Um pouquinho da SAD em filme

Por Susane Lancman

A expressão popular “uma imagem vale mais do que mil palavras” pode ser comprovada no filme que foi feito na primeira SAD de 2017 pelo Daniel Mattos, cinegrafista oficial da Escola da Vila.

De qualquer forma, vou tentar explicar com palavras um pouquinho da SAD e dessa em especial.

A tradicional Semana de Atividades Diversificadas (SAD) se constituiu num espaço muito rico e potente do ponto de vista pedagógico, uma vez que nos permitiu reorganizar o tempo e o espaço escolar para atividades que talvez não tivessem condições de serem realizadas no dia a dia normal da escola. Por exemplo, é na SAD que podemos programar saídas a campo, assistir e debater filmes sem sermos interrompidos em função do horário das aulas, criar atividades interséries com focos em interesses variados.

As atividades são preparadas com antecedência e discutidas por todo o corpo docente, sempre procurando que elas tenham caráter formativo e/ou estejam relacionadas com o currículo. Assim, cada uma das atividades das aulas regulares ou da SAD são planejadas, executadas e avaliadas tendo como parâmetro os objetivos mais amplos da educação e os específicos das disciplinas.

Nos últimos tempos, muitos alunos pediram à coordenação espaço na organização das atividades da SAD. Tal reivindicação foi acolhida com muito entusiasmo, uma vez que é um indicador do que entendemos como autonomia dos estudantes e porque aparecem atividades que atendem às demandas que os afligem não apenas como estudantes, mas como sujeitos de direitos e cidadãos. As atividades propostas pelos estudantes – organizados ou não no grêmio – passaram, então, a fazer parte da SAD e também fora dela. Como exemplos dessas organizações, podemos citar o Coletivo Feminista, o Cineclube, assim também como o Grêmio Estudantil. Todos esses agrupamentos dos estudantes são estimulados e acolhidos dentro da escola, desde que não extrapolem os acordos estabelecidos entre a instituição e os alunos.

É fácil entender que os alunos de alguma forma queiram discutir assuntos que estão permeando o cenário político brasileiro, como a greve geral. Além de trazerem seus interesses extraescolares com atividades relacionadas a música, arte, dança, literatura, ciências…

Na primeira SAD deste ano, em que a filmagem possibilita vivenciar um pouquinho do que de fato aconteceu, uma das atividades foi a Banda da SAD conduzida por três alunos do 3º ano, Cao L. Bergo, Luis Felipe F. Grupioni e João Pedro V. B. Jabour. O desafio era tocar diferentes instrumentos de percussão, cordas, sopro e teclado com alunos de diferentes classes com diferentes competências musicais. Outra atividade foi conduzida por uma aluna do 3º ano, Luara Macari Nogueira, que deu uma aula de dança tendo como foco refletir “O corpo afro-brasileiro na expressão mitológica de Oyá”. Já o aluno Antonio Pedro Ayd Zellmeister tinha como objetivo compartilhar seu conhecimento sobre arte Bauhaus e o trabalho do artista Hélio Oiticica e a partir dessas referências desenvolver uma intervenção no espaço escolar. O grupo dos alunos do Grêmio proporcionou uma explanação sobre as greves no Brasil e explicaram as reivindicações da greve geral de abril deste ano. Já o Coletivo Feminista organizou uma discussão sobre a cultura do estupro. Essas foram as atividades coordenadas pelos alunos, planejadas com muito comprometimento e conduzidas com muita seriedade. Houve também atividades conduzidas pelos professores relacionadas com os conteúdos da sala de aula, como as de oceanografia para os 2ºs anos, saídas e discussões  sobre moradia na cidade de São Paulo para os 1ºs anos, filmes e saídas relacionados às disciplinas de História e Geografia para os 3ºs anos. Outro rol de atividades foi conduzido por convidados, como os professores de universidades públicas, e por ex-alunos que conversaram com alunos dos 2os e 3ºs anos sobre a escolha da carreira acadêmica.

A segunda SAD acontecerá nos dias 12, 13 e 14 de junho, tendo como tema central o preconceito racial, assunto que é muitas vezes velado em nossa sociedade brasileira, em que prevalece um discurso que vivemos em uma democracia racial. Mais uma vez o tema foi trazido por um grupo de alunos pertencentes ao Coletivo Preto, movimento criado recentemente, que visa discutir questões raciais. Acolhemos a ideia com muito entusiasmo por acreditarmos na relevância do tema. Vale dizer que a escolha do tema central da SAD não exclui a possibilidade de haver outras atividades que não se relacionam diretamente com a temática. Afinal, nossa intenção é que a diversidade de protagonistas, as atividades, os espaços e tempos contribuam na formação integral de nossos alunos.

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