Amigo secreto – Consumo x Valores

Por Fernanda Silvares

É chegado o final do ano e, com ele, uma série de eventos, festas e confraternizações. O momento, muitas vezes, representa a finalização de uma etapa, a conclusão de uma série de atividades, o encerramento de projetos. Muitos são os compromissos que lotam nossas agendas e mentes em um uma época em que somos pressionados pelo tempo para dar conta de tudo, antes que o ano acabe. A pressão que nos envolve impede que paremos para pensar sobre o sentido de tudo isso e o que realmente nos importa neste momento ano.

O amigo secreto é uma atividade bastante frequente nesta época, as crianças chegam em casa contando que vão fazer amigo secreto com a classe, com os colegas do clube, os amigos do esporte, do inglês, … A lista não tem fim. Diante de tantos amigos secretos e, consequentemente, tantos presentes para dar, fica difícil resgatar o sentido desta atividade.

O momento é de confraternização, mas o que significa isso mesmo? Bem, confraternizar, segundo o dicionário, é ligar com irmãos; conviver ou tratar fraternalmente; ter os mesmos sentimentos, crenças ou ideias de outrem. Será que é isso que fazemos nos milhares de amigos secretos que nos envolvemos nesta época?

Na escola, as crianças ficam ansiosas por realizar uma brincadeira que celebrará o final do ano. O amigo secreto, com frequência, é uma atividade que as crianças menores têm dificuldade de desenvolver, pois é difícil guardar um segredo como este, especialmente, quando encontramos com o amigo, que é secreto, todos os dias. Mal a professora faz o sorteio, as crianças já começam a contar quem tirou quem. O mistério e a surpresa acabam sendo substituídos pela obrigação de comprar um presente para um colega da sala.

À medida que as crianças vão crescendo, esta possibilidade de guardar segredo aumenta, mas surgem, então, outros desafios: e se eu tirar a minha melhor amiga, o que vou dar para ela? Tirei um colega que nem conheço, como posso pensar em presenteá-lo? Meu amigo secreto é o menino que eu gosto, será que eu vou pagar o maior mico na frente da sala toda? O que será que o meu amigo secreto vai me dar? Será que meu amigo secreto já sabe que tudo o que eu mais quero é o CD do meu cantor predileto? Para tentar resolver estas e outras aflições é comum observamos listas de desejos de amigo secreto.

A complexidade da situação é substituída pela praticidade e a brincadeira se torna burocrática, o amigo secreto se torna a compra do objeto escolhido pelo colega e a entrega dos presentes, nada mais é do que, a confirmação ou não de que eu recebi o objeto que eu havia dito que queria. Neste caso, não há surpresa, não há mistério, a situação se torna uma rápida satisfação por ganhar o que eu pedi ou uma grande frustração, pois não atenderam meu desejo.

Se tivermos clareza que o objetivo dessa brincadeira é a confraternização, podemos pensar em diversas propostas para o amigo secreto:  as crianças podem trocas cartões especiais, lanches, poesias, desenhos … Sendo assim, o sorteio de um colega, a busca por informações a respeito dele, aliada ao desafio de tentar descobrir suas preferências sem que seja descoberto; se torna o grande jogo e possibilita que o sentido do Amigo Secreto se mantenha.

Sustentar o mistério e a surpresa que a brincadeira requer se tornou uma tarefa difícil nos dias de hoje. É preciso aproveitar a oportunidade para permitir que as crianças experimentem a brincadeira de amigo secreto e finalização do ano em seu sentido mais amplo. Boas Festas!!!

Sobre a Apresentação de Música na Educação Infantil

Veja mais fotos da apresentação no flickr.

 

Por Vicente Régis – professor de música e coordenador do setor cultural

Que maravilha foi cantar, dançar e tocar com os alunos da Educação Infantil na apresentação de Música. Vê-los assim, tão pequenos, sabendo todas aquelas músicas de cor, tocando seus instrumentos e superando os muitos desafios colocados pelos números apresentados nos enche de orgulho e com certeza nos faz refletir sobre muitos aspectos de nossas vidas. Dentre estes, gostaria de destacar que a apresentação de música da educação infantil é, na minha opinião, uma espécie de ritual.

Afirmo isso pois uma das principais funções dos rituais é marcar os ciclos que regem a vida em sociedade com vivências que carregam de sentido nossa experiência.  Explico: sinto que esta apresentação ajuda a assinalar para os pequenos que cumpriram uma pequena etapa da vida, que passaram por um certo caminho que indica crescimento. Por isso se vestem de forma diferente, por isso fazem performances frente ao grupo de pais, por isso dançam, cantam e tocam já como crianças de três, quatro, cinco e seis anos. Por esta mesma razão, os números de Grupo 3 são mais difíceis, com músicas em língua estrangeira e claros desafios nos xilofones e metalofones.

A emoção que se reflete nas expressões da plateia e o contentamento demonstrado pelas crianças são os indicativos que me levam a acreditar que esta apresentação, além de dar notícias às famílias sobre o trabalho de música desenvolvido na Educação Infantil, também simboliza a conclusão e portanto o recomeço dos ciclos que compõem o crescimento dos nossos alunos. Que delícia poder participar deste belo momento.

Um novo olhar para o ensino da Matemática no fundamental I.

Por Laís Pereira de Oliveira e Maria Clara de Almeida Prado Galvão Formadoras de professores que atuam no Núcleo de Matemática

Meus alunos não sabem resolver problemas de divisão! O que fazer? Depois que aprendem as contas armadas, é necessário continuar trabalhando com cálculo mental? Tabuada: memorizar ou não? O que fazer com as muitas estratégias apresentadas pelos alunos? E quando eles não conseguem resolver problemas? Quais conteúdos devem ser trabalhados em cada uma das séries do Fundamental? E como estabelecer relações entre eles? Essas são algumas das perguntas que frequentemente são feitas pelos professores quando se referem ao ensino da matemática.

Essas dúvidas e inquietações demonstram que um novo olhar para o ensino da matemática é necessário, tendo em vista que apenas a mecanização e a memorização de cálculos e procedimentos não garantem, de fato, a aprendizagem dos conteúdos.

Os Encontros de Atualização sobre o Ensino da Matemática, promovidos pelo Centro de Formação da Escola da Vila e que foram realizados, neste ano, nas cidades de Curitiba e Rio de Janeiro, proporcionam um ambiente de reflexão sobre a prática educativa. A partir dos pressupostos da didática da matemática, que aponta alguns caminhos para a organização das situações de ensino e de aprendizagem em sala de aula, se estabelece uma rica troca de experiências entre professores que atuam nas séries do Fundamental, em diferentes escolas e cidades.

 Durante cinco encontros, são analisadas dimensões pedagógicas centrais, como a organização das sequências didáticas, a gestão das aulas (organização do espaço, tempo, agrupamentos e uso do material didático), as intervenções docentes, o papel da resolução de problemas, o trabalho com os campos conceituais (aditivo e multiplicativo), a relação do sistema de numeração e cálculo, entre outras. O eixo norteador dessas análises tem como referência o princípio de que todas as ações precisam favorecer a atribuição de sentido, por parte dos alunos, aos conhecimentos que se quer construir.

Nessa perspectiva, ao pensar sobre o trabalho realizado em sala de aula, os participantes entram em contato com as experiências que têm ou tiveram com a matemática, não só como professores, mas também quando eram alunos. Essa experiência escolar, vivida pela maioria dos professores, esteve pautada numa concepção bem diferente da que trabalhamos. Considerando esse aspecto, têm sido encantadores esses encontros de atualização, com os professores, participantes do curso, redescobrindo a matemática e ressignificando os conteúdos envolvidos e sua relação com os saberes!

Uma experiência inesquecível

 

O atual 2º ano do Ensino Médio realizou, entre os dias 16 e 19 de novembro, a viagem anual aos assentamentos e acampamentos do MST em dois municípios do interior de São Paulo. Vale a pena assistir ao filme deste trabalho e conferir os depoimentos de alguns alunos, a seguir.

 

Matheus Genaro

Em poucos momentos da nossa vida escolar temos a oportunidade de ampliar nosso estudo com um trabalho de campo. Neste sentido, a viagem a Itapetininga e Itapeva, visitando os assentamentos do MST e conhecendo sua estrutura agrícola, foi uma experiência única para observarmos de perto a Geografia Agrária que tanto estudamos este trimestre: esta é a justificativa racional.

Porém, em poucos momentos de nossa vida (e limito-me a dizer “vida”, neste caso) temos a oportunidade de passar por uma experiência transformadora. O choque temporal que vivenciamos com a dinâmica do campo; o contato com pessoas que, embora na pobreza, nos ofereciam tudo o que tinham e o sorriso no rosto de quem tinha histórias para contar, mas que nunca foram ouvidas, abrem nossos olhos para um mundo muito maior do que aquele em que vivemos. Não se trata de aderir à militância, erguer a bandeira e gritar por um país mais justo (por mais que isto se faça necessário muitas das vezes), mas de reconhecer na sociedade os problemas que, em distância, no conforto de nosso sofá e televisão, apenas “ouvimos falar”. É na justificativa emocional que encontramos o verdadeiro valor deste trabalho de campo.

Vitor Marques

Sentir o quão maravilhoso toda a infinidade do céu já é o suficiente! Eu ia falar agora que existe um preço impagável em ter sentado em baixo das estrelas e tê-las observado por tanto tempo com vocês, mas agora lembrei que tudo vivido naqueles três dias, assim como eu disse no ônibus, foram impagáveis. Não me dou à tentativa de escrever tudo que senti na viagem, porque sei que nem palavras poderiam fazer este papel. Como eu, após avisar a Mari de que eu realmente iria para o MST, poderia imaginar que eu não aguentaria minhas lágrimas no ônibus de volta, ou que eu teria essa mesma sensação de estranheza a tudo que nos parecia normal antes? Nunca. Agradeço a cada um de vocês, e principalmente ao Fermín, ao César e a Mari, por terem me dado uma experiência realmente única. E como o Fran disse: “O que importa é saber que os cruzeiros não são exclusivos dos mares”!

Ian Aurichio

Quando subi naquele ônibus, às sete horas da manhã, eu não imaginava o quão importante seria aquela partida do motor; a travessia da fronteira do mundo imaginário para o mundo real. Sim, imaginário é uma boa palavra para descrever o mundo em que nós, alunos da Escola da Vila, vivemos. Imaginário no sentido de um mundo protegido, cercados de novas tecnologias, lançamentos do mercado, fofocas sofre a vida dos outros e boatos. Não que isso seja errado, só estamos fazendo o que está resignado para jovens da classe que pertencemos e foi nesse sentido que a viagem ao MST nos tocou. Sempre tivemos uma mínima noção que a nossa vida era cercada de coisas fúteis e que essas coisas fúteis nos embalam de tal forma que esquecemos ou não queremos olhar para o outro, olhar para fora do insul-film e foi o que rolou na viagem: “Olhar para fora do insul-film”.

Esse olhar foi formado de conversas, olhares, reações e arrepios; o ânimo do jovem Daniel nos mostrando as hortaliças e nos ensinando sobre cultivo de vegetais, a felicidade e o encantamento do garoto Lucas, a voz de Dona Rosa na cantoria do hino, a simpatia do Seu António e etc. Tudo isso nos mostrou o quanto nos preocupamos e vivemos por coisas inúteis, nenhuma vontade em nossa vida se compara aos olhos brilhando dos acampados ao falarem sobre a terra que estão prestes a conseguir, nenhum projeto se compara ao Seu Zé falando sobre os planos que tem em mente para sua horta e na criação das suas poucas cabeças de gado.

O “turismo” no mundo real causou tanto repúdio e nojo do mundo em que vivemos que a viagem passou a ser considerada o início de uma luta, uma luta por justiça e por mais igualdade, uma luta ao nosso alcance. Essa luta nos alivia um pouco o peso que carregamos por termos mais dinheiro que a grande maioria da população, pelas vezes que ignoramos o companheiro deitado no chão, pelas frias noites que pensamos quantas pessoas estão com frio nas ruas; percebemos que podemos ser pessoas melhores, podemos ajudar os outros e começar a gritar, chorar e rir por causas maiores do que o desejo de um novo Itouch no Natal.

Gabriela Sakata

Não sei se consigo escrever sobre essa viagem especificamente, pois acho mais fácil falar de todas as vezes que visitei os assentamentos, acampamentos e a escola nacional do MST. Todas as vezes que voltei ao meu mundo limitado e cheio de barreiras tentei espelhar o que tinha vivido com o movimento em minhas ações. Desde trabalhos de escola, leituras pessoais, argumentos dentro e fora de sala de aula. O MST me deu informações que só vendo eu poderia compreender.

Nessa última semana me despedi pela terceira vez de um acampamento que conheci no final de 2010. Com sentimento de tristeza e felicidade à flor da pele. Saber que o acampamento está cada vez mais próximo de sua futura terra… Saber que o Governo não os sustenta do modo que devia… Saber que vou voltar pra casa, pra minha cama, pro meu chuveiro… Pensar que eu podia estar no lugar deles, lutando e sofrendo por não ter o direito a um pedaço de terra no meu próprio país…

Acho que ir com a escola motivou aqueles que nunca tinham entrado em contato com o movimento a pensar duas vezes antes de fazer qualquer coisa…

O que ganhei com essa viagem foi o poder de repensar no real papel do MST. Por mais que seja o maior movimento pela terra no mundo, é antes disso uma ideia, uma ideologia. Quando pensamos bem nela, refletimos sobre tudo. Sobre a vida no campo, na cidade, no Brasil, nos EUA… Nunca mais seremos os mesmos.

O movimento abre os nossos olhos de classe média pra um mundo que parece estar paralelo ao nosso… Acho que por isso, a viagem deveria ser mais divulgada… Como a viagem de Itacarambi… Não sei. Conheço várias pessoas que teriam aproveitado a viagem, mas esta foi vetada pelos pais que não entenderam seu propósito.

Mariana Queiroz

(Créditos ao César, alguns termos desse texto são dele. São precisos demais, por isso me apropriei deles).

Resumir a experiência da viagem do MST é coisa para poucos e peço perdão, desde já, por minhas palavras imprecisas e abstratas. No entanto, deparar-nos com vidas tão distantes – e, ao mesmo tempo, tão próximas – das nossas nos faz pensar sobre a situação das coisas; assim, no geral mesmo. Na situação do mundo. Consequentemente, faz com que pensemos em nós mesmos – na nossa condição, nas nossas angústias e inseguranças, nos nossos medos. Os momentos de introspecção, para mim, foram os mais importantes dessa viagem. Nessas raras (no sentido de preciosas, não de pouco frequentes) ocasiões, senti-me imersa numa atmosfera surreal que, agora, parece permear todas as minhas lembranças desses últimos três dias.

Essa viagem é feita de contradições. A contradição entre o ambiente e o espírito de assentados e, principalmente, acampados; a contradição entre a proximidade e a distância que separam as questões daquelas pessoas e as nossas próprias questões, internas; a contradição entre a conquista do solo e a persistência de problemas que estão para além de cinco alqueires de terra. O ritmo do campo dita o ritmo do trabalho e a brusca brecha na nossa realidade urbana e corrida é sentida violentamente por nossos corpos e mentes. O grupo, diante de situações excepcionais, se uniu de modo impressionante – a cumplicidade entre alunos (e professores) atingiu níveis inimagináveis.

“Despertemos essa pátria adormecida”, cantaram os assentados do Carlos Lamarca na ocasião de nossa despedida. Fomos despertados para uma realidade que gera revolta, indignação e indagações das mais diversas, essencial para julgarmo-nos conhecedores de muito, muito pouco. A luta pela terra é a vida de muitos e deveria ser vista, de perto, por todos; no entanto, acredito que a obrigatoriedade da viagem acabaria com a sua beleza, que se origina justamente na disposição dos alunos em conhecer e entender o movimento por vontade própria, por desejo, por sede de justiça ou por pura curiosidade.

Voltar é difícil. Ao nos depararmos com o meio urbano, sentimos mais do que falta do que havíamos vivido; sentimos um peculiar sentimento de não pertencimento, de inadequação. A resistência a estímulos desse ambiente, por um tempo, parece-me inevitável, e, agora, vejo-me nessa necessidade inquietante de me pronunciar a respeito do impronunciável. Hoje, no dia 19 de novembro, um dia após a viagem, acredito estarmos todos suspensos num clima de estranhamento – essa é a maior riqueza de todas. O campo persiste em nós.

Bianca Laurino

Diferentemente de encontrar-me na situação de apenas dar valor após perder algo, sinto que só consegui dar o devido valor que tal coisa merecia após ganhá-la. É assim que me sinto após retornar de um fim de semana tendo contato ao vivo e em cores com o maior movimento social do mundo: o Movimento dos Sem Terra. Somente depois de ganhar a experiência (sim, considero um ganho em minha formação pessoal) de conversar e ver com os meus próprios olhos, sem que ninguém diga por mim o que achar a respeito do movimento, seja a mídia ou os próprios professores, pude perceber a riqueza que este projeto possui. Para quem não participou da viagem, dificilmente entenderá de fato o sentimento que estou tentando por em palavras.

Aqueles que se esforçaram para que a viagem acontecesse, aqueles que foram convencidos a embarcar nela, aqueles que priorizaram a viagem dentre ao extenso número de coisas que tinham para fazer e mesmo aqueles que caíram ali de pára-quedas, sem saber o que aconteceria, tenho certeza que agora estão gratificados e agradecendo por terem ido. Já para aqueles que não foram e por algum motivo queriam ter ido, gostaria que pudessem saber o quanto deveriam estar arrependidos.

É impossível tentar descrever a sensação que, não só cada um individualmente, mas o grupo em si voltou sentindo para São Paulo. Talvez as lágrimas que muitos derramaram – ou tentaram não derramar – no ônibus da volta demonstre de alguma forma o que quero dizer. Talvez não, pois para quem não esteve lá é novamente difícil de explicar. A única coisa que acho importante ficar claro é o valor que a viagem possui para aqueles que dela participaram. Tenho certeza de que a viagem possibilitou que cada um formasse sua própria opinião sobre o MST. Se parasse aí, ela já teria cumprido essencialmente seu objetivo. O fato é que ela foi muito além disto, pois marcou de um jeito inesquecível e singular para cada um.

Concluo agradecendo. Agradeço ao César e ao Fermín, que nos acompanharam na viagem, a todos os professores e orientadores que ajudaram esta a acontecer, à Escola da Vila, que a inclui em seu projeto, ao grupo de alunos que se dedicou e estava em sintonia ao longo da viagem e, agradeço verdadeiramente, ao pessoal do MST, que mais uma vez nos recebeu de braços abertos, nos oferecendo tudo que estava ao seu alcance, principalmente suas histórias de vida, que pacientemente repetem todos os anos para um novo grupo de visitantes.

Rafael Ihara

“Eu sempre me incomodei com o fato de eu ter dinheiro e as outras pessoas não terem”.

Essa frase, do Ian Aurichio, dita quando estávamos na estrada, voltando à correria de São Paulo, expressa exatamente um dos meus maiores conflitos internos. Eu acredito que, muito provavelmente por essa questão mal resolvida dentro de mim, tenho me envolvido, cada vez mais, com os projetos sociais organizados pela Escola da Vila, numa tentativa de criticar com mais fundamento a nossa sociedade e os problemas que nos cercam e, claro, para enxergar o que está além da bolha social na qual a comunidade de alunos está inserida.

Sempre me impressionaram muito as condições precárias de moradia, de educação, da saúde e do lazer dos frequentadores do ECA; as histórias de vida; os sofrimentos enfrentados; os preconceitos sofridos, de tal forma que, ao fim de todos os encontros do Estatuto da Criança e do Adolescente, me despeço chocado, revoltado, com cada vez mais vontade de me mobilizar para, quem sabe, mudar algum ponto no futuro daqueles jovens.

Mas nada, em nenhum momento se compara ao que senti nessa última semana. Leitor, desculpe-me por tão rasas palavras, por tão incompletas definições, mas acredito que as ações da raça humana não podem ser colocadas numa folha de papel.

Bate-me certo arrependimento quando lembro que cogitei a possibilidade de não ir viajar com receio de não conseguir entregar todas as atividades propostas no prazo cedido pelos professores. Depois dessa experiência que vivi, certamente valerá a pena me mobilizar ao máximo a fim de entregar todos os afazeres no até a data combinada. Com a mais absoluta certeza, o convívio com os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra me proporcionou muitos benefícios, me trouxe lições de vida e acrescentou enormemente na minha formação pessoal.

Mais fascinante que as regras da física, que a sistematização da matemática, que a origem da vida discutida em biologia… Tudo isso é mínimo, ignóbil, se comparado ao sentimento humano que está extremamente intrínseco na organização do MST – sentimento humano esse que nos foi apresentado das mais variadas formas, mexendo com nossa estrutura, com nossos princípios, com nossas emoções.

É incrível ver a organização daqueles que já estão assentados em seus terrenos, a felicidade daqueles que já possuem seu pedaço de terra – e ver o sorriso de ter obtido essa glória depois de tanto sofrimento, de tanta injustiça e demora. Mesmo tendo tão pouco, vivendo uma vida tão pacata, consumindo muito pouco, há uma alegria sincera que contagia a todos – inclusive a nós paulistanos. Achamo-nos tão entendidos, estudados, cultos; porém um simples ato de generosidade, companheirismo ou reciprocidade nos comove; os sem-terra que ainda estão acampados nos ofereceram o pouco que tinham: ofereceram-nos café com aquele restinho de pó; receberam-nos em suas casas de lona que nem lugar tinha para que pudéssemos nos sentar; e contaram suas histórias de vida, suas batalhas – suas vitórias. E quando perguntamos sobre a esperança desses acampados alcançarem a terra que está do outro lado da grade, livre, fértil, os olhos deles brilham: é um sinal de esperança, que nunca morre – nem mesmo nos piores momentos.

A viagem foi encerrada da melhor forma possível, com um sorriso puro de uma criança, que foi presentada com uma bola que era do Lucas Teixeira. A partir daí, foi-me colocado um pensamento: o que é isso que eu valorizo na minha vida? O que eu pretendo fazer dela? Vou me mobilizar para fazer algo e mudar a realidade dessas pessoas carentes, que não possuem nem um teto para dormir? Que vida é essa a que eu vivo, cheia de conforto, de mordomias (que antes para mim nem eram mordomias)? Senti-me culpado por, em muitos momentos, ter feito reclamações desnecessárias, fúteis, ignorantes.

Acredito que falte, a todos nós, pensar mais no outro. Ser mais solidário, menos egoísta, menos infeliz… Temos tanto e reclamamos tanto de tudo. Podemos ser ricos financeiramente… Porém aqueles indivíduos, que possuem um espírito incrível de união, de coletividade e solidariedade, guardam dentro de si uma riqueza que é muito maior que qualquer coisa no mundo: o sentimento humano.

Gae Breyton Berrutti

“Fui para a viagem com a firme convicção de que nada poderia me surpreender por já ter estado lá, me senti com alguma vantagem em relação aos outros. Achei que saberia olhar (algo como) friamente e entender o movimento como observadora, nunca me passou pela cabeça que não se fica imune ao sentimento de humanidade. Me eximo de dizer o o quão frequentemente este defeito de falta de humanidade acomete os dirigentes de nosso país para não fazer um texto político, porém, posso dizer com toda certeza que nenhum integrante de nossa viagem esteve impermeável ao engasgo emocional que essas pessoas e sua luta geram. É surpreendente encontrar essa força irreprimível onde se espera encontrar os mais oprimidos. Na outra vez que visitei o acampamento, ao final de uma conversa com a dona Rosa, eu não só cheguei à conclusão como disse para ela que, tendo na minha vida inteira metade da coragem dela eu já seria um Hércules. É com esse tipo de sentimento que se retorna à São Paulo, com um nó de indignação no peito (que eu espero que nunca se desamarre) e com a sensação de levar uma vida vã. Talvez diferente de muita gente eu não sinta essa culpa de ter mais que os outros, eu penso que estar nesta condição privilegiada vai me permitir fazer algo por essas pessoas a mais do que simplesmente “turismo”.

O que caracteriza a adolescência? Um encontro com Lidia Aratangy na Escola da Vila.


Por Tiago T. Lima

No dia 10 deste mês, recebemos na escola a psicóloga Lídia Aratangy para uma conversa com os pais de 6º, 7º e 8º anos sobre adolescência. Para os cerca de 60 pais que compareceram, foi uma oportunidade para tratarmos de um assunto que nos provoca tantas questões e incertezas. Pena que mais gente não pôde vir! Justamente por ser a adolescência uma fase, em grande medida, de indeterminação – na qual a criança, que tinha sua identidade construída a partir do olhar de seus pais, começa a abandoná-la para construir uma que lhe seja própria – é que também nós, enquanto pais e educadores, somos exigidos a sustentar como resposta uma posição coerente e definida cuja medida nem sempre é simples de encontrar.

Lídia abordou de uma maneira descontraída questões que ficam muitas vezes pesadas para conversarmos, utilizando exemplos e situações cotidianas para transmitir uma noção profunda, cujas consequências não são simples de identificar: a de que a adolescência é a fase da vida em que nos deparamos com nossa solidão. Ou seja, compreendemos que há um caminho aberto que depende apenas de nós e que as referências que tínhamos na infância não são mais suficientes. Descobrimos um mundo interno em nós mesmos e nos outros entre os quais uma comunicação plena é impossível.

Ela conseguiu, então, por meio da sua fala, fazer um panorama dos tipos de relações possíveis para o adolescente, dentro e fora da família, e o respectivo valor de cada um. Distinguiu, dessa forma, a amizade da autoridade/responsabilidade; o apoio do limite; maternagem de frustração – onde cada um dos termos desses pares tem sua importância.

Sobre os tempos atuais, falou das novas possibilidades de desempenho dos papeis familiares a partir da diversificação de configurações familiares e das questões de gênero. Conversou como não adianta nutrir uma posição de saudosismo de quando éramos crianças; de um tempo em que os limites impostos por nossos pais eram tão claros e sua autoridade tão inquestionável. Afinal, não podemos esquecer-nos dos problemas dessa configuração familiar, nem tampouco das vantagens que uma relação mais próxima com os filhos traz. Trata-se então de encarar o desafio de manter uma relação com os filhos que, se não tão mais rígida, não deixa de estabelecer limites e deveres para a criança de forma vertical.

Nas entrevistas e nas reuniões de pais, escutamos muitas vezes das famílias dúvidas e demandas dirigidas à escola que passam por esse tipo de discussão sobre a faixa etária e relação dos pais com os filhos. Porém, além de às vezes precisarmos de um tempo para reunirmos diferentes pontos de vista para responder, é preciso também nos lembrarmos das limitações da escola em tratar ou manejar certas questões que estão para além da sua alçada, não perdendo o foco na parte pedagógica. Por isso, nossa opção para neste momento, tal como se fez noutros tempos na escola, de trazer um convidado, com um ponto de vista exterior ao nosso, que pudesse trazer alguns elementos novos para pensarmos – e um pouco mais dos já conhecidos, mas que organizados sob o olhar de Lídia, parece que têm sua potência renovada.

Os eventos de final de ano no Fundamental 1

Desenho produzido por aluno de 1º ano para o lançamento do Livro da Grécia 2010

 

Por Érica Ditolvo

O final do ano se aproxima e com ele se encerra mais um ano escolar. As crianças já estão mais crescidas e levam em sua bagagem mais um monte de experiências especiais, causos engraçados, situações inusitadas, que passam a fazer parte da história de cada um.

Depois de muito terem trabalhado ao longo de 2011, chega o momento das crianças compartilharem com seus familiares o resultado de meses de dedicação que vem sempre acompanhado de olhos brilhantes e falas orgulhosas sobre os desafios que tiveram que enfrentar para chegar naquele produto final. O orgulho é também compartilhado pelos familiares e professores que acompanharam nos bastidores, a produção de cada linha do livro, cada fala da encenação, cada colagem, pintura, desenho… Enfim, de cada uma dessas essas etapas fundamentais para que o resultado fosse tão especial.

A partir da semana que vem cada série do fundamental 1 apresentará, a sua maneira, o resultado de tanto trabalho e dedicação.

Os 1ºs anos que passaram os últimos meses mergulhados nas incríveis histórias da mitologia grega, receberão seus pais para o lançamento do Livro da Grécia.

Os 2ºs anos, irão convidar os familiares para compartilhar o Livro de Contos que vem sendo produzido, revisado, ilustrado há muito tempo e terá acabado de “sair do forno”.

Os familiares dos 3ºs anos poderão voltar no tempo e visitar um museu com preciosidades de muitos anos atrás, saborear o lanche das diferentes  nacionalidades e participar do lançamento do tão esperado Livro da Família.

Os 4ºs anos também voltarão no tempo, direto para os anos 60 e 70, e em forma de teatro apresentarão muito do que aprenderam sobre essa época tão marcante em nossa história.

Por fim, os 5ºs anos preparam uma surpresa. Depois de trabalharem muito por quase um trimestre apresentarão os seres imaginários de uma forma diferente e que precisa ser vivenciada para que possa ser explicada.

Abaixo, o cronograma dos eventos:


Esperamos a presença de todos!

A proposta do Período Complementar


Por Daniela Munerato

Chegar cedo à escola, conviver com companheiros de Grupo 1 a 1º ano, e ainda ter a oportunidade de realizar propostas divertidas e muito diferentes neste período oposto aos das aulas regulares: esta é a proposta do Período Complementar! Acompanhados de professor fixo e de um auxiliar, as crianças vivenciam experiências muito diferentes a cada dia da semana. E nesta configuração, temos as seguintes propostas: Teatro, Horta e Culinária, Capoeira, Oficina de Arte e Circo.

Além disso, pode-se optar por frequentar o Complementar a semana toda ou somente um ou mais dias. Deste modo, há dias em que se pode encontrar o grupo todo, e outros em que encontramos determinado grupo de amigos. Estas interações representam uma enorme riqueza, pois acompanhamos amizades entre companheiros de turma/série, mas também entre companheiros de diferentes idades e repertórios, uns aprendendo com os outros. Aprendendo a ser parte de um grupo e também aprendendo novas brincadeiras uns com os outros, ajudando uns aos outros, e tudo isso possibilita a descoberta de novas referências.

Quanto à estrutura dos encontros diários, logo que chegam as crianças são recebidas em cantos montados no espaço aberto e também dentro da sala, o que lhes dá a possibilidade de circular por todo espaço físico da Educação Infantil. Depois vem a grande roda, onde o grupo conversa sobre as brincadeiras e as interações que aconteceram, e também sobre o que foi planejado para aquele dia. Após o lanche vão todos para o espaço do parque, onde montam cabanas, realizam suas brincadeiras prediletas e aprendem outras novas.

Em relação à alimentação, tanto o lanche da manhã como o almoço estão inclusos na mensalidade do Período Complementar, e as refeições são especialmente acompanhada pela equipe de nutrição.

Quem não deseja realizar exercícios circenses, com panos e trapézio? É sempre uma emoção! E esperar o professor de Capoeira, caminhar até a sala cantando e aprender a gingar, entre tantos outros movimentos? O Teatro abre ainda mais as portas da imaginação, enquanto trabalhamos o corpo, a voz e as relações no grupo como um todo. Tudo isso envolvendo muita imaginação e formas de expressão. Dentro da oficina de Arte cabem inúmeras propostas: Artes Visuais, Música e Movimento na companhia de Marisa, nossa professora de Inglês! E a nossa horta, então? Que experiência fascinante acompanhar o crescimento daquilo que plantamos, aprendendo os cuidados necessários, para depois utilizar estes alimentos nas aulas de Culinária, onde aprendermos receitas deliciosas!

Depois do almoço – que acontece no espaço da cantina da escola – temos um tempo higiene e descanso. Ouvimos histórias, realizamos massagem e relaxamento, e recarregamos as energias para o período vespertino. Depois cada criança vai para a sua sala, se juntar à sua turma, animados para novas aventuras e aprendizagens.

Evento especial com Ana Siro e Pablo Novoa.

Por Cibele Lopresti Costa – Professora da disciplina de Estudos Literários do curso de Pós-Graduação em Alfabetização da Escola da Vila e formadora de professores

No último dia 18, a Escola da Vila recebeu a visita de Ana Siro para a palestra intitulada A poesia no contexto escolar e não escolar. O evento contou com a participação especialíssima de Pablo Novoa, músico talentoso que, com sua voz e violão, promoveu intervenções artísticas essenciais para a compreensão da fala da pesquisadora.

Ao longo da palestra, Ana Siro comentou possíveis estratégias didáticas para a criação de significados ao texto poético, ressaltando a necessária exploração entre som, sentido e imagem. Segundo a pesquisadora, as sequências didáticas devem promover o aprofundamento da compreensão textual e de sua estética e, ainda, da relação intrínseca entre essas duas instâncias. Para tanto, foram apresentadas algumas das experiências desenvolvidas pela dupla em escolas públicas da Argentina.

Na medida em que os relatos avançavam, as concepções teóricas e metodológicas da autora tornavam-se mais claras e as intencionalidades didáticas, ampliadas. O público pôde vivenciar, na prática, o que ela dizia sobre “converter a literatura em experiência”. O que vivemos foi o resgate de sensações, de memória, de sentidos esquecidos na cotidianidade. Aos poucos, nossas sensações foram despertadas por textos sussurrados, literalmente, em nossos ouvidos; por músicas que nos arrancaram do automatismo para o sensível. Assim, na experiência coletiva, vivificamos o que há de particular e sensível em cada um de nós.

Certamente saímos diferentes, pois aquela sexta-feira pareceu-nos modificada. Ou fomos nós modificados pela experiência de ouvir música, poesia e pela companhia de nossos pares?

Escrevendo esse texto, afirma-se em mim a convicção de que a arte é sim capaz de atravessar nossos sentidos e promover transmutação. Que as experiências de Ana Siro e Pablo Novoa sejam referência para nossa prática e reflexão.

Transcrevo um poema do heterônimo Ricardo Reis (1) citado ao final da palestra, um dos meus prediletos:

Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a Lua toda

Brilha, porque alta vive.

(1)Ricardo Reis foi um dos três heterônimos de Fernando Pessoa, além de Alberto Caeiro e Álvaro de Campos. Cada qual possuía características, estilo e poética próprios. Nas palavras do autor: “Por qualquer motivo temperamental [...] construí dentro de mim vários personagens distintos [...] a que atribuí poemas vários que não são como eu, nos meus sentimentos e ideias…”. Disponível em: www.pessoa.art.br

O último dia.

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Por Sônia Barreira

A despedida é triste. Ela envolve um tipo de ruptura com a qual não é fácil lidar. Há 15 anos estes jovens têm uma rotina diária nesta escola. Passam às vezes mais tempo aqui do que em suas casas. Mas agora terminou!

Nada de acordar tão cedo, sem provas trimestrais, sem as 5 aulas diárias que exigem atenção, compreensão, envolvimento e atividade cognitiva. Nunca mais uma coordenação ou orientação dando suas broncas, exigindo compromisso, alertando sobre as condutas inadequadas. Não tem mais a lei do quarto atraso, nem a monitoria mandando entrar para a sala de aula.

Mas, por outro lado, também não tem mais a garantia de encontro diário com os amigos, das risadas alegres das situações conhecidas. Não tem mais a escuta atenta da equipe de professores, nem a competição do interclasses.

E o que vem pela frente? Para alguns, a vida da universidade, para outros o cursinho, e há aqueles que viajarão. Mas o futuro é incerto, e a Escola da Vila começa a fazer parte do passado.

A proposta de construção de um painel de fotos com os alunos caracterizados como personagens que escolhem tem a intenção de tornar este dia mais alegre e festivo.  É hora de deixar uma marca coletiva que ficará exposta na escola durante um ano. Eles se vão, mas as fotos alegres e divertidas que nos deixam, nos  ajudam a encarar melhor a despedida. Eles deixam conosco a marca coletiva da criatividade, do bom humor e da contestação.

Adeus meninos e meninas. Levem as boas lembranças desta Escola que ficará saudosa!

Curso de espanhol na Escola da Vila.


Por Sandra Tatiana Baumel Durazzo – coordenação de línguas estrangeiras

Como sabem, desde 2010 a Escola da Vila oferece a oportunidade de aprender mais um idioma estrangeiro. O curso acontece semanalmente em encontros com alunos de várias séries juntos. Essa interação é bastante apreciada pelos participantes e pela professora,­­ pois permite trocas diferentes das que acontecem no currículo regular.

Uma das perguntas frequentes no aprendizado de espanhol é como se lida com o chamado “portunhol”. No processo de aprendizado de línguas estrangeiras, os aprendizes sempre passam por uma comunicação no que se denomina “interlíngua”. Esta é uma linguagem pessoal, particular a cada aprendiz, que contém palavras e lógicas de ambas as línguas – a materna e a alvo. A interlíngua se modifica constantemente na medida em que os aprendizes se deparam com situações de compreensão e produção da língua alvo, ficando cada vez mais parecida com esta e diferente da língua materna.

Durante o 2º semestre, ficou claro o avanço dos alunos na proficiência em espanhol, pois a utilizam frequentemente nos encontros. Tanto para as atividades guiadas quanto para os comentários e brincadeiras! Vale a pena conferir as produções deste grupo.