Convivendo para aprender a conviver

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Por Vania Marincek

Nessas primeiras semanas de aula, em todo o Fundamental 1, os alunos puderam participar de propostas que mesclavam as diferentes turmas em parcerias e grupos, para o trabalho e para a promoção de novas aprendizagens dos mais diversos conteúdos.

O trabalho em parceria e com diferentes agrupamentos, potencializando, assim, as aprendizagens, é, sem dúvida alguma, um dos mais importantes princípios para garantir o atendimento a toda a diversidade expressa por cada aluno na escola e, por isso, está presente em todas as ações planejadas com as crianças ao longo de sua escolaridade.

Sabemos que o simples agrupamento dos alunos não basta para garantir a interação, a interlocução e a aprendizagem. Por esse motivo, ao planejar o trabalho que será realizado, os professores planejam também os agrupamentos e todas as variáveis que contribuirão para o avanço dessa aprendizagem.

Variáveis que vão desde conhecer as representações dos alunos sobre o que se quer ensinar, definir os avanços que se querem promover nessas representações e planejar as parcerias, considerando se os alunos que estão interagindo podem contribuir uns com os outros, até prever situações em que, nas parcerias, para responder as tarefas, os alunos precisem explicitar o que pensaram, defender suas soluções, convencer os parceiros e se deixarem ser convencidos.

Do ponto de vista das aprendizagens relativas ao convívio nas situações de trabalhos em grupo, estes ajudam a configurar o espaço social como um espaço de aprendizagem. Ao trabalhar em parceria, os alunos aprendem a se posicionar, a respeitar as escolhas dos demais, a entender que suas ideias nem sempre são aceitas, enfim, exercitam o convívio. Mas, assim como na aprendizagem dos demais conteúdos, é preciso haver uma ação do professor, que os ajudará a aprender melhores formas de se relacionar.

Aprender a conviver, conhecer os novos colegas, sentir-se pertinente a um grupo, esses foram os principais objetivos das situações que foram planejadas pelos professores para serem encaminhadas em diferentes momentos do dia, integrando alunos de diferentes turmas, em cada uma de nossas unidades.

Aconteceu de tudo! Jogos simbólicos, como os de cabeleireiro ou sorveteria, e, nesse caso, as próprias crianças fizeram os sorvetes e brincaram de vendê-los e comprá-los; situações de elaboração de jogos para serem partilhados com colegas de outras turmas e séries; jogos coletivos; desenhos coletivos; enfim, uma diversidade de propostas que permitiram às crianças se conhecerem melhor, trocarem repertórios e aprenderem um pouco mais sobre a “difícil arte do convívio”.

Agrupamentos na Educação Infantil

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Por Daniela Munerato

A Educação Infantil é feita de encontros. E, para proporcionar bons encontros, precisamos de ambientes convidativos e possibilidades para escolhas. Trataremos aqui das condições e das considerações que temos acerca do valor dos agrupamentos, pensados à luz da primeira etapa da vida escolar de crianças pequenas.

Os agrupamentos estão presentes em nosso cotidiano e, a partir deles, conseguimos que as crianças interajam em contextos diversos, ora com todo o seu grupo, ora em dupla, grupos pequenos, configurações que as desafiam a ocupar diferentes posições, refletindo um trabalho de grupo em constante movimento.

Entendemos que é a partir do outro que as crianças conseguem perceber-se, “dar-se conta” de si mesmas, e isso acontece necessariamente quando se deparam a enfrentar problemas para os quais é essencial trabalhar com outros. A oportunidade de confrontar pensamentos é fundamental, pois as diferenças geram o conflito necessário para a reorganização e a elaboração de novas ideias.

Assim, novas parcerias, o reconhecimento do outro, a curiosidade pelo novo, a tomada de consciência daquilo que se torna seu, encontra terreno fértil quando os espaços favorecem configurações grupais diferenciadas em função da natureza dos desafios propostos.

Nesse contexto, o trabalho em grupo tem grande valor. Os agrupamentos podem ser planejados sob diferentes critérios, a depender do objetivo do professor. Como um caleidoscópio, com tonalidades e combinações possíveis. Assim são quartetos, trios, duplas que trabalham juntos, e são ora escolhidos pelo professor a partir de observações individuais, ora formados pelas próprias crianças, a depender da situação. As mesmas peças podem montar diferentes cenários e, através de cada um, descobrirmos novas possibilidades.

Um ambiente de trabalho flexível favorece essa diversidade, espaços nos comunicam expectativas de ação e possibilidades de movimentação. Uma sala com muitas peças de vidro delicadas nos faz pensar em cuidado; uma organização de cadeiras como um cinema nos faz pensar em silêncio para uma apresentação. Na escola, uma sala espaçosa, com móveis leves que possam ser transportados e montados de diferentes formas, revela a intenção das trocas, do movimento, da interação.

A partir de todas estas ideias, reiteramos o quanto o planejamento do professor, a gestão do tempo e a modificação do espaço são peças chave que contribuem para um cenário favorecedor de aprendizagens e da constituição de grupo, considerando a diversidade, o espaço de cada um e o desafio de conviver.

O valor da interação na formação dos alunos

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Por Fernanda Flores

Na Educação Infantil, estar junto é sinônimo de interagir? A essa pergunta, nossa resposta é certa: não necessariamente…

Interagir demanda contextos propícios: espaços, tempo e intencionalidade por parte daqueles que mediam relações entre crianças. Acreditamos que alunos e professores ganham em muitos aspectos quando a interação entre turmas é planejada tanto para promoção de situações nas quais o brincar rege as relações, quanto naquelas em que outros desafios se colocam.

Sabemos que é na interação que ocorrem trocas fundamentais entre os sujeitos, quando cada envolvido num grupo precisa explicitar suas vontades ou pensamentos, ouvir de outros suas necessidades e entrar em acordos, os quais, muitas vezes, dependem da crescente capacidade de dialogar e da mediação de outros, colegas ou adultos.

Investigações realizadas nas últimas décadas¹ evidenciam o quanto as relações entre crianças podem incidir de maneira decisiva nas formas pelas quais adquirem habilidades e destrezas sociais, avançam na capacidade de considerar outros pontos de vista, em como aprendem e se socializam em geral.

Para além das interações que ocorrem entre turmas em brincadeiras coletivas no parque, por exemplo, os ateliês de arte e as rodas de história podem reunir duas ou mais turmas, num contexto de trabalho planejado para intercâmbio entre os pequenos, mediado pelos professores.

Nessas situações, observamos o quanto a circulação e a troca de repertório entre as crianças se amplia, com comentários de uns em relação às produções dos outros, muitas vezes para ver como um colega estava fazendo seu trabalho ou mesmo para se inspirar a partir de uma ideia que lhe chamou atenção. Percebemos, sobretudo, a disponibilidade de experimentar estar ao lado de colegas que não os de seu grupo de referência, constituindo parcerias inusitadas.

A interação, que compõe a essência do convívio em grupo, pode ser assim ampliada em função de decisões que a equipe de professores toma, relacionadas à frequência e às formas de aproximação e vivência que uma ou mais turmas podem fruir por um determinado período de tempo. É, nesse sentido, que a disponibilidade de espaços que favoreçam mais e mais interações nos parece tão importante.

¹ COLL, César; PALÁCIOS, Jesus; MARCHESI, Alvaro (comps.), Desenvolvimento Psicológico e Educação vol.2: Psicologia da Educação escolar. Porto Alegre, Ed. Artmed, 1995.

Espaços como reflexo de uma concepção pedagógica

Por Fernanda Flores

Alunos e familiares, professores e funcionários da unidade Morumbi, acompanharam, desde o mês de novembro passado, uma importante reforma no bloco no qual ficam classes de Educação Infantil e 1ºs anos.

Uma reforma, via de regra, procura atender uma demanda de melhoria de espaços, buscando soluções interessantes segundo algumas necessidades definidas. Entendemos, em se tratando de uma instituição escolar, que os espaços traduzem referências e concepções de um modelo pedagógico, comunicando o que se almeja para seus integrantes.

Assim, o desafio de conceber novos ambientes revela a busca de uma equipe pela constante adequação de seus espaços ao modelo pedagógico que a define. Listamos, a seguir, o que para nós, da Vila, é emblemático na concepção de ambientes de aprendizagem:

Flexibilidade – um espaço que permita flexibilidade ao professor, dispondo de recursos que possibilitem a montagem de diversas configurações que respondam adequadamente à natureza das situações que se pretendem potencializar. Aqui, como exemplo, há o diferencial do mobiliário especialmente pensado para as turmas dos primeiros anos, que oferece leveza e plasticidade de formas na composição dos grupos de trabalho.

Inversões – um espaço no qual todas as paredes comportam anotações, referências, listas, murais, lousas, projeções, sendo usadas ao tempo da necessidade do trabalho, desmitificando a centralidade do local do professor como sempre à frente, com toda a turma organizada numa mesma direção.

Interações – um espaço que possibilite aos professores trabalharem com mais de uma turma ao mesmo tempo, sem paredes fixas entre as salas, e sim divisórias móveis, que permitem novas opções e dimensões à sala de aula.

Integração – um espaço que preza pela transparência, unindo ambiente interno e externo, conectando as pessoas da escola, inundando de luz e verde nossas salas.

Acessibilidade – um espaço que considera os deslocamentos de todos os seus usuários, ajustado para que independam do adulto, tenham ao alcance materiais de uso comum, indispensáveis ao dia a dia escolar, e sejam corresponsáveis pelos seus usos.

Essa reforma inaugura nova etapa que reflete a maturidade de nosso projeto, pelo qual, pouco a pouco, pretendemos alterar salas que já temos, na constante busca de externar, também nos ambientes de trabalho, princípios tão fundamentais para a Escola da Vila.

Nos próximos textos que publicaremos essa semana, retomaremos a centralidade de dois princípios decisivos e norteadores das escolhas aqui tratadas: o valor da interação na formação dos estudantes e o papel dos diferentes agrupamentos nas aprendizagens pretendidas.

O professor formador, o formador professor

14_02_2013
Laís,  na Programação de Verão 2014

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Por Laís Pereira de Oliveira

A maior parte dos formadores do Centro de Formação da Escola da Vila atua, assim como eu, nas ações de formação de professores e é docente nas classes da escola. Isso porque essas atuações, que se complementam, possibilitam muita reflexão e formação.

A sala de aula é um espaço valorizado por nós. É nela que o professor se forma, e é para ela que essa formação se dá. Nós, que atuamos no Centro de Formação, fazemos da prática da sala de aula o nosso objeto de estudo. Nesse espaço nos formamos professores e, progressivamente, formadores de outros professores.

A ação e a reflexão permitem ao professor tornar-se cada vez mais autor de seu trabalho. Nesse processo, somos convocados a atuar e a refletir sobre nossa atuação em muitas situações: participando de um simpósio interno, de supervisões e de reuniões pedagógicas, produzindo diários reflexivos, discutindo questões com a orientação e/ou com a equipe, entre outras. Desta forma, ao longo do tempo, conseguimos ver o trabalho de sala de aula com outro olhar, de outro lugar. Do lugar daquele que, apesar de estar imerso em sua própria atividade , realiza reflexões mais abrangentes, mais críticas, e consegue contextualizar e generalizar suas práticas. Passamos, então, a olhar para o próprio trabalho de sala de aula selecionando situações que também permitam a outros profissionais boas reflexões sobre o trabalho docente. Assim, um formador vai se constituindo. Pode compartilhar saberes e apresentar tematizações que levem outros profissionais a refletir sobre suas próprias práticas. Ou seja: pode colaborar com a aprendizagem daqueles que atuam na própria escola ou em outras instituições.

Agora, sob outro ponto de vista, realizar ações de formação de professores e continuar atuando na escola contribui, também, para o aprimoramento da prática pedagógica. Isso porque o professor se torna melhor na medida em que reflete sobre esse espaço e sobre suas práticas e vivências, nas ações de formação de outros professores. É o movimento constante entre ação, reflexão e discussão que está no centro do trabalho e que enriquece nossa formação.

E, assim, se constitui um professor formador, formador professor.

Sonhos científicos

12_02_2014
Clique na foto para acessar o álbum do flickr

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Por Celina Moraes

A cultura científica pode ser compreendida como parte do acervo cultural que queremos trazer para nossos alunos. Assim como a área de Artes, a das Ciências é um campo fértil de criação e geração de conhecimento, cada qual com suas especificidades. E, assim como buscamos integrar os alunos à vida cultural artística de nossa cidade, as visitas a museus e mostras científicas trazem oportunidades de contato com a cultura científica num âmbito maior.

Nessa perspectiva, no início de dezembro do ano passado, a área de Ciências Naturais e o setor Vila Cultural promoveram uma visita à Mostra Paulista de Ciências e Engenharia (MOP) no espaço Catavento, no Parque D. Pedro. Esse evento, promovido pela Escola Politécnica da USP, apresenta uma seleção de projetos investigativos realizados por estudantes do ensino básico (a partir do 8º ano) e técnico de todo o estado de São Paulo.

A mostra objetiva estimular a pesquisa científica entre os estudantes da educação básica, incentivar o empreendedorismo, a criatividade e o espírito investigativo e, ainda, promover a convivência e a troca de informações entre estudantes de escolas públicas e particulares, e membros da comunidade acadêmica.

Nesse dia, pudemos conhecer de perto os trabalhos selecionados e conversar com seus autores para saber como foi o percurso de criação e desenvolvimento dos projetos. Além do interesse de nossos alunos por conhecer os projetos expostos na mostra, observamos grande entusiasmo de muitos deles em pensar seus próprios projetos investigativos e mais, em imaginar propostas que tenham algum tipo de impacto social e ambiental. Eles sonham com a diminuição de gás carbônico na atmosfera, com processos para repor o ozônio destruído, com formas mais baratas e ambientalmente menos impactantes de fazer funcionar um carro ou uma casa, com tecnologias que ajudem idosos ou portadores de deficiências, enfim… sonham em fazer um mundo melhor e diferente.  E não é essa justamente uma das finalidades mais significativas da escola?

Nossa meta é intensificar a frequência desse tipo de iniciativa na escola: ampliar a agenda de visitas a exposições de ciência e viabilizar a participação dos alunos que desejarem enviar projetos para esses encontros.  Planejamos abrir novos espaços voltados ao desenvolvimento de projetos de investigação, tanto nas propostas em sala de aula como, num futuro próximo, em espaços extracurriculares, voltados a fomentar o interesse pelo âmbito da produção científica.

O impacto da visita à MOP pode ser conferido nos depoimentos registrados pelos alunos participantes em um fórum aberto no AVA, reproduzidos a seguir.

FÓRUM SOBRE A VISITA À MOP 

A MOP foi totalmente inovadora, com ideias originais e úteis, e outras já pensadas, mas não postas em prática. Os trabalhos que mais me chamaram a atenção foram: o do trilho magnético, que pode mudar o curso da evolução dos transportes e gerar novos conceitos sobre o magnetismo e o consumo de energia; e a borracha sintética da Jaqueira, que pode estabilizar ou frear o desmatamento. A participação dos alunos foi variada, mas ativa, com alguns resumos mais detalhados e outros mais tímidos. Grande parte dos projetos é muito futurista, como o projeto do trilho magnético, que pode desenvolver metrôs extremamente econômicos em energia, ou alguns outros projetos, que também promovem a economia de energia, ou resolver problemas psicológicos da sociedade, da tecnologia ou dos deficientes.
Vinicius Silva Fernandes Kuhlmann

A MOP foi uma exposição extremamente enriquecedora. Muitos trabalhos nos chamaram a atenção. Para mim, foram: o trabalho do Grasspaper, o papel feito de fibra de grama; o de um semáforo que produz energia pela passagem dos carros sobre um mecanismo, fazendo o produto funcionar; o de um semáforo para cegos, que vibrava quando havia automóveis passando na rua; e, por fim, um de casas emergenciais, preparadas com antecedência, feitas de materiais recicláveis.
Alguns alunos estavam mais descontraídos do que outros, e alguns finalistas ainda tinham problemas para contar todas as informações para pessoas mais novas. O que mostrou, para mim, que um trabalho bom deve ter integrantes que saibam contar sobre seu projeto para todas as idades (o que foi ainda mais enriquecedor para todos nós).
Ou seja: me interessei muito por produtos feitos de materiais reciclados ou que mantêm a ideia de sustentabilidade. Planejo produzir algo com essa ideia (principalmente de produção de energia solar mais barata) para a MOP do ano que vem, sendo que me despertou tamanho interesse!
Beatriz Queiroz de Carvalho

Eu adorei a visita à MOP, pois lá pude apreciar completamente individuais e originais trabalhos. Isso serviu de inspiração para mim, pois quando eu era bem pequeno eu brincava de construir robôs colando meus brinquedos uns nos outros com fita-crepe, mas sempre com minhas ideias e sem [muita] ajuda, muito semelhante ao do pessoal da feira de ciências. Com esta inspiração eu espero dar continuidade aos meus sonhos de infância (own). Já trouxe meus projetos para a escola e consegui a possibilidade de tornar minhas ideias realidade. Obrigado à MOP e a todos os seus participantes, por possibilitar coisas que nunca pensei que fossem possíveis.
Pedro Sader Azevedo

A MOP tinha vários projetos diferentes, mas alguns não haviam sido feitos, eram apenas projetos e outros eram teorias, não eram nem projetos.
Um projeto que me chamou a atenção foi o que usava a energia das auroras para uso doméstico, usando clorofila. Outro que me chamou muito a atenção foi o Grasspaper, que usava a grama para fazer papel, que poderia ser usado em cadernos e outros usos do papel normal, mas ainda estava em desenvolvimento e não havia sido concluído.
Muitos desses projetos haviam sido focados na sustentabilidade e na economia, tanto de energia quanto de dinheiro, já que eles usavam, principalmente, materiais baratos e naturais ou biodegradáveis.
Antonio Andrade Garcia

Eu achei a mostra muito interessante e a ideia de criar esses projetos… muito legal. O projeto que mais me chamou a atenção foi o de criar semáforos, que quando estão fechados vibram, mostrando aos cegos que não podem passar. Em minha opinião, essa ideia poderia ser utilizada no futuro, pois além de ajudar muitos cegos, ela não teria um custo alto. A participação dos alunos finalistas foi ótima, contando que muitos tinham projetos complexos, difíceis de serem explicados.
Nina Ayumi Okamoto Marroquini

A visita à MOP foi uma experiência muito interessante. Tivemos contato com projetos inovadores, desenvolvidos por alunos, e isso foi, para mim, muito importante. Pudemos observar o empenho deles, o planejamento que tiveram de elaborar. Muitos dos alunos conseguiram expressar as ideias muito bem, outros nem tanto, mas todos superaram, com certeza, vários obstáculos para chegar aonde estão. Realmente, todos foram fonte de grande inspiração para todos os visitantes!
Os trabalhos que me chamaram bastante a atenção foram: os de Grasspaper, e do semáforo, desenvolvido especialmente para que pessoas cegas atravessassem a rua com mais facilidade.
O Grasspaper foi um tipo de papel produzido a partir de grama, cuja produção não causa tanto impacto ambiental. É um papel “natural”, que evita usar muitos componentes químicos.
Já o do semáforo era a ideia de um grupo que planejava desenvolver um sinal que emitia ondas de vibração. Quando o pedestre com falta de visão encostasse no aparelho e este estivesse emitindo essas ondas, é porque a pessoa não pode atravessar a rua, já que o sinal está vermelho. Se parasse de vibrar, é porque o sinal está verde, então a passagem está liberada. É uma boa alternativa para substituir os semáforos sonoros, já que estes podem poluir “sonoramente” o ambiente e incomodar outras pessoas.
A feira também foi interessante, pois nos fez pensar em alguns projetos possíveis. Atualmente, não formei nenhuma ideia ou proposta, mas quem sabe algo que envolva sustentabilidade ou meio ambiente, ou talvez algo que ajudasse pessoas com alguma dificuldade fosse interessante para eu pensar no futuro…
Enfim, acho que a ida à MOP deve ser uma atividade incentivada pela escola, por ser muito divertida e importante conhecer um pouco desse “mundo”. Tenho certeza de que ela inspirou vários alunos! Obrigada por tudo!
Nicole El Murr

Na minha opinião, a visita à MOP foi essencial para o nosso aprendizado. Gostei muito da exposição. Consegui ver que pessoas da nossa idade conseguem fazer um trabalho incrível, que contribui para nossa sociedade, criando diversos profissionais, que nunca pensei que seria possível. Com isso, fiquei motivada e animada para fazer algo parecido no ano que vem. Com a exposição descobri que gosto muito de engenharia e que gostaria de conhecer mais sobre essa área.
Gabriela Jannini Sawaya Oliveira

A MOP estava bem interessante, com muitos projetos legais e criativos. Os trabalhos que envolvem tecnologia foram os que mais me interessaram, por exemplo, o poste para cegos, ônibus ecológicos etc. Ideias que realmente ajudariam a sociedade, e isso eu achei muito legal.
Lia Morena Furquim

Eu achei a MOP uma experiência muito interessante. Parece com as feiras de ciências que vemos nos filmes americanos. Os melhores projetos, para mim, eram os que tinham um objetivo interessante, como os aparelhos de ajuda a cegos. Eu tive algumas ideias, mas ainda não vou divulgar =)
Rodrigo Grosbaum Pencak

De adaptação e encantamentos

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Por Fernanda Flores

Acompanhar pequenos que passam a frequentar uma nova escola, pela primeira vez, sempre oferece bons temas para reflexão.

Fazia anos que eu não permanecia parte da tarde apoiando uma turma de Grupo 1 em adaptação. E estar ali, novamente, entre crianças que estão a conhecer a escola, novos colegas de convívio quando ainda pouco sabem uns dos outros, foi intenso.

Naquela terra de gente se conhecendo, as reações das crianças são as mais diversas − há aquelas que seguem as novas professoras em tudo que propõem, as que querem desbravar o espaço, as que querem objetos que parecem sempre estar com um outro, as que preferem o conforto do colo conhecido, entre tantos outros quereres…

Cada uma a seu jeito demanda do professor uma ação singular, que reconhece o tempo individual, que acolhe e confia. Assim, não podemos nos esquecer de que essa primeira relação é feita essencialmente por intermédio do professor, e é estabelecida a partir dele. Apesar de haver um conjunto de objetos de mediação, é o professor quem as terá de cativar e criar um espaço verdadeiro de interação.

A voz ritmada, os enredos, a repetição e o reencontro são algumas das marcas da arte de fazer encantar de cada um dos professores. Seja pela voz, pelo olhar, pelo gesto, cabe ter uma grande disponibilidade para o outro, uma grande capacidade de se expor e ter escuta, e uma grande generosidade.

O desafio para todos: não ter pressa. Ou seja, a seu tempo e a seu modo, cada criança passa a se encantar com a escola, representada especialmente por seus professores, sua sala de aulas e arredores, reconhecendo-a como local seguro, espaço de descobertas, explorações e encontros dos quais deseja fazer parte.

Duas faces de uma mesma moeda.

  • Professores da Vila na Programação de Verão 2014 Professores da Vila na Programação de Verão 2014
  • Professores da Vila na Programação de Verão 2014 Professores da Vila na Programação de Verão 2014
  • Professores da Vila na Programação de Verão 2014 Professores da Vila na Programação de Verão 2014
  • Professores da Vila na Programação de Verão 2014 Professores da Vila na Programação de Verão 2014
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  • Professores da Vila na Programação de Verão 2014 Professores da Vila na Programação de Verão 2014
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  • Professores da Vila na Programação de Verão 2014 Professores da Vila na Programação de Verão 2014
  • Professores da Vila na Programação de Verão 2014 Professores da Vila na Programação de Verão 2014


Por Zélia Cavalcanti

Os profissionais da Escola da Vila são inquietos, estão sempre envolvidos em novos desafios, em diferentes propostas de trabalho e formação. E isso não é por acaso: faz parte do DNA da Escola da Vila, que, como muita gente sabe, desde sua fundação, é ao mesmo tempo uma escola e um centro de formação para sua própria equipe e para profissionais de outras instituições.

Quem chega para trabalhar na Vila fica logo sabendo que Escola e Centro de Formação são frentes de trabalho inseparáveis, alinhadas em processos de intensa integração entre o atendimento às necessidades de formação interna, o trabalho que essa formação produz nas classes, a reflexão sobre a qualidade da atividade docente, e o planejamento de ações que promovam a socialização para profissionais de outras instituições, de boas experiências pedagógicas.

Na convivência diária, em pouco tempo, aprende-se que as reuniões de equipe, as supervisões de didáticas específicas e as assessorias para projetos realizadas por profissionais externos, somadas aos cursos, aos grupos de estudo, seminários, congressos em que cada um se envolve, perdem sentido se deixarem de promover a ampliação da qualidade da ação docente, tanto nas salas de aula da escola quanto nas atividades de formação oferecidas pelo Centro de Formação.

Como consequência, tem sido quase natural que, no percurso de integração ao trabalho de equipe na Escola da Vila, o desafio de ser também professor-formador interno e em atividades do Centro, poder comunicar a outros o conhecimento pedagógico que vem construindo, passe a fazer parte das aspirações de nossos profissionais.

No entanto, à medida que o professor ganha experiência em atividades de formação, o papel que elas exercem em sua vida profissional se modifica: deixam de ser um lugar em que põem em jogo suas condições docentes para o compartilhamento de saberes pedagógicos para se transformar em um espaço de aprendizagem; isso porque as questões advindas da formação inicial dos profissionais envolvidos − os questionamentos surgidos em cada atividade formativa que realiza −, passam a funcionar como bons indicadores dos aspectos de seu conhecimento pedagógico e de procedimentos de formação, que precisam ser ampliados e aperfeiçoados. Ou seja: ao mesmo tempo em que influenciam o desenvolvimento profissional de outros professores, seu próprio desenvolvimento profissional é também influenciado pelas necessidades e questões trazidas por aqueles que forma.

Por isso, nossos professores são sempre incentivados e apoiados em seu desejo de somar à docência nas classes da escola a atuação como formadores do Centro que, com sua programação ampla e diversificada, contribui para que os benefícios das atividades que organiza cheguem às nossas e a outras classes, aos nossos e a outros profissionais.

Amar, verbo incondicional

9788535923209
Clique na imagem para assistir ao vídeo sobre o livro

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Por Susane Lancman Sarfatti

Permitam-me iniciar minha participação no blog da Escola da Vila de 2014 com uma indicação literária. Afinal, as férias trazem essa possibilidade de termos mais tempo para leitura de fruição… o mais puro deleite.

Dentre os livros lidos, um deles foi mais impactante, mas só percebi isso quando, na volta das férias, me vi compartilhando trechos com todos aqueles que passavam à minha frente. Tudo me remetia a algum aspecto do livro: a elaboração do plano de estudo de biologia do 2º ano na parte de genética; a discussão sobre ética na ciência com os alunos do 1º ano; a reunião com os orientadores sobre as crises da adolescência; as conversas em família e com amigos sobre a nossa própria crise, como pais, tentando acertar na educação de nossos filhos. Enfim, esse livro conta diferentes jornadas de pais na aventura de amar seus filhos, em que aprendem a função de serem pais justamente com aqueles a quem precisam educar.

Filhos… filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?

Vinicius de Moraes no “Poema Enjoadinho” inicia com uma pergunta: “Filhos… filhos?”. E faz uma afirmativa contundente: está lá a exclamação que não nos deixa dúvida: “Melhor não tê-los!”. Mas logo no verso seguinte questiona a sua afirmativa com outra pergunta bastante conhecida: “Mas se não os temos/Como sabê-lo?”.

O poeta se permitiu o benefício da dúvida, mesmo que ao longo do poema essa se reduza consideravelmente, a ponto de convencer a qualquer indeciso de plantão a beleza da procriação.

Esse mesmo poeta é categórico ao afirmar: “Que me perdoem as feias, mas beleza é fundamental”. Então, o que sentir e fazer quando nos deparamos com a “feiura” de nossos filhos? Com atitudes ou doenças que nos causam pavor? É possível amá-los incondicionalmente? É possível conviver tão de perto com a imperfeição quando vivemos em plena era da busca pela perfeição? É possível amar nossos frutos, quando caíram tão longe da árvore?

O autor do livro Longe da árvore − Pais, filhos e a busca da identidade, Andrew Solomon, nos convida a adentrar em um mundo de famílias que tiveram filhos que nasceram ou apresentaram em seu desenvolvimento algum tipo radical de diferença em relação a seus pais: nanismo, esquizofrenia, criminosos, autismo, síndromes, pródigos… Quer dizer: filhos que contradizem o ditado popular “tal pai, tal filho”, afinal, caíram longe da árvore.

Solomon separa a identidade dos filhos em duas categorias: a vertical, que é transmitida pelos pais, e a horizontal, que aderimos com nossos pares, que nos define por nossa própria conta e risco, sem nada dever à arvore da qual caímos.

A sensação durante a leitura de cada capítulo que versa sobre um tipo de identidade horizontal é a mesma de viajar a países desconhecidos com costumes peculiares. O autor nos conduz a essas viagens, não como o turista que olha de longe e não vive a terra, ao contrário, ele nos coloca lado a lado com os habitantes, suas vozes, suas histórias e participamos tão ativamente que, em certos momentos, me senti também cidadã de lá.

Algumas das passagens mais perturbadoras do livro tratam de Sue e Tom Klebold, pais de Dylan, um dos dois responsáveis pelo massacre de Columbine, em 1999. Ser pai ou mãe de um criminoso parece um desafio impossível, até conhecer esses pais. Como olhar para o filho e não ver só o crime?

A cada viagem surgem novas questões: Como entender a opção de pais surdos de querer filhos surdos porque percebem na surdez sua identidade? Como entender a mulher cega que diz que deseja ter visão tanto quanto ter uma par de asas? Como não reduzir uma filha à sua síndrome? Como aceitar as limitações impostas por uma deficiência? Como olhar para além da altura do filho anão? O que fazer quando um filho suplica ser chamado por um nome feminino porque sente que nasceu em um corpo errado?

A cada capítulo o autor traz novas contribuições para refletirmos sobre o que é deficiência e o que é identidade; oferece dilemas morais que nos instigam intelectualmente, mas mais do que isso, nos faz sentir intensamente algumas questões morais; apresenta dilemas éticos criados pelas novas tecnologias de análise e manipulação genética insolúveis.

Mas, acima de tudo, apesar da dureza do assunto, o autor nos mostra beleza: a enorme capacidade de amar, um imenso altruísmo, uma gigantesca resiliência e, sobretudo, a diversidade humana contada em prosa, quase poética. Vivi, nas mais de oitocentas páginas, o amor incondicional.

“Mas vocês não corrigem os erros?” “O professor não exige que o aluno acerte a lição?”

03_02_2014

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Por Vania Marincek

Essas perguntas, e muitas outras, dessa mesma natureza, surgem sempre nas reuniões de pais, especialmente quando tratamos da Lição de Casa. E estiveram em pauta novamente, nesse início de ano, nas primeiras reuniões de pais do Fundamental 1 .

Respondendo à primeira questão: corrigimos, sim, todas as lições dos alunos, mas usamos diferentes procedimentos de correção, que estão pautados na visão que temos sobre o lugar do erro na aprendizagem, e isso define também a forma como fazemos uso da Lição de Casa em nosso projeto, diferentemente da habitual, que a utiliza apenas para que os alunos demonstrem o que já aprenderam.

Aqui na Escola da Vila, ao planejar uma nova proposta para seus alunos, o professor não só se pauta nas condições de aprendizagem listadas em nosso primeiro post do ano, mas se orienta também pela convicção de que o erro é parte importante do processo de aprendizagem. Para aprender é preciso pensar sobre o que se quer conhecer. É preciso elaborar hipóteses, checá-las, incorporá-las ou rechaçá-las, enfim, é necessário haver muita atividade intelectual até se chegar à compreensão do conteúdo e, para isso, é preciso que quem esteja  aprendendo se sinta livre para poder pensar. Não pensar o que é esperado, porque é esperado que pense, mas sim, buscar internamente, naquilo que já conhece, recursos que ajudem a atribuir sentido ao novo que lhe é apresentado.

O erro, portanto, faz parte do processo de aprendizagem. Em sala de aula é importante que haja espaço para que apareça e, ao contrário do que possa parecer, em sua maioria, os erros não são aleatórios e pessoais, mas são comuns e já conhecidos dos professores em virtude da natureza de cada conteúdo e das condições de aprendizagem dos alunos em cada etapa da escolaridade. É assim nas atividades feitas em sala e também nas propostas para casa.

Um bom exemplo desse tipo de erro é o da criança que está aprendendo sobre os números. Nessa primeira semana, em quase todas as turmas de início do Fundamenta1, as professoras fizeram ditados, em que os alunos deveriam escrever os números ditados. É comum e esperado que muitas crianças escrevam os números de forma aditiva, como se fala, e o número 250, nessa lógica, se transforma em 20050. Está errado? Do ponto de vista formal, sim. Do ponto de vista do percurso de aprendizagem nos explicita que a criança está pensando sobre o sistema de numeração decimal, e o caminho que já percorreu. Ela está pensando sobre a representação dos números, se deu conta de que segue uma escrita aditiva – duzentos e cinquenta – e busca representar essa conclusão.

Esse é um erro muito bem construído e pensado, e não será a correção do adulto em casa ou na escola que transformará a forma de pensar das crianças. Será preciso haver intervenções em sala de aula, especialmente para que a criança consiga se distanciar de sua forma de pensar, e insistimos, com a qual ela está muito satisfeita porque foi resultado de sua reflexão. Para esse tipo de aprendizagem, a “correção” da lição exige mais do que um visto do professor e, portanto, não será direta e imediata. Acontecerá ao longo das ações planejadas pelo professor para que os alunos aprendam e a discussão em sala, a partir das respostas certas e erradas dos alunos, é apenas a primeira delas. Os erros nos dão pistas importantes para entender o percurso de aprendizagem de cada aluno e considerá-los nas discussões em sala traz aos alunos a possibilidade de refletir sobre seu percurso e de avançar na compreensão do conteúdo que está aprendendo.

É importante ressaltar que sabemos que existem também erros que não são conceituais, nas situações em que o que está em jogo é o aluno acessar conhecimentos já trabalhados, discutidos e reconstruídos por ele e, nesses casos, o professor fará a correção mais pontual e mais parecida com a prática escolar comum. Como exemplo, podemos pensar no ensino da multiplicação. Se os alunos estão sistematicamente pensando sobre as ideias que envolvem essa operação, se já puderam buscar regularidades nas diferentes tabuadas, se já pensaram sobre a conta armada, será esperado que  acertem as contas que são pedidas nos problemas ou nas  lições. E, aí sim, essas tarefas serão corrigidas da forma tradicional.

Quanto à segunda pergunta do post, nessas situações o professor exige, sim, que os alunos acertem a lição.

A correção da Lição de Casa, portanto, é um momento muito valorizado em nosso projeto, porque também está a serviço de promover aprendizagens. Por isso, cuidamos dessas correções, diferenciando o momento da aprendizagem dos diferentes conteúdos e as possibilidades das crianças nas situações em que apenas estão reapresentando o que já aprenderam.