De Conversa em Conversa

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Por Zélia Cavalcanti

Esse será o terceiro ano em que a Escola da Vila divulgará parte da reflexão escrita de seus profissionais através da revista Conversa de Professor, publicação composta por artigos derivados de textos que sistematizam as inquietações pedagógicas e educacionais emergentes das reuniões pedagógicas e das supervisões de áreas curriculares, escritos para Simpósio Interno (*) que se realiza anualmente no segundo semestre letivo.

A cada número dessa revista, o que comanda a escolha dos artigos a serem publicados é o conteúdo que foi selecionado como eixo temático dos trabalhos apresentados durante o Simpósio Interno do ano anterior. Escolha que não é nada fácil, dado o volume e a qualidade do conjunto de reflexões escritas que chega a nossas mãos para a edição de cada número da Conversa, preparada e publicada no final de junho para ser distribuída aos muitos professores, coordenadores pedagógicos e orientadores educacionais que participam das ações de formação que o Centro de Formação oferecerá a partir de julho.

Essa variedade no público destinatário e o leque de interesses, que sabemos existir entre profissionais dedicados à educação escolar, fez com que, desde o início, procurássemos publicar conjuntos de textos em que as relações com a construção de conhecimento pudessem ser exemplificadas por meio de práticas de ensino de diferentes conteúdos, em classes de todos os segmentos, e também na formação de professores. Em outras palavras, artigos que possibilitassem a socialização de fontes de conhecimento pedagógico, colaborassem com a construção de procedimentos didáticos, e sugerissem boas práticas a serem levadas às salas de aula, da Educação Infantil ao Ensino Médio.

Em 2012 e 2013, nossa revista foi publicada em edição impressa de 2.500 exemplares que, distribuídos internamente e nas programações de inverno, verão, primavera e outono na Vila, e em alguns cursos itinerantes, praticamente esgotaram, restando aos interessados a possibilidade de leitura em sua versão digital.

Conversa de Professor No 3 já está sendo gestada e estará disponível em www.cfvila.com.br (publicações) na segunda semana de julho. Tem como eixo a reflexão que os professores de diferentes segmentos, classes e disciplinas,  realizam para que em seus planejamentos possam atender às diferentes necessidades de aprendizagem presentes em cada turma de alunos; isto é, para dar ajudas que se ajustem aos diferentes momentos do percurso de aprendizagem de cada aluno ou grupo de alunos em cada um dos conteúdos escolares.

Aguardem.


(*) O Simpósio interno da Escola da Vila é um evento, que ocorre sempre no segundo semestre,  para a socialização de reflexões e boas práticas que realizamos há mais de dez  anos e no qual participam todos os profissionais da área pedagógica.

Mais uma vez, Rosely Sayão credita às escolas, de um modo geral, o fracasso do modelo educacional praticado em nossa sociedade.

14_05_2014

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Por Sônia Barreira

Qualquer educador que leu ontem o texto de Rosely Sayão sentiu vontade de gritar: “Não, não é assim em todas as escolas!”.

Já virou chavão pouco inteligente dizer que a escola é uma instituição que não muda. É mentira! As escolas mudaram muito. Os professores procuram novas estratégias de ensino, se aproximam dos interesses de seus alunos, incentivam o protagonismo, a ação mental e a criatividade.

Os professores já entenderam que seu trabalho individual não produz todos os frutos que desejam e articularam seus trabalhos aos dos colegas, procuram conexões entre as disciplinas, atividades fora dos muros da escola, interações entre os alunos de diversas idades, rompendo com a divisão em séries tão rígida no passado.

As escolas incorporaram as tecnologias e aprenderam a potencializar as múltiplas linguagens, entenderam o papel das representações visuais e trabalham com linhas do tempo, mapas conceituais e esquemas que ajudam os alunos a, autonomamente, representar as aprendizagens e dominar os conceitos que antes eram apenas explicados e exercitados.

Há equipes de professores que desenvolveram pautas de revisão diferenciadas para contemplar a heterogeneidade das turmas, e entenderam como essa pode ser uma vantagem pedagógica. Favorecem a cooperação, em muitos sentidos, que vai além da ajuda mútua e chegam à escrita colaborativa, à apresentação de seminários, a debates aprofundados.

Todo mundo já entendeu que as lições de casa são uma forma de estender o pouco tempo de escola que os alunos têm, e garantir um trabalho individual de preparo para as atividades, que podem ser muito interessantes e vinculadas à construção coletiva do conhecimento. Ninguém acha que os professores devem se responsabilizar pelas atividades escolares que são feitas em casa, nem que os pais devem, como no passado, lavar as mãos sobre o processo de aprendizagem dos filhos. Todo educador que se preze já compreendeu que os distintos contextos de aprendizagem devem ser articulados, transpostos, negociados. A aprendizagem formal, informal e não formal são processos vividos pelos mesmos sujeitos.

Hoje, os alunos são mais ouvidos, mais acolhidos, mais atendidos e melhor educados.

Mas isso não dá Ibope a jornal, e a colunista prefere, ano após ano, generalizar indevidamente o que pensa que acontece nas escolas, iludir os pais leigos que embarcam em sua credibilidade construída pela força da Folha de S. Paulo, e deixar de reconhecer e discutir aquilo que é expressão significativa de boas práticas pedagógicas, realizadas em MUITAS escolas PRIVADAS, que não têm subsídio governamental nem renúncia fiscal de nenhum tipo para fazer seu trabalho sério, consistente e desconhecido, ao menos da colunista.

“A escola só contribui com 30% no desempenho escolar dos seus alunos”, afirma a especialista, e incentiva, em seguida, os pais a não colocarem mais seus filhos nas instituições escolares!!! Interessantes dados − ainda que sem fonte nem referência −, mas impactantes. A quem devemos creditar os restantes 70%, e em que circunstâncias isso ocorre? Não, isso não parece importante para a colunista, mais importante é criar as suas frases de efeito, ainda que com elas difame um número imenso de educadores de qualidade e de escolas inovadoras e competentes.

Agora, cá entre nós, senhoras e senhores que vivem no chão da escola, que vivem a rotina das descobertas, da dedicação e da construção de conhecimento diário, nós que vivemos a superação, o crescimento, o desenvolvimento de nossos alunos, nós que nos aliamos aos pais, que trabalhamos em equipe, que estudamos e compreendemos cada vez mais os aspectos técnicos de nosso trabalho. nós, que vamos além da transmissão de informação e que inventamos uma instituição viva e cheia de energia, nova, diferente a cada ano, melhor a cada momento, cheia de desejo e acolhimento. Nós, que conhecemos o sentido da vida dentro da escola, como nos posicionaremos quando se referirem assim ao nosso trabalho?

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Ser da Vila

ABERTURA
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Por Sônia Barreira

Neste último sábado a Escola da Vila abriu suas portas para o início da 24a Olim Vila, com direito a juramentos, Hino Nacional, show de acrobacias e maculelê, e participação intensa de toda a comunidade Vila – pais, familiares, professores, funcionários, alunos, direção. Todo ano é assim. Mas, mesmo conhecida e repetida ano a ano, a experiência vivida encanta e intriga! Encanta pelo envolvimento de todos, e intriga pela grande adesão.

Por que numa noite fria de sábado tantos alunos (e ex-alunos!) estão presentes para prestigiar uma cerimônia conhecida? A resposta é múltipla e requer certa análise do papel que o esporte escolar cumpre na formação dessas crianças e desses jovens.

Neste ano nossa ex-aluna e campeã brasileira de tiro com arco, Marina Canetta – convidada de honra para acender a Tocha Olímpica − nos ajudou a compreender um pouco mais sobre este fenômeno que testemunhamos ano a ano. Emocionada, disse a todos da importância de sua trajetória esportiva na Escola da Vila para sua formação atual, como atleta de alta performance, e como pessoa. Recomendou aos alunos presentes que aproveitem seus treinamentos e jogos ao máximo, pois quando saírem da escola vão se dar conta do quanto essa vivência é significativa, formativa e estruturadora de suas vidas.

Para nós, adultos, na plateia, suas palavras e o reconhecimento da importância do papel de seu treinador, professor Júlio, que veio com um abraço apertado, foi suficiente para nos emocionar também.

Washington Nunes, coordenador do setor de Esportes e Educação Física da Escola da Vila, e o grande responsável pelo sucesso desta empreitada, em seu discurso, alertou a todos os presentes sobre a visível diminuição do tempo de dedicação ao corpo que observa hoje nas crianças e nos jovens, e sobre a facilidade com que o esporte tem sido usado para provocar agressões físicas e verbais.

Marcola, coordenador da Capoeira citou um treinador atual, reforçando a ideia de que, no esporte, as derrotas são tão importantes quanto a vitória, e que há outros aspectos fundamentais da experiência esportiva que valem a pena.

O evento terminou com uma linda vitória do time de futsal juvenil masculino, cujos atletas, em sua maioria, se formam e se despedem este ano da Vila. A motivação para vencer foi muito grande!

A partir dessas falas e desses acontecimentos – a emocionante participação de Marina Canetta, o discurso certeiro do nosso grande líder e inspirador, Washington, e da motivação para a vitória de nossos alunos, fui para casa pensando sobre o sentido da prática de esportes e da Olim Vila em nossa comunidade, as quais partilho com vocês a seguir.

1) A prática esportiva e a participação em competições no âmbito escolar, quando são parte de um projeto educacional alicerçado por princípios claros podem ter uma eficácia imensa para a formação integral dos alunos. É neste âmbito que os alunos podem desenvolver processos importantes de autoconhecimento (identificando suas potencialidades e fragilidades físicas e emocionais);  de perseverança (construindo a ideia de que a insistência no treinamento pode levá-los a melhorar suas capacidades e habilidades); de relações interpessoais significativas com colegas e técnico (que, no caso da Vila, atuam muito além do campo das habilidades físicas, como educadores que identificam e potencializam as experiências e vivências importantes para cada aluno).

2) A escola como o lugar de resistência, de insistência para a prática das atividades físicas, para a frustração e a cooperação. Num mundo onde as famílias têm a tendência de proteger os filhos de vivências negativas, de insucessos e frustrações, o esporte é a garantia dessas importantes experiências pessoais, pois não há como conhecer apenas a vitória, não há como não identificar um ponto fraco que temos dificuldades para superar. Desta forma, creio que os alunos não vêm apenas atrás da diversão e da vida em grupo quando optam por treinar, eles vêm em busca dos desafios, e cabe a nós mostrar que para vencê-los haverá derrotas e sofrimentos. Como suportá-las? Como superá-las? Nesse contexto, nossos treinadores têm um papel crucial, e o desempenham com maestria.

3) A motivação e o sentido de pertinência a uma comunidade como motor da união, do congraçamento e da cooperação.  O esporte, no nosso projeto pedagógico, tem um forte sentido de cooperação, sem as habilidades de trabalho em grupo, nossas equipes não vencem. E é desta experiência que nasce o sentimento de pertinência que tanto motiva nossos alunos, para jogar e para torcer.

Um outro fato a ser destacado é o funcionamento da equipe de professores, treinadores, auxiliares e estagiários. Na equipe de Washington, todos se destacam, e todos trabalham para o coletivo. Modelam o trabalho em equipe de modo exemplar.

Orgulho de ser da Vila!

“Mas TODOS os meus amigos conversam pelo Face…”

© Copyright 2013 CorbisCorporation

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Por Fernanda Flores

Cada vez mais precocemente, acompanhamos crianças de 10 anos que, para além do convívio na escola, interagem frequentemente via skype, messenger, whatsapp, enfim, “batem papo” e trocam experiências para além dos muros da escola mediados por uma interface, por um aparelho eletrônico.

Percebemos que, geralmente, o convívio nesses ambientes, muito diferente do que acontece na escola, raramente conta com a mediação de adultos, e, mais que isso, não está condicionado pelo olhar do outro e por suas reações não verbais.

Observamos que as crianças trazem para o nosso ambiente, em suas falas sobre problemas decorrentes de conversas virtuais, a falsa sensação de que aquilo que escrevem uns para os outros não está submetido às mesmas convenções sociais sob as quais pautamos as relações mediadas pelo “olho no olho” que vivem na escola.

Além disso, muitos são convictos de que suas senhas “pessoais” ou a distância física pertinente à situação protegem-nos de qualquer coisa, seja dos pais saberem sobre o quê conversam e como se tratam, ou de poderem excluir ou ser pouco cuidadosos com algum colega quando conversam em grupos fechados, pois, assim, acham que nunca ninguém descobrirá.

Ora, conhecendo o desenvolvimento moral nessa faixa etária, percebemos o quanto estão a construir recursos e instrumentos para lidar com as consequências das escolhas e das posturas adotadas no silêncio de seus quartos, além da pouca possibilidade dada pela idade, de anteciparem decorrências de algumas de suas ações.

Assim, reforçamos aqui duas ideias para reflexão:

1. Como crianças que são, precisam da supervisão da família, com limites claros quanto aos usos desses ambientes, com franca conversa acerca de direitos e deveres, responsabilidades compartilhadas com os adultos sobre como usam e pautam suas conversas na rede, exclusivamente, com pessoas conhecidas.

2. Família e escola precisam abordar esse tema e suas consequências na vida das crianças. À escola, cabe propor contextos e análises que ajudem a considerar válidos, em qualquer ambiente no qual convivam, os princípios de respeito mútuo e de solidariedade, além de valorizarem o diálogo como principal ferramenta para se esclarecer desentendimentos e diferenças.

Indicamos aqui algumas leituras que podem ser úteis para refletir sobre desafios da educação de filhos e filhas aos 10, 11, 12 anos..:

Limites: três dimensões educacionais. Yves de La Taille. Editora Ática.

Ética Para Meus Pais. Yves de La Taille. Editora Papirus.

Ética Para Meu Filho. Fernando Savatér. Editora Martins Fontes.

Novos Desafios Da Convivência: desatando os nós da trama familiar. Lydia Rosemberg Aratangy. Editora Rideel

“É extremamente triste estar sozinho quando se encontra a beleza.”

Bartolomeu Campos de Queirós, conferência durante o Simpósio do Livro Infantil e Juvenil, Colômbia-Brasil, Bogotá, 7-9/10/2007

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09_05_2014

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Por Aline Evangelista Martins*

A declaração de Bartolomeu Campos de Queirós, título deste post, é um dos motes do trabalho com leitura compartilhada na Escola da Vila. Quem já esteve numa sala de aula repleta de jovens extasiados diante de um poema, um conto ou um trecho de romance sabe o quanto é tocante presenciar o encontro com a beleza e o natural desejo de compartilhar o estranhamento, a emoção, enfim, a experiência estética.

Esse impulso de buscar o outro para falar sobre o que é impactante evidencia-se em muitas outras situações do nosso dia a dia na escola: no burburinho da sala dos professores, não faltam relatos de momentos interessantes das aulas, comentários sobre produções, discussões sobre o que os alunos falaram, o que pensaram, o que fizeram. É difícil estar sozinho quando tantas coisas interessantes acontecem. E é muito bom encontrar os colegas para falar sobre tudo isso. Quem já esteve numa sala dos professores repleta de ideias, análises, inquietações e deslumbramentos sabe do que estou falando…

A busca por alguém com quem dividir o impacto é também muito recorrente nos momentos de correção e de análise da produção dos alunos. É bem rotineiro observar, na biblioteca, na sala dos professores e em outros espaços de trabalho da escola, docentes que rompem o silêncio e a solidão do trabalho avaliativo para comentar com colegas uma frase, um parágrafo, um texto inteiro: “Veja o que esse aluno escreveu!”. “Desculpe, vejo que você está ocupada agora, mas queria só te mostrar essas respostas que foram dadas para a questão 2 da prova!”. Quem já se esmerou em preparar o plano de um curso, elaborar uma prova para avaliar as aprendizagens e, por fim, analisar as respostas dos alunos, sabe o quanto a avaliação pode ser mobilizadora.

Avaliar é, antes de tudo, buscar  informação. Avaliamos porque precisamos nos informar sobre a concretização do planejamento. Para tanto, é essencial  saber como cada um dos nossos alunos pensa, posiciona-se e produz a partir daquilo que aconteceu nas aulas. A análise dessa informação determina os rumos das etapas seguintes, afinal, a partir dela, são feitos os ajustes no plano inicial. Por outro lado, a avaliação dá ao aluno um retorno sobre o seu desempenho em relação às expectativas de aprendizagem e possibilita a autorregulação, ou seja “a capacidade de exercer controle sobre as suas atividades e, em particular, as suas aprendizagens” (Hadji, 2011, p. 45).

Pode parecer estranho começar uma reflexão sobre avaliação comentando o encontro com a beleza. Mas o nosso cotidiano na escola evidencia que as duas esferas estão muito próximas. No momento da avaliação, vemos a concretização do nosso currículo, o resultado das nossas intervenções, a aprendizagem dos nossos alunos, aquilo que eles constroem, por onde caminham, que questões formulam, que dúvidas têm, que erros cometem. Dúvidas, reflexões, perguntas, formulações, erros: tudo isso é construção de conhecimento. Quem já se dedicou à tarefa de avaliar sabe que encontrar nos instrumentos da avaliação a voz daquele que aprende é, sim, muito bonito. Por isso não resistimos ao desejo de compartilhar.


HADJI, Charles. Ajudar os alunos a fazer a autorregulação da sua aprendizagem: por quê? Como? Pinhais: Editora Melo, 2011.

(*) Aline é coordenadora da área de LPL e responsável por vários cursos, presenciais e online,  oferecidos nas programações do Centro de Formação da Escola da Vila, entre os quais “Avaliação da produção escrita: desafios e possibilidades”.

Mentalidade de aprendizagem, academic mindset ou a nossa velha e boa postura de estudante!

Por Sonia Barreira

Uma das ideias mais interessantes que entramos em contato e vimos utilizada nas muitas escolas que visitamos na Califórnia, entre tantas outras, é algo um pouco difícil de ser traduzido para o português:  academic mindset.  Esse conceito já me intrigava antes de sair do Brasil, quando comecei a conhecer o material utilizado na metodologia PBL (Project Based Learning) e Deep Learning.

Foi na High Tech High que tivemos a primeira boa explicação, que nos foi dada por um animado professor de inglês e humanidades, sobre as pesquisas na área educacional que dão suporte a esse princípio pedagógico. Mas, o que mais me ajudou a compreender o conceito foi o contato direto com os alunos em situações variadas de aprendizagem. Tentarei me explicar.

Academic mindset seria, grosso modo, a percepção sobre a capacidade para aprender, que um indivíduo tem de si mesmo, a qual se traduz, se concretiza, numa disposição efetiva para o aprendizado em diferentes situações escolares.

 
Aluna apresenta, para um grupo de professores brasileiros, um projeto desenvolvido nas áreas de Ciências. Neste projeto eles criam super heróis que explicitam conceitos da física e elaboram uma história em quadrinhos para a finalização do trabalho.

Um dos princípios do movimento deep learning orquestrado por várias escolas e organizações educacionais, atualmente, nos Estados Unidos, é levar o aluno a construir essa percepção positiva, ou seja, as atividades e propostas são desenhadas para favorecer o processo de aprendizagem, mas devem ser feitas de tal forma que gerem, além da aprendizagem em si, uma forte disposição para aprender.

Imediatamente relacionei essa ideia geral àquilo que costumamos chamar de disponibilidade para a aprendizagem ou, de modo mais frequente, “a postura de estudante”. Na Vila, sempre nos preocupamos com a construção dessa postura, mas muito mais no sentido de um novo papel social, assumido progressivamente pelo estudante, do que propriamente como uma disposição interna.

 
Alunos de quinto ano explicam o projeto do qual estão participando e discutem qual é o maior desafio que têm para enfrentar neste momento de sua produção. Clareza dos propósitos, identificação do esforço necessário.

O professor nos explicou que essa percepção comporta quatro aspectos, todos fundamentais para o sucesso do aluno na escola – e isso está bastante comprovado em inúmeras pesquisas e estudos que partem da identificação dessas características nos variados grupos de alunos.

A primeira condição é a percepção de fazer parte de uma comunidade de aprendizagem. Mais do que uma obrigação ou uma rotina, o estudante deveria construir um sentido de pertencimento a um grupo cujo propósito comum é aprender. Para tanto, o aluno precisa ter uma ideia bastante clara do que fazem seus pares e por que o fazem. Ele deve conhecer o repertório institucional e saber explicar a razão pela qual são levados a esta ou aquela atividade. Em função disso, a cultura da escola deve ser bastante evidente, sustentada por um discurso compartilhado e reiterado.

A segunda condição é a percepção da capacidade pessoal de enfrentar a tarefa proposta. Isso tem a ver com o tamanho do desafio proposto aos alunos, se frequentemente mais alto do que podem enfrentar, constroem uma relação de distanciamento e superficialidade. Quando propósito e sentido das atividades são compartilhados, o aluno pode entender seu papel no processo e engajar-se de modo efetivo, tomando a responsabilidade da tarefa para si.

A terceira condição relaciona-se com a convicção de que o esforço empreendido nas situações vividas é responsável pelo desenvolvimento de competências. O aluno constrói, ao longo de sua experiência escolar, a percepção de que, quando a tarefa é fácil demais, e ele a realiza sem esforço nenhum, não há avanço ou desenvolvimento de suas capacidades, e que o esforço para aprender faz parte do processo de aprendizagem. Esse aspecto é extremamente reforçado e trabalhado, mas não por meio de ameaças ou competições extremadas; há uma busca pela conscientização do aluno desde cedo.

E, por fim, a última condição é a atribuição de valor ao que se está aprendendo ou construindo. Os alunos se orgulham de seus produtos e projetos, acham que eles têm importância e valor, além de ajudá-los a aprender. Não convivem todo o tempo com a ideia de que devem aprender para usar, num futuro distante. Ao contrário, empenham-se, porque desejam que o produto de seu trabalho seja visto por todos.

 
Alunos do Ensino Médio se apresentam para o grupo de visitantes, contam em que estão trabalhando e, em seguida, monitoram a visita mostrando todas as instalações e explicando com propriedade todos os projetos que estão sendo desenvolvidos em cada turma!

Esses quatro elementos formam o academic mindset e todos eles devem ser trabalhados nas situações escolares, uma vez que são crenças e valores que podem ser construídos e desenvolvidos na vida escolar. O que vimos nas escolas que visitamos na Califórnia foi um conjunto de ações intencionalmente concretizadas, voltadas para a construção desta percepção. A forma de abordagem dos conteúdos, questão norteadora, (need to know/necessidade de saber), a centralidade do aluno no processo de aprendizagem (voz, escolha, pesquisa), e o papel do professor (mediador, mentor, consultor) têm todos um papel importante no favorecimento da construção do mindset. Mas é a cultura escolar, invisível e intangível, que parece contribuir de modo mais efetivo para esta construção.

O tempo da arte

5_05_2014

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Por Karen Greif Amar

Imagine você estar frente a imagens que reproduzam obras de um artista e seu desafio, nesse momento, é organizá-las de forma que apresentem, em ordem cronológica, a trajetória desse mesmo artista mostrando as transformações ocorridas ao longo de seu percurso. O que levaria em conta para realizar essa tarefa?

As hipóteses levantadas pelos alunos na hora em que precisam se posicionar quanto ao desafio lançado não se distanciam de sua experiência desenhista, já que o que possuem de mais concreto para guiá-los nessa tarefa é o próprio percurso enquanto estudante.

 “Eu acho que ele foi do mais fácil e foi indo para o mais difícil, que nem essas pinturas”.

Na fala de um aluno, a hipótese que relata essa trajetória – o artista parte das formas simples, geométricas e mais fáceis de fazer para depois, bem velhinho e muito craque, pintar paisagens cheias de detalhes.  Aqui encontramos em jogo dois processos de percursos diferentes entrando em contato, ambos relacionados com o tempo. O processo cognitivo do aluno que se desenvolve na infância ainda recente na memória, que é utilizado como referência, e o processo criativo do artista, desenvolvido ao longo de seu trabalho. Que estratégias utilizamos na escola para que o aluno disponha de elementos para compreender o próprio tempo e o tempo do outro?

O artista brasileiro Alfredo Volpi tem sua obra como ponto de partida para que alunos do 3º ano investiguem o tempo tendo como eixo norteador a trajetória de um artista. Tenho certeza de que os alunos iniciam assim, um olhar diferenciado e único sobre os percursos pessoais de trabalho em arte – dos artistas e deles mesmos – e esse momento dispara um olhar investigativo que os acompanha ao longo do estudo em arte na escola. Por ter um caminho muito claro em suas diferentes fases, Volpi tem o poder de encantar os alunos dessa série a ponto deles se questionarem sobre os aspectos que permeiam as investigações, as escolhas e as pesquisas de um artista.

Por que ele pintava dessa forma quando já estava bem velhinho? Por que escolheu produzir seu próprio material de trabalho? Por que Volpi começou pintando paisagens e terminou na abstração? Por que pesquisar a trajetória de um artista é importante?

O tempo de um percurso carrega com ele aspectos distintos que são insubstituíveis. Toda e qualquer referência, escolha e ação, diretamente influencia o caminho percorrido por um artista. No caso do Volpi, isso fica muito claro para os alunos na medida em que pesquisam como seu trabalho se transformou. A escolha por usar uma tinta produzida por ele mesmo, a maneira como ele se envolveu com as cores e as formas, tornando-as os elementos principais de sua pesquisa, são aspectos importantes desse estudo.

Através do trabalho, os alunos resgatam o seu próprio percurso desenhista, e, por esse motivo, compreender como Volpi partiu da figuração para a abstração, que é o caminho contrário dos alunos até então em suas produções, é uma surpresa. Mas não é somente nesse momento da escolaridade que se deparam com a possibilidade de refletir sobre a própria produção. Com o intuito de desenvolver um percurso de criação em arte, ao longo da escolaridade são muitos os momentos em que eles desenvolvem um trabalho no ateliê. Nesses momentos. o que está em jogo é a capacidade de investigar e dar forma, utilizando os diferentes materiais da oficina, às próprias ideias, vontades, inquietações, questões pessoais, desejos e curiosidades. Ter e entrar em contato com o seu próprio tempo.

Nesses momentos, é interessante perceber os diferentes interesses dos alunos! Diante de um ateliê coletivo, que ferve com produções tão particulares ocorrendo simultaneamente, é claro que a vontade de misturar materiais, investir em um procedimento de que se gosta muito, experimentar fazer algo que o colega está fazendo, traz uma convivência em harmonia com dúvidas, incertezas e tentativas de algo que não se sabe ainda muito bem o que é.

Chego aqui novamente no aspecto que parece dar forma a todos os outros que envolvem o fazer artístico – o tempo. E com o tempo pode-se ganhar e aprender mais sobre si, sobre o outro, sobre as transformações – na arte, na produção e no que permanece.

Projeto Vila Ativa 2014

30_04_2014

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Por Rogê Carnaval

Entrei para o Vila Ativa, pois tinha interesse em saber como funciona o transporte
público na cidade. Então, decidi participar das discussões e aprofundar meus
conhecimentos sobre esse tema.
Victoria Souza, aluna do 8º ano

Em 2014, o antigo Projeto Social, que há muitos anos vem sendo desenvolvido com os 8ºs e 9ºs anos do Ensino Fundamental 2 foi reformulado, dando origem ao “Projeto Vila Ativa”.

A proposta do “Vila Ativa” é aliar pesquisa e ação. Esse é um grupo que aprofunda o conteúdo do curso de Política e Sociedade (PS), trabalhado e discutido nos 8º e 9º anos: “Democracia”, “O ser político” e o lugar do jovem nesse contextoO tema escolhido para o 1º semestre de 2014 foi transporte público. Para aprofundarmos a investigação do tema, nas nossas reuniões semanais temos lido textos que ajudam nossos estudantes a compreender melhor a questão do financiamento do transporte público urbano nas cidades brasileiras.

Para entrar em contato mais direto e aprofundado com o tema de investigação, fizemos nossa primeira saída a campo, que relatamos a seguir.

No último dia 31 de março, o grupo que tem frequentado assiduamente as reuniões do “Vila Ativa” 2014 estava a postos, pronto para a missão do dia: ir de transporte coletivo até a sede da subprefeitura do Butantã.

Como preparação prévia, na reunião da semana anterior, confrontamos os mapas do Google Maps, com indicações do caminho mais curto entre a unidade Butantã da Escola da Vila e a sede da subprefeitura, com os trajetos indicados pelo site da SPTrans.

A SPTrans nos indicou um percurso que nos levaria da unidade Butantã até o Rio Pequeno, onde deveríamos saltar e apanhar outro ônibus até a sede da subprefeitura, localizada no bairro Peri-Peri. Optamos, no entanto, por outro trajeto, que conhecemos melhor: um ônibus até a estação Butantã do metrô, e outro que seguisse de lá até a subprefeitura, pela av. Eliseu de Almeida.

Contrariando as estatísticas (e as expectativas), atravessamos a av. Corifeu de Azevedo Marques, e um ônibus que nos levaria até nosso primeiro destino estava estacionado, com a rampa de acesso para deficientes acionada, e o motorista estava auxiliando uma cadeirante.

Rapidamente, chegamos ao nosso destino. Saltamos na altura do Supermercado Padrão, na av. Vital Brasil, e caminhamos até a rua Camargo, onde dobramos e seguimos caminhando até o local do ponto de ônibus daqueles coletivos que seguem pela Eliseu de Almeida.

Pedimos que reparassem que entramos em um ônibus menor (micro-ônibus), que não tinha cobrador. Por sinal, era dirigido por uma mulher, o que chamou a atenção do grupo. Detalhe: não esperamos nem 30 segundos pelo ônibus, que estacionou tão logo chegamos ao ponto. Realmente estávamos sortudos naquele dia!

O trajeto pela av. Eliseu de Almeida chamou a atenção do grupo pela rapidez (em menos de 10 minutos estávamos desembarcando próximo ao Makro). E, também, pela péssima condição do asfalto naquela avenida, que propiciou uma viagem desconfortável, excessivamente barulhenta, e com muito balanço.

A caminhada até a sede da subprefeitura não durou mais que 5 minutos.

Esclarecemos que aquele era um espaço em que muitos serviços aos cidadãos estavam à disposição, mas também era o lugar de trabalho de técnicos da Prefeitura, que não necessariamente fazem atendimento ao público. Propusemos um olhar rápido sobre os mapas e fotografias aéreas expostas logo na entrada da subprefeitura.

Em menos de 10 minutos no local, fomos abordados por um funcionário muito simpático, sem nenhuma identificação. Apresentamos a razão de estarmos ali. Ele se interessou pela nossa história, mas disse que estávamos no lugar errado! Se queríamos saber sobre política pública de transporte, deveríamos procurar a SMT (Secretaria Municipal de Transportes). Foi a um computador instalado na praça de atendimento e nos trouxe, anotado em um papel informal, o endereço da SMT: rua Boa Vista, 236.

Parabenizou o grupo pela realização do trabalho, e se despediu. O grupo o abordou novamente: “Mas e aquela plaquinha ‘SPTrans’ ali? Não é de transporte a SPTrans?”. O servidor público disse que sim, mas que ali só se emitia carteira do Bilhete Único Idoso, que garante a gratuidade aos maiores de sessenta anos de idade. Ele nos disse, então, que deveríamos ir até o guichê buscar informações sobre o que se realizava ali.

O grupo foi à fila, esperou a vez e perguntou a outro servidor público ali presente o que se fazia naquele guichê. A informação que nos foi passada pelo primeiro funcionário foi repetida. Perguntamos se ali não se fazia queixa ou sugestão sobre o transporte por ônibus em nosso bairro. “Não”, foi a resposta que obtivemos.

Nesse momento, o grupo pareceu esmorecer um tantinho. Fizemos, então, um convite: vamos conhecer melhor a subprefeitura, já que aqui estamos! Mostramos a sala da Defesa Civil e perguntamos se alguém sabia do que se tratava. Todos do grupo responderam negativamente. Explicamos brevemente. Subimos as escadas à procura de água potável, a fim de amenizar o efeito do forte calor que fazia no dia.

Como eu, Rogê, havia trabalhado na subprefeitura, tinha alguns conhecidos lá que me reconheceram. Foi quando perguntei a um deles se não havia ninguém que pudesse nos auxiliar nessa pesquisa dos alunos.

“Ah, você já foi na sala do ‘Desenvolvimento e Planejamento Urbano’? Procura a Solange!”

Para nossa surpresa, Solange também é mãe de aluno da Escola. Elogiou muito o projeto e a proposta. E recomendou que procurássemos Márcia Gregori, também mãe de aluno da Escola, que acaba de ser eleita para o Conselho Participativo, tendo como foco a discussão sobre mobilidade urbana.

Despedimo-nos das pessoas que nos atenderam muitíssimo bem e iniciamos o percurso de volta. Novamente foi fácil, mas não tanto quanto a ida. O grupo observou que na av. Eliseu de Almeida existem os ônibus intermunicipais, que custam mais. Em menos de 10 minutos apanhamos o ônibus com destino ao metrô. Sem trânsito, mais 10 minutos, e lá estávamos. Caminhamos até o Supermercado Padrão, onde apanhamos o quarto e último coletivo que nos deixou na esquina da avenida Corifeu de Azevedo Marques com a rua Barroso Neto.

Essa experiência será agora relatada pelo grupo aos demais estudantes de 8os e 9os anos, nas aulas semanais de PS.

Em breve, relataremos aqui mesmo, pelo blog, os próximos passos da jornada dos nossos estudantes, que certamente envolverá contatos com especialistas sobre o assunto, em busca de respostas ao tema da mobilidade urbana no nosso município.

Seguem depoimentos de alguns dos estudantes envolvidos no Projeto!

Eu entrei para o grupo do Vila Ativa pois as minhas amigas haviam falado que as
discussões eram interessantes, e porque eu gostaria de me aprofundar no assunto
discutido no grupo: o transporte. Essa discussão é bem atual e estão ocorrendo
diversas mudanças que dizem respeito a ela, então decidi entrar para o grupo e
entender mais sobre como funciona e se organiza o transporte em nossa cidade.
Nina Ayumi, aluna do 8º ano 

Uma das coisas que mais me chamou a atenção no nosso trajeto de ônibus da unidade
Butantã da Escola da Vila até a subprefeitura foi a duração do percurso [...]. E isso me
impressionou muito porque o mesmo trajeto que um trabalhador faz todo dia para chegar ao local de trabalho, de ônibus, levaria a metade do tempo se fosse percorrido por um transporte privado, ou seja, o carro.
Julianna Ochialini, aluna do 8º ano 

O que mais chamou minha atenção na nossa ida à subprefeitura foi o fato de que, quando nós estávamos indo para o ônibus, uma senhora incapacitada de andar, que estava na cadeira de rodas, não teve muitos problemas para subir no veículo, com o auxílio do motorista e de uma “máquina”. Ela subiu e não pagou o preço da passagem, por conta de sua incapacidade, o que eu acho muito importante, pois assim o governo influencia pessoas, mesmo que incapacitadas, a andarem de transporte público.
Luiza Barbosa, aluna do 8º ano

Tem uma criança que incomoda meu filho. O que vocês estão fazendo para “contê-la”?

Boy Playing

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Por Andrea Polo

É muito comum que pais e mães queiram propiciar a seus filhos um ambiente onde jamais sejam submetidos a qualquer tipo de incômodo. No entanto, mais cedo ou mais tarde, estes serão expostos a provocações e a questões impostas por diferentes maneiras de agir e de entender as relações interpessoais.

Se em muitas casas o diálogo sempre prevalece, e isso basta para orientar e organizar a “bagunça”, na casa do vizinho outras estratégias podem ser usadas, e, sem dúvida, as crianças trarão esse conhecimento para o espaço escolar. Muitas vivências encontram-se nesse ambiente educativo, e vale lembrar que tanto uma família quanto a outra escolheram o mesmo projeto pedagógico para seus filhos. Nesta escola, as diferenças são acolhidas, vividas e experimentadas diariamente e, a partir delas, o trabalho acontece de forma concreta.

Frequentemente, ouvimos as seguintes falas de crianças pequenas:

- “Meu pai falou para eu empurrar de volta se alguém me empurrar”.

- “Meu pai disse que se eu bater eu perco a razão e fico igual a quem me bateu”.

- “Minha mãe me disse que eu preciso avisar a professora antes da briga começar”.

- “Minha mãe falou que eu não posso me meter em confusão, de jeito nenhum”.

Em meio a opiniões divergentes e a questões que fazem as crianças pensarem não apenas sobre seu próprio ponto de vista, mas a partir de uma ótica que procura incluir o ponto de vista do outro, e tendo como ponto de partida o princípio do respeito mútuo, planejamos diversas abordagens para nossas ações: encorajar e fortalecer o grupo para tratar dos incômodos como algo que merece dedicação e tempo é uma das ações que favorece e responsabiliza cada criança.

Escolhemos o diálogo para tratar das regras de convivência como ponto de partida para toda e qualquer situação, sobretudo no fórum coletivo. As partes envolvidas têm o direito de falar enquanto os adultos encaminham o conflito demonstrando respeito pelos valores de cada um, demarcando limites claros. Os professores são reconhecidos como pessoas que possuem autoridade moral, capazes de negociações justas. A partir da observação de muitos exemplos de diálogo, em diferentes contextos, as crianças vão se instrumentalizando para atuar com crescente autonomia em situações semelhantes.

Para pensar e agir diante de pressupostos democráticos, é fundamental que o grupo seja o foco principal e ofereça elementos para que o indivíduo manifeste desagrado quando se sentir prejudicado. Dessa forma, os alunos que “incomodaram” atuando de forma inadequada podem perceber as consequências de suas ações atreladas ao conjunto de crianças que se opõem e não isoladamente.

Aprender a lidar com os próprios desejos e frustrações e entender que os desejos dos outros podem ser bem parecidos ou muito diferentes, controlar a própria raiva e saber falar sobre o que está sentindo é também aprender que, diante de uma provocação, a indignação é aceitável, reconhecendo o que não é permitido, como, por exemplo, os atos de agressão.

Despedida

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Por Sonia Barreira

Encerramos nesta quinta-feira pela manhã a viagem para a Califórnia, realizada pelo Centro de Formação da Escola da Vila, com um saldo mais do que positivo.

Nas próximas semanas trataremos de publicar aqui mais alguns textos refletindo sobre um ou outro aspecto da viagem (o próximo, como já anunciei, será sobre um conceito interessante que eles lá nomeiam como academic mindset). Realizaremos, também, reuniões internas para divulgar o que vimos nessas duas semanas, e uma reunião aberta, com o mesmo objetivo − a ser anunciada em breve − da qual poderão participar pais, alunos e colegas de outras escolas. Todos serão mais do que bem-vindos.

Da equipe da Escola da Vila participaram duas diretoras, uma coordenadora de tecnologia educacional, e três professores, um de cada segmento (F1, F2 e EM). Como sempre, a Escola da Vila utiliza as viagens promovidas pelo Centro de Formação para o desenvolvimento profissional de sua equipe, e quem viaja assume três compromissos: fazer uma apresentação a seus colegas de segmento; elaborar um relatório reflexivo; e aplicar algo do que aprendeu em seu trabalho.

Temos a convicção de que nossa equipe fará isso de modo muito especial, pois as escolas que visitamos foram instigantes e aportaram novas e importantes vivências a todos nós. Esse efeito foi geral, em todo o grupo que nos acompanhou, o que nos dá segurança de afirmar que as viagens pedagógicas, quando bem planejadas, favorecem trocas e reflexões, são estratégias de desenvolvimento profissional bastante potentes.

E, para que nossos leitores possam identificar isso no relato de quem participou, apresentamos aqui o link do lindo, sensível e reflexivo depoimento de uma das participantes que, certamente, fala por todos nós. Ela é Adriana Cury Sonnewend, uma das diretoras da Escola Santi, que participa ativamente do ZDP − programa de formação continuada oferecida pelo Centro de Formação.

Adriana fez um relato da programação de quase todos os dias da viagem. Vale a pena a leitura!