Despedindo-me do “Um Pouquinho de Brasil”

Um pouquinho de Brasil - Escola da Vila

Por Adriana Marcondes Machado, mãe dos alunos José, Antonio e Maria

Saí do último evento Um Pouquinho de Brasil, sábado dia 27 de agosto, despedindo-me: “ Meu último Pouquinho de Brasil”. Dois filhos maiores e agora, a menor, com 10 anos.  Fomos em 13 eventos. Ano que vem, não haverá mais nenhum filho ou filha no Fundamental I.

O dia é marcado na agenda, ainda de papel, desde o começo do ano. Sempre fomos. Não é necessário comer muito no café da manhã, pois lá haverá boas coisas para comer, vamos com tempo (coisa rara nos dias de hoje) e, muitas vezes, quando dá, somos dos últimos a sair. Nas estantes de casa, temos vários objetos feitos de madeira: caixas, carros, e, agora, uma pequena cama para casa de boneca. Já trouxemos barangandãs, pinturas, argila, pipas… Ao chegar no evento, começa-se em alguma oficina, sem saber o que se fará depois, pois isso dependerá dos encontros que ocorrerão durante a manhã: um amigo que chama para fazer ou ver algo, ou apenas andar e conversar, um começo de atividade que se larga na metade para ver outra coisa, um passeio para ver a exposição daquele ano e lembrar das que foram realizadas nos outros anos. Tem criança que fica todo o tempo em uma oficina. Está bom. Tem criança que quer fazer várias atividades diferentes. Está bom. Teve um ano em que minha filha não participou de nenhuma atividade e ficou ajudando o pessoal do terceiro ano do Ensino Médio a vender camisetas para arrecadarem dinheiro para a formatura. Estava bom. Um dia para ser bom. As quadras são ocupadas com oficinas e isso, muitas vezes, afasta os amantes dos esportes. Mas muitos deles também vão, e é dia em que dá para subir na árvore perto da lanchonete, dá para brincar no brinquedo do parque, dá para ouvir o show que sempre há no encerramento do dia. Na mesa de argila são incríveis os trabalhos que vão se produzindo, com direito a molhar o barro em um canto com água e terra… A menina que pintava a partir de uma modelo, usou a modelo como inspiração, e seu desenho tornou-se um jogo de cores. Nada tem que ser de UMA maneira apenas, nada tem que ser igual a nada.

Nas mesas da lanchonete e no canto da argila, encontrei-me com mães, pais, educadoras e funcionárias. Sem música alta, sem muita gente, vai-se tendo conversas com começo, meio e fim.  Não sei se era o espírito de despedida, mas busquei essas conversas onde elas surgiam. Encontrei minha filha em alguns momentos; há cinco anos, ela estaria quase todo tempo comigo.

O evento, as exposições, as salas enfeitadas nos mostram trabalho. Percebe-se, nesse evento, o intenso trabalho de muitas professoras/os e funcionárias/os que, no dia, nos recebem animando-nos a fazer, ousar, arriscar, experimentar. Gente que pesquisa, que busca as técnicas e os sentidos de fazeres apostando nas marcas que eles precisam manter produzindo em nós. Os boizinhos… todo ano eles estão lá. Sustentar esse evento e as atividades que lá se expõem exige constante disputa no currículo. Claro, isso deveria acontecer mais, ocupar mais, mais tempo, mais espaço. Nesse dia a escola está ocupada – palavra que nos remete ao que é necessário para que o pertencimento se opere -, ocupada por arte na grama, nas paredes e muretas.  E ocupada por tempo para observar e ver como os outros fazem e fizeram.

Sou acelerada, sempre agenda cheia, muito trabalho, fazendo diferentes coisas ao mesmo tempo… O dia Um Pouquinho de Brasil produz algumas derivações nisso, é um dia em que consigo ficar sem saber o que fazer a priore, perambular no espaço da escola, olhar e me encantar com os detalhes.

Agradecida às professoras/es e funcionárias/os que organizam esse dia de arte.

O evento “Um Pouquinho de Brasil” na unidade Granja Viana

Pouquinho de Brasil na Escola da Vila Granja Viana

Por Luisa Furman 

Há muitos anos se faz roda na Escola da Vila, em todos os segmentos e em diversas situações. A roda possibilita a todos sentarem-se no mesmo nível e se olhar, ouvir e compartilhar algo importante. Nas rodas da Educação Infantil os pequenos aprendem a dividir com os colegas passagens importantes de suas vidas, tais como: um episódio do final de semana, uma descoberta, um novo aprendizado, uma conquista, um medo, uma tristeza.

Essa organização estrutural pode ser realizada em qualquer espaço da Escola, estando ligada a um conteúdo curricular ou procedimental. Os agrupamentos também podem variar de acordo com o objetivo da roda.

Existem, também, as rodas de capoeira, de histórias, de apreciação de cadernos de arte, para tomar lanche, para fazer assembleias, e várias outras, que muitas vezes ocorrem espontaneamente. A roda é um convite ao diálogo, à troca, à interação, valores fundamentais para o nosso projeto.

Também fazemos rodas para dançar e cantar, como aquela de encerramento do Um Pouquinho de Brasil − evento de arte organizado pelo Setor Cultural, no dia 30 de abril, na unidade Granja Viana − conduzida pelo grupo Mergulhatu, que apresentava diversos ritmos brasileiros como o Maracatu, velho conhecido da turma do complementar, estudado no primeiro trimestre, que propõe aos alunos, a suas famílias e aos professores a participação interativa, cantando e dançando com os músicos.

Essa grande roda finalizou o evento, que acontece todos os anos, e evidencia os processos de aprendizagem das aulas de arte, promovendo a integração entre as famílias e a escola. Os alunos têm a oportunidade de atuar como protagonistas, mostrando as produções realizadas ao longo do primeiro trimestre, expostas pelo espaço da escola e relatando os conteúdos e procedimentos aprendidos para a concretização de cada trabalho. Os professores, por sua vez, participam dessa integração ao preparar o ambiente para receber a comunidade, organizam e oferecem atividades, acompanham seus alunos e conversam com as famílias.

Ao final, uma das professoras presentes na atividade, admirada com a participação das famílias, resgatou um sentido importante da roda para uma comunidade que está se constituindo e tem fortalecido sua parceria com a escola − a roda como comunhão, como uma engrenagem que, girando em torno de seu eixo, realiza algo em comum entre suas peças, estabelecendo uma sintonia de sentimentos, do modo de pensar e de agir.

Veja as fotos do evento no Flickr da Vila.

#35anosescoladavila

Por Andrea Aly

Me lembro do primeiro dia em que entrei na escola. Eu estava procurando uma vaga para estagiar na educação infantil e fui recebida pela Vania e pela Dayse. Lembro desse dia, do clima agradável que senti ao observar as crianças brincando e passando pela sala com piso colorido onde eu esperava.

andrea

Na reunião, uma pergunta: mas o que a Escola poderia te oferecer? Visto que eu já havia me formado, acabado de casar, estava voltando de um ano na França e pleiteava uma vaga de estágio na educação infantil. Respondi: preciso conhecer este universo, viver isso e entrar de cabeça nas questões que envolvem a infância e a arte.

Assim, comecei minha jornada que, neste ano, somam 8 anos de Escola.

andrea

Passei de estagiária de sala para professora de arte, comecei a dar cursos no Centro de Formação, tive minhas duas filhas e estou nesta delícia a todo este tempo!

Uma das coisas que mais me chama atenção na Escola ainda hoje é a qualidade crítica que os alunos da Vila possuem. Quando fazemos visitas a museus ou nas aulas de apreciação que pude presenciar, fico sempre muito emocionada com os comentários deles e a capacidade de observar, analisar, refletir e discutir sobre arte.

andrea

Outro ponto muito importante é a quantidade de gente especial que a Escola envolve. Uma equipe incrível, uma comunidade extremamente competente e envolvida, uma escola de primeira!

andrea_3

Continuo muito feliz em poder fazer parte de tudo isso e de estar perto das crianças fazendo-os felizes durante esses momentos tão especiais que são as aulas de arte­­!

Ambientes que comunicam

Por Marisa Szpigel – Zá

Visualidade: vista, miragem, aspecto cambiante (do dicionário Michaelis). A visualidade dos espaços de todas as escolas pelas quais passamos durante nossa jornada em Nova York comunicavam significados. A visualidade não se apresentava apenas pelas exposições e pelos murais repletos de trabalhos realizados por crianças e jovens, mas também, e principalmente, pelo agir dos estudantes e professores nos espaços. Ambientes coletivos de trabalho, que muito se distanciavam do referente de uniformização e homogeneidade sem surpresas que normalmente estão relacionados ao ambiente escolar. Cada uma das escolas que pudemos conhecer oferecia lugares convidativos e que sugerem familiaridade, eles nos mostravam que foram construídos  ao longo do tempo pelos protagonistas  dos processos ali implicados, de modo a revelar singularidades e  construção coletiva simultaneamente.

1         2

3Na escola Quest to learn todas as propostas são apresentadas aos alunos no formato de games. Observamos que os alunos utilizam os ambientes virtuais e reais  de acordo com a atividade. Não há uma sala  de aula por série, mas os alunos circulam pelas salas e cada professor tem sua sala. Os murais, repletos de produções de todos tipo comunicam os processos de produção. Além disso, chamou atenção o fato dos professores terem um espaço de trabalho (como mostra a primeira imagem) dentro da sala.

Assim como ocorre nos ambientes virtuais que se constituem por redes complexas e carregadas de informações, nessas escolas salas, corredores, bibliotecas e ateliês também se apresentavam como redes complexas, com poucos (ou nenhum) espaços vazios. Mais do que salas de aula e ateliês, os ambientes nos davam ares de laboratórios, onde a experiência e a investigação, os processos e as aprendizagens, são transparentes.

5           4

6

Como gabinetes de curiosidade, objetos, comentários, reflexões, sistematizações, mapas  conceituais, fotografias, materiais e muitos trabalhos de arte  invadiam os ambientes dentro e fora das salas de  aula da Blue School.

7

A cena está mais para gabinete de curiosidades e museu de tudo do que para museus especializados e separados por disciplinas e áreas. Está mais para museu-laboratório do que para museu-vitrine. E, novamente, vale frisar, assim como nas redes, a multiplicidade e a polifonia estavam sempre presentes nos ambientes por onde passávamos e eles nos tornavam imersos nos processos.

8

Pode-se concluir que os ambientes reais reproduzem a complexidade dos ambientes virtuais, no entanto, o fazem em sua concretude, pois materializam os conteúdos presentes na vida de nossas crianças e jovens, que desde muito cedo estão em contato com os ambientes virtuais. O que ocorre é que os estudantes transitam com familiaridade na multiplicidade sem perigo de dispersões, estão habituados a perceber diversos estímulos simultâneos e abertos para experiências novas de contato e descobertas sensoriais que talvez, na contemporaneidade, só possam ser conhecidas no ambiente escolar.

9

Na escola em que fomos visitar e conhecer mais de perto as propostas de Reggio Emília, materiais de todo tipo, desde os mais industrializados até os mais naturais são investigados pelos alunos em ambientes organizados pelos professores.  Os registros feitos pelas crianças durante o processo de produção são expostos nas paredes e  em murais.

 10            11

A visualidade dá visibilidade às transformações do mundo. Se as tecnologias digitais afetam as formas de perceber e compreender o mundo, isso implica em inventar novos modos de agir nele. Não se trata de substituir a argila por computadores. Vimos nos corredores que caixotes de madeira e carrinhos de tablets podem coexistir. O que mudou foi o modo de pensar, e cabe a nós, educadores, refletir sobre os diálogos possíveis. Como a tecnologia está (ou deveria estar) conciliada com a produção artesanal e o contato com as diferentes qualidades de matérias e materiais? Neste contexto, a arte apresenta-se como campo que potencializa entrelaces.

12             13

14

Na Bank Street a arte invade todos os ambientes: salas de aula, corredores, biblioteca e ateliê. Durante as propostas os alunos trabalham autonomamente dentro da sala e pelos corredores. Os professores também, tanto os que estão ministrando as aulas quanto outro que estão realizando seus estudos e planejamentos, tornando transparente também o fazer docente.

Área de Cultura, lugar de encontro

Screen Shot 2015-04-29 at 08.53.26
Grupo de teatro do F2

Por Luisa Furman

“Nenhuma instituição ou organização pode se responsabilizar, de maneira isolada, pela educação de uma criança no mundo atual. É difícil dizer o que as escolas devem ser, mas certamente não se trata de infraestrutura luxuosa ou apenas de tecnologia avançada. Uma escola pode funcionar até sem eletricidade. O que importa é a existência de um lugar de encontro. A aula pode acontecer até debaixo de uma árvore.”
                                                                                                           Edith Akermann

Mais do que oferecer uma formação complementar ao currículo da Escola e das disciplinas convencionais, os cursos organizados pela Área de Cultura propõem diferentes espaços e dinâmicas de aprendizagem, que ajudem a despertar novos olhares para o mundo, na perspectiva dos interesses particulares de cada estudante.

Com a liberdade de proposição que muitas vezes as obrigações curriculares não permitem, com participação por adesão voluntária, o que garante o interesse e a motivação de todos, e com grupos pequenos, que permitem interações muito ricas, as atividades da Área de Cultura têm sido muito produtivas.

Os ambientes dos cursos de extensão, embora apresentem situações mais informais que a sala de aula, são favoráveis a um tipo de ensino/aprendizagem mais empírico, o estudante está em contato direto com o objeto de estudo – seja com o uso do corpo, de ferramentas tecnológicas, ou do fazer manual, os alunos estão constantemente aprendendo com a “mão na massa”.

Mas é claro que as opções complementares dependem de certa persistência do aluno, ou, eventualmente, das famílias, já que seu caráter não obrigatório pode gerar uma adesão pouco consistente, às vezes até circunstancial (em função da adesão de um amigo, da existência de uma fantasia ou de um desejo temporário). Nesses casos, a insistência é fundamental, pois não há atividade de aprendizagem, mesmo a mais divertida, que não envolva desafio, cansaço e até certo desconforto. Por isso, as propostas opcionais da Área de Cultura contribuem também para a formação do estudante, daquele que transforma sua curiosidade em pesquisa, daquele que busca dominar um procedimento até desenvolver uma habilidade pessoal, daquele que quer transformar uma pergunta em conhecimento!

A programação, construída e revisada ano a ano, busca tanto responder às demandas quanto apresentar novas possibilidades desconhecidas dos alunos, como a produção mais contemporânea de arte, música e o uso de tecnologias.

Optamos por oferecer experiências que os alunos não podem encontrar facilmente em cursos, mas sim aquelas que podem promover contato com linguagens e atividades novas, desafiadoras e que envolvam as habilidades requeridas para o século XXI, como: pensamento crítico, criatividade, comunicação e colaboração.

É nesse sentido que esperamos que os cursos de extensão cultural possam criar lugares de encontro, ou novos espaços de relação, que estimulem nossos estudantes a terem prazer em novos desafios.

Leia a seguir sobre as atividades de teatro, hip-hop, mídias digitais e criação de jogos.

Criação de Jogos
Para alunos de 4º e 5º anos do F1.
O curso tem como objetivo o contato com a história dos games e a exploração de jogos de referência, visando visando a criação de jogos eletrônicos como produto final do curso. Usaremos algumas ferramentas já conhecidas pelos alunos e também programas como o Scratch, que usa uma linguagem de programação desenvolvida pelo MIT Media Lab.
Os alunos manipularão vários tipos de mídias, participarão de todas as etapas de construção de um jogo, além de publicar suas criações para divulgação e interação com os colegas e a Escola. Usaremos a comunidade de trocas, em: http://scratch.mit.edu.
Assista ao vídeo do curso aqui.

Mídias Digitais
Para alunos do F2.
Neste curso, os alunos poderão experimentar o uso de diversos programas visando à edição e à criação de animação, vídeo e áudio, além da programação para o desenvolvimento de jogos e aplicativos para celular e tablet.
Em cada trimestre, exploraremos técnicas de manipulação de mídias como animação em 3D, edição de vídeo, stop motion, fotografia, desenho analógico e digital, sempre com o uso das tecnologias, ampliando as possibilidades de trabalho.
Assista ao vídeo do curso aqui.

Teatro F1
Para alunos de 2º a 5º ano.
A oficina visa ao estudo do teatro a partir da identificação de alguns elementos dessa linguagem em jogos tradicionais e cooperativos. Dentre eles, podemos destacar a organização espacial, a construção do corpo das figuras envolvidas, a contagem do tempo e os temas suscitados. A oficina resultará em um experimento cênico elaborado colaborativamente com os alunos.
Assista ao vídeo do curso aqui.

Teatro F2
Para alunos de 6º a 9º ano.
A oficina visa o estudo do teatro a partir da identificação de alguns elementos dessa linguagem em jogos tradicionais e cooperativos. Dentre eles, podemos destacar a organização espacial, a construção do corpo das figuras envolvidas, a contagem do tempo e os temas suscitados. A oficina resultará em um experimento cênico elaborado colaborativamente com os alunos.
Assista ao vídeo do curso aqui e ao vídeo da apresentação de fim de ano aqui.

Teatro EM
Para alunos do Ensino Médio.
A oficina visa ao estudo do teatro a partir da identificação de alguns elementos dessa linguagem em jogos tradicionais e cooperativos. Dentre eles, podemos destacar a organização espacial, a construção do corpo das figuras envolvidas, a contagem do tempo e os temas suscitados. A oficina resultará em um experimento cênico elaborado colaborativamente com os alunos.

Danças Urbanas
Para alunos do F2.
Neste curso, serão apresentados elementos da cultura hip-hop e outras manifestações culturais urbanas, abordando técnicas de expressão corporal e passos de street dance, possibilitando a criação de performances individuais e em grupos.
Assista ao vídeo do curso aqui.

Arte Urbana
Para alunos do F2 e 1º ano do  Ensino Médio.
Os alunos vão conhecer as histórias do Grafitti e da Arte Urbana, e as diversas técnicas utilizadas por artistas contemporâneos que têm o espaço urbano como suporte. Além do grafitti, vão trabalhar com stencil, lambe-lambe e serigrafia. O curso prevê saídas para realizar intervenções em espaços autorizados, com uma equipe da Escola da Vila.
Assista ao vídeo do curso aqui.

SerTão Grande
Um grupo de estudos de alunos do Ensino Médio vai investigar os sentidos e as representações do sertão a partir da leitura de contos e dos diários de Guimarães Rosa.
Como encerramento e coroamento do curso, o grupo visitará o sertão roseano, buscando os cenários e personagens que inspiraram Guimarães a criar seu universo sertanejo, tão fictício e ao mesmo tempo tão real, em Cordisburgo e Morro da Garça – MG.

A formação complementar do aluno: tudo o que ocorre fora do currículo

13_4_2015-01

Por Sônia Barreira 

Um enorme desafio para as escolas que abraçam a ideia de uma formação integral é a de proporcionar um conjunto de opções e oportunidades para que os alunos se relacionem com propostas, conteúdos e temas que não têm como ocupar devidamente o restrito tempo curricular. Ainda que nosso ano letivo ultrapasse em muito a carga horária obrigatória, não é possível oferecer tudo o que gostaríamos no horário regular das aulas.

Com o propósito de alargar horizontes, ampliar experiências e proporcionar atividades com as quais os alunos se identifiquem, concebemos um vasto leque de opções para complementar a formação integral do estudante, com possibilidades que dialogam com o currículo escolar.

O setor cultural se ocupa em oferecer cursos extracurriculares para todas as idades, contemplando música, arte, dança, teatro, literatura, tecnologia, e mantém um olhar atento para novas possibilidades, renovando o cardápio de ofertas a cada ano.

Oficina de Matemática, Grupo de Investigação Científica, Vilativa e grupo de participação e intervenção cidadã são outras iniciativas às quais os alunos aderem de acordo com seus interesses pessoais.

O setor de esportes oferece propostas cuidadosamente planejadas para as diferentes idades.

Para dar destaque às ações de formação complementar, inauguramos uma série de posts que apresentam algumas dessas escolhas e como cada uma delas dialoga com os princípios de nosso projeto pedagógico.

Dando início, reunimos a seguir cenas de algumas das atividades complementares que temos na Escola da Vila.

Criação musical

Guitarra

Violão F1

Violão F2

Criação de jogos

Mídias digitais

Teatro F1

Teatro F2

GIC 1

GIC 2

Por que visitar museus e exposições?

DSC07544

Por Karen Greif Amar

Na Escola da Vila, a partir do Ensino Fundamental 1, os alunos têm a oportunidade de visitar, junto com seus colegas de classe e o professor de Arte, museus ou exposições temporárias, ao longo do ano. Essa prática não se resume a um ato que tem como objetivo “ilustrar” algum estudo realizado em aula e traz consigo um conceito mais amplo, que abarca os diferentes conteúdos da área, como estar em um espaço expositivo, conhecer suas regras, conversar sobre as sensações que um trabalho provoca em nós, estar em silêncio consigo e com seus pensamentos.

Considerando estes espaços potentes e com grande potencial educativo relacionado a aspectos culturais presentes em nossa sociedade, os estudantes vivenciam de perto a forte experiência que é estar frente a uma obra de arte original e poder explicitar suas reflexões acerca deste momento.

Visitar exposições, museus, lugares históricos, galerias de arte ou lugares da cidade fomenta descobertas sobre o homem e sua relação com diferentes povos, culturas e valores. Além disso, alimenta a sensibilização em relação à produção em arte, possibilitando ao aluno levar aspectos discutidos nas reflexões e nos diálogos estabelecidos durante a visita para sua produção nas aulas em oficina.

Muitos são os momentos em que as crianças, durante uma roda de caderno ou de apreciação de imagens de obras de artistas, citam algum trabalho de arte visto em uma exposição realizada com a escola ou seus familiares. Ao longo da conversa, fragmentos das memórias do vivido frente à obra de arte são expostos ao grupo, acrescentando à conversa elementos integrados ao novo aspecto abordado, ampliando a discussão. E é nesse movimento que habita o valor de uma visita, quando sua essência permanece e é incorporada em uma relação dialógica com o novo. Compreende-se aqui o diálogo como toda e qualquer forma de complementação, questionamento, crítica. Todas as formas são válidas e pertinentes ao que se quer ensinar – ver, sentir e pensar arte.

Algumas dicas de museus e galerias na cidade que podem ser visitados com os alunos e seus familiares!

Próximos da escola:

SESC Pinheiros

Paço das Artes

Galeria Leme

Instituto Tomie Ohtake 

Em outros bairros:

Pincoteca

Museu Lasar Segall

MASP

Centro Cultural Banco do Brasil

Arte para os pequeninos do Espaço da Vila

_

Por Ana Paula Yazbek, Angélica Dienni e Heloísa Trigo

A arte para as crianças pequenas é ação. Nesse sentido, aproxima-se muito de outra linguagem própria da infância: o brincar. Por isso, quando pensamos em atividades com arte para bebês e crianças pequenas, entre zero e três anos de idade, com as quais trabalhamos, sabemos que ações tais como explorar, conhecer, tocar, sentir, cheirar, experimentar e até mesmo morder devem ser consideradas no momento do planejamento das propostas. Desta forma, o  educador é levado a organizar situações dessa natureza. Criamos boas condições para que  as crianças se aproximem dos diversos elementos que, culturalmente, são meios, suporte e materiais e, assim, possam descobrir tantas outras possibilidades para a expressão da linguagem artística. Promovendo brincadeiras com o próprio corpo, o espaço, o tempo, por meio da exploração a que esse espaço convida, propiciamos a descoberta de novas ações com o corpo.

O produto final não é o objetivo principal, já que nessa faixa etária o percurso, as sensações, as vivências que acontecem em cada espaço e tempo são primordiais. No entanto, acompanhamos ao longo do crescimento das crianças ações cada vez mais intencionais em produzir marcas, nos desenhos, nas pinturas, nas colagens, nas modelagens por meio de movimentos mais refinados e habilidosos.

Sempre envolvidas com a reflexão de como colaborar para que as experiências das crianças sejam ricas em significado, e permitam apropriarem-se de seus movimentos, explorar, descobrir novas formas de linguagem, de comunicar-se, de conhecer-se, buscamos atualização constante.

As experiências de vivenciar exercícios e de poder estar em contato com diferentes produções de artistas, que ocorreram nos encontros do ZDP 2014, coordenados pelas professoras Karen e Zá, favoreceram um diálogo com os referenciais teóricos que permeiam nosso trabalho como educadoras, propiciaram vivências práticas muito enriquecedoras e contribuíram para a criação de novas propostas na construção de um olhar mais apurado para as ações das crianças.

Poder experimentar, sentir, produzir, pensar, se sujar, ocupar diferentes espaços e, ao mesmo tempo, conhecer artistas, buscar novos olhares para as obras apresentadas foram fundamentais para o incentivo à pesquisa de novas maneiras de se pensar e fazer arte com as crianças.

No último encontro do ano, por exemplo, tivemos uma experiência na qual pudemos vivenciar sensações de descoberta e nos aproximar das linguagens artísticas, redescobrindo nossos próprios movimentos.

A partir de um exercício chamado “O Polvo”, cada participante pôde aproximar-se do próprio corpo e do corpo do outro, e muitos sentidos foram estimulados a interagir, a conectar-se. Por meio do tempo e do espaço, fomos convidadas a construir um novo corpo coletivo, além da experiência individual de construção.

Essa proposta inspirou vivências aqui no Espaço da Vila. Marcinha, educadora da turma dos bebês entre quatro meses e um ano de idade, por exemplo, transformou uma de nossas salas em um universo de luz e sombra, com a projeção da textura de um tecido sobre o retroprojetor. Nesse espaço, os bebês, cada um com sua forma de locomover-se, em seu momento particular de descoberta do próprio corpo, teve os sentidos aguçados a entrar em ação e, o que vimos, foram olhares encantados, gestos de exploração, interação e criação de linguagem… O brincar, o movimento e a arte como linguagem de todos e de cada um, naquele espaço e tempo, que não se repetirão, mas que alimentarão muitos outros espaços e tempos.

Depois das jornadas formativas que vivenciamos, os elementos que aqui no Espaço da Vila sempre estiveram presentes − galhos, folhas, sementes e flores que caem das árvores do parque − começaram a ganhar, nas mãos das crianças, outros significados, formas e aparências, construções efêmeras e muito criativas!

Nas propostas de desenho, um ambiente mais silencioso e menos diretivo está presente. Com isso, podemos ver os olhares atentos das crianças aos seus gestos e às suas impressões nos diferentes suportes. Nesse momento também é possível sermos cúmplices de algumas brincadeiras, entre elas, das conversas sobre suas ações e as escolhas dos materiais. E isso é algo incrivelmente rico.

Enfim, com esse curso ganhamos maior repertório para valorizar ações genuínas das crianças pequenas em arte tais como: balançar, rasgar, amassar, aglutinar, trocar, colocar na boca, observar, tentar fazer igual, fazer barulhinhos… E, quando vemos que mãozinhas tão pequenas estão ligadas ao movimento do corpo e conectadas aos olhares atentos e que desta conexão surgem as transformações dos materiais e outra maneira de expressão, acreditamos ainda mais na arte como elemento fundamental na educação.

E, por tudo isso, agradecemos muito às professoras Karen e Zá.

Intervenções no espaço da escola


Intervenções coletivas criadas pelos grupos classe com os materiais e mobiliários disponíveis para que os estudantes pudessem ter uma primeira experiência de ativação do espaço antes de elaborar seus projetos finais.

Por Marisa Szpigel (Zá) – orientadora de arte do Fundamental 2 e professora de arte dos oitavos e nonos anos

Muitas são as ações de protagonismo com as quais os estudantes do nono ano se deparam nesta etapa da escolaridade. Sim, queremos marcar as conquistas e a passagem do Fundamental 2 para o Ensino Médio.

Por essa razão, costumamos brincar que o projeto “Intervenções no espaço da escola” é o TCC de arte do Fundamental 2, ou seja, um trabalho de conclusão, aberto a processos abrangentes e diversos, para que os estudantes possam colocar em jogo conhecimentos adquiridos ao longo de um intenso contato com a arte.

Para dar suporte aos projetos de intervenção, as propostas de trabalho da série procuram evidenciar a dimensão política da arte. A fim de favorecer o contato com essa dimensão, durante o ano todo, três conceitos fundamentais são abordados: a reprodutibilidade, a apropriação e a circulação da arte.

No primeiro trimestre, a investigação acerca da xilogravura, que envolve os processos de gravação e impressão, possibilita aos estudantes a experiência com uma técnica reprodutiva, ou seja, o conceito de reprodutibilidade se materializa quando, a partir de uma única matriz de madeira, torna-se possível a impressão de muitas imagens. Assim, a arte pode circular por diferentes lugares ao mesmo tempo.

No segundo trimestre, os estudantes conhecem mais de perto dois artistas, que, de modos diferentes, questionam os circuitos tradicionais de arte: Cildo Meireles e Banksy. Ambos ampliam a ideia de lugar da arte. O cotidiano, a cidade e a rua, as questões sociais e políticas, são tensionados por esses artistas. Como nossos alunos experimentam essa tensão? Cada um escolhe uma imagem e cria um estêncil para imprimir em uma área externa da escola. Nesse caso, o desafio não é apenas estampar a imagem, mas pensar como a imagem transforma o lugar e como o lugar transforma a imagem.

Munidos desses conceitos e com algumas outras tantas experiências artísticas na bagagem, consideramos importante o exercício de agir no espaço da escola. A escola, nesse sentido, pode ser entendida como a rua, a cidade, e, por essa razão, assume dimensão pública.

Do ponto de visto didático, é um momento de maior autonomia dos estudantes no curso: determinar entre si os interesses que darão as diretrizes de seu trabalho numa vastíssima gama de possibilidades; escolher um local e o público com o qual seu trabalho dialogará; realizar operações que serão orientadas pelos professores. No que toca os conteúdos específicos da disciplina, a autonomia se sente na determinação do caráter de cada intervenção; no modo como uma referência se deixará perceber como influência na realização do trabalho; na escolha dos materiais e seus procedimentos de manipulação que deverão ser levados a cabo com rigor para que o trabalho efetivamente aconteça e, dentre eles, fazer um estêncil pode ter o mesmo valor de um procedimento aprendido no primeiro ano do fundamental 1, ou mesmo fora da escola.” Bartolomeo Gelpi – professor de arte dos oitavos e dos nonos anos.

Antes de ir a campo, três situações pontuais são decisivas para possibilitar a criação de proposições conceitualmente consistentes, a partir da consideração e da apropriação do espaço, tendo em conta, ao mesmo tempo, uma gama de materiais e procedimentos artísticos factíveis quando se trabalha com escalas maiores que aquelas a que estão acostumados. A primeira é entrar em contato com a poética de Andy Goldsworthy e Christo, artistas contemporâneos que fazem intervenções em grandes dimensões. A segunda, realizar coletivamente, no ateliê, uma intervenção breve, com o desafio de pensar em uma questão e, com os materiais ali disponíveis, o grupo classe ativar o espaço para que aquela ideia possa se concretizar visualmente. A terceira implica os estudantes na realização de um projeto em grupo (de 3 a 4 integrantes).

Os estudantes tomam o desafio para si, e com seus recursos debatem e discutem, exercitam o lugar de impor suas ideias, ouvir e considerar a dos outros, e, juntos, reunir elementos que tornarão mais potentes suas ações sobre o espaço. A experiência favorece o agir no mundo, e, independente do caráter da intervenção, imprime uma dimensão política ao trabalho.

Para sua efetivação, os estudantes analisam a planta da escola com o objetivo de apreender o espaço de atuação de cada grupo e, assim como nos editais de arte, elaboram uma ficha em que detalham o projeto por escrito, antecipando por uma descrição detalhada, aquilo que pretendem fazer, além de criar uma justificativa conceitual e levantar os materiais e as quantidades necessárias para realização do projeto.

“A diversidade obtida no conjunto dos resultados é imensa. Alguns grupos optam por intervenções que discutem de modo incisivo questões práticas do cotidiano na escola, assumindo forte caráter político; outros procuram uma via que leve à introspecção, outros acentuam o humor, outros, ainda, o puro lirismo.” Bartolomeo Gelpi – professor de arte dos oitavos e dos nonos anos.

Os trabalhos realizados no espaço são de caráter efêmero, e podem durar de um dia a uma semana. Essa é uma condição colocada pelo projeto, e o fato dele acontecer no final do ano e por considerarmos importante que os alunos participem da desmontagem das intervenções, coloca a necessidade de desfazer o trabalho e reaproveitar materiais como parte do processo. Em função dessas condições, incluímos a documentação como etapa fundamental. É importante notar que, para conhecer os trabalhos dos artistas de referência, os alunos pesquisaram a documentação dos mesmos. Qual o lugar da documentação no campo da arte? Essa é uma questão que é colocada também como ponto importante, assim, os alunos se organizam para fotografar ou filmar o processo durante toda a montagem e a desmontagem dos trabalhos.

Na semana que vem, as ideias serão concretizadas e a documentação será o meio de divulgação das intervenções criadas pelos estudantes. Convidamos a comunidade a conhecer, refletir e debater sobre o lugar que a arte ocupa na vida cotidiana.

A documentação será publicada no flickr e, em breve, enviaremos o link.

Contamos com a participação de todos com comentários e questões!

Sobre fazer parte da comunidade escolar

No dia seguinte ao evento “Um pouquinho de Brasil”, Daniela, uma mãe da escola, escreveu sobre a participação de sua família no evento e nos brindou com uma reflexão sobre o que é fazer parte de uma comunidade. Agradecemos à Daniela Giaquinto pela parceria e por nos autorizar a postar suas palavras.

19

Por Daniela  Lopes Giaquinto

“Começo esse ‘pensamento traduzido em palavras escritas’, relatando a minha conversa com o Diego, meu filho de 3 anos, no carro.

“- Vamos para o “Um Pouquinho de Brasil” na sua escola, Diego.
– Mas esse não é o caminho da minha escola!
– Ah… mas é que você estuda na Unidade Butantã e nós estamos indo para a Unidade Morumbi.
– Tem duas escolas?
– Sim, filho, na verdade tem três, porque tem a Unidade Granja Viana. Mas é tudo a mesma escola.
– E é tudo minha?
– Sim!
– Ebaaaa!!!”

E lá, enquanto Diego sofria pela falta de coordenação motora para fazer uma pipa (rs), fiquei pensando na importância que esse nosso passeio tinha. Isso porque não se tratava de um evento direcionado para o segmento dele, embora fosse aberto a todos. As atividades eram propostas para o Fundamental I, e o Diego ainda levará alguns anos para fazer parte desse grupo.

Fato, gosto de prestigiar os eventos da escola do meu filho. Por ser professora, sei o trabalho que dá organizar esses eventos e uma maneira de apreciar tal empenho é comparecer. Mas a minha intenção é mais do que prestigiar a escola e os profissionais envolvidos nesse projeto. Minha intenção é fazer parte da comunidade escolar. Conhecer as pessoas que fazem parte do dia a dia do meu filho, seus amigos (que conheço todos e sei seus nomes), os pais dos seus amigos, com quem compartilho impressões, experiências e a fé de que “tudo vai dar certo”, os professores e os orientadores, os que estão com ele hoje e os que fazem parte dessa comunidade, e todos os profissionais que dividem comigo a presença dele, desde a direção até a moça que passa pano no chão do banheiro. Quero que meu filho entenda que cada pessoa dessas faz parte de uma engrenagem que só funciona porque todos compõem uma equipe. Equipe da qual ele faz parte.

Fazer parte.

Acho que o motivo principal pelo qual gosto de me sentir pertencente a essa comunidade escolar está ligada à crença de que as crianças também aprendam observando modelos. E o que eu quero que o Diego aprenda ao observar como me relaciono com sua escola é que ela não é feita “para ele” mas “com ele”. Que saiba que, desde pequenino como é hoje, ele colabora com a construção e a manutenção desse lugar, com sua forma de ser e existir. Eu penso a escola como um organismo vivo, que pulsa, respira e pensa. E quero que o Diego entenda que ele é parte do que inspira e expira desse organismo, que é a vida que corre (no caso dele, literalmente!) pelos corredores, parques, salas de aula, mundo… Uma vez que compartilho dos princípios que fundamentam essa instituição, acredito que faça sentido o Diego ir se apropriando deles à medida em que os compreenda, e que os adote em sua maneira de viver.

Conhecer o trabalho dos mais velhos é conhecer o próprio trabalho (e vice-versa), afinal, ele, de alguma forma, compartilha dessas descobertas. Os grandes já estiveram onde ele está. Os pequenos chegarão lá e, nesse dia, serão “os grandes”. Nos retroalimentamos de curiosidade, descoberta, aprendizado e, sim, do prazer que dá aproveitar o resultado.

Quero ainda que ele entenda o quanto valorizo sua vida acadêmica e que o que entendo por ela é muito mais do que as notas no boletim. É o convívio, a participação, a arte, a capoeira, a música, a culinária… O conjunto da obra, figura e fundo, individual e coletivo.

Por fim, espero que meu filho aprenda a apreciar a vida nessa comunidade, que aprenda a participar dela da melhor forma e que isso se traduza em ser feliz na escola, mesmo quando as coisas forem difíceis, mesmo quando houver desafios a cumprir. Acho que posso chamar isso de amor. E é isso… Quero que ele aprenda a amar a sua escola, porque ele a representa e ela também o representa.

Talvez alguém me diga:

– Mas, Dani, e se depois disso tudo ele não sentir dessa forma? Afinal, vocês são diferentes, ele pode não ter vontade, quando mais velho, de participar tão de perto dessa comunidade…

Eu responderei:

– Pode ser. Não há como garantir que ele ame a escola ou que queira se envolver tanto assim. Mas, no mínimo, poderemos dizer que, num sábado ensolarado, abraçamos os amigos e juntos curtimos um passeio muito legal…

ps #euamoavila