A força da formação esportiva

6_6_2014

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Por Washington Nunes, coordenador de Esportes

Quando alguém se depara com o tema “formação esportiva”, imediatamente imagina um processo de treinos esportivos de alto rendimento. Na verdade, o esporte é toda a forma de praticar atividade física com objetivos de equilibrar a saúde, melhorar a aptidão física ou proporcionar entretenimento e lazer aos participantes, e essas práticas podem ser realizadas ocasionalmente ou serem organizadas por federações, escolas, clubes, etc. Quando temos a responsabilidade de organizar um projeto de formação esportiva, sabemos que ele deve ser apresentado propondo uma série de ações que possam garantir esses objetivos.

Um bom projeto deve contemplar diferentes eixos de trabalho que estimulem o desenvolvimento físico, como o aumento do consumo e da melhoria do transporte de oxigênio, aumento da força muscular e da capacidade de resistir ao esforço; o motor, melhorando o controle do corpo e de objetos; o cognitivo, que é a capacidade de perceber, antecipar e tomar decisões; e o afetivo-social, que é a possibilidade de passar por diferentes experiências emotivas e de se relacionar bem com outras pessoas.

Todas as práticas devem ser realizadas com objetivo de melhorar individualmente o praticante, e também fazer com que ele possa vivenciar diferentes trabalhos coletivos, estimulando a cooperação e a convivência. Vale destacar que a formação ética deve permear todas as atividades, pois implicam na compreensão das normas para regular o convívio e a prática coletiva.

O repertório de aulas deve ser variado e oferecer a possibilidade da descoberta e do conhecimento do corpo, suas limitações e como vencer esses limites, além de oferecer estratégias que façam com que os praticantes tenham que, constantemente, tomar decisões. Há momentos em que ocorrem desequilíbrios emocionais e, então, surge a oportunidade de refletir e discutir sobre como controlar melhor o corpo, os objetos e, principalmente, o comportamento emocional frente a situações que ainda não foram vivenciadas.

Dentro desse projeto, deve haver também os treinos esportivos, que têm como objetivo estimular habilidades específicas de diferentes esportes, oferecer a aprendizagem de jogar em grupo, discutir estratégias, tentar superar dificuldades e resolver diferentes problemas que surgem num jogo, e fazer com que seus praticantes atinjam altos níveis de execução das habilidades e a plenitude dos conceitos coletivos, sem colocar a vitória como premissa e, sim, os valores educacionais que o esporte pode oferecer.

As atividades externas são experiências que também fazem parte desse projeto, pois, com jogos e competições (em diferentes espaços, como escolas, clubes, e até em viagens) podemos oferecer vivências nas quais os alunos possam confrontar competências, refletir sobre elas e tentar adicionar conhecimento a partir dessas.

Com o passar dos anos e a vivência dessas experiências, dentro do processo de escolaridade, espera-se que a autonomia e o conhecimento das diferentes vertentes da formação esportiva se cristalizem. Os alunos do 9º ano, por exemplo, organizam eventos como os torneios interclasses, e os alunos do Ensino Médio participam de tutorias com alunos da Educação Infantil, ensinando (e aprendendo) novos jogos e brincadeiras. Fora da escola, espera-se que os estudantes possam, ao atingir a maturidade, aumentar o processo de convivência coletiva e ter boas atitudes em relação aos cuidados com sua saúde e bem estar.

Esse é o Projeto de Formação Esportiva da Escola da Vila. Essa é sua força

A inclusão como uma das forças da Escola da Vila

4_06_2014

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Por Maria da Paz Castro (Gunga) e Irene Antunes

Nossa conversa de hoje aborda um tema muito frequente em diversos espaços de discussão sobre a educação. Trata-se de avaliar as implicações de uma prática inclusiva dentro de uma escola construída sobre os alicerces do construtivismo, e que responde por um projeto pedagógico consistente. Em outros termos, quais as vantagens da inclusão para todos os participantes da escolar regular?

Essa é uma questão que deve ser vista a partir das diversas facetas da escola e do fazer educativo, considerando o ponto de vista de todos os sujeitos que a compõem: professores, pais, funcionários e, principalmente, alunos.

Para os professores, ensinar levando em conta a diversidade de saberes e competências significa contemplar, além de uma ampla gama de conteúdos, as diferentes formas de construí-los, apresentadas por cada um dos alunos. Isso não é tarefa fácil, e fugir desse desafio a partir de padronizações excessivas é o caminho mais comum. Mas o educador que enfrenta realmente o desafio, constata que, além de ninguém aprender na mesma forma, ele não é o único a ensinar, e passa a promover interações controladas, bem planejadas, que obriguem um trabalho cooperativo que resulta importante para todos. Ganha o educador e ganham os alunos, que, para além de aprender os conteúdos, desenvolvem a competência de trabalhar em grupos diversos, e participar de trabalhos colaborativos reais.

Na perspectiva dos alunos, sabemos que uma aprendizagem verdadeiramente significativa só acontece quando ele conta com a oportunidade de compartilhar, confrontar e reconstruir seus saberes com seus pares, desempenhando diferentes papéis nas situações de aprendizagem e lidando de diferentes formas com os objetos de conhecimento. A presença da diversidade amplia de forma significativa essas oportunidades, convocando todos a participar de forma ativa de uma rede de conhecimentos que se cria em cada sala de aula. Desde pequenos, nossos alunos são convidados a desempenhar os papéis de quem ensina e de quem aprende, concomitantemente, e é dessa maneira que avançam em seus processos de aprendizagem: ressignificando os conteúdos a partir da intervenção de um colega mais capaz e reorganizando seus esquemas de aprendizagem para ensinar algo àqueles que precisam de ajuda.

Talvez em escolas nas quais o currículo carregado não permita o tempo da aprendizagem profunda, onde tanto alunos quanto professores se encontram presos em um currículo composto por um montante enorme de conteúdos a serem apresentados sempre de uma mesma maneira, a presença de alunos em situação de desvantagem, em sala de aula, represente um problema, um desafio que desorganiza e atrapalha o funcionamento regular. Mas não na nossa escola.

Aqui, convidamos todos, inclusive aqueles que apresentam dificuldades, a lidar com elas de forma a fortalecer suas competências, criar novas estratégias para resolver os problemas que são apresentados, utilizá-los para construir novas aprendizagens, e, o mais importante: “aprender a aprender”, condição fundamental para a construção gradual de uma autonomia intelectual, almejada em todas as nossas ações.

Para os funcionários, os processos inclusivos do nosso projeto pedagógico são estímulos ao desenvolvimento profissional e humano, pois aqui aprendem constantemente sobre nossos alunos, e constroem um olhar positivo que migra do sentimento de empatia para a possibilidade de interação e contribuição com o aprendizado de todos.

Para os pais, há as dúvidas, muitas vezes legítimas, “É possível considerar ‘forte’, uma escola que se propõe a ensinar aqueles alunos que, supostamente ‘sabem menos’?”; ou inseguranças como: “Será que a atenção requerida por estes alunos não acaba por interferir de forma negativa no andamento das aulas, uma vez que o professor deve estar sempre preocupado com as dificuldades que eles apresentam?”. Cabe a nós evidenciar os ganhos que todos têm numa comunidade como a nossa.

O encontro diário com as singularidades de cada um, que fazemos questão de promover, representa, para nós, uma condição para oferecer aos estudantes um processo de escolaridade completo, que não se limite à aprendizagem de conceitos e procedimentos, mas os oriente também na construção de um olhar questionador e desconfiado para a sociedade na qual estão inseridos, em que a busca pela formação individual e a competição são cada vez mais valorizadas, em detrimento do cultivo de valores coletivos e comprometidos com a ética e a cidadania.

Uma escola que vê na inclusão uma força educacional saberá oferecer as garantias de que, ao conviver com todos, mas também com pessoas com deficiência, nossos alunos aprenderão mais, mas muito mais mesmo, do que aqueles que não têm esta oportunidade.

Aprenderão a reconhecer os direitos daqueles que não são exatamente como eles, aprenderão a articular diferentes pontos de vista, e ter de adaptar seus discursos, explicações e convicções, aprenderão a ser menos centrados em si mesmos e olhar para o coletivo, aprenderão a olhar a cidade em que vivem criticamente, buscando nela os sinais da inclusão social, aprenderão que as leis devem ser feitas para todos e, quem sabe, terão maiores chances de construir um país mais justo, mais inclusivo, com lugar para todos os cidadãos.

Esse compromisso, firmado com os alunos e suas famílias no momento em que se juntam a nós, e reforçado nas propostas e nas intervenções do dia a dia, é parte indissociável de um conjunto de ideias, características, ações e valores que atribuem à escola um caráter verdadeiramente forte.

Escola-forte e Escola forte, algumas elucubrações

Por Susane Sarfatti

Tio Patinhas e sua caixa-forte: essa é a primeira imagem que me aparece quando ouço alguém dizer “escola-forte”. Esquisitices à parte, pergunto-me quando o uso do hífen passou a ser necessário para ligar as palavras escola e forte? Por que virou palavra composta?

tiopatinhas8Contudo, não me deterei em responder a essa questão, mas me darei o direito de devanear sobre ela. O primeiro sentimento ao ouvir essa palavra composta é de rejeição, porque me remete à necessidade de segurança máxima para se proteger do iminente ataque dos irmãos Metralhas, ao acúmulo sem qualquer fim e ao mergulho solitário na superfície dura e fria do mar de moedas. Analogamente à escola-forte, também precisaria de alta proteção dos vários possíveis ataques, acúmulos de todos os tipos e sem qualquer propósito, e buscas solitárias: quadrinhos de terror.

Um segundo sentimento surge quando me lembro da satisfação do Tio Patinhas olhando e limpando a Moeda Número 1, e identifico-me: essa sim deve ser bem cuidada, lá está a história do sujeito e, por isso, merece ser guardada. Essa é a escola forte.

A segunda imagem que me aparece quando ouço escola-forte é o homem-bombado que investe nos bíceps e tríceps, esquecendo-se das pernas, que ficam fininhas, coitadinhas.

Screen shot 2014-06-02 at 09.09.11Uma escola forte, sem hífen, precisa cuidar das bases, da história, da cultura. Parece que o marombeiro não sabe, mas a aparência é observada no conjunto, então não vale só olhar para os membros superiores, certo?

Escola forte, então, é aquela que sabe cuidar das suas bases, ensinando a cultura literária, artística, científica e histórica para seu alunado de forma que aprendam e não simplesmente memorizem, estimulando o pensamento para que não se conformem com as injustiças e se sintam aptos para resolver os problemas, valorizando as relações interpessoais e a cooperação, mas principalmente incentive o gosto pelo conhecimento e pelo desejo de aprender. Enfim, uma escola forte tem como foco o processo de humanização.

“Entendo aqui por humanização (já que tenha falado tanto nela) o processo que confirma no homem aqueles traços que reputamos essenciais, como o exercício da reflexão, a aquisição do saber, a boa disposição para com o próximo, o afinamento das emoções, a capacidade de penetrar nos problemas da vida, o senso da beleza, a percepção da complexidade do mundo e dos seres, o cultivo do humor. A literatura desenvolve em nós a quota de humanidade na medida em que nos torna mais compreensivos e abertos para a natureza, a sociedade, o semelhante.” 

Antonio Candido, em Direitos Humanos e Literatura

O grande professor Antonio Candido coloca o foco na importância da literatura para o processo de humanização, e quem sou eu para discordar, contudo sabemos que há outras vias de acesso tão nobres quanto a que ele cita. Para ilustrar, selecionei alguns trechos dos últimos textos do blog:

“O acesso a produções artísticas de relevância histórica não é novidade para os alunos da Escola da Vila. Além de visitas periódicas a museus, centros culturais e bienais, atividades que fazem parte do currículo do Ensino Fundamental 1, 2 e Médio, os alunos dessa escola convivem diariamente com uma coleção de arte contemporânea acessível a toda comunidade escolar”, Renata Pedrosa, em A esfera pública da arte. 

“Quem já esteve numa sala de aula repleta de jovens extasiados diante de um poema, um conto ou um trecho de romance, sabe o quanto é tocante presenciar o encontro com a beleza e o natural desejo de compartilhar o estranhamento, a emoção, enfim, a experiência estética”, Aline Evangelista Martins, em É extremamente triste estar sozinho quando se encontra a beleza.

 “Eu entrei para o grupo Vila Ativa (…) porque eu gostaria de me aprofundar no assunto discutido no grupo: o transporte. Essa discussão é bem atual e estão ocorrendo diversas mudanças que dizem respeito a ela (…) e quero entender mais sobre como funciona e se organiza o transporte em nossa cidade”, relato de Nina Ayumi, aluna do 8º ano, no texto de Rogê Carnaval em ‘Projeto Vila Ativa 2014’. 

“Durante uma sequência de estudo, os alunos resolvem vários problemas, sozinhos ou em pares, com diferentes níveis de complexidade. Apresentam estratégias, discutem ideias e são incentivados a ir além do resultado, já que os diferentes percursos para atingi-los também são objeto das discussões”, Gislaine Carvalho Rasi, em Como instigar a perseverança dos alunos na resolução de problemas de matemática.

No dia a dia da Escola Vila, presencio cenas que dariam uma bíblia de ações relacionadas à escola forte, aquelas que visam formar alunos que não neguem a reflexão, não embruteçam as emoções, não deixem de perceber os problemas da vida e sua complexidade, não tenham um único ideal de beleza e não deem risada do outro, sem perceber que no outro também está o eu, e não busquem “justiça” só para si mesmos. Dito assim, poderia parecer que já temos a Moeda Número 1 ou que nossos músculos já estão prontos para uma competição de halterofilismo, mas estamos longe disso, porque sabemos que o processo é longo e sem fim. O mundo se transforma, a escola muda: quadrinhos de suspense…

A força da escrita

Escrever para ler melhor, ler para escrever melhor: as interfaces de uma concepção de ensino de língua

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Produção de conto a partir de uma fotografia – Projeto de 8º ano

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Por Aline Evangelista Martins

Houve um tempo em que escrever na escola era uma coisa, escrever fora da escola era outra. Fora da escola se escrevia para participar da vida cidadã e de situações sociais e artísticas. Na escola, escrevia-se para aprender a escrever.

Há cerca de trinta anos, pesquisadores da área da didática da língua passaram a problematizar a situação e a apontar caminhos decisivos para a mudança desse quadro, de modo que tem ficado cada vez mais evidente que as propostas de escrita que são feitas na escola devem preservar, tanto quanto possível, as características que elas têm fora dela.

Essa perspectiva coloca as práticas de linguagem no centro do projeto pedagógico, o que implica considerar o valor da escrita para a participação cidadã, para a atuação na vida acadêmica e para a criação artística. Essa forma de entender o trabalho com a escrita impõe muitos desafios: os “textos da vida real” são complexos, a produção deles demanda muita leitura, pesquisa, tempo e disposição para revisão.

O trabalho é exigente e requer investimento, mas todo o esforço se justifica diante das conquistas que observamos. Tomemos como exemplo o Projeto Revista, do 7º ano. Depois de explorar muitas revistas eletrônicas e de pensar sobre o papel que esses veículos cumprem nos dias de hoje, os alunos vivem o desafio de montar uma revista: definem o público leitor, pensam nas editorias, participam da decisão sobre o layout, escolhem o nome e começam a aventura como jornalistas!

Um dos primeiros grandes desafios a vencer é planejar, executar e editar uma entrevista coletiva. Cada classe escolhe seu entrevistado, e, coletivamente, os alunos pensam sobre o objetivo da entrevista, sobre o que o leitor da revista espera de um texto publicado ali, sobre a forma de aproveitar ao máximo a conversa com o entrevistado para oferecer informações interessantes e relevantes para os leitores. A preparação também envolve uma reflexão profunda sobre as responsabilidades implicadas em trabalhar com a palavra do outro: como interagir, como conversar, como gravar, como recuperar tudo o que foi dito. E, mais que isso: como trabalhar com material bruto e editá-lo para uma versão escrita da entrevista? Como editar a fala, respeitando tanto o conteúdo, quanto as características de estilo que marcam o discurso do entrevistado?  Como  transpor para a linguagem escrita um texto que foi produzido oralmente?

Para realizar esse trabalho de edição, a entrevista é transcrita e cada fala é cuidadosamente editada, para se adequar ao padrão escrito da língua.

Entra aí um estudo interessante sobre sintaxe: não a abordagem meramente classificatória, que se limita a descrever funções sintáticas e convidar o aluno a identificar e classificar termos da oração, mas um estudo que propõe comparar  a sintaxe da língua falada e a da língua escrita e usar esse conhecimento para resolver problemas que a escrita coloca.

Vejamos o seguinte exemplo:

Transcrição do texto que foi falado pelo entrevistado:

Na época era mais fácil. Era mais fácil tocar baixo e porque, assim, na turma já tinha o baterista, já tinha o guitarrista, já tinha o tecladista…”,

Diante de desafio de transformar esse texto que foi falado em um texto escrito, os alunos precisam pensar sobre a organização sintática mais conveniente: as repetições próprias da língua falada não devem ser preservadas na escrita. Sendo assim, cabe pensar sobre o que deve ser mantido e o que pode ser eliminado, sem alterar o conteúdo da declaração. A decisão implica uma reflexão sintática: qual será o sujeito? Qual será o  predicado? Que informações deve haver nesses termos? Qual é a ordem mais conveniente para  disposição deles na oração? Com pontuar? A sistematização desses conteúdos, contextualizada no trabalho de edição, amplia a consciência linguística e oportuniza que o desafio seja superado.

Observemos a seguir o resultado da edição:

Na época era mais fácil tocar baixo, e na turma já havia o baterista, já tinha o guitarrista, o tecladista (…)

As repetições foram eliminadas, bem como alguns termos que marcam a oralidade e que não são próprios da escrita; o texto ficou mais enxuto e adequado ao gênero. Ao mesmo tempo, conhecimentos sobre a estrutura das orações foram sistematizados.

Esse exemplo permite que observemos muitas características que marcam a  forma como entendemos o trabalho com as práticas de linguagem: o esforço de preparar uma boa entrevista coletiva implica muitos procedimentos: ter tudo em ordem para receber o convidado, saber muito sobre ele,  ter boas perguntas preparadas e ter muita clareza sobre a importância de oferecer informações consistentes e interessantes para os leitores. Depois da entrevista, destaca-se o compromisso com a edição e com o tratamento que é dado à palavra do entrevistado. O tempo todo estão em jogo três instâncias: aprendizagens linguísticas, respeito ao entrevistado e respeito ao leitor.

Cabe ressaltar, ainda, que esse processo, embora voltado para a escrita,  também incide muito sobre as práticas de leitura e sobre a preparação para a participação cidadã. Afinal, os alunos saem dessa situação com muitos elementos para analisar as entrevistas que leem. Assim como se preocupam com a qualidade da informação, esperam que os meios de comunicação se preocupem em oferecer a eles informação de qualidade. Assim como consideram os leitores o tempo todo, esperam que sejam considerados, enquanto leitores.

Como alerta Emilia Ferreiro, pesquisadora que sempre nos inspira e nos aponta caminhos, o esforço de colocar a própria palavra por escrito  contribui decisivamente para que os alunos possam “compreender melhor a estrutura, a força elocutória e a beleza dos textos que outros produziram”.

Assim entendemos um projeto de ensino e aprendizagem pautado nas práticas de linguagem. Assim entendemos a força da escrita na formação dos jovens. Na Escola da Vila, os princípios que foram descritos aqui para o Projeto Revista estão presentes em todas as propostas de ensino da leitura e da escrita ao longo da escolaridade, dando suporte a essa construção de longo prazo, tão importante para a vida acadêmica e cidadã.

Como citamos aqui o trabalho dos jovens jornalistas da Revista Explosão, aproveitamos para convidá-los a apreciar o resultado do trabalho árduo e marcado pelo envolvimento e pela seriedade dos alunos e dos professores do 7º ano. Clique aqui e acesse as entrevistas coletivas dos 7ºs A, B, C e D, em duas versões: audiovisual e escrita.

Boa leitura!

Escola forte versus Escola-forte

26_05_2014

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Por Maria Ivone Domingues

Muitos pais que procuram escolas com propostas mais inovadoras vivem sentimentos antagônicos durante a escolaridade dos seus filhos. Se, por um lado, reconhecem que os filhos “aprendem a pensar”, como costumam dizer para se referir ao trabalho intelectual que a escola promove, por outro lado, sentem falta de determinados conteúdos que consideram simbólicos, essenciais. “Vi que meu filho não sabe todas as capitais dos estados do Brasil. Fiquei chocado. O que ele sabe de geografia, então?

Todas as escolas fazem recortes curriculares. Não é possível ensinar tudo. Escolas que têm uma proposta inovadora, como é o caso da Escola da Vila, que se preocupam com o sentido que os alunos atribuem ao que estão aprendendo e não fazem “desfile de conteúdos”, seguindo um capítulo do livro didático atrás do outro, lidam com alguns mitos: surgem, por exemplo, dúvidas quanto à adequação do volume dos conteúdos abordados e à presença dos conteúdos mais tradicionais no currículo.   

Especialmente quando os filhos crescem, começa a prevalecer a demanda pelo que chamam de “escola forte”, que poderíamos grafar como “escola-forte”, instituição vinculada às ideias de segurança, controle, tradição, permanência. Espaço fortemente cercado, delimitado, protegido do mundo exterior.  As inovações curriculares, admiradas pelos pais nos anos iniciais da escolaridade, podem perder força em relação a demandas por conteúdos simbólicos que se tornam quase sinônimos de uma escolaridade consistente.

Eu acho maravilhoso o jeito que vocês ensinam, queria ter tido a oportunidade de estudar desse jeito, mas fico na dúvida se meu filho aprende tudo o que é ensinado nas outras escolas. O meu sobrinho está na mesma série e já sabe regra de três!”

Durante as próximas semanas, publicaremos uma sequência de textos neste blog com o objetivo de provocar uma reflexão conjunta sobre esses mitos e mostrar que o que a gente ensina aqui na Vila, embora  tenha uma abordagem específica, que busca conservar o sentido e evitar a fragmentação, não difere substancialmente, em termos de temas de estudo, do que é ensinado na maioria das escolas. Não praticamos um currículo de Saturno,embora nossa visão de currículo inclua alguns conteúdos que não costumam ser vistos como tais, como é o caso das práticas de estudo, por exemplo.

Nosso intuito é explicitar as nossas forças, já que nos consideramos uma escola tão forte, que é capaz de se rever constantemente. Escola que também se sente segura para mostrar da forma mais organizada possível sua produção pedagógica, e discuti-la com outras instituições, a fim de refletir e encontrar soluções para os problemas comuns do universo escolar.

Buscamos o aperfeiçoamento constante, assumindo nossas imperfeições. Vivemos permanentemente a aventura de inovar criticamente.

Em tempo: as mudanças não entram na escola sem pedir licença. A reflexão e os princípios apresentados anteriormente neste blog estão sempre na porta e guiam o caminho das visitantes.

Recomendamos a leitura do texto da escritora Noemi Jaffe sobre o tema da escola forte.

Noemi foi professora do Ensino Médio da Escola da Vila.

A esfera pública da arte

Por Renata Pedrosa
Professora de História da Arte do Ensino Médio

A arte nem sempre foi acessível ao grande público. Por muito tempo, a produção artística ficou restrita ao clero e à aristocracia. É no século XVIII que tem início o surgimento de uma cultura urbana e, com ela, uma solicitação por uma esfera pública da arte. O Museu do Louvre, inaugurado em 1793, é o primeiro museu público francês. E os Salões de Arte, representados brilhantemente nas charges de Honoré Daumier, foram criados por pressão da burguesia que pleiteia acesso à cultura.

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Os Salões de Arte duravam de três a seis semanas, e atraíam multidões. Era a primeira vez que a arte se emancipava dos preceitos da corte, do Estado e da Igreja, e passava ao embate com público. Os críticos de arte, como Charles Baudelaire, surgiram no papel de porta-vozes deste novo público, produtores de sentido que chancelavam as produções dos artistas nos salões.

No século XIX inicia-se a “era dos museus”, e diversos museus são criados na Europa. No século XX acontece o processo de especialização dos museus onde são criadas instituições que abrigam e conservam a produção de épocas específicas, como o Musée D’Orsay em Paris, dedicado à arte da segunda metade do século XIX, e o Moma (Museum of Modern Art) em Nova York, dedicado à arte moderna do século XX.

O acesso às artes visuais democratizou-se ao longo da história e permitiu que o grande público tivesse acesso a produções que antes estavam restritas às classes dominantes. Hoje os museus, os centros culturais e as feiras de arte continuam atraindo multidões ao redor do mundo e a produção de arte brasileira está cada dia mais presente nas instituições artísticas mais conceituadas dos grandes centros urbanos.

Em recente artigo para a Folha de S. Paulo, Silas Martí descreve o atual interesse dos galeristas nova-iorquinos por produções de artistas brasileiros como Mira Schendel, Lygia Pape, Lygia Clark, Hélio Oiticica e Geraldo de Barros. Artistas que iniciaram sua produção na década de 1950 e que, hoje, segundo Martí, têm suas obras comercializadas por valores que chegam a 5 milhões de reais.

O acesso a produções artísticas de relevância histórica não é novidade para os alunos da Escola da Vila. Além de visitas periódicas a museus, centros culturais e bienais, atividades que fazem parte do currículo do Ensino Fundamental 1, 2 e Médio, os alunos desta escola convivem diariamente com uma coleção de arte contemporânea acessível a toda comunidade escolar.

Ao longo dos anos, a Escola da Vila vem formando uma coleção de arte contemporânea brasileira digna de museus tais como o MAM (Museu de Arte Moderna de São Paulo) e o MAC (Museu de Arte Contemporânea da USP). Seu acervo conta com produções de artistas que iniciaram sua carreira na década de 1980 (Rodrigo de Andrade, Sergio Romagnolo, Claudio Cretti, Leda Catunda e Nuno Ramos) e que hoje já fazem parte da história da arte de nosso país. Suas produções estão espalhadas por jardins, bibliotecas, halls e áreas de convivência das duas unidades – Butantã e Morumbi −, geralmente acompanhadas de identificação. A escola entende que, apesar do risco que corre quando coloca sua importante coleção nos espaços de convívio dos alunos e funcionários, esse acesso é constituinte da proposta de tratar a cultura como instrumento indispensável do pleno desenvolvimento humano.

Se este texto despertou o seu interesse para conhecer um pouco mais sobre a coleção de arte da Vila, veja a seguir o levantamento de algumas obras da escola feito pelos alunos Caio Canedo Romano e Arthur Bekin de Andrade, do 1º ano do Ensino Médio.

A importância das experiências vividas na infância

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Por Daniela Munerato

Histórias são fundamentais na nossa vida! Histórias para contar, para lembrar, para construir um percurso, uma vida. É pena que num mundo tão tecnológico tantas oportunidades de experiências se percam em função dos video games ou dos joguinhos sempre à mão nos celulares ou nos tablets. Eles saem das bolsas dos adultos como entretenimento para as crianças, em diversas situações, em que os adultos não sabem o que fazer: à mesa dos restaurantes, no trânsito, em diversos lugares. Quando éramos crianças saíam das bolsas de nossas mães as folhas para desenhar, um brinquedo para montar ou simplesmente algo para brincar, como um bonequinho. Fora isso, brincávamos de achar nas ruas carros de determinada cor, inventávamos adivinhas e histórias a serem completadas, cantávamos. Era muito divertido!

Precisamos de experiências para contar, experiências realmente vividas, não virtuais. Que elas não se percam, mas encantem e sejam motivo de reuniões familiares, de muitas risadas, e a certeza de um tempo que passou e deixa marcas importantes. E, ainda, que um dia poderão ser lembradas ou até mesmo ensinadas a alguém, quem sabe, até muito tempo depois de terem acontecido.

E a tecnologia? Que venha sim, em favor de muitas situações, em seu tempo e contexto, considerando a criança sem precisar substituir brincadeiras motoras, coletivas ou simbólicas, tão apreciadas e importantes nessa fase do desenvolvimento.

Penso que o momento de parque na escola, hoje, mais do que nunca, representa o que era para nós o quintal da nossa casa, uma oportunidade de exploração sem fim, de brincadeira. Segue um pequeno trecho de observação:

“Uma criança abaixada no tanque de areia segura, com olhos curiosos, uma pedrinha que acaba de ser encontrada. Ao sol a pedrinha brilha sob a poeira e logo é revelada como tesouro. Considerando que no pensamento da criança tudo precisa ser compreendido em poucos minutos, ouvem-se histórias de piratas ou o desejo de encontrar outros tesouros no mesmo espaço.

Também na areia outra criança observa atentamente o caminho das formigas e inicia seu relato informando que se trata de uma grande família tentando encontrar sua casa. Quem vai à frente? A mãe, pois precisa cuidar dos filhos.

As formigas são repentinamente molhadas com a água que vaza dos furinhos da peneira de uma criança que caminha rapidamente até o tanque de areia. A intenção era que a mesma água chegasse ao bolo de aniversário que esperava uma cobertura de chocolate. Que pena! A água virou mar de formigas e na rampa muitos observam o caminho da água descendo e traçando linhas inesperadas.

E quando a água não é mais motivo de atenção, já estão impressionadas com o tamanho das bolhas de sabão sopradas por alguém próximo ou em um avião que acaba de passar.”

Sim, é tempo de retomar condutas importantes como ouvir, esperar, observar, no momento corrido no qual vivemos e inserimos nossos pequenos. Ter um tempo para pensar o que se deseja fazer, olhar espaços, inventar, encontrar pessoas, aprender brincadeiras, descobrir sons. As crianças têm a imaginação muito aguçada, precisam de pouco para inventar. Basta dar o tempo. Que venham as experiências e as histórias, e que os adultos consigam favorecê-las.

De Conversa em Conversa

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Por Zélia Cavalcanti

Esse será o terceiro ano em que a Escola da Vila divulgará parte da reflexão escrita de seus profissionais através da revista Conversa de Professor, publicação composta por artigos derivados de textos que sistematizam as inquietações pedagógicas e educacionais emergentes das reuniões pedagógicas e das supervisões de áreas curriculares, escritos para Simpósio Interno (*) que se realiza anualmente no segundo semestre letivo.

A cada número dessa revista, o que comanda a escolha dos artigos a serem publicados é o conteúdo que foi selecionado como eixo temático dos trabalhos apresentados durante o Simpósio Interno do ano anterior. Escolha que não é nada fácil, dado o volume e a qualidade do conjunto de reflexões escritas que chega a nossas mãos para a edição de cada número da Conversa, preparada e publicada no final de junho para ser distribuída aos muitos professores, coordenadores pedagógicos e orientadores educacionais que participam das ações de formação que o Centro de Formação oferecerá a partir de julho.

Essa variedade no público destinatário e o leque de interesses, que sabemos existir entre profissionais dedicados à educação escolar, fez com que, desde o início, procurássemos publicar conjuntos de textos em que as relações com a construção de conhecimento pudessem ser exemplificadas por meio de práticas de ensino de diferentes conteúdos, em classes de todos os segmentos, e também na formação de professores. Em outras palavras, artigos que possibilitassem a socialização de fontes de conhecimento pedagógico, colaborassem com a construção de procedimentos didáticos, e sugerissem boas práticas a serem levadas às salas de aula, da Educação Infantil ao Ensino Médio.

Em 2012 e 2013, nossa revista foi publicada em edição impressa de 2.500 exemplares que, distribuídos internamente e nas programações de inverno, verão, primavera e outono na Vila, e em alguns cursos itinerantes, praticamente esgotaram, restando aos interessados a possibilidade de leitura em sua versão digital.

Conversa de Professor No 3 já está sendo gestada e estará disponível em www.cfvila.com.br (publicações) na segunda semana de julho. Tem como eixo a reflexão que os professores de diferentes segmentos, classes e disciplinas,  realizam para que em seus planejamentos possam atender às diferentes necessidades de aprendizagem presentes em cada turma de alunos; isto é, para dar ajudas que se ajustem aos diferentes momentos do percurso de aprendizagem de cada aluno ou grupo de alunos em cada um dos conteúdos escolares.

Aguardem.


(*) O Simpósio interno da Escola da Vila é um evento, que ocorre sempre no segundo semestre,  para a socialização de reflexões e boas práticas que realizamos há mais de dez  anos e no qual participam todos os profissionais da área pedagógica.

Mais uma vez, Rosely Sayão credita às escolas, de um modo geral, o fracasso do modelo educacional praticado em nossa sociedade.

14_05_2014

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Por Sônia Barreira

Qualquer educador que leu ontem o texto de Rosely Sayão sentiu vontade de gritar: “Não, não é assim em todas as escolas!”.

Já virou chavão pouco inteligente dizer que a escola é uma instituição que não muda. É mentira! As escolas mudaram muito. Os professores procuram novas estratégias de ensino, se aproximam dos interesses de seus alunos, incentivam o protagonismo, a ação mental e a criatividade.

Os professores já entenderam que seu trabalho individual não produz todos os frutos que desejam e articularam seus trabalhos aos dos colegas, procuram conexões entre as disciplinas, atividades fora dos muros da escola, interações entre os alunos de diversas idades, rompendo com a divisão em séries tão rígida no passado.

As escolas incorporaram as tecnologias e aprenderam a potencializar as múltiplas linguagens, entenderam o papel das representações visuais e trabalham com linhas do tempo, mapas conceituais e esquemas que ajudam os alunos a, autonomamente, representar as aprendizagens e dominar os conceitos que antes eram apenas explicados e exercitados.

Há equipes de professores que desenvolveram pautas de revisão diferenciadas para contemplar a heterogeneidade das turmas, e entenderam como essa pode ser uma vantagem pedagógica. Favorecem a cooperação, em muitos sentidos, que vai além da ajuda mútua e chegam à escrita colaborativa, à apresentação de seminários, a debates aprofundados.

Todo mundo já entendeu que as lições de casa são uma forma de estender o pouco tempo de escola que os alunos têm, e garantir um trabalho individual de preparo para as atividades, que podem ser muito interessantes e vinculadas à construção coletiva do conhecimento. Ninguém acha que os professores devem se responsabilizar pelas atividades escolares que são feitas em casa, nem que os pais devem, como no passado, lavar as mãos sobre o processo de aprendizagem dos filhos. Todo educador que se preze já compreendeu que os distintos contextos de aprendizagem devem ser articulados, transpostos, negociados. A aprendizagem formal, informal e não formal são processos vividos pelos mesmos sujeitos.

Hoje, os alunos são mais ouvidos, mais acolhidos, mais atendidos e melhor educados.

Mas isso não dá Ibope a jornal, e a colunista prefere, ano após ano, generalizar indevidamente o que pensa que acontece nas escolas, iludir os pais leigos que embarcam em sua credibilidade construída pela força da Folha de S. Paulo, e deixar de reconhecer e discutir aquilo que é expressão significativa de boas práticas pedagógicas, realizadas em MUITAS escolas PRIVADAS, que não têm subsídio governamental nem renúncia fiscal de nenhum tipo para fazer seu trabalho sério, consistente e desconhecido, ao menos da colunista.

“A escola só contribui com 30% no desempenho escolar dos seus alunos”, afirma a especialista, e incentiva, em seguida, os pais a não colocarem mais seus filhos nas instituições escolares!!! Interessantes dados − ainda que sem fonte nem referência −, mas impactantes. A quem devemos creditar os restantes 70%, e em que circunstâncias isso ocorre? Não, isso não parece importante para a colunista, mais importante é criar as suas frases de efeito, ainda que com elas difame um número imenso de educadores de qualidade e de escolas inovadoras e competentes.

Agora, cá entre nós, senhoras e senhores que vivem no chão da escola, que vivem a rotina das descobertas, da dedicação e da construção de conhecimento diário, nós que vivemos a superação, o crescimento, o desenvolvimento de nossos alunos, nós que nos aliamos aos pais, que trabalhamos em equipe, que estudamos e compreendemos cada vez mais os aspectos técnicos de nosso trabalho. nós, que vamos além da transmissão de informação e que inventamos uma instituição viva e cheia de energia, nova, diferente a cada ano, melhor a cada momento, cheia de desejo e acolhimento. Nós, que conhecemos o sentido da vida dentro da escola, como nos posicionaremos quando se referirem assim ao nosso trabalho?

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Ser da Vila

ABERTURA
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Por Sônia Barreira

Neste último sábado a Escola da Vila abriu suas portas para o início da 24a Olim Vila, com direito a juramentos, Hino Nacional, show de acrobacias e maculelê, e participação intensa de toda a comunidade Vila – pais, familiares, professores, funcionários, alunos, direção. Todo ano é assim. Mas, mesmo conhecida e repetida ano a ano, a experiência vivida encanta e intriga! Encanta pelo envolvimento de todos, e intriga pela grande adesão.

Por que numa noite fria de sábado tantos alunos (e ex-alunos!) estão presentes para prestigiar uma cerimônia conhecida? A resposta é múltipla e requer certa análise do papel que o esporte escolar cumpre na formação dessas crianças e desses jovens.

Neste ano nossa ex-aluna e campeã brasileira de tiro com arco, Marina Canetta – convidada de honra para acender a Tocha Olímpica − nos ajudou a compreender um pouco mais sobre este fenômeno que testemunhamos ano a ano. Emocionada, disse a todos da importância de sua trajetória esportiva na Escola da Vila para sua formação atual, como atleta de alta performance, e como pessoa. Recomendou aos alunos presentes que aproveitem seus treinamentos e jogos ao máximo, pois quando saírem da escola vão se dar conta do quanto essa vivência é significativa, formativa e estruturadora de suas vidas.

Para nós, adultos, na plateia, suas palavras e o reconhecimento da importância do papel de seu treinador, professor Júlio, que veio com um abraço apertado, foi suficiente para nos emocionar também.

Washington Nunes, coordenador do setor de Esportes e Educação Física da Escola da Vila, e o grande responsável pelo sucesso desta empreitada, em seu discurso, alertou a todos os presentes sobre a visível diminuição do tempo de dedicação ao corpo que observa hoje nas crianças e nos jovens, e sobre a facilidade com que o esporte tem sido usado para provocar agressões físicas e verbais.

Marcola, coordenador da Capoeira citou um treinador atual, reforçando a ideia de que, no esporte, as derrotas são tão importantes quanto a vitória, e que há outros aspectos fundamentais da experiência esportiva que valem a pena.

O evento terminou com uma linda vitória do time de futsal juvenil masculino, cujos atletas, em sua maioria, se formam e se despedem este ano da Vila. A motivação para vencer foi muito grande!

A partir dessas falas e desses acontecimentos – a emocionante participação de Marina Canetta, o discurso certeiro do nosso grande líder e inspirador, Washington, e da motivação para a vitória de nossos alunos, fui para casa pensando sobre o sentido da prática de esportes e da Olim Vila em nossa comunidade, as quais partilho com vocês a seguir.

1) A prática esportiva e a participação em competições no âmbito escolar, quando são parte de um projeto educacional alicerçado por princípios claros podem ter uma eficácia imensa para a formação integral dos alunos. É neste âmbito que os alunos podem desenvolver processos importantes de autoconhecimento (identificando suas potencialidades e fragilidades físicas e emocionais);  de perseverança (construindo a ideia de que a insistência no treinamento pode levá-los a melhorar suas capacidades e habilidades); de relações interpessoais significativas com colegas e técnico (que, no caso da Vila, atuam muito além do campo das habilidades físicas, como educadores que identificam e potencializam as experiências e vivências importantes para cada aluno).

2) A escola como o lugar de resistência, de insistência para a prática das atividades físicas, para a frustração e a cooperação. Num mundo onde as famílias têm a tendência de proteger os filhos de vivências negativas, de insucessos e frustrações, o esporte é a garantia dessas importantes experiências pessoais, pois não há como conhecer apenas a vitória, não há como não identificar um ponto fraco que temos dificuldades para superar. Desta forma, creio que os alunos não vêm apenas atrás da diversão e da vida em grupo quando optam por treinar, eles vêm em busca dos desafios, e cabe a nós mostrar que para vencê-los haverá derrotas e sofrimentos. Como suportá-las? Como superá-las? Nesse contexto, nossos treinadores têm um papel crucial, e o desempenham com maestria.

3) A motivação e o sentido de pertinência a uma comunidade como motor da união, do congraçamento e da cooperação.  O esporte, no nosso projeto pedagógico, tem um forte sentido de cooperação, sem as habilidades de trabalho em grupo, nossas equipes não vencem. E é desta experiência que nasce o sentimento de pertinência que tanto motiva nossos alunos, para jogar e para torcer.

Um outro fato a ser destacado é o funcionamento da equipe de professores, treinadores, auxiliares e estagiários. Na equipe de Washington, todos se destacam, e todos trabalham para o coletivo. Modelam o trabalho em equipe de modo exemplar.

Orgulho de ser da Vila!