Minha experiência no comitê de famílias da Vila 

Escola da Vila

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Por Renato Salgado, pai de dois alunos da Vila e profissional de comunicação e design, em que lida frequentemente com desafios sobre como comunicar valores institucionais para círculos de interlocutores e acredita que isso é o que a Vila vem precisando ultimamente.

Agora que a maré “mais ou menos” acalmou, queria compartilhar com vocês algumas reflexões.

Em 2017, quando veio a público a compra da Escola da Vila pelo Grupo Bahema, a “comunidade Vila” (alunos, pais, professores e colaboradores) se sentiu meio “traída”, pelo que considerou uma dupla falta: foi vendida para um grupo de investimento (que, neste meio, é facilmente lido como um agente que prioriza resultado financeiro, mesmo em detrimento/flexibilização de valores) e, veladamente, um sentimento de indignação por “não termos nem sequer sido consultados! Viemos a saber disso pelos jornais, como fato consumado”.

A legitimidade desses dois sentimentos me causou um desejo de entender mais a fundo esse processo, como um resultado de uma cultura instaurada. Sempre acredito que os processos coletivos são complexos por misturarem leituras racionais com componentes emotivos…

Eu, como pai de dois filhos na Vila, percebi, em meio àquele fuzuê, uma qualidade muito grande: se a comunidade se sentiu traída, é porque antes se sentira incluída. E isso era porque a Escola da Vila soube criar, ao longo de seus 38 anos, um sentimento de pertencimento que sua comunidade aprovava, praticava e valorizava.

Ora, esse sentido de apropriação pelos interlocutores ao redor de uma Marca é o que, hoje em dia, as empresas e instituições mais almejam e zelam. A Vila tinha isso de sobra e “estava jogando fora junto com a água da bacia”.

Com isso, senti que o maior problema que a Escola da Vila enfrentava não era um problema de perda de princípios (era cedo para dizer isso), mas, sim, um imenso problema de comunicação. A escola não soube reconhecer que criara, ao longo de décadas, um espaço no qual a comunidade se sentia “dona” da escola e, consequentemente, não podia ter tomado essa decisão tão profunda sem envolver essa comunidade. Ou seja, a escola não soube comunicar sua transformação.

Esse é um processo de posicionamento institucional no qual eu navego algumas vezes com meus clientes no meu exercício profissional e senti, à época, um desejo de ajudar a clarear essa nuvem (também para sentir se a continuidade da educação dos meus filhos na Vila estaria preservada. Eu, pessoalmente, não via – necessariamente – como ruim a venda, mas compartilhava com outras famílias a sensação de que “só o tempo diria”).

Sincrônico a isso vi em algumas famílias, por motivos parecidos, o mesmo desejo e disponibilidade. E, finalmente, somou-se a isso a abertura da Vila para acolher esse grupo que culminou com um chamado às famílias para a formação do que veio a ser o Comitê.

Fizemos, desde agosto de 2017, três reuniões. Pouco, mas já o suficiente para gerar profundas reflexões e semear mudanças, como a que conto a seguir.

Já no primeiro encontro eu coloquei essa minha abordagem do problema. Percebi uma escuta atenta e quase aliviada da diretoria da escola e da Bahema, pois de certa forma foi reconhecido um aspecto que até então era difuso e incompreensível. Minha leitura é que eles – por causa do tombo – estavam fazendo uma enormidade de medidas de recuperação da confiabilidade e não estavam priorizando comunicar essas ações. Eu considerava isso tão fundamental quanto fazê-las: só assim a comunidade se reconheceria novamente como tal.

Sugeri que eles procurassem alguma ajuda (uma consultoria) para recuperarem seus valores institucionais e encontrassem vias de comunicá-los de maneira compreensível para sua comunidade.

Surpreendi-me com a rápida adesão à minha ideia, bem como a outras de outros participantes do comitê. Com isso, está sendo realizado um trabalho que, em breve, resultará em um afinamento do modo da Vila se comunicar com seus interlocutores (alunos, professores, famílias, colaboradores, pares, concorrentes, governos, sociedade).

Na última reunião do comitê das famílias da Vila, dia 7/5/18, sentimos que seria muito enriquecedor para este espaço de reflexão e busca de estreitamento da relação da Vila com sua comunidade, que ele fosse mais representativo (hoje somos 12 participantes das três unidades).

Com isso, vimos convidar familiares interessados em participar desse exercício de reflexão (sobre os interesses e conflitos que sentimos, como pessoas desta comunidade) para integrar o comitê.

Os interessados podem nos contatar pelo e-mail: familiasvila@gmail.com A ideia é marcarmos um primeiro encontro de apresentação do que vimos vivendo desde o início e de estabelecimento de estratégias de continuidade contando com a visão ampliada que mais olhares certamente construirão.

Acho que isto é o que a Vila é: nós.

Um abraço a todos.

2 ideias sobre “Minha experiência no comitê de famílias da Vila 

  1. Sobretudo alivia quando a gente vê que pessoas reagem às coisas que acontecem ao seu em torno… Eu me sinto um pouco carregada demais de história com a Escola da Vila (sou mãe de uma já formada aí, trabalhei por anos, tenho uma filha estudando na escola, vi a escola crescer…), que não tive o movimento que vocês tiveram, de se juntar.
    Muito bom saber que existe esse grupo de pais, que imagino ter sempre que existir. Acho que tomei coragem. Vou me juntar a vocês! Valeu! Penha

    • Cara Penha, fico feliz com seu depoimento e com a possibilidade de nos influenciarmos pelos nossos anseios de mobilização e de construção conjunta de uma realidade na qual nos vemos melhor refletidos!
      Seja bem vinda ao grupo! Em breve agendaremos um encontro. Ficamos em contato.
      Um abraço,
      Renato

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