O que de especial tem este Centro?

Por Fernanda Flores

“Uma cabeça bem feita vale mais do que uma cabeça bem cheia.” Montaigne

Na última semana de julho, o Centro de Formação da Escola da Vila recebeu, em sua programação de inverno, 320 profissionais da educação. Além da participação de parte significativa da equipe interna, foram muitos professores e professoras de cidades vizinhas e de outros estados que a eles se uniram para refletir e ampliar conhecimentos, alinhavando teoria e prática na construção permanente de uma escola que realmente mobilize e engaje os alunos e alunas a aprender mais, melhor e para a vida toda.

Sempre nos perguntamos como manter viva a energia que nos leva a deixarmos nossas férias e a nos dedicarmos a estudar e a compartilhar práticas, dúvidas e anseios. E, mais que isso, quais são os diferenciais daquilo que promovemos e que, há exatos 36 anos, segue atraindo e motivando um sem número de educadores a estarem conosco?

Consideramos, inicialmente, que somos uma instituição que entende o papel insubstituível do professor numa tríade entre o educador, o estudante e o conhecimento, na qual as perguntas, as propostas, os problemas, os desequilíbrios provocados e a crença nas capacidades individuais de aprender e avançar faz toda a diferença. E isso se lapida, se amplia e se compartilha.

Outro ponto sensível é que nossos professores formadores trabalham para criar espaços de formação, entendendo que devemos desenvolver contextos que promovam uma ideia defendida por Antonio Nóvoa[1], de que “cada educador assuma seu papel de formador inclusive de si próprio e dos colegas”.

Nem sempre as inovações no campo da educação se apoiam em práticas sustentadas em anos de vida escolar e produção autoral de conhecimento pedagógico, mas, no nosso caso, parece-nos que é essa construção de nossa equipe o que temos de melhor a oferecer aos profissionais que nos procuram.

Buscamos desenvolver, nos contextos de formação, aquilo que almejamos mais profundamente com nossos alunos e alunas, ou seja: provocar análises e trocas que fomentem as capacidades de estudar, de procurar, de pesquisar, de selecionar, de comunicar, de resolver problemas, pois consideramos inegociável que isso também componha as práticas de formação continuada para professores, seja qual o nível etário em que atuem.

Como defende Francisco Imbernón[2], a empatia, o trabalho em grupo e a comunicação com os professores são bidirecionais e extremamente importantes para que sejam compreendidas as situações a partir do ponto de vista dos professores que atuam em cena com seus alunos e alunas reais.

Entendemos ser esse o diferencial de quem busca oportunidades formativas em nosso Centro de Formação: profissionais que identificam nossos valores e crenças na formação do professor que reconhece a importância da prática sustentada em conhecimento didático, em estudo e, portanto, busca cursos e oficinas ministradas por quem pratica as ações sugeridas em seu dia a dia, por quem realmente entende a multiplicidade de desafios que nos envolvem no cotidiano escolar.

Assim, seguimos orgulhosos das ações que promovemos e certos de que, mesmo sendo mais árduo, este é o caminho que faz e sempre fará a diferença para quem acredita na formação continuada, autônoma e compartilhada.


[1] António Nóvoa é reitor da Universidade de Lisboa. Para saber mais sobre o que ele pensa acerca de escola e educação, segue entrevista para Carta Educação.

[2] Imbernón, Francisco. Formação Continuada de Professores. Artmed. Porto Alegre, 2010.

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