De que Ciências falamos na Educação Infantil?

Por Daniela Munerato e Mariana Mas

Uma das principais características das crianças nesta fase do desenvolvimento é a grande curiosidade que as mesmas revelam por tudo que encontram e desejam compreender. Na escola e fora dela são muitas as experiências e inúmeras são as oportunidades de ampliar o conhecimento de mundo.

As próprias brincadeiras das crianças estão inseridas neste universo. O tempo todo as crianças tentam por em jogo o que já sabem, bem como experimentam novidades, de modo que o conhecimento empírico lhes garante grande repertório para interagir com o novo. Quem nunca misturou água e flores para uma comidinha na brincadeira de casinha? Ou fez uma poção mágica com sabonete ou restinho de shampoo na hora do banho?

Acontece que as experiências vividas muitas vezes passam despercebidas. As crianças resolvem muitos problemas no dia a dia mas refletem pouco sobre eles. Sabem que o alimento está sendo cozido e que logo, logo, o almoço ou o jantar será servido, percebem o aroma e as transformações a que são submetidos, mas não fazem muita ideia do que aconteceu para que essas mudanças ocorressem.

Na escola, este tipo de reflexão está garantida nas várias situações que envolvem, por exemplo, uma sequência de didática intitulada “Transformação nos alimentos”, que desenvolvemos com crianças de G3. Neste trabalho, de forma envolvente levamos as crianças a se aproximarem de conteúdos da química, como os conceitos estruturantes de matéria e transformação, e sempre nos surpreendemos com o que dizem e sobre o que podem pensar quando realizamos os experimentos combinados com os pequenos, muitos deles por eles propostos, para verificarmos suas ideias, suas hipóteses.

Na semana passada, mais uma vez, a equipe da Educação Infantil contou com a orientação de Ana Espinoza*, através de uma supervisão sobre o trabalho que desenvolvemos neste segmento. Mais uma vez, esta especialista nos ajudou a pensar sobre como pode ser tão instigante e ao mesmo tempo tão potente trabalho neste eixo com crianças pequenas, que já podem ser levadas a indagar, argumentar, enfim, CONHECER.

Ainda sobre o Grupo 3 (5 – 6 anos), o foco de uma de nossas sequências é o cozimento dos alimentos. Explicar o rápido cozimento da batata picada quando comparado ao cozimento da batata inteira, bem como de outros materiais, é o grande desafio. A cada visitação ao tema, novas conexões são estabelecidas e se tornam conhecimentos prévios para abordagens cada vez mais substantivas ao longo da escolaridade.

Vejam algumas falas de crianças desta série quando tentam explicar o cozimento mais rápido da batata picada:

“Eu já sei! A inteira veio dura e a picada, quando a gente corta, já vai ficando mais mole”.

“A inteira ficou dura porque não colocou água e fogo dentro dela e aí não ficou mole”

“A batata, antes de por no fogo, não é dura? Então se você abre ela entra água quente e ar na batata e aí fica mais mole! E a dura está com casca e inteira, a água não encontra o meio e aí não fica mole.”

“A batata inteira só tem água em volta dela e no meio não”.

“Eu acho que na inteira a água fica em volta, e na picada a água encontra por dentro da batata. Não tá picada? Então, a água fica por dentro! A inteira não tem buraco para água entrar”.

Em outra oportunidade daremos notícias do trabalho desenvolvido com outros grupos deste segmento. Aguardem!

*Ana Espinoza é licenciada em Química pela Universidade de Buenos Aires e é professora de Didática de Ciências da Educação.  

Acampamento em inglês.

Por Vera Lemos – Coordenadora de inglês do fundamental 1

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Os acampamentos em inglês proporcionam às crianças momentos de interação, descontração e novas descobertas com o idioma.

É fascinante para eles descobrir que podem se comunicar em ambientes e em situações diferentes das propostas em sala. Eles têm a oportunidade de experimentar novas vivências, conhecer novas brincadeiras, novos professores e monitores que falam inglês como nós, com pronúncias e sotaques diferentes. Mas todos se comunicam e os alunos compreendem que estudar um idioma é entender e se fazer entender onde quer que estejamos.

Esses momentos colocam nossos alunos em uma situação real de comunicação. Apesar de vivenciarem situações inéditas e diferentes do contexto de sala de aula, isso não os deixa inibidos ou inseguros. Muito pelo contrário, sentem-se tão estimulados, tão envolvidos, que passam a falar inglês entre eles. Percebem, então, que a comunicação é sempre possível e que, para isso, não é necessário entender todas as palavras, mas o importante é participar integralmente de todas as atividades e integrar-se com os colegas e com os professores de inglês que estão lá como companheiros, favorecendo também um novo olhar e um vínculo diferente entre eles.

Além disso, percebem na prática que os temas dos projetos intensamente trabalhados em sala de aula estão presentes a todo o momento e isso nos mostra que estamos atingindo os objetivos que esperávamos: o uso do idioma em situações reais de comunicação, pois sabemos que o inglês que deve ser aprendido em escolas hoje em dia não é mais de fachada. Não basta decorar algumas expressões e regras gramaticais. Sabemos que, no mundo de hoje, é necessário se apresentar e defender ideias com fluência e correção, negociar, dialogar, convencer, falar, ouvir e escrever. Enfim, o queremos é que nossos alunos se tornem usuários competentes da língua estrangeira, e durante o acampamento essas vivências são favorecidas, pois desde a hora que se levantam até a hora de se deitarem as atividades permitem uma interlocução constante com todos, favorecendo, assim, o uso e a prática do idioma.

Os desafios motores e os acidentes no espaço escolar.

Por Marcos Santos Mourão (Marcola)

O início das aulas traz as crianças de volta aos desafios físicos e motores do convívio escolar. Desde os pequenos, com os desafios relacionados ao novo espaço, até os “veteranos” com as brincadeiras de correr e pegar no parque, todos, inevitavelmente, se defrontarão  com os obstáculos físicos. Na maioria das vezes estes obstáculos são superados sem maiores problemas, mas em certas ocasiões eles podem causar acidentes, com alguns “ralados e galos”. Quando as crianças se machucam, somos inevitavelmente levados a perguntar: – Como foi que aconteceu? Aonde aconteceu? Com quem aconteceu? Certamente os pais também precisam e querem saber os cuidados dispensados aos filhos num momento de dor (e cabe a escola esta comunicação). Mas a abordagem dada neste texto para os acidentes é de outra natureza. Pensaremos na relação do espaço como elemento curricular. Nas escolas tradicionais, tanto a sala de aula como os espaços externos são rígidos e imutáveis, ou seja, a disposição das mesas, dos brinquedos do parque, das áreas de deslocamento e brincadeiras já são dados e não aceitam interferências nem do professor e muito menos das crianças. Do ponto de vista motor, existe uma conduta padrão correta para os deslocamentos, os sentidos na circulação das crianças, a ocupação dos materiais e do espaço no parque, que entre outras coisas, restringe a capacidade das crianças em lidar com os desafios e obstáculos do espaço físico. Pelo excesso de controle, é provável que os acidentes, quando ocorrem com as crianças, sejam tratados como desobediência delas ou descuido dos educadores.

Uma educação voltada para autonomia corporal pressupõe a existência de desafios físicos, que disparem inúmeras possibilidades de resolução nas crianças. Isso equivale a oferecer desde cedo diversas experiências motoras com brincadeiras, circuitos e exploração de materiais que promovam a descoberta e combinação de diferentes habilidades. Os espaços da escola devem ser vividos como componentes instrumentais, ou seja, devem ser mutáveis sempre que necessários. Pelos desafios oferecidos, é preciso que os acidentes, quando ocorrem com as crianças, sejam tratados como parte do processo de desenvolvimento. Uma parte sofrida, mas inerente.

Convite aos amigos leitores.


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Por Cibele Lopresti Costa

O Grupo de Formação em Literatura da Escola da Vila chega a sua 3ª edição!

As duas primeiras versões revisitaram as teorias sobre conto e poesia, além de explorar as estratégias didáticas para o trabalho com tais textos em sala de aula. Entretanto, aos nossos olhos, ficou clara a disposição dos participantes nos momentos de leitura compartilhada dos textos literários. Por isso, dessa vez, vamos intensificar o convívio de nossa comunidade leitora.

Para tanto, vamos ler, compartilhadamente, Memórias do subsolo, de Dostoiéviski, e, ainda, explorar outros textos do autor. Ao longo do curso, serão revisitados os elementos da narrativa e também os aspectos teóricos e históricos do romance, considerando as ideias de Benjamin, Lukács, Bakhtin e Barthes.

Agora a principal intenção é fortalecer vínculos entre nossos amigos leitores. Esperamos vocês, certo?

Faça já a sua inscrição acessando o site do Centro de Formação.

Você já ouviu falar em treinos esportivos na escola?

 

Por Washington Nunes Silva Junior – coordenação de esportes

Muitas pessoas acreditam que aulas de Educação Física e Treinos Esportivos são a mesma coisa.

Embora muitas coisas sejam comuns no seu desenvolvimento, como aprender as funções e os limites do corpo, trabalhar com cooperação e saber lidar com técnicas de movimentos, a Educação Física contempla muito mais o conhecimento da diversidade de jogos, brincadeiras, lutas, danças, ginásticas e esporte, além de promover uma crítica dessas atividades e sua relação com o mundo. Já os treinos esportivos favorecem também o aprendizado dos gestos técnicos específicos e as estratégias de jogo de uma modalidade esportiva específica. Além disso, a competição aparece para auxiliar na avaliação de desempenho e apontar as melhorias necessárias para seu desenvolvimento.

Nesse contexto, vira e mexe, escuto uma pergunta interessante: por que fazer esporte na escola?

Se pensarmos que um aluno começa a praticar um esporte com 9 e seguirá até os 18 anos, ao longo do tempo, com certeza, acontecerão mudanças interessantes.

Pode ser que ele perceba que não tem tanto jeito pra coisa, mas, vivenciou para chegar a essa conclusão. Também pode ser que se inscreva em vários esportes e, ao longo do tempo, opte por aquele que mais se identificou.

Mas, posso dizer que, quando um aluno decide fazer esporte na escola, acaba escrevendo uma história muito legal. Viver vários anos tentando aprimorar gestos técnicos, desenvolver estratégias individuais e com os companheiros para superar adversários ou dificuldades, experimentar e saber superar momentos de ansiedade antes dos jogos, de frustração ou euforia após derrotas e vitórias são algumas coisas que se leva para o resto da vida.

Sempre falamos disso com nossos alunos. Ao longo dos anos eles vão entendendo melhor. Quando chegam ao terceiro ano do ensino médio, a nostalgia começa a bater forte e a participação nas competições começam a ter contagem regressiva.

Mais tarde, quando os encontramos, eles contam da saudade ou das lembranças das equipes, dos fatos e dos jogos que os acompanharam ao longo do período escolar.

Acabou o carnaval e, no Brasil, o ano começa de verdade. Mesmo já tendo iniciado as aulas e os treinos esportivos, a partir de agora começamos efetivamente a montar equipes para as competições e a Olim Vila será a primeira, tendo sua abertura prevista para dia 05 de maio.

Afinal, por que fazer esporte na escola? Porque é muito diferente de fazê-lo em qualquer outro lugar, pois, temos a oportunidade de estar junto, em nosso dia a dia, com nossos amigos, com quem iremos estudar ao longo de toda a vida escolar. E isso não tem preço.

Bom ano a todos do esporte.

Inauguração do site da Biblioteca

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Por Angela Müller de Toledo

Estamos inaugurando hoje o site da Biblioteca da Escola da Vila. É uma alegria poder contar com um meio de divulgação do acervo, serviços e produtos deste setor que é tão importante para a viabilização dos inúmeros projetos de leitura, escrita e pesquisa que fazem parte do cotidiano escolar desde a Educação Infantil até a Pós-Graduação. Além disso, o site também facilitará a comunicação entre toda a comunidade e os funcionários das bibliotecas.

No momento temos três grandes áreas de consulta funcionando no site: Políticas, Indicações Literárias e Acervo.

Nas políticas os interessados encontrarão os objetivos do setor, as diretrizes para o desenvolvimento do acervo, assim como as principais regras de circulação de materiais e por categoria de usuário.

Dentro de um projeto mais amplo de formação do leitor, as indicações literárias pertencem a um grupo de ações da biblioteca que visa fornecer subsídios para a escolha do livro de literatura diante de um tão grande número de títulos disponíveis no mercado e no nosso próprio acervo. Esta é uma prática antiga nossa, temos mais de uma centena de pequenas resenhas dirigidas aos alunos e tantas outras dirigidas a pais e professores que, gradativamente, serão colocadas no site. As obras resenhadas não são, necessariamente, do grupo de novidades adquiridas pela biblioteca, ao contrário, a indicação pode ser de um livro que anda esquecido em nossas estantes, pois a ideia que nos move é a de que bons livros nunca envelhecem.

Finalmente chegamos à consulta ao acervo. Estamos abrindo hoje à pesquisa on line seis grandes classes de obras: generalidades, filosofia, religião, ciências sociais, línguas e literatura adulta, com o devido destaque para as áreas de psicologia, sociologia, política e para nossa coleção especial de educação.

Este é um grande passo na direção da informatização do acervo e dos serviços da biblioteca da Escola da Vila, mas também em direção a um objetivo maior que é a educação para as práticas de pesquisa.

Nos próximos meses abriremos um setor de novidades da aquisição, ou seja, uma lista de livros novos que entram nas bibliotecas, ao mesmo tempo em que trabalharemos na inserção dos dados da nossa imensa coleção de livros de literatura infantojuvenil.

Esperamos que todas essas novidades facilitem a vida dos usuários em suas rotinas e procedimentos.

O endereço é www.escoladavila.com.br/biblioteca

É meu! É seu! É nosso!


Por Adriana Reali

Aqui na Escola da Vila, desde muito cedo as crianças são convidadas a cuidar do material que é de uso coletivo e individual. Na educação infantil, a maior parte do material utilizado pelas crianças é de uso coletivo. Os lápis, as canetas, a massinha, o lego, os jogos etc, devem ser cuidados por cada um e por todos. Infinitas rodas de conversas são realizadas pelas professoras para falar sobre os cuidados e os procedimentos de uso de cada um desses materiais. Sabemos que as crianças são pequenas e precisam muito do apoio dos adultos, pais e professores, para que esse cuidado seja efetivado. À medida que as crianças crescem o cuidado e a organização do material na escola vai sendo, gradativamente, compartilhado.

Quando chegam ao final do grupo 3, última série da educação infantil, embora ainda pequenos, sabemos que já são capazes de assumir pequenas responsabilidades. No primeiro ano passam a ter o estojo com a maior parte do material que será utilizado no dia a dia. A mochila também deixa de ser padrão e cada um escolhe a sua própria mochila, mas, sem dúvida nenhuma, o estojo é a grande vedete da série.

As rodas a que me referi acima seguem acontecendo. As professoras conversam sobre os cuidados, os procedimentos de uso, o desperdício, a reposição. É nesse momento da escolaridade que as crianças começam a ter maior dimensão do que significa perder um material de uso pessoal, pois no momento seguinte irão precisar do lápis ou da cola que não se encontra no seu estojo. Em casa, durante a lição, perceberão que falta a borracha. É nesse momento que a intervenção e ajuda dos adultos faz o maior sentido. Tanto na escola quanto em casa se faz necessário conversas sobre responsabilizar-se por esse material de uso cotidiano. A reposição nem sempre deve ser feita imediatamente e a busca pelo material perdido deve ser compartilhada com o aluno e com os professores da sala.

Em cada classe há uma caixa de “achados”. Todo material encontrado sem nome e, a princípio, sem dono, é depositado nessa caixa. Constantemente os professores conversam com os alunos sobre os materiais que ali estão e estabelecem pequenas metas para que essa caixa se mantenha o mais vazia possível. Conversam sobre a identificação do material e sobre reconhecer o material perdido. É muito comum que as crianças não reconheçam seu próprio material e por isso é tão importante que as famílias compartilhem a tarefa de organização do estojo com as próprias crianças.

Ao longo de toda escolaridade seguimos investindo nesses aspectos e conversando com nossos alunos sobre “o que é seu, o que é meu e o que é nosso” e como devemos cuidar e nos responsabilizar por esses materiais de uso coletivo e individual e também nesse aspecto a participação das famílias é fundamental para que, cada vez mais, compartilhando essa tarefa, tenhamos sucesso nesse percurso.

O período complementar em 2012

Por Daniela Munerato

Cabanas coloridas no meio do parque, panos que escondem brinquedos diversos e promovem desde deliciosas brincadeiras simbólicas até o desenvolvimento de habilidades motoras quando é preciso atravessar um túnel ou subir nos módulos de madeira que compõem uma estrutura. Fantasias, instrumentos, música e muita animação: estamos no período complementar!

A rotina diferente marca este período onde crianças entre 3 e 6 anos têm a oportunidade de participar de um mesmo grupo na companhia do professor José Felipe.  Depois do momento de entrada e da organização do lanche que será consumido no período da tarde e das brincadeiras do início das nossas manhãs, vem o momento do lanche, especialmente preparado pela equipe da cantina, sob a orientação da nutricionista Elaine Occhi.

O momento do lanche é sempre um momento de descobertas! Do que será este suco? Quem consegue morder o milho cozido na espiga? Vocês já experimentaram panquecas? Situações que acontecem em espaços variados da Educação Infantil: piqueniques fora da sala ou a própria sala organizada em uma grande mesa ou, ainda, toalhas dispostas sob as cabanas. As pequenas variações no modo de configurar os espaços dão ensejo a experiências ricas, que incrementam o poder da imaginação e a criatividade.

Utilizar o espaço da cozinha é outra novidade! As crianças colocam as “mãos na massa” durante este bimestre, com as receitas de preparo de sucos, cujo principal propósito é a degustação de frutas da época. Depois daremos continuidade ao trabalho preparado, com os pequenos, sopas e saladas, tudo feito com as verduras e os temperos da nossa horta.

As aulas de circo representam uma novidade muito apreciada pelas crianças. O professor Rica utiliza diversos espaços da escola e propostas em favor dos exercícios que promovem o equilíbrio e o conhecimento do corpo. Fazem brincadeiras na parede de escalada, utilizam colchões e bolas bem grandes para as cambalhotas e já fizeram até pirâmide! (equilibrar-se com apoio em outra pessoa)

A capoeira também é um momento esperado. O professor João ensina gingas e muitos movimentos. Rapidamente vocês acompanharão as crianças cantarolando trechos das canções que são utilizadas durante a realização deste tipo de atividade. Aguardem!

Propostas de Arte encaminhadas pela professora de Inglês é outra novidade. Marisa é, antes de tudo, professora de Educação Infantil e tem grande domínio do trabalho nas diferentes áreas. Ela acompanha o grupo em propostas diversas, tudo com muita tinta e muita cor, conversando em inglês com as crianças.

Nosso tempo termina com a preparação para o período da tarde. Depois de almoçarem, realizarem a higiene e descansarem, cada criança vai para a sua sala encontrar as professoras e amigos de turma. Cabe ao professor José fazer esta passagem, receber um abraço forte de seus pequenos e aguardar o dia seguinte, com a promessa de novas aventuras!

A importância da formação permanente para quem entende que ensinar é tarefa complexa, qualquer que seja a idade dos alunos.

Por Dayse Gonçalves

No próximo dia 15 de março acontece o primeiro dos 27 encontros do Grupo de Formação Continuada sobre Práticas de Educação Infantil (3 a 5 anos de idade) promovido pelo Centro de Formação da Escola da Vila.

Ao longo dos encontros discutiremos a prática educativa em salas de Educação Infantil nos vários âmbitos do currículo: do brincar à formação literária. Com os olhos voltados para as várias dimensões da formação dos pequenos, refletiremos sobre o valor do olhar atento do professor para o grupo e para cada uma das crianças, e promoveremos discussões sobre visão de área, encaminhamentos didáticos inovadores e, principalmente, o valor dos instrumentos que permitem ao professor planejar e refletir sobre sua prática, com a finalidade de promover um ensino de qualidade.

Na abordagem dos diferentes conteúdos que serão tratados ao longo destes encontros, incluiremos alguns momentos muito especiais, com profissionais que dividirão com os participantes sua experiência em diferentes âmbitos, a saber:

Vicente Domingues, músico e coordenador de Ações Culturais da Escola da Vila, discutirá a presença da Música na escola, através das brincadeiras de roda, das canções e da construção de instrumentos.

Paula Lisboa, atriz e contadora de história, brindará o grupo com narrativas que têm encantado adultos e crianças, reafirmando a importância da tradição oral na formação das crianças.

Angela Muller, bibliotecária com especialização em produção cultural para crianças e jovens, e resenhadora da Bibliografia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil desde 2002, pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, levará o grupo a refletir sobre o valor de algumas obras de literatura infanto-juvenil, ampliando, com isso, nossos critérios de escolha e marcando a importância de alguns títulos na formação de nossos pequenos leitores.

Karen Amar, arte-educadora e formadora de professores, organizará várias ações formativas envolvendo oficinas práticas com os educadores e momentos de reflexão sobre o trabalho nesta faixa etária, a partir da experimentação dos materiais e das intervenções do professor.

Estão planejadas também duas situações de observação em salas de Educação Infantil da Escola da Vila ao longo do ano, e a utilização da plataforma moodle como espaço de troca de experiência entre os participantes e também como espaço de ampliação das experiências que terão início nos nossos encontros, através do compartilhamento de registros, textos…

Venha fazer parte deste grupo!

LEITURA CRÍTICA DE TEXTOS PUBLICITÁRIOS.

 

Por Aline Evangelista Martins

 

Talvez alguns leitores se lembrem da seguinte mensagem:

“O mínimo de tranquilidade que você precisa.”

Outros devem se lembrar das seguintes:

“Um raro prazer.”

“Uma simples questão de bem senso.”

Caso as marcas correspondentes aos slogans não tenham vindo à memória, segue o esclarecimento: o primeiro fazia parte de uma peça publicitária veiculada na década de 70, para anunciar o cigarro Colúmbia; a segunda e a terceira, ambas da década de 80, compunham os slogans do Carlton e do Free, respectivamente.

É fácil perceber que, de uma década para outra, as promessas em relação aos benefícios do tabagismo foram ficando menos explícitas. O mesmo aconteceu com as imagens que as acompanhavam: pouco a pouco o cigarro deixou de aparecer nas fotos e até mesmo as baforadas foram se escasseando; no lugar, havia jovens bonitos, sorridentes, aparentemente bem resolvidos.

Fora das telas, dos outdoors e das páginas de jornais e revistas, as pessoas fumavam. Jovens, adultos, idosos. No avião, na sala de aula, nas agências bancárias, nos escritórios… As cenas que eram tão naturais na propaganda eram também corriqueiras na vida real.

Felizmente nossos alunos e filhos não estão expostos à glamorização do tabagismo. E se hoje  lemos com espanto aqueles slogans reproduzidos no início do texto, é sinal de que houve mudanças significativas na comunicação. Nada daquilo é visto com naturalidade. Essa constatação nos leva a importantes questionamentos: que mensagens publicitárias são vistas com naturalidade hoje em dia?  Desejamos que essas mensagens sejam naturais? Em caso negativo, o  que temos feito para que deixem de ser?

Para que avancem na reflexão sobre questões como essas, os jovens precisam, antes de tudo, ler criticamente os textos publicitários. Na Escola da Vila, esse tema é contemplado no 8º ano. Ao longo de um trimestre, os alunos analisam peças publicitárias, a fim de observar a construção do discurso persuasivo. Não se trata de avaliar as peças, para julgar se são boas, criativas ou interessantes; o foco é identificar os propósitos do texto, refletir sobre a produção e recepção deles e analisar sua construção: o que a imagem diz e, portanto, o texto não precisa dizer? Que aspectos da imagem o texto ressalta? Como os recursos verbais e os não verbais se complementam? Há alguma promessa implícita? Que sentimentos a peça procura despertar? Essas e outras perguntas orientam as etapas do projeto, durante o qual os alunos identificam os recursos que se articulam para promover a persuasão e, dessa forma, desenvolvem competências importantes para a realização de uma leitura mais refinada e mais crítica.

Concomitantemente às análises, ocorre a reflexão sobre ética na publicidade e sobre a influência da propaganda nos hábitos de consumo e na formação de valores. Esse é o caso do trabalho em que os alunos analisam o modo como o corpo é representado nas peças publicitárias, observam os estereótipos de beleza que são divulgados e discutem o impacto que isso pode ter na saúde e na relação do jovem com o próprio corpo.

Os seguintes trabalhos ilustram o tipo de análise que os alunos fazem.

“Corpo e mídia” – trabalho desenvolvido em parceria com os professores de Ciências Naturais

Análise da publicidade das Loterias Caixa.

É muito estimulante observar a forma como um texto que sempre esteve tão presente na vida dos alunos se abre para novos significados, os quais suscitam reflexões inusitadas. E o mais interessante é saber que o 8º ano passa, mas a leitura mais refinada e mais crítica permanece. Exemplo disso é a mensagem abaixo, enviada por correio eletrônico por um aluno que, na ocasião,  estava começando o 2º ano do Ensino Médio.

Aline, boa noite!

Aqui quem fala é Rafael, que foi seu aluno no 8º e 9º ano, se lembra?

Tudo bom com você?

Estou lhe mandando esse e-mail pois acabei de assistir na TV Globo uma propaganda publicitária sobre o novo Kia Cerato. Se bem me lembro, publicidade é o tema central de estudo do 8º ano. Acho que essa propaganda ilustra muito bem aquela questão do apelo racional e emocional. Assista-o e veja o que acha! O link está logo abaixo (não é vírus). Um beijo!

O olhar do leitor não se dirigiu para as qualidades do carro, tampouco para a promessa de uma vida melhor a bordo dele. Ao contrário, ele adotou uma postura ativa, própria de quem sabe ler o que está explícito e o que está implícito e sabe também discutir, trocar idéias, interagir com outros leitores – ações que caracterizam não apenas o bom leitor, mas também o consumidor consciente e o cidadão ético.