Formação de professores na cidade de Jundiaí

Por Jerusa Messina

No dia 20 de outubro, estivemos em Jundiaí, no Colégio Paulo Freire, para o Seminário Itinerante. Vinte alunas chegaram para o curso “As linguagens da arte na Educação Infantil e no Fundamental I”, entusiasmadas e cheias de vontade de aprender e trocar experiências. A proposta geral para o encontro era promover um passeio por algumas linguagens – desenho, colagem, pintura e escultura – e refletir sobre como essas linguagens podem ser trabalhadas na Educação Infantil e no Ensino Fundamental I.

Iniciamos lendo e discutindo trechos de textos em que artistas apresentam o modo como compreendem e praticam seu próprio percurso criador. Forma muito legítima, como disse uma das alunas, de pensar sobre o fazer artístico. Foi possível, a partir das leituras e dos comentários, observarmos as características fundamentais, as aproximações e diferenças entre as linguagens estudadas.

Num segundo momento, conversamos sobre a importância de se passar pela experiência daquilo que pretendemos ensinar. E, em se tratando do ensino de arte, o quão fundamental é conhecer na prática as possibilidades oferecidas pelos vários materiais, suportes e linguagens, para curtir junto e conduzir os alunos. Muitas das alunas reconheceram a dificuldade que têm em se permitir alguns momentos dessa experiência.

A etapa seguinte do trabalho foi reservada, então, para uma atividade bem prática: o pátio da escola foi transformado em ateliê de arte, onde cada uma das quatro grandes mesas oferecia recursos para o uso de uma linguagem diferente – desenho de observação, de memória, de imaginação; colagem com recortes de revista e papéis coloridos; modelagem em argila somada a palitos e barbantes; escultura efêmera com madeira. Como num circuito, as alunas iam passando pelas estações, buscando vivenciar e extrair novas possibilidades, sensações e ideias.

Ao final da terceira etapa, apreciamos os resultados e compartilhamos o que tinha sido mais forte na experiência de cada uma. Algumas alunas se mostraram surpresas com suas próprias produções, descobrindo em si mesmas novas capacidades; outras resgataram e ressignificaram conflitos vivenciados em proposições aos seus alunos; enfim, muitos relatos emocionados vieram à tona.

Então, chegou o momento tão esperado por todas: a apresentação de projetos realizados em arte na Escola da Vila na Educação Infantil e no Fundamental I. Depois de terem vivido e trocado suas percepções em ateliê, a apreciação das imagens de atividades desenvolvidas com os alunos da Vila acabou servindo a elas como referência, de forma mais significativa. Era esse o retorno que as professoras traziam em seus comentários e o que demonstraram nos breves planejamentos de atividades que fizeram na última parte do curso.

As professoras se despediram com sorriso no rosto, com a sensação de estarem levando uma rica bagagem para casa; gratas pelo curso, como sempre – muitas disseram – e já esperando pela próxima oportunidade.

Temas transversais da formação escolar, em inglês!

Por Sandra Baumel Durazzo – coordenação de línguas estrangeiras, F2 e EM

Meio ambiente, reciclagem, direitos humanos, direitos da criança e do adolescente, inclusão, distribuição social de recursos naturais ao redor do mundo, contrastes culturais… O que todos esses temas têm em comum? Eles fazem parte de uma série de aulas ministradas aos alunos da Escola da Vila durante todo o ensino fundamental. Até aí, nada de novo. São temas atuais, parte importante da formação de cidadãos críticos, pensantes, que possuem informações para se posicionar frente a questões relevantes do mundo globalizado de hoje.

A grande sacada é que essas aulas são ministradas em inglês! Fazem parte de um projeto que visa ampliar a proficiência no idioma estrangeiro, além de abordar questões como as listadas acima. A informação é fornecida por convidados, que vêm fazer palestras ou ser entrevistados pelos alunos, artigos de jornais eletrônicos publicados ao redor do mundo ou sites de organizações internacionais, como a ONU. Já foram recebidos diretores de ONGs como a Casa Filadélfia, especialistas em áreas específicas como inclusão de deficientes, além de uma palestra, que foi ministrada por representantes da secretaria de educação de Londres à direção da Escola da Vila, quando eles nos visitaram, em 2008, e que reproduzimos para os alunos desde então.

Os professores de inglês são os maestros desse estudo, que promove situações de leitura, escrita, audição e fala, criando, assim, uma vivência nova para os alunos. A maior frequência dos encontros, recomendação dos especialistas em aprendizado de línguas estrangeiras, é outro dos benefícios trazidos por este curso.

Com certeza é uma iniciativa inovadora, que tem dado bons resultados. A premissa por trás do sucesso é de que inglês, assim como qualquer idioma, se aprende com a experiência. Quanto mais rica essa experiência, tanto do ponto de vista da forma quanto do conteúdo (tema), melhor!

Por trás da cena – sobre a preparação para o 9º Festival de Poesia

Por Luisa Furman e Vicente Régis – Coordenação do Setor Cultural

Este foi o 9º Festival de Poesia da Escola da Vila, mas, para nós, do Setor Cultural, foi o primeiro.

Ansiedade, frio na barriga, nervosismo, expectativa! Muitas perguntas vinham à cabeça quando planejávamos o evento: Vai dar tudo certo? Lembramos de tudo? Os alunos virão? A chuva vai arruinar o cenário? Os palcos estão na altura adequada? Os cartazes pedindo silêncio serão entendidos?

As reuniões foram inúmeras; os checklists, infinitos. Tivemos até noites mal dormidas, com receio de ter esquecido algum elemento importante. Quando reunimos todas as informações dos concursos de poesia escrita e falada, estava lá: mais de 60 inscritos para o concurso de poesia falada, mais de 150 poemas escritos. Vai acontecer!

E então o dia do festival chegou. Planejado, mas surpreendente. Detalhado, mas inusitado. Racionalizado, mas emocionante. Os alunos subiram ao palco e começaram a declamar. Cada declamação teve seu momento, seu cuidado. Abrimos o festival com o grupo de percussão formado pelos alunos do 3º ano do EM, que criou composições para os poemas declamados pelo aluno (e poeta!) Jonas Worcman. Tivemos, então, a Categoria A, composta por alunos do 6º ao 8º ano, depois a Categoria C, composta por ex-alunos, pais e funcionários. Em seguida, tivemos o Grupo de Teatro do EM, apresentando o esquete “Conversação Sinfonieta”, de Jean Tardieu. Para terminar, pudemos assistir às declamações da Categoria B, formadas pelos alunos de 9º ao 3º ano. Terminamos com a declamação de dois trechos de “Morte e Vida Severina”, realizada em conjunto por parte dos alunos do 3º ano do EM.

Escrevemos para contar que tudo isso não surgiu de um passe de mágica. Por trás das cenas mais emocionantes do evento, houve um sem número de atividades, ações, propostas e trabalhos organizados e viabilizados por diversos membros da equipe da escola, o que favoreceu a preparação dos alunos. É inevitável destacar o trabalho de conquista diária para a palavra poética feito pela Equipe de Língua Portuguesa, desvendando os múltiplos sentidos do texto literário e investigando os produtores deste gênero tão importante para a formação do ser humano.

O Setor Cultural também planejou muitas atividades com o intuito de sensibilizar, preparar e motivar os alunos para o Festival, buscando estabelecer relações entre a poesia e outras linguagens artísticas. Nesta preparação, ressaltamos o Dia da Poesia, que aconteceu no último dia de aula do primeiro semestre, e as duas Semanas de Atividades Diversificadas (SAD), vividas pelo Ensino Médio e pelo Fundamental 2. Nestes momentos, pudemos oferecer oficinas com foco na poesia e sua relação com linguagens, movimentos e áreas do conhecimento, trazendo todo o tipo de produção poética, desde a cultura Hip Hop, com o grupo “A Banca”, até a exploração de poemas clássicos, com a apresentação do livro/cd “O Canto das Musas”, com Péricles e Leo Cavalcanti tocando as músicas do disco em nosso auditório.

Importantíssimo destacar, também, a participação dos professores da Vila e convidados de fora da escola nessas oficinas, preparando atividades que enfocaram ilustração, rimas, poesia concreta, samba, música, vídeo, tecnologia, poema aleatório, criação poética e declamação. Nessas oficinas, os alunos fizeram RAP, samba, grafitaram, aprenderam movimentos de danças urbanas, declamaram, inventaram um poeta e seus poemas, fizeram composições musicais para poemas, vídeos com enfoque na poesia, sussurraram poesias nos ouvidos de quem estava na escola, criaram ilustrações para poemas, enfim, exploraram a palavra poética em todos os meios que pudemos imaginar e realizar, com versatilidade e sem preconceito!

Lembramos, ainda, que o corpo de funcionários também participou ativamente desta preparação. Os colegas que atuam na biblioteca apoiaram o projeto “Poesia e Sussurros”, que gerou uma performance em todos os espaços da escola, com alunos e seus grandes tubos de papelão sussurrando nos ouvidos dos monitores, coordenadores, diretores, porteiros, crianças e professores. Edison, poeta, repentista e porteiro da Unidade Morumbi, encheu de lágrimas os olhos de alunos e professores em encontro com os 3ºs anos do EM, no qual declamou seus poemas e cantou seus repentes.

A parceria entre a área de tecnologia educacional e a biblioteca também rendeu ótimos trabalhos. Os alunos produziram cyberpoemas com interpretações de clássicos e poetas homenageados.

Isso foi, de modo geral, o que aconteceu este ano como preparação para o Festival de Poesia de 2012, mas seria um grande engano acreditar que o que vimos no festival é fruto apenas desta preparação. Este evento é resultado de algo que vai muito além do que fizemos neste ano. Ele começa lá no Espaço da Vila, com o trabalho de poesia feito pelas professoras dos pequenos, passa pela Educação Infantil e pelo Fundamental 1 e a maravilhosa sensibilidade das professoras em lidar com o erro, a exposição e a subjetividade, passa pelos princípios que regem o trabalho da equipe de arte, que nos ensinam sobre a expressão e o percurso, e deságua no trabalho de Literatura e Práticas de Linguagem, tão marcante para a comunidade escolar. Este festival é, sobretudo, a expressão da proposta pedagógica de uma escola que valoriza o saber articulado com a cultura, com a criação e com a subjetividade: sujeito e conhecimento, dois lados da mesma poesia! E que venha o próximo, em 2014!

Conheça os vencedores, leia as poesias e veja as fotos do evento.

VENCEDORES POESIA ESCRITA - Categoria A – alunos de 6º a 8º ano

1º LUGAR – PROFUNDIDADEGiulia de Almeida Valadares

2º LUGAR – CHICO - Helena Rubano Garcia de Abreu

3º LUGAR – MOVIMENTOFernanda Lima Maciel da Silva

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VENCEDORES POESIA ESCRITA - Categoria B – alunos de 9º a 3º ano EM

1˚ LUGAR – BRASILKaue de Mello Nogueira Piza

2˚ LUGAR – X Olivia Ferraz

3˚ LUGAR – DESTINO SEVERINOJonas Worcman

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VENCEDORES POESIA FALADA - Categoria A – alunos de 6º a 8º ano

1º LUGAR - Gabriel Giannini

2º LUGAR - Luara Macari Nogueira

3º LUGAR - Laura Barcellos Rodrigues

MENÇÃO HONROSA - Amanda Silvera Dutra E Laura De Luna Zottis Pierobom

MENÇÃO HONROSA - Matias Ursini Nobel

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VENCEDORES POESIA FALADA - Categoria B – alunos de 9º a 3º ano EM

1º LUGAR - Dinis Catunda Doutel Ferreira e Felipe Suzuki Ursini

2º LUGAR - Diego Cianelli e Marcelo Jun

3º LUGAR - Bianca Van Steen Mello Laurino

MENÇÃO HONROSA - Helena Manásia Schroter

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VENCEDORES POESIA FALADA - Categoria C – pais, funcionários e ex-alunos

1º LUGAR - Clarice Barreira Camargo e Natália Santana Zuccala (Professoras)

2º LUGAR - Miguel Worcman (Ex-aluno)

3º LUGAR - Edison Leite Magalhães (Porteiro da unidade Morumbi)

MENÇÃO HONROSA - Pérola, Garfield e Helena (Setor de Comunicação e TE)

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Fotos 1º dia

Fotos 2º dia

O ensino, aprendizagem e a diversidade no fundamental 2

Por Clarice Gil Barreira  e Roberta Tinoco Pinto Ferraz

A Escola da Vila, desde a sua criação, aposta fortemente na heterogeneidade dentro das salas de aula, como um aspecto que contribui para o avanço dos alunos. Aprende-se com aquele que pensa de forma diferente, sem dúvida.

Esta diferença, tão rica, é também o que representa um desafio diário para todo professor que pretende ensinar com qualidade. Se, por um lado, olhamos muitas vezes para o coletivo, considerando a classe como um todo, valorizando o pertencimento de cada um ao grupo e ensinando a conviver e a aprender com os demais, também não podemos deixar de garantir ao aluno o olhar individual. A aprendizagem efetiva dos conteúdos escolares depende de uma construção pessoal, que atribui significados ao objeto de estudo apresentado. O ensino, por sua vez, é a ajuda oferecida ao aluno nas diferentes etapas de seu processo de aprendizagem, para garantir que ele atinja o que é esperado.

Para que a aprendizagem seja significativa, é necessário desenvolver propostas desafiadoras, considerando principalmente os conhecimentos que o aluno já possui e sua potencialidade naquele momento. Para que isso aconteça, o aluno deve se deparar com situações que exigem dele esforço cognitivo, mas que podem ser superadas com a utilização de seus saberes e os apoios oferecidos.

É por isso que o professor da Escola da Vila se dedica a planejar as propostas de trabalho, procurando sempre atender às demandas variadas presentes em sala de aula e provocar uma intensa interação entre elas. Sendo assim, é comum encontrarmos ajustes nas propostas, de forma a garantir a aprendizagem adequada a todos.

Um exemplo claro disso, na área de LPL, são as pautas de revisão de produções escritas. Os alunos devem todos produzir um mesmo gênero (fábulas, por exemplo), mas as características e as aprendizagens apresentadas no texto de cada um variam muito e revelam as necessidades e possibilidades de aprendizagem de cada aluno. Por isso, o professor elabora uma proposta de revisão com focos diferentes. Assim: um aluno que precisa se dedicar a um trabalho com vocabulário pode fazer isso, enquanto seu colega dedica-se a rever a coerência entre as virtudes e a moral do texto. Estas são intervenções muito comuns, que visam potencializar o máximo aproveitamento do trabalho por todos.

Sabemos que, em uma mesma sala de aula, não aprendem todos da mesma maneira, nem as mesmas coisas, nem ao mesmo tempo, mas sabemos que todos aprendem, e muito, quando podem contar com uma proposta adequada a suas necessidades.

Os alunos que apresentam algum tipo de deficiência intelectual estão inseridos nessa mesma lógica e, eventualmente, precisam de uma personalização do currículo para ter garantido o direito de vivenciar as situações ideais de aprendizagem. A tarefa de ajustar um currículo não é fácil e exige uma série de medidas e cuidados por parte não só do professor, mas de toda a equipe responsável pelas propostas de aprendizagem. Não se trata de facilitar o ensino dos conteúdos de modo desnecessário, uma vez que este tipo de intervenção não estaria de acordo com nossos princípios e concepção de ensino e aprendizagem. Antes pelo contrário: a personalização do currículo daqueles que necessitam é uma demanda que garante a qualidade do ensino para todos.

Para se definir “como” e “o que” será adaptado, é necessário, além de contar com todas as informações do percurso escolar de cada um, uma investigação que muito se assemelha às atividades diagnósticas que os alunos fazem frequentemente no início de cada ano. É muito importante que o professor se aproxime e conheça seus novos alunos, e essas propostas iniciais nos ajudam nesta tarefa. A partir dos resultados dessa investigação, e com o apoio da orientação, elaboramos as adaptações necessárias, e vale dizer que faz parte também deste processo a construção e a definição da forma como cada um destes alunos será avaliado.  Todo o trabalho desenvolvido ao longo do ano é devidamente documentado (planos de estudo, atividades, avaliações), e esse material é compartilhado com os professores do ano seguinte, o que nos garante a continuidade de um trabalho consistente.

O nível de adaptação necessária para cada aluno varia muito, o que nos coloca a necessidade de um trabalho diferente para cada um, e o acompanhamento muito próximo e constante. Muitas vezes, pode acontecer de um aluno nos apontar a necessidade de adaptações bastante significativas, que, com o tempo, podem diminuir; ou mesmo o inverso: conforme avança na escolaridade e os conteúdos vão se mostrando mais complexos, a dimensão das transformações pode aumentar.

De qualquer forma, garantimos sempre alguns princípios. Um deles nos aponta a necessidade de manter um vínculo do trabalho desenvolvido com os alunos que apresentam algum tipo de déficit intelectual com os conteúdos previstos para a série, e com as temáticas presentes na classe. Outro aspecto considerado fundamental para nós, é que o aluno seja avaliado a partir das propostas que foram planejadas e construídas para ele, considerado seu percurso único, e promovendo seu protagonismo neste processo. Por último e, talvez, o mais importante deles, é a prevalência da concepção construtivista na construção do percurso de todos os nossos alunos, sem exceção de nenhum deles.

Período Complementar na Escola da Vila

Por Daniela Munerato e professores do Período Complementar

A ideia deste texto é comunicar um pouquinho mais sobre o Período Complementar. Neste mesmo espaço, já falamos da sua rotina e o que a diferencia do período vespertino. Agora, que tal escutarmos um pouquinho alguns professores, com depoimentos sobre este tempo que passam com o grupo? Afinal, chegar na escola mais cedo, passar mais tempo na escola e compartilhar muitos momentos com crianças de outras idades e com outros professores que não os de turma (Grupo 1, Grupo 2, Grupo 3 e primeiro ano), são oportunidades que dão ensejo a diversas aprendizagens.

Marisa (Professora de Inglês) “Eu vejo o trabalho no Período Complementar com diferentes idades como uma situação muito potente. Por exemplo, uma intervenção interessante e possível é organizar agrupamentos levando em conta as contribuições que cada criança – com suas particularidades – pode trazer para o grupo. Uma criança que frequenta o 1º ano pode fazer uma dupla de trabalho com uma criança do Grupo 1, na posição de mentor, ensinando procedimentos como o uso da tesoura, a amarração de barbante e os cuidados e a delicadeza necessários com os materiais. Observo que nessas situações – em que as diferenças em termos de repertório são tão evidentes – temos a oportunidade de discutir e vivenciar a importância do caráter colaborativo e cooperativo do trabalho entre todas as crianças: escutar as contribuições de todos, reconhecer a qualidade no trabalho do outro, ajudar, ensinar, pedir ajuda, aprender…

Apesar de reconhecer grande potência nos trabalhos coletivos e em duplas e trios, observei que era preciso também garantir situações em que cada um precisaria lidar somente com seus próprios limites e desafios, suas conquistas e sucessos. Considerei importante garantir esses momentos de valorização do trabalho individual em meio a uma vivencia coletiva tão intensa que já demanda muita paciência, compreensão, delicadeza e consideração, tanto dos grandes quanto dos pequenos.”

José Felipe (Professor do Complementar) “Conviver e aprender a relacionar-se com o outro é um desafio que impulsiona o desenvolvimento individual através do coletivo. É interessante pensarmos como cada um expressa e constrói seu conhecimento vivenciando a mesma situação. A cada passo uma descoberta nova, a cada brincadeira um novo desafio para ser superado. A cada fala uma nova hipótese sobre diferentes assuntos e sobre como lidar com os conflitos, o que leva as crianças a muitas aprendizagens.  

Desta forma, o meu maior desafio como professor do Período Complementar é mediar as relações no campo da afetividade, na construção de vínculos, que através de uma cantiga de roda, de uma brincadeira no parque, o grande e pequeno ganham o mesmo tamanho. No momento de receber os alunos, observar como chegam, percebendo, através do olhar e dos gestos, como cada um está disposto a interagir, vivenciar mais um dia com seus amigos e professores”.

Simone (Professora do Complementar) “No Complementar as crianças têm a oportunidade de vivenciar e construir relações entre diferentes idades. Isso contribui para novos espaços de conversa dentro da escola. Além de favorecer a interação e fortalecer as relações entre as crianças do Complementar, vejo que esta construção também contribui para o relacionamento entre as crianças no período contrário, isto é, no período da tarde. Vejo que interfere também na relação com os companheiros de grupo, como entre crianças de diferentes turmas.”

Marcola (Coordenador da Capoeira) “Quando olhamos para crianças de diferentes idades na capoeira, é importante atender às principais características e expectativas das faixas etárias, ou seja, ao trabalhar com alunos de primeira infância (até 6 anos) devemos oferecer atividades de exploração e descobertas corporais, permeadas por contextos simbólicos, onde a questão principal seja a relação da criança com o jogo, o ritmo e a aula de capoeira. Já com as crianças de segunda infância (7 aos 12 anos), a aula passa a ter atividades de combinações e aprendizagem de movimentos básicos da capoeira, permeadas por contextos regrados, onde o que se espera é que a criança compartilhe experiências com os outros, seja na roda, no treino ou nas brincadeiras propostas em aula.”

CAMILA (Professora de Teatro) “Da mesma maneira que um rio nunca é o mesmo, as crianças mudam muito de uma semana para outra. Quando se trata de uma turma de diferentes idades, temos que triplicar nossa audição e observar as crianças mais velhas liderando o grupo e cuidando dos menores também.Trabalhar teatro com criança é, antes de mais nada, brincar com elas. Nunca se colocar acima. Para o jogo ser verdadeiro, todos devem estar no mesmo plano. Assim, a criatividade emerge de maneira mais rica. No teatro, diversas vezes as soluções que as crianças trazem são melhores que as do professor.”

Através dos comentários e a partir deles compreendemos que realmente as turmas compostas por diferentes idades nos trazem desafios de distintas naturezas e que a questão das relações e das interações torna-se tema fundamental a ser considerado nos planejamentos e intervenções em favor das aprendizagens e do convívio. Seguimos pensando e comunicando as notícias do Complementar. Aguardem!

O papel da escrita nas aulas de Matemática

Por Laís Oliveira e Maria Clara Galvão – Formadoras que atuam no Núcleo de Matemática

 

Explicar na aula de matemática! Que as crianças expliquem! Que argumentem! Que possam relacionar as razões que validam seus procedimentos, seus resultados, suas hipóteses. Que se encontrem com os fundamentos do trabalho que realizam. Que averiguem a lógica interna das situações às quais são convocadas. Que toquem a raiz. Que se sintam com capacidade – com liberdade, com autoridade – para intervir sobre o conhecimento. Que produzam ideias usando ideias.

Patricia Sadovsky

 

Por muito tempo, a escrita foi estranha a essa área do conhecimento, afinal esse era o terreno dos cálculos e números. O trabalho com registros escritos se restringia a atividades de memorização, cópias de procedimentos e conclusões elaboradas, na maioria das vezes, pelo próprio professor.

Com os avanços nas pesquisas da área, o trabalho com a escrita passou a ter outro enfoque. Essa passou a ocupar um papel fundamental no processo de aprendizagem dos conceitos matemáticos, na medida em que participa de forma substancial de procedimentos tais como: levantar hipóteses, dar explicações, argumentar, institucionalizar saberes. Procedimentos esses que estão no cerne de um trabalho que considera a Didática da Matemática.

Nesse contexto, as crianças são levadas não só a resolver problemas através de cálculos e números, mas também a escrever para explicar o que fizeram, para argumentar em relação a uma suposição, para registrar saberes institucionalizados. Assim, quando são colocadas para pensar e registrar a respeito de algo que antes estava apenas no plano da ação, podem transformar a ação em linguagem, possibilitando, assim, um avanço conceitual em relação às suas aprendizagens.

Dessa maneira, a escrita se torna uma ferramenta importante para o aprendizado dos conteúdos da matemática, um referencial relevante para o ensino que considera a atividade intelectual, a produção e as ideias dos alunos. Quando se propõem situações para que os alunos pensem sobre determinado foco de estudo e registrem o que aprenderam sobre ele promove-se a articulação entre os saberes “antigos” e “novos”, fazendo circular as ideias, reavaliando certezas, suscitando dúvidas… E, por consequência, tornando o sujeito aprendiz protagonista de sua própria aprendizagem.

O festival de poesia está chegando!

Por Luisa Furman – coordenação do setor cultural

Na próxima sexta-feira, dia 19 de outubro, a escola receberá pais, funcionários, alunos e ex-alunos para celebrarem a poesia em nosso evento, que este ano trará novidades, como a exposição interativa na biblioteca e o lançamento de um livro de poemas de uma aluna do 9º ano, Olívia Freitas (leia o texto de Olívia sobre o lançamento de seu livro).

No sábado, a programação será um pouco diferente dos outros anos. O dia começa com o evento organizado pelo grêmio da escola, a Vilada Cultural, que conta com a apresentação de 14 bandas, sendo que sete delas tocam das 14h às 17h30m, e as demais das 19h às 20h50m.

Das 17h30m às 19h, serão anunciados os premiados nos concursos de poesia escrita e falada. Todos os participantes devem estar presentes!

O encerramento da Vilada e do Festival será às 21h, com a Banda Gentileza.

Para que você possa aproveitar cada minuto desse encontro, confira a programação aqui.

Gostaríamos de aproveitar para lembrar a todos que, como disse Carlos Drummond de Andrade: “Mesmo no silêncio, e com o silêncio, dialogamos”. Pedimos a todos que façam silêncio durante as apresentações.

Até lá!

Viagem Literária

Por Paula Lisboa

Há algumas semanas, tive a feliz oportunidade de participar de um programa de incentivo à leitura, realizado pela Secretaria de Estado da Cultura: o Programa Viagem Literária. Contando com o apoio das bibliotecas públicas de 70 municípios paulistas, o programa integra um conjunto de ações que visa estimular o vínculo entre os leitores e sua biblioteca pública local. Dentre estas ações, são promovidos encontros de autores e contadores de histórias com seu público, com o objetivo de estimular o hábito de ler, bem como valorizar e revitalizar as bibliotecas.

Durante seis dias, viajei por cinco cidades diferentes: Lençóis Paulista, Palmital, Fartura, Taguaí e Cerqueira César, algumas delas com a população equivalente à metade da lotação do estádio do Pacaembu. São cidades que não contam com livrarias e sebos diversos, nem com diferentes opções de escola para as crianças. A grande maioria estuda em escola pública, que, muitas vezes, não conta com uma biblioteca para atender seus alunos.

Sendo esta a realidade, havendo tão pouca oferta e contato com os livros, qual possibilidade as crianças têm de formarem-se leitoras que não as ações de incentivo ao uso das bibliotecas públicas?

Aqui, na Escola da Vila, temos o privilégio de contar com bibliotecas muito bem cuidadas, com acervo de qualidade e em boa quantidade, atividades frequentes de uso dos livros e um currículo incrível na formação do leitor. Moramos em uma cidade que conta com inúmeras livrarias e sebos, além das diversas bibliotecas públicas. Não nos falta oportunidade de estar em contato com bons livros. Não nos falta possibilidade de criarmos uma boa relação com a leitura.

Adoraria que nossas crianças pudessem ter uma mínima ideia do quanto são felizes com tamanha oportunidade! Durante a viagem, contei história para grupos de até 300 crianças, radiantes por estarem diante de uma narração, por deixarem-se levar pela fantasia de novos mundos, por experimentarem as infinitas possibilidades que uma só história pode abrir em nossa mente.

É emocionante ver a história virar notícia na rádio e no jornal; é mesmo incrível presenciar a história levando alegria e saúde às pessoas. Orgulhei-me, confesso, de conhecer uma cidade reconhecida como A Cidade do Livro, e outra onde a população retira livros com frequência na biblioteca pública, desenvolvendo sua própria formação enquanto leitores, usufruindo do acervo e das ações afirmativas de incentivo à leitura.

Se tenho um aprendizado a tirar desta experiência, seria não mais que este, já tão falado e ouvido: o prazer pela leitura se realiza lendo, se desenvolve no contato com os livros e as histórias. Basta ter um leve empurrãozinho e um mínimo de possibilidade. Existindo o incentivo a esse contato, logo se descobre a incrível experiência que a leitura nos proporciona!

Ensino Médio leva Jean Tardieu para São Caetano

Por  Rafael Ihara – aluno do 3º ano do Ensino Médio

Quando surgiu a proposta da apresentação de teatro em São Caetano do Sul, fiquei animado. Era a oportunidade de nos apresentarmos para um público diferente – de outra cidade, inclusive. Entretanto, o Tuna, nosso diretor, nos disse que, para participar desse festival, era necessário passar por um processo de seleção. Felizmente, passamos; mais que isso: fomos escolhidos para abrir o festival, no dia primeiro de outubro.

O tempo foi passando, os ensaios foram saindo, e a apreensão foi tomando conta de todos os atores. Cada um da sua maneira expressou preocupação. Afinal, não poderíamos contar com a presença de dois integrantes do grupo, que estariam viajando no dia da apresentação. Como se não bastasse, por um imprevisto no dia anterior, um terceiro ator não pode participar da peça – e ele teve que ser substituído às pressas. Resultado: deixamos de apresentar um pequeno trecho de “Uma peça por outra”, de Jean Tardieu. Acredito que devido à apreensão, ao nervosismo e aos improvisos que se fizeram necessários com as ausências, os ensaios finais não foram dos melhores – assim como a apresentação.

A plateia estava vazia – mais da metade dos lugares estavam vagos. Porém, mais satisfatório do que o convite para participar do festival, mais gostoso do que o lanche que comemos nos camarins antes da apresentação, foi ouvir, ao desenrolar de cada cena, a inconfundível risada dos alunos da Escola da Vila, que se dispuseram a ir até São Caetano só para nos prestigiar. Isso foi, com toda certeza, o mais prazeroso. Nos fez crer que depois de uma viagem extremamente cansativa nos dias anteriores, de um dia cheio de ensaios, adaptações, stress e angústia, todo o trabalho do grupo de teatro estava sendo revertido em entretenimento, diversão para aquele público tão fiel. Sem falar naqueles que foram para São Caetano mais cedo, junto com o grupo de teatro, nos fornecer apoio incondicional, ajuda sem medir esforços. À Dora Leroy, à Gabriela Sakata, à Giulia Matteo e ao Pedro Teixeira, nosso sincero agradecimento.

Os aplausos da plateia foram calorosos, assim como a parabenização de nossos colegas ao fim da apresentação. Os organizadores do festival sempre fizeram questão de enfatizar que esse evento não pretendia fomentar a competição, apesar das premiações e dos comentários dos críticos de teatro presentes.

Confesso que fiquei um tanto quanto ressentido com o comentário de uma mulher que não mediu esforços para nos criticar. Em sua fala, deixou claro que não compreendeu absolutamente nada de nossa apresentação – o que a impulsionou a colocar vários defeitos em elementos apresentados na peça e que foram detalhadamente trabalhados conosco pelo nosso diretor, Tuna Serzedello (a quem também devemos infinitos agradecimentos).

Depois dessa minha má impressão de alguns dos críticos de São Caetano, organizadores do festival, o abraço sincero e singelo daqueles que entenderam a peça e nos parabenizaram me animou (e tirou metade de todo o cansaço que aquele dia me proporcionou).

Faço um agradecimento mais que merecido ao Setor Cultural da Escola da Vila, pois Luísa Furman e Vicente Régis fizeram o impossível tornar-se possível (como quando fizeram caber o enorme banco e a gigante mesa no pequeno ônibus que transportou os alunos). Obrigado aos dois por acompanhar todo o processo de preparação para a apresentação e por terem se colocado à disposição para o que precisávamos.

Apesar de não ter sido a melhor apresentação do grupo de teatro da Escola da Vila, foi muito prazeroso levar um pouco de diversão àqueles que assistiram nossa encenação de Jean Tardieu em São Caetano do Sul naquela segunda-feira à noite.

Assista aos melhores momentos de Uma peça por outra.

Laços culturais – apresentações dos grupos de extensão curricular para a Educação Infantil

Um dos principais objetivos do Setor Cultural da escola encontra-se no desejo de expandir a prática e o envolvimento com a cultura, o que enseja a criação de cursos de extensão curricular, atividades curriculares e eventos. Nossa intenção é justamente que esses elementos reverberem no espaço da escola, em busca da formação de uma rede de ações permeada pelos ecos de uma intensa prática cultural.

Seguindo o ritmo desta toada, promovemos apresentações de dois dos Grupos de Violão e do Grupo Vocal para os alunos da Educação Infantil. Tudo aconteceu em um belo clima de afeto e tranquilidade. Foi evidente como plateia e público se envolveram com a experiência. Para os pequenos, foi uma ótima oportunidade de presenciar um show, conhecer mais algumas músicas, aprender um pouco melhor a se comportar em uma situação de espectador e, claro, se preparar para a apresentação de música, que está chegando. Para os grandes, foi uma oportunidade para ensaiar, ganhar mais desenvoltura em apresentações e também treinar para as apresentações, que acontecerão no final do ano.

Confiram o que aconteceu nos vídeos abaixo. Tentamos fazer uma edição que retratasse um pouco do que vivemos nessa experiência. Esclarecemos apenas que, por conta de questões de horário e cronograma, três grupos de violão não se apresentaram desta vez. Estamos tentando criar oportunidades de apresentação para estes alunos, que também devem ocorrer em breve.

Um abraço,

Vicente Régis - Professor de música e coordenador do setor cultural

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Grupo Vocal

Grupo Vocal

Grupo Vocal

Violão F2

Violão F1