Mitos, bobagens e mentiras sobre o construtivismo.

Por Sônia Barreira

O construtivismo popularizou-se. Antes, quando era privilégio de poucos que estudavam teoria piagetiana, o termo “construtivismo” pertencia a um certo campo conceitual, mas, generalizou-se e passou a ser usado no senso comum.

Todos sabem o que é o construtivismo e todos tem suas opiniões sobre ele. O único problema é que não sabemos se estamos todos falando da mesma coisa.  As revistas tentam ensinar um meio simples para diferenciar uma proposta de outra, oferecendo quadrinhos simplificadores com exemplos improváveis. As escolas explicam em seus sites, folhetos e documentos de apresentação da proposta pedagógica com linguagem densa e extensa. Os professores procuram explicitar em seus relatos sobre a prática, em que consiste a proposta construtivista! Muitos a defendem, outros tantos a criticam.

O fato é que a divulgação de conceitos que fazem parte de uma teoria, fora de seu contexto, leva, inevitavelmente à deformações. A grande  circulação das ideias piagetianas entre leigos, em processos superficiais de formação de professores, contribuiu para a construção de mitos e bobagens sobre o construtivismo. Mais recentemente, interesses comerciais de grandes grupos editoriais, têm influenciado artigos e reportagens tendenciosas que ultrapassam os equívocos de sempre e inauguram a construção de dados falsos e mentiras sobre a prática construtivista.

Mito número 1: Na proposta construtivista o professor não ensina, o aluno é levado a descobrir o conhecimento!

Não há como compreender um conceito sem reflexão pessoal, é necessário atividade intelectual para a assimilar algo que vá além de uma mera informação, que tenha a complexidade de um conceito.

Em propostas construtivistas sérias, o professor é muito mais do que aquele que dá as informações numa determinada ordem, mas faz isso também, evidentemente!  Faz isso de modo que o aluno tenha forte atividade intelectual, problematizando, questionando, pedindo explicações, informando, repetindo, mas não ensina independente do aluno, há um grau de interação em sala de aula que garante que o aluno se aproprie do saber através de reformulações, comparações, e é claro, da compreensão!

Portanto, dizer que o professor construtivista não ensina e espera o aluno descobrir é no mínimo um equívoco, mas pode ser também desejo de deixar o professor com a simples tarefa de dizer o conhecimento, e esperar do aluno, todo o resto. Não é o nosso caso.

Ensinamos e acompanhamos de perto o processo de aprendizagem do aluno.

43 ideias sobre “Mitos, bobagens e mentiras sobre o construtivismo.

  1. Olá Sônia e demais colegas,

    Sou coordenadora da Educação Infantil em uma escola na cidade de Santos. Recentemente li uma reportagem sobre o construtivismo e fiquei indignada com as explicações dadas na revista. Quando recebi a mensagem sobre o texto postado no blog de vocês, corri para ler…
    Realmente defender esta prática de ensino, esta concepção, não é tarefa fácil e é uma pena ver que pessoas que não são da área ou que possuem interesses não educacionais, manipulam a opinião alheia.
    Vocês deveriam ter a oportunidade de publicar este texto também!!!

    Abraços,
    Adrianna

    • Olá Adriana, preferimos trabalhar melhor este tema em nosso blog, pois os leitores da referida Revista que não têm nenhuma crítica a ela, não são nosso público, assim, entendemos que é mais interessante para todos, ir postando aqui, ao longo da semana, distintos tópicos que esclareçam melhor em que nos fundamentamos para fazer nosso trabalho. Esperamos que seja útil também a todas as escolas que nos têm como referência. Abraços,
      Sonia

  2. Sonia,
    Achei criminosa, maldosa a matéria sobre o Construtivismo da revista Veja, da semana passada. Acho que a Escola da Vila, assim como outras escolas de ensino inquestionável , precisava responder a estas matérias, ridículas, sem o menor sentido. Ou melhor, como vc disse, sabemos qual o sentido deles. Financeiro.
    Infelizmente essas matérias acabam repercutindo de forma negativa. Trabalho em uma empresa de produção material de ensino de Ciências e aqui, nossos professores especialistas de fundamental II, reagiram nos questinando , professores de fundamenta I, pedagogos e psicólogos: E aí, professor??
    Att,
    Pricila

    • Pricila,
      se acreditássemos na seriedade da revista, escreveríamos, mas sabendo como funciona, o tipo de resposta que já têm pronta para nós, a firme convicção de que somos todos “uns tolinhos” ao optar por esta forma de educação, quando “pesquisas comprovam” o contrário…. pensamos que não vale a pena. Sabemos de colegas que o fizeram, Lino de Macedo, professor de todos nós, preparou uma carta cuidadosa e enviou para a revista. Mas nós não nos vemos respondendo a eles. Já tivemos no passado uma situação muito mais grave na qual um colunista atacou nossos alunos por terem postado comentários políticos no blog dele, e ainda assim não vimos razão de protestar através deles mesmos! De todo modo, obrigada pelo apoio!

  3. Olá Sonia, acompanho trabalho da escola da Vila desde o início do curso de Pedagogia quando lí o livro da Madalena Freire, A Paixão de Conhecer o Mundo. Já formada continuei acompanhando de longe o trabalho de vocês, mais tarde fui trabalhar no Programa Salto para o Futuro, como analista educacional, e conheci alguns profissionais pessoalmente o que me deixou muito contente.
    Essa semana lí um artigo de uma revista semanal sobre o construtivimo trazido por um aluno meu do curso de Pedagogia. Gostaria de dizer que este seu texto no blogo da escola foi muito oportuno e sugiro que, a partir deste primeiro texto, vocês poderiam começar uma “coluna no blog” do tipo: Desconstruindo os mitos… Seria uma forma de esclarecer e informar sobre um assunto que, embora seja muito debatido no campo da educação, ainda pouco se sabe de sua aplicação nas práticas pedagógicas das escolas. Um bj grande, Sandra

  4. Olá Sonia,
    Meu nome é Andre e sou pai de duas crianças que estudam na Escola da Villa. Achei a matéria da Revista Veja interessante, pois nos dá (leigos) a oportunidade de discutir temas relevantes relacionados a educação dos nosso filhos.Tenho uma impressão muito boa da escola, acompanhando a evolução dos meus filhos e, principalmente, observando a “paixão” que eles nutrem pela escola. Contudo acredito que a melhor maneira de argumentação com relação a materia seja os resultados obtidos pela escola , e não a especulação com relação a outros interesses envolvidos na publicação da matéria.Se a materia e tendenciosa e mostra dados que nao condizem com a realidade , nada melhor que mostrarmos dados e resultados que demostrem o bom trabalho realizado.
    Abraços.Andre

    • Oi André,
      como dissemos, levar o debate sobre educação para além dos temas habituais é interessante para todos. O que não estamos de acordo é com o tipo de abordagem simplificadora ao extremo, que acaba por deturpar práticas sérias colocando-as numa vala comum e equivocada. E o tema dos resultados,em educação é sempre polêmico demais. Por exemplo, nossos alunos estão todos alfabetizados no primeiro ano do ensino fundamental, no entanto, isso não se deve apenas ao método empregado, mas tem a ver com o contato frequente que têm com a linguagem escrita. O mesmo método, empregado com uma população que não é usuária assídua da linguagem escrita, nao obteria os mesmos resultados. Mas você está certo, o melhor que temos a fazer é evidenciar os aspectos positivos da formação que oferecemos aos nossos alunos, por outro lado, não podemos nos calar pois a escola é referëncia para outras. Enfim, vamos por este caminho do esclarecimento, espero que possamos atingir nossos objetivos com nossa comunidade. Obrigada pelos comentários, vamos considerá-los. Abraços.

  5. Olá Sônia,
    Apoio e valorizo o caminho que escolheram para esclarecimento dos pais sobre as dúvidas que ainda persistem em existir sobre a forma de trabalho da escola.
    Uma das questões que valorizo muito na Vila e acredito que seja uma das mais importantes para o sucesso na aprendizagem das crianças em todos os aspectos é a formação constante dos professores. Percebo que nem todos os pais sabem esses “bastidores”… não sabem que semanalmente os professores se reunem, diariamente registram, refletem, leêem, frequentemente realizam atividades para ampliação de seu universo cultural, que o Centro de Estudos é referência para inúmeras escolas, que já publicaram muito sobre educação etc etc. Sei que isso pode ser mais interessante para quem trabalha na área, como eu, mas, como mãe tbem valorizo muito e acho muito importante de ser abordado, pois é um diferencial especialmente determinante para colocar em prática nas atitudes do dia-a-dia da relação dos professores com as crianças.
    bj

    • Olá Patrícia,

      É verdade, nossos professores além do trabalho diário que não é pouco, têm inúmeras atividades de planejamento, estudo, troca, trabalho coletivo, supervisões e muitos deles ainda dão cursos para outras escolas. Além de sérios, competentes e dedicados, são uns batalhadores incansáveis, curiosos, estudiosos e por isso um excelente modelo para nossos alunos. Uma equipe como a nossa é um privilégio. Acho que a maior parte dos pais sabe disso, mas obrigada por mencionar. Abraços.

  6. concordo com todos, porém quando li o artigo na revista logo vi que se tratava de uma massificação em estruturas administrativas despreparadas para receber tal metodologia. Não sei se estou certa mas para que essa metodologia de certo é necessário uma orientação e uma sintonia de todos os profissinais envolvidos, e já em redes privadas é difícil imagino em redes publicas, acho meio complicado
    Talvez o artigo, sirva para refletir um pouco, tenho certeza que a Escola da Vila tem tudo para que esta metodologia de certo, parabens.

    • Alie,

      Mas a questão do compromisso e da preparação dos professores é um aspecto crucial em qualquer metodologia, este é justamente o problema. Não há metodologia que obtenha bons resultados sem um educador preparado. Construtivista ou não, o professor é a essência do trabalho educativo! Obrigada por seus comentários.

  7. Olá Sônia!
    Sou professora e já participei de cursos na Vila.
    Parabéns pelo texto! Ele deixa claro que o construtivismo ou qualquer outra teoria, precisam de comprometimento, estudo e muito trabalho para que os alunos aprendam de forma significativa.
    As simplificações que a Revista Veja fez realmente são lamentáveis.

  8. Sônia,
    Sou diretora da Curiosa Idade, escola do Rio de Janeiro. Nos conhecemos num Encontros Nacionais de Escolas Associadas a Unesco e nos reencontramos num dos curso do ZDP no RJ.
    Essa matéria causou, certamente, impacto nos que a leram, mas ao ler as respostas de apoio que receberam de seus pais, fiquei muito contente. Aqui na escola alguns pais falaram da matéria e, como os seus, também confirmaram a confiança depositada em nosso trabalho, mas solicitaram que pudéssemos abrir um espaço para conversarmos um pouco mais sobre as questões – eu me atreveria dizer acusações – equivocadas que a matéria apresenta. Parabenizo a Escola da Vila pela iniciativa do Forum e pelo seu texto de abertura. Contudo acredito que cabe a academia, assim como já fez o professor Lino de Macedo, exigir um direito de resposta.
    Um abraço,

    • Olá Fátima,
      Lembro de nosso encontro e também da participação da escola de vocês no ZDP, inclusive no módulo sobre gestão que eu coordenei na Escola Parque.
      Pois então, de fato os pais da Escola da Vila, são bastante antenados e têm uma forte visão crítica, e nos apóiam muito, mas também nos criticam sempre, nos obrigando a estar sempre atentas às nossas falhas.
      Decidimos publicar aqui o texto do Lino de Macedo, que tem circulado entre os educadores porque vimos que não foi publicado e porque contem elementos muito importantes, mas continuaremos a discutir os mitos, as bobagens e as mentiras que dizem por ai sobre esta proposta. Um grande abraço e muito obrigada pela participação!

  9. Oi Sonia, sou mãe de dois alunos na escola da vila.
    Desde que procurei escolas para que eles estudassem me deparei com críticas como “ah, mas lá na Escola da vila é tudo muito livre, as crianças podem fazer o que querem…”.
    Bom, já estamos com vcs há 3 anos e nunca vi nada disso (claro !!!!). Qdo defendia a escola , com toda modéstia, me deparei com muita ignorância. De fato as pessoas não sabem o falam… Concordeo a respeito de mostrar o que somos com o nosso resultado mas acho pouco para estas pessoas entenderem…

    • Pois bem Fabienne, a ideia de que na Escola da Vila ou em escolas construtivistas os alunos fazem o que querem é combatida por nós há anos! Inclusive já não damos mais entrevistas sobre disciplina pois há sempre uma tendência a nos colocarem com “escola liberal”. Bem, este é um dos mitos aos quais nos referimos e vamos escrever mais sobre isso pois eu creio que todos os alunos e pais são testemunhas de que os alunos não fazem o que querem, mas na maioria das vezes querem fazer o que propomos!
      Um abraço.

  10. Olá Sonia, bom dia.
    Creio que, opiníões fundamentadas são sempre bem vindas, mas comentarios tendenciosos são perigosos. Por isso acho de total importancia esclarecimentos sobre o tema, até para nós mesmos não sermos tendenciosos, até mesmo porque a verdade e o conhecimento são a mais completa definição de liberdade. Acompanharei com interesse atravez do blog. Beijos.

  11. Sônia, querida, como aprecio o trabalho da Escola da Vila.

    Já fiz alguns curso por aí e as discussões são sempre respeitosas e fundamentadas. Vcs são pesquisadores e humildes para compartilhar suas descobertas e aguçar em nós, alunos, o sabor de novos saberes.

    Quanto ao seu texto, gosto de gente assim, que fala sem rodeios e com clareza para a compreensão de qualquer leitor.

    Infelizmente, as pessoas sabem pouco ou quase nada sobre o construtivismo, mas arriscam-se em opinar a respeito.

    Um grande abraço e estou amando o blog.

    Léia Costa.

  12. Sonia,

    Ao ler a matéria da Veja fui tomada por um sentimento de indignação em relação ao desrespeito da matéria tendenciosa, generalizadora e que estereotipa as práticas pedagógicas das escolas que têm no construtivismo a fundamentação de suas concepções de aprendizagem. Inicialmente, também pensei em redigir uma resposta à revista no entanto desisti, pois concordo com vc quando diz que o público da mesma não se interessaria por essa discussão. O que mostra nas cartas ao leitor, da revista seguinte, que trouxe comentários de concordância com a matéria.
    A revista descreve de forma supercial, e pelo que percebemos desconhece o que de fato é o construtivismo. como coordenadora de escola, entendo que nosso papel é o de esclarecer o que acreditamos enquanto propostas e parabenizo a Escola da Vila pela iniciativa de levantar esse fórum de discussões esclarecendo esses e outros equívocos divulgados por leigos na imprensa.

    Andréa Freire

    • Andréa, sabemos que a revista recebeu muitas outras cartas, como a do Lino que hoje publicamos no nosso blog, mas elas não foram selecionadas para serem publicadas. É uma pena. Obrigada pelo apoio.

  13. Olá Sônia, sou professora alfabetizadora (1º ano) de uma escola de Santos e me indignou muito a matéria lida na revista “veja”, porém, muito mais me tranquilizou ler suas colocações a respeito. Realmente se formos discutir tal assunto com leigos, de nada, ou muito pouco vai adiantar. E se continuarmos tendo clareza do nosso trabalho e acreditarmos que estamos proporcionando aos nossos educandos o que a de melhor para seu aprendizado, essa sim será sempre a melhor RESPOSTA!!!!!

    Abraços, Carla

    • Prezada Carla,

      fico muito contente em saber que nosso blog está atingindo profissionais da educação tanto quanto aos nossos pais. Espero que você continue estudando os fundamentos do construtivismo e no seu caso, mais especificamente a didática da língua escrita, que propoe sequencias didáticas extrememamente organizadas, testadas, pesquisadas devidamente, com resultados fantásticos. Se tiver a oportunidade de ler o currículo argentino, da cidade de Buenos Aires, encontrará farto material sobre isso. No Centro de Formação da Vila estamos oferecendo agora a pós-graduação aos sábados, voltada exclusivamente para alfabetizadores, se quiser se informar melhor, acesso nosso site. Abraços,

  14. Sônia, você não imagina como estou amando este blog. Já comentei um outro artigo de vocês, e agora me deparei com este, que tem tudo a ver com minha história. Sou formada em Letras e dei aula de inglês para alunos de 6,7 anos, num tradicional colégio da cidade de São Paulo. Sempre ouvi falar muito da Escola da Vila em nossas reuniões pedagógicas e sempre admirei muito o trabalho de vocês. Ficava muito frustrada, enquanto professora, por não conseguir aplicar muitas coisas em minhas aulas por diferentes motivos, e sempre pensava em como minha filha estaria aprendendendo naquela escola. Enfim, parei de trabalhar quando minha filha mais nova nasceu, e insatisfeita com as mudanças que ocorreram naquela escola nos últimos anos resolvi procurar outro lugar para minhas filhas estudarem. Desde o começo a Escola da Vila me veio na cabeça. Mas morávamos longe daqui… Pesquisamos, conversamos com amigos, conversamos com o pediatra das meninas, e todos apoiaram nossa mudança. Meu marido tinha a visão de que a escola era muito liberal, que cada um faz o que quer, e eu, como conhecia o trabalho, consegui argumentar muito com ele a respeito. Depois, conhecemos a Lilian e a Fernanda e ele foi convencido. Enfim, mudamos de bairro, viemos para o Morumbi atrás do trabalho de vocês, e estamos extremamente satisfeitos. Estamos todos muito felizes, as meninas foram muito bem acolhidas, e o trabalho pedagógico de vocês é ainda melhor do que eu conhecia. Parabéns!
    Parabéns pelos textos dessa semana, existem muitos mitos a respeito do construtivismo mesmo, e vocês estão sendo muito esclarecedores.

    Ana Paula (mãe da Isabela do G1 e da Juliana Mello do 5o. ano B)

  15. Sônia
    gostei muito do texto, direto e claro. É isso mesmo. Que isso de ficar reinventando a roda ou olhando pra ela sem saber pra que serve, não é mesmo?

  16. Infelizmente penso que não dá pra deixar esse assunto apenas pra Comunidade Vila, como vocês gostam de falar, acho até um tanto preconceituosa essa distinção entre “internos” e “externos” ou que “acreditam” e “não acreditam” na filosofia da escola.
    Digo que não dá pra deixar este assunto só para nós, pois acredito realmente ser um assunto de interesse maior, de interesse de muitos e muitos pais por aí afora que com certeza querem proporcionar aos seus filhos a escola mais adequada.
    Concordo que os meios de comunicação têm poucas chances de êxito, pois realmente não conhecem de perto o assunto assim como também acho que ao contrário do que a escola pensa, muitos não sabem o que é construtivismo e é aí que a Escola da Vila deveria assumir seu papel não apenas como escola, mas como parte de uma sociedade na qual está inserida, abrindo seus 30 anos de experiência, não apenas a nós pais e aos participantes do Centro de Estudos da Vila.
    Acredito também, como mãe e amiga de muitos outros pais aqui da Vila, que ainda que tenhamos escolhido o projeto pedagógico da Escola, essa escolha não se faz da maneira como a escola acredita. A escolha de muitos pais é feita por acreditarmos que a Escola da Vila corresponde ao que nós acreditamos ser bom para nossos filhos e nesse sentido ela têm se mostrado bastante fechada para diálogos e quando digo fechada, não quero dizer com isso que não somos atendidos, mas que as respostas que a escola nos dá são sempre prontas.
    Ainda acredito no trabalho que a Escola da Vila desenvolve com meu filho e volto sempre bastante feliz das reuniões em que nos são apresentados os trabalhos que serão desenvolvidos com nossas crianças e o que se espera em cada um deles, mas já não sou mais ingênua em acreditar que a escola mantém uma relação de troca com os pais, pois nós acabamos por ter que fazer papel apenas de observadores.

    • Olá Renata, então vamos por partes…
      1) O assunto não está restrito apenas aos pais, nosso blog é aberto e convidamos todos aqueles que estão na mala direta do Centro de Formação a lerem e participarem. Recebemos inclusive muitos comentários de pessoas que trabalham em outras escolas. Anunciamos os novos posts no Facebook, twitter e site, não apenas da Vila mas também nos espaços de vários professores. Acreditamos que a difusão do nosso posicionamento está bastante intensa e atingindo um público extenso. Já recebemos manifestações de professores, coordenadore e diretores de escolas do Rio de Janeiro, de Recife, de Minas Gerais, da Baixada Santista. Neste sábado dei um curso para diretores de escolas de várias regiões, incluindo nossa capital, e os depoimentos sobre os textos que postamos foram positivos.
      2) Quanto ao conhecimento que se tem sobre o construtivismo, concordamos com você, não achamos que seja de domínio público, inclusive nos dedicamos há bastante tempo a complementar a formação de professores de diversos locais e projetos, incluindo rede pública, justamente para aprofundar e socializar o que construimos aqui internamente. Outra prática sistemática da nossa equipe é publicar artigos mais especializados em revistas que tem grande circulação na área educacional como a revista Pátio e a revista Projeto, Escola, com isso pensamos estar contribuíndo para ampliar o debate.
      3) Não sei se compreendi bem a questão da escolha dos pais pela escola, você diz que ela nâo se dá como acreditamos, mas não entendi muito bem em que exatamente estamos equivocadas. Cremos que os pais escolhem a escola porque ela responde aos anseios que têm na formação de seus filhos. Quanto ao fato da Vila ser fechada ao diálogo e dar resposta prontas, penso que nos esforçamos para manter um difícil equilíbrio entre manter nossas convicções profissionais e ouvir um conjunto grande de pessoas com posicionamentos diversos, prova disso é o blog que não censura a participação dos pais, procura responder a ela e é público. Resta saber quais aspectos você gostaria de ter suas opiniões ou de outros pais sendo melhor consideradas. Muitos aspectos do nosso trabalho sofreram modificações bastante intensas a partir do diálogo com os pais, alguns tópicos a título de exemplo: estruturação do material escolar antes todo organizado em fichas, implantação de mecanismos de suporte à aprendizagem tais como SMA, Oficina de Matemática, período estendido; implantação do curso de espanhol; implantação da área de música na educação infantil; modificação da abordagem em projetos, intensificação da experimentação em ciências naturais. Enfim, Renata, nós entendemos que o diálogo é uma ferramenta importante na construção do nosso projeto e temos a convicção de que muitos pais que estão hoje conosco, ou já estiveram, deixaram importantes contribuições para ele. Espero que você possa em algum momento ter a prova disso que estou dizendo e possa sentir-se mais do que uma observadora. De todo modo, agradeço sua participação.

  17. OLA…. MEU NOME É ADRIANA TENHO UM FILHO QUE IRA COMPLETAR 3 ANOS NO MÊS DE JULHO E ESTOU PROCURANDO ESCOLA PRA ELE. TENHO UMA PRIMA QUE O FILHO ESTUDA EM UMA ESCOLA COM O METODO CONSTRUTIVISTA E ACHEI INTERESSANTE, MAS SO ENCONTREI DUAS EM MINHA CIDADE, MORO EM SANTOS E SE ALGUEM SOUBER ALGUMAS ESCOLAS PRA QUE EU POSSA VISITAR E TER MAIS INFORMAÇÕES. OBRIGADA

    • Adriana, na sua região, a escola que é mais parceira da Vila é a “Verde que te quero Verde”, o pessoal de lá está sempre presente em nossas ações formativas há muitos anos, espero que seja próxima de seu itinerário. Abraços

      • OLA SÔNIA…INFELIZMENTE FICA UM POUCO DISTANTE POIS É EM SAÕ VICENTE FICA CONTRA MAO, MAS CONHECI DUAS AQUI UMA É A TATIBITATI E A OUTRA É BOQUEIRÃO…ESSAS SAO PROXIMAS DE CASA…NAO SEI SE VC JA OUVIU FALAR DELAS…ABÇOS ADRIANA

  18. Sonia, bom dia

    estou com serio problemas de alfabetização com o meu filho mais novo em um colégio tradicional, tenho muito interesse em conhecer vocês e gostaria de saber se ainda ha vagas para 2011 2 ano?
    obrigada,
    Raquel

  19. Olá!

    Trabalho em uma escola que esforça-se ao máximo para adequar a linha construtivista a sua forma de ensino, mas algo me deixa intrigada: A Escola não faz formatura e a diretora alega que não faz por causa do Cosntrutivismo. Tal afirmação tem base? Se for o caso, por que não seria apropriado?

    Gostaria de receber confirmação por e-mail.

    Desde já, muito grata!

    Atenciosamente,
    Jaqueline Plácido

    • Jaqueline, fica mais complicado responder por email entáo aqui vão algumas considerações…
      O construtivismo é uma concepção de ensino e aprendizagem. A formatura é um ritual social com diversas possibilidades de concretização. Algumas escolas fazem, outras não, por razões variadas, mas na nossa opinião isso não tem absolutamente nada a ver com as teorias sobre a aprendizagem escolar. Na Escola da Vila fazemos uma cerimônia simples para os nonos anos, com entrega de diploma, discurso de paraninfo, de representante de turma e algumas outras coisas que variam de turma para turma. Já pra as turmas de terceiro ano, que encerram a escolaridade básica e se despedem na nossa escola, a formatura é um processo cheio de comemorações, festejos e culmina numa cerimônia com tudo o que os alunos tem direito: diploma, vídeos, fotos, músicas, discursos, e um coquetel muito gostoso. Mas não vemos como a decisão de fazer tudo isso se relacione (ou não) às convicções metolológicas do nosso Projeto. Espero ter ajudado!

  20. Olá! Fui educado no sistema tradicional e não concordo com o construtivismo quando é dito que a metodologia tradicional não estimula o senso crítico. Se fosse assim, a minha geração (“X”) não seria tão crítica como ela é. Sou de uma família de educadores que atuaram usando a metodologia tradicional. Minha filha está numa escola construtivista e, sinceramente, não estou gostando dos resultados. Ela tem 10 anos. Na idade dela, eu já tinha uma bagagem de conhecimento muito maior do que ela tem agora. Fico preocupado com o futuro dela. Na teoria, o construtivismo pode ser ideal, mas na prática pode causar prejuízos a longo prazo, pois no sistema em que vivemos, precisamos dominar o conhecimento para poder criar ou modificar entendimentos. O estímulo à competição é necessário, pois caso contrário o futuro profissional pode ser comprometido. Por tudo que tenho acompanhado, não acredito no construtivismo. Inclusive, na Europa, o construtivismo já está sendo revisto. Muitas escolas estão retornando ao sistema de estudo dirigido por causa de resultados não satisfatórios na educação pelo construtivismo. O problema maior é que, quem não concorda como o construtivismo, no Brasil, especificamente em minha cidade, Londrina, não tem opção de escolas que não utilizam o construtivismo. Parece até uma “ditadura”. Estou muito preocupado. Vejo cada vez mais alunos oriundo de escolas construtivistas que chegam aos cursos de graduação sem conhecimento e sem dominar o vernáculo, principalmente naquelas profissões em que a escrita é o instrumento de trabalho. Pelos resultados práticos que tenho visto, o construtivismo só é bom na teoria.

    • Prezado Nélio,
      Temos aqui duas possibilidades, a primeira é que de fato temos uma grande discordância, a segunda é que você tem tido más experiências com a proposta construtivista. De nossa parte consideramos que há escolas tradicionais muito boas, assim como há escolas construtivistas muito ruins. De modo que analisar uma visão educacional por nossa experiência pessoal, pode não ser a maneira mais efetiva para compreendermos os fundamentos teóricos e conceituais de um paradigma educacional. Por exemplo:

      a) a formação do senso crítico não é prerrogativa da escola construtivista, em hipótese nenhuma! Algumas escolas tradicionais, repressoras, moralistas podem ter em seus quadros, alunos perceptivos, reflexivos, inconformados, criativos e críticos. Mas esta não é a intenção, a missão e o propósito de uma metodologia reprodutiva, todos sabemos disso. O binômio explicar x aplicar pode funcionar, sem dúvida, mas na nossa opinião essa não é a melhor forma de incentivar o aluno a pensar, raciocinar, refletir, isto leva o aluno a uma postura passiva de tentar compreender e aplicar. Essa metodologia não dá espaço para a reflexão, para a construção. Mas evidentemente, isso pode acontecer APESAR do método.

      b) você diz que tinha mais conhecimento do que sua filha, aos dez anos. Será que você não está chamando de conhecimento apenas os conteúdos conceituais que estão listados nos livros didáticos? Será que você não está esquecendo de computar outros conhecimentos, como os procedimentais: saber trabalhar em grupo, saber fazer uma pesquisa em livros ou na internet, saber fazer um seminário ou participar de um debate? Em nossa escola aos 10 anos os alunos sabem coisas que eu nem sequer sonharia em meus 15 anos. Têm um repertório de leituras, uma prática com várias linguagens, uma curiosidade para a resolução de problemas, uma profunda comprensão do campo aditivo e multiplicativo que eu só tive na vida adulta, quando estudávamos os sentidos das operações matemáticas. Enquanto aos 10 anos eu repetia os afluentes do Amazonas, da esquerda e da direita, na nossa escola os alunos pesquisam, descobrem e organizam o conhecimento sobre o que acontece com a água antes dela sair pela torneira da casa deles. O que é saber mais? Ter mais informações? Que tipo de conhecimento você valoriza?
      Dizer que a escola construtivista ensina menos que a escola tradicional é a meu ver um equívoco superado pela maioria, é preciso olhar o mundo e se perguntar: o que as crianças precisam aprender neste momento, para viver plenamente como cidadãos transformadores quando forem adultos?

      c) Por fim, você afirma que o construtivismo está sendo abandonado na Europa. Creio que não é bem assim. Aliás, recentemente em viagem aos EUA e Canadá, só vi educadores, escolas e discursos construtivistas. Mais do que nunca os meios educacionais estão valorizando a criatividade, a construção coletiva e COLABORATIVA do conhecimento, as interações, a postura investigativa, e o currículo flexível. De modo que penso que é preciso colher mais informações sobre as tendências em educação.

      Por fim, lamento que não haja em sua cidade nehuma escola tradicional, ainda que eu desconfie que, na realidade, elas são a maioria, mas que têm assumido um discurso construtivista como forma de atender ao “mercado”. Quando isso acontece, é de fato muito ruim, pois uma escola tradicional com discurso construtivista é nada mais, nada menos que uma escola comercial, interessada em vender educação mais do que em desenvolver um projeto pedagógico consistente com um paradigma educacional claro.

      • Prezada Sonia,
        Pode ser que realmente eu tenha tido experiências ruins com escolas que se dizem construtivistas. Mas em relação ao item “b” de seu comentário, discordo totalmente. Quando escrevi que aos 10 anos tinha um conhecimento maior que minha filha tem na mesma idade, considerei tudo o que você escreveu, exceto a internet, é claro. Tenho tido muito contato com o material do Anglo. Vejo as dificuldades que minha filha tem tido com esse material. Na hora de fazer as tarefas, na maior parte das vezes, ela não consegue fazer e se desespera. Talvez os professores não estejam preparados para o construtivismo, pois o sistema de avaliação de escolas que se dizem construtivistas ainda é o de provas de conteúdo. E o conteúdo passado é fraco, no meu entendimento. As informações são necessárias para o desenvolvimento, ainda mais na sociedade em que vivemos, que cobra muito isso. Sou da área jurídica e vejo, cada vez mais, estagiários fracos no raciocínio, na lógica, no conteúdo e, principalmente, na escrita, que é o nosso instrumento de trabalho. Tenho encontrado alunos preguiçosos no raciocínio. Acho que em algumas áreas do conhecimento o mecanicismo ainda é útil. Acho que Nuno Crato, Ministro da Educação de Portugal, tem certa razão ao dizer: “Embora o construtivismo ingênuo pregue que a memorização prejudica a compreensão, os cientistas afirmam o contrário – que ela é essencial ao aprendizado. Isso porque tem o papel de automatizar certos raciocínios, ajudando justamente a fazer pensar melhor sobre questões mais relevantes e complexas. Numa operação básica de soma ou de subtração, por exemplo, a criança não precisa a cada nova conta parar para refletir por que passa o número 1 para cá ou para lá. Seria um desperdício de energia valiosa, que pode ser bem dispendida nos desafios que verdadeiramente interessam.”
        Quanto ao item “c”, na Europa está havendo muita discussão sim. Não só em Portugal, mas na Alemanha, muitos educadores estão refletindo sobre os resultados práticos do construtivismo, que estão ficando aquém do esperado. Em Israel, ao que me consta, o construtivismo teve seu auge nas décadas passadas, mas agora está em declínio, pois eles também verifcaram que os resultados a longa prazo não foram os esperados.
        Infelizmente, por tudo que tenho visto, não estou acreditando no construtivismo. Para mim, ele pode ser muito bom no campo do ideal, como estudo científico, mas na prática, pode trazer uma dano muito grande na educação de nossos filhos a longo prazo. Há um grande risco de se tornarem inertes perante o mundo. Justamente o contrário do pregado pelo construtivismo.

        • Então é isso, vemos as coisas de modo diferente!
          Mas algo que você disse me intrigou, o material do ANGLO é construtivista?
          Quanto ao papel da memória na aprendizagem, evidentemente já superamos esta ideia ingênua de minimizar o papel do memória há décadas. Mas também entendemos perfeitamente que a memorização deve ser posterior à compreensão!!!
          Concordo com o ministro português, o construtivismo ingênuo, de moda, sem preparo, sem estudo, sem compreensão prega uma série de bobagens, mas isso não tem nada a ver com a teoria em si. Há também absurdos denunciados em verso em prosa derivados da escola tradicional.
          Como te disse, e reafirmo, não se pode condenar uma concepção de aprendizagem baseada em pesquisas profundas, em função de sua má aplicação. Evidentemente nenhum educador sério acharia plausível que uma criança precisasse parar para refletir quando usa o algoritmo de qualquer operação, seria negar a própria função do algoritmo. O que se prega, com muita consistência é que o algoritmo não pode ser a primeira etapa da aprendizagem, e sim a última. Não seria sensato pensar que primeiro você automatiza um procedimento, depois compreende-o.
          Creio que o que traz prejuízo a educação não são as boas teorias mal compreendidas, é a falta de preparo de parcela significativa dos educadores que tem formação inicial precária, formação em serviço superficial, e tudo o mais que sabemos. Se a solução para isso é um material passo a passo, estruturado e mecânico, eu penso que não precisaríamos de professores, pois bons ambiente virtuais com boas explicações fariam isso melhor.
          De todo modo, Nélio, te agradeço a oportunidade de debatermos este tema. Pena não ser possível um bom debate presencial, ele seria mais efetivo.

          Abraços

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