Novos temas em educação e a necessidade de pensar sobre eles

Escola da Vila

Por Sônia Barreira

Para a Escola da Vila o ano de 2016 foi intenso. Trabalhamos muito, como sempre, mas enfrentamos temas novos e bastante desafiadores para todos.

Passamos por processos de luto que abalaram a equipe, mas mantivemos o foco e cuidamos de nosso trabalho com muito carinho, preservando a memória daqueles que nos deixaram.

Demos início ao planejamento de novos projetos, como a preparação para a implantação do uso do computador pessoal nas turmas de sextos anos do Morumbi e Butantã, o que requereu grande investimento dos professores, desde a elaboração do material digital até a aprendizagem de novos procedimentos no mundo virtual.

Revigoramos ações de investigação científica no Fundamental 1, envolvendo a participação das famílias e promovendo situações de aprendizagem inusitadas e fecundas. Com os pequenos intensificamos as vivências nos grupos multisseriados, diminuindo assim os efeitos de uma seriação precoce.

Mas a novidade maior ficou por conta da forte adesão de nossas alunas aos movimentos feministas que se popularizaram recentemente. Alunas de 12 a 17 anos de idade passaram a nos questionar frequentemente sobre a presença do machismo e da discriminação na sociedade de um modo geral, e na escola em particular. Essas colocações, impactantes para nós que somos herdeiras das conquistas feministas dos anos de 1970 e 1980, nos fizeram ver que estávamos um tanto acomodadas e começamos a nos questionar: há discriminação no ambiente escolar? Onde? Como?

Esse olhar mais atento, impulsionado pela pressão das alunas e dos profissionais mais jovens nos levaram a promover, entre outras ações, rodas de conversa com professores universitários, que se dedicavam ao tema, debates internos que culminaram com uma festa de final de ano com toda a equipe, totalmente diferente da habitual. Convidamos duas professoras do Ensino Médio, Cristina Maher e Paula Camargo, de Sociologia e Geografia respectivamente, para que fizessem uma apresentação  sobre algumas ideias acerca de sexo e gênero geradas pela nossa cultura, muitas vezes naturalizadas, e as desigualdades identificadas por um conjunto expressivo de pesquisas que clarificam em dados estatísticos os lugares sociais ocupados pelas mulheres. As duas mestras deram um show de conhecimento em suas apresentações, o que nos obrigou a refletir e analisar o tema.

Em seguida, nos reunimos em 15 subgrupos que misturaram professores de diversos segmentos, funcionários administrativos, da limpeza e manutenção, direção, equipe técnica, todo mundo, das três unidades, discutindo a partir das ideias trazidas pelas professoras palestrantes: há discriminação no ambiente escolar? Em que já avançamos? O que falta avançar?

Os 45 minutos de roda de conversa produziram depoimentos importantes, novas reflexões, trocas de repertório, dificuldades partilhadas, e, acima de tudo, uma conversa entre iguais, profissionais dedicados a fazer a escola possível, que precisam refletir, porque não têm respostas para tudo e precisam se ouvir, se olhar, se conhecer e se reconhecer. Foi intenso, bonito e importante para todos.

Saímos de férias felizes por constatar que conseguimos um ambiente democrático e seguro para discutir temas complexos, para os quais não temos o mesmo posicionamento, mas que não podemos deixar de enfrentar.

No próximo post, o texto das alunas e alunos que participaram do Grupo Feminista de 2016.

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