Jogos no Parque – momento de interação e criação de novos vínculos no FII

Escola da Vila

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Por Vera Barreira, orientação do Fundamental II

- Do que eu brinco agora?

- Não tenho nada para fazer!

- Ninguém me chama para brincar… 

Muitos de nós já ouvimos frase semelhante dita por alguma criança num dos tantos momentos de tédio e falta de opção que invadem a vida dos pequenos postulantes a adolescentes de 11 e 12 anos, não é?

Na escola, muito embora repleta de amigos e espaço, essa também pode ser uma questão: o que fazer no horário do recreio?

Os alunos do FII se espalham pela escola em atividades variadas: uns jogam bola nas quadras, outros vão para o ping-pong e pebolim, alguns andam ou sentam pelo parque para conversar com amigos, há ainda os que gostam de brincadeiras de correr, como pega-pega ou esconde-esconde.

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Mas há também muitos alunos que ficam meio perdidos nesse horário, quando todos se dispersam em subgrupos interclasses. Muitos deles preferem ficar dentro da sala, onde sempre fica uma turminha e é garantido que você não ficará sozinho, mas não necessariamente interagindo com os outros. Alguns chegam a ficar isolados, se distraem com joguinhos no celular ou ouvindo música.

Pensando nesses alunos que ainda precisam de uma mãozinha na hora da interação, da brincadeira, do bate-papo, pensando em promover novas interações a partir de atividades diferentes das já ofertadas, pensando em uma forma de combater o isolamento de alguns, propusemos aos 7os anos um projeto diferente, em que eles possam ser os organizadores, tomar decisões, sugerir e resolver as questões que aparecerem. Um projeto coletivo.

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Iniciamos na aula de OE uma conversa sobre a importância de sair da classe na hora do recreio, dar uma volta, mudar de ares, ver mais pessoas, ter um tempo de relaxamento fora do ambiente onde estudam a manhã toda. Em seguida, conversamos sobre as atividades da hora do recreio: o que fazem, o que gostariam de fazer, que outras opções gostariam de ter?

Entre o que já fazem e o que gostariam de fazer, os alunos fizeram um levantamento de novas ideias de atividades que poderiam propor nesse horário. Entre as mais citadas, e que eles próprios achavam que seria possível levar adiante como projeto comum, estava a ideia de organizar um espaço para jogar jogos de mesa, como os de baralho e tabuleiro, um lugar para ouvir música e um lugar confortável para sentar e conversar.

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Conversas, ideias, discussões nos levaram a identificar um espaço amplo na escola, com mesas e cadeiras para mais de 30 crianças e com armários para guardar jogos! Um espaço que está livre nos 30 minutos de recreio do FII! Ocupamos com caixinha de som, vários jogos e um grande tapete com almofadas! Os alunos se revezam em trios ou quartetos que ajudam a colocar os jogos nas mesas e depois recolhê-los.

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Estamos há cinco semanas colocando em prática a ideia do JOGOS NO PARQUE, projeto construído e gerenciado pelos próprios alunos do 7º ano. Rapidamente a ideia contaminou outros alunos e passou a fazer parte das opções de muitos estudantes. Há dias em que o espaço está cheio, outros, nem tanto. Num balanço que fizemos com os alunos, a aprovação do lugar foi muito alta, mesmo daqueles que só frequentam uma ou duas vezes por semana.

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“É um lugar legal, você põe música, você fica lá com pessoas, até conheci umas pessoas.” 

“Dá pra conhecer novos amigos trocando figurinhas também, é muito divertido! Dá para trazer o jogo que quiser…” 

“Eu pensei que não tinha muita coisa lá para fazer, aí fui lá pra ver e achei legal!” 

“Eu gostei muito porque é um espaço diferente onde dá para descansar, ficar com os amigos. Eu joguei alguns jogos de lá, e tem outros que eu não joguei ainda, mas eu quero jogar outros dias.” 

“Eu gostei porque tem muitos jogos e todo mundo gosta de algum, então ninguém fica parado lá sem fazer nada.” 

“Eu achei bem legal ter umas almofadas ali no canto, e tem uns jogos que eu nunca tinha visto!” 

“Eu não gosto de ficar pelo parque, prefiro ficar na classe ou na biblioteca, mas achei essa sala de jogos melhor do que ficar na classe!”

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Tudo tem corrido muito bem! O único contratempo que tivemos foi a chegada, ou melhor, a invasão do espaço por uma atividade adorada, mas extremamente barulhenta, já velha conhecida de todos: bater figurinhas! Depois de duas semanas em que tudo ia bem, o espaço virou do avesso com dezenas de crianças animadíssimas falando/gritando todos juntos enquanto batiam figurinhas nas mesas. E os que não estão colecionando, e são muitos, se viram perdidos… A música? Ninguém mais ouvia! Os jogos? Ninguém conseguia jogar! Seguiu-se um debate sobre o que seria daquele espaço se as figurinhas continuassem ali. Muitos alunos, apesar de gostar de figurinhas, estavam convencidos de que não seria possível manter essa atividade ali dentro. A solução foi encontrar outro lugar para as figurinhas, e o espaço voltou a ter a tranquilidade necessária para se ouvir música e ouvir as risadas daqueles que estão se divertindo com os jogos de mesa.

Escola da Vila Escola da Vila

Esta semana, entramos numa fase nova. Os alunos perceberam que, em dias que os 7os anos têm quadra, a frequência diminui. Diante disso, decidiram abrir o espaço para a participação de alunos dos 6os anos. Fizeram o convite nas salas, e aos poucos os alunos estão chegando para conhecer e participar desse novo espaço.

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O espaço está ali e é uma nova opção para aqueles alunos que gostam de ficar na sala de aula na hora do recreio, para os que ficam meio perdidos no espaço do parque, para aqueles que gostam de ficar em grupo, que buscam novas atividades. O mais importante é que esse é um espaço que está facilitando o entrosamento, propiciando a interação entre os alunos, unindo as séries… Um espaço ao que todos são bem-vindos!

Quem nunca ouviu a frase: “Gostava de matemática até começar a estudar álgebra”?

Álgebra na Escola da Vila

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Por Gislaine Rasi, professora de Matemática do Fundamental 2

Relato muito comum entre alguns de nós, adultos. Não é por acaso que esse tema escolar tem sido alvo de inúmeras pesquisas em Educação Matemática. Se por um lado, a perda do sentido matemático e as dificuldades em operar com os símbolos podem provocar um distanciamento do aluno, por outro, um currículo com o foco prioritário no uso de técnicas reforça ainda mais esse quadro.

Si el alumno llega a una conclusión sobre la necesidad de escribir Essen o cualquier otro trabajo del alumno, nuestros amigos writemyfirstessay.com

Mas o que é álgebra?

Em síntese, álgebra é um campo da matemática que generaliza a aritmética, buscando a partir de regularidades numéricas produzir fórmulas gerais e manipulá-las, tem aplicações no campo da matemática pura e no estudo de outras ciências. Na álgebra são introduzidas as ideias de variáveis, incógnitas e o uso de símbolos.

E como dar sentido à álgebra que “vive” na escola?

Buscando romper com a ideia de que álgebra não tem sentido para além do uso de símbolos e da aplicação de técnicas de resoluções de equações, como é usual no ensino desse conteúdo, organizamos o nosso currículo em um projeto mais amplo de estudo tendo como via de entrada a generalização. Nosso objetivo é fazer com que nossos alunos compreendam a necessidade de se generalizar determinadas situações, criem o seu próprio modelo e pensem sobre os demais.

A ideia de generalização como o coração da atividade matemática no estudo da álgebra recupera em sua origem a compreensão do tratamento do geral e da busca de regularidades na história da civilização, resgatando práticas até então esquecidas.

Nas séries iniciais do Ensino Fundamental 2, o nosso trabalho algébrico se apoia no trabalho aritmético, criando relações entre o conhecimento novo e o antigo. A multiplicação e a divisão continuam sendo objetos de trabalho, agora não mais como ferramentas na resolução de problemas, mas como objetos matemáticos a serem analisados, favorecendo a ampliação dos sentidos dessas operações e do funcionamento das suas propriedades. A discussão de aspectos importantes da relação a x b = c que trata da variação do produto a partir da variação de seus fatores e da relação D= d x q + r, r<d, estabelecida entre os termos da divisão, permite o entendimento dessas fórmulas para a análise e o controle dos resultados. O aluno passa a antecipar um campo de resultados, pensando sobre as relações entre esses termos, sem fazer a operação. Por exemplo, ao resolver esse problema “proponha uma conta de dividir em que o divisor seja 5 e o quociente seja 12. Existe só uma conta? Quantas existem?”, nesse caso, ao estabelecer relações entre o dividendo e o divisor, o aluno encontrará apenas cinco contas, com dividendos 60, 61, 62, 63 e 64 uma vez que o resto não pode exceder o valor do divisor. Esse modo de entrar no trabalho algébrico traz para o universo dos alunos novos tipos de problemas que não estavam presentes nas etapas anteriores, ampliando as possibilidades do trabalho intelectual presente nas aulas.

A resolução de equações é o assunto que tem mais destaque nas séries finais do Ensino Fundamental 2 e privilegia relações entre a aritmética, a geometria e a álgebra, com o tratamento em diferentes representações. Neste estudo, procuramos dar sentido ao uso dessa ferramenta na resolução de problemas matemáticos aproximando o aluno do trabalho com as funções a partir da produção de fórmulas. São discutidas as diferentes formas de representar um mesmo número, as diversas formas de resolver uma equação, o sentido de equivalência representado pelo sinal de igual (=) e de grandezas maior (>) e menor (<), bem como as relações entre as diferentes representações, criando oportunidades para a exploração e aproximação de outras formas de pensar que levam ao mesmo resultado. Optando, assim, por introduzir o estudo das técnicas, vinculadas ao sentido das operações e suas relações. Dominar técnicas é extremamente relevante para seguir aprendendo, mas conhecer o seu sentido também é fundamental para saber quando vale a pena utilizá-las e para dispor de mecanismos para o controle das resoluções.

Dessa maneira, ao longo do Ensino Fundamental 2, oferecemos aos nossos alunos uma variedade de situações que buscam atribuir sentido ao estudo desses novos objetos matemáticos e ao uso das técnicas para suas resoluções, mais do que uma mera memorização de regras, evocando a pesquisadora em didática da matemática Carmen Sessa, entendemos que o trabalho algébrico é:

constituído por um conjunto de práticas que se inscrevem – e se escrevem – em uma determinada linguagem simbólica, com leis de tratamento específico que regem a configuração de um conjunto de técnicas. Todos esses elementos complexos – problemas, objetos, propriedades, linguagem simbólica, leis de transformação das escritas, técnicas de resolução – produzem um emaranhado que configura o trabalho algébrico”.

Por fim, acreditamos que a maior qualidade do nosso trabalho é fazer com que os alunos compreendam a importância do uso da álgebra, enfrentando as suas complexidades, e reconhecendo-a como um importante produto intelectual que expressa uma forma de pensar e de se comunicar, possibilitando as mais diversas aplicações na vida cotidiana e no avanço da ciência.

A oralidade posta em prática: participação de alunos do 8º ano no 3º ICLOC Jovem

Por Juliana Giannini, professora de LPL do F2 

Aconteceu, no dia 7 de outubro, a terceira edição do ICLOC Jovem, congresso organizado pelo Instituto Singularidades que tem como objetivo a divulgação de trabalhos e projetos realizados por alunos do Ensino Fundamental 2, Ensino Médio e graduação. A proposta, segundo o instituto, é valorizar produções que tiveram impacto nos âmbitos da ética, da política e da educação, tanto dentro como fora de sala de aula. 

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Os alunos Davi Manzini, Tiago Soriano, Maria Fernanda Almeida e Gabriela Fernandes apresentam o trabalho “O desastre da publicidade brasileira: o sexismo nas peças publicitárias

Dentre os diversos grupos, das mais variadas instituições de ensino de São Paulo e de outras cidades do Brasil, dois grupos de alunos do 8º ano da Escola da Vila se apresentaram no ICLOC. O primeiro grupo, formado pelos alunos Davi Manzini, Gabriela Fernandes, Maria Fernanda Almeida e Tiago Soriano, apresentou o trabalho “O desastre da publicidade brasileira: o sexismo nas peças publicitárias”, que foi produzido no primeiro trimestre deste ano, nas aulas de Língua Portuguesa e Literatura, como resultado do Projeto Publicidade. Em uma mesa cujo tema central era a reflexão sobre a publicidade e as suas consequências éticas e políticas na formação do sujeito, eles tiveram a oportunidade de dialogar com outros alunos, bem como com outros projetos didáticos e conhecer semelhanças e diferenças nos estudos realizados nas diferentes instituições de ensino. Além disso, a habilidade de conseguir falar em público e organizar um discurso propriamente oral, um dos objetivos de formação no âmbito das práticas de linguagem que faz parte do percurso escolar desde bastante cedo na Escola da Vila, foi colocada em prática, mas dessa vez para um público externo.

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As alunas Yolanda Monaco, Rosa Hellmeister e Alice Vilas Boas apresentam o trabalho “Reflexões sobre a obra Capitães da Areia”

Diferentemente do primeiro grupo, o segundo, composto pelas alunas Alice Vilas Boas, Lorena Schaeffer, Rosa Hellmeister e Yolanda Monaco, apresentou o trabalho “Reflexões sobre a obra Capitães da Areia”, produzido especialmente para o congresso. Ao longo do primeiro e do segundo trimestres, a leitura e as discussões sobre o romance de Jorge Amado foram frequentes e resultaram na produção de um trabalho escrito, autoral, sobre um dos temas principais que se desenvolvem na obra. Para o congresso, as alunas se reuniram e elaboraram uma apresentação que expôs o percurso do trabalho com o livro, tanto em sala como em casa, tal como introduziu as suas próprias análises e interpretações. Em uma mesa sobre Literatura, a reflexão sobre um dos clássicos da literatura brasileira possibilitou conversas bastante interessantes a respeito das obras contemporâneas e, também, sobre os rumos ou as perspectivas para o ensino da Literatura nas escolas. Novamente, os desafios que envolvem a preparação de um discurso fundamentalmente oral e o intercâmbio com um público externo à escola se colocaram como situações de aprendizagem muito significativas. 

A experiência certamente foi engrandecedora, tanto para os alunos quanto para aqueles que estavam assistindo. Professores, coordenadores, pais e até mesmo colegas tiveram a oportunidade de ver os alunos e as alunas apresentando falas coerentes, bem fundamentadas e envolventes, que, sem dúvida, provocaram reflexões e debates aprofundados sobre esses temas, tão diversos, mas ao mesmo tempo tão importantes para o pensar sobre a escola e a sociedade brasileiras. 

Concurso culinário e experimentação de saladas: dos estudos à ação

Escola da VilaEscola da Vila
Vencedores do concurso culinário: Caio Marcondes de Barros, Catarina Miranda Almeida, Luiza Gregori Tokita, Sofia Maria Rechi Aguiar, Juliana Ogihara Greco e Lívia Maria Papolo Colombero.

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Por Elaine Occhialini e Celina Moraes

Como anda a alimentação de nossos adolescentes? O estudo de Alimentação e Saúde dos 8ºs anos possibilitou aos alunos fazer uma reflexão sobre seu consumo alimentar perante suas necessidades nutricionais, isto é, se dar conta do que comem e quanto comem e avaliar se o que consomem atende ao que um adolescente necessita em termos nutricionais e energéticos. Os alunos registraram todos os alimentos consumidos, em medidas caseiras, ao longo de uma semana, incluindo os horários de consumo, e depois quantificaram em porções para realizarem comparações a partir de parâmetros dados pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Organização Mundial da Saúde.

Algumas tendências que são observadas na alimentação dos adolescentes brasileiros (como aquelas relatadas na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, PeNSE) também puderam ser constatadas entre muitos de nossos alunos, como o baixo consumo de verduras e legumes, a diminuição no consumo de feijões e leite e um aumento significativo (para nosso público) no consumo de doces, especialmente em versões industrializadas, como bolachas e chocolates.

Aqui cabe uma reflexão sobre a organização do dia alimentar dos nossos alunos. Ao analisar os registros alimentares produzidos, verificamos que muitos não planejam as refeições para atender satisfatoriamente suas atividades e necessidade nutricionais: ainda é frequente que muitos venham para a escola sem café da manhã assim como também destinam pouco tempo para o consumo de uma maior quantidade de alimentos na hora do almoço.

Para ajudá-los a enfrentar as barreiras que cada vez mais corroboram com esse preocupante quadro alimentar, realizamos duas atividades diferenciadas nas quais os alunos puderam vivenciar aspectos mais subjetivos e sensoriais relacionados à alimentação: a experimentação de saladas e o concurso culinário de lanches. O concurso já acontece há alguns anos, cada vez com maior adesão dos alunos, mas a experimentação de saladas foi a novidade da vez.

Como observado nos registros alimentares, legumes e verduras continuam sendo os grupos de alimentos menos consumidos pelos adolescentes. Como são alimentos que oferecem uma quantidade menor de calorias, os adolescentes buscam “matar a fome” com alimentos mais energéticos e de baixo valor nutricional, como chocolates, doces, sucos adoçados e refrigerantes. No entanto, consumir regularmente verduras e legumes é extremamente relevante, visto o fornecimento de fibras, vitaminas e sais minerais proporcionado por esses grupos de alimentos.

A aula de saladas foi desenvolvida para estimular a experimentação de alimentos dessa ampla categoria, com a oferta de alface, rúcula, tomate, cenoura, brócolis e pepino. Nesse dia, os alunos também foram convidados a preparar molhos variados para temperar suas saladas: o clássico de limão, azeite e sal, outro de coalhada seca e hortelã, um de mostarda e mel e outro ainda com shoyu.

O resultado foi surpreendente! A maioria dos alunos mal se continha para começar o ataque gastronômico! Vários alunos experimentaram alimentos que achavam que não gostavam, outros se aventuraram nos diferentes molhos para buscar novos sabores, havia aqueles que incentivaram os colegas a provar suas combinações favoritas… Vamos deixar que nossas alunas Manoela e Lorena apresentem um pouco mais essa experiência:

Percebemos, assim, o quanto é importante manter a experimentação de novos alimentos mesmo para essa faixa etária e evidenciamos como é possível estimular o consumo de verduras e legumes com medidas simples, como a oferta de novos temperos.

O concurso culinário foi também um grande sucesso! Entre tortas, sanduíches e barrinhas de cereais tivemos 23 preparações, resultado do empenho de 45 entusiasmados cozinheiros! Fomos mais uma vez presenteados com muitas gostosuras e animação. Na defesa de seus pratos, relatos dos testes, da busca de receitas, das histórias de família e das preferências individuais. Ao final, o compartilhamento com toda a classe do resultado de seus talentos culinários. Nosso distinto grupo de jurados contou com a participação de alunos de cada turma (vagas disputadíssimas!), professores queridos (mais disputas!) e a presença ilustre do chef Caio Carbognin em algumas das classes. Aproveitamos este espaço para mais uma vez agradecer essa participação tão especial!

É difícil descrever o quanto essa atividade envolve os alunos e contribui para que explicitemos a alimentação como algo complexo, que envolve não apenas a composição nutricional de cada alimento, mas também afeto, memória, técnicas e muito mais. O apoio e o incentivo das famílias são também um ingrediente essencial nesses pratos. Que nossos adolescentes sigam se aventurando na cozinha e buscando uma alimentação saudável, saborosa, compartilhada com amigos e cheia de histórias.

Sobre eventos, celebrações e Brasil

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

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Por Eliane Mingues, formadora dos professores de F1 da Unidade Granja Viana

Ao final de um evento, seja ele qual for e onde for, lá no fundo, nos vem uma sensação boa de dever cumprido, já perceberam? Dever que é quase um aliado da obrigação e muitas vezes tão comum, quando falamos de instituições. Só que, na verdade, quando o evento é mais do que um dia na agenda, essa sensação não é de dever, mas de satisfação – porque tudo deu certo.

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

E aqui vale um parêntese, o que é dar certo? Como andam nossas métricas de sucesso e perfeição? Com nossos dias corridos e exigências cada vez mais acirradas, estamos conseguindo valorizar o que de fato importa? É nessas horas, no depois, que temos que colocar reparo: o que é perfeito? Perfeito para quem?

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

Os eventos, aqui na Escola da Vila, são grandes parceiros dessa minha reflexão. Isso porque eles não são seus, nem meus, nem de ninguém, mas, sim, de cada aluno e de suas emoções e empenhos ali depositados. A partir de cada um é que chega até nós a celebração daquilo que eles fizeram, puderam e conseguiram, numa partilha solidária que só as a crianças sabem prover.

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

O “Um Pouquinho de Brasil”, realizado no último sábado na unidade da Granja Viana, foi mais um evento que deu certo. Emocionou quem esteve presente porque pudemos sentir cada depósito de atitude e comprometimento dos alunos com aquele dia. Sua duração, das 10h às 14h30, foi apenas um instante para celebrar com eles uma festa que começou muito, muito antes. No pensamento conjunto entre professores e alunos sobre as oficinas, na preparação de cada trabalho, no empenho de sua preparação e montagem, nos sons e nas formas que queríamos contar a respeito do nosso país, esse tal Brasil que anda atribulado ultimamente, assim como todo o restante do mundo, de certa forma.

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

É que, “Um Pouquinho de Brasil”, uma tradição na Vila, é o reconhecimento autêntico do nosso espaço na rica cultura popular brasileira que nunca pode ser abandonada pelo lastro da globalização. A gente sempre celebrou o Brasil por aqui, e construindo esse pensamento com nossas crianças e jovens, preservamos um orgulho que passa pelo reconhecimento do que temos de melhor, mas também de pior, para corajosamente ampliarmos o bem ou contribuirmos verdadeiramente com as mudanças necessárias.

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

Cada lantejoula costurada no painel da entrada, cada colagem do nosso lambe-lambe comunitário para a fachada da escola, cada família participante, cada som do tambor na apresentação do grupo Tiquequê, cada olhar curioso perante as tecnologias que convivem, e muito bem, com as tradições, cada olho no olho dos nossos alunos, cada qual, cada um, cada ação individual e coletiva dessa festa nos encharca de vida boa, fica na memória e faz jus aos dias que buscamos para o futuro das nossas crianças.

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

“Um Pouquinho de Brasil”, aqui na Granja, ainda nos deu a conhecer outras situações especiais de outros projetos desenvolvidos durante o primeiro semestre, e assim pudemos adentrar outros cenários e conhecer os répteis e animais do fundo do mar, o museu da família, que este ano foi todo organizado pelos alunos, e a exposição dos anos 60 e 70, que retratou toda a pesquisa e o estudo sobre esse tão conturbado período da nossa história.

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

E depois de sair tão nutrida por tantas e tantas coisas lindas construídas pelos alunos, tudo o que foi possível sentir ali naquele sábado de sol foi: que bom que somos brasileiros. Que bom que decidimos estar juntos. Que bom que escolhemos partilhar esse momento. Que bom que vocês foram lá para ver os alunos da Escola da Vila cuidando do patrimônio do nosso país.

Pouquinho de Brasil - Escola da Vila

Que bom que tudo deu certo. E que bom, sendo assim, ter sido perfeito entre os seus diferentes e os seus iguais.

Dever cumprido! Ou melhor, mais um ano de grande satisfação.

Iqbal e o direito de ser criança

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Por Fernanda de Lima Passamai Perez

Em quase 7 anos de existência, o Vilalê, clube de leitura, leu diversos títulos que despertaram discussões acaloradas e sensibilizaram o grupo, mas nenhum como Iqbal.

Ao se propor o título, havia um desafio para além da linguagem, havia um fato real: o assassinato de uma criança. Iqbal, garoto paquistanês cuja história serve como fio condutor da narrativa, foi entregue pela família ainda muito pequeno para trabalhar como tecelão em uma das inúmeras tapeçarias de seu país, sem qualquer direito. E, diferente das muitas outras crianças que trabalhavam em situação semelhante, Iqbal não deixou de sonhar, não se rendeu ao destino que traçaram para ele.

A saga do garoto franzino e sorridente tornou-se conhecida mundialmente. Ainda que tenha tido sua vida abreviada, Iqbal deixou um legado. Esse legado inspirou desde a construção de escolas no Paquistão, bem como prêmios: Iqbal Masih Award for the Elimination of Child Labor e WORLD’S CHILDRENSPRIZE, entregues àqueles que combatem a escravidão infantil no mundo.

A empatia dos integrantes com esse personagem foi intensa. Embora A história de Iqbal seja uma ficção, ela é baseada em fatos reais, infelizmente. No decorrer da leitura, o grupo foi refletindo e tomando conhecimento de que esse cenário não era exclusividade de um longínquo país asiático. Mesmo aqui no Brasil havia crianças e adolescentes que trabalhavam em condições não favoráveis ao seu desenvolvimento, o que, de certo modo, impede o acesso delas à educação. Iniciou-se então uma série de questionamentos a respeito da falta de direitos dessas crianças, principalmente o direito de SER criança. Foi então que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) apareceu nas discussões. Mas o que é ECA? Por que a elaboração de um estatuto para garantir direitos às crianças? Criança tem direito? E se ela for pobre não pode trabalhar para ajudar a família?

Para responder às inquietações e curiosidades dos integrantes, em nosso último encontro, dia 23 de junho 2017, o Vilalê recebeu a visita de Francisco Bodião¹, mais conhecido como Chicão, orientador educacional do Ensino Médio, profundo conhecedor do ECA e ativista pelo direito à cidadania, principalmente de crianças e adolescentes – grupos bastante vulneráveis e pouco visíveis pela sociedade.

O encontro teve início com relatos dos integrantes sobre o livro e sobre a recepção da leitura por parte do grupo. Em seguida, Chicão relatou de maneira muito emocionante experiências pessoais que serviram para exemplificar a importância do ECA – que completou 27 anos no dia 13 de julho –, e seu significado para o Brasil no início da década de 1990, poucos anos depois da abertura política brasileira e com uma Carta Magna nova. Gradualmente, os presentes foram entendendo a importância de haver leis específicas, que garantam às crianças e aos adolescentes o acesso à educação, cultura e condições especiais de trabalho, com o fim de assegurar oportunidades equânimes para o desenvolvimento desses jovens como cidadãos. Entre as muitas informações que o nosso convidado compartilhou estava a de que, há 17 anos, a biblioteca Tatiana Belinky acolheu o grupo, do qual Chicão ainda faz parte, que criou o Fórum de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Butantã (FoCA), cujas reuniões acontecem mensalmente, e convidou a todos para participar da Semana do ECA – na última semana de setembro.

A história de Iqbal disparou diversas outras questões em relação a direitos para além da criança e do adolescente, a situação dos idosos no Brasil, por exemplo. Como desafio, nosso convidado propôs ao grupo buscar uma leitura que provocasse uma discussão a esse respeito. Desafio aceito!

Para finalizar, Chicão revelou um desejo: “Que a gente tenha cada vez mais dúvidas. Que a gente cada vez mais se pergunte. Que a gente não aceite de primeira qualquer coisa”.

Obrigada, Iqbal! Obrigada, Chicão!


¹Chicão Trabalhou na Pastoral do Menor da Praça da Sé.

O transporte público como uma opção: deslocamentos favoráveis à aprendizagem

Escola da Vila

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Por Joana Sampaio Primo

Visitas a museus e viagens de estudo são habituais nas escolas, já que se trata de atividades nas quais os alunos podem aprofundar suas aprendizagens a partir das experiências que o campo proporciona. Na Escola da Vila entendemos que tais visitas são fundamentais na escolarização dos alunos, pois elas permitem um novo envolvimento, seja no campo das Artes, seja no campo das Ciências ou da História.

Os 6ºs anos, por exemplo, estudam ao longo do primeiro trimestre a importância dos recursos hídricos para as sociedades e, consequentemente, as diferentes relações entre o uso desses recursos e o processo de urbanização. Faz parte desse estudo uma visita ao Pateo do Collegio, marco zero da cidade de São Paulo, que conta com uma maquete, croquis e mapas do crescimento da cidade vinculado diretamente ao Rio Tamanduateí e ao Rio Anhangabaú. Ademais, o Pateo do Collegio encontra-se no planalto de tais rios, no qual nossos alunos podem observar, do mirante, a canalização do Rio Tamanduateí. Destacamos, portanto, que a experiência de observar os rios canalizados que eles conhecem nas aulas, de andar do planalto ao vale do rio, possibilita outra apreensão do que está sendo trabalhado. Dessa forma, fica clara a importância que tais visitas têm para os objetivos de aprendizagem escolares.

Escola da Vila

Desde o ano passado começamos a refletir, aqui na unidade Granja, que o caminho até a cidade de São Paulo poderia igualmente favorecer a aprendizagem de nossos alunos. Não é novidade para quem mora na Granja que ir até São Paulo no horário de fluxo é uma tarefa árdua: há muito trânsito, por conta do grande número de carros e pela relativa escassez de transporte público. Assim, se ocorre algum imprevisto, por exemplo, uma chuva, o que já é ruim fica pior ainda. Como dissemos, o transporte público na região em que a escola se encontra também tem problemas, porém pegar o trem na Estação Jardim Silveira para ir até o centro de São Paulo demonstrou-se um deslocamento rico em outras aprendizagens para nossos alunos.

Escola da Vila

Utilizar o transporte público da região metropolitana, além de ser uma experiência que muitos de nossos alunos nunca tiveram, ainda os coloca em contato com os trabalhadores da região que utilizam esse meio de locomoção. No ano passado, por exemplo, quando foram ao Pateo do Collegio, os alunos de 6º e 7º ano tiveram a oportunidade de entrevistar os usuários de transporte público para conhecerem melhor as possibilidades de deslocamento da região e ampliarem seu estudo sobre o entorno da escola.

Além disso, andar de trem possibilita a observação das cidades-satélites de nosso entorno, possibilita entrar em contato com o mercado ambulante dentro do trem e outras situações que despertam a atenção deles, que os coloca em outra posição no interior da cidade. Evidentemente, essa experiência é mediada pelos professores que os acompanham, sensíveis em escutar aquilo que chamou a atenção de todos. E depois poderão continuar abordando esses temas em sala de aula.

A rua, o transporte público e o contato com a cidade de uma maneira menos mediada pelos muros da escola proporcionam uma aprendizagem diferente e tão importante como as visitas a museus. Essas experiências nos fizeram decidir que muitas das saídas que o Fundamental 2 da Granja faz em São Paulo começará no deslocamento deles, o próximo já está marcado: será na última segunda-feira do mês, quando o 6º ano visitará a exposição Rios Descobertos, no SESC Carmo.

Referências:

Visitar museus é conteúdo curricular.

Por que visitar museus e exposições?

Museu e Escola – O que pode essa parceria?

As mil e uma noites e o dia 8 de março

Escola da Vila

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Por Priscila Demasi

No 5º ano, os alunos leem, de maneira compartilhada, o livro “As mil e uma noites”, traduzido por Ferreira Gullar. Durante a realização dessas leituras, os grupos se deparam com um contexto sociocultural que difere daquele em que estão inseridos, o que muitas vezes causa estranheza e motiva discussões acerca de outras realidades.

Este ano, quando o grupo do 5º B tomou conhecimento do papel que as mulheres ocupam dentro desse contexto literário, mostrou-se sensibilizado, alegando que essas mulheres estavam sendo vítimas de uma sociedade injusta, na qual todas as decisões e poderes se concentravam na figura masculina. Diante disso, foram questionados sobre o que achavam que seria uma sociedade justa, e surgiram descrições das mulheres com as quais convivem em casa.

“Seria justo se as mulheres pudessem trabalhar fora de casa também, porque é assim que acontece lá em casa.”

“Não é certo que só elas cuidem da casa e dos filhos, porque meu pai ajuda mais em casa do que a minha mãe.”

“Lá em casa as tarefas são divididas.”

“Minha mãe trabalha fora de casa mais do que meu pai.”

“Eles cobrem as mulheres, e acho que cada mulher tem o direito de escolher aquilo que quer usar.”

“Meu pai não manda na minha mãe. Ela sai quando quer e veste tudo o que gosta.” 

Diante dessa mobilização dos alunos, surgiu a ideia de criar um paralelo entre “as mulheres de sua vida” – contemporâneas, da cidade de São Paulo – com a realidade da protagonista do livro, Sherazade.

O intuito era que pudessem elaborar quem são essas mulheres com as quais convivem: com o que se identificam, do que gostam, o que fazem e como vivem. Ou seja, conhecer um pouco de sua identidade, ao mesmo tempo em que descobrem outras formas de viver propostas pela literatura dentro de um contexto social distinto do atual. Enfim, sensibilizar o olhar das crianças para os diferentes papéis que as mulheres ocuparam e ocupam na mesma ou em outras sociedades.

Nesse sentido, propusemos uma conversa com as crianças, sobre o “Dia Internacional da Mulher”. Para isso, promovemos um encontro com o “Coletivo Feminista” da escola, formado por alunos do 9º ano. As meninas contaram sobre como o grupo surgiu, sobre a atuação dentro da nossa comunidade escolar e também sobre o que discutem nos encontros que realizam. Além disso, trouxeram informações sobre a relevância do dia 8 de março, questionamentos acerca do papel da mulher na sociedade atual e suas lutas.

Escola da Vila

O encontro mobilizou um forte diálogo entre os alunos dos 5os e 9 os anos e possibilitou o surgimento de questionamentos e reflexões sobre o tema, além de novas possibilidades para pensar as circunstâncias próprias a cada tempo e cada cultura.

Oficinas de Matemática: encontros para além do tempo regular de sala de aula

Por Renata Akemi

Diante de um novo problema matemático, o que o aluno faz? Procura a solução com base em conhecimentos anteriores? Ou… tenta um pouco, mas logo desiste? Acredita que pode resolver o problema ou julga estar fora de seu alcance?

Nas aulas de matemática queremos que os alunos se lancem à resolução dos problemas propostos, estabeleçam relações, investiguem, discutam suas respostas com os colegas, argumentem, e se considerem capazes de produzir conhecimento matemático. Buscamos estratégias para incluir todos os alunos nesse fazer, com ações individuais e coletivas na sala de aula ou no processo de recuperação paralelo. Além disso, no contraturno, a escola oferece a Oficina de Matemática aos alunos do Ensino Fundamental 2.

Essas oficinas são organizadas com o objetivo de favorecer um vínculo positivo do aluno com a disciplina de matemática, retomar os conteúdos das séries anteriores, que ainda não foram construídos com segurança, e oferecer mais uma oportunidade de resolver dúvidas sobre os conteúdos vistos em aula.

Visando ao fortalecimento desse vínculo, promovemos atividades em que os alunos possam participar ativamente do fazer matemático e ocupem o lugar de quem vai apresentar ou explicar algo para o outro, tais como:

- resolver desafios, discutir estratégias e resoluções, produzir um cartaz para o mural da sala de aulas e, depois, inteirar-se das respostas dos colegas e analisá-las;

- ajudar alunos de séries anteriores a retomarem conteúdos;

- conhecer recursos tecnológicos interessantes para a disciplina e depois apresentar para a própria sala e atuar como monitor;

- produzir problemas que integrem orientações de estudo para as provas regulares e que serão usados por toda a sala;

- elaborar sínteses sobre os conteúdos estudados e compartilhar com os colegas esse material de estudo.

Para finalizar as atividades em 2016, os alunos da oficina de matemática produziram e atuaram como monitores de uma sala com desafios e jogos elaborados. Nossa “Sala (ma)temática” foi organizada para os alunos do 5º ano da escola.

Os alunos do Fundamental 1 participaram de um jogo de tabuleiro com perguntas sobre operações matemáticas, frações e números decimais, e pensaram em alguns desafios que consistiam na apresentação de contas incorretas que teriam de ser corrigidas com a movimentação de apenas um palito.

Ao pensar nas possibilidades de jogos e desafios para alunos menores, os alunos da oficina precisam refletir sobre os conteúdos que esses alunos já sabem, como articulá-los, quais perguntas os pequenos podem fazer e quais podem ser feitas a eles, como as respostas serão colocadas, entre outros. Além da oportunidade de os alunos da oficina ocuparem o papel do saber, de quem vai explicar, esse tipo de atividade ajuda a fortalecer os próprios mecanismos de autoavaliação, pois ao pensar em como o outro pode aprender, os alunos maiores criam ferramentas para pensar no próprio processo de aprendizagem.

As atividades que repercutem na própria sala ou em outra sala de aulas são bastante enriquecedoras para todos os envolvidos, e muito potentes para ajudar os alunos que apresentam dificuldades em matemática. Sabemos que para vincular o aluno positivamente à matemática são necessárias ações de diversas naturezas, e acreditamos que a atuação conjunta dos professores regulares e das oficinas, assim como as atividades que integram os alunos da escola constituem um caminho favorável para tal.

A tecnologia a favor do dinamismo nas aulas de inglês

Por Caroline Milan Brasilio,  Professora de Inglês – Unidade Granja Viana

As crianças estão cada dia mais conectadas. O mundo digital deixou de ser um mundo em paralelo e passou a fazer parte cotidiana da vida dos pequenos. Como podemos, então, tratar isso como uma vantagem nas aulas de inglês, tornando as aulas mais atrativas e dinâmicas, para atender às novas demandas das crianças já imersas no mundo tecnológico?

Palavras do cotidiano tecnológico de nossas crianças (download, share…) são utilizadas em inglês e já foram adotadas por elas e usadas habitualmente. Tutoriais no YouTube, filmes no Netflix, games online – o acesso a produções culturais e linguísticas do mundo todo por meio da internet; toda essa exposição ao idioma já acontece todos os dias, fora do contexto de sala de aula.

Estando nossa sala de aula também conectada com o mundo através da internet, temos então a possibilidade de explorar, de diferentes maneiras, situações de exposição e prática de inglês que tornam nossas aulas mais dinâmicas e interessantes, buscando a expansão do repertório de nossos alunos, por meio de oportunidades de contato com o idioma de formas diferentes no decorrer de seu percurso escolar.

Escola da Vila

Nas turmas de 1º ano, a leitura da série Knuffle Bunny é seguida de vídeos, gravados pelo autor e sua filha, personagem principal das histórias, narrando o livro – situação que traz aos alunos o contato com outros falantes de inglês, além do professor. As imagens, antes estáticas do livro, ‘ganham vida’ – a identificação dos alunos com a história é imediata, e o uso do idioma é feito de forma leve e interessante para os pequenos. Além disso, em todas as aulas há contato com canções e parlendas em inglês, pelos canais online como o Super Simple Songs.

Escola da Vila

Por meio do projeto Cartoon, presente nos cursos de 2º a 5º ano, nossos alunos assistem a desenhos animados em que o idioma é utilizado em situações cotidianas de comunicação, tendo contato com múltiplos falantes da língua. A partir dessa exposição, nossos alunos são conduzidos a analisar aspectos específicos do idioma, expressar suas opiniões sobre o material assistido em inglês e a produzir questionários que serão respondidos pelos colegas de outras séries. Esse transitar entre turmas também é um momento extremamente enriquecedor para os alunos, que têm a possibilidade de demonstrar seus conhecimentos e praticar com outros alunos que possuem experiências e contato diferentes com o idioma.

O interessante é notar que as propostas partem de situações reais de uso do idioma e possibilitam uma grande amplitude de desafios – aqueles menos experientes seguem modelos e se comunicam usando um repertório construído no projeto. Já aqueles mais experientes têm a oportunidade de explorar novos caminhos, testar seu próprio repertório e ampliá-lo ao entrar em contato com os cartoons autênticos.

A partir do Fundamental II, o dinamismo das aulas é potencializado por meio do uso de tecnologia em novos contextos. Na unidade Granja Viana, o uso de computadores pessoais nas salas de aula do 6º, 7º e 8º ano possibilita o uso e a prática do idioma em plataformas que favorecem o contato dinâmico com o professor e com material disponibilizado no Google Classroom e AVA; o uso de dicionários online, o contato com material genuíno produzido no idioma: diversas formas de exposição e prática de inglês. Por meio da escrita de e-mails para alunos de outros países no 6º ano, com a gravação de vídeos com notícias no 7º ano, na produção de um infográfico sobre a fome no mundo no 8º ano – a tecnologia apresenta aos alunos múltiplas oportunidades de contato e uso do inglês de modo dinâmico e atrativo.

Refletir e atualizar constantemente os recursos utilizados nas aulas de inglês que atendam a esse novo perfil de estudante, que por meio da tecnologia tem contato com uma gama imensa de conteúdo, que busca rápidas respostas e que tem contato com a língua em ambientes para além do contexto de sala de aula se faz necessário para que as aulas sejam sempre atuais e dinâmicas.