Eleições: qual o papel dos educadores e da escola?

Escola da Vila

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Sonia Barreira, diretora da Escola da Vila, coordenou a elaboração deste texto, que foi escrito a muitas mãos por membros da equipe técnica de F2 e EM

O assunto “Eleições” invade a escola por todos os lados possíveis: nas aulas, no recreio, na entrada e saída. Os pais comentam entre si, procurando conhecer um pouco mais sobre a família dos amigos de seus filhos; os alunos questionam os professores em busca de pistas sobre seus votos; os professores debatem suas tendências na sala dos professores; todos comentam, analisam, fazem suas predições sobre o futuro!

A escola é parte da sociedade e, como tal, repercute fortemente seus temas, polêmicas, preocupações. Atualmente, com as inevitáveis narrativas construídas nas redes sociais há, além do posicionamento sobre os fatos da realidade, uma análise diária sobre as representações dessa mesma realidade que proliferam no Twitter, Instagram e Facebook. Fake news, pós-verdade, mentiras completas, e tudo o mais misturado com notícias, análises, opiniões, interpretações variadas.

Mas qual o papel da escola contemporânea nesse processo? O que deve fazer para responder, adequadamente, a seu propósito maior: formar os novos membros da sociedade, cidadãos participativos e críticos? Deve conduzir, interferir, mediar ou ignorar a questão política? Em outros termos, política é algo a ser ensinado na escola?

Para o famigerado movimento “Escola sem Partido” – professores que acolhem essa demanda, de preparar os alunos para a vida política, o fazem acima de tudo para fazer proselitismo político ou a famosa “doutrinação”. Para os adeptos dessa proposta, o ideal é a “neutralidade”. Os professores deveriam se ater a fatos e informações, nada mais. Ou, no máximo, expor – sem posicionar-se ou promover debates, as várias visões sobre um dado tema.

Mas as escolas que enfrentam o desafio de formar cidadãos críticos, analíticos, autônomos e implicados sabem que não basta informar. Não restringimos nosso papel social a um repositório de materiais. Não nos vemos como um banco de dados neutro e impessoal. Não entendemos que a missão da escola se restringe a transmitir conteúdos, fatos, informações. É necessário favorecer a capacidade de pensar, discernir e dialogar. Para nós, o professor deve se implicar, ser ele próprio um ator reflexivo, questionador e crítico dos processos que ensina. Em outros termos, não se pode pretender que os alunos tenham autonomia intelectual se o professor não puder igualmente exercer a sua autonomia.

O professor deve ensinar ao aluno que a neutralidade não existe integralmente, pois qualquer recorte de fatos e conceitos é realizado a partir de uma visão de mundo, de interpretações e representações conceituais complexas, as quais, querendo ou não, revelam ideologias, posicionamentos políticos, crenças e convicções pessoais e profissionais.

Poderíamos pensar, por exemplo, em debates que não necessariamente se atenham às ciências humanas, alvos frequentes de críticos do suposto dogmatismo, e olhar para as ciências naturais. O que pode ser melhor para nosso país como matriz energética? A energia nuclear, hidrelétrica ou eólica? E o que podemos pensar sobre a exploração de reservas de petróleo? Devem ser feitas com alguma regulação estatal? A delegação de setores na cadeia extrativa pode ser mais produtiva para a economia do país e para o meio ambiente? São questões que envolvem conhecimento técnico, sem dúvida, mas que são inseparáveis da realidade política e econômica do nosso país. Seria um equívoco pedagógico promover um debate entre os alunos, subsidiados com o devido material teórico para alimentar a discussão? Seria preciso, necessariamente, chegar a um consenso nesse debate?

Outro exemplo interessante da neutralidade impraticável, valeria perguntar, no caso da colonização, deveríamos mostrar os dois lados? Do colonizador e do colonizado? Sem nenhuma validação desta ou daquela visão histórica? E no caso no nazismo? Deveríamos fazer o mesmo?

Se a neutralidade é questionável, como evitar, então, o que hoje tantos temem, a famosa doutrinação? Como minimizar, como querem alguns, a influência da visão de mundo dos educadores, na construção de pontos de vista por parte dos estudantes?

Seria importante lembrarmo-nos – antes de mais nada, de nossa própria adolescência e juventude, possivelmente cercados de posições antagônicas, na família, escola, amigos, como pudemos adquirir a capacidade de pensar por nós mesmos? Qual o papel dos nossos professores, colegas e familiares nesse processo? E aqueles adultos que conhecemos que reproduzem pensamentos alheios, que se agarram a dogmas e verdades incontestáveis, que não alteram sua maneira de pensar nem contra evidências indiscutíveis? Qual teria sido a influência de seus colegas?

A autonomia não pode se instaurar a partir de proibições ou regulamentações estritas sobre a atuação do professor. O pensamento crítico não pode ser construído a partir da imposição de regras de condutas, e um currículo fechado, inflexível, repleto de verdades incontestáveis.

É óbvio que a propaganda política partidária não deve encontrar espaço na sala de aula, mas o posicionamento individual não precisa ser escondido, mesmo porque, em qualquer equipe pedagógica, sempre há diferenças e os alunos podem e devem lidar com a diversidade de pontos de vista. O professor precisa mostrar, a partir de ações concretas, que ele mesmo é um ser social, implicado, reflexivo, que assume posições, faz autocríticas e busca uma sociedade melhor.

É preciso apostar no diálogo, no debate e, acima de tudo, na capacidade dos jovens de duvidar, relacionar, comparar e PENSAR por si mesmos. Portanto, cabe à escola a formação política ampla – aquela que promove o entendimento por parte do aluno, do funcionamento da democracia; aquela que promove a implicação no que se refere a questões que afetam seu país, a população de um modo geral, a cidade onde vive, a escola que frequenta. Uma formação que estimula o posicionamento, e não a alienação. Queremos jovens que se sintam capazes e que entendam que se importar, querer agir, estar implicados são ações políticas! E que disponham de ferramentas para fazê-lo com fundamento e respeito à diversidade de opiniões.

Em nosso projeto pedagógico, essa formação política tem espaço em ações regulares, tais como as práticas de assembleias de classe que visam facilitar uma vivência e reflexão sobre os valores democráticos e a vida coletiva. Nas aulas diárias, nas quais a equipe procura tratar, sempre que possível, a relação dos conteúdos disciplinares com acontecimentos relevantes fora da escola. E no currículo tal como é proposto, que busca constantemente a reflexão, a construção de hipóteses e a intervenção na realidade por parte dos alunos. Há também iniciativas importantes dos próprios alunos que se reúnem e formam coletivos de debate (Coletivo Preto, Coletivo Feminista, Coletivo Cultural, Grêmio), nos quais aprendem a colocar sua voz, expressar ideias e realizar ações coletivas que efetivamente buscam mudanças no núcleo social no qual vivem.

Projetos que contam com a adesão espontânea dos alunos de Fundamental 2 e Ensino Médio também ampliam a capacidade de nossos jovens de conhecerem outras realidades e buscarem, juntos, intervenções propositivas, tais como o Vilativa e o Grupo de Direitos Humanos.

Em épocas de eleição há também eventos ou situações pontuais: a discussão entre candidatos de diferentes partidos; palestras que ajudam a compreender como são feitas as pesquisas de opinião que determinam a tendência dos votos; eventuais simulações de eleições; comparação de manchetes de jornais sobre a mesma notícia; entrevistas com autoridades; leitura e comparação entre as propostas de governo, entre outras ações pedagógicas.

Com tudo isso, pretendemos enfrentar a nossa responsabilidade educativa, nesse tema tão relevante quanto espinhoso!

Por outro lado, há certos valores que precisam ser defendidos por aqueles que escolheram a tarefa de educar: o respeito ao outro, o combate ao preconceito, o apreço à liberdade de opinião, a justiça, a defesa da vida, etc. E essa escolha nos obriga a combater, sem sombra de dúvidas, ideias que se opõem a esses valores. Não há, para um educador comprometido, como manter-se neutro nesse campo!

57 ideias sobre “Eleições: qual o papel dos educadores e da escola?

  1. Leitura reconfortante, especialmente em seu último parágrafo. Reforça nossa confiança em “dividir” com a Escola da Vila o compromisso da educação e formação de “indivíduo cidadão” da nossa filha.
    E obrigada por compartilhar este posicionamento, trazendo transparência e seriedade para nossa comunicação!
    Forte abraço,
    Karina Mesquita e Felipe Bruno, pais da Manuela de Mesquita Bruno 4° B

  2. O texto deturpa o escola sem partido, que não prega a neutralidade e sim uma parceria família escola para que o aluno se posicione de forma democrática e não impositiva. No atual modelo, professores chegam a repreender quem pensa diferente o fim desse comportamento é um item muito válido do escola sem. Partido.

    • Não acredito que tenhamos deturpado as intenções do movimento Escola Sem Partido – e penso que inclusive não abordamos todas as consequências nefastas que a aprovação desta lei pode trazer para educação. O que vc menciona, que no “modelo atual” os alunos são repreendidos por pensarem diferente – fica pouco claro, pergunto: tudo que todos os alunos falam- se diferente do ponto de vista do professor – eles são repreendidos? Onde isso ocorre? Te garanto que não é nesta escola nem nas muitas que conheço onde o professor tem liberdade para atuar profissionalmente. Os professores não precisam de leis para censurarem suas atuações, precisam de formação e discussão com seus pares para aperfeiçoarem suas práticas. Acredito que nosso texto não elencou nem um décimo das consequências danosas para a educação que o Movimento Escola Sem Partido preconiza e tenta tornar lei. Mas como este tema será julgado no Supremo em novembro, prometo que escreveremos mais sobre isso. Espero conseguir mostrar a você o equívoco presente nesta proposta. Obrigada pela leitura.

      • Não vejo absolutamente nada de nefasto na proposta. Aliás, “Nefasto/a” é uma palavra que vem sendo usada para tentar reforçar pontos de vistas com pouca argumentação para dar peso ao mesmo, o que está desvalorizando pontks de vista. Não vamos incorrer no erro de querer imputar opinião nas pessoas, o cartaz do movimento tem sim caráter democrático, segue o link para que julguem: https://goo.gl/images/3PLwRs. Uma breve pesquisa na Internet mostra uma tonelada de professores (maioria de esquerda, mas há tb de direita) humilhando ou ridicularizando, ou até mesmo tirando de salas alunos que pensam diferente (exemplo https://youtu.be/jHZsg86rrss). O escola sem partido propõe que esse tipo de autoritarismo saia da escola. Simples! Obrigsdo pelo saudável debate, apesar do diferente ponto de vista.

        • Ok, conforme informei, no mês de novembro trataremos de aprofundar nosso posicionamento sobre estes aspectos. Vale dizer apenas que todas as profissôes podem ter bons e maus profissionais, creio que a forma de combater as falhas na formação ou atuação dos professores é revisão da formação inicial, formação continuada, supervisão e atuação dos diretores e coordenadores. Voltaremos ao tema. Obrigada

        • Por que a Escola não convida então um defensor do programa “Escola Sem Partido” para uma palestra ou debate? Seria saudável e democrático.

          • Primeiramente vamos elaborar nosso posicionamento institucional sobre o tema e publica-lo em novembro. Como já fomos atacados e desrespeitados por representantes do movimento em anos anteriores, não vemos esta medida como adequada, no momento. Quem sabe futuramente.

  3. Agradeço a leitura e o comentário. Procuramos, sempre que possível, deixar claro nosso posicionamento institucional sobre temas polêmicos, achamos importante para toda a comunidade. Isso não quer dizer, por outro lado, que não estejamos abertos ao diálogo e que possamos, eventualmente mudar a forma de ver as questões. Obrigada.

  4. Para complementar essa ideia, ontem ouvi uma entrevista com o escritor Leonard Mlodinow, autor do best-seller “O Andar do Bêbado”.
    Físico de formação e divulgador científico por vocação, o americano explicou o que é o pensamento elástico – tema de seu novo livro “Elástico – Como o pensamento flexível pode mudar nossas vidas”.
    E ele falou, entre outras coisas, da importância da diversidade para o bom funcionamento do nosso cérebro. Veja algumas das falas dele que repercute nesse texto do blog da Vila:
    “De um lado, temos o pensamento lógico e analítico, com o qual fazemos suposições, premissas e aplicamos as regras de raciocínio. Do outro lado, está o pensamento elástico, através do qual não seguimos as regras, mas as criamos. Criamos novas ideias”.
    Mlodinow afirmou que perdemos esse tipo de raciocínio ainda na infância por duas razões: pelo amadurecimento do nosso cérebro e pelo tipo de educação que recebemos na escola.
    “O sistema educacional, na maioria dos países, é criado para tirá-lo de nós. A escola deveria nos ensinar a aprender, a descobrir, a questionar”.
    “De acordo com o escritor, uma das formas de melhorar nosso pensamento elástico é fazendo exercícios em nosso dia a dia com pessoas de fora do nosso círculo familiar e de amigos: “Recomendo falar com quem pensa de modo diferente de você”. “Temos que respeitar e ouvir outras opiniões”. “Mesmo que não mudemos a nossa opinião, ouvir outras opiniões e levá-las a sério amplia nosso pensamento”.

    Bem bacana. E bem bacana a Escola da Vila!!

    Neninha

    • Que interessante Neninha, uma outra abordagem, com outras palavras, para falar sobre a necessidade de abertura, análise e reflexão. O mundo está precisando disso!

      • Deise, excelente sua contribuição ao assunto. Sobretudo o trecho “Temos que respeitar e ouvir outras opiniões”. “Mesmo que não mudemos a nossa opinião, ouvir outras opiniões e levá-las a sério amplia nosso pensamento”.
        Agora reflito sobre o trecho do texto da Sônia: “O professor deve ensinar ao aluno que a neutralidade não existe integralmente, pois qualquer recorte de fatos e conceitos é realizado a partir de uma visão de mundo, de interpretações e representações conceituais complexas, as quais, querendo ou não, revelam ideologias, posicionamentos políticos, crenças e convicções pessoais e profissionais.”
        Meu questionamento é se os alunos da Vila aprendem visões de mundo, interpretações e ideologias com professores “não neutros” de mais de uma ideologia. Se numa escola o corpo docente é formado de profissionais na grande maioria militantes de uma única bandeira, como os alunos serão capazes de desenvolver o mencionado e laudatório pensamento elástico?

        • Já que você insiste, te informo novamente: sua afirmação de que “a maioria dos professores é militante de uma só bandeira” carece de dados concretos. Mas mesmo assim, qual a tua sugestão: investigar o posicionamento político do professor antes de contratá-lo para garantir pluralidade? adotar os mandamentos do escola sem partido e colocar os alunos a vigiarem os professores? obrigar os professores a uma neutralidade que não existe? Poxa! Escrevemos um longo texto mostrando nosso compromisso com a pluralidade, nossa busca constante pela reflexão, para a construção do pensamento crítico, é nisso que acreditamos, é isso que orienta nossa prática pedagógica. Há contradições? Evidente, como em todas as instituições. Há imprecisões? Certamente. Mas, definitivamente, nosso posicionamento expressa o que acreditamos e buscamos concretizar todos os dias. Se houver situações pontuais de seu conhecimento que não sejam desta forma, por favor, procure a orientação e vamos tratar de coisas concretas. Obrigada

  5. O texto é extremamente pertinente e acho que a discussão válida dentro de sala de aula. Hoje temos acompanhando em nossas bolhas digitais o extremismo que reflete o que está acontecendo (no Brasil e no mundo). Ver as múltiplas opiniões, conviver com elas (e com as diferenças) é extremamente bem-vindo, principalmente no ambiente pensado e cuidado da Vila. Gostaria de saber mais sobre os projetos e ações desenvolvidos neste sentido (nas aulas e nos grêmios). Obrigado

  6. Adorei o texto e a reflexao. Sou muito fã de todos vocês intelectuais e formadores /educadores da Vila. Isso só reforça nossa escolha de manter nossa filha nessa escola há quase 12 anos…

  7. Texto muito bem redigido, no qual fica clara a preocupação em fomentar a reflexão sobre a importância do processo educacional na formação crítica dos alunos. Legal saber que meu filho está num ambiente onde isto é fomentado e certamente vai influenciar em sua visão de mundo, tornando-o apto para divergir de ideias retrogradas sempre que necessário. E apoiar e lutar pelos valores que tornam a vida em sociedade mais justa: o respeito ao outro, o combate ao preconceito, o apreço à liberdade de opinião, a justiça, a defesa da vida, etc.
    Fiquei feliz em ver o posicionamento da Escola da Vila, sem partidarismos e com a defesa de valores fundamentais pra gente. Valeu!

    • Obrigada pelo comentário. Procuramos, sempre que possível, deixar claro nosso posicionamento sobre temas atuais, mesmo quando um tanto polêmicos.

  8. Estes são os verdadeiros “um pouquinho de Brasil” que a escola tem oferecido à formação dos seus alunos.

    Como “parte da sociedade” a escola repete nossa experiência diária de que pessoas e instituições em posição de liderança ou poder tem mais apreço pela imagem que projetam do que pelo conteúdo em si. As palavras e as intenções lhes parecem mais importantes do que os fatos ou resultados obtidos.

    O primeiro exemplo foi a tragédia da greve em que professores que tiveram seus anseios atendidos ainda assim impuseram às crianças uma greve desnecessária em virtude da “solidariedade para com a classe profissional” ou para “a construção de um país mais justo”.

    A escola, por seu lado, enviou uma longa mensagem citando leis e normas do MEC e lavou as suas mão de sua responsabilidade, dizendo não faria nada para recuperar os dias letivos perdidos sem motivo. As crianças…repito: CRIANÇAS…tiveram que pagar aos sábados o custo dos abusos cometidos por adultos. Sem consequências nem para professores e nem para a escola.

    Ora…que modelo de país justo pensam este corpo docente e esta escola que não passa por proteger as crianças!

    “Um pouquinho de Brasil”, aprenderam as crianças. Eles podem e nós temos que pagar por isso, sem opção. É uma lição para a vida toda.

    Do mesmo modo agora a escola tenta projetar uma imagem de erudição e isenção com a idéia de que fomenta um ambiente de pluralismo de idéias e que desenvolve a autonomia e pensamento crítico dos jovens.

    Assim como o pai acima, a experiência com meus filhos mostra que os fatos não suportam o “marketing”. Quando a maior parte do corpo docente pensa igual e usa o poder psicológico que sua “senioridade” e posição de autoridade lhes confere, o equilíbrio entre o debate de idéias está comprometido.

    Tenho, SIM, exemplos de meus filhos de colegas que tiveram que retirar uma camiseta com opinião diversa à do professor ou seriam expulsos da sala. Ou que tem sua opinião política ridicularizada por ser mais liberal ou contrária à norma.

    Mais uma vez “um pouquinho de Brasil” se apresenta aos jovens. Toda opinião e idéia é válida, desde que não seja muito diferente da nossa. Deste modo, se vê por que movimentos como o Escola sem Partido são importantes, ainda que tenham falhas. Todos se acham plurais e justos, mas o discurso nem sempre se sustenta na prática.

  9. Agradeço pelo texto, que nos traz transparência, mas principalmente pelo posicionamento.

    Falar sobre política nas escolas e formar cidadãos cientes de seu funcionamento e conscientes da importância de sua participação é tão importante quanto a formação dada a qualquer outra disciplina.

    Todos nós fazemos e vivemos a política todos os dias, não só em época de eleições. Ignorar esse fato excluindo essa discussão da sala de aula é perder a oportunidade de promover algo tão raro e urgente nos dias de hoje: a necessidade de CONVIVER com as diferenças.

    Um abraço,
    Renata

  10. Gostei da publicação, e gostei da iniciativa de escrever o texto e publicar-lho, provocando essa reflexão, muito necessária. Só que ainda acho que não responde a todas as minhas inquietudes sobre o assunto.

    Concordo com o fechamento: por muito que seja ambicionada uma diversidade de ideias, existem limites. E os limites estão nos valores inquebrantáveis de respeito ao outro, combate ao preconceito, liberdade de opinião, justiça, defesa à vida, etc. E sempre que esses limites não sejam quebrados, o objetivo deveria ser criar espaços de aprendizado nos quais diferentes ideologias possam circular, em lugar de buscar uma neutralidade absoluta que também acho que é difícil, e não sei se é nem sequer recomendável. É a multiplicidade de ideologias que gera o pensamento crítico que tanto aspiramos a desenvolver.

    Só que aqui que eu percebo uma contradição na escola. Existem na minha opinião dois discursos paralelos (posso estar enganada, mas é o que me chega):
    1. Por um lado o discurso formal, sempre valorizando a pluralidade, os pesos e contrapesos da sociedade, o respeito à diferença, o pensamento crítico, etc.
    2. Por outro o discurso real que emerge de forma dominante da multiplicidade de pessoas que formam a comunidade, e que chega até mim através das falas dos professores, as atividades, os exercícios, etc. E esse é o discurso que para mim não chega suficientemente diverso. A sensação é que dá é de que existe sim uma linha ideológica dominante que vai além desses valores inquebrantáveis. E não tenho dúvida que existem pessoas com opiniões diferentes mas essas mensagens não parecem chegar.
    Resumindo, eu não sinto que o discurso real seja assim tão plural como o discurso formal tenta fazer aparecer. É uma percepção. Só isso… Talvez o meu entendimento do que é um espaço plural seja algo idealizado demais.

    • Olá, concordo com vc que quando fazermos um discurso institucional ele é um tanto idealizado, mas por outro lado, é o que perseguimos como escola. Como membro da equipe há anos, posso te garantir que nossa equipe é plural no que tange às opções politico partidárias. Não saberia precisar as representatividade das difereças porque não tomamos em conta estas opções quando contratamos. Mas tratamos de impulsionar todas as medidas que estão relatadas no texto, inclusive a abordagem didática que considera muitos pontos de vista. Obrigada pela leitura

  11. Não esperava outro posicionamento da escola, onde meus filhos têm a sorte de estudar. Principalmente no que se fala sobre o terrível projeto “Escola Sem Partido”, que é uma ferramenta de acabar com a liberdade de pensamento das crianças em prol de uma idealização conservadora.
    Que se mantenha assim, formando crianças livres e sem preconceitos, preparadas para os tempos tenebrosos a que estamos ameaçados de enfrentar (e espero que não passe disso).

  12. Que alívio ler este texto! Confortou meu coração. Precisamos nos posicionar. Sim, “defendemos o respeito ao outro, o combate ao preconceito, o apreço à liberdade de opinião, a justiça, a defesa da vida, etc,”.

  13. Obrigado Sonia pela oportunidade de trazer para discussão um tema tão importante. Acho que estamos em um grande momento de aprendizado em todos os níveis. Estamos aprendendo, inclusive, a ter uma participação política mais concreta. Obviamente por falta de prática, ainda nos vemos amarrados em posicionamentos radicais que impedem o diálogo. Acho importante o posicionamento da escola em abrir um campo de debates onde certamente, todos nós sairemos mais maduros como indivíduo e sociedade.

  14. O Programa Escola sem Partido é uma proposta de lei que torna obrigatória a afixação em todas as salas de aula do ensino fundamental e médio de um cartaz com o seguinte conteúdo:
    Deveres do professor
    1- O Professor não se aproveitará da audiência cativa dos alunos para promover os seus próprios interesses opiniões, concepções ou preferências ideológicas, religiosas, morais, políticas e partidárias.
    2- O Professor não favorecerá nem prejudicará os alunos em razão de suas convicções políticas, ideológicas, morais ou religiosas, ou da falta delas.
    3- O Professor não fará propaganda político-partidária em sala de aula nem incitará seus alunos a participar de manifestações, atos públicos e passeatas.
    4- Ao tratar de questões políticas, sócio-culturais e econômicas, o professor apresentará aos alunos, de forma justa – isto é, com a mesma profundidade e seriedade – , as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito.
    5- O Professor respeitará o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que seja de acordo com suas próprias convicções.
    6- O Professor não permitirá que os direitos assegurados nos itens anteriores sejam violados pela ação de terceiros, dentro da sala de aula.

    Gostaria de saber em quais pontos a escola enxerga algo nefasto nessa proposta. Eu como pai, ficaria muito feliz em confiar meu filho à uma instituição que proporcionasse um ambiente isento de pregações ideológico-partidárias. Me preocupa, como foi dito no texto da escola:
    ´´O professor deve ensinar ao aluno que a neutralidade não existe integralmente, pois qualquer recorte de fatos e conceitos é realizado a partir de uma visão de mundo, de interpretações e representações conceituais complexas, as quais, querendo ou não, revelam ideologias, posicionamentos políticos, crenças e convicções pessoais e profissionais.“
    Creio que o professor deva se ater a ensinar as matérias que são propostas dentro do curriculum, e que suas convicções , crenças e posicionamentos políticos sejam reservados para si próprio. Do contrário teremos um conflito aqui, pois não sei até que ponto a falta de neutralidade desse professor não irá de encontro às crenças e valores da minha família.

    • João, concordo com você. Não vejo nada de nefasto nas propostas do “Escola Sem Partido”. Me preocupa muito a escola declarar repúdio a esse projeto tão abertamente. Sobretudo porque a maioria dos professores é de uma única escola ideológica. Minha proposta é convidar um defensor do “Escola Sem Partido” para um debate. Se a escola é de fato democrática, promoveria essa discussão.

      • Acho bastante complicado este tipo de afirmação, trata-se evidentemente de uma impressão sua, nem mesmo eu que atuo aqui poderia afirmar com esta convicção que os professores são de uma unica escola ideológica. Já respondi a você nossa posição sobre este debate. A escola é democrática, mas não se vê na obrigação de aceitar toda e qualquer sugestão para provar isso a ninguém. A maioria de nossa comunidade sabe que estamos abertas, refletimos e não nos furtamos de nenhum debate. Daí a aceitar o que você está propondo, há uma distância. Escola discute com escola, professor com equipe de professores. Agradeço sua insistência, mas nossa resposta no momento é negativa, quem sabe nos próximos meses tenhamos outra maneita de entender sua proposta.

    • Vamos nos posicionar claramente sobre como entendemos esta proposta, suas consequências e como entendemos esta visão em relação ao nosso projeto pedagógico. Pode aguardar para novembro. Obrigada

  15. Escrevi um longo comentário parabenizando a Escola da Vila pelo posicionamento íntegro e tão bem fudamentado. Perdi o texto no momento da publicação. Concordo com cada linha, como mãe e educadora. Volto a escrever com calma. Democracia, paz e justiça para todos. Teca, mãe do Luís 8 o ano

  16. Agradeço a lucidez das reflexões e a coragem do posicionamento altamente cunhado na perspectiva pedagógica e nos princípios e valores da Escola. Assim, como princípios a gente não negocia, não é possível aceitar, em nome da “imparcialidade”, propostas políticas antagônicas aos direitos humanos.

  17. Agradeço a Escola da Vila pelo posicionamento não só claro e firme, como fundamentado e democrático. Eu não esperaria nada diferente, pois os princípios e praticas colocadas nesse texto são coerentes com o projeto da escola. Mesmo assim, essa carta aberta é muito oportuna nesse momento em que a sociedade brasileira se vê diante de um debate sobre o futuro da democracia no país. Tomo a liberdade inclusive de sugerir que as alunas e alunos que se coloquem contra a maioria do pensamento dos colegas, sejam não só estimulados e respeitados em suas opiniões, como sejam levados a refletir sobre sua posição no sentido de aprimorar sua visão e desenvolver argumentos fortes e pertinentes. A costura do esgarçamento do tecido social e político do país vai demandar um diálogo longo e bem
    fundamentado com argumentos fortes vindos de todos os lados e pontos de vista. Parabéns pela iniciativa da escola em se colocar aberta e fomentadora da reconstrução do diálogo em nossa sociedade.

  18. Temos assistido no Brasil um esvaziamento dos conceitos constitucionais, dentre eles o da liberdade. A escola sem partido tenta esvaziar, em verdade”desconstitucionalizar” a liberdade de expressão. Sou professor há mais de 30 anos e sei da importância do educador (e não do professor mero repetidor de conteúdos) em sala de aula, espaço mágico e transformador para o bem e para a reflexão. O texto da Escola da Vila aborda e implementação do respeito aos diversos posicionamentos e inclui a discussão política necessária à formação dos alunos, sem os partidarismos desnecessários. Respeito. Essa é a palavra que deveria vir no lugar de tolerância. E creio que ela veio no texto, mas principalmente no último parágrafo.

    • Você está certo, concordamos que respeito é o termo adequado. A tolerância já indica um tipo de aceitação meio contrariada, não é mesmo? O respeito é bem mais difícil de ser cultivado, mas é nele que devemos investir. Obrigada.

  19. Desse texto, fico com o último paragrafo muito mais coerente. E o que mais impressiona tudo isso nesse momento é que em nenhum momento não se discute as questões esportivas, onde mais que provado é importante. Esse é meu mundo sim, meu mundo esportivo e social.
    A palavra mais próxima a qualidade de vida foi Cultura, a sociedade precisa respirar acima de tudo, e os alunos nem se fala.

    Parabéns pelo texto mas fico com o último paragrafo:
    Por outro lado, há certos valores que precisam ser defendidos por aqueles que escolheram a tarefa de educar: o respeito ao outro, o combate ao preconceito, o apreço à liberdade de opinião, a justiça, a defesa da vida, etc. E essa escolha nos obriga a combater, sem sombra de dúvidas, ideias que se opõem a esses valores. Não há, para um educador comprometido, como manter-se neutro nesse campo!

    Emerson Marinheiro

  20. Numa rápida leitura, vi muito sobre o que refletir como docente. Mesmo não atuando na Escola da Vila, acompanho suas redes sociais pois sempre há crescimento disponível para quem quiser.

    Thiago Petermann

  21. Oi Sônia, obrigado pelo texto e clareza mas tenho uma pergunta: esse texto vocês estão abrindo um diálogo ou é um manifesto?
    Porque se for diálogo também gostaria de me manifestar como não acho nada de “nefasto” na escola sem partido.
    Deixo bem claro que não vejo nenhum interesse em haver uma vigilância sobre os professores, isso não é uma caça às bruxas e espero estarmos bem longe da censura. Mas a idéia é coibir o partidarismo.
    Entendo a escola como você, um lugar de pluralismo. Agora como ter essa pluraridade se o mestre já se mostrar parcial??? Como incentivar crianças a pensar se o professor já se mostra tendencioso?
    E desculpe Sônia, mas achar que nossos professores não são capazes de se mostrar isentos acho que subestima nosso excelente corpo docente.

    Mais uma vez agradeço seu texto.

    • Na realidade este texto não é um posicionamento sobre o Escola sem Partido, e sim sobre o papel da escola na formação política de seus alunos, apenas utiliza algumas ideias do referido movimento para a argumentação. Faremos um posicionamento sobre o Escola Sem Partido em novembro, como já informei.
      Algumas ideias estão sempre abertas ao diálogo, outras são fruto de convicção do projeto e fazem parte de seu seu embasamento e identidade. O blog ajuda a veicular as convicções mas também permite o diálogo, embora limitado por suas características. Como você pode ver, não deixamos de publicar nenhum comentário.
      Em nenhum momento falamos de parcialidade, apenas combatemos a ideia de que pode haver uma neutralidade curricular, isso para nós é desconhecimento sobre a prática pedagógica. A partir do momento em que há seleção temática, enfoque metodológico, seleção de textos, a neutralidade diminui. Neutralidade pode existir para comunicar fatos, datas, nomes. Mas os conceitos, já dependem de representações pessoais, marcos teóricos distintos, etc.
      Entendemos que não pode haver partidarismo nas abordagens de ensino, isso é bastante claro para todos aqui. A seriedade profissional de nossa equipe é grande. Podem acontecer fatos isolados que não sejam adequados? Sim, não apenas no que se refere a política, mas em todos os âmbitos.
      Em novembro, podemos debater mais e melhor o que entendemos por consequências nefastas do movimento citado. Forte abraço,

  22. Uma escola que em tempos difíceis não foge da responsabilidade educativa. Com diversas opiniões, informações, posições e contraposições, tendo por base o diálogo e a defesa de idéias, oportuniza o pensar livre e crítico na construção do conhecimento. Parabéns!

  23. Agradeço e valorizo que a escola se posicione sobre o tema, que é importante para a eleição próxima mas rvem no longo prazo.
    Lendo todas as manifestacoes sobre este post vejo que ainda ha muitos pontos a serem discutidos. Manter a porta aberta e o peito aberto é fundamental.
    Com relacao a nossos filhos gostaria de reforçar a responsabilidade dos professores em ter consciência que estao tratando com criancas e adolescentes. Nessa idade estao muito suscetiveis a opiniões e o professor ocupa um local sagrado ao estar a frente do debate. Estar consciente de sua opiniao como professor é importante mais importante é estar consciente de sua influência e como abre ou fecha portas das opiniões e efetivamente modera a pluralidade. Sinto esse desafio tambem por ser professor de pos-graduacao, onde sao todos adultos.
    Estou lendo o livro Cerebro Adolescente e venho me conscientizando cada vez mais sobre a plasticidade critica desta fase da vida que surprendentemente pode chegar ate os 21 anos, do ponto de vista biológico do cerebro.
    Minha sugestao é manter a discussão e o exercicio da discussao e pluralidade coerentemente ao nivel do que é um aluno do F2 ou ensino medio. Ha tanto espaco para ocupar em temas mais próximos a realidade dos alunos. Temas onde possam se sentir atuantes. Valorizo muito a possibilidade dos alu is definirem por si so regras de conduta entre eles sobre aspectos da convivencia diaria. Entendo q o caminho seja expandir esse espaço.
    Embora eu concorde que o professor possa expressar sua opiniao, tenho receio que possa cruzar limites ao esquecer que existe uma distancia importante no dialogo adulto-criança, adulto-adolescente, em comparacao ao dialogo adulto-adulto.
    Enfim, apoio o posicionamento da escola, acredito no dialogo frequente e construtivo.
    Pretendo me engajar mais nesse sentido.
    Bom fim de semana a todos(as)

  24. O texto é excelente e reconfortante. Não esperava um posicionamento diferente da Escola da Vila. Um abordagem consistente e complexa, como deve ser. As respostas contundentes aos pais que defendem o Escola Sem Partido também são elogiáveis e igualmente reconfortantes. Parabéns!
    Gostaria de reiterar uma sugestão já feita anos atrás aos coordenadores do Fund.I. Ao estudarem as formas de trabalho escravo do Brasil colônia aos dias atuais, os estudante do 5o ano deveriam ser informados sobre os movimentos de resistência à escravização dos negros no Brasil. É dada pouca atenção a isso, o que pode gerar compreensões equivocadas a respeito do posicionamento dos negros escravizados. Como mãe de um garoto negro, reitero a importância. Quando estava no5o ano Nicolas teve a iniciativa, por conta própria, de levar um cartaz sobre Zumbi dos Palmares para compartilhar com os colegas. Infelizmente, não teve a oportunidade de discutir o assunto com o tempo que merecia. No 6o ano Nicolas quis voltar a falar do assunto e propôs à escola que pudesse falar para os alunos do 5o ano. Preparou com esmero uma apresentação não apenas sobre Zumbi, mas também sobre influências da cultura afro no país. Agora, no 8o ano, estudou África, numa perspectiva bem crítica, mas ainda com pouca ênfase aos movimentos de resistência. Imagino que isso seja conteúdo das séries seguintes, mas sugiro aos professores especialistas que cogitem a possibilidade de abordar o tema da escravização de negros no Brasil, sempre acompanhada do contraponto: movimentos de resistência. Uma outra sugestão, é trazer o Coletivo Preto para as séries finais do Fund.II como forma de fortalecer a minoria negra que frequenta a escola e preparar para a participação mais efetiva nas séries seguintes.

  25. Sonia,

    Parabéns pela publicação do texto coletivo, pela iniciativa de posicionamento da Escola da Vila e pela disponibilidade de responder às colocações. Um forte abraço

  26. Eu esperava (eu sabia q esse texto viria!) que a Escola trouxesse seu ponto de vista à respeito de algo que nos é tão raro, que é a democracia. Ele já vem sendo trazido no decorrer da jornada e cotidiano pedagógico, eu observo, mas nesse momento em q atravessamos, eu procurava por mais. Como mãe, eu estou certa de que minha filha esteja construindo, através das orientações que perpassam o projeto da escola, uma ideia de mundo diverso, amplo e democrático.
    Foi bom te ouvir Sônia!

  27. Parabéns pelo texto, muito oportuno. Percebi que a abordagem do “Escola Sem Partidos” motivou comentários críticos, pois o texto não seria fiel ao que esse, digamos, movimento, propõe. Discordo, respeitosamente. Aliás, discordo até mesmo da missão desse movimento, que se autoatribui uma espécie de “vigilância pedagógica” unilateral, que considero impertinente. Decerto que pais/mães podem e devem interagir com instituições de ensino a respeito de conteúdos e processos pedagógicos. Seria demasiado empobrecedor se isso não ocorresse. Mas partidos (todos) são expressões das sociedades em que são organizados e atuam na vida política. Não existem à parte dessas sociedades. Por essa razão, uma suposta escola sem partidos equivaleria a uma escola sem sociedade, o que me parece um despropósito. Daí minha discordância da missão do movimento. Donde concluo que o problema não está em possível deturpação do que apregoa o tal movimento, mas na dificuldade do próprio movimento em expressar com mais clareza quais são seus propósitos. Isto sim corresponderia a uma contribuição ao convívio democrático. Respeitosamente, Paulo.

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