Escola da Vila e Colegio de La Ciudad: a experiência do intercâmbio.

Por Fermín Damirdjian

Está em andamento o intercâmbio entre alunos da Escola da Vila e o Colegio de La Ciudad. Sediada em Buenos Aires, esta escola se caracteriza por seu ótimo nível acadêmico e ampla gama de atividades extra-curriculares – oficinas de jornalismo esportivo, música, línguas, teatro, além de ações diversas voltadas à comunidade. Desde 2010, ambas escolas promovem um intercâmbio de 15 dias no qual os alunos se hospedam uns na casa dos outros. Os primeiros a viajar são os argentinos que, neste ano, pousaram em Guarulhos na sexta-feira, 3 de agosto, às 11h.

Como costuma acontecer, as aulas do Ensino Médio estavam afetadas por uma ansiosa expectativa que eletrizava o ar das salas de aula, do jardim, dos corredores.  Como seriam os alunos e alunas argentinas? Jogarão bem futebol? Serão bonitos, festeiros, como afetarão nosso dia a dia? Expectativas, claro, sempre um tanto quanto desmedidas pelo imaginário característico da faixa etária.

A realidade mostra que nada é tão explosivo assim. Por outro lado, a experiência do intercâmbio demonstra que algumas coisas muito valiosas são construídas, sim, entre os participantes, as quais geralmente tem deixado frutos duradouros no sentido afetivo e cultural.

Como sujeito argentino-brasileiro, posso dizer com toda tranquilidade que entre ambas culturas há semelhanças entediantes e diferenças aviltantes. A turma do ano passado extraiu algumas observações bastante ricas a esse respeito e transformou-as em um seminário avaliativo na disciplina de filosofia. Observações sobre a violência no futebol de torcidas de um mesmo time, ou sobre a curiosa relevância do campeonato da Série B, deram margem a pesquisas sobre a relação dos portenhos com seus clubes de bairro e, consequentemente, com uma cidade que se habita de forma muito diferente de São Paulo.

Enquanto isso, os argentinos da safra 2012 iniciaram sua pesquisa, da mão dos hospedeiros brasileiros, nesta sexta feira, tendo vivido um fim de semana no mínimo bastante agitado. Museus, parques, festas, churrascos, treinos esportivos fizeram parte do circuito promovido por nossos esforçados cicerones paulistas.

Abaixo, os depoimentos dos alunos argentinos, atestando algumas das suas impressões até agora:

“Tem muita coisa para fazer nesta cidade! Em Buenos Aires, muitas vezes fico em casa no sábado à noite; aqui, parece impossível. Ou são nossos irmãos que inventam tantos programas legais?”

“Minha família é super tranquila. É incrível, eles se dão todos bem!”

“Eu comi tapioca. Foi uma experiência fabulosa”.

“É engraçado como é comum ver armas aqui. Vi a polícia parando gente na rua apontando um monte de armas para uns garotos. E no shopping também, tinha um segurança com uma escopeta em mãos, todo tranquilão”.

“Na minha casa (em São Paulo) come-se muito bem. A gente vai para a cozinha e se serve direto da panela, à vontade. Tipo “tenedor libre”. (Tenedor libre é uma denominação que equivale no Brasil ao “coma à vontade”).

“Na minha casa eles fazem um lanchão no final do dia. Super gostoso.”

“O clima da minha casa é uma delícia, são super doces. Minha irmã, o irmão dela, os pais, todos se entendem super bem!”

“É engraçado ir à escola em ônibus escolar…”

“O transporte aqui é muito diferente. Eles andam muito de carro. A gente percebe que tem muitos espaços da cidade que não tem nada, é tudo escuro.”

“É meio complicado se locomover. Para distâncias não tão grandes precisa tomar ônibus, metrô, mais ônibus, andar…”

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