Lição de casa.

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Por Bárbara Passos e Priscila Demasi – Professoras do 2º ano.

Como orientar meu filho com as lições de casa? E se ele disser que não sabe como fazer as atividades, como posso ajudá-lo? Ele esqueceu de registrar as páginas das lições na agenda?  O que dizer? Qual a melhor forma de orientá-lo? A lição deve e precisa ser feita por ele. Tenho  mesmo de ajudá-lo?

Inquietações como essas costumam fazer parte da vivência familiar quando o assunto em pauta é fazer as lições de casa e desenvolver uma rotina de estudos. Afinal, realizar registros na agenda, organizar os materiais necessários para as atividades do dia de aulas, cumprir os prazos das tarefas, estudar as lições, são procedimentos que, por mais que pareçam simples, para nós, adultos, podem se caracterizar como desafiadores para os nossos pequenos, principalmente nas séries iniciais do F1.

Nesse sentido, é importante destacar que,  o momento de levar a lição de casa é esperado pelas crianças. Elas percebem que estão crescendo e, portanto, já podem ser capazes de realizar essas tarefas sozinhas. No entanto, o apoio dos pais nos momentos de estudo e realização dessas lições é fundamental para o avanço das crianças e do seu processo de aprendizagem. Dessa forma, eis algumas orientações que podem contribuir, de modo significativo, para uma efetiva parceria escola/família no universo de estudos dos meninos e meninas.

  • Xi! O esquecimento fez uma visitinha e a criança, sem que percebesse, não fez o registro do número das páginas das lições de casa, ou mesmo esqueceu a agenda na escola. O que fazer? Uma boa estratégia para solucionar o problema é o “S.O.S colega”. Ligar para os parceiros de estudo pode, sim, ser uma forma de buscar a informação “perdida” pelo esquecimento. Dessa forma, entrar em contato com quem fez o registro das páginas pode ajudar bastante.
  • Consultar a agenda em casa e escolher um lugar adequado para a realização das lições são procedimentos que devem ser orientados pelos adultos até o momento em que os nossos pequenos estudantes possam fazer isso com autonomia.
  • A atividade está sobre a mesa de estudos, mas a criança olha para a lição como se aquilo lhe parecesse pouco familiar e diz: “Não sei como fazer”. Nessa hora, estimule seu filho a relembrar as ações do dia em relação àquela tarefa, releia a lição e vá, aos poucos, ajudando a criança a atribuir sentido ao que está sendo proposto. Para os maiores sugira que liguem para um colega e que conversem sobre o que entenderam, dessa forma as crianças começam a compreender que a lição de casa é de sua responsabilidade.

Temos ciência de que não existe uma única maneira de orientação para as tarefas de casa, nem fórmulas mágicas para resolver todas as questões que envolvem o dia a dia das lições. Contudo, podemos encontrar “uma medida”, levando em consideração a idade das crianças e a relação que elas têm com as atividades. Dessa forma, poderão, aos poucos, construir autonomia e encontrar maior segurança, à medida que vivenciam experiências favoráveis ao processo de aprendizagem de procedimentos e atitudes como estudantes.

 

13 ideias sobre “Lição de casa.

  1. Muito bom este texto.
    Vale lembrar que lição de casa não é opcional, como algumas crianças pensam que é!!
    bj
    Sandra Nascimento

    • Concordamos com você, Sandra. Por isso mesmo, precisamos, pais e professores, sempre que possível, dialogar com as crianças para que percebam, gradativamente, a importância dessas atividades em sua rotina. Desejamos que essa “obrigação” faça sentido para elas. Dessa forma, a relação dos pequenos com a lição de casa vai se tornando cada vez mais significativa, à medida que eles vão crescendo.
      Um abraço,
      Bárbara e Priscila

  2. Ótimas reflexões e orientações!
    Realmente é um exercício de autonomia da criança em casa. É como se ela trouxesse um pedacinho da escola pra casa onde o universo é dela mesma, que deve conhecer e dominar melhor do que os pais.
    A dúvida que surge é quando minha filha de 8 anos me pede para corrigir o que fez. Tenho buscado voltar a responsabilidade para ela mesma, pedindo que faça uma revisão das respostas. Mas devemos apontar o que não está correto?
    Um abraço,
    Luciana

    • Olá Luciana, obrigada pelos comentários.
      Dúvidas como essas, são mesmo esperadas. Penso que esse movimento que você já faz, de envolver sua filha na revisão dos seus registros, é o primeiro passo. Entretanto, precisamos identificar “de que lugar” partem as dúvidas das crianças. Por exemplo, os aprendizes, muitas vezes, fazem perguntas acerca das escritas de algumas palavras, que envolvem dúvidas ortográficas ainda não estudadas. “Mãe, caixa é com x ou com ch?” Nessas situações, em que os próprios alunos apresentam as dúvidas, podemos, simplesmente, informar. Em outros momentos, a palavra em dúvida aparece na própria consigna da atividade. Nesse caso, a criança pode, também, comparar a sua escrita com a que aparece na lição.
      Sendo assim, precisamos ter a clareza de que o fato de respondermos a essas dúvidas ou informarmos o “correto”, não é garantia de que isso não volte a acontecer. Além disso, devemos cuidar para que essa “ajuda” não se torne um momento de tensão entre os alunos e suas produções. O nível de exigência, naturalmente, vai aumentando à medida que vão crescendo. E a criança irá, aos poucos, avançando, de acordo com seus próprios limites e possibilidades.

      Um abraço.

  3. Para os pequenos, vale o hábito, bem criado, de estudar, primeiro com os pais, depois só. Carinho e apoio !! Nada de “errado”, tudo no caminho!

    • Compartilhamos das suas observações, Augusto: “Tudo no caminho!”
      E, nesse caminhar, estão também as descobertas, as inquietações, os desafios e, acima de tudo, o desenvolvimento de habilidades, o exercício eterno do “ aprender” a ser, a fazer, a produzir ideias e conhecimento. Nessa direção, família, criança e escola vão, gradativamente, crescendo juntos, considerando e respeitando o movimento de cada aluno/filho e vibrando com suas conquistas.
      Obrigada, Augusto, pela colaboração.

  4. A propósito desse tema, sempre fico na dúvida de como devo fazer com meus filhos quando eventualmente precisamos viajar e perdem lições de casa por dois ou três dias. Obrigada.

    • Olá, Flora!
      Nessas situações, é fundamental que a criança perceba a necessidade de busca de informações a respeito do que foi desenvolvido na escola, durante o período em que ela esteve ausente. E, para alimentar ainda mais a ideia de que é preciso realizar ações em prol desse objetivo, sugerimos alguns procedimentos que podem ser trabalhados com as crianças para que, cada vez mais, reconheçam que a responsabilidade de colocar as coisas da escola em dia é delas. Assim, podem consultar a professora e anotar as atividades realizadas em cada dia de aula; dialogar com a professora a fim de saber o prazo que pode ser dado para o cumprimento dessas tarefas; conversar com os colegas a respeito das tarefas e ouvir as conclusões da classe a respeito do tema estudado; apresentar, à medida que for concluindo as pendências, as lições, e expor as dúvidas e questionamentos; consultar a professora para pedir sugestões sobre as estratégias de ampliação de ideias a respeito dos assuntos estudados; ficar atento aos momentos de retomada das atividades na classe e, gradativamente, ir retomando as reflexões e estudos. Claro que isso depende em grande parte da quantidade de dias letivos perdidos e, como professora, espero que sejam poucos! O mais importante é apoiá-los em assumir que precisam buscar o que se deve colocar em dia por si mesmos com a ajuda de seus professores na escola e suporte em casa.
      Obrigada, Flora, pela participação.
      Bárbara e Priscila

  5. Muito interessante o texto, ainda mais se pensarmos que a lição de casa acompanhará os alunos por toda a vida acadêmica. É de fundamental importância a participação e apoio dos pais no início do processo para que os pequenos criem hábitos e atitudes adequadas em relação às lições. A participação dos pais muda no decorrer do processo, mas faz-se necessária, às vezes, por períodos mais longos…
    Abraço,
    Carla

    • Isso mesmo, Carla! O apoio dos adultos é fundamental para o aluno seguir seu percurso como aprendiz, mantendo uma relação tranquila e significativa com as suas produções. Muito obrigada pela sua contribuição.
      Um abraço,

      Bárbara e Priscila

  6. Muito bom este artigo, é extremamente importante. Esse é um dos assuntos de maior dúvida dos pais.
    Gostaria de aproveitar e questionar como devo me posicionar com minha filha de 3º ano quando ela não consegue responder sozinha a um problema de matemática.
    Devo orientá-la a deixar em branco e levantar a questão em sala ou sentar e fazer a lição junto com ela, chegando assim ao resultado correto em conjunto?
    Obrigada

    • Oi, Tali.
      É natural que os alunos vivenciem desafios de distintas naturezas durante as atividades relacionadas às diferentes áreas do conhecimento. No caso que você apresenta, muitas vezes, para os menores, a própria “leitura” e compreensão dos enunciados presentes nas atividades podem se caracterizar como um entrave para iniciar a lição. Uma sugestão é reler as perguntas junto com a criança e promover uma conversa, no sentido de fazê-la compreender o que está sendo pedido: “Filha, vou ler a questão para ver se posso ajudar você, tá?”, Você tem alguma ideia do que precisa fazer para resolver essa atividade? Consegue se lembrar de algo parecido com o que fez na sala de aula ou mesmo no caderno? Vamos pensar na mesma questão com números menores?
      Questionamentos como esses fazem com que a criança se sinta acolhida e mais tranquila para seguir pensando sobre a lição. Já que, em algumas situações, os nossos pequenos se preocupam com o cumprimento da atividade e pedem que os pais digam as respostas para não levarem a lição sem fazer.
      Se depois de lançar mão desse “bate-papo”, o aluno não der sinais de que sabe o que fazer, é pertinente tranquilizá-lo e orientá-lo para que ele compartilhe com a professora suas dúvidas, registre que tentou, mas foi difícil.
      Pensamos que, dessa forma, ressaltamos para a criança a ideia de que “tentar” realizar a lição é importante e que o “estranhamento” inicial pode ser resolvido com algumas leituras e conversas. Além disso, essa é uma possibilidade de mostrar a diferença entre apoiar, ajudar a pensar, a recuperar informações, de dizer simplesmente a “resposta correta”.

      Um abraço,

      Barbara e Priscila

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