido cada vez mais respeitosos e cuidadosos com algumas falas ao fazerem referências, “brincadeiras” com as meninas.

O coletivo esse ano foi espaço de libertação expressiva. Desabafos, acolhimentos, tudo de melhor. Posso dizer em nome de todo o nono ano que sou eternamente grata por poder passar as tardes de sexta-feira com tanta gente maravilhosa e que tem se empoderado cada vez mais, e levado questões e reflexões para a vida.