Professor de apoio à coordenação: andaime do trabalho coletivo.

Gislaine Rasi e Celina Moraes

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Por Ivone Domingues com contribuição de Gislaine Rasi e Celina Moraes

Um projeto pedagógico é algo que pulsa, que se movimenta em função da enorme complexidade presente no ambiente escolar. Esse dinamismo se manifesta também na estrutura dos cargos, responsabilidades e funções da equipe profissional que o sustenta.

Desde 2011, com o intuito de atender as demandas formativas, a estrutura da equipe pedagógica do Fundamental 2 da Escola da Vila inclui o cargo de professor de apoio à coordenação pedagógica, exercido pelas professoras Celina Moraes, de Ciências Naturais, e Gislaine Rasi, de Matemática. Celina e Gislaine integram a equipe da escola há mais de dez anos, conhecem o projeto a fundo e têm experiência com formação de professores, tanto no Centro de Formação da Escola da Vila, como em outras instituições, o que as habilita a atuar na equipe de um modo diferenciado.

As principais atribuições do professor de apoio ao coordenador pedagógico se relacionam com o trabalho de formação continuada, realizado pela equipe nas reuniões de área. Esse trabalho consiste em ajudar a definir metas, a organizar as reuniões, sugerindo pontos para as pautas, encaminhando discussões, elaborando registros, trazendo sugestões de leituras ou outras atividades para a reflexão contínua do grupo. Também faz parte dessa função apoiar as ações de supervisão realizadas com pesquisadores de fora da escola. Este ano, essa supervisão está ocorrendo na área de Ciências Naturais, com a pesquisadora Ana Espinoza e Celina tem atuado de modo intenso para o sucesso dessa proposta.

Também é função do professor de apoio à coordenação contribuir para a atualização e organização da documentação curricular. Cabe a ele elaborar e revisar sequências didáticas, ler e comentar propostas (atividades, provas) produzidas pelos professores iniciantes, assim como informar o coordenador das demandas da área. Atualmente, essa função tem se intensificado com a necessidade de organização da documentação no espaço virtual de modo a deixá-la acessível para toda a equipe. Gislaine e Celina têm se dedicado a essa tarefa com frequência.

É possível também que o professor de apoio assuma a coordenação de projetos específicos como no caso da Gislaine que tem coordenado as oficinas de matemática.

É sabido que o trabalho coletivo é um dos aspectos centrais da identidade da Escola da Vila. Quando falamos em trabalho coletivo, nos referimos a um grupo de profissionais que resolvem problemas do ensino com a ajuda uns dos outros. Porém, essa dinâmica coletiva não existe a piori, é fruto de uma construção permanente apoiada na prática reflexiva. Essa reflexão contínua, por um lado, se alimenta das questões trazidas pelos novos profissionais que ingressam na equipe, cujo papel, muitas vezes, é recolocar velhos problemas que imaginávamos superados, nos obrigando a atualizar nossos princípios; por outro, se nutre das contribuições dos profissionais mais antigos que representam e comunicam a cultura da escola.

Tem sido muito animador contar com o apoio dessas duas professoras que olham a escola de um modo bem amplo, pois elas são capazes de pensar nas questões das suas salas de aula e simultaneamente extrapolar, tanto os problemas como as soluções, para o âmbito de todo o segmento. Essa parceria, somada à adesão do grupo como um todo, amplia as possibilidades de se manter os princípios do projeto pedagógico e, simultaneamente, nos anima a ousar implantar inovações consistentes.

Orientação de EI e F1 do Morumbi, a experiência como base para o trabalho do Orientador.

Daniela Munerato e Adriana Reali

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Desde o ano passado, Daniela Munerato é Orientadora da Educação Infantil da Unidade Morumbi, segmento em que a orientação se ocupa tanto do trabalho educacional, quanto da formação das professoras e Adriana Reali tem a função de Orientação Educacional das turmas iniciais do F1. Ambas estão na Escola da Vila há muitos anos e contam um pouco do trabalho que realizam como Orientadoras.

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Da sua experiência anterior o que mais  ajuda no trabalho escolar?

Daniela – Trabalho em escola desde os 15 anos de idade. Minha mãe tinha uma escola e como fazia magistério peguei minha primeira turma bem cedo. Quando me formei em Psicologia trabalhei em consultório durante um tempo, atendia crianças e adultos, sempre casando os trabalhos entre escola e consultório. De qualquer forma, os diferentes olhares que a prática e o estudo me proporcionaram, dentro e fora da escola, foram fundamentais no trabalho que realizo hoje.

Como Psicóloga (me formei na abordagem Cognitiva Construtivista) vejo a observação como um ponto fundamental que favorece o olhar individualizado, que nos faz compreender como as relações e os conhecimentos acontecem e se transformam ao longo de nossas vidas. Ainda neste olhar precisamos considerar a idade das crianças, as particularidades, as dinâmicas familiares e afetivas.

Entrei na Escola da Vila em 2001. Fui contratada como estagiária da Ed. Infantil na Unidade Morumbi. A professora era a Adriana Reali. Nossa parceria, inaugurada nesse momento, hoje assume outra forma não menos importante! No ano seguinte assumi um Grupo 2 como professora na Unidade Butantã onde fiquei até 2010. Neste percurso fui convidada para ministrar cursos pelo Centro de Formação em diversos temas: Formação de Grupo, Oralidade, Matemática, Adaptação, Nomes próprios, entre outros.  Em 2011 assumi a Orientação Educacional da Ed. Infantil na Unidade Morumbi e este ano ingressei na equipe de professores da Pós-Graduação em Educação Infantil da Escola da Vila.

A minha experiência como professora me possibilita entender muito bem situações trazidas pelas professoras no dia a dia.  As aflições ou dúvidas são partilhadas e muitas vezes já vivi algo semelhante,  juntando um repertório de possibilidades interessante. Sempre digo que não há receitas, mas muitas tentativas para acertarmos. Para fomentar este auxílio que posso dar aos professores, o estudo permanente é algo muito presente. Nossas ações precisam ter bases teóricas que ficam muito mais ricas quando relacionadas à prática. Neste sentido, levantar possibilidades e sugerir um autor que nos faça avançar nas reflexões sobre assuntos de naturezas diversas é sempre um bom caminho.

No meu percurso estudante, busquei fazer disciplinas com o professor Ives de La Taille na USP, Psicologia, sobre temas que eu estudava com frequência e desejava ir sempre além. Mantive uma interlocução próxima com ele e até combinamos de eu fazer mestrado sob a sua orientação.

Outra professora que representa uma importante referência para mim é a Maria Teresa de Sousa, que trabalha com o Ives e fala muito de desenvolvimento infantil e Piaget.

Atualmente, ministro disciplinas na pós-graduação em Educação Infantil pelo Centro de Formação da Escola da Vila, outra função que está muito ligada a formação de professores e que também reflete nas orientações que faço com as professoras que oriento.

Também não posso deixar de comentar que a relação que sempre mantive com a Orientação quando professora, também me ajuda na função de hoje! Sempre tive uma relação muito aberta com a Dayse: parceria mesmo. E é este tipo de relação que mantenho com as professoras que oriento.

Adriana – Sou pedagoga formada pela Universidade Mackenzie e atualmente faço um curso de pós-graduação em Psicopedagogia Institucional. Trabalho com educação desde 1989, quando iniciei minha carreira como professora numa pequena escola próxima a minha casa. Desde então descobri minha verdadeira paixão: educar. Na Escola da Vila estou desde 1996. Iniciei como professora estagiária na Unidade Morumbi. Nessa função permaneci por dois anos. Em 1998, fui convidada pela escola para assumir como professora titular minha primeira turma de grupo 1, na Unidade Butantã. Em 2000 retornei a Unidade Morumbi. Permaneci na Educação Infantil dessa unidade por mais oito anos e desde 2008 atuo no Ensino Fundamental 1. Atuei como professora de 1º e 2º anos por mais 3 anos e desde 2011 atuo na função de Orientadora Educacional das séries iniciais desse segmento.

Foram 21 anos em sala de aula, atuando diretamente com os alunos e com as famílias em porta de sala, compartilhando com minhas orientadoras o trabalho, os encaminhamentos, as diferentes situações vividas a cada dia. Não tenho dúvidas que essa experiência contribuiu para minha formação para o trabalho como Orientadora.

Ao longo desses anos, a troca com outras professoras, com os orientadores, as leituras realizadas, o estudo, o trato com cada criança especificamente e com o grupo, com cada família e com todas elas, diferentes umas das outras, contribuíram significativamente para o trabalho que realizo hoje na escola. A familiaridade com a sala de aula, com os alunos e a proximidade com as professoras fazem o meu trabalho hoje mais vivo, mais intenso.

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Como vê sua preparação para assumir o cargo que hoje ocupa?

Daniela – Vejo-me bem preparada, mas sempre penso que podemos ir além. Enquanto professora da Educação Infantil eu já desejava um desafio maior, no qual eu pudesse utilizar todo o meu conhecimento e seguir estudando sobre outros assuntos relacionados a Educação. Poder utilizar os conhecimentos aprendidos no magistério, na Psicologia, Psicopedagogia sob outro olhar!

Adriana – Além dos anos em sala de aula, os estudos e discussões sistemáticas que temos na equipe de Orientação também têm me ajudado a construir um repertório para assumir essa função. Seguir estudando é o meu foco. Hoje me dedico a pós em  Psicopedagogia, que  me oferece um olhar mais distanciado da sala de aula, o que, certamente, contribuirá com o trabalho das professoras que oriento.

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Citem os aspectos do trabalho que mais as desafiam

Daniela – O atendimento aos pais é instigante e desafiador: é diferente do consultório onde “cuidamos “ da história de cada um. Aqui, além desta questão, estamos inseridos em um contexto único, a escola. Cada um tem um olhar diferente sobre este contexto. Ouvir, orientar e lidar com o que agrada e desagrada sempre é um desafio. O pilar deste relacionamento é justamente o conhecimento que precisamos ter do trabalho realizado, da participação dos alunos e o vínculo que precisa estar estabelecido entre nós.

Sobre o trabalho com as professoras: conduzir cada uma como eu fazia com os meus alunos. Considerar os conhecimentos prévios de cada professor, olhar para o que pode avançar do ponto de vista pedagógico e educacional, acompanhando percursos, dando colo ou pontuando aspectos a serem avançados ou superados quando necessário.

Adriana – Sem dúvida nenhuma o que mais me desafia é o trabalho com as famílias. Cada uma com suas particularidades, desejos e anseios dentro de um espaço único, comum a muitas famílias.

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Como é conciliar o trabalho de formação do professor para a criação de um ambiente favorável à aprendizagem em sala de aula e o trabalho direto com os alunos?

Adriana – Formar o professor também é um aspecto importante dessa função. É ele a principal referência para os alunos e toda e qualquer intervenção ou conversa é realizada pelo próprio professor. A entrada do orientador, nesses casos, é muito pontual e se faz necessária em situações muito específicas. Cabe ao professor acompanhar cada criança e o grupo, oferecer espaços de discussão em sala de aula, pensar e propor situações que garantam a coesão do grupo e o bom relacionamento entre eles. O papel do orientador educacional é oferecer apoio necessário para que esse trabalho seja concretizado e uma das estratégias utilizadas é a observação. Observar o professor atuando em sala de aula não só nos oferece informações para pensar o plano de formação daquele professor especificamente, mas nos informa sobre os alunos – como aprendem, como se relacionam com os colegas, como lidam com a autoridade dos adultos, como se organizam, etc. Elementos essenciais para orientação de professores, famílias e alunos na construção da autonomia e na postura de estudante.

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De sua formação acadêmica, que referências teóricas são mais importantes para o trabalho atual?

Daniela – Na Orientação Educacional tenho uma identificação muito grande com os estudos de Piaget,  Vygostsky e Brunner para compreender o desenvolvimento infantil e as intervenções que podemos realizar em favor das aprendizagens. Yves de La Taille, Lino de Macedo, Marta Kohl, José Maria Puig são autores que prezo bastante. Também estudo autores da Psicanálise, como Winnicot, Freud e Françoise Dolto para ampliar meus conhecimentos.

A construção da moralidade sempre foi um foco de interesse (meu trabalho de conclusão da Psicopedagogia foi sobre: a constituição moral e de si mesmo e suas implicações nas aprendizagens) tecendo um conteúdo que defende que se a construção da moralidade é trabalhada na escola o aluno é um indivíduo mais “inteiro”, tem relações positivas e uma auto-estima que ajuda a estar motivado e interessado nos conteúdos. Desta forma, o aluno tem menos riscos de ter problemas de aprendizagens. Sabemos que muitos dos déficits têm fundo emocional.

Como Orientadora Pedagógica desta equipe de professores, meu apoio acontece nos estudos que realizamos enquanto instituição de referências importantes para refletirmos sobre cada área de conhecimento e didáticas específicas.

Adriana – Autores como Rheta DeVries, Yves De La Taille, Josep Maria Puig, Lino de Macedo, Piaget e Françoise Dolto sempre fizeram para da minha formação acadêmica. Hoje tenho revisitado esses autores que oferecem diferentes visões sobre os diversos aspectos do desenvolvimento infantil com outro olhar, do ponto de vista do orientador educacional. É interessante repensar no que esses autores podem contribuir não mais com a professora Adriana, mas com a orientadora e o trabalho de discussão sistemática no grupo de Orientadores Educacionais.

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O que identifica como preocupações centrais dos pais dos alunos das séries que acompanha?

Daniela – Uma preocupação central dos pais diz respeito a criança dentro do grupo, ter notícias do que está aprendendo individualmente, relacionando a “média” do grupo e o que é esperado para a idade e série. De fato, o grupo e cada criança são dois olhares que se complementam e fazem com que consigamos acompanhar a dimensão Educacional como um todo. Nas reuniões de pais, nos planejamentos anuais, nos blogs da escola, nos relatórios virtuais temos as notícias dos grupos. As notícias individuais seguem nos relatórios semestrais individuais e nos encontros com a orientação. É importante refletirmos que, apesar de termos objetivos bem claros para cada série, nosso foco está em compreender como cada criança pensa e modifica seu conhecimento. Qual é o tempo desta criança? Quais as ações dos professores para avançar? Como a criança responde? Como a família pode ajudar?

Adriana – Além dessas citadas por Daniela, vejo que as relações interpessoais são aspectos que preocupam muitos os pais atualmente. Como as crianças se relacionam, de que forma podem contribuir para que seus filhos tenham amigos de “verdade”, como as crianças lidam com as frustrações e que repercussões isso terá em sua vida adulta, como lidam com os conflitos dentro e fora do ambiente escolar. Tenho tratado desse assunto com certa frequência nas entrevistas com os pais.

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E que reflexões teria para compartilhar com os pais dos alunos que acompanha frente a essas inquietações inerentes ao desafio de educar?

Daniela – Que o trabalho da escola acontece em unidade. Os segmentos mudam, mas a estrutura e os princípios permanecem. Que identificamos o trabalho realizado desde pequeninos em atos de convivência, nas relações que os alunos estabelecem como grupo e com os professores e também nos procedimentos de estudante, aprendendo a estudar, explicitando os saberes.

Adriana – A interlocução entre a família e a escola, é um ótimo caminho. Esse tema costuma ser frequente, desde a educação infantil até o fundamental. O mais importante é tentar entender do que estamos falamos. Há características que são comuns às faixas etárias e podemos dizer com tranquilidade que faz parte do crescimento vivenciar certas “dificuldades” de relacionamento, cabe à escola orientar os pais nesse sentido, mas não podemos deixar de olhar para o indivíduo e para as questões que as famílias nos trazem. O contexto, a vida em família, as relações interpessoais fora da escola, o histórico da criança, pode sim nos dar  informações importantes e devem ser tratados com o rigor que merecem. Portanto, volto a repetir que a interlocução é sempre o melhor caminho. As famílias podem e devem nos procurar quando estiverem angustiadas e a escola fará o mesmo sempre que achar necessário compartilhar aspectos da aprendizagem e do desenvolvimento dos alunos.

Dia Internacional da Atividade Física.

Por Washington Nunes Silva Junior

A Organização Mundial de Saúde estabeleceu o dia 06 de abril como o Dia Internacional da Atividade Física. Em função disso, instituições esportivas, ONG’s e governos municipal, estadual e federal realizam grandes ações ao redor do mundo para estimular a prática da atividade física nesse dia e, evidentemente, prolongá-la ao longo do ano.

Se eu tivesse que escolher um slogan para atividade física, escreveria: A Organização Mundial de Saúde adverte: fazer atividade física melhora tudo!

E melhora mesmo. Aumento da frequência cardíaca durante a atividade física melhora o fluxo sanguíneo, auxilia na eliminação de toxinas e melhoria nos depósitos de cálcio nos ossos, aumenta a massa muscular, melhora a capacidade respiratória, etc.

Você é um daqueles que, ao acordar, olha para o relógio, para o travesseiro, se deixa vencer e continua na cama fazendo hora por um longo tempo?

Lógico que a pergunta não é para os dias que temos que acordar cedo e trabalhar ou estudar, mas, para aqueles dias que você tem um tempo maior, como nos finais de semana, feriados prolongados e férias.

Não falo em você começar a participar de treinamentos esportivos ou qualquer coisa que faça seu ritmo de vida ser modificado totalmente, da noite para o dia. Penso, apenas, em lembrar que um passeio de bicicleta, uma caminhada até a padaria ou um passeio no parque podem ser atividades prazerosas, divertidas e, ao mesmo tempo, ajudam a tirar qualquer pessoa do marasmo que o sedentarismo apronta para nós.

Portanto, sugiro que possamos fazer do dia 06 de abril, um marco pessoal para o início de cuidados com sua saúde, que não sejam apenas ir ao médico e tomar muitos remédios. Podemos deixar essa parte para muito mais tarde, retardando efeitos nocivos que a rotina do dia a dia agitado, o estresse e o envelhecimento causam em nosso organismo, fazendo atividades físicas regularmente.

Tomara que eu possa ter instigado ao menos um de vocês.

Pense nisso!

Quando o professor torna-se orientador.

Pedro Henrique Raveli, Gislaine Rasi, Celina Martins, Daniela Munerato e Adriana Reali

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Por Sônia Barreira

Uma antiga orientadora minha, quando me chamou para fazer parte da equipe de orientação me fez duas perguntas que me parecem ainda hoje bastante válidas: a) você está preparada para atravessar a ponte e não voltar? b) você saberia lidar com seus colegas numa outra posição dentro da instituição?

Muito possivelmente, naquela época eu não dei a devida atenção ao sentido destes dois questionamentos, porque imediatamente aceitei o desafio de assumir a orientação de parte da equipe da antiga e pequena Escola da Vila. Mas, o exercício da função foi me obrigando a ressignificar o que minha orientadora tentava me preparar.

Ao ingressar numa escola, seu foco profissional está voltado para os processos de aprendizagem dos alunos, foi isso o que o levou até lá porque  é isso que fascina e envolve o profissional da educação. Ao assumir a função de orientador, seu foco passa a ser outro: o processo de desenvolvimento do professor. E por mais que isso esteja intimamente relacionado com os alunos, seu alvo é outro!

Ajudar o professor a refletir sobre o trabalho, dar sentido às propostas curriculares, compreender o enfoque metodológico, construir um ambiente favorável à aprendizagem, é um desafio e tanto para aquele que foi durante anos, professor de sala de aula. É preciso aprender que não se pode mais atuar como professor. O que está em jogo não é pensar quais as melhores formas de ensinar o aluno, agora o desafio é pensar quais as melhores formas de apoiar o professor.

O segundo desafio é sair do lugar confortável de colega e colocar-se como co-autor da prática pedagógica de outro profissional, co-responsável! É preciso saber fazer esta transição com segurança e serenidade!

Em nossa equipe isso é uma prática constante, muitos de nossos orientadores vieram da própria equipe, seja para o trabalho pedagógico, seja para o educacional. Alguns deles acumulam as duas funções, o que é ainda mais desafiador, pois o profissional tem de pensar de dois lugares distintos!

De todo modo, o grande conhecimento que têm da cultura institucional os ajuda neste percurso, assim como a interlocução com colegas que já passaram por isso. Mas, o maior apoio vem mesmo da equipe de professores, que já vê aquele profissional como referência na equipe de trabalho.

Em nossa escola nestes últimos anos, alguns professores passaram a assumir o trabalho de orientação, em vários segmentos. Processo facilitado pelo fato de já serem, anteriormente, referência importante para os colegas em suas áreas de atuação.

Nos próximos posts, apresentaremos estes profissionais!

Tiago Lima

 

Como você entrou na escola da vila?

Sempre tive um interesse pelo tema da educação. Porém, durante a faculdade de psicologia que cursei na USP, fui desenvolvendo um vínculo com a psicanálise e a clínica, fazendo grande parte dos meus estágios e estudos nessa área. Um dos últimos desses estágios foi na Associação Lugar de Vida, instituição de abordagem psicanalítica que se dedica ao trabalho com crianças com transtornos de desenvolvimento, como o autismo, numa proposta de articulação entre psicanálise e educação. Apesar do engajamento com essa prática, que acabou resultando numa pesquisa de mestrado, ainda tinha vontade de me aproximar do ambiente escolar de forma mais direta. Assim, quando fiquei sabendo por meio da Irene, colega minha na faculdade, de uma vaga para assistente na Orientação Educacional na Escola da Vila, vi que era a oportunidade de experiência que poderia satisfazer essa antiga curiosidade. Em seguida, já na escola, essa curiosidade continuou e continua se renovando. Na minha opinião, é um trabalho riquíssimo e que, felizmente, nos coloca permanentemente questões, mobilizando a reflexão.

Como vê sua preparação para assumir o cargo que hoje ocupa? Da sua experiência fora da escola, o que mais te ajuda no trabalho escolar?

Acho que tive a sorte de no meu percurso institucional como assistente poder trabalhar com pessoas não só muito competentes, mas que também passei a admirar pela postura ética e de envolvimento com o que faziam. Pude trabalhar com orientadores diferentes, o que acho que foi positivo para minha formação, pois possibilitou que eu acompanhasse além de grupos de alunos diversos, também estilos diferentes de ser Orientador – dentro daquilo que define essa função na escola. Assim, passei por um período com o Chicão nos 8ºs e 9ºs da Unidade Butantã, outro no Fundamental 2 do Morumbi trabalhando com a Susane e ainda outro momento acompanhando a Angela Crescenzo. Foram oportunidades de troca e aprendizados que valorizo muito.
Paralelamente ao trabalho na escola, continuei com a atividade clínica no consultório. Certamente são posições muito diferentes, a de psicoterapeuta ou analista e a de orientador. Porém, do ponto de vista da formação, acho que foram complementares. Atendi no consultório, além de adultos, também jovens, crianças e adolescentes; no Lugar de Vida, tinha tido experiência de trabalho com grupos de crianças. De modo que o principal desafio para mim era conseguir estabelecer e internalizar essas duas posições distintas, de clínico e educador, dentro de um estilo próprio.

Em ambas, o saber desempenha um papel fundamental, já que é a partir dele que os pacientes ou os alunos estabelecerão seu vínculo. Porém, no consultório é interessante que o saber que o paciente supõe ao analista se manifeste na sua forma singular de se relacionar com o outro, tornando-se material de análise. Na escola, por sua vez, o olhar da psicologia também ajuda, já que também estamos diante de formas singulares de se relacionar com o outro e o saber, mas aqui a posição é positiva, no sentido de oferecer, como educador, uma orientação dentro da qual a identificação faz parte. O limite (e a beleza da coisa) é que cada um faz com isso o que quiser e não se pode acompanhar que destino cada aluno dá àquilo que se propõe ao aprendizado.

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O que identifica como preocupações centrais dos pais dos alunos das séries que acompanha?

No Fundamental 2 me parece que o desafio do adolescente é conseguir construir esse lugar de autonomia em que ele vai sendo gradativamente colocado. Não só pela escola ou pelos pais, mas também com relação ao grupo, já que ele é convocado a elaborar uma identidade mais complexa, já que a identidade que tinha na infância – ainda muito determinada pela família – já não dá mais conta do meio social da adolescência. Conseguir fazer isso envolve um rompimento então com os pais, e inclusive com a imagem que tinha enquanto aluno, que será em menor ou maior grau dependendo do caso. Para a escola e para os pais, portanto, é colocada permanentemente a questão de o quanto devemos interferir, cuidar ou permitir que o adolescente explore esse universo em que está agora mais sozinho (inclusive no ponto de vista do próprio adolescente). Penso que o trabalho da Orientação Educacional no Fundamental 2 está assentado nessa tensão. Nesse sentido, a parceria da OE com a família é fundamental para que nós, adultos, estabeleçamos uma postura clara e coerente com relação ao adolescente, limitando esse espaço para exploração, deixando claras as possibilidades de escolha e os deveres.

Formação em Goiânia: vivências e desafios.

Por Miruna Genoino – formadora no Centro de Formação na área de práticas de linguagem

No último dia 24 de março participei com Mariana Mas, Gunga Castro, Dayse Gonçalves e Maria Clara Galvão do Seminário Itinerante do Centro de Formação em Goiânia. Nessa ocasião, meu curso abordava o trabalho na área de práticas de linguagem, por meio dos projetos didáticos, um pilar estruturante de nossa atuação na Escola da Vila e que oferece enormes possibilidades de encaminhamentos, mas também muitos desafios.

Ao longo de sete horas foi possível discutir sobre os princípios de nosso trabalho com as práticas de escrita, analisar a grade curricular dos projetos do Ensino Fundamental I na Vila, refletindo sobre alguns deles de maneira mais detalhada. Tudo isso acompanhado de uma análise aprofundada de etapas estruturantes de um projeto, sob um olhar cuidadoso para todos os procedimentos escritores a serem garantidos ao longo do percurso, e as variáveis didáticas que permitem aos alunos e alunas vivenciar uma produção textual significativa e complexa.

Foi pela segunda vez que estive em Goiânia, este ano falando sobre os projetos, e no ano passado discutindo as situações de leitura que favorecem o processo de apropriação da escrita. E, tal e como comentei com as participantes de 2012, esta é mesmo uma situação de trabalho bastante desafiadora para uma formadora de professores, afinal, um de nossos princípios fundamentais é a importância de planejar nossa ação formativa a partir dos conhecimentos trazidos pelos participantes, e, diferentemente da experiência da docência em sala de aula regular, em um seminário itinerante não conhecemos previamente o grupo com o qual trabalharemos. É por isso que, ao longo do dia, tivemos de fazer ajustes, adaptar nossas ideias iniciais, pensar em novos caminhos, construir em apenas um dia qual será o percurso formativo daquele grupo, enfim, colocar em jogo nosso papel formativo.

Todo esse desafio, unido à rica possibilidade de conhecer diferentes realidades escolares, faz dos seminários itinerantes experiências profissionais de grande importância para o percurso e a trajetória profissional de um formador de professores.

Fernanda Silvares

Sou psicóloga formada pela PUC-SP em 2002 e desde a faculdade tenho muito interesse tanto pela área clínica como pela educação. Venho desenvolvendo minha clínica desde o final da faculdade, realizando supervisões, estudos e reflexões sobre esta modalidade prática. Com relação a educação, inicialmente os estágios que desenvolvi pela faculdade estavam relacionados ao tema de uma forma mais ampla, através de instituições de natureza distinta como: abrigos e casas de acolhimento.

Antes mesmo de concluir minha formação em psicologia, eu já estava trabalhando em uma escola de educação infantil da zona oeste de São Paulo, a Pitanga Porã. Nesta escola iniciei minhas atividades dando aulas de Inglês, o que permitiu que eu aprendesse a planejar e ministrar aulas. Além disso, pude desenvolver um olhar tanto para a relação professor-aluno como para a relação ensino-aprendizagem. Ao longo do tempo, minha atuação dentro desta escola se ampliou e passei a pensar, discutir e propor intervenções tanto com as crianças, como com os professores. Neste momento, os aspectos teóricos ligados ao desenvolvimento infantil, ora apoiados em Piaget, ora apoiados em Vygotsky, ganharam forma e vivacidade.

Em 2007 meu investimento na educação se tornou ainda mais contundente, eu que havia iniciado a Pedagogia na PUC estava me transferindo para a Faculdade de Educação da USP. Além disso, buscando ganhar novas referências práticas sobre o ambiente escolar, comecei também  um estágio na Orientação Educacional da Escola da Vila. Neste ano tive a oportunidade de transitar entre as unidades e realizar parte das minhas funções na orientação educacional do Fundamental I e Fundamental II.

Foi na orientação educacional do Fundamental II que pude, com o apoio da Verinha, orientadora dos 6ºs e 7ºs anos da unidade Butantã, aumentar e ao mesmo tempo por em prática grande parte do conhecimento teórico que vinha acumulando. Ao longo de quatro anos pude acompanhar, discutir, refletir e encaminhar diversas situações, tanto na interação direta com os alunos, como entre os professores e os alunos e, ainda, realizar alguns atendimentos pontuais com as famílias.

Ainda como assistente de orientação educacional do fundamental II, eu planejava e ministrava as aulas de OE dos 6ºs anos que eram realizadas semanalmente. Inicialmente, grande parte das aulas foram discutidas com  Susane, orientadora educacional do fundamental II do Morumbi na época, e com Verinha; esta interlocução favoreceu a minha formação como orientadora, possibilitando mais conhecimento sobre as características da faixa etária, os encaminhamentos fundamentais para determinadas questões, os cuidados necessários em relação as demandas dos alunos.

Estas aulas de OE possuem dois focos, por um lado apoiar e desenvolver a postura de estudante, garantindo um espaço para que possam por em prática procedimentos de organização fundamentais para um bom aluno, além de possibilitar o acompanhamento e a reflexão em relação ao seu próprio processo de aprendizagem e organização, com a elaboração de autoavaliações, cronogramas de estudos, etc. Já o segundo foco deste trabalho, se relaciona diretamente com a abordagem de temas educacionais e com a preocupação em relação à construção da personalidade moral. Apoiada nas concepções de Yves De La Taille e Josep Maria Puig, teóricos de referência para o trabalho realizado neste sentido dentro da Escola da Vila, pude desenvolver discussões sobre temas pertinentes a idade, a reflexões sobre situações cotidianas envolvendo diferentes pontos de vista, a análise sobre os princípios presentes nas regras de convivência dentro da escola, debates sobre dilemas éticos envolvendo questões pertinentes para os alunos, dentre outros tantos assuntos que envolvem questões éticas e morais propostos de acordo com as demandas dos grupos.

É evidente que esta prática e os estudos teóricos realizados paralelamente, possibilitaram um aprofundamento sobre o trabalho educacional realizado na Escola da Vila e um aumento significativo do meu repertório de propostas e atividades para lidar com estes temas que hoje podem ser compartilhados e discutidos com as professoras.

Desde o ano passado o foco de minha atuação dentro da Escola da Vila está na Orientação Educacional dos 4ºs e dos 5ºs ano. Inicialmente minha atuação se concentrava na unidade Butantã e este ano se ampliou para a unidade Morumbi.

Irene Antunes

Ex-aluna da Escola da Vila, Irene foi chamada para trabalhar conosco em 2006, na Educação Infantil. Desde então, passou por todos os segmentos da Escola, ingressando, neste ano, na equipe de Orientação Educacional do Ensino Médio.

Conte um pouco do seu percurso na Escola da Vila.

Irene: No final de 2005 vim realizar uma atividade com alunos de Educação Infantil como parte de um projeto de pesquisa que eu estava desenvolvendo na faculdade de Psicologia e encontrei minha orientadora dos tempos de aluna da Vila, nos corredores. Ela me perguntou se eu ainda dava aulas particulares, atividade que eu exercia desde os 15 anos, e pediu que eu reenviasse meu currículo; logo em seguida, fui chamada pela Coordenação da Educação Infantil para apoiar o trabalho de uma classe em que havia um aluno com grandes dificuldades motoras. Assim comecei.

Dali um ano e meio, Vânia Marincek, diretora do segmento, me ofereceu assumir como titular numa sala de Educação Infantil, mas para isso eu teria que trancar a Psicologia e estudar Pedagogia. Eu fiquei muito contente e sabia que encontraria muita satisfação com esse trabalho, mas estava envolvida com meu curso e queria encontrar uma porta de entrada na Educação com a formação que estava tendo. Perguntei se havia a possibilidade de estagiar na Orientação Educacional e logo depois consegui uma oportunidade de trabalhar como assistente de OE no Ensino Fundamental 1.

Foi uma experiência muito rica: acompanhar todo um segmento, as especificidades de cada ano/faixa etária – as formações grupais, as diferenças de gênero, a relação dos alunos com o professor e com a própria orientação, os conflitos e suas resoluções. Esse foi meu primeiro contato com as assembleias de classe e com os textos de Joseph Puig e Ulisses de Araujo, que tratam do tema da formação moral dentro da escola. Acompanhar as reuniões de orientação de professores também foi muito importante, tanto para conhecer suas perspectivas dos problemas que enfrentam em sala de aula, quanto para aprender com as reflexões, sugestões e avaliações da orientação, experiência de algum modo semelhante às supervisões clínicas que fazemos para falar dos pacientes do consultório.

O estágio foi enriquecedor também porque pude acompanhar o trabalho que realizamos com as famílias. Na época, eu fazia atendimentos de pais na Clínica do Instituto de Psicologia da USP, pelo Laboratório de Casal e Família, que recebe crianças encaminhadas para a psicoterapia pela escola e aposta numa proposta de trabalho também com os pais, e muitas vezes somente com eles. Essa experiência certamente foi somada ao meu trabalho na Escola, onde pude entrar em contato com essa questão sob outra perspectiva. Esse é um trabalho que sigo desenvolvendo no consultório hoje.

Enfim, em 2008, houve remanejamento nas equipes de Fundamental 2 e Ensino Médio e Sônia Barreira, diretora geral, me chamou para trabalhar como assistente de OE no F2. Foi uma surpresa. Eu tinha acabado de chegar no F1 e sentia que ainda tinha muito que conhecer do segmento. Mas, Sônia foi compartilhando comigo as razões para a proposta, as demandas de trabalho do segmento e disse que acreditava que tinha a ver com meu perfil e que eu ia gostar. Estava certa. No final do ano passado me apresentou esse novo desafio: ingressar na equipe de Orientação do Ensino Médio.

O que você pensa sobre a entrada do psicólogo na equipe de orientação educacional?

Irene: Quando surgiu a demanda de se separar o trabalho do coordenador pedagógico do orientador educacional foi natural que fossem trabalhar nesse novo cargo profissionais experientes, com tempo de casa, que conheciam bem a instituição, a comunidade escolar e, é claro, as características das faixas etárias com as quais trabalhariam. O mesmo sempre ocorreu quando da contratação do coordenador pedagógico. De uns anos para cá, a demanda de trabalho do Orientador mudou e acredito que foi se avolumando, tanto como consequência das novas características da família contemporânea, quanto do percurso e amadurecimento do próprio cargo, que foi ganhando forma e agregando funções. Acontece que, nesse movimento, surgiu também a necessidade de se ter o assistente de OE, um apoio ao trabalho da orientação, o que abriu na escola o espaço para a formação também desse profissional, o orientador. Psicólogos e estudantes de Psicologia interessados na área da Educação, e que não têm exatamente a formação e o foco na sala de aula, tiveram aí a oportunidade de inserção no ambiente escolar.

A formação do seu profissional sempre foi um diferencial da Escola da Vila, através de orientações individuais, reuniões semanais da equipe, produções de relatórios reflexivos da prática e participação nos cursos oferecidos pelo Centro de Formação da Escola, dentre outros. Nesse contexto, a prática de trazer professores experientes para a equipe técnica não foi de forma alguma excluída, tendo inclusive acontecido nos últimos anos, mas a Escola vem também formando, ao longo dos anos, outros profissionais, da mesma forma que sempre formou professores estagiários.

Que aspectos do seu trabalho você destacaria como desafiadores?

Irene: São inúmeros. Os desafios são diários, afinal lidamos com um grupo muito grande de alunos, pais e professores. Os adolescentes são ainda tão jovens, mas já com muita bagagem nas costas. O trabalho primeiro está no que diz respeito ao escolar, afinal estamos numa escola. Daí que lidamos diariamente com o desafio de trabalhar, juntamente às famílias e à equipe de professores, para inserir no projeto pedagógico da Escola aqueles alunos que não têm adesão às situações de ensino/aprendizagem propostas, ou porque não têm bom vínculo com o estudo ou por causa de dificuldades específicas de aprendizagem.

Diferentemente do que acontecia no Fundamental, conflitos que dizem respeito aos agrupamentos são menos comuns no Ensino Médio, já que os adolescentes os intermediam de forma mais autônoma. Por outro lado, as questões individuais se tornam mais complexas, mais próximas dos problemas enfrentados pelos adultos, universo para o qual muitos já estão mirando. Nesse contexto, apoiar os meninos e meninas nessas questões também é um desafio. São muitas conversas, entre as aulas, nos intervalos, e mais conversas, e pedidos de ajudas, e pedidos de “deixa que eu resolvo”, e entrada dos amigos, e reflexões, informações, broncas, birras, reconciliações, enfim, um cotidiano intenso de trocas, relações, construções e aprendizados que fazem do dia-a-dia de trabalho justamente aquele almejado por mim, quando da busca por trabalhar numa instituição escolar.

Lembro de novo de minhas entrevistas na ocasião das mudanças de cargo e segmento ao longo do meu percurso na Escola da Vila em que eu sempre dizia que seja em sala de aula, na OE, no F1 ou EM, o fazer é ainda o mesmo: educar!

Érica Ditolvo

Sou Psicóloga formada pela PUC-SP e atualmente estou no 4º ano da formação em psicanálise no Instituto Sedes Sapientiae. Além disso, para compreender melhor o ambiente escolar, em 2007 iniciei o curso de pedagogia no Instituto Singularidades.

Meu grande interesse sempre foi psicanálise e educação. Ao longo da faculdade esse interesse se intensificou e antes mesmo de concluir minha formação já fazia estágios na área de educação. Transitei por instituições de ensino público e particulares. Iniciei meu percurso na Escola da Vila há 6 anos, como estagiária das séries iniciais do Ensino Fundamental 1. Quando me formei, fiquei responsável por acompanhar uma nova modalidade que a escola passou a oferecer: o atual “Período Complementar”. Lá atuei como professora de referência por dois anos. As particularidades desta proposta fizeram com que me aproximasse cada vez mais de questões educacionais como constituição de grupo, resolução de conflitos, formação da personalidade moral, sexualidade. Minhas reflexões, discussões em equipe e meus estudos dentro da área da educação seguiram então o caminho de autores como Yves De La Taille, Josep Maria Puig, Lino de Macedo, Sigmund Freud, Françoise Dolto e Winnicott. Esses autores passaram a fazer parte de forma mais efetiva de meus estudos, já que oferecem diferentes visões sobre os diversos aspectos do desenvolvimento infantil, da importância e desafios das interações e relacionamentos entre as crianças, da formação de ética e moral, etc.

Enquanto ainda trabalhava no Período Complementar, fui convidada a acompanhar o trabalho de Lílian, orientadora educacional do F1. Fiquei por dois trimestres na Unidade Morumbi e no ano seguinte, quando passei a me dedicar dentro da escola exclusivamente ao trabalho na orientação, passei a acompanhar Angela e Fernanda Flores, que orientavam as classes de Fundamental 1 na Unidade Butantã. Em 2011, atuei como orientadora educacional dos 3ºs anos da Unidade Butantã e atualmente oriento as classes de 2º e 3º anos dessa Unidade.

Aqui na Escola da Vila o orientador educacional tem três diferentes frentes de trabalho: com o aluno, com o professor e com a família.

No caso do Fundamental 1 o trabalho com os alunos é feito pelo  professor, ele é a principal referência para as crianças. Nossa atuação, como orientador, ocorre em algumas situações pontuais em que se faz necessária uma conversa mais específica com o aluno. As crianças estão aprendendo a se relacionar e os conflitos necessariamente fazem parte desse cenário. Ao professor cabe acompanhar essas relações, oferecer espaços de discussão sobre os problemas que aparecem e propor situações que garantam o bom relacionamento do grupo, sempre, acolhendo os alunos para que se sintam seguros e cuidados e com isso continuem investindo nessas diversas relações. O orientador deve, portanto, dar suporte para que essas intervenções aconteçam da melhor maneira.

Acompanhamos também as atividades de convívio, em que os professores proporcionam um espaço de diálogo semanal no qual as crianças podem se distanciar da situação foco da discussão, se colocar no lugar do outro, dar suas opiniões e, aos poucos, construir suas ideias e conceitos acerca de valores éticos. O estabelecimento de um clima de confiança, segurança, respeito e colaboração é essencial para que as crianças se expressem de forma livre, para que possam questionar, duvidar, errar, aguentar a angústia de não saber, arriscar e conhecer o novo.

No trabalho com as famílias, temos a função de mediar a comunicação entre a escola e os pais, a fim de esclarecer dúvidas, explicar o trabalho e visão da escola e trocar informações sobre as crianças, oferecendo orientações para que cada uma delas possa se desenvolver da melhor forma possível. A parceria entre escola e família é muito importante, pois tanto as notícias da família, como as da escola, são fundamentais para que se encontre as melhores intervenções para cada criança.

Nossa jovem equipe de orientação educacional: a chegada do profissional de psicologia à Escola da Vila.


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Por Sônia Barreira

A escola hoje é um sistema complexo, mais ainda a nossa Escola da Vila, onde colocamos em marcha, além dos projetos convencionais de aprendizagem básica, tantos outros que enriquecem a formação de nossos alunos e professores.

Por isso, é preciso estar atento às necessidades de mudanças, antes que elas se tornem urgências. E as famílias de nossos alunos também mudaram, tanto no que se refere às novas configurações da família contemporânea, quanto no que esperam e demandam da instituição escolar.

Por isso tudo, há seis anos, começamos a ampliar espaço em nossa equipe técnica para os psicólogos. Esta abertura decorreu da compreensão compartilhada de que contribuições advindas desta área, via o olhar especializado da psicologia, agregariam novas possibilidades de análise para as situações complexas vividas no cotidiano da escola.

Com isso, ao contratar profissionais com formação diferente da nossa (pedagogos em maioria), visamos dar ao conjunto do nosso grupo uma perspectiva interdisciplinar e mais completa, sem abrir mão da essência do trabalho: a aprendizagem dos alunos em ambiente escolar.

Estes novos profissionais foram chegando, analisando cenários, ouvindo as reuniões, observando os encaminhamentos e, progressivamente, foram trazendo suas inquietações, observações que nos escapavam, aportes teóricos que conhecíamos pouco e outras contribuições consistentes e seguras. Apropriaram-se da rotina escolar, estabelecendo vínculos com os alunos, apoiando os professores em situações complexas e, quando nos demos conta, já estavam absolutamente integrados ao grupo.

Depois de se apropriarem de todos os aspectos do trabalho educacional e de se constituírem como referência para alunos e professores, estes profissionais talentosos e competentes começaram, nos últimos dois anos, a assumir um novo eixo do trabalho educacional: o atendimento às famílias.

Esta inserção progressiva e cuidadosa pode passar despercebida por aqueles que não acompanham nosso cotidiano, mas estes profissionais estão se preparando há um bom tempo para assumirem de modo autônomo a função completa do orientador educacional.

Fernanda Silvares foi a primeira a deixar a assistência de orientação para assumir turmas na Unidade Butantã, em 2011. Neste ano, Érica Ditolvo, Tiago Lima e Irene Antunes tiveram a oportunidade de assumir novos cargos. Para nós, os mais velhos na casa, eles já não são mais iniciantes. São colegas bem preparados, mas ainda assim contam com o apoio de todos em suas estreias, já que realizamos reuniões semanais para análise de casos e definição de encaminhamentos individuais.

Nas próximas semanas, vocês poderão conhecer algumas das ideias destes profissionais a partir de relatos e  entrevistas aqui publicadas!