Por que realizar uma competição como a Olim Vila?

OlimVila

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Por Washington Nunes 

Normalmente, para organizar um evento esportivo, precisamos ter uma grande noção do por que devemos fazer isso.

Imagine uma competição estudantil, realizada anualmente, há 27 anos, que reúne em torno de 1.500 alunos/atletas, 80 treinadores, 30 árbitros, 5.000 expectadores, 7 modalidades esportivas e 3 semanas de competição. Além disso, é necessário obrigatoriamente o envolvimento de diferentes setores da escola: produção, manutenção, tesouraria, segurança, limpeza, telefonia, editoração, biblioteca, comunicação, secretaria, treinadores, direção e um grande investimento em tempo e recursos financeiros.

OlimVila

Tudo isso sem contar que muitos alunos passam dias de expectativa para o início dos jogos, gerando ansiedade, conversas nos intervalos (e durante as aulas!) sobre os jogos, e eles fazem grandes combinados entre eles. E ainda contar com grandes parceiros, os pais de nossos alunos, que deixam de viajar em jogos nos fins de semana, tentam sair mais cedo do trabalho para assistir aos jogos no período da noite enfrentando um baita trânsito, recebem em suas casas quase o time inteiro pra dormir e jogar no dia seguinte, carregam umas 10 pessoas em seus carros (ninguém sabe como cabe?!).

Bom, por que é que alguém, com tudo isso acontecendo, ainda resolve fazer uma competição como essa?

Pois é! A Olim Vila é isso! Exerce em todos um enorme senso de comprometimento, tendo uma história de simplicidade, de cumplicidade e de transformação.

Reúne pessoas de diferentes séries que jogam com a mesma camisa (e aprendem a fazer isso com amizade e garra).

Todas as pessoas envolvidas trabalham muito, se esforçam e se desgastam, porém, no dia da cerimônia de abertura, quando a Tocha Olímpica aparece iluminando um dos raros momentos em que a escola está às escuras, há um brilho especial no ar e todo o esforço é recompensado, com sorrisos e lágrimas nos diferentes rostos.

OlimVila

Quando vimos alunos que iniciaram timidamente os treinamentos se arriscando a fazer coisas mais difíceis, melhorando suas habilidades (sejam técnicas, sociais, participativas, colaborativas), percebemos que, sim, sabemos o porquê de estarmos fazendo esse evento.

Até com os pais percebemos mudanças, pois, como nossa sociedade é de rendimento, todos querem que seus filhos joguem, joguem muito tempo, ganhem todos os jogos e, por alguma questão, deixam de olhar o percurso (quanto os filhos aprenderam a esperar e ajudar, quanto melhoraram em pequenos detalhes de empenho, de técnica, e entendimento do jogo, quanto se tornaram menos explosivos com os árbitros).

OlimVila

Quando percebem que o percurso é muitas vezes mais importante que um gol, que uma vitória, aí completamos nosso orgulho em saber que podemos, por meio de um simples jogar bola, transformar todo um entorno.

Vem aí a 27ª Edição da Olim Vila.

Dia 6 de maio teremos mais uma cerimônia de abertura. Estão todos convidados.

Ah, e se você se sentir emocionado, não fique preocupado, quase sempre isso acontece!

A experiência olímpica e o papel das escolas na formação para a cultura esportiva

Handebol Brasil

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Por Washington Nunes – coordenação de esportes da Escola da Vila

Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Para muitos, uma incógnita. Para os mais céticos, o Brasil não conseguiria deixar as instalações prontas, o público não compareceria e os jogos seriam um fiasco.

Ah, como foi interessante olhar para tudo que aconteceu e perceber que, sim, podemos fazer as coisas, e bem feitas!

As arenas estavam impecáveis e completamente lotadas, e o parque olímpico, muito bonito.

Sem contar com a “genialidade” da torcida brasileira que deu um show nas arquibancadas. Como explicar que, em uma luta de boxe, entre lutadores do Azerbaijão e do Cazaquistão, a torcida vibra com a atuação do ÁRBITRO BRASILEIRO? Como fazer alguém entender que, na final do handebol masculino entre França x Dinamarca, a torcida começa a gritar “o campeão voltou”? Isso aconteceu quando ficaram sabendo que o Brasil conquistou a medalha de ouro no voleibol, que acontecia em outro ginásio. Os Jogos Olímpicos ficaram marcados pela simplicidade e pela alegria que nosso povo esbanja em todo tipo de festa.

Washington

Estive presente nos jogos como auxiliar técnico da equipe de handebol do Brasil. Trabalhamos muito duro nos últimos quatro anos e, pela primeira vez na história, conseguimos avançar até as quartas de final. Infelizmente, mesmo tendo feito um grande jogo contra a atual campeã mundial, a França, não conseguimos passar por ela e vimos o sonho de uma medalha terminar ali (cabe aqui um grande agradecimento a todos que torceram e deram a maior força para nós). Mas sabemos que as etapas de construção de um processo levam tempo. Como ganhar uma medalha se nunca conseguimos passar para as quartas de final? Somente passando uma, duas, três vezes é que conseguiremos ir às semifinais para tentar uma medalha. Por isso, a continuidade do processo tem que acontecer.

E, por incrível que pareça, esse processo se dá no dia a dia das escolas. É na escola que as crianças conhecem e experimentam várias modalidades e, se tiverem interesse e aptidão para continuar sua prática, buscarão especializações e melhorarão tanto seu desempenho que poderão fazer parte de uma seleção no futuro.

WashingtonToda escola deve ter três objetivos muito importantes para a construção de futuros atletas:

1- Mostrar a todos os alunos o universo esportivo e fazer com que eles aumentem a cultura sobre os diferentes esportes que existem no mundo (tanto os que fazem parte do programa olímpico como os que ainda não fazem parte deste);

2- Estimular e desenvolver uma das partes mais importantes em todo o processo de aquisição técnica dos futuros atletas: os estímulos e a melhora das capacidades coordenativas de todos os alunos;

3- Oferecer, quando possível, grupos de treinamento, para que esse processo efetivamente aconteça.

WashingtonEssa foi a terceira (e acredito também que seja a última) Olimpíada de que participo e, pelo fato de ser no Brasil, com certeza foi a que vivi mais intensamente. Chorei na abertura, chorei no encerramento e chorei em grandes momentos dos jogos.

Os jogos do Rio ficarão para sempre em minha memória e em meu coração.

Tenho certeza de que para muita gente também. Quem puder ir ao Rio assistir aos Jogos Paralímpicos, conhecer o parque olímpico e viver o clima das competições vai poder sentir muito disso que falei por aqui.

O que realmente fica por trás de um acampamento de férias

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Por Tarcila Proto

No final do mês de julho, a equipe do Setor de Esportes da Escola da Vila levou em torno de 90 crianças para o acampamento esportivo de férias. Lá, por trás de muita brincadeira e diversão, são construídas diferentes situações de aprendizagem que só uma atividade como essa pode promover.

Uma das coisas que sempre nos motivou a continuar oferecendo essa atividade é que ela colabora, e muito, com as famílias, em um período em que nem sempre as férias dos pais coincidem com as das crianças. Dar a certeza aos pais de que seus filhos estarão em um local agradável, seguro, e acompanhados por professores que trabalham na Vila, os quais darão continuidade a todo o processo educacional que ocorre dentro da escola, em um ambiente externo e descontraído, também é uma de nossas preocupações.

Outro ponto importante é o de assegurar nesse espaço, tanto quanto no dia a dia da escola, a possibilidade dos alunos manterem o estímulo ao movimento, garantindo o que a Organização Mundial da Saúde defende: sempre que possível, estimular as práticas corporais, com orientação e inclusão de todos.

No acampamento, as crianças entram em uma rotina interessante, pois, no período da manhã, realizam clínicas esportivas, como basquetebol, futsal, futebol de campo, handebol, voleibol, escalada e esportes radicais. No período da tarde, são oferecidas atividades pelas quais as crianças podem optar por participar: andar a cavalo, caiaque, tirolesa (com total segurança e acompanhados por adultos). Nesse momento, elas guiam seus cavalos, remam em seus caiaques e se soltam na queda da tirolesa, superando as barreiras do medo, da ansiedade e de seus limites. No fim da tarde, as crianças participam de jogos, brincadeiras e gincanas e, à noite, se divertem em festas temáticas, bailes à fantasia e shows de talentos, com muita diversão e descontração.

Além de oferecer todas essas atividades, temos como objetivo um de nossos maiores desafios, que é observar: como a criança pode resolver uma “situação problema” longe dos pais? Durante toda a semana, elas têm que cuidar de sua mala, escolher o que vestir, arrumar sua cama, pendurar sua toalha, decidir o que querem comer, buscar o sono mesmo quando ele não vem, conviver com crianças de várias idades, dividir o quarto com o colega da escola, conhecer seus hábitos além da sala de aula, aprender a conviver em um grupo grande e dividir momentos engraçados… Todas essas coisas acontecem o tempo todo, fazendo parte da convivência de quem participa de um acampamento, vivências importantíssimas para a formação de nossos alunos.

Ou seja, por trás de tanta diversão e brincadeira, acontecem diferentes construções, tanto de aprendizagem física, como de postura e comportamental.

Aproveitamos para agradecer o excelente trabalho desenvolvido pelos professores, a grande participação dos alunos e a confiança depositada pelos pais em nossa equipe e em nosso trabalho.

A importância do movimento em nossas vidas

esporte

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Por Washington Nunes, Coordenador de Esportes

Mesmo reconhecendo que a atividade física e os esportes fazem muito bem aos praticantes, testemunhamos um crescimento mundial nos níveis de inatividade física, e isso serve de combustível para uma crise, também em nível mundial, de saúde: estimativas conservadoras veem a inatividade física como responsável por 6% da mortalidade mundial, o que é descrito como uma pandemia pela Organização Mundial de Saúde.

A UNESCO tem uma visão clara sobre Educação Física e Esporte com Qualidade: são essenciais para a juventude, para vidas saudáveis e para sociedades resilientes. Podem contribuir para combater a violência, estimular uma atitude positiva em relação à atividade física, reduzir as chances de jovens se engajarem em comportamentos de risco, impactar de forma positiva no desempenho acadêmico e fornecer uma plataforma para uma inclusão social mais ampla.

Essa visão mundial, que a UNESCO tem sobre a prática de atividade física no mundo, está descrita no documento Diretrizes em Educação Física de Qualidade – Social and Human Sciences Sector – United Nations Educational, Scientific and Cultural Organizatione chama todos os envolvidos para engajarem-se em ações que proporcionem o aumento das práticas motoras.

A Escola da Vila sempre se preocupou com essa questão, e o Setor de Esportes, há muito tempo, estuda novas propostas de aulas e treinos que possam cumprir seu papel na implantação dessa filosofia.

Mas não basta apenas sermos o agente promotor, pois, para que essas ações possam ser colocadas em prática e sejam totalmente desenvolvidas, precisamos muito da parceria dos pais, principalmente nos treinos esportivos, estimulando a criança a praticar ou a conhecer uma das modalidades oferecidas. Além disso, sempre que possível, seria interessante realizar atividades com os filhos, pois essas ações auxiliam na estimulação das práticas.

Para os alunos novos, que se inscreveram esse ano nos treinamentos esportivos (principalmente os alunos de 7 a 10 anos) e seus pais, nós convidamos a participar de um evento que acontecerá no próximo dia 19 de março, o Dia do Esporte: uma manhã em que pais e filhos farão algumas práticas juntos, além de haver uma reunião com os pais para esclarecimentos sobre todo o setor e suas implicações. Saiba mais sobre o Dia do Esporte na apresentação abaixo:

Algumas ações de saúde podem ser prevenidas com pequenas atitudes através do movimento. Pensem nisso.

Atividades pedagógicas que complementam o currículo

29_2_2016

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Por Sônia Barreira 

Todos sabem que o tempo usado pela escola para atividades de ensino formal é limitado, e há uma discussão constante sobre a melhor maneira de usá-lo. Há quem defenda um menor número de propostas estruturadas e obrigatórias para que os estudantes tenham possibilidade de escolher atividades que complementem seu currículo. Há quem pense que não se pode dispor do tempo didático para nada que não seja essencial.

Embora essas posições sejam antagônicas, ambas são verdadeiras. Há muito que se propor, e a escolha individual é também tão importante!

Recentemente, a aprovação da lei que obriga as escolas a inserirem Música, Teatro e Artes Visuais no currículo foi comemorada por todos os educadores. Há algum tempo, comemorou-se também a obrigatoriedade de Filosofia e Sociologia no currículo do Ensino Médio. Isso para não mencionar a ampliação de um para dois idiomas no currículo, que também foi muito bem-vinda. Sem dúvida, quanto mais rico o currículo, melhor.

Mas, se isso tudo é inserido na jornada semanal e nada é retirado, o que, de fato, acontece? Os alunos ficam mais tempo na escola? A escola faz mágica?

No caso da Escola da Vila, a jornada do Ensino Médio é de 6 horas diárias, o F2 tem mais do que 5 horas, a Educação Infantil tem proposta de período integral para os que necessitam. Será que a solução é essa? Aumentar a permanência dos alunos na escola?

Enquanto desenhamos soluções criativas para as propostas curriculares e temos a maior jornada escolar que nossa escola suporta, desenvolvemos outras possibilidades, num cardápio amplo que articula propostas variadas para incentivar nossos alunos a aprenderem em outros campos do conhecimento.

Os cursos e as propostas de atividades de extensão curricular são opcionais, escolha dos alunos e das famílias. São coordenadas pelo Setor Cultural ou pelo Setor de Esportes, e pretendem complementar o currículo com atividades que vão desde as práticas de esportes até as culturais variadas como teatro, música, leitura, programação, passando também por propostas com maior diálogo com o currículo, como as práticas de investigação científica e os desafios matemáticos. Há um leque amplo que se atualiza a cada semestre, em função dos interesses e potencialidades de cada faixa etária.

A ideia, portanto, não é oferecer aleatoriamente cursos sobre várias temáticas, mas sim construir, ano a ano, uma oferta que seja realmente formativa e coerente com o Projeto Pedagógico da Escola da Vila. No momento é a forma que encontramos de oferecer simultaneamente um currículo rico e estável, e um conjunto de opções para nossos alunos.

A maior parte desses cursos começou na semana passada, mas ainda é possível fazer uma aula experimental para conhecer melhor as propostas. Veja o nome do curso e os horários aqui.

#35anosescoladavila

Beba

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Por Monica Gagliotti Fortunato Friaça 

Desde 1999 fazemos parte da Escola da Vila. Nosso filho Bernardo (Beba) entrou na Vila aos três anos de idade. Estávamos chegando de uma estadia em Cambridge, UK, de três anos, e sabíamos que nosso filho iria estudar na Vila. Muitos de nossos sobrinhos tinham estudado na Vila, e outros, que estudam atualmente, e era a Vila que tínhamos escolhido.

Depois de vários anos na Vila e adorando a escola, Bernardo resolveu praticar um esporte… Resolveu, e pediu: “Quero jogar handebol com o professor Sidiney”. Pensei muitas vezes, pois nada dava certo para ele. Natação… odiava. Futebol, dormia no gol nas manhãs que ia treinar no clube. Basquete, gostava, mas se entediava. O que fazer, então, com um moleque que era devagar nos esportes?

Pensamos… ops… pensei: “Ele pediu handebol, vou tentar… Fiz a inscrição primeiro na Escola da Vila, e eu ia a todos os jogos. Nos treinos ele se animava, e queria mais e mais. Acampamento nas férias no Sul, Itajaí sozinho (aos nove anos de idade) com alguns amigos, pela primeira vez tanto tempo fora, dez dias, foi. Voltou louco por handebol.

Começou a treinar no Clube Pinheiros e na Escola da Vila.

Muitos campeonatos ganhos, inclusive brasileiros. Bolsa-atleta ganhou algumas, foi chamado pro acampamento da Seleção Brasileira.

Muitos sucessos e insucessos, e fraturou a coluna em 2014. Voltou do acampamento da Seleção com muita dor. Depois de alguns meses, operou no final do ano, e agora está voltando a jogar, e eu quase morta! Para quem me conhece, sabe bem….

Hoje, aos 19 anos, ele cursa economia no Insper, faz parte da Atlética, e leva o esporte no coração!

Queria fazer um agradecimento especial ao professor Sidiney, que mudou a vida desse moleque. Sei da importância das “chatices” desse grande formador de atletas e de cidadãos. Hoje, até o Beba elogia o Sidão…

As broncas tornaram esses meninos cumpridores de horários, responsáveis pelos outros, e veem o mundo de outra forma.

Bernardo é elogiado na faculdade, não pelo seu primor nas exatas, mas, sim, pelo questionador que a Vila o ensinou a ser. Um cidadão de voz ativa, e batalhador.

Obrigada à Vila e ao professor Sidiney!!

Atualmente tenho dois sobrinhos na Vila e gostaria de dar aos meus netos o que dei ao meu filho.

#35anosescoladavila

Washington Nunes
Abertura da 25ª Olim Vila

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Por Washington Nunes, coordenador do Setor de Esportes

Pensei muito em escrever. Fazer um balanço das ações, dos trabalhos, das relações. Afinal de contas, 35 anos são 35 anos!

Sentei várias vezes, comecei a escrever e vi o quanto seria difícil essa tarefa. Principalmente porque, são vinte anos de trabalho e muitas experiências.

Acho que usei mais a tecla “delete” do que todas as outras.

Como posso ser tão sucinto, tendo vivido uma parceria de mais de 20 anos com a Vila? (tantos alunos, jogos, eventos, pessoas, histórias, causos…)

Pensei um pouco e decidi escrever sem parar, só pra ver no que ia dar.

Bem, eu sou o Washington, coordenador do Setor de Esportes, que envolve a área de Educação Física e de Treinos Esportivos da Vila.

Em 1994, eu trabalhava como professor de Educação Física, treinador de handebol e coordenador de uma escola chamada Fernando Pessoa.

Nesse período, a Vila sentia  necessidade de expandir seus horizontes, implantando o ensino médio, tão sonhado e cobrado pelos pais. Mas a unidade Butantã não comportava esse novo passo. Ao procurar um bom espaço para tal empreitada, a Vila comprou o Fernando Pessoa passando, assim, a ter mais uma unidade. O negócio, porém, não envolvia apenas o espaço. Junto  vieram alunos e professores que eram do Fernando Pessoa (e eu junto, ha ha).

Começa uma etapa de transição, bem difícil. Os alunos do Fernando Pessoa não gostaram de “ter sido comprados” e os da Vila tinham certa desconfiança em estabelecer boas relações com o outro grupo, pois  não os consideravam “da Vila”.

A Sônia, diretora da Vila, chamou-me para conversar e perguntou se eu queria permanecer na escola. Disse a ela que achava o projeto de Educação Física e de Treinos Esportivos muito bom e que, se ela autorizasse sua continuidade, gostaria de ficar sim.

Passo a passo, a integração dos alunos foi acontecendo, com diferentes intervenções de vários segmentos. O esporte teve um importante papel, pois, como tínhamos de jogar pela mesma escola, os alunos precisavam  se aceitar e trabalhar em conjunto. Num espaço de tempo muito pequeno, todos estavam jogando com a mesma camisa: Vila/Pessoa. Esse foi o nome usado no momento de transição até que, dois anos depois, o nome VILA foi incorporado definitivamente e a integração, um sucesso!

Hoje, o Esporte da Vila tem mais de 600 alunos inscritos, atendendo crianças de seis a 18 anos.

Bem, junto com a Vila, eu desenvolvo um trabalho com a seleção brasileira masculina de handebol (acabamos de ganhar o Pan-americano de Toronto, uhu!) e, no próximo ano, estarei no Rio de Janeiro, disputando minha terceira Olimpíada. Por conta disso, acabei me afastando da quadra e da relação que tinha com os alunos (e isso me faz muita falta), pois, não há possibilidade de dar prosseguimento ao trabalho na Escola e  viajar com a seleção.

Os treinos esportivos tiveram um número considerável de alunos engajados, levando à  necessidade de uma coordenação mais ampla. Além disso, o ensino médio trazia novos desafios.

Acabei me tornando um “cara dos bastidores”.

Passei a coordenar o setor, desenvolvendo a  formação de professores e estagiários. Sou, também, responsável pela participação da Vila em diversas competições esportivas e pela montagem de vários eventos como Bicicletada, Dia do Esporte, Jogos Internos, Acampamento Esportivo de Férias, Barra Bonita Handball Cup, Olim Vila e Simpósio do Movimento Humano.

Essas tarefas têm me dado um grande prazer, pois consigo ver o crescimento de cada professor, o quanto eles aprimoram as atividades e oferecem possibilidades de as crianças avançarem bastante nas experiências e nas práticas corporais em cada aula, em cada evento.

Tenho muito orgulho do trabalho desenvolvido ao longo desses anos, da amizade e do respeito profissional que vivemos na Escola.

Tenho também um respeito muito grande pelas parceiras dessa caminhada de mais de vinte anos, Sônia e Ana Maria.

Ah, acho que fiquei feliz com o texto.

Sempre me sinto feliz em ser e estar na Vila.

Parabéns e obrigado.

O Esporte e a Olim Vila contribuindo com a formação complementar dos alunos

Futebol 1o ano

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Por Washington Nunes    

Algumas atividades fora do contexto do currículo auxiliam muito na construção de conhecimentos, valores e até na personalidade dos alunos e, justamente por isso, hoje eu gostaria de falar um pouco sobre a contribuição que o esporte pode trazer para nossas crianças e jovens.

Um aluno que não tem tanta habilidade pode, através dos treinos (e de seus estímulos), descobrir e desenvolver competências, fazer parte de um grupo/time/ equipe de competição, e vivenciar uma série de experiências motoras, afetivas, sociais e emocionais. Por outro lado, um aluno com grande habilidade encontra um espaço para desenvolver as suas competências, e também a paciência com os que estão aprendendo, auxiliando, inclusive, os professores no processo de ensino e aprendizagem das ações do jogo.

Outros alunos tímidos vão, pouco a pouco, aprendendo e entendendo a necessidade de se comunicar dentro do jogo e começam a conviver com algumas falas: “passa a bola… troca o marcador… passou… esse é seu… sai… volta, marca…”. Essa comunicação começa a aparecer com tanta naturalidade que, aos poucos, eles conseguem até levá-la pra fora da quadra.

Já enfrentar o público em jogos é uma das tarefas difíceis por que os alunos passam, pois, além de ter que entender como o adversário joga, de executar bem suas ações e de tomar boas decisões para poder vencer, eles têm que lidar com o medo e a insegurança de jogar na frente de pais, amigos e torcida.

Alguns alunos têm dificuldades em lidar com regras e, quando começam a treinar, entendem a necessidade de se organizar, descobrem que precisam conviver com as normas dos treinos e as regras do jogo e, com isso, conseguem diminuir o ímpeto de discutir com outros alunos, com o professor ou com os árbitros.

Dentro de um jogo, o ambiente se modifica o tempo todo e, para isso, os alunos precisam modificar constantemente seus papéis, pois, em alguns momentos, são atacantes e, em outros, defensores, e, como se veem obrigados a tomar diferentes decisões ao longo de uma partida, acabam desenvolvendo muito bem a autonomia.

Esses são alguns exemplos vividos no cotidiano de quem participa dos treinos esportivos.

Alguns desses processos acontecem nos treinos e também antes deles, durante e após alguns eventos, como festivais, encontros e competições.

E, por falar em competição, sempre pensamos em participar de um evento que valorizasse o desenvolvimento de todas essas ações.

Observamos que alguns eventos surgiam, tinham uma ascensão e, em poucos anos, desapareciam. Foram raros os modelos que conseguiram se estabelecer, apresentar boa flexibilidade para se adaptar às exigências das novas gerações e se mostrar, ano a ano, sólidos e com grande interesse dos participantes.

Além disso, pensamos também o quanto seria interessante participar de uma competição escolar que reunisse parceiros e não adversários, e que pudesse, como nós, oferecer também essas experiências para seus alunos.

Em função dessas reflexões, surgiu a ideia de criarmos a Olim Vila.

Um evento esportivo com a cara que queríamos: a de oferecer a competição, mas em que também pudéssemos discutir com os outros professores sobre comportamentos, ideias de treinamentos e formas de competição. E deu certo.

Deu tão certo que, em 2015, o Setor de Esportes da Escola da Vila realizará a 25ª edição da Olim Vila!

Vinte e cinco anos promovendo o esporte escolar e mantendo a característica principal: fazer do esporte um instrumento que auxilie efetivamente na formação dos alunos fora do contexto da sala de aula.

A Olim Vila/15 deve reunir aproximadamente 34 escolas convidadas, 1.750 alunos participantes e 85 professores envolvidos em uma grande festa do esporte.

Convidamos os alunos e os ex-alunos para prestigiarem a abertura, que será dia 09 de maio, sábado, das 19h às 20h, e também para enviar algum tipo de registro ou relato que pudesse comprovar parte do que aqui foi dito.

Tenho vivido e vivenciado todas essas etapas ao longo desse vinte e cinco anos e posso afirmar que, tanto no dia a dia dos treinos quanto na participação na Olim Vila, a contribuição do Esporte na vida de muitos alunos é uma feliz realidade.

A formação complementar do aluno: tudo o que ocorre fora do currículo

13_4_2015-01

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Por Sônia Barreira 

Um enorme desafio para as escolas que abraçam a ideia de uma formação integral é a de proporcionar um conjunto de opções e oportunidades para que os alunos se relacionem com propostas, conteúdos e temas que não têm como ocupar devidamente o restrito tempo curricular. Ainda que nosso ano letivo ultrapasse em muito a carga horária obrigatória, não é possível oferecer tudo o que gostaríamos no horário regular das aulas.

Com o propósito de alargar horizontes, ampliar experiências e proporcionar atividades com as quais os alunos se identifiquem, concebemos um vasto leque de opções para complementar a formação integral do estudante, com possibilidades que dialogam com o currículo escolar.

O setor cultural se ocupa em oferecer cursos extracurriculares para todas as idades, contemplando música, arte, dança, teatro, literatura, tecnologia, e mantém um olhar atento para novas possibilidades, renovando o cardápio de ofertas a cada ano.

Oficina de Matemática, Grupo de Investigação Científica, Vilativa e grupo de participação e intervenção cidadã são outras iniciativas às quais os alunos aderem de acordo com seus interesses pessoais.

O setor de esportes oferece propostas cuidadosamente planejadas para as diferentes idades.

Para dar destaque às ações de formação complementar, inauguramos uma série de posts que apresentam algumas dessas escolhas e como cada uma delas dialoga com os princípios de nosso projeto pedagógico.

Dando início, reunimos a seguir cenas de algumas das atividades complementares que temos na Escola da Vila.

Criação musical

Guitarra

Violão F1

Violão F2

Criação de jogos

Mídias digitais

Teatro F1

Teatro F2

GIC 1

GIC 2

A importância da roda de conversa nas aulas de Educação Física

Roda Esportes F1 4

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Por Tarcila Proto, professora de Educação Física

Como parte de nossa rotina diária, os alunos estão totalmente familiarizados com as rodas de conversa.

Adotada como ferramenta pedagógica há anos, a roda de conversa mostra-se uma importante prática para a organização nas aulas de Educação Física, além de possibilitar um momento único de socializar atitudes e pensamentos.

Mas, afinal, como ela funciona?

A roda de conversa é um método que consiste na criação de espaços de diálogo, em que os alunos podem se expressar e, sobretudo, escutar os outros e a si mesmos. O objetivo é estimular a construção da autonomia por meio da problematização, da troca de informações e da reflexão para a ação.

Trocas de experiências, conversas, discussões, construção e divulgação coletiva de conhecimentos são fatores oriundos dessa prática, que explora e fortalece os aspectos sociais favoráveis a posturas coletivas e singulares.

Discutir e construir, coletivamente, planos e estratégias para as atividades, respeitar e valorizar a opinião dos colegas e aprender com a diversidade de ideias e conhecimentos que os integrantes do grupo apontam não é uma tarefa fácil, mas muito gratificante quando executada.

O grande desafio é oficializar essa prática como um espaço de autonomia, autoanálise e autogestão, religando as práticas das aulas, dando a eles a liberdade de discutir e expor suas ideias e opiniões sobre como percebem suas dificuldades e as dificuldades do grupo referentes às atividades exploradas e executadas.

As rodas de conversa ocorrem normalmente no início e no fim de cada aula, mas também podem ser necessárias em outros momentos em função de algum problema. Muitas vezes surgem dúvidas sobre o funcionamento de um jogo e de suas regras e, nesse caso, podemos retomá-las e, por vezes, até modificá-las. Ocorrem também situações nas quais os alunos expõem problemas, esclarecem dúvidas, resolvem conflitos e valorizam as atitudes positivas. Opiniões são levantadas, situações são sugeridas e estratégias são formadas para a continuação da aula.

Ao final desta, a roda volta, e traz consigo uma característica mais avaliativa. Tentamos montar esse espaço de discussão justamente com propósito de pararmos e avaliarmos o que estamos fazendo, de que forma e por quê.

Assim, acreditamos atingir o objetivo de ampliar as oportunidades de desenvolvimento psicomotor, cognitivo e sócio-afetivos das nossas crianças, para que elas aprendam estratégias e habilidades na resolução de problemas em diferentes contextos, utilizando conhecimentos disponíveis para enfrentar situações novas e inesperadas, tais como: saber trabalhar em equipe, mostrar-se solidário com os colegas, respeitar e valorizar os outros, atuar na comunidade em busca da sua melhoria e transformação, e gerenciar sua formação pessoal.

Por fim, acreditamos que conversando, trocando ideias, sabendo falar e sabendo ouvir, conseguiremos atingir a integração entre o fazer, o saber, o conviver e o ser de nossos alunos!