Empatia como conteúdo escolar?

Escola da Vila

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Por Daniela Munerato 

“Você está muito chateado? Se eu pegar uma água para você, ajuda? Tomar água faz acalmar para a gente conseguir conversar”

A afetividade está presente no convívio entre crianças. É por meio dos vínculos que elas se aproximam, confiam, testam, ficam bravas, se entristecem, brigam, etc. Então, que tal começarmos permitindo que as crianças sintam, que expressem seus sentimentos?

É frequente vermos o mundo adulto dizer: “não tenha medo”, “seja bom, deixe a braveza de lado”, “não fique triste, vai passar” e o clássico “não chore, nem foi nada”, evitando o enfrentamento ou reconhecimento de que conflitos fazem crescer. A criança precisa de ajuda para decifrar o que sente, aprender a comunicar seus incômodos e, sobretudo, reconhecer que o outro também passa pelas mesmas sensações e mal-estares que ela. O adulto é valioso na ajuda a essa identificação que, paulatinamente, passará a fazer parte de seu vocabulário e, mais que isso, conformando sua capacidade de compreensão de sentimentos.

Colocar-se no lugar do outro revela muitas vezes o desejo de prestar ajuda, principalmente na identificação clara de que o outro não está bem. A palavra empatia, muito em voga atualmente, vem do termo em grego empatheia, que significa a capacidade de uma pessoa pôr-se no lugar de outra, de participar afetivamente do que a outra sente, se trata de uma comunicação afetiva com outra pessoa.

Temos encontrado essa palavra no nosso cotidiano educacional com mais força que o habitual. Por razões sociais e reflexões educacionais, as palavras aparecem, viram moda, mas nossa responsabilidade é a de refletir sobre princípios e contextos na sua utilização e compreensão.

Na escola, os conteúdos são organizados pensando no desenvolvimento integral da criança, o educacional e o pedagógico caminham juntos, mas precisamos ter sempre o cuidado de não transformar algo como “ter empatia” em conteúdo de trabalho descontextualizado da experiência advinda daquilo que é próprio das relações, pois estamos falando em dimensões que dialogam e que dependem da compreensão do conflito como situação formativa para que se instalem espaços de reflexão e conversas sobre como entender o sentimento dos colegas e poder lhes prestar ajuda, mesmo entendendo que essa é uma primeira dimensão da empatia. Por essa razão, empatia não pode ser tratada como um conteúdo de aprendizagem da mesma natureza que a contagem ou que a pesquisa, por exemplo. Aprendemos a reconhecer nossos sentimentos, a pensar sobre eles e a relação deles com as nossas ações em contexto grupal e a partir do que cada grupo vive em seu coletivo e entre coletivos no ambiente escolar, isso sim a escola pode favorecer.

As atividades escolares na Vila têm como bases importantes a cooperação, a interação e a resolução de problemas que favorecem a vivência dos sentimentos. Se as diversas propostas desenhadas para o trabalho na escola estiverem alinhadas a essas bases, os sentimentos estarão presentes, evidenciados na forma como cada um lida com as experiências vividas, tematizados nos grupos como trabalho constitutivo dos mesmos.

A escola é lugar de viver experiências inesquecíveis e formadoras para a vida, cheias de conhecimentos, emoções, sentimentos, cuidados com as relações. É assim que vivemos em grupo. E a empatia, bem como o medo, a alegria, a indignação e a vergonha, por exemplo, são sentidos e refletidos, apreendidos na experiência, e não ensinados meramente por conversas, leituras como pretextos ou aulas sobre o tema.

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