As Ciências Sociais na Educação Infantil

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Por Daniela Munerato

A observação de um carrinho de madeira feito manualmente por um carpinteiro, um brinquedo que vem de uma fábrica, um jogo criado por uma comunidade, totalmente relacionado à sua cultura, de brinquedos que existem desde a época de nossos avós e permanecem muito apreciados até hoje, e outros, que somente fazem parte das memórias de infância.  Com o propósito “brinquedos” estamos nos referindo às Ciências Sociais se conseguirmos abordar essas questões como favorecedoras de reflexões.

O olhar para o brinquedo pode conter diversas facetas, como fruto de um trabalho, de uma época, de um modo de vida, de um conhecimento de gerações que vai muito além do brincar, mas que possibilita a construção de representações de um tempo histórico e de um sujeito social.

As crianças chegam à escola com muitos conhecimentos sobre a realidade social. Mas como converter este ambiente em objeto de conhecimento? O foco do ensino desta área está em ampliar o olhar dos alunos sobre o ambiente em que vivem, seu próprio cotidiano. As crianças, inseridas em seus pensamentos, próprios da idade, consideram que os objetos sempre existiram e sempre foram iguais, naturalizando o mundo social. Nosso movimento precisa ser justamente contrário: o que existe passa por um processo.

Isto posto, planejamos situações-problemas que levam em conta os conhecimentos dos alunos e, ao mesmo tempo, os desafiam a olhar para o ambiente social de forma mais rica e complexa. Portanto, as atividades devem ser variadas, envolvendo os alunos com as questões que estão sendo investigadas por meio da observação, leitura de imagens, saídas, de entrevistas com diferentes informantes, observação de objetos, da busca de informação em livros e revistas etc.

A escola é lugar de participação e integração, um âmbito privilegiado para a ampliação das possibilidades do desenvolvimento social, cultural e da cidadania. É lugar em que os avós das crianças de três anos de idade podem contar suas histórias sobre brinquedos, brincadeiras e como era ser criança num tempo diferente, sem fantasias, de personagens e computadores. Ou das crianças de cinco anos de idade compreenderem que a infância não é igual quando se vive na cidade ou numa tribo indígena, por exemplo, com brincadeiras, brinquedos e rotinas peculiares. Em um movimento de seguir pensando sobre a história que construímos a cada dia, num contexto muito maior do que nossos pequenos aprendizes conseguem imaginar a sociedade.

Crônica: gênero desafiante para alunos do 1º ano do EM

16_10_2013

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Por Angela Kim Arahata e Maíra Carmo Marquez

No final de 2011, teve destaque na imprensa a notícia da compra de lixo hospitalar americano por uma empresa brasileira que utilizava o material para confeccionar forros de bolso. Alguns dias depois, Antonio Prata, cronista da Folha de S. Paulo, publicou um texto sobre este tema. Veja como ele começa:

“Sei que no escândalo do lixo hospitalar americano eu deveria me surpreender é com os lençóis sujos de sangue, que por caminhos escusos vieram dar aqui nestes costados. Acontece que nós, os cronistas, somos uns sujeitos meio zarolhos, como essas crianças que tiram o carrinho da caixa e passam a brincar, entusiasmadas, com a caixa. Pois me chamou menos atenção a origem criminosa dos lençóis do que o seu particularíssimo destino: virar forro de bolso, no ‘Império do Forro de Bolso’”.

Como podemos observar, a crônica é um gênero literário muito ligado ao jornal, sobre os temas mais diversos, desde fatos corriqueiros até grandes acontecimentos. E o cronista é aquele que tem um olhar “meio zarolho”, que olha para as coisas de modo enviesado e cortante. Por isso, apesar de mergulhado no presente, se distancia dos fatos para narrá-los e olhá-los com outros olhos.

O objeto de estudos do 1º trimestre do 1º ano é a crônica. É esse gênero literário que une as três frentes de trabalho de LPL: o estudo da literatura, a produção de textos e a reflexão sobre a língua. Durante este período, nos debruçamos sobre diversas crônicas, tanto para analisá-las como para escrevê-las. Durante esse percurso, os alunos colocaram óculos coloridos para ver o mundo.

Convidamos você a experimentar estes óculos, conhecendo alguns textos produzidos por nossos alunos.

Boa leitura!

Janelas – Ana Clara Pamplona

O Beco - Bruno Giovanolli

Manual de sobrevivência para o centro de São Paulo - Joana Reis Frazão

O violinista - Mariana Piteri Duarte

Pensamentos ao vento - Marina Yazbek Mourão

(Sem título) - Miguel Breyton Silva

Homenagem ao Dia do Professor: uma piada para rir e refletir

15_10_2013

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Por Susane Lancman Sarfatti

A piada não é nova, aparentemente um pouco indelicada e meu forte nunca foi ser piadista. Apesar disso tudo, me atrevo na delicada empreitada de contar a piada, justamente em homenagem ao Dia do Professor.

Dois coordenadores pedagógicos conversam, quando um pergunta ao outro:

- Você sabe a diferença entre os professores de Educação Infantil, 1° ao 5° ano, 6° ao 9° e Ensino Médio?

O colega pensa e diz:

- Não. Qual é?

O coordenador que fez a pergunta, com ar sério e compenetrado, responde:

- O professor de Educação Infantil adora crianças. O professor de 1° ao 5° ano adora ensinar qualquer matéria. O professor de 6° ao 9° adora sua disciplina. E o professor de Ensino Médio adora a si mesmo.

Achei essa piada ótima desde a primeira vez que ouvi, principalmente porque provocou reflexões acerca das competências dos professores.

O alvo, a vítima dela, é fácil de notar: o professor de Ensino Médio, que, como costumam dizer os alunos, “se acha”. Isso parece ser um defeito a ser gozado, então a intenção da piada é ser jocoso com os professores desse segmento.

É claro que não escrevi essa piada aqui para humilhar ou ridicularizar esses professores. Longe disso, queria despertar uma reflexão sobre os estereótipos dos docentes dos diferentes segmentos. Afinal, ninguém sai ileso dessa piada.

Vejamos: a caricatura de quem atua no Ensino Médio como aquele que se acha superior aos demais e que adora ser a atenção dos alunos pode parecer negativa, mas não é bem assim. Sem dúvida, um bom professor precisa valorizar seu conhecimento e seu trabalho – sem desmerecer os alunos, é claro. E isso deve acontecer da Educação Infantil ao Ensino Superior.

Quanto aos professores de outros segmentos:

- Será que o docente da Educação Infantil, que adora tanto seus alunos, deixa de notar a sua própria importância?

- E o que atua nos anos iniciais do Fundamental – que adora ensinar qualquer coisa – percebe o desafio, quase impossível,  de lecionar bem todas as disciplinas?

- E o professor dos anos finais, será que acha que sua disciplina explica melhor as grandes questões da humanidade?

Enfim, a piada nos possibilita refletir e criticar nossa realidade, coloca o dedo em nossas feridas e abre uma oportunidade para começarmos a transformá-la. Em resumo, ela aponta quatro qualidades fundamentais para ser um bom professor.

1) Adorar  alunos, protegendo-os da violência e conhecendo as características da faixa etária, tal como o professor de Educação Infantil.

2) Adorar ensinar, envolvendo as crianças e os jovens em suas aprendizagens, desenvolvendo o senso de responsabilidade, solidariedade e justiça, acreditando na educabilidade de todos os alunos e  administrando a heterogeneidade da classe, tal como o professor de 1º ao 5º ano.

3) Adorar sua disciplina, conhecendo os conteúdos e traduzindo-os em objetivos de aprendizagem, sabendo a didática de cada área, trabalhando a partir das representações e dos erros dos alunos, avaliando os avanços da turma e ajustando seu ensino, tal como o professor de 6º ao 9º ano.

4) Adorar a si mesmo, valorizando seu conhecimento e sua profissão, tal como o professor de Ensino Médio.

Parabéns para nós, professores, por fazermos diferença na vida de nossos alunos!

O que vale em um concurso literário?

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Por Vicente Régis

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A arte é a magia libertada da mentira de ser verdadeira
Theodore Adorno

Está chegando a segunda edição da Vila Literária. Este é um evento de celebração da literatura, da poesia, da metáfora e da arte. Momento de celebração da coragem de se jogar em uma produção artística que revela um pouco mais do que somos, de nosso imaginário. Momento de entrar em contato com artistas que fazem do ato de inventar, escrever e contar histórias, recitar poemas ou criar oficinas seu principal caminho no mundo. Momento de celebração da literatura como linguagem que nos constrói, nos diverte, nos emociona e nos informa.

Além das oficinas, exposição de trabalhos de ilustradores, intervenções artísticas, poemas recitados em vídeo pela comunidade escolar, palquinho da poesia e uma feira de troca de livros, teremos a Premiação do II Concurso Literário, concurso este que contou com a participação de 83 alunos do 2º ao 5º ano do Fundamental 1.

O corpo de jurados foi formado por profissionais e pais da escola que trabalham na área de literatura. Nossos sinceros agradecimentos a Fernando Carneiro e Ilan Breman – escritores e pais de alunos, Aline Evangelista Martins – coordenadora da área de Língua Portuguesa do Fundamental 2, Fernanda Perez – coordenadora da Biblioteca Tatiana Belinky, Fernando Santos – coordenador da Biblioteca José Mindlin, Paula Lisboa e Marcos Panontin – auxiliares de biblioteca da escola e Angela Kim, Maíra Marquez, Luiza Moraes, Fabiana Carneiro e Natália Zuccala – professoras de Língua Portuguesa da nossa escola.

De todos os participantes, 24 trabalhos foram selecionados como destaques. Desses, seis foram selecionados para serem interpretados pelo Grupo de Teatro do Ensino Médio. Lembramos que a cerimônia da premiação contará, ainda, com a participação de um coral formado pelos alunos dos 5ºs anos.

É inegável que este concurso, assim como qualquer outro, seleciona os premiados e dá destaque para alguns alunos. Entretanto, será que isso é o mais importante? Ou será que o real ganho com um concurso como este está em estimular a produção literária dentro da escola?

Ficamos com a segunda opção. Acreditamos que os grandes ganhadores deste concurso são os 83 alunos que participaram e os muitos outros que ainda participarão das próximas edições. Isso porque escrever um texto para um concurso é uma atividade bastante potente para o desenvolvimento da escrita e da nossa habilidade de inventar narrativas e afins, que complementa a formação literária feita em sala de aula, quer-se ganhe o concurso ou não. Quando as crianças se atiram em uma tarefa como esta, faz-se necessário lançar mão de muitas das competências desenvolvidas em anos de processos relacionados ao ato de escrever. E isso vale muito mais do que a seleção dos destaques.

Abaixo, os nomes de todos os participantes desta edição. Palmas para eles!

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Notícias do curso online “Uma abordagem estética para a análise de obras infantojuvenis”

11_10_2013

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Por Aline Evangelista Martins

A escolha de livros de literatura que são adotados ou indicados nas rodas de biblioteca é uma das grandes responsabilidades do professor. Muitos fatores entram em jogo e interferem na seleção: os interesses dos alunos, as experiências de leitura que desejamos proporcionar, as aprendizagens literárias pretendidas, a diversidade de gêneros, o equilíbrio entre a literatura contemporânea e os grandes clássicos e, evidentemente, a qualidade dos títulos.

Mas, afinal, em que consiste a qualidade literária? Que referencial teórico o professor pode levar em conta para analisar e criticar os livros? O curso “Uma abordagem estética para a análise de obras infantojuvenis” tem como objetivo acolher essas questões e oferecer percursos de estudo que  possibilitem a construção de respostas para elas.

Ao longo de todo o curso, os participantes atuam como críticos: leem materiais teóricos e consideram as contribuições dos autores para analisar e valorar narrativas infantojuvenis. Devido ao constante diálogo entre os alunos, a formadora e a teoria, as análises vão se tornando cada vez mais consistentes e interessantes e o grupo vai se configurando como uma comunidade de críticos que leem, analisam, valoram, fundamentam, questionam…

E o mais curioso é que o grupo é formado por 29 pessoas, que se encontram em 14 cidades diferentes! Cada um em seu espaço, e dentro dos limites de seu tempo, entra no ambiente virtual, para estudar e discutir os conteúdos. Em um de nossos fóruns, vemos, por exemplo, uma professora de Campo Grande que tem seu depoimento comentado por uma colega de São Paulo; este segundo comentário logo é discutido pela colega de Santos! Por outro lado, há participantes que trabalham na mesma escola, encontram-se pessoalmente todos os dias e, eventualmente, nesses encontros, comentam os textos lidos e as tarefas realizadas, mas têm como sala de aula o mesmo espaço virtual frequentado por quem está a milhares de quilômetros.

Se, por um lado, essa modalidade oferece muitas facilidades, sobretudo relacionadas à possibilidade de administrar o tempo e de dissolver as barreiras que o espaço impõe, por outro, é preciso bastante dedicação às leituras e às atividades semanais. Cada um dá a sua contribuição para as discussões coletivas e para os trabalhos em grupo e, nessa trama criada mediante a contribuição de todos, os estudos literários avançam, a reflexão sobre literatura infantojuvenil se amplia e se aprofunda e todos ganhamos, tanto pelos conhecimentos relacionados ao tema do curso, quanto pela possibilidade de experimentar novas formas de viabilizar a construção compartilhada de conhecimento, algo que está no centro das nossas preocupações como educadores.

Celebrando a amizade: a viagem de formatura!

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Clique na foto para visualizar o album completo.

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Por Angela De Crescenzo

O fim é sempre um novo começo!

O dia da  formatura é um dia especial, mas é UM DIA. Já o processo de formatura tem a duração de um ano inteiro e seu maior objetivo é apoiar os alunos neste momento de passagem. Passagem de segmento, passagem da infância à juventude.

Assim, um projeto importante que acontece nos 9ºs anos é o “projeto de formatura”, que engloba muitas ações: eleger uma comissão, discutir as etapas do processo em reuniões e assembleias, arrecadar dinheiro com a venda de doces e bolos no horário do parque, a organização de jogos interclasses e de festas na escola para os alunos menores, organizar a colação de grau e planejar a tão esperada viagem de formatura.

É um pressuposto deste trabalho que todos os alunos se sintam incluídos e tomem decisões durante o processo, quer dizer, é importante que se sintam responsáveis pelo próprio processo de formatura. Apesar de o grupo da comissão ter um papel preponderante, todos devem se sentir protagonistas do projeto, escolhendo, decidindo, planejando, executando e avaliando, colocando-se como corresponsáveis pelo sucesso ou insucesso das diversas ações que acontecem ao longo do ano.

A viagem é parte desse projeto maior e, portanto, não é somente um simples passeio. São muitas as aprendizagens, relacionadas ao conhecimento prático de como organizar um evento deste tipo e ao convívio com os outros. É preciso aprender a tomar decisões em equipe e a se responsabilizar de forma coletiva, a aceitar as decisões da maioria e perceber os limites da própria escola, assim como os dos adultos que estão acompanhando. Sem dúvida, é o momento de comemorar e se emocionar com o fim de um período, fazer planos e imaginar o futuro.

Neste ano, o local escolhido pelos alunos foi o Hotel Campo dos Sonhos, em Socorro, no interior de São Paulo. Estivemos juntos no local durante alguns dias. Piscina, futebol, vôlei, arborismo, rapel, tirolesa, balada, boiacross, dentre outras atividades, fizeram parte desses nossos dias deliciosos.

A viagem foi uma grande celebração da amizade, dos momentos vividos ao longo de um ciclo da vida de nossos adolescentes. Foram muitos abraços, beijos, lágrimas e risadas. Muita emoção!

Alguns depoimentos:

“Achei que a viagem foi excelente. O Hotel tinha uma área externa muito ampla e com diversas atividades para participarmos, como tirolesa, arborismo, pedalinhos, quadras, piscina, saunas, etc… Tinha uma equipe sempre de bom humor, muito preparada, que estava disposta a nos dar a liberdade tão esperada para uma viagem de formatura.

Mas ainda acho que o que mais nos uniu foi o sentimento de grupo e de últimos dias juntos, antes de mudar as classes no colegial. Saímos de lá com um aperto no peito, mas com uma sensação de que fizemos tudo que podíamos para aproveitar todos os últimos segundos como 9º A e como 9ºs anos”.
Matias Ursini Nobel, 9º A

“A vigem como um todo foi ótima. Acho que uma característica muito marcante que difere dos trabalhos de campo e que foi muito presente em nossos dias lá em Socorro é que nos é concedida muita liberdade para escolher o que fazer. Tínhamos muito tempo livre e uma variedade de atividades enorme. Além disso, os monitores, tanto os da Venturas quanto os do próprio hotel, eram incríveis, muito queridos e dispostos.

A última noite foi simplesmente maravilhosa. Os vídeos foram muito legais, e todo mundo ficou emocionado, assim como com a atividade dos balões e com os fogos, que fizeram um encerramento perfeito.”
Isabela Roncato, 9º A

“No início, eu estava com certas dúvidas sobre a viagem. O 9º ano D era um grupo muito dividido, com várias brigas internas e conflitos. Estava em dúvida se a viagem seria proveitosa para o grupo. E posso dizer que fiquei muito feliz de estar errado em relação a essas dúvidas. Posso dizer que fiquei muito feliz em ver um grupo que desde o sexto ano tinha muitos conflitos; todos reunidos, alguns chorando, alguns sorrindo… Na verdade, acho que fiquei feliz por perceber que fiz parte desse grupo, não somente do 9º D, mas sim do 9º ano de 2013.”
Fernando Friedlander, 9º D

“Foi um momento especial. Tenho certeza que esses quatro dias vão ficar comigo por toda a minha vida. Nessa viagem, eu percebi que o tempo passa, e as coisas acabam. Nós criamos um momento em que finalizamos um ciclo, um ciclo incrível que todos do 9º ano participaram. Tal ciclo durou quatro anos e, tenho certeza absoluta, marcou maravilhosamente a vida de todos. A viagem nos proporcionou um momento que, com certeza, foi um dos melhores, senão o melhor, em que todos percebemos a união que compartilhamos.”
Gabriela Shapazian, 9º D

“As melhores coisas acontecem quando menos estamos esperando…
E foi assim, tudo uma surpresa, inesperado. Antes dessa viagem, eu não entendia seu propósito, achava estranha (quatro dias sem fazer nada), mas é muito mais. Além de aumentar o contato com os outros, aumenta o seu contato consigo mesmo. Você se percebe, se sente crescendo e vê seu passado ficando cada vez mais longe, e seu futuro, por sua vez, cada vez mais perto. Todos os dias foram incríveis, mas o último foi um dos melhores de toda a minha vida, com certeza! Não houve falsidade, todos se abraçando, dizendo coisas sinceras, pois, de certo modo, naquele momento estávamos todos ligados de alguma forma! Era um momento inacreditável, quase 90 alunos reunidos em círculo num campo de futebol, cada um com um balão colorido, cheio de gás hélio, e eles iam subindo, como se fossem nossas expectativas para o futuro, crescendo, prestes a acontecer. E todos os sentimentos ao mesmo tempo, à flor da pele. É uma confusão; você não sabe se ri, se chora… Você se acha bobo, se pergunta várias vezes por que continua chorando, se vê abraçando pessoas que sempre teve implicância, mas naquele momento todas as brigas, discussões e besteiras ficam muito pequenas. Depois dessa viagem, adquiri muito aprendizado e dou muito mais valor a todos os meus amigos e à sorte que tenho.”
Alice Marincek, 9º C

Inglês nos primeiros anos do Fundamental I: o papel das experiências culturais no aprendizado da língua.

Por Juliana M. Lima e Gabriela M. Galindo

São muitas as relações entre uma determinada cultura, seus costumes e a constituição do que denominamos linguagem. Na apropriação do inglês como língua estrangeira, procuramos, em todas as situações escolares, equilibrar o desenvolvimento das quatro habilidades linguísticas: speaking, listening, reading e writing, considerando indissociável do processo de ensino e aprendizagem os múltiplos aspectos de imersão cultural necessários, a nosso ver, para uma apropriação realmente significativa da segunda língua.

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Vygotsky considera a linguagem como uma mediadora das relações entre os indivíduos e o mundo, possibilitando a organização do pensamento. A existência de símbolos e conceitos amplia a capacidade de representação da realidade e permite múltiplas relações entre os mesmos, auxiliando a construção de processos mentais mais complexos. Ora, se todos esses processos nascem da linguagem, que é um elemento essencialmente cultural, o que melhor do que apresentar representantes autênticos da cultura para promover e sustentar o interesse dos alunos no idioma?

Além de ampliar o repertório a respeito de outras realidades, lançar mão de manifestações da cultura na sala de aula propicia um contexto no qual o idioma pode ser usado de forma significativa e apropriada. Investimos em situações de convívio nas quais as crianças possam desenvolver seus conhecimentos sobre os valores e tradições das pessoas que falam inglês como língua materna. Assim, ao estabelecermos uma conexão mais real com o aprendizado da língua inglesa, percebemos os alunos mais motivados, usando o inglês de forma espontânea, mesmo fora do horário da aula.

1ºs anos
No primeiro ano do Fundamental 1, são realizadas atividades habituais com repertório genuíno de Nursery Rhymes, Clapping Hands Rhymes e Outside Games. Ao brincarem, por exemplo, de London Brigde, os alunos conhecem um pouco mais sobre esse famoso local histórico de Londres (A Ponte de Londres) e aprendem uma brincadeira cantada por crianças de todo o mundo. Outros games que agora também fazem parte do repertório das crianças são: A Sailor Went To Sea, One Potato, Snake in the Grass e Chinese Whispers.

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 O Humpty Dumpty, tradicional personagem do universo anglófono, também fez parte das aulas de inglês. Essa rima, conhecida mundialmente, foi usada como parlenda em várias atividades e seu significado passou a ser conhecido pelas crianças ao verem filmes e ouvirem histórias. O mesmo aconteceu com outras rhymes, como: Baa Baa Black Sheep; One, two, buckle my shoe; Hickory Dickory Dock e Eeny meeny miny moe.

2ºs anos
No segundo ano, o foco das atividades habituais está em poemas e músicas em inglês. Neste ano, escolhemos trabalhar com os poemas do autor norte-americano Shel Silverstein e as músicas do grupo britânico Coldplay, o que promoveu conversas sobre diversos elementos da língua e cultura desses dois países.

Ainda que tenhamos escolhido algumas músicas já conhecidas, o intuito deste contato não era simplesmente memorizar a letra e nem tampouco sua tradução literal. Porém, ensinar as letras e dar a conhecer seu significado mudou o sentido que essas músicas faziam para os alunos, tornando-os mais motivados pela compreensão do que diziam ao cantá-las. Os poemas também favorecem esta relação (atribuição de sentido x envolvimento) pelo tipo de ilustração que apresentam, facilitando a compreensão da linguagem utilizada, sem a necessidade de apoiar-se no português.

Pensando na formação cultural mais ampla dos estudantes, alguns projetos que se destacam são: Wizard of Oz, Fun and Games, Fairy Tales e Fables. Por meio deles, os alunos têm contato com clássicos do cinema e da literatura, card and board games – nos quais o uso do inglês é imprescindível.

Nosso objetivo é colaborar na formação de um falante que compreende o significado da língua e do mundo que é construído por meio dela, tendo possibilidades de interagir de forma mais “equipada”, estabelecendo uma conexão íntima com a língua. Dada a importância da cultura e as possibilidades de ampliação de conhecimentos que ela proporciona, estamos constantemente atentos para garantir esse “enredamento” durante as aulas de inglês.

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Simpósio 2013: mais um desafio instigante!

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Por Fernanda Flores

No último sábado, dia 28 de setembro, tivemos a abertura do Simpósio Interno da Escola da Vila. Como parte de nossa história contamos com a apresentação de setenta trabalhos de professores que atuam da Educação Infantil ao Ensino Médio — divididos em 21 mesas temáticas –, com apresentações que se estendem a mais duas reuniões pedagógicas, até o dia 8 de outubro.

A cada ano, a equipe técnica elege um aspecto central e instigante sobre o qual nos debruçamos. Na sequência, compartilhamos o texto da coordenadora de Fundamental II, Ivone Domingues, ao nos apresentar o desafio deste ano:

Em 2013, escolhemos como tema norteador dos nossos estudos para aperfeiçoamento do projeto pedagógico da escola as variadas interações que podemos proporcionar em aula visando a criar contextos mais potentes, aspectos relacionados à diferenciação das aprendizagens e aos ajustes no ensino.

Nosso objetivo é aproveitar a oportunidade do Simpósio, em que todos se dedicam a usar a escrita como ferramenta de reflexão e sistematização do saber construído no dia a dia, na prática de sala de aula, para compartilhar conhecimentos relativos ao desenvolvimento de propostas sistemáticas mais ajustadas às demandas específicas dos alunos, integrando-os aos debates em aula, e buscando potencializar ao máximo a interação entre pares e com o professor. Esperamos, com isso, contribuir da melhor forma possível para que os alunos possam ir além da execução das tarefas, e que se responsabilizem pela própria aprendizagem, assim como pela construção coletiva dos conhecimentos do seu grupo classe.

Um dos nossos maiores desafios é não perder de vista que, para o desenvolvimento dessa responsabilidade, os alunos precisam participar da identificação das suas reais necessidades, pois, ao fim e ao cabo, essas ajudas ajustadas precisam incidir na sua capacidade de estudar, tanto sozinhos como em grupos, e para saber estudar é necessário identificar as próprias demandas, o que se sabe e o que falta saber.”

Estamos em clima efervescente na escola, debatendo ideias, discutindo opções didáticas, propostas, inovações e nos aproximando mais das maneiras de pensar o trabalho em segmentos que não compõem nosso dia a dia de trabalho. Enfim, consolidando novamente, e também na equipe de professores, alguns dos princípios centrais de nosso projeto pedagógico: a autonomia e a cooperação intelectual.

As ciências no vaivém das ondas

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Por Ana Cristina Almeida e Divino Marroquini

A viagem do 2º ano do Ensino Médio a São Sebastião e Ilhabela nos levou a quatro dias de intenso trabalho em campo. Parece pouco tempo, mas a variedade de experimentos e vivências que tivemos foi incrível. Aproximar adolescentes do trabalho de investigação em Ciências Naturais é um desafio, mas o tema é tão instigante que o tempo passou voando, e queríamos ficar mais.

O trabalho de campo no litoral é a peça-chave do Projeto Integrado desta série, que conjuga conhecimentos de diversas disciplinas e áreas, tais como a Biologia, a Física, a Química, a Geografia, a Sociologia, a Matemática e a Língua Portuguesa. Neste Projeto, os alunos estudam, ampliam e aplicam tais conhecimentos, com a finalidade de mapear uma região litorânea, partindo das características naturais e humanas deste litoral, quanto ao risco de sofrer um derramamento de petróleo e quanto ao grau de sensibilidade frente às consequências deste acidente. Um mapa semelhante, denominado Carta SAO (Carta de Sensibilidade ao Óleo), é um registro produzido e efetivamente utilizado por órgãos públicos e empresas privadas envolvidas em atividades marinhas, portuárias, petroleiras e ambientais, pois indica as prioridades nas ações de proteção e limpeza de regiões que podem ser atingidas por manchas de petróleo. As alunas Helena Manásia e Júlia Leite (2º A) consideram que: “A viagem possibilitou estudar a Ciência, que tanto vemos em sala de aula, de forma prática (…). Em um primeiro momento, a proposta nos pareceu semelhante às aulas cotidianas, no entanto ela se revelou muito interessante e importante para compreender uma questão muito problemática.”.

Distribuídos em três grupos, os alunos se alternaram nas atividades de coleta e tratamento de dados. Várias das técnicas de coleta usadas em campo foram simuladas e exercitadas na escola antes mesmo da viagem, possibilitando aos alunos maior autonomia nas situações de trabalho real. No campo, um grupo visitava as praias, onde tomava amostras de areia, media a inclinação do solo, a altura e frequência das ondas e o teor de coliformes fecais na água; outro grupo, em embarcação, registrava dados da corrente marinha, direção e velocidade do vento, temperatura, densidade e salinidade da água em diferentes profundidades, além de coletar amostras de água para análise química posterior; o terceiro grupo levantava dados sobre a biodiversidade da região, seja no trabalho de observação e medidas da fauna e flora em manguezais, seja na classificação e medidas de organismos coletados em uma pesca. Nos dois dias seguintes, os grupos de alunos fizeram um revezamento nas atividades, de forma que todos realizassem os procedimentos, porém cada vez em locais diferentes, propiciando um conjunto de dados mais amplo. Sobre essa rotina de trabalho, o aluno Bernardo Ballardin (2º A) nos diz que: “Ouvindo relatos de alunos que fizeram a viagem no ano anterior, concluí que esse novo revezamento foi muito importante para expandir as aprendizagens que a viagem proporcionou para todas as áreas que estavam presentes.”.

O trabalho não se restringiu a tomadas de dados nas praias ou no mar, pois entender a complexa cadeia de consequências dos impactos dos derrames de petróleo requer que os alunos se aproximem de aspectos humanos, tal como a relação homem-natureza presente na exploração da pesca, do turismo e do extrativismo ou as relações sociais de conflito e negociação que as diversas atividades implicam. Além de conhecer o comportamento da natureza e suas maiores fragilidades, em caso de acidente, a carta SAO quer avaliar e indicar as prioridades de ação. Por isso, saber o que pode acontecer com as pessoas que moram nesses lugares se torna fundamental. Nesse intuito, foram promovidas entrevistas e debates com representantes da Secretaria de Turismo, da Secretaria do Meio Ambiente, do Instituto Ilhabela Sustentável, da Colônia de Pesca Z-14 e do Porto de São Sebastião. Fomos, ainda, ouvir moradores, comerciantes, pescadores, turistas e depreender daí a percepção dos riscos e o grau de mobilização social em casos de acidentes. Não por acaso, André Baffini (2º B) afirma que: “As inúmeras atividades propostas aos grupos, junto à liberdade que foi concedida aos alunos, tornaram essa viagem muito interessante e marcante, apesar de muito intensa.”.

Nas etapas de fechamento do trabalho, depois dos estudos mais técnicos envolvidos na redação do relatório de campo e da elaboração das cartas geográficas, os alunos encenarão um debate simulando uma reunião de todos os representantes locais que foram entrevistados durante o trabalho, frente a um acidente. Perceber como a vida de cada um pode ser impactada, qual é a melhor ação para mitigar os efeitos, quanto tempo a região impactada necessita para se recuperar… Estas são perguntas que queremos ver debatidas.

Essa região que conhecemos e visitamos com tanta frequência merece toda a nossa atenção, e conhecer a sua fragilidade nos coloca em um papel muito importante, o papel de questionar as ações tomadas ou ajudar a reforçar as atitudes que mobilizam a população. Matheus Mazzocato (2º B) avalia que: “A proposta de expansão do universo escolar propicia a familiarização ao método de trabalho do campo científico, mas, sobretudo, amplia as fronteiras da sala de aula, possibilitando ao aluno uma formação cívica, atenta e respeitosa quanto às questões socioambientais que permeiam o mundo atual”.

Compartilhar, cuidar e aprender: a convivência entre grandes e pequenos

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Por Elis Maria Sanchez Coelho – Professora do Grupo 2
Fábio Menezes – Professor de Educação Física do Ensino Médio
Washington Nunes – Coordenador de Esportes

Quando qualquer pessoa fala sobre atividade física, logo vem à cabeça correr, jogar e suar! Essa primeira lembrança, muito embora correta, não revela outros objetivos que a Educação Física estimula ao longo da escolaridade, e um deles é o convívio social.

Em uma única aula de Educação Física, os alunos interagem com diferentes formações, de tal forma que, ao final de uma aula, realizaram atividades em duplas, trios, quartetos e grupos maiores, fazendo com que o convívio aconteça com quase todos os integrantes de uma sala.

Essa relação em aulas de Educação Física acontece, quase sempre, com alunos da mesma faixa etária, porém, existe um projeto para as aulas de Educação Física do Ensino Médio no qual os alunos “grandes” têm um encontro e compartilham atividades com os “pequenos” da Educação Infantil. É essa experiência que queremos relatar agora.

Antes de acontecer o encontro com os pequenos, o professor Fábio orientou os alunos do Ensino Médio sobre algumas intervenções ao ensinar, abordar e discutir a aprendizagem de atividades de cordas e cantigas, cama de gato e jogos de tabuleiro, como peteleco e jogo do fusca. Também fez algumas observações sobre o comportamento dos pequenos e como ter “jogo de cintura” nos momentos em que uma atividade não estivesse acontecendo como o planejado.

Já os pequenos foram preparados pela professora Elis. Segundo ela: “Com as crianças do Grupo 2, a primeira etapa foi apresentar e aproximar o professor Fábio. Contei sobre ele ser meu colega e professor da escola, e também sobre o projeto. Marcamos no calendário da turma quando seria o dia tão especial de receber a visita dos alunos do Ensino Médio, que desde o começo foram apelidados de ‘alunos grandões’ (maior que a Elis). O dia era esperado com muita expectativa. Sempre questionavam quantos dias faltavam.”.

O encontro aconteceu essa semana, e constatamos que os alunos menores tiveram uma grande receptividade, um bom senso de organização para as práticas e um grande engajamento nas atividades. A aproximação foi rápida e tranquila. Montamos grupos para facilitar a interação e a participação e decidimos que as crianças menores seriam responsáveis por levar os tutores grandes para conhecer a sala do Grupo 2 e o pátio onde brincam todos os dias, que foi o espaço planejado para a realização da tutoria.

Já os alunos maiores foram extremamente empenhados, cuidadosos e respeitaram o tempo de aprendizagem dos pequenos.

Pensando na possibilidade de estimularmos essa convivência, os objetivos foram plenamente alcançados e, ao término das práticas, conversamos com os alunos para saber suas impressões sobre esta experiência.

Alunos do Ensino Médio:

- Luiza: ”Estava ansiosa e animada para ter contato com os pequenos”.

- Ana: “Gostei muito da atividade. As crianças interagiram e responderam bem. Só fiquei preocupada com a segurança durante a atividade de pular corda”.

- Mariana: “Estava com medo de as crianças fazerem birra e de se machucarem. Percebi que temos que fazer um bom planejamento detalhado, pois, se elas percebem que você está ‘perdida’, ficam inquietas”.

- Rafael: “Tive que fazer umas adaptações para que o jogo se desenvolvesse. Procurei não complicar as coisas e percebi que criança não é tão difícil, e elas se envolveram bastante. Foi gratificante”.

- Julia: “A organização inicial foi um pouco difícil, mas, depois que elas entenderam, foi muito legal, e as crianças estavam animadas. Também procurei perguntar o nome de todas, para criar vínculo”.

- Pedro: “Foi legal. Foi difícil. As crianças tiveram um pouco de dificuldade em aprender cama de gato”.

- João: “Percebi que temos que ter paciência, porque as crianças não aprendem na hora”.

- Sofie: “Fiquei nervosa e com muita expectativa. Percebi que, quando damos algum incentivo como forma de motivação, as crianças se empenham mais”.

Alunos do Grupo 2:

- Mariana: “Eu gostei bastante. As meninas grandes eram muito bonitas e me ensinaram a jogar o jogo de peteleco”.

- Caio: “Eu gostei muito do jogo do fusca e do jogo de peteleco. Eu até ganhei de um aluno grandão do Ensino Médio”.

- Henrique: “O jogo do fusca é super legal porque tem carros. No jogo do fusca eu empatei”.

- Eduardo: “Era muito legal que a cobrinha ficava brava e tinha que pular muito alto”.

- Lara: “Para pular a corda eu ia para bem longe e corria, pulando mais alto de todos”.

- Vinícius: “Eu gostei bastante da cobrinha, porque na primeira vez eu não pulei, mas, depois que eu vi meus amigos correndo, eu corri para pular. E, na outra vez, pulei, dando uma estrelinha igual da capoeira”.

- João Felipe: “Eu adorei, porque na corda eu pulei até 19 (vezes). É muitão”.

Acreditamos que este tipo de atividade contribua muito com as relações interpessoais, aumentando a tolerância e a percepção. A inversão de papéis e a troca de experiências contribuem para que os alunos mais velhos possam refletir sobre seus próprios comportamentos e atitudes, e os mais novos possam ampliar o olhar para a escola e também para a relação com “os grandes”.

Dava para ver na feição das crianças que elas estavam muito à vontade e curtindo cada instante! Todos os dias elas ainda perguntam quando os encontrarão novamente. Foi uma tarde muito especial!

É assim que pensamos a convivência. É assim que fazemos esporte na Vila!