Por que escolas democráticas e comprometidas com a formação de pessoas com pensamento crítico e autonomia moral e intelectual não podem aceitar as propostas do Escola Sem Partido?

Escola da Vila

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por Grupo de Escolas Critique:

Nas últimas semanas temos visto um conjunto expressivo de artigos e manifestações de educadores, pesquisadores, instituições de ensino, imprensa e sociedade de um modo geral, sobre a proposta conhecida por Escola Sem Partido (ESP). Os posicionamentos aumentaram nas mídias porque esse movimento avançou consideravelmente, visando influenciar a opinião pública com argumentação rasa que facilita o convencimento. Com isso, ameaça transformar suas propostas em lei e submeter escolas e educadores aos seus preceitos.

Esse movimento, ao contrário do que pode parecer, não visa apenas combater o proselitismo político em sala de aula. O nome, Escola Sem Partido, ilude o observador distraído e a aceitação à primeira vista parece óbvia: evidentemente as escolas não têm de tomar partido político! No entanto, não é bem isso. Trata-se de uma organização da sociedade civil, que se autodescreve da seguinte maneira: “composta por pais e estudantes, preocupados com o grau de contaminação político-ideológica das escolas brasileiras, em todos os níveis: do ensino básico ao superior”. Neste mesmo ambiente virtual, declara que se propõe a: combater ideologia, educação sexual e temas relativos à moralidade por entenderem que isso é função da família.

Nós, educadores profissionais que atuamos no chão da escola, entendemos que escolas democráticas, que visam a formação de jovens autônomos, com pensamento crítico e sensibilidade social não podem apoiar as intenções acima descritas; ao contrário, escolas democráticas para serem coerentes com seus propósitos educacionais, com os projetos pedagógicos pelos quais são conhecidas e por meio dos quais escreveram suas histórias, devem combater com firmeza e propriedade as ideias divulgadas por este grupo.

E por quais razões?

Escolas que visam que seus alunos construam autonomia, pensamento crítico e capacidade de criar não são lugar de repetição de cartilhas prontas, muito menos de ideias-verdade, ou de dados e fatos “neutros” que não ajudam a desenvolver a capacidade intelectual dos alunos. Para fazer pensar é preciso provocar, oferecer diversas lentes de leitura da realidade, situações-problema variadas e teorias consistentes. É preciso ter liberdade para evocar, contrapor, duvidar. Só um professor bem preparado, comprometido e livre pode agir dessa maneira.

A sala de aula que faz pensar, regida por profissionais que acreditam na capacidade de aprender dos alunos, é o lugar do inusitado, do imprevisível, do imponderável, quase nunca um dia é igual ao outro. E por que é assim? Porque os alunos são seres pensantes, que igualmente duvidam, provocam, analisam e confrontam. Nenhuma aula é exatamente como o professor planejou. Ele é contestado, questionado e perguntado, especialmente quando os aprendizes estão motivados e percebem sentido no que os professores propõem. Suas propostas podem funcionar ou não, às vezes falham e precisam ser ajustadas no momento da aula. Em todas as circunstâncias, sucesso ou não, o professor tem de justificar suas propostas, considerar o que foi dito pelos alunos, fazer ajustes e eventualmente até admitir que não tem a resposta para aquela pergunta. Nesse jogo de dúvidas, de buscas, confronto de ideias e de permanente inquietude intelectual, se dá a construção do conhecimento. A construção de um conhecimento autêntico, não mera reprodução ou repetição do que o adulto quer ouvir.

Mas, para que uma sala de aula funcione dessa maneira é preciso garantir certas condições estruturais ao longo do tempo, pois essas características dos alunos e dos professores não surgem do nada, não fomos formados para agir dessa maneira. A maioria de nós foi formada na escola do passado, onde obediência e reprodução eram a tônica. Para que a sala de aula seja como a que descrevemos no parágrafo anterior, é preciso que todos se sintam autorizados a pensar, sejam reconhecidos como sujeitos únicos, haja espaço para erros e acertos. É preciso construir relações de cooperação mútua entre os estudantes, e estas só podem se desenvolver em ambiente de confiança. Os alunos precisam confiar que o professor vai legitimar suas dúvidas e utilizá-las para o processo de construção de conhecimento de todos no grupo. O professor precisa confiar que os alunos irão expressar suas ideias e opiniões. O grupo precisa saber que a voz de cada um e de todos está garantida e protegida.

Nada disso acontece por acaso, por decreto ou do dia para a noite. São posturas que são desenvolvidas e incentivadas do início ao final da escolaridade básica. Aprender a ouvir o outro, mesmo quando ele sabe menos que você, participar seguidamente de debates assumindo posições em que acredita ou não, expor suas contribuições para o restante do grupo, reconhecer suas falhas, trabalhar em grupo, cuidar do meio ambiente, reconhecer as diferenças e encontrar seu espaço no grupo são conquistas que ocorrem em escolas que constroem um projeto político pedagógico que valida as situações de aprendizagem que geram aqueles frutos.

É dessa forma que essas escolas ensinam a pensar: com liberdade, diálogo, aceitação das diferenças e confiança mútua. Nesse processo, o erro pode fazer parte do cotidiano de todos. Mas a estrutura de nossas escolas, o orientador, o coordenador, o diretor, eles avaliam e analisam permanentemente com a equipe de professores as práticas pedagógicas do professor, suas decisões, numa relação profissional entre adultos. É no plano profissional que se discutem os planejamentos e acontecimentos em sala de aula. Não consideramos moralmente educativo inverter papéis, convocando os alunos para serem os vigias de seus professores!

Para exercer a alteridade, o educador precisa estar legitimado como o adulto que tem a autoridade no processo educacional, o que não pode fazer coagido, controlado de fora para dentro, refém da interpretação equivocada daquele que pretende educar.

Ao perder sua liberdade em sala de aula, o profissional da educação de escolas como as nossas perde sua profissão, integralmente. Restará a ele a reprodução de um plano de trabalho rígido, pautado numa falsa neutralidade, eventualmente tendo por base materiais prontos, elaborados por terceiros, padronizados e empobrecidos. E isso, para nós, não é o mesmo que ser um educador.

Para seguirmos educando seres pensantes, reflexivos, autônomos e éticos não podemos abrir mão das seguintes condições:

a) liberdade para educar e agir profissionalmente em sala de aula, garantindo o direito de crianças e jovens de serem formados com base nas teorias mais contemporâneas sobre aprendizagem;

b) ambiente de trabalho coletivo profissional, autônomo, capaz de analisar sua prática com liberdade e coerência, capaz de dialogar com as famílias e alunos sem a intervenção de pessoas alheias ao processo de ensino e aprendizagem em curso;

c) ambiente de confiança plena entre os partícipes do projeto pedagógico.

O tema não se encerra aqui. Nesta quarta-feira, publicaremos o artigo “Quais valores e ideias são vistos como doutrinação pelo movimento Escola Sem Partido?”, de Alex Brilhante, professor de Ciências Naturais e Física da Escola da Vila.

57 ideias sobre “Por que escolas democráticas e comprometidas com a formação de pessoas com pensamento crítico e autonomia moral e intelectual não podem aceitar as propostas do Escola Sem Partido?

  1. O projeto é um atentado à Educação. Querem cercear o ambiente escolar e a liberdade de expressão. Quando o mundo inteiro entende que uma educação de qualidade é aquela em que alunos e professores são incentivados a resolver problemas de forma livre, alguns, que nunca leram um único livro sobre experiências e políticas educacionais, querem nos levar de volta ao século XVII.
    Parabéns ao grupo pelo posicionamento.

  2. Não esperava nada diferente da Escola da Vila, orgulho de vocês!!!

    Por essas e outras é que escolhemos a Vila pra dividir a dificílima tarefa de educar nossas filhas.

  3. Parabéns pela posição! Coerente, madura e que faz jus a bela escola que representam.

    Vivemos no limiar de uma nova era, onde a robótica e a inteligência artificial tem tremendos impactos sobre o mundo do trabalho e a sociedade. Nesse novo quadro, cada vez mais a educação é solicitada a dar uma formação holística aos seus alunos, ensinando-os a argumentar, a pensar por si próprios, a relacionar a parte com o todo e a desenvolver o pensamento crítico.

    É impossível o sistema educacional formar profissionais e cidadãos para este novo mundo em uma redoma de vidro ou em ambiente monocromático, como querem impor os neofundamentalistas – laicos ou religiosos.

    O inquietante é que a cruzada moralista tem contado com aquiescência de autoridades e instituições que se deixaram emparedar. Ou por populismo demagógico ou porque elas mesmas buscam impor suas concepções religiosas e morais ao conjunto da sociedade.

    Isso é péssimo!

    Por aí, a educação e a cultura estarão sob o tacão da ditadura do pensamento único.

    Grande abraço!

  4. Fico muito, muito, muitíssimo feliz em ver um posicionamento tão contundente como este contra o horror fascista do tal projeto Escola Sem Partido. Grata à equipe Vila por compartilhar essa visão.

  5. Por isso gosto tanto da Escola da Vila. Nesse momento histórico, é preciso inclusive ter coragem para se posicionar. Diante dos riscos de represálias, temos que ter muita coragem de assumir a postura contestatória. É lógico, o educador eficaz tem que entrar em debate com os aprendizes, sempre. Inclusive, apresentando posições contrárias às do aluno, quaisquer que sejam elas. Dar este poder ao aluno é ridículo e uma inversão muito perigosa de valores. Bravo Sônia!

  6. Ola,

    O texto é muito grande e pouco convidativo para leitura, desculpe mas não consegui ler inteiro.

    Eu acredito que as escolas não podem tomar partido de candidato A ou B, ou linha politica A ou B.

    Em minha opinião, o professor tem o “poder” de conduzir a sala e seus alunos, portanto poderia facilmente incentivar a criança a acreditar no que “ele (a)” acredita. Acredito que politica tem que ser debatida sim, porem o professor deveria atuar como mediador SEM tomar partido.

    Confesso que tenho estado um pouco preocupado com a forma com que a questão politica vem sendo conduzida na Vila.

    Obrigado!

    Abs

    Marcio Berger

      • Você acompanhou quando os alunos fizeram a discussão a respeito da Abolição da Escravatura ou da Política de Cotas? Está lembrado de que eles tinham que defender posições, ainda que aquela não fosse, na realidade, a sua posição a respeito do tema? Creio que esta é uma demonstração concreta da neutralidade que a Escola persegue, para poder abordar as questões polêmicas da sociedade com um olhar isento e sábio, que visa o bem estar das pessoas do nosso país.

      • A leitura completa deste e outros textos sobre o assunto esclarecerão as sombras que ainda restarem. Incentivo fortemente esse antídoto contra a manipulação. Afinal, de rótulos os partidos estão cheios, não é mesmo? E as capas não conseguem traduzir todo o conteúdo de um livro. ;)

      • A educacao no brasil eh muito conservadora, inclusive na escola da vila. Os pais têm muito medo, talvez porque nao façam o esforço de ler textos longos… Quem defende um candidato específico eh o escola sem partido, o movimento na educaçao mais partidario de todos.

      • Os pais talvez tenham medo porque nao enfrentam os textos longos que os filhos estao lendo… A educacao no brasil eh superconservadora, a escola sem partido (na verdade, o contrario disso) piora ainda mais isso.

    • Não é de agora, a Vila sempre teve viés ideológico. Se dizem democráticos, mas no texto em questão nem parecem que leram o projeto do Escola sem Partido na íntegra. Lamentável.

    • Este projeto está sendo amplamente apoiado por pessoas que enfrenatam dificulades para ler. ironicamente estas pessoa que não gostam de ler estão querendo questionar os professores, julgando-se experts em educação, e através do seu apoio vazio de leitura colocando em risco o futuro de uma nação…Eu penso que antes de querer discutir qualquer assunto é necessário se inteirar sobre o mesmo, lendo sobre ele… Que paradoxo eim??

  7. Interessante o texto e concordo muito com este ponto de vista. Porém alguns alunos não sentem liberdade dentro da Escola de expressar sua opiniões, principalmente quando são contrárias a maioria.

    • Se a Escola tivesse preocupação com a neutralidade política e estivesse dedicada à pluralidade e à mediação de argumentos, não teria se dado ao trabalho de escrever um texto tão longo contrário ao Escola Sem Partido. Aliás, o ideal seria Escola de todos os Partidos. Professores de ambos os viés ideológicos fomentando debates,mas isso não vai acontecer, vai? Na verdade as escolas já perderam essa “guerra”, porque mesmo se o projeto não virar lei, ele já foi tão debatido, contestado e defendido que os pais não progressistas (e as próprias crianças) já fazem a vigilância da conduta dos professores e orientadores.

    • Exatamente por isso ele deve desenvolver a criticidade e a argumentação, pois assim poderá argumentar em defesa de suas ideias e opiniões. Nesse jogo de argumentação e réplicas, o aluno se constrói como ser humano, ganhando confiança e, aprendendo a respieiar as diferenças de todos os tipos.

  8. Esse documento é de fundamental importância nos dias que correm. Não existe a possibilidade de educação sem ideologia. A própria defesa de uma educação sem viés ideológico é, em si mesma, ideológica. E tem suas raízes na exclusão, no obscurantismo, na intolerância. Fico imensamente aliviado em saber que a Vila se posiciona democraticamente.

    • Muito bem posto. Não se trata de “neutralidade ideológica”, um fetiche inexistente, mas de pluralidade. É com base na pluralidade do debate e com o respeito ao pensamento diverso que se forma a própria perspectiva.

  9. Que bom ler o posicionamento do grupo e, particularmente, da Vila. Como pai e como ex-professor da Escola, me sinto representado pelo texto. E que venha o texto do Alex! E muitos outros mais!

  10. Agradeço pelo texto longo, mas explicativo.
    Porém a prática na escola está muito longe da teoria do texto.
    Tem os visto que a a escola da Vila vem tentando através de professores, na disciplina de PS, por exemplo, enaltecer o pensamento de esquerda e enaltecer os feitos,duvidosos, do PT. E quando falam de professores preparados… o mesmo de PS foi falar da Bíblia… sem nunca a ter lido e usou Adão e Eva para falar de machismo…
    Nao acredito de teoria sem.pratica, estou preocupada com este movimento da escola.
    Outro exemplo, logo após o resultado das eleições,professores e alunos usando roupas pretas e quem não foi de preto, ficou sendo motivo de piadas nas rodinhas de alunos e não vi nenhum movimento da escola em reprimir este movimento, pelo contrário.
    Desta forma, eh tenho dúvidas o quanto a escola está levando a sério este tema.
    Att,

  11. Ót

    Ótimo texto, é o posicionamento que esperamos da Escola da Vila em face aos atuais acontecimentos.
    Penso nos pais e alunos das escolas públicas que serão reféns desta decisão.

  12. O projeto escola sem partido representa uma ameaça ao Estado Democrático de Direito, um princípio que custou muitas vidas para ser conquistado. Parabéns ao posicionamento da escola, lugar e espaço de excelência para o exercício do debate de valores, ideias, crenças, visões e partidos. Por uma escola com múltiplos partidos.

  13. Olá, boa tarde.
    Agradeço pelo texto, longo, porém bem explicativo, mas a escola está muito distante de ter esse texto como prática.
    Digo isso, pois estamos acompanhando de perto todos os movimentos da escola com relação ao assunto política.
    Temos visto uma apologia de alguns professores as maravilhas da esquerda e as mazelas da direita, enaltecimento dos feitos do PT e as atrocidades de outros partidos. Não dando voz à aqueles que pensam diferente.
    Não vi um movimento de neutralidade da escola com relação às ultimas eleições, pelo contrario, soube que após os resultados das eleições, alunos e professores usaram a cor preto como símbolo de luto e os que não aderiram ao movimento serem motivo de comentários em rodinhas de conversa.
    Frente as essas demonstrações de total parcialidade, me preocupa o post de um texto como esse como um símbolo de uma prática que não existe.

    Att,

    • Boa tarde, não sei onde você tem visto este tipo de atuação que descreve, pois nossos profissionais são bastante sérios e comprometidas, dão voz a todos os alunos com respeito e tolerância. Mas cada um tem suas interpretações sobre o mundo, a política e os rumos do país. A escola nunca assumiu posição partidária embora não abra mão de valores democráticos, dos direitos humanos e do valor do respeito a todos.
      No dia após as eleições alunos do EMédio pediram um tempo para uma roda de conversa e foi dado, os professores não ficaram presentes estavam todos na sala dos professores como pude constatar pessoalmente. Os alunos expressaram seus temores, opiniões, todos puderam falar, alguns não participaram da roda de conversa. As rodinhas e comentários entre os adolescentes é muito comum, envolvendo política, musica, e toda sorte de discordâncias ou simpatias. De modo geral convivem muito bem com opiniões distintas e os professores atuam fortemente quando há qualquer desrespeito. Jamais viriamos a público falar sobre algo que nao acreditamos ou nao praticamos. Existem falhas, certamente. Seria interessante que você pudesse expressar estes desconfortos pontuais ao orientador que poderia te esclarecer melhor sobre nossos encaminhamentos, e eventualmente identificar algum tipo de falha de encaminhamento. Obrigada pela leitura.

      • Somos uma escola bastante atualizada, conectada com tudo que se produz em educação, viajamos uma vez por ano para conhecer experiências internacionais em muito países. Usamos referências teóricas multiplas e não nos isolamos em hipótese nenhuma. Prova disso é nosso Centro de Formação que recebe colaborações distintas mas sempre reconhecidas no universo educacional.

  14. Concordo com a colocação e idéia exposta no artigo desde que um parágrafo seja a base do que esta sendo discutido: “Para fazer pensar é preciso provocar, oferecer diversas lentes de leitura da realidade, situações-problema variadas e teorias consistentes. É preciso ter liberdade para evocar, contrapor, duvidar”.
    Para criar autonomia e pensamento crítico temos que oferecer nas discussões diferentes visões de uma situação, caso ou problema para que cada aluno escolha seu próprio caminho levando em conta sua avaliação das diferentes perspectivas construídas e apresentadas e seus valores pessoais com liberdade total de concordar ou discordar da maioria ou status quo.
    Não é fácil sentir-se livre para assumir escolhas diferentes em uma idade onde aceitação de grupo é tão importante. Deste modo o papel do professos é muito importante para que isto ocorra na sala de aula, dentro e fora da escola, atendo-se sempre a fatos, prós e contras de cada situação e defendendo os diferentes pontos de vista.

    • O período da adolescência é marcado pela construção do papel social do sujeito o que “a olho nú” pode parecer que a aceitação no grupo supera qualquer convicção. Mas sabemos que é mais complexo que isso, é também o período em que o pensamento atinge a lógica formal e a reflexão ganha uma força incrível. Por isso muitas vezes são convictos em excesso. Mas é também esta potência que não os cala, não os submete, não os convence facilmente. Sou uma admiradora dos adolescentes! Obrigada pela leitura.

  15. Prezados/as,
    muito obrigado pelo posicionamento. Estou bem mais aliviado e ciente que a Escola da Vila continua sendo uma ótima opção para educação de nosso filho.
    att

  16. O ESP é uma aberração, mais uma desses novos tempos. É a desculpa que acharam para colocarem a mordaça nos educadores enquanto pastores, políticos e “filósofos” fazem a festa por aí. Acredito que a família seja responsável na criação das crianças, mas a escola é fator estimulante de pensamento e discussão. Esse posicionamento do grupo e, consequentemente da Escola da Vila, me deixa tranquilo em saber que meus filhos estão em boas mãos.

  17. Agradecemos a leitura, o apoio, as críticas. Espero que tenham paciência para ler os demais textos que serão publicados, para nós isso conta muito.

    Em nome de toda a equipe,

  18. é por isso que coloquei meu filho na Escola da Vila, e luto todos os dias para mantê-lo na escola. quero que ele aprenda a pensar, ser cidadão e lutar pelo que ele acredita, questionar sem medo e desafiar o que acredita ser incoerente.

  19. Concordo também com você, Marcio.
    A grande histeria vem daqueles que sem sentem ameaçados por não poder mais exercer sua doutrinação em sala de aula.
    Meu filho de 11 anos ficou mal durante esse processo das eleições, já pequeno aprendeu o que é a discriminação, o preconceito, a intolerância vindo daqueles que pensam diferente dele e de sua família. Eu não quero esse clima de divisão por conta da hipocrisia absurda desse povo. Que venha a escola sem partido.

  20. A escola não deve ser posicionar politicamente, deve apresentar todos os pontos de vista conforme a lei está propondo. Acredito que muitas das pessoas que apoiam e criticam não se deram ao trabalho de ler a lei e isso é o que ensinam errado aos filhos, aceitar cegamente o que o outro diz sem checar a fonte. O único ponto da lei que não está claro é quanto a moral. A moral é um ponto muito subjetivo e difícil de aplicação

    • Você vai poder verificar no conjunto de nossos textos que não apenas lemos, como estudamos o site e tudo o que o MESP publica, nesse sentido pode ficar tranquila, somos bastante estudiosos. Quanto à formação moral faremos um post sobre este recorte. Nossa intenção é justamente que os alunos não aceitem cegamente nada e possam de fato construir autonomia intelectual! Obrigada pela leitura

  21. Me sinto em sintonia ABSOLUTA com a Escola da Vila. O projeto escola sem partido representa uma ameaça ao Estado Democrático de Direito. Seria leviano e raso entendermos que essa discussão baseia-se em candidato A ou B. Tenho plena confiança na formação, nos valores, no corpo diretivo e acadêmico da escola. Orgulho da Vila pelo posicionamento.

  22. Há muitos anos, quando ainda era estudante, tive a alegria de assistir uma palestra com Paulo Freire. Na época sabia da importância daquilo, mas nem de longe imaginava o que sentiria décadas depois. E foi aplicando o que ouvimos e assimilamos, que avançamos e modificamos índices tão altos de mortalidade infantil, de não aderência aos programas de imunização, de medicação. A construção do conhecimento, a cooperação mútua, a confiança, desenvolvidas com a comunidade, foram fundamentais para isso. Trabalhamos Educação em Saúde com as trocas. O educador é esse profissional que instiga, que ouve, que aborda, que legitima as dúvidas. Nada disso é possível sem liberdade. Dizer não ao projeto da “Escola Sem Partido” é uma obrigação de toda a sociedade que respeita a criança e o adulto que ela se tornará. Muito obrigada pela oportunidade de ler, poder comentar e me emocionar com este artigo.

  23. Somos por uma escola crítica, plural e democrática, o que exclui filiação partidária. Portanto, sem qualquer adesão ao obscurantista partido da escola sem partido.
    Parabéns!.

  24. Nasci em 64. Aos 14 anos, recém matriculada em uma escola estadual do centro da cidade para o 2º grau, achei estranho quando apareceu uma “chapa” para a eleição do “centro cívico(!)” chamada PRESIDENTE. Estenderam uma faixa escrita “vote no Presidente”, que causou o maior auê… Eu pensava… também que nome mais besta pra uma chapa!… Só entendi a triste “piada” 10 anos depois e também as conversas cifradas que minha mãe (professora primária) e minha tia (aluna do EQUIPE) tinham após o jantar…
    Em conversas fora do círculo da EV, percebo que já (ainda?) existem escolas que andam conforme os preceitos do MESP. Escolhemos a EV como parceira na educação dos meus filhos pelo que ela é, e estamos muito satisfeitos. O que me transtorna é a possibilidade de perdermos o direto de escolher (o parceiro educador ou a escola onde lecionar, trabalhar…). De termos somente uma opção, ou seja de deixarmos de ter opção… o que, até agora, temos.

  25. Muito feliz e aliviada de ler este texto! Parabéns Escola da Vila! Não há nada mais partidário que esse movimento ressentido e fascista que o “escola sem partido”. Sim ao pensamento crítico, aos direitos humanos, à diversidade e à democracia.

  26. Excelente posicionamento e exposição de argumentos. Fico muito feliz de ler esse texto nesse momento tão difícil. Educação de verdade envolve liberdade, autonomia, pensamento crítico, troca de ideias e de valores diferentes. O contraponto oferecido pela Escola Sem Partido não é educação: é uma ideologia disfarçada de não-ideologia, como se isso fosse possível.

  27. Parabéns à Escola da Vila pelo excelente posicionamento. O Escola Sem Partido é um movimento obscurantista, que defende uma inefável “neutralidade”, como se fosse possível a seres humanos que debatem ideias, teorias, postulados e fatos serem neutros. Essa noção equivocada e enganosa de “neutralidade” é, na verdade, um instrumento para defender a neutralização do diverso, do contraditório, do plural. O que faz sentido no ambiente escolar, onde se aprende ensina em múltiplas direções (e não só de forma hierárquica, do professor para o aluno) é a pluralidade, a diversidade e a honestidade intelectual, não tentando ocultar as próprias visões, mas nem por isso subjugando as visões alheias – inclusive aquelas que as crianças trazem de casa.
    O projeto do Escola Sem Partido, com seus seis postulados de “não doutrinação” [sic], expressos na proposta original e no cartaz a ser afixado em salas de aula, é na verdade uma porta aberta ao macarthismo na educação, produzindo um ambiente totalitário de vigilância constante, de patrulhamento e de perseguição aos supostamente não ajustados. Por isso mesmo, viola a liberdade de aprender e ensinar, assim como a possibilidade de desenvolver capacidade crítica e reflexão própria. Em resumo, é um atentado à educação que faça sentido numa sociedade democrática.

  28. Excelente!!!! Totalmente coerente com os princípios da Escola da Vila!!!! Que bom saber que teremos o respaldo da escola em tempos de ameaça à democracia, ao pensamento, à reflexão, aos direitos humanos e à Educação de qualidade.

  29. Estudei em um colégio tradicional que me fez perder o interesse em aprender, tamanha chatice. Se é isso que as escolas vão se tornar, melhor tirar meu filho de lá e leva-lo para aprender a vida. O Escola sem Partido é o mesmo que sexo sem tesão. Muita gente aceita, outros tentam fazer melhor. Outros esquecem o que é prazer. Desculpem se sou direta, mas é isso.

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