Você já ouviu falar em treinos esportivos na escola?

 

Por Washington Nunes Silva Junior – coordenação de esportes

Muitas pessoas acreditam que aulas de Educação Física e Treinos Esportivos são a mesma coisa.

Embora muitas coisas sejam comuns no seu desenvolvimento, como aprender as funções e os limites do corpo, trabalhar com cooperação e saber lidar com técnicas de movimentos, a Educação Física contempla muito mais o conhecimento da diversidade de jogos, brincadeiras, lutas, danças, ginásticas e esporte, além de promover uma crítica dessas atividades e sua relação com o mundo. Já os treinos esportivos favorecem também o aprendizado dos gestos técnicos específicos e as estratégias de jogo de uma modalidade esportiva específica. Além disso, a competição aparece para auxiliar na avaliação de desempenho e apontar as melhorias necessárias para seu desenvolvimento.

Nesse contexto, vira e mexe, escuto uma pergunta interessante: por que fazer esporte na escola?

Se pensarmos que um aluno começa a praticar um esporte com 9 e seguirá até os 18 anos, ao longo do tempo, com certeza, acontecerão mudanças interessantes.

Pode ser que ele perceba que não tem tanto jeito pra coisa, mas, vivenciou para chegar a essa conclusão. Também pode ser que se inscreva em vários esportes e, ao longo do tempo, opte por aquele que mais se identificou.

Mas, posso dizer que, quando um aluno decide fazer esporte na escola, acaba escrevendo uma história muito legal. Viver vários anos tentando aprimorar gestos técnicos, desenvolver estratégias individuais e com os companheiros para superar adversários ou dificuldades, experimentar e saber superar momentos de ansiedade antes dos jogos, de frustração ou euforia após derrotas e vitórias são algumas coisas que se leva para o resto da vida.

Sempre falamos disso com nossos alunos. Ao longo dos anos eles vão entendendo melhor. Quando chegam ao terceiro ano do ensino médio, a nostalgia começa a bater forte e a participação nas competições começam a ter contagem regressiva.

Mais tarde, quando os encontramos, eles contam da saudade ou das lembranças das equipes, dos fatos e dos jogos que os acompanharam ao longo do período escolar.

Acabou o carnaval e, no Brasil, o ano começa de verdade. Mesmo já tendo iniciado as aulas e os treinos esportivos, a partir de agora começamos efetivamente a montar equipes para as competições e a Olim Vila será a primeira, tendo sua abertura prevista para dia 05 de maio.

Afinal, por que fazer esporte na escola? Porque é muito diferente de fazê-lo em qualquer outro lugar, pois, temos a oportunidade de estar junto, em nosso dia a dia, com nossos amigos, com quem iremos estudar ao longo de toda a vida escolar. E isso não tem preço.

Bom ano a todos do esporte.

Inauguração do site da Biblioteca

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Por Angela Müller de Toledo

Estamos inaugurando hoje o site da Biblioteca da Escola da Vila. É uma alegria poder contar com um meio de divulgação do acervo, serviços e produtos deste setor que é tão importante para a viabilização dos inúmeros projetos de leitura, escrita e pesquisa que fazem parte do cotidiano escolar desde a Educação Infantil até a Pós-Graduação. Além disso, o site também facilitará a comunicação entre toda a comunidade e os funcionários das bibliotecas.

No momento temos três grandes áreas de consulta funcionando no site: Políticas, Indicações Literárias e Acervo.

Nas políticas os interessados encontrarão os objetivos do setor, as diretrizes para o desenvolvimento do acervo, assim como as principais regras de circulação de materiais e por categoria de usuário.

Dentro de um projeto mais amplo de formação do leitor, as indicações literárias pertencem a um grupo de ações da biblioteca que visa fornecer subsídios para a escolha do livro de literatura diante de um tão grande número de títulos disponíveis no mercado e no nosso próprio acervo. Esta é uma prática antiga nossa, temos mais de uma centena de pequenas resenhas dirigidas aos alunos e tantas outras dirigidas a pais e professores que, gradativamente, serão colocadas no site. As obras resenhadas não são, necessariamente, do grupo de novidades adquiridas pela biblioteca, ao contrário, a indicação pode ser de um livro que anda esquecido em nossas estantes, pois a ideia que nos move é a de que bons livros nunca envelhecem.

Finalmente chegamos à consulta ao acervo. Estamos abrindo hoje à pesquisa on line seis grandes classes de obras: generalidades, filosofia, religião, ciências sociais, línguas e literatura adulta, com o devido destaque para as áreas de psicologia, sociologia, política e para nossa coleção especial de educação.

Este é um grande passo na direção da informatização do acervo e dos serviços da biblioteca da Escola da Vila, mas também em direção a um objetivo maior que é a educação para as práticas de pesquisa.

Nos próximos meses abriremos um setor de novidades da aquisição, ou seja, uma lista de livros novos que entram nas bibliotecas, ao mesmo tempo em que trabalharemos na inserção dos dados da nossa imensa coleção de livros de literatura infantojuvenil.

Esperamos que todas essas novidades facilitem a vida dos usuários em suas rotinas e procedimentos.

O endereço é www.escoladavila.com.br/biblioteca

É meu! É seu! É nosso!


Por Adriana Reali

Aqui na Escola da Vila, desde muito cedo as crianças são convidadas a cuidar do material que é de uso coletivo e individual. Na educação infantil, a maior parte do material utilizado pelas crianças é de uso coletivo. Os lápis, as canetas, a massinha, o lego, os jogos etc, devem ser cuidados por cada um e por todos. Infinitas rodas de conversas são realizadas pelas professoras para falar sobre os cuidados e os procedimentos de uso de cada um desses materiais. Sabemos que as crianças são pequenas e precisam muito do apoio dos adultos, pais e professores, para que esse cuidado seja efetivado. À medida que as crianças crescem o cuidado e a organização do material na escola vai sendo, gradativamente, compartilhado.

Quando chegam ao final do grupo 3, última série da educação infantil, embora ainda pequenos, sabemos que já são capazes de assumir pequenas responsabilidades. No primeiro ano passam a ter o estojo com a maior parte do material que será utilizado no dia a dia. A mochila também deixa de ser padrão e cada um escolhe a sua própria mochila, mas, sem dúvida nenhuma, o estojo é a grande vedete da série.

As rodas a que me referi acima seguem acontecendo. As professoras conversam sobre os cuidados, os procedimentos de uso, o desperdício, a reposição. É nesse momento da escolaridade que as crianças começam a ter maior dimensão do que significa perder um material de uso pessoal, pois no momento seguinte irão precisar do lápis ou da cola que não se encontra no seu estojo. Em casa, durante a lição, perceberão que falta a borracha. É nesse momento que a intervenção e ajuda dos adultos faz o maior sentido. Tanto na escola quanto em casa se faz necessário conversas sobre responsabilizar-se por esse material de uso cotidiano. A reposição nem sempre deve ser feita imediatamente e a busca pelo material perdido deve ser compartilhada com o aluno e com os professores da sala.

Em cada classe há uma caixa de “achados”. Todo material encontrado sem nome e, a princípio, sem dono, é depositado nessa caixa. Constantemente os professores conversam com os alunos sobre os materiais que ali estão e estabelecem pequenas metas para que essa caixa se mantenha o mais vazia possível. Conversam sobre a identificação do material e sobre reconhecer o material perdido. É muito comum que as crianças não reconheçam seu próprio material e por isso é tão importante que as famílias compartilhem a tarefa de organização do estojo com as próprias crianças.

Ao longo de toda escolaridade seguimos investindo nesses aspectos e conversando com nossos alunos sobre “o que é seu, o que é meu e o que é nosso” e como devemos cuidar e nos responsabilizar por esses materiais de uso coletivo e individual e também nesse aspecto a participação das famílias é fundamental para que, cada vez mais, compartilhando essa tarefa, tenhamos sucesso nesse percurso.

O período complementar em 2012

Por Daniela Munerato

Cabanas coloridas no meio do parque, panos que escondem brinquedos diversos e promovem desde deliciosas brincadeiras simbólicas até o desenvolvimento de habilidades motoras quando é preciso atravessar um túnel ou subir nos módulos de madeira que compõem uma estrutura. Fantasias, instrumentos, música e muita animação: estamos no período complementar!

A rotina diferente marca este período onde crianças entre 3 e 6 anos têm a oportunidade de participar de um mesmo grupo na companhia do professor José Felipe.  Depois do momento de entrada e da organização do lanche que será consumido no período da tarde e das brincadeiras do início das nossas manhãs, vem o momento do lanche, especialmente preparado pela equipe da cantina, sob a orientação da nutricionista Elaine Occhi.

O momento do lanche é sempre um momento de descobertas! Do que será este suco? Quem consegue morder o milho cozido na espiga? Vocês já experimentaram panquecas? Situações que acontecem em espaços variados da Educação Infantil: piqueniques fora da sala ou a própria sala organizada em uma grande mesa ou, ainda, toalhas dispostas sob as cabanas. As pequenas variações no modo de configurar os espaços dão ensejo a experiências ricas, que incrementam o poder da imaginação e a criatividade.

Utilizar o espaço da cozinha é outra novidade! As crianças colocam as “mãos na massa” durante este bimestre, com as receitas de preparo de sucos, cujo principal propósito é a degustação de frutas da época. Depois daremos continuidade ao trabalho preparado, com os pequenos, sopas e saladas, tudo feito com as verduras e os temperos da nossa horta.

As aulas de circo representam uma novidade muito apreciada pelas crianças. O professor Rica utiliza diversos espaços da escola e propostas em favor dos exercícios que promovem o equilíbrio e o conhecimento do corpo. Fazem brincadeiras na parede de escalada, utilizam colchões e bolas bem grandes para as cambalhotas e já fizeram até pirâmide! (equilibrar-se com apoio em outra pessoa)

A capoeira também é um momento esperado. O professor João ensina gingas e muitos movimentos. Rapidamente vocês acompanharão as crianças cantarolando trechos das canções que são utilizadas durante a realização deste tipo de atividade. Aguardem!

Propostas de Arte encaminhadas pela professora de Inglês é outra novidade. Marisa é, antes de tudo, professora de Educação Infantil e tem grande domínio do trabalho nas diferentes áreas. Ela acompanha o grupo em propostas diversas, tudo com muita tinta e muita cor, conversando em inglês com as crianças.

Nosso tempo termina com a preparação para o período da tarde. Depois de almoçarem, realizarem a higiene e descansarem, cada criança vai para a sua sala encontrar as professoras e amigos de turma. Cabe ao professor José fazer esta passagem, receber um abraço forte de seus pequenos e aguardar o dia seguinte, com a promessa de novas aventuras!

A importância da formação permanente para quem entende que ensinar é tarefa complexa, qualquer que seja a idade dos alunos.

Por Dayse Gonçalves

No próximo dia 15 de março acontece o primeiro dos 27 encontros do Grupo de Formação Continuada sobre Práticas de Educação Infantil (3 a 5 anos de idade) promovido pelo Centro de Formação da Escola da Vila.

Ao longo dos encontros discutiremos a prática educativa em salas de Educação Infantil nos vários âmbitos do currículo: do brincar à formação literária. Com os olhos voltados para as várias dimensões da formação dos pequenos, refletiremos sobre o valor do olhar atento do professor para o grupo e para cada uma das crianças, e promoveremos discussões sobre visão de área, encaminhamentos didáticos inovadores e, principalmente, o valor dos instrumentos que permitem ao professor planejar e refletir sobre sua prática, com a finalidade de promover um ensino de qualidade.

Na abordagem dos diferentes conteúdos que serão tratados ao longo destes encontros, incluiremos alguns momentos muito especiais, com profissionais que dividirão com os participantes sua experiência em diferentes âmbitos, a saber:

Vicente Domingues, músico e coordenador de Ações Culturais da Escola da Vila, discutirá a presença da Música na escola, através das brincadeiras de roda, das canções e da construção de instrumentos.

Paula Lisboa, atriz e contadora de história, brindará o grupo com narrativas que têm encantado adultos e crianças, reafirmando a importância da tradição oral na formação das crianças.

Angela Muller, bibliotecária com especialização em produção cultural para crianças e jovens, e resenhadora da Bibliografia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil desde 2002, pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, levará o grupo a refletir sobre o valor de algumas obras de literatura infanto-juvenil, ampliando, com isso, nossos critérios de escolha e marcando a importância de alguns títulos na formação de nossos pequenos leitores.

Karen Amar, arte-educadora e formadora de professores, organizará várias ações formativas envolvendo oficinas práticas com os educadores e momentos de reflexão sobre o trabalho nesta faixa etária, a partir da experimentação dos materiais e das intervenções do professor.

Estão planejadas também duas situações de observação em salas de Educação Infantil da Escola da Vila ao longo do ano, e a utilização da plataforma moodle como espaço de troca de experiência entre os participantes e também como espaço de ampliação das experiências que terão início nos nossos encontros, através do compartilhamento de registros, textos…

Venha fazer parte deste grupo!

LEITURA CRÍTICA DE TEXTOS PUBLICITÁRIOS.

 

Por Aline Evangelista Martins

 

Talvez alguns leitores se lembrem da seguinte mensagem:

“O mínimo de tranquilidade que você precisa.”

Outros devem se lembrar das seguintes:

“Um raro prazer.”

“Uma simples questão de bem senso.”

Caso as marcas correspondentes aos slogans não tenham vindo à memória, segue o esclarecimento: o primeiro fazia parte de uma peça publicitária veiculada na década de 70, para anunciar o cigarro Colúmbia; a segunda e a terceira, ambas da década de 80, compunham os slogans do Carlton e do Free, respectivamente.

É fácil perceber que, de uma década para outra, as promessas em relação aos benefícios do tabagismo foram ficando menos explícitas. O mesmo aconteceu com as imagens que as acompanhavam: pouco a pouco o cigarro deixou de aparecer nas fotos e até mesmo as baforadas foram se escasseando; no lugar, havia jovens bonitos, sorridentes, aparentemente bem resolvidos.

Fora das telas, dos outdoors e das páginas de jornais e revistas, as pessoas fumavam. Jovens, adultos, idosos. No avião, na sala de aula, nas agências bancárias, nos escritórios… As cenas que eram tão naturais na propaganda eram também corriqueiras na vida real.

Felizmente nossos alunos e filhos não estão expostos à glamorização do tabagismo. E se hoje  lemos com espanto aqueles slogans reproduzidos no início do texto, é sinal de que houve mudanças significativas na comunicação. Nada daquilo é visto com naturalidade. Essa constatação nos leva a importantes questionamentos: que mensagens publicitárias são vistas com naturalidade hoje em dia?  Desejamos que essas mensagens sejam naturais? Em caso negativo, o  que temos feito para que deixem de ser?

Para que avancem na reflexão sobre questões como essas, os jovens precisam, antes de tudo, ler criticamente os textos publicitários. Na Escola da Vila, esse tema é contemplado no 8º ano. Ao longo de um trimestre, os alunos analisam peças publicitárias, a fim de observar a construção do discurso persuasivo. Não se trata de avaliar as peças, para julgar se são boas, criativas ou interessantes; o foco é identificar os propósitos do texto, refletir sobre a produção e recepção deles e analisar sua construção: o que a imagem diz e, portanto, o texto não precisa dizer? Que aspectos da imagem o texto ressalta? Como os recursos verbais e os não verbais se complementam? Há alguma promessa implícita? Que sentimentos a peça procura despertar? Essas e outras perguntas orientam as etapas do projeto, durante o qual os alunos identificam os recursos que se articulam para promover a persuasão e, dessa forma, desenvolvem competências importantes para a realização de uma leitura mais refinada e mais crítica.

Concomitantemente às análises, ocorre a reflexão sobre ética na publicidade e sobre a influência da propaganda nos hábitos de consumo e na formação de valores. Esse é o caso do trabalho em que os alunos analisam o modo como o corpo é representado nas peças publicitárias, observam os estereótipos de beleza que são divulgados e discutem o impacto que isso pode ter na saúde e na relação do jovem com o próprio corpo.

Os seguintes trabalhos ilustram o tipo de análise que os alunos fazem.

“Corpo e mídia” – trabalho desenvolvido em parceria com os professores de Ciências Naturais

Análise da publicidade das Loterias Caixa.

É muito estimulante observar a forma como um texto que sempre esteve tão presente na vida dos alunos se abre para novos significados, os quais suscitam reflexões inusitadas. E o mais interessante é saber que o 8º ano passa, mas a leitura mais refinada e mais crítica permanece. Exemplo disso é a mensagem abaixo, enviada por correio eletrônico por um aluno que, na ocasião,  estava começando o 2º ano do Ensino Médio.

Aline, boa noite!

Aqui quem fala é Rafael, que foi seu aluno no 8º e 9º ano, se lembra?

Tudo bom com você?

Estou lhe mandando esse e-mail pois acabei de assistir na TV Globo uma propaganda publicitária sobre o novo Kia Cerato. Se bem me lembro, publicidade é o tema central de estudo do 8º ano. Acho que essa propaganda ilustra muito bem aquela questão do apelo racional e emocional. Assista-o e veja o que acha! O link está logo abaixo (não é vírus). Um beijo!

O olhar do leitor não se dirigiu para as qualidades do carro, tampouco para a promessa de uma vida melhor a bordo dele. Ao contrário, ele adotou uma postura ativa, própria de quem sabe ler o que está explícito e o que está implícito e sabe também discutir, trocar idéias, interagir com outros leitores – ações que caracterizam não apenas o bom leitor, mas também o consumidor consciente e o cidadão ético.

Conhecendo mais e melhor o nosso trabalho: algumas instâncias de comunicação na Educação Infantil.


 

Por Dayse Gonçalves

Na semana passada tiveram início as primeiras Reuniões de Pais na Educação Infantil. Espaço de intercâmbio entre escola e família e que demanda da equipe pedagógica tempo de preparação, grandes expectativas e a certeza da importância deste encontro, para pais e professores, pois representa também um momento para conhecer mais e melhor os professores que recebem todos os dias as crianças, e que rapidamente se tornam referências importantes para elas e, acreditem, em pouco tempo as conhecem quase tanto seus familiares.

Parece exagero, mas não é! Embora saibamos que as crianças têm comportamentos distintos às vezes, em casa e na escola, um professor ou professora de Educação Infantil é um profissional que tem o privilégio de ter tempo para observar. Para observar as múltiplas situações vivenciadas na escola e reconhecer preferências, dificuldades, necessidades, jeitos de lidar com situações mais exigentes, enfim, características que nos levam a intervir de modo a promover o bem estar e a crescente autonomia dos pequenos, num ambiente onde o maior dos desafios é aprender a fazer parte de um grupo, ser um dentre muitos, aprender a esperar, aprender a compartilhar e a ceder, reconhecer que suas vontades nem sempre podem ser atendidas ou poderão prevalecer. Enfim, alguém que em muito pouco tempo se sente à vontade para falar sobre o modo como cada um de seus alunos reage frente a determinadas situações, como aproveita as propostas, como se relaciona com adultos e crianças e como enfrenta os conflitos típicos da convivência em grupo, como recebe e manifesta sentimentos…

E isso nos remete a outra instância de comunicação com as famílias que são as cartas de adaptação (para as famílias das crianças que estão chegando à nossa escola) e os relatórios individuais. As primeiras, alguns de vocês já receberam e os que não receberam ainda vão receber nos próximos dias. Através delas os professores dão notícias da evolução deste período delicado e ao mesmo tempo tão intenso que são as primeiras semanas de aula. Depois vêm os relatórios individuais, os relatórios virtuais, ambos publicados semestralmente, e que dão uma medida do modo como as crianças aproveitam o que temos a lhes oferecer. Sem falar nos encontros com a orientação, que vão ocorrendo ao longo do ano.

Em publicação recente, via mídia eletrônica, encontrei oito justificativas para os pais participarem das reuniões promovidas pelas escolas. São elas: conhecer a escola a fundo; acompanhar o aprendizado; esclarecer dúvidas de interesse geral; conhecer seu filho sob outros pontos de vista; firmar parceria com a escola; entender as crises da idade; conhecer para poder ajudar. (leia também: educar para crescer)

Todos os argumentos apresentados são legítimos e estamos de acordo com todos eles. Mas há mais razões para participar destes encontros: a possibilidade de vocês, pais, se conhecerem e conhecerem os colegas de seus filhos através de seus pais e também das imagens que compartilhamos do cotidiano escolar, afinal, é com eles que sua criança brinca e eventualmente disputa algo ou alguém, e com quem está iniciando uma relação que os muitos anos de convívio ajudarão a construir.

Da parte da equipe pedagógica, o objetivo é dar a conhecer melhor o trabalho realizado, tratando de aspectos educacionais ligados à adaptação ao ambiente escolar e a tudo que isso representa, mas também de aspectos pedagógicos, de sorte que as famílias possam compreender cada vez melhor o tipo de aprendizagem que se deseja promover e o modo como concretizamos nossas intenções educativas.

Esperamos por vocês!

Tão longe e tão perto: integração e interação ampliadas pelos ambientes virtuais.

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Por Zélia Cavalcanti

A Escola da Vila tem como ideias força de seu funcionamento, a integração e a interação: entre as unidades, os ciclos de escolaridade, os profissionais, os segmentos de trabalho, a escola e o centro de formação. Característica que tem se concretizado em diferentes âmbitos: na estrutura de direção e coordenação pedagógica e administrativa; na agenda única de reuniões para a formação permanente dos educadores, que alternam periodicamente as unidades em que trabalham; na participação desses mesmos educadores, como estudantes e formadores nas ações do Centro de Formação.

No entanto, o que mais exemplifica esse perfil, é o fato de, sistematicamente desenhar e desenvolver projetos institucionais que, envolvendo todas as áreas e todos os segmentos, amplificam e dão sentido aos procedimentos de interação e integração existentes,  como é o caso do projeto de integração das novas tecnologias de informação e comunicação (TICs), as ações educacionais e de formação, que já entra em seu terceiro ano.

Graças a esse projeto, professores, coordenadores, orientadores, e toda a equipe de formadores, vêm aprendendo a trabalhar, cada dia mais, em ambientes virtuais que não só aumentam as possibilidades de comunicação tradicional (do convívio diário e das reuniões pedagógicas), como também  contribuem de forma definitiva para os procedimentos de registro e discussão de questões pedagógicas entre os profissionais responsáveis pelos processos  educacionais.  O que evidentemente tem repercutido diretamente nos processos de ensino e aprendizagem que ocorrem nas classes da educação básica e nos cursos de formação e atualização de professores: os alunos de diferentes classes da Escola da Vila e vários  profissionais envolvidos em ações do Centro de Formação, têm se comunicado, registrado e discutido conteúdos em ambientes virtuais de aprendizagem que organizam, promovem o acompanhamento  e complementam o trabalho realizado na sala de aula.

Essas vivências têm evidenciado, na qualidade do trabalho que delas resulta, o quanto os recursos virtuais, que num olhar apressado podem dar a impressão de levar ao isolamento, contribuem de forma fundamental para a frequência dos  encontros de produção intelectual e com  a socialização e o compartilhamento do conhecimento construído por diferentes sujeitos.

ADENDO ADENTRO – Breves considerações e relato sobre a pintura à entrada do auditório.

Por Bartolomeo Gelpi

Quando eu estava inaugurando uma exposição no Centro Universitário MariAntonia, no primeiro semestre de 2011, recebi alguns colegas da Vila que foram à abertura conhecer meu trabalho e celebrar comigo aquela ocasião. Rosa dos Ventos era uma pintura a óleo feita diretamente sobre as colunas e paredes do local, ela batizava a mostra que também era composta por nove telas, os estudos que fiz em ateliê que resultaram na pintura construída in loco. Fazia cerca de 4 anos que eu vinha me dedicando a pinturas feitas especialmente para um local, que fossem pensadas a partir das características de um lugar específico, sejam físicas, como históricas, geográficas, funcionais, etc.

Foi exatamente naquela ocasião que soube pela Zá, coordenadora de arte da Vila, que a escola queria uma obra de arte que fosse desenvolvida especialmente para a entrada de seu recém inaugurado auditório e – ela me sugeriu – eu poderia mandar um projeto. A ideia me agradou e logo fui àquele local onde nunca tinha estado antes.

O hall de entrada do auditório tem uma janelinha por onde se vê as copas das árvores ao redor. Árvores que, no meu entender, dizem muito do que a Escola da Vila quer para si mesma, como meta, imagem, ambiente. Não há quem não note, ao conhecer a escola, como as plantas são importantes na constituição deste lugar. É também fácil entender este ambiente pleno de vegetação como uma metáfora da escola – o próprio logo da Vila sugere um movimento semelhante à germinação. No que toca à visualidade do lugar, as paredes brancas só eram quebradas pelo vermelho. Vermelho do extintor, do alarme de incêndio, da sinalização de emergência e das portas. Juntando uma coisa à outra, quis colocar aquele verde para dentro, fazendo uma projeção do retângulo formado pelo vidro da janela sobre a parede de entrada do recinto. Além de aproximar aquela referência, que fala muito a respeito da escola, do auditório, local de atividade intelectual por excelência de uma instituição, um conjunto de verdes teria sua presença potencializada pelos elementos circundantes da família complementar daquela cor. Adendo Adentro é nome da pintura, que procura reiterar esta aproximação.

Uma vez apresentado o projeto, recebi com alegria a notícia da Ana Maria: Vai dar certo, vamos fazer! Partindo para as providências práticas, paralisei outro projeto em andamento para, no tempo que restava, poder chegar ao momento da pintura devidamente preparado. Ao longo dos dois meses que antecederiam o início da execução, dediquei-me a quatro pinturas sobre tela, os estudos que definiriam as cores, a estrutura rítmica e a disposição das cores da pintura. Isso tudo é uma preparação necessária, no meu modo de trabalho, mas não exclui os imprevistos e decisões que são feitas no momento da pintura in loco.

Acertei com Silvia minha entrada logo ao final dos últimos dias de atividade da escola. A pintura precisaria do máximo de tempo possível para secagem. Em outras pinturas que realizei, utilizava um secante de cobalto, mas, naqueles casos, elas eram feitas com data certa para ser destruídas. Nas instituições onde existiram, essas pinturas integraram exposições temporárias e eu podia utilizar este recurso que agiliza demais a secagem, mas, em longo prazo, é nocivo à pintura. No início das férias, com a ajuda do Edson, que trouxe mesa, plataforma, latão de lixo, etc. transferi meu ateliê para o terceiro andar do prédio da biblioteca e, por cerca de 4 dias, trabalhei diretamente sobre a parede, terminando o trabalho na noite do dia 23 de dezembro.

Agradeço aos vários colegas da escola que se envolveram no projeto – sua realização e as atuais iniciativas para tornar a pintura ainda mais presente na vida da escola. Obrigado Ana Maria, Edson, Ernani, Luisa, Roselys, Silvia, Sônia, Vânia, Zá e a todos que entusiasticamente receberam a pintura Adendo Adentro no espaço da escola.

 

Tempo de Carnaval


Por Ivone Domingues

Neste Carnaval, encontrei o Sr. Jacob, um senhor polonês de 97 anos, que vive no Brasil desde os 13. O Sr. Jacob é um narrador de primeira. Conta com prazer e enorme riqueza de detalhes suas histórias de vida, dentre elas a viagem de vinte e um dias, da Polônia ao Brasil, quando tinha 13 anos. Veio junto com o irmão de 10 anos encontrar os pais, um tio e seus outros irmãos menores que já viviam aqui.

As histórias do Sr. Jacob eram contadas com humor, num ritmo adequado ao nível de detalhe e sabor dos acontecimentos, ou seja, lento para nossos parâmetros atuais. Por esse motivo, volta e meia, antes de concluir seu pensamento, o Sr. Jacob era interrompido por algum de nós, seus ouvintes, com uma nova pergunta.  Quando isso acontecia, o Sr. Jacob, sorrindo, perguntava: “Você tem tempo?”.

Bom, se o leitor deste blog teve tempo e paciência para levar a leitura até este ponto, aviso que é aí que gostaria de me deter: “Você tem tempo?”

Charles Hadji, no prefácio do seu livro Pensar e agir a educação (1), nos diz que, segundo Rousseau, para educar, é preciso saber perder tempo (2). Podemos considerar que as tarefas centrais do educador: observar e escutar, durante as quais se recolhe material para refletir e agir, são ações, na maioria das vezes, lentas. Na máxima do autor, chama atenção a ideia de saber perder tempo, que não é o mesmo que perder tempo, simplesmente. Esse tempo perdido com sabedoria, com intenção educativa, pode resultar em um enorme ganho de tempo, pois é condição para ouvir a narrativa do outro, formar vínculo, criar espaço de confiança e diálogo.

Neste período de carnaval, quando suspendemos um pouco o correr do tempo, aproximar as narrativas do Sr. Jacob e a leitura do Hadji me fez pensar na estreita relação entre saber narrar, saber ouvir, dialogar e educar.

É fato que nenhum de nós sabe, na verdade, quanto tempo ainda tem, e essa é uma questão central da humanidade. Porém, quando alguém com 97 anos lhe pergunta, delicadamente, Você tem tempo?” é tempo de frear ansiedades, parar e pensar se estamos sabendo perder o tempo necessário para conviver, ouvir e educar.

(1) Hadji, Charles. Pensar a agir a educação: da inteligência do desenvolvimento ao desenvolvimento da inteligência. Porto Alegre: Artmed, 2001.
(2) Rousseau, Jean-Jacques. Émile, Édition Garnier-Flammarion, p. 112.