Relato da vivência do aluno Pedro Frias no SPMUN

28_8_2013

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“Quando eu crescer, quero ser igual a você”, foi o meu pensamento surreal ao ler o texto do aluno Pedro Frias, 2º ano. Ele começa com uma sinceridade até exagerada, confessando que sua euforia pela atividade do SPMUN não estava em sintonia com a responsabilidade necessária. Depois, escreve com muita seriedade e um quê de decepção, ao perceber que a intenção da ONU nem sempre condiz com a realidade. Por fim, faz elogios ao trabalho da Vila, enfatizando a importância de viver uma experiência como a simulação do SPMUN para dar ainda mais sentido aos estudos na Escola.
É com muito orgulho que apresento o texto do nosso aluno, desejando a todos boa leitura.

Susane Sarfatti

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Por Pedro Frias

Eu me inscrevi para o SPMUN euforicamente, sem pensar em demasiado no que podia se desdobrar durante essa semana de simulações que eu encararia nas férias. As semanas se passaram, e logo faltavam apenas quatro dias para o início do SPMUN. Foi aí que me dei conta de que não tinha procurado, estudado ou visto qualquer coisa sobre a minha representação, no caso a Costa Rica. Foi neste momento que o pânico se fez, e ainda por cima era preciso escrever um documento de posição oficial perante as questões do meu Comitê, o de Direitos Humanos. Acabei escrevendo às onze horas da véspera da cerimônia de abertura das simulações. Fiquei surpreso que eu tenha conseguido estudar e escrever um bom DPO (documento de posição oficial) em apenas duas horas.

Bom, o primeiro dia foi permeado pelas apresentações engessadas por vergonhas e inseguranças de cada participante, assim como por formalidades exageradas da parte da organização do evento. Os dias seguintes foram mais animadores; o clima se tornava cada vez mais agradável e amigável, em boa parte porque nos interessávamos de maneira crescente pelos assuntos discutidos e também porque, a partir do terceiro dia, dominávamos completamente as inúmeras regras e moções de pronunciamento. Por conta disso, se manifestar se tornava cada vez menos complicado. De fato, no início as regras e condutas ideais a serem tomadas como verdadeiros mandamentos são asfixiantes, mas tudo passa com o decorrer de mais e mais sessões de debate.

Por fim, posso dizer que todas estas formalidades só fazem esconder uma falsa pretensão de humanidade. Ficou evidente que tudo que era dito no Comitê de Direitos Humanos não era dito para o bem comum, mas para o bem de determinado grupo de países. Deste modo, as posições se mantêm e tornam as discussões e principalmente as propostas de resolução intrincadas e vagas. Creio que toda esta simulação serve para explicitar também que a ONU é uma intenção, nada mais do que uma rede de interação internacional na qual as decisões são limitadas pelas posições nada maleáveis de diversos países. É um teatro no qual as decisões são tomadas com base nos interesses econômicos de cada nação, porém com uma fachada humanitária. É clara a valorização do econômico em detrimento do humano.

Todavia, algo que é maravilhoso em simular uma reunião internacional é comprovar que anos e anos de estudo servem para muita coisa: toda a bagagem crítica e cultural que a escola nos dá não é pouca e, muito menos, dispensável. Todos os dias, depois das simulações, chegávamos a nossas casas por volta das dez horas da noite e estudávamos mais ainda para levar material de debate para o dia seguinte; não nos faltava fôlego. Após participar de uma simulação como esta, ganhamos novo ânimo para voltar a estudar com mais afinco, porque vemos sentido em tanto estudo. Por estes motivos é que recomendo fortemente esta experiência: entender como funciona (ou melhor, como, em muitos momentos, não funciona) a ONU e majoritariamente dar valor ao que aprendemos desde o início de nossa escolaridade.

Preguiça cotidiana

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Por Elis Maria Coelho e Livia Guidi - Professoras da Educação Infantil

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“Sono, preguiça, não tenha medo não. Fique calmo, tranquilo, pegue na minha mão. Sono, preguiça, tudo isso é muito bom.”
Akira Ueno, Luiz Tatit

A canção “Sono, Preguiça”, de Ueno e Tatit, nos lembra de como é gostoso relaxar, espreguiçar, se acalmar. Desde a mais tenra idade, é importante vivenciar situações para descobrir este momento, ainda mais considerando o mundo agitado em que vivemos.

Realizamos, diariamente, principalmente após o parque, diversas situações com este propósito na Educação Infantil, que incluem escutar uma música tranquila, alongar-se e vivenciar situações de massagem.

Nas rodas de apreciação musical, podemos propor uma escuta mais atenta de uma música, chamando atenção para os sons dos instrumentos que a compõe ou para seu enredo. Além disso, é interessante conversar com as crianças sobre os sentimentos que são aflorados por esta escuta, nos atentando para como essas sensações reverberam no corpo. A música também pode embalar e acolher um alongamento ou uma massagem.

As propostas de massagem incluem momentos de experimentação do corpo, com materiais diversos, como esponjas, escovas, bolinhas, pincéis, algodão, cremes, gotinhas de água, pedras e também com as próprias mãos. As propostas podem ser individuais, em dupla, com o grupo todo ou feitas pelo professor. Também podemos propor um foco na respiração, ou em uma parte específica do corpo, como pés, mãos, rosto, costas, entre outros.

É importante que a criança se sinta à vontade e possa relaxar. Gradativamente, os pequenos passam a cuidar de seu tom de voz e aprendem a cuidar de seu corpo e do corpo do outro, com toques sutis e carinhosos. Além disso, esses momentos contribuem para fomentar a união e a proximidade entre os colegas do grupo.

Para uma boa realização desta proposta, é importante que haja um cuidado na preparação do ambiente. Escurinhos, almofadas e um cheirinho agradável são bem-vindos e contribuem para tornar este momento ainda mais especial!

Delicie-se também criando espaços e momentos como esses com seus filhos, sobrinhos e alunos!

Para pensar o desenho da criança

Por Marisa Szpigel – Zá

O desenho é uma linguagem que está presente nas salas da Educação Infantil diariamente, e aqui na Escola da Vila, em geral, as crianças desenham mais do que uma vez por dia, em diferentes momentos da rotina. O professor precisa estar preparado para planejar situações que estejam em diálogo com o pensamento da criança sobre o desenho e, ainda, que esse diálogo possa desafiar novos pensamentos, abrindo uma diversidade de caminhos possíveis a trilhar.

A frequência com que essa linguagem é trabalhada nos primeiros anos da escolaridade faz com que os professores observem transformações, o modo como cada um do grupo desenha, as pesquisas individuais e também as descobertas coletivas. O fato de o  desenho  ocupar espaço tão intenso no dia a dia das crianças e dos professores abre um potente campo de investigação sobre essa linguagem. Se queremos que nossos alunos desenhem sempre, é fundamental refletir continuamente sobre esse campo.

O que olhar no desenho da criança? O que comentar? Será que os pequenos só rabiscam? Quando vão começar a desenhar? Por que essa criança de cinco anos ainda não figura? Mesmo convivendo com crianças desenhando, muitas dúvidas e questionamentos se apresentam entre professores. É importante nos darmos conta de que uma parcela desse problema não será resolvida, uma vez que, ao desenhar, o pensamento visual está em jogo, guardando algo de indizível. Podemos nos aproximar bastante da produção gráfica infantil se observarmos as crianças ao desenhar, se estudarmos diferentes autores que pesquisaram o assunto e se cultivarmos o hábito de apreciar arte. Desse modo, podemos estabelecer um diálogo mais próximo com o desenho da criança, por meio de conversas verbais e conversas visuais, fazendo apreciações e propostas que permitirão mergulhar cada vez mais em suas pesquisas gráficas pessoais.

Enquanto as crianças desenham, pensam. Mas o que pensam? Essa pergunta nos faz buscar um referencial teórico que possibilita refletir sobre o desenho na perspectiva da criança. Conhecer a pesquisa de Rosa Iavelberg sobre os momentos conceituais do desenho infantil torna-se fundamental na formação do professor.

Desenhar com o corpo todo

Quando observamos as crianças bem pequenas desenhando, fica evidente que seu corpo inteiro está presente nessa ação. Nesse momento, o movimento e o gesto precisam ser explorados: a ação é a tônica do primeiro momento conceitual descrito por Rosa.

“A criança está interessada em realizar movimentos e ver o que faz enquanto desenha.”

A relação superfície-corpo precisa ser investigada pelo professor, para que ele crie propostas sintonizadas com as investigações de seus pequenos. Variar os tamanhos e formatos dos suportes para desenhar é um primeiro passo; dispor materiais gráficos que propiciem a fluência do gesto também, mas não é o suficiente, pois a relação meio e suporte não implica a presença do corpo, o protagonista dessa ação.

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A pergunta: Como está o corpo? é muito importante, e para problematizar essa presença, é necessário pensar onde o suporte será colocado, ora para dar ao corpo possibilidades de ocupar o espaço, se movimentar, ora para desafiar para novas posições e a conquista de diferentes gestos enquanto grafa nas superfícies. A relação gesto-grafismo é colocada em evidência.

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“ O corpo é a ponta do lápis” Edith Derdyk

Observar as crianças e como seus corpos se colocam no espaço enquanto desenham lança a necessidade de repensar o desenho apenas como coisa mental, e dispara a ideia de que o corpo pensa. Faz-se necessário buscar referências na arte que possibilitem pensar o desenho em um campo ampliado. A produção de artistas contemporâneos expande as ideias acerca da linguagem, e conhecer sobre essa produção amplia as possibilidades de criação de propostas com as crianças.

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“A linha como o peso do corpo e a linha como a matéria da tinta, sendo a linha aqui qualquer ação da artista sobre o suporte, e não apenas a linha do desenho.” Célia Euvaldo

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6O gesto e a presença do corpo, as marcas deixadas nas superfícies em grandes dimensões como registros do movimento podem ser observadas nos desenhos de artistas como Célia Euvaldo.

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Desenho com interferência

À medida que as pesquisas relativas às possibilidades de grafar sobre as superfícies se intensificam, colocar desafios no suporte, para que as crianças pesquisem outros gestos, mostra-se como um caminho para a elaboração de sequências didáticas.  Colar elementos tridimensionais no suporte e deixar elementos vazados como interferências no suporte, de algum modo, colocam obstáculos ou interrompem o gesto, mexem diretamente com o movimento, destacando o próprio ato de desenhar. Esse tipo de proposta favorece a ação de olhar o desenho, mas enquanto algumas crianças continuam a explorar o movimento, outras relações podem ser notadas. Crianças que consideram os elementos como parte de narrativas e passam a desenhar ao lado desses elementos, dando continuidade a uma ideia que imaginaram a partir dele.

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A relação entre o ato de desenhar e o desenho se transforma quando a ação deixa de ser a tônica e a imaginação das crianças entra em cena. A criança desenha e, não é raro dizer, quase ao mesmo tempo, o que desenhou, ao observar o grafismo, que às vezes sugere uma figura, outras um movimento, por exemplo, um lobo ou o sopro do lobo. O desenho vai se desemaranhando, figuras e formas aparecem dispostas no espaço dos suportes, em um primeiro momento desarticuladas, e depois, articuladas. Frequentemente vemos situações em que as crianças estão imersas em narrativas enquanto desenham, o que nem sempre corresponde, quando olhamos para suas produções gráficas, à história contada. “A criança agora pensa que pode desenhar o que quiser, e que muitas coisas podem aparecer em seus desenhos, coisas que existem e coisas que não existem.” Rosa Iavelberg

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A imaginação dos ilustradores de livros de literatura infantil, como a de Mariana Massarani,  corre solta, assim como a de nossos alunos imaginadores. Os livros de literatura podem ser explorados pelos professores e ser encarados como rica fonte de pesquisa para pensar em propostas instigantes. Podem também ser objeto de apreciações em sala de aula.

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9Ter algo presente no suporte, uma interferência, seja ela um elemento tridimensional como uma pedra, um barbante, uma caixinha de sucata ou uma imagem de revista ou jornal precisa ser uma proposta aberta, para que cada criança possa se deixar levar pela imaginação. O desafio não é completar um desenho, nem necessariamente figurar, mas continuar uma ideia.

Acompanhando o processo de transformação da relação das crianças com o desenho, é notável que quando as crianças descobrem que podem representar os objetos reais, identificando os acontecimentos e o entorno como fonte de pesquisa para o desenho, tornam-se porosas ao ambiente social, reconhecem como cada um desenha, passam a pensar o desenho como linguagem.

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Rosa denomina esse momento conceitual de desenho de apropriação, “pelo grande desejo que os desenhistas têm de se apropriar das regularidades dos códigos de linguagem e de seu sistema aberto de simbolização.” Rosa Iavelberg

11As crianças, nesse momento, podem figurar, mas ainda podem dar continuidade a pesquisas ligadas à não figuração. Como nesse momento estão abertas a qualquer tipo de referência, é importante que as propostas sejam generosas e considerem uma diversidade de manifestações, tanto as figurativas quanto as abstratas.

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Desenho de observação

Quando as crianças desenham de tudo, conhecem as possibilidades de exploração gráfica, desenham casas, pessoas, bichos, plantas, conhecem esquemas de representação dessas figuras. O desenho de observação mostra-se como uma potente proposta para o enriquecimento dos esquemas construídos.

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Todos olham para o mesmo canteiro de flores vermelhas, conversam sobre as cores e formas das folhas e das flores, mas cada criança encontra um esquema gráfico de representação.

O desenho de observação precisa ser entendido pelo professor não como cópia da realidade, para ser encaminhado de modo a que cada criança do grupo sinta-se desafiada a encontrar um esquema gráfico particular de registrar o que está sendo observado.

O post da próxima sexta-feira, 30/08, abordará o ato de desenhar na formação do professor.

De uma janela do Morro da Conceição, que quadros…

Por Fermín Damirdjian

Nas próximas semanas será exposto, na área comum da escola, um ensaio fotográfico elaborado pelos alunos do 1º ano do Ensino Médio de 2013, a partir da viagem de campo para o Rio de Janeiro em maio de 2013. A articulação entre os elementos da vida urbana que conformam o espaço geográfico e sua abordagem literária dá as bases para o olhar dos alunos, concretizado por suas fotografias feitas em campo.

“Uma das coisas mais importantes da ficção brasileira é a possibilidade de ‘dar voz’, de mostrar em pé de igualdade os indivíduos de todas as classes e grupos, permitindo aos excluídos exprimirem o teor de sua humanidade, que de outro modo não poderia ser verificada. Isso é possível quando o escritor, como João Antônio, sabe expressar a intimidade, a essência daqueles que a sociedade marginaliza, pois ele faz com que existam, acima de sua triste realidade”.
CANDIDO, Antonio. Na noite enxovalhada.

Assis casas

Além de aspectos relacionados à apropriação do espaço urbano, somam-se ao trabalho de campo do Rio de Janeiro as leituras do volume Sete vezes rua, de João Antônio, e de Clara dos Anjos, de Lima Barreto. Estas obras permitem o enriquecimento de um olhar sobre a vida urbana em uma metrópole que ostenta desde grandes eventos de ampla repercussão midiática até obras literárias que surgem como representações populares da vida cotidiana nesse mosaico urbano.

O volume Sete vezes rua, de João Antônio, reúne textos em que se pode observar um grau maior ou menor de literalidade. Alguns se configuram como contos; outros estão mais próximos do jornalismo literário. De todo modo, estão presentes diferentes pontos de vista sobre a cidade e sobre a vida urbana. São vozes que emergem do subúrbio, das ruas, de um Rio de Janeiro que não está nos cartões postais.

A leitura de Clara dos Anjos e a reflexão sobre o subúrbio carioca no contexto do século XIX, ali retratado, permitiram aos alunos do 1º ano do Ensino Médio uma análise rica da relação das personagens com o espaço, bem como o olhar delas para a dinâmica da cidade e para pensar sobre o que suas vozes expressam sobre a relação com o espaço urbano.

Miguel menino

O ensaio fotográfico que compõe a exposição foi realizado no Morro da Conceição, bem como a seleção das passagens da obra de João Antônio atribuídas a cada foto. Tudo isso foi produzido em conjunto pelos alunos do 1º ano do Ensino Médio.

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As brincadeiras tradicionais e a construção da identidade cultural

  • Pula cela Pula cela
  • Dança das cadeiras Dança das cadeiras
  • Meus pintinhos Meus pintinhos
  • Roda de brincadeira - faz doce sinhá Roda de brincadeira - faz doce sinhá

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Por Andrea Tambelli e Tucha Kira (Professoras de G1)

Esconde-esconde, pega-pega, mãe da rua, barra-manteiga, amarelinha, morto e vivo, quente e frio, corre cotia, cinco marias…

Estas e outras brincadeiras tradicionais que fazem parte da infância de todos nós sobrevivem graças às práticas sociais e culturais que permanecem no tempo.

Por conta da modernidade e da tecnologia, os brinquedos e as formas de brincar mudaram muito. Assim sendo, o ambiente escolar precisa garantir que os jogos e brincadeiras tradicionais ocupem um espaço privilegiado, pois é fato que as crianças dos grandes centros urbanos têm menos oportunidade para brincar nas ruas e pracinhas do que as de antigamente, sendo, portanto, menores as chances que têm de aprender e trocar repertório.

Na Educação Infantil, planejamos diversas atividades envolvendo a prática de jogos e brincadeiras tradicionais. Cada grupo (G1, G2 e G3) garante um repertório, que vai sendo ampliado progressivamente. Desta forma, garantimos este espaço de transmissão, elaboração e recriação de cultura desde os primeiros anos de vida.

No Grupo 1, temos uma unidade de trabalho, intitulada “A infância dos avós” e, dentre os objetivos deste estudo, está o de resgatar brinquedos e brincadeiras de uma infância um pouco mais distante no tempo. Nosso intuito é recuperar jogos e brincadeiras coletivos e/ou de rua, para que as crianças os aprendam, e também mostrar que os avós brincavam das mesmas brincadeiras que lhes ensinamos ou que o que conhecemos hoje são variações das mesmas. Avôs e avós nos contam como, com quem e onde brincavam, se em casa, na rua e na escola, com irmãos, primos e outras crianças mais velhas. Contam dos brinquedos que eram comprados, dos brinquedos que eram construídos…

Como se pode ver, acreditamos na importância das brincadeiras sociais como patrimônio da cultura. Para nós, ensiná-las é promover a construção da identidade cultural.

E os cursos online da Escola da Vila?

16_08_2013

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Por Zélia Cavalcanti

Já escrevemos para anunciar, para falar sobre o andamento, e para avaliar alguns aspectos  dos cursos online que o Centro de Formação começou a promover no primeiro semestre deste ano oferecendo aos profissionais que apostam na necessidade de atualizar a própria formação um conjunto de temas sobre os quais refletir, discutir com colegas e a partir dos quais possam enriquecer aspectos que se colocam como desafios da prática pedagógica que realizam. Agora vamos contar por que pretendemos não só continuar, mas principalmente ampliar as ações formativas dentro dessa modalidade.

Primeiro, porque o número de pessoas que, de imediato, se candidatou para realizar os primeiros cursos foi surpreendente, e mesmo dobrando o número de turmas, algumas inscrições não puderam se efetivar. Esse referencial nos indicou que, mesmo acostumadas com as ações presenciais, nosso público confia em nossas possibilidades de estruturar propostas “a distância”. E não pretendemos decepcioná-lo: Queremos trabalhar  cada vez mais nessa modalidade, que permite atender tanto aos educadores que vivem  fora de nossa cidade como àqueles que, em função da agenda de trabalho e vida doméstica têm dificuldade  para se deslocar e assistir aos cursos presenciais.

Exemplos do que  os  alunos disseram sobre a modalidade online.

“Flexibilidade de tempo e espaço, possibilitando que cada um participe e se organize de acordo com as demandas específicas do seu dia a dia.”

“ Sem dúvida nenhuma, a maior vantagem é o próprio aluno poder gerenciar seu tempo para as leituras e realização das atividades.”

“Facilidade por não precisar se locomover. Aglutina pessoas de várias localidades.”

“A facilidade de acessar a qualquer hora ou dia ou lugar … Pessoa de diversas regiões puderam trocar experiências, e isso é ótimo.”

Um segundo motivo para que a oferta de cursos se multiplique e se diversifique diz respeito diretamente ao fato de o modelo técnico-pedagógico, idealizado para o trabalho, ter se mostrado eficiente, pois não só respondeu bem às nossas expectativas em relação à qualidade das propostas e interações que o ambiente virtual de aprendizagem poderia promover, como atendeu satisfatoriamente às necessidades dos profissionais matriculados nas primeiras turmas, nos aspectos que imaginávamos poderiam ser “dificultados” pela modalidade: qualidade e agilidade da comunicação e das interações entre tutores e alunos (como grupo e individualmente).  Algo em torno de 90% dos inscritos apontaram a opção ótima, na avaliação desses quesitos.

Exemplos do que os alunos disseram:

“Tomando como exemplo a qualidade desse curso, posso afirmar que excedeu minhas expectativas, pois já fiz outros cursos online e nenhum apresentou tanta qualidade e compromisso de ambas as partes envolvidas (professores e alunos).”

“A organização foi muito boa, as sínteses contribuíram bastante, e os textos e vídeos foram fundamentais. Os vídeos pude compartilhar com meu grupo de professoras.”

“O nível deste curso foi excelente, comparado até aos cursos presencias.”

E, por fim, um terceiro motivo é que, ao lado das avaliações positivas, ocorreram também comentários que apontaram para a necessidade de rever e fazer alterações importantes no modelo inicial. As alterações mais significativas dizem respeito ao número de semanas em que cada curso se desenvolverá. Nesse sentido, vamos ampliar o tempo tanto para atender melhor às dificuldades técnicas relativas à adaptação do aluno ao AVA, assim  como para que as propostas sejam realizadas; os tempos definidos inicialmente  nem sempre foram suficientes, seja para os alunos seja para as intervenções dos tutores.

Exemplos do  que os alunos disseram:

“Demorei certo tempo para me ambientar na plataforma de estudo, até porque foi minha primeira experiência online.

“Prazos de entregas de materiais foram curtos.”

Assim, animadas com o que consideramos o sucesso dessa nova forma de contribuir com a qualidade do trabalho que educadores de diferentes partes do país realizam, ampliamos o leque de cursos online para esse semestre, e já nos lançamos ao desafio de estruturar novos formatos a serem oferecidos a partir do próximo ano.

Diplomatas por 5 dias

15_08_2013

Por André Aquino, ex-aluno da Vila e atualmente estagiário da área de Ciências Humanas do Ensino Médio

Durante as férias de julho, a Escola da Vila participou do SPMUN – São Paulo Model United Nations – evento que simula uma conferência da ONU no qual os alunos representam os interesses diplomáticos de um país nos diferentes comitês da própria ONU.

A Escola já vinha participando destas simulações há alguns anos, mas foi a primeira vez que participou do SPMUN, que ocorreu na PUC-SP do dia 2 ao dia 6 de julho, e contou com a participação espontânea de 9 alunos do Ensino Médio. Durante estes 5 dias, eles entraram no papel de diplomatas para debater, propor, discutir e votar supostas resoluções da ONU.

Este ano, a Escola da Vila representou as delegações da Costa Rica e da Índia, com representantes nos comitês/comissões que estes países têm, no mundo real, diplomatas enviados. A simulação propõe que os alunos estudem as políticas e diretrizes do país representado que dizem respeito àquele comitê – Conselho de Direitos Humanos, Organização Mundial do Comércio, Organização Mundial da Saúde, etc. – buscando atuar dentro dele como o país de fato atuaria, o que requer muito estudo, preparo e, muitas vezes, jogo de cintura!

A Escola considera interessante a participação neste tipo de evento por colocar os alunos em contato com uma “realidade” sobre a qual temos pouca noção do funcionamento, mas que, de uma maneira ou de outra, molda os rumos do mundo contemporâneo. Para o bem e para o mal, os alunos são colocados em contato com o que significa uma organização das nações unidas no sentido literal, sensibilizando-os para os interesses econômicos que se sobrepõem ao bem comum, às consequências de uma hegemonia norte-americana e ao significado de um Conselho de Segurança criado em 1948 que ainda decide o futuro da humanidade em um grupo pequeno de países vitoriosos de uma guerra que aconteceu há 68 anos atrás.

O próprio caráter quase teatral de um comitê da ONU é simulado, com o qual também é interessante que os alunos tenham contato – “Decoro, Senhores Delegados!”, “Moção para o encerramento do debate moderado”, o uso obrigatório de traje social, etc. – para perceber criticamente o que significa a ONU e a quais interesses ela supostamente atende e quais ela, de fato, representa.

A compreensão e poder de adaptação e representação do jogo de poderes que marca a ONU é claramente assimilada de forma crítica pelos alunos, e é neste ponto que a Escola da Vila considera interessante a participação deles nestas simulações. Perceber as possibilidades de um mundo melhor criadas por uma organização das nações unidas, mas enxergar como os interesses econômicos, políticos, de cada país se sobrepõem e distorcem este ideal.

Para coroar a ótima participação dos nove alunos nestas simulações, Olívia Ferraz do Amaral de Sá Rocha, Mariana Magalhães Brockveld, Pedro Sanches de Frias, Francisco Sanches Oller Bueno Ximenes, Marina Gonzales Orfão, Mathues Borssari Correa, Juliana Pires Amancio, Julia Cristina de Souza Beruezo, o aluno Daniel Ferraz, representante da Índia no CDH (Conselho de Direitos Humanos), ganhou a menção honrosa de seu comitê por sua participação.

Em breve os alunos escreverão seus relatos para o blog. Aguardem!

VILALÊ – A verdadeira revolução de A Revolução dos Bichos

Por Erica Santo e Fernanda Passamai Perez

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Sala cheia. Pipoca quentinha. Livro novo. Muita expectativa.

Livro impresso. Livro digital. Gente sem livro. Enfim, todos acomodados, demos início aos comentários sobre a obra eleita. As primeiras palavras e descrições de A revolução dos Bichos soaram estranhas, pois surgiram novas construções narrativas e novo vocabulário. Mesmo assim, aos poucos fomos imergindo naquele universo, naquela fazenda e, num instante, estávamos entre os animais que ouviam atentamente o discurso do Major, porco ancião que teve um sonho no qual vislumbrava um acontecimento decisivo na vida dos presentes. As paradas para discussão, a fim de retomar as características das per sonagens, as relações entre elas e o nome daqueles bichos tão peculiares eram esperadas e necessárias, pois todo início de livro é assim, e aqui não seria diferente - a gente cai de paraquedas!

Antes de continuarmos a falar dessa experiência, queremos contar um pouco como acontece a escolha dos títulos. Com exceção de Os gêmeos, todos os demais livros foram eleitos pelos integrantes. Cada um traz seu “candidato”, que pode ou não ter sido lido anteriormente pelo aluno ou mediador, e o apresenta a todos. Novamente, o desejo de partilhar fica evidente, pois há a disposição de reler uma obra conhecida, que se pensava esgotada e superada em todos os sentidos, mas que, por algum motivo, às vezes desconhecido até pelo próprio leitor, impulsiona a releitura com o grupo. Foi o que ocorreu com o clássico de George Orwell. Guilherme Azevedo, do 7º ano, nos dá algumas dicas de como isso acontece.

foto_2“Assim que eu ganhei o Kobo, abri a sessão dos livros juvenis. Eu sabia que um amigo meu e meu pai tinham lido o livro e achei interessante. Não conhecia muito bem a história e quis conhecer. Em uma semana eu li este livro, fazendo anotações. Tinha o recurso (…) e quis usar. Anotei as coisas que achei mais importantes, para lembrar quando fosse ler uma segunda vez.

Eu sugeri porque foi uma leitura interessante e você quer ler o mais rápido possível para descobrir o que vai acontecer. (…) Era um livro que daria uma boa discussão. Não ficou nenhuma questão pendente. (…) Fiquei com raiva em algumas passagens. Não acaba tudo bem. Teoricamente o Mau se dá bem”.

Depois dessa apresentação, todos ficaram entusiasmados. Entretanto, era uma obra que exigiria muito de seus leitores. Por isso, sugerimos encontros seguidos, durante os quais poucos se manifestaram, e o silêncio era predominante. Contudo, para nosso encantamento, a leitura do grupo já não era tão ingênua. No decorrer dos encontros, aos poucos, assim como acontece com alguém que começa a entender um novo idioma, nossos leitores passaram a entender (traduzir) as metáforas, as ironias e o enredo. As imagens literárias e mensagens sugeridas nas entrelinhas eram grandes desafios na obra. A revolta, o incômodo e as discussões foram ficando cada vez mais fervorosas e permitiram o aprofundamento individual e coletivo nos significados mais profundos que o texto literário pode suscitar em cada um de nós.

Para colaborar ainda mais para o debate, convidamos o Rogê, professor de História do Fundamental 2 e Ensino Médio, para um bate-papo. Na visita, todos puderam esclarecer suas dúvidas sobre os eventos e personagens históricos nos quais Orwell se inspirou. Revoluções, comunismo, socialismo, ideologia. Tudo muito bem explicado.

foto_3“Foi boa a conversa com o Rogê sobre o livro Revolução dos Bichos. Para a gente entender mais o que a história quer dizer, de onde veio a ideia do livro, se a história é verídica ou não, no que ela se baseou. Eu fiquei surpresa com a história ter sido baseada numa história que aconteceu de verdade. Antes as informações do livro embaralhavam a cabeça. Quando o Rogê começou a explicar, o livro ficou mais compreensível. Talvez a gente tenha
outro nível de percepção do livro a partir de agora”. (Helena Veliago, 6º ano).

“Quando estava lá, ficou um negócio, um pensamento muito fixo: é o professor de História do meu irmão e ele está estudando isso. Eu me senti mais esperta que meu irmão”. (Laura Santanda, 6º ano).

A visita terminou com Rogê ‘autografando’ os exemplares em lugar do escritor, tamanho impacto que o encontro provocou. E nesse pé, a leitura foi seguindo, até chegarmos às últimas linhas, às últimas palavras. Nós já não mais discriminávamos os porcos dos homens naquela cena. Euforia absoluta!

O VILALÊ tem sido para alguns alunos a oportunidade de uma leitura prazerosa, mas não sem compromissos. O prazer de superar os desafios impostos pelo texto provoca esse comprometimento do leitor com seu livro, que, inevitavelmente, envolvido com a narrativa, sempre tende a se comprometer com ela por puro deleite. Tanto é que alunos que não puderam participar dos encontros fizeram a mesma leitura autônoma, devido à ‘revolução’ provocada pelos comentários dos leitores, que os contaminaram com sua empolgação.

No ultimo encontro, fizemos uma sessão de cinema. Com muita pipoca, claro!

Para encerrar, acrescentamos alguns trechos marcantes dos encontros e lembramos que em 16/08/2013 retornamos com a leitura de Separados, v. 2 das Crônicas de Salicanda, dando continuidade à saga dos irmãos Jad e Claris.

Até lá!

Oficinas do Lado B

13_08_2013

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Por Vicente Régis e Luisa Furman

Todos nós temos um “Lado B”, algo que gostamos de fazer e que, muitas vezes, fica pouco aparente no cotidiano. Dançar, tocar, cozinhar, cantar, fazer dobraduras, fotografar, discutir o cinema e confeccionar objetos são atividades que permeiam nossa vida, ajudando a dar mais sentido aos nossos desejos, anseios, emoções e relações.

Os professores da escola são craques em vários destes tipos de atividades; habilidades estas que, muitas vezes, são desconhecidas dos nossos alunos. Apostando que entrar em contato com estas habilidades fortaleceria vínculos e, consequentemente, contribuiria para a aprendizagem, nossa equipe de professores preparou uma série de oficinas para se despedir dos alunos do Fundamental 2 no último dia de aula do primeiro semestre (28 de junho de 2013). Confira aqui a programação completa deste dia, bem como as fotos do evento.

Que venham as próximas Oficinas do Lado B no ano que vem!

A construção da identidade de grupo na Educação Infantil

Por Andréa Polo e Juliana Karina Oliveira (Professoras de G3 e G2)

Esperamos que, na escola, as crianças vivam diferentes experiências de convívio, que as definam como únicas num espaço coletivo. Rodas embaixo da árvore, palavras mágicas para iniciar uma leitura, lampião ou tecido colorido especialmente arrumado para o momento da história são algumas ações que concorrem para a construção da identidade dos grupos e suas rotinas.

Conhecer o outro requer experimentar a vivência de situações para além do diálogo, da comunicação verbal, nas quais o gesto, a delicadeza ou a força do toque comunicam, para cada criança, de forma diferente, o que significa conviver e compartilhar um espaço.

Atualmente, fora do contexto escolar, observamos que há poucas situações de convívio. Nem sempre é fácil promover encontros familiares ou entre muitos amigos regularmente. Assim, a escola é um espaço privilegiado para o cultivo das relações interpessoais.

É na Educação Infantil que as crianças começarão a desenvolver o olhar para o outro. Em muitas situações e também por meio de brincadeiras e de outros momentos repletos de acolhimento mútuo, como quando promovemos situações de relaxamento e de massagem, quando elas podem se tocar e perceber o movimento e a delicadeza das mãos que passeiam por seu corpo, olhar nos olhos do outro, proporcionar sentimentos positivos, como respeito, encorajamento, segurança e, principalmente, a ideia de pertencimento ao grupo.

Imagine ter à sua volta pessoas queridas, com quem você compartilha seu dia-a-dia, suas descobertas, frustrações e êxitos, que se preocupam e se organizam para te aconchegar no meio de um “ninho”. Ou,então, imagine brincar de se esconder entre os tecidos e ter a surpresa de vários sorrisos à sua volta quando você aparecer!

Para nós, educadores, estes rituais de constituição de grupo são capazes de transmitir sentimentos tão intensos que não poderiam ser traduzidos em palavras.