A “viagem do MST”.

Fermín Damirdjian e César Ricardo Simoni Santos - Equipe do Ensino Médio da Escola da Vila

Foi realizada, entre os dias 09, 10 e 11 de novembro, uma visita a dois assentamentos rurais. Este trabalho de campo faz parte do curso de Geografia do 2º ano do Ensino Médio, cujo conteúdo é primordialmente norteado pela Geografia Agrária. A questão da terra é abordada em seus diversos aspectos, desde os problemas históricos pertinentes a  esse campo de interesses até as reflexões mais abstratas de cunho teórico-econômico e sociológico. A viagem é opcional, e visa uma aproximação dos alunos à realidade dos grupos envolvidos na luta pela reforma agrária. A “viagem do MST”, como ficou conhecida ao longo dos anos, tem também nas práticas do Movimento dos Sem Terra um importante objeto de observação. As ações políticas, as estratégias de produção, as soluções arranjadas e o cotidiano dos agentes interessam ao olhar da investigação geográfica e sociológica.

Concretamente, a viagem consiste em visitar dois assentamentos – um mais recente e outro antigo e mais estruturado – e um acampamento. Os alunos dormem uma noite em cada assentamento e ouvem, ao longo da viagem, relatos de vida das famílias assentadas e procuram entender a forma de distribuição de terras, o trabalho do Incra, a gestão da produção local, as possibilidades e dificuldades da vida coletiva, as técnicas de cultivo, dentre outros elementos.

Os efeitos deste trabalho de campo prosseguem no curso, muitas vezes extrapolando o ambiente de sala de aula, devido aos acalorados debates suscitados pelas vivências dos alunos que fizeram a viagem. A tendência é, em geral, a de se posicionar a favor ou contra o MST. Não há, no entanto, nenhum pressuposto por parte da escola em relação a alguma posição específica, mas apenas o de, como foi dito, promover debates mais ricos, pautados mais pela experiência de uma aproximação concreta à realidade em questão do que por pesquisas teóricas ou com material midiático.

Abaixo, seguem algumas das reflexões, relatos e comentários feitos pelos alunos.

“Muita gente, se não a maior parte de nossa sociedade, não acredita e é até mesmo contra o Movimento dos Sem Terra. Um grupo de alunos foi, na quarta-feira, dia 10, para uma viagem em que conheceram dois assentamentos e um acampamento. Inicialmente, havia alguns alunos que realmente não acreditavam no movimento. Para eles, a imagem do MST era somente aquela mostrada na televisão, onde sempre estava presente a violência e a arrogância.

Conhecendo os assentamentos, conseguimos observar com nossos próprios olhos como são realmente praticadas as atividades do movimento. Com  isso, cada um de nós, alunos que tivemos a grande oportunidade de fazer essa viagem, temos agora uma imagem e uma opinião diferente à que tínhamos sobre o movimento: agora podemos dizer que conhecemos mais a fundo o assunto, já que vimos muito de seu cotidiano com  nossos próprios olhos. Acreditamos que foi um desafio para todos nós e que, além de conhecermos uma verdadeira prática dessa organização, tivemos a incrível oportunidade de ouvir histórias de vida maravilhosas nas quais para cada um dos protagonistas o MST está relacionado de um modo diferente.”

Alunos do 2º ano, participantes da viagem.

4 ideias sobre “A “viagem do MST”.

  1. Foi uma viagem inesquecível! Quantas histórias tocantes e pessoas guerreiras na luta pela terra! Foi muito bom também conhecer um pouco sobre o tão falado MST, conhecer com meus próprios olhos do que se trata a luta pela terra e como ela foi organizada, naqueles casos, pelo MST. Adorei ter participado dessa experiência!

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