Trabalhar em duplas: só uma organização do espaço?

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Por Miruna Kayano Genoino – professora do 1ºC

O trabalho com as parcerias na Escola da Vila é um aspecto fundamental e constitutivo de nosso projeto pedagógico; assim, pensar e planejar as diferentes maneiras de organizar o grupo, seja em duplas, trios, meio grupos, um terço do grupo, o grupo todo, são foco de constante análise e reflexão por parte de toda equipe pedagógica. Este é um princípio fundamental de nosso trabalho uma vez que em nossa concepção, o ensino e a aprendizagem são ações vividas não só entre alunos e professores, mas, e fundamentalmente, entre os próprios alunos.

Assim, pensar em uma destas formas de organizar o grupo, as duplas de trabalho, não é uma mera tarefa do professor, mas sim uma decisão pedagógica tomada a partir da consideração de variados critérios. A depender da proposta que nossos alunos realizarão em parceria, os professores analisam as diferentes necessidades pedagógicas envolvidas, as demandas relacionadas ao trabalho cooperativo (aquele aluno consegue ajudar o outro? Como ajudá-lo a receber ajuda? Como ajudar o aluno que é sabido, mas não consegue socializar seu saber?) e as possibilidades de trocas entre os seus pares que favoreçam a aprendizagem. Desta forma, acreditamos fundamentalmente que ao escolher dois parceiros de trabalho, estamos escolhendo sujeitos que favorecerão a construção de conhecimento do outro.

Muitas vezes a escolha destas duplas não satisfaz o desejo dos alunos, que, ao verem-se diante de uma situação de conflito, já que entre os dois precisam tomar uma decisão compartilhada que nem sempre é alcançada em uma única conversa, decidem que a dupla é “chata” e que por isso querem trocar de parceria “já”. Neste sentido, também trabalharemos para que os alunos identifiquem suas dificuldades, busquem a melhor forma de resolver o seu incômodo para que consigam construir juntos os acordos que possibilitarão a realização daquilo que lhes foi proposto.

O trabalho cooperativo, então, é peça fundamental de nosso projeto pedagógico que ao longo dos anos será vivenciado de maneiras diversas por nossos alunos. Diversas, porém sempre construtivas.

Novidade nas aulas de música da Educação Infantil.

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Por Vicente Régis, com colaboração de Pedro Bruschi

Assim como acontece em todos os outros campos de trabalho, as parcerias entre professores na escola podem contribuir intensamente para a formação das crianças e para a organização do trabalho. É no diálogo constante entre os diferentes profissionais que uma escola constrói e desenvolve sua proposta pedagógica.

Este ano, a equipe da Educação Infantil da Escola da Vila conta com mais um integrante: Pedro Bruschi, educador e violonista, novo professor das turmas do período vespertino da unidade Butantã. Pedro já estava conosco desde o ano passado, acompanhando as turmas dos cursos de extensão curricular oferecidos no Fundamental 1 e tocando na Apresentação de Música da Educação Infantil.

Pedro tem experiência como educador em creches e escolas. Sua prática musical se volta principalmente para a música brasileira, tocando choro com o Grupo João de Barro, e também outros gêneros, como frevo e baião, em um trabalho de múltiplas linguagens artísticas, no grupo Entremares. Realiza também atividades em outras áreas, como a elaboração de trilhas sonoras em produções cinematográficas e recentemente, acaba de colaborar com a produção do livro “Folia de Reis, Imagens, Receitas e Ladainhas – Aiuruoca -MG”, projeto aprovado na Lei Rouanet.

É um grande privilégio ter um parceiro como este, espero que esta parceria dure muitos anos e possa continuar contribuindo para o trabalho de música que vem sendo desenvolvido na escola.

Arte na escola.

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Por Karen Greif Amar e Marisa Szpigel

O curso Arte na escola, oferecido pelo Centro de Formação da Escola da Vila no dia 14 de abril, tinha como proposta dar um panorama de como a área de arte está organizada ao longo da escolaridade aqui na Escola da Vila, nos segmentos da Educação Infantil e do Fundamental 1. Nossa intenção era oferecer referências dessa organização também numa perspectiva de articulação de projetos, sequências e atividades habituais (modalidades organizativas) em cada uma das séries, para que os participantes pudessem entrar em contato com o nosso modo de pensar, com os fundamentos e concepções do ensino de arte.

Procuramos definir uma estratégia que pudesse, ao mesmo tempo, mostrar o currículo de arte da Vila e dar possibilidade de agir sobre ele, levantando hipóteses sobre quais são as propostas levadas para as salas de aula, trocando ideias sobre as aprendizagens que poderiam estar em jogo em cada uma delas e experimentar uma ordenação nas diferentes séries. A ideia era colocar os participantes no papel de quem está montando um currículo.

Para preparar o grupo, iniciamos com uma apresentação dos fundamentos presentes no currículo de arte da Vila. Mas como revelar fundamentos sem ser prescritivo? Queríamos que o grupo mergulhasse conosco na essência das ideias, no frescor de poder refletir sobre a contemporaneidade sem cair em fórmulas prontas e fechadas.

Nossa intenção era aproximar as pessoas de pensamentos sobre ensino da arte de modo análogo a uma situação de aproximação com a própria arte. Exibimos imagens de arte popular e arte contemporânea para revelar desde onde falamos: do contato vivo com a arte e com a cultura, do Brasil e do mundo, da arte de todos os cantos, e de várias épocas. Intercalamos textos que explicitassem o pensamento da equipe sobre como consideramos importante a construção de sentido por parte dos alunos, para que a arte chegue a eles não como uma vitrine, mas como possibilidade de agir poeticamente no mundo, para que se sintam implicados com este objeto. Permeamos imagens dos nossos alunos em ação, envolvidos em uma prática artística que abarca as diferentes linguagens — artes visuais, música e corpo –, em situações individuais e coletivas de produção e apreciação.

Dessa forma, organizamos os participantes em grupos, tendo como critério as faixas etárias em que atuam. Distribuímos cartões representativos de vários projetos e sequências que ocorrem ao longo do ano nas classes de Educação Infantil e Fundamental 1. Os cartões continham, em média, de três a cinco imagens, em diferentes momentos do processo, com os alunos em oficina e suas produções, referência em situações de apreciação.

Com o material em mãos, os grupos partiram para uma análise inicial das hipóteses de organização curricular. Foi muito interessante observar como os grupos se relacionavam com essas imagens distribuídas, pensando nas possíveis sequências dentro dos trimestres e ao longo do ano, cada qual articulando os conhecimentos sobre os conteúdos apresentados através das imagens e suas possíveis relações.

Após a análise e a organização das imagens em uma espécie de varal, cada grupo apresentou suas hipóteses, defendendo os argumentos que os levaram a tal organização. Articular a própria prática para compreender o trabalho de outra equipe fez com que a apresentação ganhasse um caráter de troca muito grande, o que era desejado por nós. Nesse momento, priorizamos que os participantes se relacionassem com a proposta, de modo a pensar valores, conteúdos e pensamentos sobre a construção de um currículo.

Os varais de imagens foram o ponto de partida para a continuidade do curso, retomando e contextualizando as ideias apresentadas pelos participantes ao longo do dia. Com a dinâmica, o grupo de professores participantes pôde exercitar a elaboração de um currículo, identificar objetivos e conteúdos, além de refletir sobre a própria prática.

Mais uma sobre a SAD…

Intervenção urbana de Renata Pedrosa

em obras, 2010 – bastão oleoso sobre parede laranja

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Na primeira SAD do ano, alunos de 1º e 2º ano do Ensino Médio puderam se inscrever em uma dentre três oficinas que ocorreram simultaneamente e abordavam diferentes aspectos da Arte. Abaixo, alguns relatos:

Georgia Dal Colleto, 2ºB

Uma das oficinas era sobre intervenção urbana, oferecida pela professora de História da Arte, Renata Pedrosa. Os alunos tiveram a oportunidade de conhecer algumas intervenções urbanas, seus objetivos, saber como são montadas. Os exemplos apresentados envolviam trabalhos de diversos artistas, mas também da própria professora, o que tornou a atividade ainda mais curiosa.

Ao apresentar seus trabalhos, Renata falou dos desafios de produzir uma intervenção, como, por exemplo, fazer uma obra durante a noite, escondida, sem permissão para realizá-la num determinado local. Ocorre também, por vezes, contou ela, de o público ter uma relação de descaso com o trabalho, chegando a ser desatento e até desrespeitoso. Um problema enfrentado por ela uma vez foi que, mesmo tendo aprovação para fazer um trabalho em um determinado local, ele não agradou as pessoas que transitavam por ali (era o lugar de trabalho de muitas pessoas) e elas fizeram um abaixo assinado pra que ocorresse a remoção da obra.

Enfim, pudemos ver que nem todas as intervenções tem o objetivo de agradar, mas certamente o de chocar o público.

A oficina foi muito boa e deixou os alunos com a expectativa de realizar alguma intervenção pela escola. Acredito que todos nós pudemos aprender um pouco mais sobre as intervenções urbanas.

Fernanda Tsukada, 1ºC

Me inscrevi na oficina de Criação de Poemas, das professoras de LPL Ângela e Maira. Elas apresentaram para os alunos a famosa Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, e em seguida outros dois poemas baseados neste. A ideia era que os alunos se inspirassem nesse tipo de produção para, a partir da leitura de poemas trazidos por elas, escolher um para parodiar.

Eu gostei muito dessa atividade, porque gosto de escrever e também de poesia. Além disso, ano passado tivemos que produzir uma antologia poética nas aulas de LPL e, portanto, escrever vários poemas. Muitas vezes eu não sabia como fazer, como criar. A paródia é uma ideia legal. Percebi que, além de me inspirar em acontecimentos da minha vida, me inspirar em outros poemas também é uma boa estratégia, até porque muitas vezes as paródias não se assemelham inteiramente com o original.

Mariana Hope 2º A

A terceira oficina oferecida na SAD foi a de Declamação, regida pelo professor de teatro da Escola, o Tuna. Ela foi muito interessante e produtiva. O professor começou nos inteirando sobre o tema e apresentou uma análise sobre o que seria, de fato, o ato de declamar. Vimos o sentido do termo, “um jeito pomposo de falar”, e refletimos sobre o assunto.

Em seguida, fizemos alguns exercícios para treinar a articulação da voz, teor importante quando se trata de uma declamação. Para termos uma noção de como se exercia o ato de declamar, vimos diversos vídeos de artistas que se posicionavam de diferentes formas ao declamar um poema, como por exemplo, um vídeo da Maria Bethania declamando, ao som de uma música, baseada num poema de Fernando Pessoa.

Gostei muito dessa oficina, pois eu adoro poesia e achei interessante aprender um pouco mais sobre como se posicionar diante a um poema, sobre as diferentes formas de se declamar um texto lírico.

A entrada no F1: as festas fora da escola e a presença dos pais.

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Por Érica Ditolvo e Fernanda Flores – Orientadoras Educacionais das séries iniciais do Fundamental 1

O dia do aniversário é sempre uma ocasião muito esperada pelas crianças! Ficam orgulhosas por estarem mais crescidas e  geralmente, gostam de contar a todos sobre a tão esperada data . Nós adultos, cuidamos das comemorações que podem acontecer das mais variadas maneiras: um bolinho para os mais próximos em casa ou na escola, uma festa para os amigos e familiares, um piquenique no parque, uma festa do pijama, um almoço… Como se trata de um dia especial, o importante é torná-lo inesquecível!

Na escola, também cuidamos para que esse dia seja diferente, o aniversariante é recebido com um abraço festivo e um beijo caloroso da professora e dos colegas, o grupo canta parabéns e a depender da rotina, o aniversariante pode escolher qual será a brincadeira do parque, a história que será lida ou o lugar que quer sentar em roda.

Quando acontecem festas fora da escola, as crianças chegam no dia seguinte muito animadas para contar as novidades, o que fizeram, quem estava, do que brincaram, etc. É importante abrir um espaço para que possam contar como foi estar com os colegas da escola em um ambiente novo. Sabemos que, a depender da idade, isso pode ser um grande desafio. Na escola estão familiarizados com o espaço, conhecem os adultos com quem podem contar, sentem-se à vontade com a rotina e com os amigos e reconhecem os limites do convívio nesse espaço.

Nas festas fora da escola, a mudança de espaço e a dificuldade em identificar um referencial podem gerar uma desorganização para as crianças, o que nos faz pensar sobre o papel dos pais ou acompanhantes nessas situações.

Em geral, quando as crianças identificam o cuidado com as relações e com os limites de convívio na figura da família do aniversariante ou dos próprios pais ou acompanhantes, aprendem progressivamente a conviver nesses novos cenários. Para os pais essa também é uma ótima oportunidade, pois além de poder conversar com o filho sobre a festa, suas expectativas, quem estará lá, o que é adequado e o que não é em um ambiente como esse, poderá conversar com a família do aniversariante e conhecer o espaço onde seu filho estará.

Nesse sentido, a presença dos pais nas festas as quais seus filhos são convidados é muito importante por um conjunto de motivos, sobretudo, o de poder ampliar o convívio com a turma e os pais que constituem grupo tão significativo no dia a dia de seus pequenos e, finalmente, tomar decisões de quando seus filhos podem começar a frequentar os espaços sem a presença de um responsável direto.

Se temos o que conversar quando as crianças são as convidadas, também temos muitos assuntos quando são os aniversariantes: como receber os convidados, os presentes, qual será a organização daquele dia, entre tantas outras boas conversas que tanto contribuem para a formação das crianças.

A adultização da infância: coisas para pensarmos.

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Por Dayse Gonçalves

Segundo o historiador e medievalista Philippe Ariès, a indiferenciação do vestuário infantil do vestuário adulto, em determinado momento histórico, dizia da falta de importância que a criança tinha na sociedade. E como podemos verificar, também na Arte aparece essa quase questão no modo de retratar crianças daquele período. A estatura era basicamente o que diferenciava o adulto da criança.

A expansão da escola, segundo o autor citado, por volta do século XVII, parece marcar a descoberta da infância. Mas sabemos também que o acesso a ela não era democrático, por isso a maioria das crianças permanecia vivendo uma vida muito parecida com a dos adultos. Muito precocemente já trabalhavam. Trabalhavam no campo, nas fábricas, nas cidades. O mais triste é ter de admitir que no Brasil muitas crianças brasileiras ainda vivem nesta condição.

Tirando as questões de ordem econômica e social, que mantêm muitas crianças numa condição de exploração ainda hoje, parece ser na passagem entre adulto em miniatura a um ser visto como diferente, que os adultos começaram a dar importância às crianças e a organizar sua vida também em função das necessidades delas.

Como nós sabemos, no mundo de hoje, para fins comerciais, a visão de infância é muito ambígua. A mídia bombardeia os nossos pequenos com dezenas de produtos e práticas que os adultizam, além de favorecer atitudes consumistas. São muitos produtos direcionados a meninos e meninas. Às meninas, ainda, são oferecidos determinados objetos, como maquiagens, esmaltes, peças de vestuário, calçados com saltos, além de práticas relacionadas ao mundo das mulheres adultas, como visitas precoces aos salões de beleza para fazer as unhas, arrumar o cabelo… Enfim, há um marketing ‘pesado’ em cima destes pequenos, já vistos como importante faixa de consumidores. Infelizmente.

Embora não sejamos os maiores responsáveis, também nós, adultos que as educamos, acabamos impondo às crianças hábitos consumistas incompatíveis com as necessidades que um desenvolvimento saudável requer.

Portanto fica o convite para repensarmos que tipo de infância desejamos para nossos filhos e alunos. A escola, e dentro dela a Educação Infantil, por meio de palestras e do intercâmbio com as famílias através das Reuniões de Pais, tem apontado para a necessidade de um olhar cuidadoso para com as experiências que proporcionamos aos pequenos, que vão desde a importância do brincar ao desencorajamento de algumas práticas, que vão exigir de nós escolhas que vão fazer a diferença na maneira como as crianças viverão esta breve etapa da vida.

Para concluir, gostaríamos de sugerir o filme “Criança, a alma do negócio”, de Estela Renner, disponível na página do Instituto Alana.

Diplomação das primeiras turmas de Pós-Graduação.

Clique na foto para ver o álbum completo

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Por Zélia Cavalcanti – Coordenadora dos cursos de Pós – Graduação

No último dia 30 o Centro de Formação da Escola da Vila viveu um momento histórico para seus 32 anos de existência: a festa de diplomação das primeiras turmas de Pós- Graduação em  Alfabetização e em Educação infantil.

A programação organizada para esse dia procurou comemorar o fato de que, passados dois anos do início dessa frente de trabalho — período em que nos adaptamos e  aprendemos muito sobre os procedimentos de formação mais adequados a esse segmento de ensino  –  colhíamos  os primeiros bons frutos do novo investimento: vinte novos especialistas em educação escolar concluíram seu curso com monografias de qualidade, expressando com elas o valor das aprendizagens ocorridas.

Ao som de belas expressões de nosso cancioneiro popular, executadas em flauta e violão, e na presença de familiares, professores e amigos, a entrega dos certificados foi precedida pelas mensagens das coordenadoras de cursos e pelos discursos das oradoras de cada turma: Ana Cláudia Nicolau, oradora eleita pela turma de Alfabetização, e Angélica Dienni, eleita pelas colegas da turma de Educação Infantil. Vale a pena seguir os links para conhecer o que essas turmas expressaram por intermédio de suas oradoras.

Após a entrega dos certificados e a sessão de cumprimentos, abraços e fotos, um coquetel encerrou a noite.

Para todos nós, do Centro de Formação e da Escola da Vila, esse momento de brindes que se seguiu à cerimônia foi também um momento de agradecimento pela colaboração de todos, professores e funcionários que, com muita disposição e simpatia, convivem e trabalham nas noites de segundas e quartas-feiras, e durante as manhãs e tardes de sábado, em que se realizam as aulas para os alunos das turmas que se sucedem.

Discurso de Ana Claudia Nicolau

Discurso de Angélica Dienni

Os 1ºs anos EM conhecem de perto a questão da moradia nas grandes cidades.

Fotos de Isabela, 1º ano C

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Por Fermín Damirdjian – Orientador Educacional

Durante a Semana de Atividades Diversificadas, os 1ºs anos incrementaram seus estudos acerca do tema “Cidades”, o qual permeia todas as ciências humanas ao longo desse ano letivo. Foram realizadas saídas para visitar uma ocupação em um edifício público (ex-INPS) na rua Martins Fontes, vazio há mais de 30 anos, e o Casarão do Brás, um local que foi construído ao longo de 2 anos sob a forma de um mutirão. São dois momentos diferentes de movimentos de moradia: um ainda incipiente, pressionando os órgãos públicos para olharem para um edifício que pode vir a ser habitado mediante financiamento popular, e outro já consolidado como moradia.

A dificuldade em preservar (ou instaurar) o direito à moradia nas grandes cidades é um dos aspectos que não pode ficar de fora ao olharmos para os desafios a serem vencidos pelos conglomerados urbanos de qualquer nação.

Abaixo, depoimentos de alguns dos alunos que visitaram os locais.

Diego Cianelli

Com a SAD foi possível ver muito melhor como é organizada uma ocupação, eu imaginava algo muito mais desorganizado, sem muitas regras e sem uma capacidade pré-definida de moradores. Meu pensamento mudou, vi que existem muitas regras e a família precisa ter certo cuidado para viver lá, precisa cuidar e respeitar o jeito com é formado o lugar, desde as pessoas até as próprias regras.

Teresa Lanna

Acredito que os trabalhos de campo me trouxeram outra visão de pessoas sem moradia quando apropriam-se de um edifício. Essa apropriação não existiria se as condições de moradia não fossem ruins. Acredito que o que eles fazem é um reflexo da sociedade em que vivemos. O que eles fazem é não ficar parados em péssimas condições de moradia, mas sim lutar por seus direitos e tentar mudar essa horrível realidade.

Ana Clara Naletto

Eu sempre soube das dificuldades de moradia no Brasil, em que algumas pessoas possuem imóveis caros e em lugares com boa infraestrutura, enquanto outras possuem imóveis longe de seus empregos, com infraestrutura horrível e até pessoas que não possuem imóveis. No caso, eu pude me aproximar mais da realidade das pessoas , ver como eles se organizam dentro das ocupações e ter uma opinião mais concreta sobre os movimentos sem julgá-los, além de que pude ver a diferença física e funcional entre ocupações e moradias. A respeito da minha compreensão com a cidade, a visita à ocupação/moradia me deu uma ampla visão sobre o quão absurdo é as pessoas lutarem por uma coisa que é delas, pelos seus direitos, e ver a que ponto chega um país que não consegue pertencer e “atender” a todos.

Fernanda Tsukada

Os trabalhos de campo permitiram que nós pudéssemos ver de perto e entender melhor o que viemos discutindo em sala. Com as visitas e conversas, nós pudemos ver e pensar nessas situações por um diferente ponto de vista, uma vez que conhecemos o ponto de vista daqueles que vivem isso.

Isadora Lacerda

Com a ida à ocupação, aprendi muita coisa, coisas que nem sabia que existia no Brasil e de como a política só foi feita para o capital.

Maíra Tambelli

Os trabalhos de campo contribuíram para o nosso estudo pois exemplificou fatos sobre a produção e não apropriação da cidade, onde as pessoas não se apropriaram do maior direito delas, que é a moradia. Pude ter um conhecimento maior sobre a vida e o sofrimento de muitas pessoas.

Mariana Lourenzetto

Os trabalhos de campo contribuíram para a minha compreensão sobre a questão de moradia na cidade, pois até então já tínhamos falado muito sobre esse assunto em aula, porém ver na prática tudo o que estudamos é muito mais esclarecedor. Com as atividades, eu vi que em uma única ocupação podem se reunir vários movimentos diferentes, descobri que há dois tipos de ocupações (acampamento e moradia), coisas que eu não sabia.

Trabalho de campo: aprendizagem além dos muros da escola.

9ºs anos no Vale do Ribeira

Por Angela de Crescenzo

A realização de situações de ensino e aprendizagem fora dos muros da escola é uma antiga preocupação da Escola da Vila. As saídas para que os alunos conheçam e interajam com a cidade, parques, museus, locais históricos, bibliotecas, fazem parte e, de certa forma, complementam as atividades regulares que acontecem na escola. Geralmente, estão relacionadas à aprendizagem de conteúdos de áreas específicas, mas também são espaços que promovem aprendizagens relativas à formação do aluno enquanto estudante e como cidadão.

No Fundamental 1, os acampamentos e o dia do acampante têm como principal objetivo o fortalecimento do vínculo entre os alunos e deles com os professores. Em algumas séries esse convívio é incrementado pelo uso da língua inglesa, gerando assim uma maior exposição ao idioma com todas as vantagens que sabemos que esse contato traz.

No Fundamental 2 e no Ensino Médio, o trabalho de campo agrega às questões de sociabilidade/interação aspectos específicos de estudo relacionados à algumas disciplinas. Levar os alunos a campo – numa viagem de três dias (ou mesmo numa visita ao centro da cidade de SP) – é uma estratégia metodológica que utilizamos para que os alunos possam realizar estudos mais próximos da realidade, bem como desenvolver o “olhar” e o “fazer” de alguns procedimentos de pesquisador, próprios de cada disciplina. Os trabalhos de campo não se resumem, em nenhuma hipótese, à atividades recreativas!

Todo trabalho de campo pressupõe uma intensa preparação anterior com os alunos, que se dá através de aulas, leituras, levantamento de questões que serão pesquisadas, planejamento de ações, etc.

Na última semana de março, os 9ºs anos saíram a campo rumo ao Vale do Ribeira, em uma viagem que envolveu as disciplinas de Geografia e Ciências Naturais. Observar a arquitetura e os contrastes de Iguape, que foi uma importante cidade do estado de SP;  ouvir e conversar com o líder da comunidade quilombola, Chico Mandira; compreender como as famílias se  organizam para o manejo das ostras, saber como surgiu a cooperostra; conhecer o banco de engorda de ostras, forma que a comunidade desenvolveu, junto com pesquisadores de universidades, para sobreviver na época do defeso; conhecer um pouco do trabalho da associação de pescadores  artesanais; caminhar na mata atlântica na Ilha do Cardoso; conhecer o manguezal; são algumas das atividades realizadas cujo sentido jamais poderia ser obtido através de filmes, livros e aulas expositivas. É claro que, além de tudo, tem também um convívio com os colegas, diferente do que ocorre na escola e a diversão é garantida!

Depois de três dias de intenso trabalho em campo, é o momento de retornar, reunir e sistematizar os registros e as informações, com o objetivo de organizar os conhecimentos aprendidos “in loco”, trocar informações com os grupos, retomar as questões iniciais, disparadoras das pesquisas e tentar respondê-las com outro tipo de vivência e conhecimento sobre a realidade estudada.

Do ponto de vista metodológico, há uma distinção importante entre “ver o local” e “vivenciar o local”. É esta segunda dimensão a que buscamos promover quando propomos uma saída a campo com os alunos, favorecer o  relacionamento com o ambiente e com a comunidade.

Por isso, temos clareza que os conhecimentos construídos não podem ser totalmente controlados, muitas aprendizagens ocorrem além das planejadas. Um exemplo dessa imprevisibilidade, são as aprendizagens que aconteceram durante o contato dos alunos com as pessoas da comunidade quilombola. A entrevista e a conversa com o líder Chico Mandira foi antes planejada com cuidado em sala de aula, mas a riqueza do contato humano superou o planejamento.

Como colocaram os participantes da mesa de debate sobre o tema “Trabalho de Campo” no simpósio interno da Escola da Vila de 2008, criamos uma situação de aprendizagem que tinha como objetivo colocar determinadas pessoas em contato com determinadas coisas, esperando que desse contato surjam aprendizagens significativas.

Isso sem dúvida ocorreu com nosso grupo!

Chico Buarque – História e Canções

Por Bianca Laurino, 3º C – EM

Na segunda-feira, dia 02 de abril, os alunos do Ensino Médio da Escola da Vila foram presenteados com uma palestra sobre as músicas de Chico Buarque. O palestrante Wagner Homem teve suas falas ilustradas por Rogério Silva, que tocou e cantou ao vivo as músicas à medida em que eram mencionadas. Mesmo os menos chegados em MPB participaram do coro, cantando as frases que conheciam das músicas apresentadas, afinal, quem não sabe citar um verso de Chico que atire a primeira pedra. Os relatos referentes às circunstâncias em que foram compostas as canções despertaram curiosidade em todos, pois além de estarem relacionadas com o curso de Ciências Humanas de boa parte dos alunos presentes, que estudam neste momento a Ditadura Militar brasileira, estão imersos em um universo artístico muito rico. Desta forma, Wagner narrou uma série de histórias de diversas épocas da vida de Chico Buarque, nos contando um pouco das motivações que levaram às composições de músicas que marcaram o Brasil. Além de conhecer um pouco mais sobre as diferentes fases da vida de Chico e de suas parcerias com outros grandes nomes de música brasileira, como Tom Jobim e Vinicius de Moraes, os alunos tiveram a possibilidade de entrar em contando com um panorama de um período da história brasileira através de um meio diferente: a produção musical.

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Clique aqui para ver o registro fotográfico que Gabriela Sakata, aluna do 3º ano, fez da palestra.