Discutir política em casa: “A arte da guerra” no seio da família

Padlock at Gate

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Por Fermín Damirdjian

“Esse portão é o mais perfeito símbolo da ostentação do capitalismo especulativo imobiliário.”

Era uma terça-feira de manhã. A discrepância na idade dos filhos não facilitava a turbulenta saída da família após o café. Enquanto o autor da frase acima estava no primeiro ano do Ensino Médio, a caçula ainda começava o sexto ano do Ensino Fundamental. Naquela semana a família sobrevivia com um carro só, enquanto o outro estava na oficina. Mãe e pai trabalhavam em bairros bem diferentes, e a logística planejada para aquela semana de um só carro não estava funcionando bem. Na terça-feira em questão, eles não podiam sair atrasados. O pai tinha um compromisso ainda mais cedo do que o usual. O mais velho já tinha seus três atrasos na escola. Mais um, seria fatal.

Quando se mudaram para a Granja não havia problema em chegar à Escola da Vila, mas nos últimos cinco anos todos os carros da América Latina pareciam ter se mudado para São Paulo. O café da manhã tinha sido bem longe do agradável. O pai estava com um resfriado que não sarava, e a menina tinha problemas com as amigas na escola. Reunião marcada com a orientação para sexta-feira. O filho mais velho não estava exatamente alterado com essas causas mundanas. Levantar rápido da cama, escovar os dentes, vestir-se e juntar o material da escola não eram prioridades. Apesar dos gritos dos adultos, o mundo podia esperar. Nessa rotina, a fechadura do portão, que clamava por reparos fazia já algumas semanas, não tinha recebido maior atenção do que alguns insultos durante o entrar e sair dessa tão típica família. Naquela terça-feira a fechadura entendeu que era um bom momento para a sua manifestação. Se alguns estavam travando avenidas pela cidade afora, por que ela não podia manifestar seus anseios mecânicos a seus irresponsáveis proprietários? Insensível a esse engarrafamento doméstico, o indignado estudante da família não perdeu a oportunidade de lançar algumas bombas verbais de efeito moral sobre a família. Como denunciar a eles que o portão era um objeto de consumo, que representava o elo entre a mediocridade pequeno-burguesa paulistana e as forças malignas da especulação imobiliária globalizada. Eram 6h27 da manhã.

Relatos desse tipo são pra lá de comuns na sala da orientação educacional do Ensino Médio. Para além da correria diária, a persistência em posições políticas apressadas e radicais são uma constante na lista de confrontos cotidianos entre pais e filhos. Não menos impactante é a orientação dessas posições políticas. Aos olhos dos adultos, são simplistas, ingênuas, imediatistas e – espanto –retrógradas.

Soam frequentemente como importações superficiais de discursos alheios, mas com o fervor de quem estaria convicto deles por décadas. Diante dessa aliança entre ingenuidade e convicção, os pais se assombram, e as reações mais comuns vão desde o simples desdém até broncas veementes cujo objetivo é “endireitar” o filho antes que seja tarde.

O contato com professores que não acreditam na neutralidade do ensino e que procuram transmitir aos alunos um olhar acurado sobre a mídia ao invés de entendê-la como uma inquestionável fonte de informação e pesquisa; as crescentes manifestações de rua no país, com todas as suas variações em dimensão, caráter, natureza, participantes e motivos; a sensibilização para causas que extrapolem apenas o bem-estar próprio são todos fatores que incrementam elementos de ordem subjetiva que se fazem fundamentais para o desenvolvimento do indivíduo: ganhar espaço, encontrar maior alcance das próprias ações, ser autônomo.

Mas autônomo em relação a quem? O parâmetro inicial, sem conseguir fugir aqui de significante obviedade, são os pais. Isso significaria que todos os que querem crescer devem necessariamente confrontar e afrontar os pais, agindo e propondo tudo aquilo que é diametralmente oposto ao que eles sempre quiseram ensinar? Não, não necessariamente.

O que vai ocorrer, sim, é algum grau de tensão, inerente a todo e qualquer processo educativo. Tanto na escola como na família, para ficar nos exemplos mais evidentes, é impossível educar e propor a ampliação do repertório dos jovens sem apresentar-lhes desafios. Esses desafios podem ser de ordem prática, moral, afetiva, intelectual ou, na maioria das vezes, uma mistura disso tudo.  Mas a tensão é a variável que está sempre presente. Pode ocorrer em um grau inevitável a qualquer negociação ou pode se tornar insuportável, levando em casos extremos à situação mais aberrante para qualquer pai ou mãe, que é a sensação de estar perdendo o filho ou a filha.

A discussão política, por vezes, tensiona as relações a níveis bem próximos do insuportável. Seria ingenuidade pensar que se tratam apenas de ideias? De posições que podem ser discutidas durante o almoço de domingo sem impedir que, a partir das 17 horas, pai e filho se sentem no sofá para torcer pelo mesmo time? Ou será que o posicionamento político tem o mesmo caráter de uma filha cuja opinião negativa sobre a saia da mãe nada mais é do que uma forma de agredi-la?

É preciso pensar que sim: parte da motivação na busca por ideias diferentes da família é que justamente há curiosidade para ir além daquilo que os pais propõem. Isso resulta em afirmar com veemência cada uma das novas descobertas. Estas, são expostas como troféus resultantes da exploração própria. São tesouros encontrados fora de casa e devem ser festejados e expostos em praça pública. Ideias políticas são conquistas adquiridas por mérito próprio em mares alheios.

Em alguma medida, essa exploração é fundamental se os pais se propõem a saborear a boa realização do ato de ter filhos: vê-los ganhar autonomia para que desenvolvam seus próprios projetos de vida.

Dependendo do tipo de relação que há entre pais e filhos, no entanto, a exploração de outras posições políticas pode, sim, ser raivosa. Mas se os pais não carregarem essa discussão com altas doses de ansiedade, medo e indignação, pode ser possível que mantenham o desafio ao filho em um âmbito saudável: o de saber sustentar com bons argumentos as suas opiniões perante um adulto.

Provavelmente, a posição de um jovem seja mais raivosa que a desse adulto, pois aquele ainda precisa cavar um espaço que o outro já tem garantido. Não há, a princípio, grandes motivos para que um pai se sinta ameaçado com um filho que propõe ideias tão diferentes das suas, a não ser que queira que ele pense de forma idêntica. Se lhe parecem absurdos seus argumentos, que os confronte, então, com os seus.

Não sejamos ingênuos: o esforço para manter a discussão no âmbito verbal é grande e desgastante. A reação mais óbvia pode ser, sim, a de rir desses argumentos ou de destruí-los, tentando transmitir toda nossa experiência de vida sobre eles. Mas, nesse caso, podemos estar justamente nos esquecendo de algumas passagens importantes da nossa trajetória pessoal. Ninguém vira adulto pisando com precisão cirúrgica em cada uma das pegadas dos pais. Isso só nos levaria a crer que se um filho parece estar se transformando em nós, ele não está se transformando em alguém.

Ou, posto de outra forma: se tudo estiver dando certo, é porque alguma coisa está dando errado.

Ninguém propõe que o caminho é óbvio e simples. Nem para os pais, nem para os filhos. Abrir o portão e sair da casa dos pais não é um ato que se faça sempre com segurança. A agressividade, por vezes, se faz necessária para enfrentar o que há além daquela fechadura enguiçada, que nos protegeu tão bem por tanto tempo mas que, a partir dos quinze, começamos a criticar com inigualável contundência.

Para os pais, haja paciência! Mas para os filhos, é um começo.

Eu desisto! Não consigo aprender isso! E agora?

Blank Pad of Paper, Eraser and Broken Pencil

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Por Susane Lancman Sarfatti

Toda semana nos deparamos com desabafos, mais ou menos emotivos, por parte dos alunos que nos dizem: “Eu desisto: Matemática não é para mim.”, “Eu não consigo aprender Inglês!”, “Eu não nasci para estudar História…”.

Alguns alunos nos contam isso de forma serena e racional, já outros se mostram desesperados diante do desafio de aprender algo que parece impossível. Como costumamos reagir nessas situações?

Claro que a nossa reação depende muito do interlocutor que temos à nossa frente, de sua idade, do grau de desespero, da série que cursa, de seu momento de vida. Mas, há alguns princípios que norteiam nossa conversa. São eles:

• O ensino e a aprendizagem são ações diferentes: Parece óbvio, mas, na prática, há quem ache que basta alguém ensinar para o outro aprender. Pode haver ensino sem aprendizagem, como pode haver aprendizagem sem ensino. Portanto, é preciso checar se o motivo do desespero está relacionado com o ensino ou com a aprendizagem. Caso seja no ensino, é preciso agir com o professor, discutindo os planos de aula, os conteúdos… Mas, se a questão estiver na aprendizagem, é preciso conversar com o aluno sobre o que significa aprender e analisar a forma em que se dá o processo de aprendizagem daquele aluno em particular, nas diferentes áreas do conhecimento.

• A aprendizagem depende do estabelecimento de relações: Alguns alunos acham que para aprender basta ficar quieto em classe e ouvir bem o que o professor diz: “Eu fico bem quietinho e as coisas não entram na minha cabeça”, dizem alguns. Cá entre nós, a posição de “vaso que recebe flores” não leva à aprendizagem. Para aprender, é necessária a participação ativa do aluno, relacionando o que já sabe sobre determinado assunto a novos conhecimentos.

• Os limites de cada um não são pré-determinados: Como educadores, precisamos ser sempre otimistas e acreditar que a criança ou jovem pode mais. Não se trata de um otimismo cego: é preciso, mesmo diante dos problemas, manter a convicção de que podem avançar, pois não há como ser determinista nesse assunto.

• As dificuldades não têm causa hereditária ou congênita: Reverter a ideia do aluno que acha que sua dificuldade se deve a uma causa hereditária (“meu pai também tem a mesma dificuldade”) ou causa congênita (“desde que nasci sou assim”), o que pode ser chamado “Síndrome da Gabriela”, “Eu nasci assim, eu cresci assim e sou mesmo sim. Vou ser sempre assim Gabriela, sempre Gabriela…”.

• O estudo é fundamental para aprender: Discutir com os alunos o significado do que é estudar para aprofundar algumas ideias errôneas:

“estudar tem de ser prazeroso”, quando na verdade estudar dói, requer esforço, e o prazer se dá como consequência da aprendizagem.
“estudar é repetir muitas vezes o exercício”, quando sabemos que a repetição sem reflexão não leva à aprendizagem.
“estudar é ficar muito tempo com os livros na mão”, quando pode significar perda de tempo, e não concentração.

É importante que os alunos se responsabilizem pela própria aprendizagem, não deleguem todo o ônus, nem o bônus, aos professores ou pais. Afinal, a aprendizagem depende dos diversos atores: professores, gestores, pais e, é claro, dos alunos. Para nós, educadores, sabemos que nos cabe boa parte desse processo.

Como vocês lidam com o desespero das crianças e dos jovens nos momentos “Eu desisto!”?

Sonhos científicos

12_02_2014
Clique na foto para acessar o álbum do flickr

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Por Celina Moraes

A cultura científica pode ser compreendida como parte do acervo cultural que queremos trazer para nossos alunos. Assim como a área de Artes, a das Ciências é um campo fértil de criação e geração de conhecimento, cada qual com suas especificidades. E, assim como buscamos integrar os alunos à vida cultural artística de nossa cidade, as visitas a museus e mostras científicas trazem oportunidades de contato com a cultura científica num âmbito maior.

Nessa perspectiva, no início de dezembro do ano passado, a área de Ciências Naturais e o setor Vila Cultural promoveram uma visita à Mostra Paulista de Ciências e Engenharia (MOP) no espaço Catavento, no Parque D. Pedro. Esse evento, promovido pela Escola Politécnica da USP, apresenta uma seleção de projetos investigativos realizados por estudantes do ensino básico (a partir do 8º ano) e técnico de todo o estado de São Paulo.

A mostra objetiva estimular a pesquisa científica entre os estudantes da educação básica, incentivar o empreendedorismo, a criatividade e o espírito investigativo e, ainda, promover a convivência e a troca de informações entre estudantes de escolas públicas e particulares, e membros da comunidade acadêmica.

Nesse dia, pudemos conhecer de perto os trabalhos selecionados e conversar com seus autores para saber como foi o percurso de criação e desenvolvimento dos projetos. Além do interesse de nossos alunos por conhecer os projetos expostos na mostra, observamos grande entusiasmo de muitos deles em pensar seus próprios projetos investigativos e mais, em imaginar propostas que tenham algum tipo de impacto social e ambiental. Eles sonham com a diminuição de gás carbônico na atmosfera, com processos para repor o ozônio destruído, com formas mais baratas e ambientalmente menos impactantes de fazer funcionar um carro ou uma casa, com tecnologias que ajudem idosos ou portadores de deficiências, enfim… sonham em fazer um mundo melhor e diferente.  E não é essa justamente uma das finalidades mais significativas da escola?

Nossa meta é intensificar a frequência desse tipo de iniciativa na escola: ampliar a agenda de visitas a exposições de ciência e viabilizar a participação dos alunos que desejarem enviar projetos para esses encontros.  Planejamos abrir novos espaços voltados ao desenvolvimento de projetos de investigação, tanto nas propostas em sala de aula como, num futuro próximo, em espaços extracurriculares, voltados a fomentar o interesse pelo âmbito da produção científica.

O impacto da visita à MOP pode ser conferido nos depoimentos registrados pelos alunos participantes em um fórum aberto no AVA, reproduzidos a seguir.

FÓRUM SOBRE A VISITA À MOP 

A MOP foi totalmente inovadora, com ideias originais e úteis, e outras já pensadas, mas não postas em prática. Os trabalhos que mais me chamaram a atenção foram: o do trilho magnético, que pode mudar o curso da evolução dos transportes e gerar novos conceitos sobre o magnetismo e o consumo de energia; e a borracha sintética da Jaqueira, que pode estabilizar ou frear o desmatamento. A participação dos alunos foi variada, mas ativa, com alguns resumos mais detalhados e outros mais tímidos. Grande parte dos projetos é muito futurista, como o projeto do trilho magnético, que pode desenvolver metrôs extremamente econômicos em energia, ou alguns outros projetos, que também promovem a economia de energia, ou resolver problemas psicológicos da sociedade, da tecnologia ou dos deficientes.
Vinicius Silva Fernandes Kuhlmann

A MOP foi uma exposição extremamente enriquecedora. Muitos trabalhos nos chamaram a atenção. Para mim, foram: o trabalho do Grasspaper, o papel feito de fibra de grama; o de um semáforo que produz energia pela passagem dos carros sobre um mecanismo, fazendo o produto funcionar; o de um semáforo para cegos, que vibrava quando havia automóveis passando na rua; e, por fim, um de casas emergenciais, preparadas com antecedência, feitas de materiais recicláveis.
Alguns alunos estavam mais descontraídos do que outros, e alguns finalistas ainda tinham problemas para contar todas as informações para pessoas mais novas. O que mostrou, para mim, que um trabalho bom deve ter integrantes que saibam contar sobre seu projeto para todas as idades (o que foi ainda mais enriquecedor para todos nós).
Ou seja: me interessei muito por produtos feitos de materiais reciclados ou que mantêm a ideia de sustentabilidade. Planejo produzir algo com essa ideia (principalmente de produção de energia solar mais barata) para a MOP do ano que vem, sendo que me despertou tamanho interesse!
Beatriz Queiroz de Carvalho

Eu adorei a visita à MOP, pois lá pude apreciar completamente individuais e originais trabalhos. Isso serviu de inspiração para mim, pois quando eu era bem pequeno eu brincava de construir robôs colando meus brinquedos uns nos outros com fita-crepe, mas sempre com minhas ideias e sem [muita] ajuda, muito semelhante ao do pessoal da feira de ciências. Com esta inspiração eu espero dar continuidade aos meus sonhos de infância (own). Já trouxe meus projetos para a escola e consegui a possibilidade de tornar minhas ideias realidade. Obrigado à MOP e a todos os seus participantes, por possibilitar coisas que nunca pensei que fossem possíveis.
Pedro Sader Azevedo

A MOP tinha vários projetos diferentes, mas alguns não haviam sido feitos, eram apenas projetos e outros eram teorias, não eram nem projetos.
Um projeto que me chamou a atenção foi o que usava a energia das auroras para uso doméstico, usando clorofila. Outro que me chamou muito a atenção foi o Grasspaper, que usava a grama para fazer papel, que poderia ser usado em cadernos e outros usos do papel normal, mas ainda estava em desenvolvimento e não havia sido concluído.
Muitos desses projetos haviam sido focados na sustentabilidade e na economia, tanto de energia quanto de dinheiro, já que eles usavam, principalmente, materiais baratos e naturais ou biodegradáveis.
Antonio Andrade Garcia

Eu achei a mostra muito interessante e a ideia de criar esses projetos… muito legal. O projeto que mais me chamou a atenção foi o de criar semáforos, que quando estão fechados vibram, mostrando aos cegos que não podem passar. Em minha opinião, essa ideia poderia ser utilizada no futuro, pois além de ajudar muitos cegos, ela não teria um custo alto. A participação dos alunos finalistas foi ótima, contando que muitos tinham projetos complexos, difíceis de serem explicados.
Nina Ayumi Okamoto Marroquini

A visita à MOP foi uma experiência muito interessante. Tivemos contato com projetos inovadores, desenvolvidos por alunos, e isso foi, para mim, muito importante. Pudemos observar o empenho deles, o planejamento que tiveram de elaborar. Muitos dos alunos conseguiram expressar as ideias muito bem, outros nem tanto, mas todos superaram, com certeza, vários obstáculos para chegar aonde estão. Realmente, todos foram fonte de grande inspiração para todos os visitantes!
Os trabalhos que me chamaram bastante a atenção foram: os de Grasspaper, e do semáforo, desenvolvido especialmente para que pessoas cegas atravessassem a rua com mais facilidade.
O Grasspaper foi um tipo de papel produzido a partir de grama, cuja produção não causa tanto impacto ambiental. É um papel “natural”, que evita usar muitos componentes químicos.
Já o do semáforo era a ideia de um grupo que planejava desenvolver um sinal que emitia ondas de vibração. Quando o pedestre com falta de visão encostasse no aparelho e este estivesse emitindo essas ondas, é porque a pessoa não pode atravessar a rua, já que o sinal está vermelho. Se parasse de vibrar, é porque o sinal está verde, então a passagem está liberada. É uma boa alternativa para substituir os semáforos sonoros, já que estes podem poluir “sonoramente” o ambiente e incomodar outras pessoas.
A feira também foi interessante, pois nos fez pensar em alguns projetos possíveis. Atualmente, não formei nenhuma ideia ou proposta, mas quem sabe algo que envolva sustentabilidade ou meio ambiente, ou talvez algo que ajudasse pessoas com alguma dificuldade fosse interessante para eu pensar no futuro…
Enfim, acho que a ida à MOP deve ser uma atividade incentivada pela escola, por ser muito divertida e importante conhecer um pouco desse “mundo”. Tenho certeza de que ela inspirou vários alunos! Obrigada por tudo!
Nicole El Murr

Na minha opinião, a visita à MOP foi essencial para o nosso aprendizado. Gostei muito da exposição. Consegui ver que pessoas da nossa idade conseguem fazer um trabalho incrível, que contribui para nossa sociedade, criando diversos profissionais, que nunca pensei que seria possível. Com isso, fiquei motivada e animada para fazer algo parecido no ano que vem. Com a exposição descobri que gosto muito de engenharia e que gostaria de conhecer mais sobre essa área.
Gabriela Jannini Sawaya Oliveira

A MOP estava bem interessante, com muitos projetos legais e criativos. Os trabalhos que envolvem tecnologia foram os que mais me interessaram, por exemplo, o poste para cegos, ônibus ecológicos etc. Ideias que realmente ajudariam a sociedade, e isso eu achei muito legal.
Lia Morena Furquim

Eu achei a MOP uma experiência muito interessante. Parece com as feiras de ciências que vemos nos filmes americanos. Os melhores projetos, para mim, eram os que tinham um objetivo interessante, como os aparelhos de ajuda a cegos. Eu tive algumas ideias, mas ainda não vou divulgar =)
Rodrigo Grosbaum Pencak

Amar, verbo incondicional

9788535923209
Clique na imagem para assistir ao vídeo sobre o livro

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Por Susane Lancman Sarfatti

Permitam-me iniciar minha participação no blog da Escola da Vila de 2014 com uma indicação literária. Afinal, as férias trazem essa possibilidade de termos mais tempo para leitura de fruição… o mais puro deleite.

Dentre os livros lidos, um deles foi mais impactante, mas só percebi isso quando, na volta das férias, me vi compartilhando trechos com todos aqueles que passavam à minha frente. Tudo me remetia a algum aspecto do livro: a elaboração do plano de estudo de biologia do 2º ano na parte de genética; a discussão sobre ética na ciência com os alunos do 1º ano; a reunião com os orientadores sobre as crises da adolescência; as conversas em família e com amigos sobre a nossa própria crise, como pais, tentando acertar na educação de nossos filhos. Enfim, esse livro conta diferentes jornadas de pais na aventura de amar seus filhos, em que aprendem a função de serem pais justamente com aqueles a quem precisam educar.

Filhos… filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?

Vinicius de Moraes no “Poema Enjoadinho” inicia com uma pergunta: “Filhos… filhos?”. E faz uma afirmativa contundente: está lá a exclamação que não nos deixa dúvida: “Melhor não tê-los!”. Mas logo no verso seguinte questiona a sua afirmativa com outra pergunta bastante conhecida: “Mas se não os temos/Como sabê-lo?”.

O poeta se permitiu o benefício da dúvida, mesmo que ao longo do poema essa se reduza consideravelmente, a ponto de convencer a qualquer indeciso de plantão a beleza da procriação.

Esse mesmo poeta é categórico ao afirmar: “Que me perdoem as feias, mas beleza é fundamental”. Então, o que sentir e fazer quando nos deparamos com a “feiura” de nossos filhos? Com atitudes ou doenças que nos causam pavor? É possível amá-los incondicionalmente? É possível conviver tão de perto com a imperfeição quando vivemos em plena era da busca pela perfeição? É possível amar nossos frutos, quando caíram tão longe da árvore?

O autor do livro Longe da árvore − Pais, filhos e a busca da identidade, Andrew Solomon, nos convida a adentrar em um mundo de famílias que tiveram filhos que nasceram ou apresentaram em seu desenvolvimento algum tipo radical de diferença em relação a seus pais: nanismo, esquizofrenia, criminosos, autismo, síndromes, pródigos… Quer dizer: filhos que contradizem o ditado popular “tal pai, tal filho”, afinal, caíram longe da árvore.

Solomon separa a identidade dos filhos em duas categorias: a vertical, que é transmitida pelos pais, e a horizontal, que aderimos com nossos pares, que nos define por nossa própria conta e risco, sem nada dever à arvore da qual caímos.

A sensação durante a leitura de cada capítulo que versa sobre um tipo de identidade horizontal é a mesma de viajar a países desconhecidos com costumes peculiares. O autor nos conduz a essas viagens, não como o turista que olha de longe e não vive a terra, ao contrário, ele nos coloca lado a lado com os habitantes, suas vozes, suas histórias e participamos tão ativamente que, em certos momentos, me senti também cidadã de lá.

Algumas das passagens mais perturbadoras do livro tratam de Sue e Tom Klebold, pais de Dylan, um dos dois responsáveis pelo massacre de Columbine, em 1999. Ser pai ou mãe de um criminoso parece um desafio impossível, até conhecer esses pais. Como olhar para o filho e não ver só o crime?

A cada viagem surgem novas questões: Como entender a opção de pais surdos de querer filhos surdos porque percebem na surdez sua identidade? Como entender a mulher cega que diz que deseja ter visão tanto quanto ter uma par de asas? Como não reduzir uma filha à sua síndrome? Como aceitar as limitações impostas por uma deficiência? Como olhar para além da altura do filho anão? O que fazer quando um filho suplica ser chamado por um nome feminino porque sente que nasceu em um corpo errado?

A cada capítulo o autor traz novas contribuições para refletirmos sobre o que é deficiência e o que é identidade; oferece dilemas morais que nos instigam intelectualmente, mas mais do que isso, nos faz sentir intensamente algumas questões morais; apresenta dilemas éticos criados pelas novas tecnologias de análise e manipulação genética insolúveis.

Mas, acima de tudo, apesar da dureza do assunto, o autor nos mostra beleza: a enorme capacidade de amar, um imenso altruísmo, uma gigantesca resiliência e, sobretudo, a diversidade humana contada em prosa, quase poética. Vivi, nas mais de oitocentas páginas, o amor incondicional.

Planejar, por que todo ano?

blog

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Por Sônia Barreira, Fernanda Flores e Vania Marincek 

Um novo ano letivo teve início nesta terça-feira, quando os alunos reiniciaram suas rotinas, conheceram seus novos professores e colegas, e se preparam para enfrentar novos desafios.

Antes, porém, professores, orientadores e todos os demais educadores já se encontravam trabalhando havia alguns dias. Em geral, contamos com uma semana toda para o planejamento. Em outras ocasiões, dispusemos de menos tempo, como neste ano de Copa do Mundo e de eleições.  A questão é: “Por que planejar tanto?”. “Qual o sentido de antecipar o que está por vir quando a maior parte da equipe já realizou o mesmo trabalho no ano anterior?”

É claro que há, em todos os setores, uma demanda organizacional, novas listas de nomes, pedidos de materiais, arrumação das classes, estruturação de horários, e tudo o que é necessário para garantir que as coisas aconteçam e que os alunos possam se adaptar com facilidade às mudanças de cada série.

Mas, em cada segmento, é preciso revisar os pontos avaliados no ano anterior para superar as falhas detectadas, adicionar novas ideias advindas dos estudos internos e do debate nas equipes de trabalho, e incorporar outras possibilidades fecundas de aprendizagem. É preciso, sobretudo, debater e procurar um aprofundamento na construção de melhores práticas de ensino, na constante busca de que cada aluno assimile os conteúdos propostos na nova etapa de sua vida escolar, atribuindo-lhe sentido, principalmente ao que faz e vive nesse ambiente.

Essa preocupação pode parecer estranha aos leigos, pois é de se supor que quem atua profissionalmente com o ensino já saiba como fazê-lo. E aí está uma das principais diferenças da nossa equipe: estamos sistematicamente nos questionando e analisando a forma de concretizar nossas intenções educativas. Como consequência, sempre surgem novas possibilidades, para que os alunos aprendam mais, de forma mais significativa e com maior desenvolvimento pessoal.

Ensinar como foi a Revolução Francesa, o teorema de Pitágoras ou o verbo To Be pode parecer algo simples, mas na nossa escola, com nossa metodologia, significa tomar uma série de decisões que só podem ser realizadas a partir de discussões pautadas em princípios claros e fundantes de nosso projeto sobre a melhor maneira de fazê-lo. Assim, consideramos que, para de fato haver aprendizagem significativa por parte do estudante, é imprescindível que a situação de ensino:

• favoreça o diálogo, a troca e o trabalho cooperativo;

• ajude o aluno a estabelecer relações entre o conhecimento novo e o que já tinha;

• coloque o aluno como protagonista de seu percurso de aprendiz e garanta que se responsabilize pelo seu processo de aprendizagem e pela aprendizagem coletiva;

• obrigue o aluno a refletir,  argumentar,  relacionar e duvidar, ou seja, que garanta a atividade mental;

• instigue a perseverança na resolução de problemas, individual e coletivamente;

• respeite os ritmos e processos diferentes na diversidade da sala de aula;

• incentive a criatividade, a curiosidade e o desejo de seguir aprendendo.

Este ano, apesar de contarmos com um calendário apertado, nossa equipe transitou nas últimas duas semanas entre cursos do Centro de Formação e o planejamento pedagógico. Com certeza, ao nos encontrarmos com nossos alunos, já estaremos bastante aquecidos, prontos para desafiá-los!

Bom ano para todos!

2013

16_12_2013

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Por Sônia Barreira

Prezados leitores,

Este blog tornou-se, nos últimos anos, uma importante ferramenta de comunicação com as famílias de nossa escola, mas também com outros profissionais que fazem parte da nossa rede de educadores, preocupados em construir intervenções consistentes nesta área. É uma maneira de divulgarmos o nosso trabalho, difundirmos nossas ideias, reforçarmos nossas crenças e nossos valores pedagógicos. É também um espaço de participação, pois procuramos responder a todos os comentários, no próprio blog ou, de outra maneira, quando demanda conversas mais longas.

Por isso, finalizamos este ano com agradecimentos especiais a todos aqueles que participaram elaborando textos, sugerindo pautas, lendo os posts e comentando quando encontravam pontos interessantes. Isso é muito importante para a nossa escola.

Àqueles que ainda não se inscreveram no blog para receber as atualizações, sugerimos que o façam clicando no botão Assine o Blog da Vila.

Para que tenham uma ideia da relevância do blog, seguem alguns dados importantes:

Neste ano tivemos 137 posts, assim distribuídos:

Educação Infantil – 19
Fundamental I – 21
Fundamental II – 15
Ensino Médio – 31
Geral – 18
Centro de Formação – 28

Os dez posts mais lidos, até o momento, na história do nosso blog, foram:

A leitura compartilhada nas classes de Fundamental I.
Por Andréa Luize
4.117 acessos desde 2011

Características das aulas de Educação Física no 4º e 5º anos.
Por Julio Pereira
2.383 acessos desde 2011

O corpo em movimento na Educação Infantil.
Por Alessandra Guarrera Zanetti e Camila de França Santos
2.194 acessos em 2013

A importância de brincar com o próprio corpo e o movimento.
Por Marcos Mourão (Marcola)
2.138 acessos em 2013

E agora, porque minhas calças não se mexem sozinhas?
Por Fernanda Flores
2.018 acessos desde 2010

Cursos online: novos desafios para o Centro de Formação.
Por Zélia Cavalcanti
1.408 acessos desde 2012

Ser menino e menina hoje!
Por Dayse Gonçalves
1.634 acessos em 2013

O professor construtivista de educação física.
Por Marcos Mourão -  Marcola
1348 acessos desde 2010

O percurso criador.
Por Marisa Szpigel
1.108 acessos desde 2011

Eles estão bebendo e fumando cada vez mais cedo?
Por Fermín Damirdjian
1.308 acessos desde 2012

Outro destaque interessante são aqueles posts que promoveram os debates mais acalorados, isto é, com maior número de comentários e respostas:

As mães que nos desculpem, mas não comemoramos o seu dia aqui na escola.
Por Dayse Gonçalves
47 comentários

Afinal, a Vila prepara ou não para o vestibular?
Por Sônia Barreira
46 comentários

Mitos, bobagens e mentiras sobre o construtivismo.
Por Sônia Barreira
43 comentários

Eles estão bebendo e fumando cada vez mais cedo?
Por Fermín Damirdjian
42 comentários

Cursos online: novos desafios para o Centro de Formação. 
Por Zélia Cavalcanti
34 comentários

Tempo de Carnaval.
Por Ivone Domingues
22 comentários

One, two, three, gravando!!!
Por Vicente Régis
22 comentários

Primeiro trimestre no Ensino Médio.
Por Fermín Damirdjian
20 comentários

2014 chega com a Unidade da Vila na Granja Viana. Como toda novidade, desperta alegrias e dúvidas.
Por Sônia Barreira
20 comentários

Para pensar o desenho da criança.
Por Marisa Szpigel – Zá
19 comentários

Ser menino e menina hoje!
Por Dayse Gonçalves
19 comentários

Para aqueles que têm dúvidas sobre a existência de uma comunidade de leitores, vale a pena saber o número de acessos por mês:

Janeiro – 8.555
Fevereiro – 14.948
Março – 17.194
Abril – 14.654
Maio – 15.644
Junho – 13.303
Julho – 9.210
Agosto – 14.403
Setembro – 15.283
Outubro – 14.935
Novembro – 11.110
Dezembro até dia 16 – 4.746

Esperamos contar com sua participação no ano de 2014, seja como autor de textos interessantes, como comentarista crítico ou como leitor interessado.

Oficinas de Bólides e Parangolês

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Por Renata Pedrosa

No terceiro trimestre, o primeiro ano do Ensino Médio continuou a estudar as principais manifestações artísticas do século XX no Brasil. Um dos temas foi o aparecimento do concretismo e do neoconcretismo, em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente, após a polêmica do realismo X abstracionismo.

Vimos que o projeto construtivo buscava romper com o sistema de representação vigente em favor de uma arte não representativa e mais racionalista. Também vimos que, como sequência da penetração das estéticas construtivas, o neoconcretismo apareceu com questões mais avançadas e produtoras de ruptura.

Outro objetivo do terceiro trimestre era o entendimento da produção plástica no Brasil nas décadas de 1960 e 1970 e como essa produção tornou-se um reflexo das situações políticas da época.

A tarefa complexa do terceiro trimestre consistiu na pesquisa, projeto e execução de duas estruturas neoconcretas de ordem ambiental: os Bólides e os Parangolés do artista Hélio Oiticica. A ideia foi aproximar os conceitos vistos em sala de aula de objetos artísticos projetados e executados pelos próprios alunos.

As oficinas serviram para ilustrar os diversos conceitos que se desenvolveram a luz da produção deste inovador artista brasileiro. Serviram também para evidenciar a relação entre as operações manuais e mentais que compreendem as produções artísticas historicamente mais relevantes, além de seu significado dentro da rede de relações históricas em que se situa.

Depoimentos sobre o Intercâmbio Escola da Vila / Colegio de la Ciudad – 2013

13_11_2013

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Por Fermín Damirdjian

É difícil determinar o momento preciso no qual um aluno de fato entra para o projeto de intercâmbio. Já em junho de 2013, por exemplo, há alunos que procuram a Orientação Educacional e se apresentam decididos a participar do intercâmbio em 2014. Isso significa que, em seu imaginário e expectativas, já há algo que, fazendo jus ao termo “projeto”, se estende sobre o futuro. Alguns deles podem ainda mudar de ideia. Outros podem se ver absorvidos demais pelas exigências escolares, prioridade absoluta como critério para a participação. Pode, eventualmente, ocorrer ainda que faltem vagas nas combinações com as duplas argentinas.

Nessa trajetória, o início do curso de espanhol – que ocorrerá em março ou abril do ano que vem – será certamente um passo importante. Mas, ainda assim, esse grupo ainda demora a se estabilizar. A definição das duplas, por fim, se realiza depois de semanas de especulações entre a Escola da Vila e o Colegio de la Ciudad. E, daí em diante, os bandos argentinos e brasileiros vão ganhando independência em sua aproximação, que ocorre pelos contatos virtuais diários, até se encontrarem de fato, e o grupo seguir seu caminho, sua formação afetiva pelo convívio, pela visita dos argentinos ao Brasil, pela ida dos brasileiros à Argentina.

Os textos a seguir, redigidos por alguns dos participantes desta edição de 2013, contam com vivacidade a construção desse trabalho, considerando tudo aquilo que fez parte de seu imaginário muito antes de vivenciar o intercâmbio, e tudo o que ele deixou como herança.

Boa leitura!

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Ana Clara Naletto

Bernardo Costa Hoyos

Daniel Ferraz

Fernanda Tsukada

Francisco Sanchez Oller Bueno Ximenez

Ligia Rodrigues Spedalletti

Marina Nogueira Pérez

Marina Yazbeck Mourão

Pedro Sanchez de Frias

Sofia Sales Magalhães Motta

Diferentes modos de olhar o Rio de Janeiro

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Por Aline Evangelista Martins, Angela Kim Arahata e Maíra Marquez

A viagem dos alunos do 1º ano do Ensino Médio para o Rio de Janeiro já foi comentada aqui no blog, na ocasião em que estava sendo organizada a exposição das fotografias que relacionavam o olhar dos alunos em articulação com o olhar dos escritores Lima Barreto e João Antônio.

Essa mesma experiência foi tematizada nas aulas de produção de texto, para a escrita de um texto jornalístico-literário. Jornalístico, porque parte do olhar crítico para uma cidade ao mesmo tempo tão impressionante e tão cheia de contradições. Literário, devido à possibilidade e ao desafio de comunicar essa experiência de forma subjetiva, enfatizando o plano da expressão.

Disponibilizamos aqui alguns dos textos produzidos a partir dessa proposta. Esperamos que desfrutem da possibilidade de conhecer esses olhares tão agudos para o Rio de Janeiro, por meio de um trabalho que explicita bastante bem a articulação entre os estudos realizados em Língua Portuguesa e Literatura, Geografia e Filosofia.

Os Donos da Praça - Ana Clara Paraná, 1°A

Um transporte ou um problema? - Ana Antic, 1° C

“Olha quem morre, então veja você quem mata.”- André Gentile Fink, 1°B

O Cotidiano - Heloisa Villela, 1ºA

A modernização já ocorreu – Joana Reis, 1°B

Que cidade é essa? - Júlia Ferraz, 1°B

Ninguém abre portas aos porteiros - Leonardo Walendzus, 1°A

Um favor às comunidades - Lucas Giannini, 1°B

O custo da segurança de Santa Marta - Mariana Duarte, 1°A

Vende-se a pobreza! - Marina Yazbek Mourão, 1°C

É tudo! - Mateus Gozzi, 1°C

Maravilhados - Miguel Breyton Silva, 1°A

A gente não quer só moradia - Olívia Ferraz, 1ºC

Copa para quem? - Paula Turra, 1°B

Um trem ou um tanque? - Pietra Dal Colleto, 1ºA

Multifacetado - Thomaz da Silva Barreto, 1°A

A sombra do morro, o silêncio do Maracanã - Zoë Naiman Rozenbaum, 1°A

Crônica: gênero desafiante para alunos do 1º ano do EM

16_10_2013

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Por Angela Kim Arahata e Maíra Carmo Marquez

No final de 2011, teve destaque na imprensa a notícia da compra de lixo hospitalar americano por uma empresa brasileira que utilizava o material para confeccionar forros de bolso. Alguns dias depois, Antonio Prata, cronista da Folha de S. Paulo, publicou um texto sobre este tema. Veja como ele começa:

“Sei que no escândalo do lixo hospitalar americano eu deveria me surpreender é com os lençóis sujos de sangue, que por caminhos escusos vieram dar aqui nestes costados. Acontece que nós, os cronistas, somos uns sujeitos meio zarolhos, como essas crianças que tiram o carrinho da caixa e passam a brincar, entusiasmadas, com a caixa. Pois me chamou menos atenção a origem criminosa dos lençóis do que o seu particularíssimo destino: virar forro de bolso, no ‘Império do Forro de Bolso’”.

Como podemos observar, a crônica é um gênero literário muito ligado ao jornal, sobre os temas mais diversos, desde fatos corriqueiros até grandes acontecimentos. E o cronista é aquele que tem um olhar “meio zarolho”, que olha para as coisas de modo enviesado e cortante. Por isso, apesar de mergulhado no presente, se distancia dos fatos para narrá-los e olhá-los com outros olhos.

O objeto de estudos do 1º trimestre do 1º ano é a crônica. É esse gênero literário que une as três frentes de trabalho de LPL: o estudo da literatura, a produção de textos e a reflexão sobre a língua. Durante este período, nos debruçamos sobre diversas crônicas, tanto para analisá-las como para escrevê-las. Durante esse percurso, os alunos colocaram óculos coloridos para ver o mundo.

Convidamos você a experimentar estes óculos, conhecendo alguns textos produzidos por nossos alunos.

Boa leitura!

Janelas – Ana Clara Pamplona

O Beco - Bruno Giovanolli

Manual de sobrevivência para o centro de São Paulo - Joana Reis Frazão

O violinista - Mariana Piteri Duarte

Pensamentos ao vento - Marina Yazbek Mourão

(Sem título) - Miguel Breyton Silva