Planejar, por que todo ano?

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Por Sônia Barreira, Fernanda Flores e Vania Marincek 

Um novo ano letivo teve início nesta terça-feira, quando os alunos reiniciaram suas rotinas, conheceram seus novos professores e colegas, e se preparam para enfrentar novos desafios.

Antes, porém, professores, orientadores e todos os demais educadores já se encontravam trabalhando havia alguns dias. Em geral, contamos com uma semana toda para o planejamento. Em outras ocasiões, dispusemos de menos tempo, como neste ano de Copa do Mundo e de eleições.  A questão é: “Por que planejar tanto?”. “Qual o sentido de antecipar o que está por vir quando a maior parte da equipe já realizou o mesmo trabalho no ano anterior?”

É claro que há, em todos os setores, uma demanda organizacional, novas listas de nomes, pedidos de materiais, arrumação das classes, estruturação de horários, e tudo o que é necessário para garantir que as coisas aconteçam e que os alunos possam se adaptar com facilidade às mudanças de cada série.

Mas, em cada segmento, é preciso revisar os pontos avaliados no ano anterior para superar as falhas detectadas, adicionar novas ideias advindas dos estudos internos e do debate nas equipes de trabalho, e incorporar outras possibilidades fecundas de aprendizagem. É preciso, sobretudo, debater e procurar um aprofundamento na construção de melhores práticas de ensino, na constante busca de que cada aluno assimile os conteúdos propostos na nova etapa de sua vida escolar, atribuindo-lhe sentido, principalmente ao que faz e vive nesse ambiente.

Essa preocupação pode parecer estranha aos leigos, pois é de se supor que quem atua profissionalmente com o ensino já saiba como fazê-lo. E aí está uma das principais diferenças da nossa equipe: estamos sistematicamente nos questionando e analisando a forma de concretizar nossas intenções educativas. Como consequência, sempre surgem novas possibilidades, para que os alunos aprendam mais, de forma mais significativa e com maior desenvolvimento pessoal.

Ensinar como foi a Revolução Francesa, o teorema de Pitágoras ou o verbo To Be pode parecer algo simples, mas na nossa escola, com nossa metodologia, significa tomar uma série de decisões que só podem ser realizadas a partir de discussões pautadas em princípios claros e fundantes de nosso projeto sobre a melhor maneira de fazê-lo. Assim, consideramos que, para de fato haver aprendizagem significativa por parte do estudante, é imprescindível que a situação de ensino:

• favoreça o diálogo, a troca e o trabalho cooperativo;

• ajude o aluno a estabelecer relações entre o conhecimento novo e o que já tinha;

• coloque o aluno como protagonista de seu percurso de aprendiz e garanta que se responsabilize pelo seu processo de aprendizagem e pela aprendizagem coletiva;

• obrigue o aluno a refletir,  argumentar,  relacionar e duvidar, ou seja, que garanta a atividade mental;

• instigue a perseverança na resolução de problemas, individual e coletivamente;

• respeite os ritmos e processos diferentes na diversidade da sala de aula;

• incentive a criatividade, a curiosidade e o desejo de seguir aprendendo.

Este ano, apesar de contarmos com um calendário apertado, nossa equipe transitou nas últimas duas semanas entre cursos do Centro de Formação e o planejamento pedagógico. Com certeza, ao nos encontrarmos com nossos alunos, já estaremos bastante aquecidos, prontos para desafiá-los!

Bom ano para todos!

2013

16_12_2013

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Por Sônia Barreira

Prezados leitores,

Este blog tornou-se, nos últimos anos, uma importante ferramenta de comunicação com as famílias de nossa escola, mas também com outros profissionais que fazem parte da nossa rede de educadores, preocupados em construir intervenções consistentes nesta área. É uma maneira de divulgarmos o nosso trabalho, difundirmos nossas ideias, reforçarmos nossas crenças e nossos valores pedagógicos. É também um espaço de participação, pois procuramos responder a todos os comentários, no próprio blog ou, de outra maneira, quando demanda conversas mais longas.

Por isso, finalizamos este ano com agradecimentos especiais a todos aqueles que participaram elaborando textos, sugerindo pautas, lendo os posts e comentando quando encontravam pontos interessantes. Isso é muito importante para a nossa escola.

Àqueles que ainda não se inscreveram no blog para receber as atualizações, sugerimos que o façam clicando no botão Assine o Blog da Vila.

Para que tenham uma ideia da relevância do blog, seguem alguns dados importantes:

Neste ano tivemos 137 posts, assim distribuídos:

Educação Infantil – 19
Fundamental I – 21
Fundamental II – 15
Ensino Médio – 31
Geral – 18
Centro de Formação – 28

Os dez posts mais lidos, até o momento, na história do nosso blog, foram:

A leitura compartilhada nas classes de Fundamental I.
Por Andréa Luize
4.117 acessos desde 2011

Características das aulas de Educação Física no 4º e 5º anos.
Por Julio Pereira
2.383 acessos desde 2011

O corpo em movimento na Educação Infantil.
Por Alessandra Guarrera Zanetti e Camila de França Santos
2.194 acessos em 2013

A importância de brincar com o próprio corpo e o movimento.
Por Marcos Mourão (Marcola)
2.138 acessos em 2013

E agora, porque minhas calças não se mexem sozinhas?
Por Fernanda Flores
2.018 acessos desde 2010

Cursos online: novos desafios para o Centro de Formação.
Por Zélia Cavalcanti
1.408 acessos desde 2012

Ser menino e menina hoje!
Por Dayse Gonçalves
1.634 acessos em 2013

O professor construtivista de educação física.
Por Marcos Mourão -  Marcola
1348 acessos desde 2010

O percurso criador.
Por Marisa Szpigel
1.108 acessos desde 2011

Eles estão bebendo e fumando cada vez mais cedo?
Por Fermín Damirdjian
1.308 acessos desde 2012

Outro destaque interessante são aqueles posts que promoveram os debates mais acalorados, isto é, com maior número de comentários e respostas:

As mães que nos desculpem, mas não comemoramos o seu dia aqui na escola.
Por Dayse Gonçalves
47 comentários

Afinal, a Vila prepara ou não para o vestibular?
Por Sônia Barreira
46 comentários

Mitos, bobagens e mentiras sobre o construtivismo.
Por Sônia Barreira
43 comentários

Eles estão bebendo e fumando cada vez mais cedo?
Por Fermín Damirdjian
42 comentários

Cursos online: novos desafios para o Centro de Formação. 
Por Zélia Cavalcanti
34 comentários

Tempo de Carnaval.
Por Ivone Domingues
22 comentários

One, two, three, gravando!!!
Por Vicente Régis
22 comentários

Primeiro trimestre no Ensino Médio.
Por Fermín Damirdjian
20 comentários

2014 chega com a Unidade da Vila na Granja Viana. Como toda novidade, desperta alegrias e dúvidas.
Por Sônia Barreira
20 comentários

Para pensar o desenho da criança.
Por Marisa Szpigel – Zá
19 comentários

Ser menino e menina hoje!
Por Dayse Gonçalves
19 comentários

Para aqueles que têm dúvidas sobre a existência de uma comunidade de leitores, vale a pena saber o número de acessos por mês:

Janeiro – 8.555
Fevereiro – 14.948
Março – 17.194
Abril – 14.654
Maio – 15.644
Junho – 13.303
Julho – 9.210
Agosto – 14.403
Setembro – 15.283
Outubro – 14.935
Novembro – 11.110
Dezembro até dia 16 – 4.746

Esperamos contar com sua participação no ano de 2014, seja como autor de textos interessantes, como comentarista crítico ou como leitor interessado.

2013… …2014

A usb cable

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Por Zélia Cavalcanti

2013 está no fim, e nosso Centro de Formação já trabalha há semanas no planejamento das atividades para o novo ano. Não sem antes fazer um balanço do que foi realizado, do que pudemos aprender, e principalmente dos frutos colhidos no enfrentamento de novos desafios, que alimentarão nossas atividades em 2014.

Se, por um lado, tivemos a certeza de que não poderíamos abrir novas turmas para os cursos de pós-graduação em que tanto investimos e com os quais tanto aprendemos, por outro, descobrimos nossas possibilidades de reinventar formas de atualização pedagógica integrando as novas tecnologias da informação e da comunicação em propostas estruturadas tanto para cursos totalmente online, como para aqueles semipresenciais, e também na modalidade presencial.

A experiência com propostas de atualização pedagógica totalmente online, iniciada em março, provocou respostas tão altamente positivas , que passamos alguns meses só falando nisso, inclusive em alguns posts neste mesmo blog. Quem nos acompanha por este canal já leu muito sobre o tema em textos de várias colegas, também empolgadas e envolvidas com essa vertente formativa. Como consequência, essa modalidade de trabalho deverá ser ampliada na programação do Centro de Formação.

O que não significa dizer que as propostas na modalidade presencial serão paulatinamente abandonadas. Não, ao contrário. A qualidade das interações surgidas do enfrentamento entre professores e alunos numa sala de aula é reconhecida por todos, tanto pelos profissionais que nos procuram para se atualizar como pelos formadores que trabalham em nossos cursos. Assim, as diferentes programações organizadas durante cada ano continuarão a existir: Cursos Itinerantes, Outono na Vila, Programação de Inverno, Primavera na Vila e a Programação de Verão para qual, aliás, já estamos recebendo inscrições nos vinte cursos oferecidos entre 16 e 22 de janeiro.

No entanto, sabemos que é também de nossa responsabilidade incluir nos conteúdos de formação pedagógica a formação cada vez mais necessária para as aprendizagens em espaços virtuais.  Quero dizer que, como formadores de professores que estão em classe educando as novas gerações, precisamos incluir os profissionais que optam por cursos na modalidade presencial, em propostas nas quais também possam desenvolver competências para ensinar e aprender online.

E, nesse sentido, fizemos dois movimentos. O primeiro, transformando os já tradicionais grupos de formação, que acontecem durante o ano, em propostas semipresenciais; a partir de 2014, cada um deles terá mensalmente uma carga horária presencial e outra de atividades em espaço virtual, que tanto prepararão quanto ampliarão os temas discutidos presencialmente. O segundo, incluindo em todos os cursos presenciais um ambiente virtual para que o aluno tenha acesso à sequência de atividades, aos textos, e a outros recursos propostos pelo formador. E sempre que possível, envolvendo também uma proposta a ser realizada online.

Esse movimento de renovação e atualização das ações de formação penetrou também no Programa ZDP que, a partir do próximo ano, incorporará atividades em plataformas de videoconferência e conjuntos de atividades online para escolas estabelecidas em outras regiões do país e mesmo em nosso estado, que não possam enviar seus profissionais para as quatro jornadas presenciais do programa, realizadas na Escola da Vila.

Com isso, esperamos que ao final de 2014, possamos compartilhar com todos os profissionais que escolhem realizar nossas ações de formação continuada, uma avaliação positiva dessas mudanças com as quais damos continuidade a proposta de ser um centro de atualização permanente para educadores identificados com uma prática educacional de orientação construtivista.

Oficinas de Bólides e Parangolês

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Por Renata Pedrosa

No terceiro trimestre, o primeiro ano do Ensino Médio continuou a estudar as principais manifestações artísticas do século XX no Brasil. Um dos temas foi o aparecimento do concretismo e do neoconcretismo, em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente, após a polêmica do realismo X abstracionismo.

Vimos que o projeto construtivo buscava romper com o sistema de representação vigente em favor de uma arte não representativa e mais racionalista. Também vimos que, como sequência da penetração das estéticas construtivas, o neoconcretismo apareceu com questões mais avançadas e produtoras de ruptura.

Outro objetivo do terceiro trimestre era o entendimento da produção plástica no Brasil nas décadas de 1960 e 1970 e como essa produção tornou-se um reflexo das situações políticas da época.

A tarefa complexa do terceiro trimestre consistiu na pesquisa, projeto e execução de duas estruturas neoconcretas de ordem ambiental: os Bólides e os Parangolés do artista Hélio Oiticica. A ideia foi aproximar os conceitos vistos em sala de aula de objetos artísticos projetados e executados pelos próprios alunos.

As oficinas serviram para ilustrar os diversos conceitos que se desenvolveram a luz da produção deste inovador artista brasileiro. Serviram também para evidenciar a relação entre as operações manuais e mentais que compreendem as produções artísticas historicamente mais relevantes, além de seu significado dentro da rede de relações históricas em que se situa.

O uso das redes sociais na adolescência

11_12_2013

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Por Tiago Lima

A prova de passagem para o Ensino Médio, realizada pelo 9o ano, trazia um editorial da revista TPM, sobre o qual eram feitas questões de interpretação de texto. O título era “Face é ficção” e, de uma forma bem-humorada e irônica, levantava a questão de que nos deparamos tanto com a felicidade alheia nas redes sociais, onde a vida do outro é sempre tão cheia de experiências interessantes, conquistas e celebrações, que talvez fosse o caso de se criar uma rede “antissocial”. Ali, poderíamos compartilhar nossas inseguranças, dúvidas e um pouco mais da vida “real” de todos nós.

Este ano, eu já havia recebido de uma mãe da escola um outro artigo, que discutia como, mesmo entre certa elite intelectual, a competição por ser popular na internet era capaz de angustiar pessoas aparentemente inteligentes e críticas.

Como os adolescentes percebem essa questão? Peço licença para fazer uma breve reflexão sobre o assunto.

Em algumas conversas e atividades com meus alunos, discutimos como é comum, no meio deles, uma preocupação com a quantidade de “likes” e “curtidas” que uma foto no Instagram recebe. Puderam perceber, a partir dessa constatação, como, para muitos, é importante perceber que são bem aceitos socialmente e têm uma comunidade de “seguidores” (ainda que os papéis se rodiziem), que aprecia suas ideias e acha bacana as coisas que fazem. A resposta mais imediata dos alunos para esse problema é que isso não deveria ser tão importante para essas pessoas – afinal, cada um é cada um, tem seus próprios gostos e características, e não deveriam se importar com o que os outros pensam.

O que é verdade, em um certo sentido. Sabemos que há pressões do grupo para sermos de tal ou tal jeito, termos interesses e produtos que são mais populares ou que “agregam mais valor”. Mesmo que, obviamente, seja mais fácil notar isso no outro do que em si próprio (não é simples aceitar que também somos influenciáveis).

Mas o problema se acentua, talvez, justamente porque não basta seguir determinada tribo e ter uma identidade clara. As redes sociais parecem nos incentivar hoje a sermos, antes de tudo, autênticos. Como diz o editorial da TPM, a ideia de uma rede antissocial seria para que se criasse um lugar onde “ninguém pudesse escrever que seu livro de cabeceira é russo, que seu filme favorito é tailandês ou que seu defeito é ser perfeccionista”.

O fenômeno, certamente, não é de tão simples explicação, mas tem sido relativamente comum escutar de pais e mães de Fundamental 2 que os filhos não demonstram vontade de encontrar amigos no fim de semana ou fora da escola; lá por certa idade, muitos adolescentes parecem duvidar que são capazes de ter realmente uma experiência tão autêntica quanto a que seus pares parecem ter…

Diante disso, para os pais é bom lembrar que pedir aos filhos nesse momento que sejam eles mesmos é um conselho que não é tão fácil de seguir. E que o que pode parecer simples, que é dar tempo para que se assentem as contradições e inseguranças da idade, já é muito.

Para a escola, a tematização e o exercício de bom uso dos ambientes virtuais parecem ser cada vez mais necessários, com discussões em aulas de Orientação Educacional e também com o uso do Ambiente Virtual de Aprendizagem, por exemplo, para que os alunos aprendam, assim, a lidar com uma forma de interação diferente, em que o que dizemos fica registrado e disponível para muitos.

Mas, não é só isso. Em tempos em que convivemos tanto com as inúmeras mostras de felicidade alheia, a valorização de espaços para que a interação entre os alunos se dê de forma mais “real” talvez seja mais importante do que nunca: uma dupla em que não é tão fácil trabalhar, uma assembleia de tema difícil, ou a aula em que se discutem os erros e acertos de um colega.

A razão de pensarmos no esporte além do ganhar e perder

10_12_2013

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Por Washington Nunes

Quando trabalhamos com o esporte de competição, nos deparamos com questões difíceis de serem respondidas no âmbito escolar: só os melhores podem participar? Só os mais fortes podem formar as equipes? Só um grande processo de seleção torna uma equipe vencedora? Em muitos casos, essas respostas receberiam um sim. Mas, quando acreditamos que podemos contribuir para melhorar o desempenho de quem tinha menos competência, que podemos melhorar a força muscular de quem não era tão forte, que podemos engajar os alunos que queiram participar do processo de treinamento esportivo, percebemos que conseguimos incutir um pensamento vencedor nesses alunos, e aí as respostas podem receber um não.

Agora, no final do semestre e do ano, fizemos um encerramento dos treinos de handebol com alunos do terceiro ano que estão se formando com jogos, pizza e bolo, numa sexta-feira pra lá de divertida, e que marcou a despedida de alguns meninos e meninas que treinaram desde o quarto ano e que agora estão deixando a escola para uma nova etapa em suas vidas.

No dia seguinte, fomos surpreendidos com um texto enviado pelo Humberto Schorr Salgado. Ficamos felizes e, por isso, resolvemos socializá-lo, porque achamos que as palavras do Beto, além de nos deixar muito felizes, prova que acertamos na escolha que fizemos nos rumos do esporte da escola.

Ao Beto, obrigado pela carta que nos enche de orgulho e nos move a continuar trabalhando com a mesma intensidade.

A todos que estão se despedindo da escola, um abraço carinhoso. Fica o enorme agradecimento por tudo que fizeram ao honrar, em todos os momentos, a camisa e os preceitos éticos da escola.

É assim que fazemos esporte na Vila!

Aprender a programar. Criação de jogos digitais no F1

Por Helena Andrade Mendonça

O primeiro contato com programação a gente nunca esquece.

A possibilidade de dar ordens para uma máquina e ser obedecido, dominar uma nova linguagem, uma linguagem de programação e entender o que está escrito em uma sequência, como a escrita abaixo, pode ser muito prazeroso e desafiador para qualquer pessoa.

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Recentemente entramos em contato com uma série de iniciativas gratuitas na web que têm como objetivo que crianças e jovens aprendam a programar. Essas propostas incluem linguagens mais simples, que permitem um resultado mais rápido, e outras, mais complexas, que permitem até o desenvolvimento de aplicativos para smartphones e tablets.

O pesquisador Mitch Resnick do MIT − Massachusetts Institute of Technology −, criador da linguagem Scratch desenvolvida para crianças e jovens, com uma interface gráfica muito superior a outras linguagens similares afirma: “Quando você aprende a ler, você pode então ler para aprender. É a mesma coisa ao escrever códigos. Se você aprende a escrever códigos, você pode escrever códigos para aprender”. Temos trabalhado com os alunos em algumas propostas (ver post em 2012), nas quais um dos objetivos é que eles aprendam a programar, escrever e decifrar códigos.

No início de 2013 começamos a oferecer, também, aos alunos das séries finais do F1, o curso extracurricular de Criação de Jogos. Inicialmente fizemos uma exploração do Scratch que permite um contato com programação de dados e criação de objetos digitais com imagem, texto e áudio. Além de oferecer recursos visuais avançados, ele permite que a programação de objetos seja realizada através do encaixe de blocos, similar a um jogo de lego.

Fizemos, neste curso, durante o ano, uma série de propostas de criação de jogos de entretenimento, que abrangem ampla quantidade de blocos e tipos de ações disponíveis no aplicativo. As propostas incluíram a criação de vários jogos com um labirinto, um jogo de campo minado e um jogo de adivinhação.

Para criar um jogo de labirinto, por exemplo, os alunos precisavam escolher um personagem e ensiná-lo a se movimentar pela tela. Para isso, eles usavam os blocos abaixo:

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Além disso, para que o personagem percorresse o labirinto, era necessário que as paredes não pudessem ser ultrapassadas. A solução foi definir uma condição na qual, se o personagem toca uma cor específica, ele deve voltar ao local de origem, uma coordenada (x, y) definida no programa. Era também necessário pensar sobre as condições para que essa ação acontecesse. Nos blocos mostrados a seguir, eles constroem a solução para esse desafio.

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E, finalmente, organizam o sistema de pontuação, porque jogo que é jogo tem pontos e vidas.

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Dessa forma, enfrentando desafios e procurando resolvê-los por meio da elaboração de estratégias, escolhendo blocos e fazendo o encaixe, testando, errando e acertando, os alunos criaram uma série de jogos. É importante destacar que, antes de publicarem seus jogos no site do Scratch, todos os alunos participam dos jogos dos colegas e fazem sugestões, apontam defeitos e corrigem problemas.

Compartilhamos alguns deles a seguir. Pedimos que joguem, comentem, deixem registradas sugestões de mudanças ou aprimoramento.

E se ficou com vontade de tentar, o programa é gratuito e tem uma ótima seção de ajuda. Tenho certeza de que será desafiador e divertido.

Jogo de Adivinhação – Lorenzo 4º D

Adivinhe se puder – Maria Clara 5º B

Labirinto – Daniel e Murilo – 5º A

Campo Minado – João e Leonardo 5º B

Labirinto da Pirâmide – Miguel 4º A

Labirinto – Cadu 5º A

Labirinto Arthur, Lorenzo e Pedro 4º D e 4º E

Uma fantástica “viagem”

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Por Carina Contarini Dietrich e Luna Abrano Bocchi

No mês de novembro, os alunos do 5º ano foram convidados a uma fantástica “viagem”: acordaram de um sonho bem estranho, perto do infinito, lá longe no universo! Iniciaram a viagem de volta passando pela Via Láctea e pousaram no Planeta Terra, onde exploraram os seres vivos e as suas relações, e finalizaram esse trajeto refletindo sobre o homem: “O que o homem tem em comum com os demais seres vivos?”, “Como ele se mantém vivo?”.

Este percurso foi proposto na visita realizada ao Catavento Cultural, instituição cultural e educacional localizada no centro da cidade, no prédio que antes abrigava o Palácio das Indústrias. Esta, assim como as demais saídas propostas ao longo do ano, é uma atividade que faz parte do projeto pedagógico da escola, sendo planejada como mais do que um passeio para conhecer instituições ou visitar exposições. São atividades integradas ao currículo, que potencializam os conhecimentos construídos na escola, relacionando-os com a vida cultural da cidade. Assim, procuramos a troca entre a escola e seus conteúdos e a programação cultural da cidade, buscando um diálogo entre as diferentes instituições.

A visita ao Catavento iniciou-se antes mesmo de as crianças colocarem o pé no ônibus e teve como ponto de partida algumas discussões no ambiente virtual entre todas as classes de 5º ano. Dentre as propostas feitas, os grupos refletiram sobre como o homem sabe aquilo que sabe e procuraram diferenciar como se estudava a natureza antigamente e como isso acontece hoje em dia.

Os comentários dos alunos deram “pano para manga”, e a discussão foi longe…

“Eu reparei que muitas invenções foram descobertas por engano”.

 “Acho que os pesquisadores de antigamente foram pessoas muito importantes para a humanidade, pois quase tudo descoberto do passado (a evolução, por exemplo) foi descoberto por pesquisadores de antigamente. Se não fossem eles, seriamos bem menos ‘evoluídos’ e teríamos poucas descobertas científicas”.

“Eu acho que era muito complicado descobrir as coisas sem eletricidade. Por isso, muitas descobertas foram por acaso”.

“Bem, eu acho que os cientistas iam para um ambiente natural (natureza) e viam os restos dos animais ou pegavam os animais doentes e os matavam e tiravam a pele do animal para ver seus órgãos”.

Com muitas hipóteses e outras tantas perguntas, lá foram os 5ºs anos iniciar a viagem que começaria no setor “Universo”. Os alunos circularam em pequenos grupos, acompanhados de suas professoras, e levaram consigo um roteiro da visita. Com este material, nosso objetivo era que explorassem o museu antes mesmo da visita e que, com esta antecipação, pudessem levar para este novo espaço suas perguntas, inquietações, curiosidades, suposições, ideias, dúvidas e palpites, e dele retornassem com grandes inquietações, mais dúvidas, novas suposições e com o desejo de ampliar o que aprenderam e de ampliar seus horizontes.

De volta à sala de aula, surgiram comentários sobre o desejo de visitar outros espaços que não puderam ser vistos dessa vez. Fica, então, o convite aos pais: que embarquem nessa fantástica “viagem” junto com seus filhos!

Rochas ou minerais? A Geologia ampliando horizontes

Por Lis Rodrigues e Lara Marin

As crianças dos 3os anos do Ensino Fundamental 1 foram visitar o Museu Geológico Valdemar Lefrève, o Mugeo, e para que pudessem aproveitar ao máximo a visita participaram de algumas conversas e discussões em que puderam explorar diferentes tipos de rochas e minerais, e também a conhecer como os fósseis são formados.

No laboratório da escola foram convidadas a observar e analisar as diferenças e semelhanças entre as pedras expostas, levantando hipóteses para as seguintes perguntas: Quais são as características das pedras? Como o fóssil é formado?

Ao observarem as diferentes pedras da coleção da escola, várias características foram notadas por nossos pequenos exploradores, como por exemplo: têm texturas diferentes (lisas, ásperas); algumas esfarelam; podem ser transparentes e com mais de uma cor; podem ser encontradas na rua.

A observação dos fósseis também suscitou explicações “viram fósseis porque o osso do animal fica muito tempo no solo e aí ele cresce no osso e assim vira um fóssil”. Ou então: “Os fósseis são partes de animais e foram petrificados pela própria natureza ou pelos humanos”.

Em classe, puderam trazer pedras encontradas nas ruas ou de casa, para serem observadas e analisadas. Conversaram sobre as diferenças e as classificações das pedras: O que é uma rocha? O que é um mineral? O que é um fóssil? Quais são as suas características?

No museu, além de ver, pegar, e sentir o cheiro de diversos exemplares de rochas e minerais, encantaram-se ao encontrar as mesmas “pedras” que tinham levado de casa. Tiveram, também, outras informações sobre Geologia e puderam conhecer minerais que fazem parte da nossa vida cotidiana como o carbonato de cálcio, que faz giz de lousa; o diamante, o ouro e a prata, presentes nas joias; o cobre, encontrado em fios elétricos; o bismuto, utilizado em tintas e esmaltes; o bromo, usado em fotografias e inseticidas, entre outros.

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Conheceram fósseis reais de dinossauros e até de um morcego, o único exemplar existente no Brasil!

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Na volta do passeio foram diversos os comentários das crianças:

“Eu achei muito interessante ir ao Mugeo. Lá nós vimos fósseis, rochas e minerais. Vimos também o que dá para fazer com os minerais! Foi muito legal conhecer o Museu de Geologia!”

“No Mugeo eu entrei em uma sala que tinha pedras com cheiros e nós cheiramos! Também descobri que pedras podem virar sombra, blush e talco. Tinha uma pedra com água dentro! Eu vi em outra sala ossos reais de dinossauros, mas eram só umas partes porque é difícil de encontrar e o dinossauro é muito grande!”

A ida ao museu gerou desdobramentos em sala, pois despertou nos meninos e nas meninas dos 3ºs anos a vontade de analisar e caracterizar as pedras que encontravam nas ruas ou em casa, de buscar mais informações nos livros da biblioteca da escola e de trazê-las para as rodas para compartilhar suas descobertas com os colegas.

Planejar, realizar, aproveitar… A SAD e os três dias com um novo grupo

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Por Ana Cláudia Nicolau

Os três dias de SAD são especiais para as crianças, que têm atividades pouco usuais ao seu cotidiano, com professores diferentes e colegas que ainda não conhecem tão bem. Pelos mesmos motivos, essa é uma experiência igualmente especial e rica para a equipe docente. Estar com crianças de outras turmas, numa atividade bastante diversa do que fazemos todos os dias em sala de aula, é tão empolgante para nós quanto o é para os pequenos!

Pensar em Ciências Naturais por uma ótica menos acadêmica e mais ligada a situações de uso e experimentações, por si só, é uma diversão. Tanto na reunião pedagógica preparatória – na qual nós, professoras, literalmente colocamos a mão na massa, aprendendo a extrair os pigmentos, fazer as amarrações e tingir camisetas – como nos ajustes de outras oficinas. E, quando aliamos esse momento prazeroso ao planejamento propriamente dito, levando-se em consideração que receberemos crianças de faixas etárias diferentes, a sensação é bem próxima do “friozinho na barriga” de primeiro dia de aula; afinal, é um novo grupo que se constitui, que demanda um novo olhar de nossa parte.

O brilho nos olhos das crianças é encantador. Na oficina de construção de instrumentos sonoros da qual fiz parte, pude observar o quanto as crianças gostam de estabelecer novas relações e o quanto se igualam por uma mesma finalidade. Ali, não eram crianças do 1º, 2º ou 3º ano. Eram um grupo, trabalhando junto, trocando materiais, ajudando a colocar feijões em chocalhos, colar caixas para construir uma bateria gigante, que parecia um navio pirata, transformando o planejamento em realidade.

Mais marcante do que tudo isso, para mim, foi o momento em que prepararam pequenas apresentações para os colegas. Os grupos formados – todos, sem exceção – tinham crianças de várias turmas e séries misturadas. Reuniram-se por afinidade, por identificação com o instrumento que haviam construído, e não por sua sala de origem.

Acredito que esse seja o grande ganho de uma Semana de Atividades Diversificadas. Obviamente, não desprezo todas as descobertas científicas que fizeram no decorrer dos três dias, com discussões que começaram tímidas e chegaram a conceitos aprofundados. No entanto, essa interação entre as crianças, esse momento de estar junto com colegas que se veem todos os dias pelo parque, mas que não necessariamente brincam juntos, é algo muito precioso.

Os pequenos chegam tímidos, falam baixinho, até de certa forma assustados com a presença dos colegas “grandes”. Os alunos maiores ficam mais receosos, querem mostrar que são sabidos, crescidos. Quando todos chegaram à roda de música, no primeiro dia, estavam quietos. Entreolhavam-se, curiosos. Já no terceiro dia, o que se via era uma total descontração, com as crianças todas tão juntas, tão unidas, que mal se poderia acreditar que nunca haviam trabalhado juntas.

E foi nessa despedida, quando ouvi de uma aluna: “Ah… mas já acabou? Não vai ter outro dia para a gente continuar?”, que percebi o quanto essas mudanças também nos renovam. Enquanto professores, o desafio de planejar atividades interessantes o suficiente para alunos de idades diferentes é grande. Maior ainda, porém, é a satisfação em ver o planejamento se concretizando, os olhares curiosos, a cumplicidade entre as crianças, o sorriso, as discussões acaloradas. Observar, em apenas três dias, o quanto são capazes de fazer ciência e o quanto se divertiram enquanto isso.