Viagem a Reggio Emilia: Cem Linguagens da Infância

Reggio

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Por Daniela Munerato

Estivemos em Reggio Emilia, na Itália, participando de um grupo de estudos e visitando escolas de Educação infantil, com uma abordagem única criada por um jovem professor após a Segunda Guerra, Loris Malaguzzi, na qual o potencial intelectual, emocional, social e moral de cada criança é cuidadosamente fomentado e orientado, totalmente imerso na cultura da cidade.

A experiência de encontrar crianças em diferentes países é maravilhosa. Nossa observação aguçada evidencia a variedade nas condutas culturais, mas existe uma ideia que prevalece: criança é sempre criança e pode se expressar por diferentes linguagens!

Durante a viagem identificamos essa diversidade nos atos e nas produções das crianças e o desejo dos educadores em deixar claro o objetivo de favorecê-las. Estar atento à criança integralmente no seu desenvolvimento, observando sua individualidade, bem como acompanhando seus processos nos trabalhos em pequenos grupos.

Fala-se muito na escuta da criança, como o respeito a uma fase única e desconstruindo a ideia de um ensino em que o professor ensina e o aluno aprende, mas totalmente fundamentado nas relações, nas interações e no que pertence ao mundo da criança, sem antecipar condutas das crianças mais velhas. Ouvir com tempo, sem pressa, observar, tentar compreender, planejar “provocações que a façam avançar”.

A expressão, o sentimento, o olhar e a compreensão do mundo podem ser expressos por palavras, por meio das conversas, das músicas, da interação e no próprio cotidiano. Mas no mundo infantil a palavra tem um tempo, um tempo para acontecer, para ser elaborada, para ser compreendida. Quantas vezes o corpo fala primeiro, na linguagem do gesto, do carinho, da dança, da brincadeira e da representação. Não é assim que muitas vezes desvendamos nossos pequeninos? E não é este um dos caminhos pelos quais experimentam o desconhecido? O corpo que se move, pesa, equilibra, transforma, tem sombra…

Outra linguagem bastante utilizada e apreciada é a arte, na forma de pintura, de desenho, escultura, construção, realizada individualmente, em parceria ou coletivamente. Por intermédio dela a expressão e o registro de vivências, marcas e exploração de cada um no processo de aprendizagem que mostra um todo. Vale considerar que o planejamento, a gestão e a atuação dos educadores é fundamental. Observamos que variáveis como a luz natural ou artificial, o espaço organizado e o material proposto são importantes para a expressão das linguagens diversas.

O que é habitual passa a ser motivo de investigação e torna-se especial; a natureza é muito valorizada e observada. Como exemplo, cito um campo de margaridas, explorado por crianças de três anos de idade, que sentem a delicadeza das pétalas, observam como as plantas nascem, sua textura, seu volume no espaço em que habitam, e onde podem encontrá-las. O que podem aprender sobre uma planta comum na sua cidade? Como cuidar dela? Como oferecê-la sem arrancá-la? Como ter outros olhos para algo muito visto, mas nunca realmente observado, vivido!

Encontramos em Reggio muito em comum com o nosso trabalho, e muito também para acrescentarmos em nossa proposta. Seguiremos refletindo sempre sobre o nosso segmento para que a criança possa ser cada vez mais vista em sua totalidade, que a gente siga com o desafio de integrar socialmente escola e cidade e, quem sabe, começar pelo nosso bairro!

5 ideias sobre “Viagem a Reggio Emilia: Cem Linguagens da Infância

  1. Daniela, bom dia! É enriquecedor a troca de experiências, assim como foi feito por alguns de vocês na Califórnia com os alunos de lá. As crianças desde pequenas precisam perceber texturas diferentes, cores, lugares… para aprimorarem suas percepções, a vivência fora da sala de aula, reconhecendo os arredores da escola, da rua onde mora e de sua cidade, o que faz parte da natureza local, o que foi introduzido por outras culturas, aprimora o desenvolvimento destes que serão os beneficiários dos espaços no futuro. Um abraço!

  2. Olá Daniela,
    Me encantei pelo seu relato e gostaria de saber como foi que vocês conseguiram visitar as escolas da cidade. Existe algum curso por lá aberto para estrangeiros sobre a abordagem?

    Agradeço a sua atenção,
    Abraços,
    Diana Lemos

  3. Olá! Meu nome é Thaine!
    Fiquei encantada com sua experiência, conheci essa abordagem a pouco tempo e fiquei encantada com tudo que aprendi e estou aprendendo, concordo com você sobre a importancia de desenvolver as cem linguagem da criança pois como citava Loris Mallaguzi ” A criança é feita de cem”, e cabe ao professor através dessa nova perspectiva ajudar a desenvolver por completo. Uma coisa que me chamou a atenção também é a importância da escuta na educação infantil, e como isso faz a diferença nesse processo.

  4. Olá, meu nome é Thaine, fiquei encantada com sua experiência, conheci essa abordagem a pouco tempo e fiquei encantada com todo o que aprendi e estou aprendendo, concordo com você em desenvolver as cem linguagens da criança, pois como citava Loris Malaguzi “A criança é feita de cem” e cabe ao professor através dessa perspectiva ajudar a desenvolver por completo. Uma coisa que me chamou a atenção é a importância da escuta na Educação Infantil e como isso faz a diferença nesse processo.

    • Oi Pâmela, as reflexões e os diferentes olhares para nossos pequenos são sempre importantes, não é mesmo? E a escuta, interação e expressão são partes importantes no processo de desenvolvimento, Agradeço o comentário!

      Daniela

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