Estudar, motivar, mobilizar

Escola da Vila

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Por Fermín Damirdjian, orientador educacional do Ensino Médio

Li, há quinze anos, em uma época em que o jornal ainda reservava certa sacralidade em seu formato de celulose matinal, um artigo que me marcou. O psicanalista Contardo Caligaris discorria sobre as diferenças entre um ensino divertido e um ensino interessante. Desde então, nesse longo intervalo de tempo ocupei-me diariamente de um percurso escolar rico e intenso entre a orientação educacional do Ensino Fundamental 2 e o Médio na Escola da Vila. As cenas cotidianas, somadas a alguns elementos conceituais, continuaram a alimentar leituras antigas, tais como esse velho artigo.

Uma das cenas que me faz lembrar esse tema é a constante pergunta que surge em reuniões de pais sobre como motivar os filhos para que leiam e estudem. Sempre há, nessa pergunta, dois sentidos implícitos que se alternam de reunião em reunião: ora ela carrega um ressentimento em relação a “essa geração”, pois “na minha época a gente estudava, pegava no batente”, ora o ressentimento se volta à instituição: “a escola precisa se renovar e encontrar formas mais motivantes”.

Comecemos pelo primeiro sentido descrito: comparações entre as gerações são inevitáveis, pois utilizamos nosso próprio repertório para entender o mundo à nossa volta. Por outro lado, não podemos nos ater à nossa experiência para nos cobrirmos de certezas, inclusive porque nossa memória nos trai: que levantamento estatístico temos para dizer que “antigamente” se estudava mais? Não será que muitos dos que não estudavam espirravam mais rápido do sistema escolar? Será que estávamos atentos a tudo aquilo que não funcionava bem, do alto dos nossos 15 ou 16 anos? E, muito além disso: será que não lembramos com saudade e nostalgia de uma época que, vista com tanta distância e estando já mais maduros, com uma vida minimamente construída, nossa memória faz uma leitura mais polida sobre o passado, o que resulta em uma espécie de romance autobiográfico com o qual nos deleitamos? Afinal, depois de passado tanto sufoco, temos direito a nos sentirmos heroicos depois de um sem-número de trapalhadas acadêmicas, amorosas, profissionais e familiares cometidas ao longo desta longa estrada da vida. Depois que tanta coisa deu errado, podemos nos enganar um tiquinho pensando que tudo deu certo. Algumas doses de otimismo retroativo podem ser necessárias para seguir avançando.

Já com relação ao segundo sentido da queixa, eu pretendo me estender um pouco mais: a escola tem que se reinventar e entreter mais os seus alunos. Tem que conquistar mais essa moçada inquieta, muito bem informada, esperta, que sabe apertar botões – ops, botões existiam até o fim dos ’90, agora são telinhas – enfim, mexe com tecnologia com a mesma desenvoltura com que Louis Armstrong dedilhava seu trompete. Incrível, esse pessoal “já nasce sabendo”!

Ora, é verdade que a geração atual de crianças e adolescentes está diante de uma avalanche de estímulos que são diferentes de outrora. Isso traz muitos efeitos, e interpretá-los é uma tarefa árdua. Qualquer um que apareça com duas ou três frases definitivas sobre isso, sejam elas saudosistas ou não, está incorrendo na gigantesca tentação de entender o mundo de forma simples e apressada.

No caso do cotidiano escolar, entendemos que sim, é preciso se renovar. Mas não significa que educadores e demais cidadãos inquietos com o tema se deram conta disso agora. Há abundância de propostas transformadoras nos últimos 30 ou 40 anos – não por coincidência, em período posterior a longos ciclos de ditaduras militares na América Latina e em muitos países europeus. Basta ver a vasta quantidade de educadores de referência que proliferaram na Argentina, Brasil, Espanha ou Portugal, para ficar nos exemplos mais próximos e evidentes. A transformação de uma instituição que é, apesar de todos os seus pesares, a mais respeitada pela população, perdendo apenas para a família, como atestam algumas pesquisas, esbarra em questões políticas, mercadológicas e culturais que não são simples de superar.

Ao mesmo tempo há fundamentos elementares que, embora tenham inaugurado as primeiras décadas do século XX com a consolidação da escola como um direito fundamental, estão longe de envelhecer, pela profundidade e consistência pelas quais interpretam o ato de aprender. Muitas delas, tão díspares e amplas como a psicanálise ou os fundamentos vygotskianos, apontam para um ponto que nos interessa na discussão entre o que é divertido e o que pode ser interessante. Vejamos como.

Um dos muitos paradoxos do ato de ensinar é que o professor deve contar com a atividade intelectual do aluno. A ideia de transmitir conteúdo com a mesma mecanicidade com a qual se rega uma planta não pode ser mais considerada depois de todo o acúmulo teórico da psicologia, psicanálise, pedagogia e neurologia. Não existe aprendizagem sem atividade intelectual. O que um professor faz é oferecer as melhores condições possíveis para que o aluno abocanhe o conhecimento que lhe é exposto. E não se trata de um simples desfile de exposições acadêmicas: os professores se desdobram para não apenas “explicar direito”, mas também para gerar no aluno a percepção de certa carência de modo a, diante de seu repertório prévio e de suas lacunas, apropriar-se do momento e do modo adequados para incorporar o que lhe é proposto. Mais ou menos como um urso que, ao longo de suas quatro ou cinco décadas de vida, aprende a se posicionar no lugar certo do rio a cada temporada em que os salmões resolvem subir até a nascente onde nasceram, e assim abocanhar seu almoço. O professor dá elementos e condições para que o aluno aprenda a se posicionar cada vez melhor e desenvolva sua competência para se nutrir daquilo que lhe é proposto, por meio das mais diversas estratégias didáticas.

Pois bem, isso é impossível sem que o aluno se mexa. Ora, então, como é que a escola pode motivar meu filho a aprender? O erro está em pensar que um aluno deve se mover pela motivação. A motivação pode até existir, mas não é a peça-chave. Essa chave reside muito mais na mobilização. O que se procura é que se desenvolva um movimento intelectual capaz de dialogar com o desejo individual do aluno. É nesse diálogo um tanto obscuro que transita a construção do conhecimento e do saber. Como explicar o papel da motivação de tantos alunos que, sim, tiveram ótimos desempenhos escolares em instituições tão austeras e tradicionais de outros tempos? A escola tradicional era um lugar divertido? Não necessariamente. Algo ali mobilizava alguns desses alunos. Resta saber o que ocorria com aqueles que não entravam no jogo, mas isso é outra história.

A motivação nos remete a algo mais próximo da razão: segundo o dicionário Aurélio, motivar é dar motivos, fundamentar. Ora, é claro que devemos dar os motivos de frequentar a escola e expor as razões pelas quais um aluno deve estudar. Mas garanto que isso é apenas um ingrediente, longe de ser determinante, dentre aqueles que podem fazer alguém de fato estudar. O que de fato se busca é mobilizar o aluno.

Entreter, divertir, isso pode ajudar um pouco, especialmente no ensino infantil, pois é uma linguagem mais palatável para se apresentar um determinado patrimônio cultural – a língua, a música, as habilidades matemáticas, o que for. No entanto, com o avanço da idade, os alunos estão mais aptos a se apropriar de um repertório mais complexo, sem necessariamente se divertir para tanto. Um aluno pode ser motivado a entrar em sala de aula pontualmente se lhe forem oferecidos, por exemplo, chocolates. Mas isso não servirá para mobilizar seus recursos pessoais mais profundos de modo a que aprenda mais.

Voltando ao revisionismo autobiográfico entre as gerações, será que antigamente – sabe-se lá a qual antigamente cada um se refere – os alunos não precisavam se divertir tanto para se mobilizarem intelectualmente?

Será que os adolescentes, hoje, têm acesso a tão vasta gama de entretenimentos cotidianos que perderam a capacidade de se mobilizar sem que haja uma ferramenta de diversão como mediação? É difícil responder, inclusive porque isso é uma generalização perigosa que desconsidera brilhantes criações que vemos no dia a dia escolar, feitas com imaginação, esmero e muito interesse. Mas, sim, notamos que há um imediatismo crescente e preocupante, que avança sobre alimentos açucarados, drogas e demais estímulos fragmentados de retorno curto e imediato.

Tudo isso não impede que nos preocupemos com muito do que vemos nas crianças e adolescentes de hoje. Mas não devemos esperar que a construção de conhecimento seja apenas motivadora, somente pela grande oferta de diversão que parece ter se tornado um imperativo no mundo contemporâneo. Inclusive porque há fortes indícios de que essa abundância está gerando uma perigosa falta de desejo. E sem ele não há mobilização.

Para saber mais:

CHARLOT, Bernard. Da relação com o saber, formação de professores e globalização, Capítulos 4 e 5. Porto Alegre: Artmed, 2005.

CALLIGARIS, Contardo. Vida divertida ou vida interessante? Folha de São Paulo, dez/2002.

LA TAILLE, Yves de.; HARKOT-DE-LA-TAILLE, Elizabeth. Valores dos jovens de São Paulo. São Paulo: Instituto SM para a Equidade e a Qualidade Educativa, 2005.

Iqbal e o direito de ser criança

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Por Fernanda de Lima Passamai Perez

Em quase 7 anos de existência, o Vilalê, clube de leitura, leu diversos títulos que despertaram discussões acaloradas e sensibilizaram o grupo, mas nenhum como Iqbal.

Ao se propor o título, havia um desafio para além da linguagem, havia um fato real: o assassinato de uma criança. Iqbal, garoto paquistanês cuja história serve como fio condutor da narrativa, foi entregue pela família ainda muito pequeno para trabalhar como tecelão em uma das inúmeras tapeçarias de seu país, sem qualquer direito. E, diferente das muitas outras crianças que trabalhavam em situação semelhante, Iqbal não deixou de sonhar, não se rendeu ao destino que traçaram para ele.

A saga do garoto franzino e sorridente tornou-se conhecida mundialmente. Ainda que tenha tido sua vida abreviada, Iqbal deixou um legado. Esse legado inspirou desde a construção de escolas no Paquistão, bem como prêmios: Iqbal Masih Award for the Elimination of Child Labor e WORLD’S CHILDRENSPRIZE, entregues àqueles que combatem a escravidão infantil no mundo.

A empatia dos integrantes com esse personagem foi intensa. Embora A história de Iqbal seja uma ficção, ela é baseada em fatos reais, infelizmente. No decorrer da leitura, o grupo foi refletindo e tomando conhecimento de que esse cenário não era exclusividade de um longínquo país asiático. Mesmo aqui no Brasil havia crianças e adolescentes que trabalhavam em condições não favoráveis ao seu desenvolvimento, o que, de certo modo, impede o acesso delas à educação. Iniciou-se então uma série de questionamentos a respeito da falta de direitos dessas crianças, principalmente o direito de SER criança. Foi então que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) apareceu nas discussões. Mas o que é ECA? Por que a elaboração de um estatuto para garantir direitos às crianças? Criança tem direito? E se ela for pobre não pode trabalhar para ajudar a família?

Para responder às inquietações e curiosidades dos integrantes, em nosso último encontro, dia 23 de junho 2017, o Vilalê recebeu a visita de Francisco Bodião¹, mais conhecido como Chicão, orientador educacional do Ensino Médio, profundo conhecedor do ECA e ativista pelo direito à cidadania, principalmente de crianças e adolescentes – grupos bastante vulneráveis e pouco visíveis pela sociedade.

O encontro teve início com relatos dos integrantes sobre o livro e sobre a recepção da leitura por parte do grupo. Em seguida, Chicão relatou de maneira muito emocionante experiências pessoais que serviram para exemplificar a importância do ECA – que completou 27 anos no dia 13 de julho –, e seu significado para o Brasil no início da década de 1990, poucos anos depois da abertura política brasileira e com uma Carta Magna nova. Gradualmente, os presentes foram entendendo a importância de haver leis específicas, que garantam às crianças e aos adolescentes o acesso à educação, cultura e condições especiais de trabalho, com o fim de assegurar oportunidades equânimes para o desenvolvimento desses jovens como cidadãos. Entre as muitas informações que o nosso convidado compartilhou estava a de que, há 17 anos, a biblioteca Tatiana Belinky acolheu o grupo, do qual Chicão ainda faz parte, que criou o Fórum de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Butantã (FoCA), cujas reuniões acontecem mensalmente, e convidou a todos para participar da Semana do ECA – na última semana de setembro.

A história de Iqbal disparou diversas outras questões em relação a direitos para além da criança e do adolescente, a situação dos idosos no Brasil, por exemplo. Como desafio, nosso convidado propôs ao grupo buscar uma leitura que provocasse uma discussão a esse respeito. Desafio aceito!

Para finalizar, Chicão revelou um desejo: “Que a gente tenha cada vez mais dúvidas. Que a gente cada vez mais se pergunte. Que a gente não aceite de primeira qualquer coisa”.

Obrigada, Iqbal! Obrigada, Chicão!


¹Chicão Trabalhou na Pastoral do Menor da Praça da Sé.

Por que é tão difícil dizer não?

Lidia Aratangy na Vila

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Por Cecília Galoro, mãe de alunos da unidade Granja Viana

Em uma noite fria e chuvosa, como a da última quinta-feira 17 de agosto, a Escola da Vila – Unidade Granja Viana – recebeu um auditório lotado de famílias e educadores, no evento em que a psicóloga Lidia Aratangy foi convidada para falar sobre o Não e sua importância na educação das crianças.

Com o tema Por que é difícil dizer não?, pais, mães, professores e educadores de São Paulo, Cotia e região se mostraram interessados em refletir sobre a árdua tarefa de colocar limites para as crianças nos dias de hoje.

A psicóloga, com grande experiência de vida e profissão, abordou de maneira simples e divertida pontos cruciais que devem ser levados em conta na hora de educar por amor.

A palestra foi preparada em conjunto com todos os participantes, que enviaram antecipadamente suas maiores questões e dificuldades para serem esclarecidas, fazendo com que o evento fosse, de fato, uma rica troca de experiências, proposta presente e convergente na maneira de atuar da Escola da Vila.

Ao relatar, por exemplo, que é um erro tentar evitar as frustrações inerentes do processo de amadurecimento das crianças e jovens, Lidia deixa claro que muitas vezes, em vez de amor, podemos ter colaborado para a dor de nossos filhos no futuro, já que, certamente, eles irão conviver com fracassos ao longo da vida.

Durante 1h30, muitos mitos foram desmistificados, propondo uma reflexão autêntica sobre o papel de cada pessoa em contato com uma criança, e a responsabilidade de todos no processo de educar.

Aspectos e dúvidas como o desafiante mundo virtual, castigos, a banalização do não, o diálogo verdadeiro, um não pode virar um sim, o que significa ser amigo do seu filho, liberdade e limite, a diversidade vivenciada e não apenas discursada, respeito e, por fim, a nossa responsabilidade em manter a crença na humanidade, sendo filtros e não esponjas, para assim valorizarmos nos nossos filhos e alunos, seus atos de solidariedade, tolerância e cuidado com o meio ambiente, foram explanados de forma clara, com o objetivo de colaborar para a transformação de um futuro melhor, que será construído por eles nas bases da educação que nós oferecemos hoje.

Certamente todos os que compareceram, dizendo não ao frio, à chuva, ao trânsito e sim ao tempo dedicado aos seus filhos e alunos, saíram desse encontro certos de que saber escolher entre o sim e o não é um grande ato de coragem e amor.

Transformador, podemos dizer.


A palestra está disponível no canal do Youtube da Escola da Vila.
Por que é difícil dizer não?

Blog entra de férias

Caros leitores e leitoras,

Nosso blog entra de férias hoje e retoma suas publicações no mês de agosto, trazendo novos posts sobre o trabalho realizado na escola e também nossas reflexões acerca de temas educacionais contemporâneos.

Mas, como fechamento do semestre, escolhemos um texto escrito sobre Férias, em 2014, pelo orientador do Ensino Médio, muito oportuno para esse período!

Boa leitura e tenham todos merecidas férias!

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Férias!

Escola da Vila

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Por Fermín Damirdjian

Por esta época, as escolas dão aos alunos as diretrizes dos trabalhos escolares a serem feitos nas férias. Algo como um ou dois livros a serem lidos e algum filme para assistir, no caso do Ensino Médio da Escola da Vila. Para alguns casos específicos, seria uma oportunidade para o aluno retomar conteúdos que não puderam ser bem assimilados por ele na correria dos dias letivos. Sabemos que a escola tem um ritmo próprio que, por mais que os educadores se disponham a fazer algumas adaptações, há um calendário que avança, inexorável como qualquer medida de tempo. Há alunos para os quais essa medida atropela suas possibilidades de aprendizagem, que existem, mas que requerem uma situação menos frenética para serem desenvolvidas.

De um jeito ou de outro, vemos os rostos dos alunos se desfigurando em expressões de desagrado, em queixas de excesso de conteúdo, de falta de sossego e de tempo para o ócio. Não raro os pais também manifestam seu desconforto, especialmente quando as atividades para as férias atravessam a oportunidade do lazer em família, arduamente conquistada entre os longos períodos de tensão profissional.

Se as férias são férias, por que diabos a escola invade esse precioso tempo com leituras e tarefas? De fato, a escola não é obrigada a fazer uso desse período. É mesmo uma opção. E o que se leva em conta para seguir esse caminho são muitos fatores.

Em primeiro lugar, no Ensino Médio, contamos com o fôlego dos nossos alunos. E isso é algo que costuma espantar os pais de primeira viagem com seus filhos no 1º ano desse segmento, já na mudança de ritmo e da grade de matérias que passarão a fazer parte da rotina dos filhos. Mas logo veem e se surpreendem que eles respondem, em geral, de forma positiva à profundidade e à diversidade desses conteúdos. Não raro no primeiro trimestre, alguns se queixam de ver o filho estudando até a madrugada para uma prova do dia seguinte. É mais do que óbio que não medimos o grau de eficácia didática pelas olheiras dos nossos alunos. Mas dentre as exigências está o aprendizado sobre os procedimentos de estudo e o aprimoramento de sua postura de estudante como elementos a serem conquistados, de forma a antecipar e a organizar seus afazeres. Ainda assim, é claro que em algumas épocas os estudos podem invadir as horas de sono.

Por outro lado, a exigência dos alunos por férias plenas pode ser vista como uma reivindicação básica nesse caldeirão de contradições que caracteriza essa fase da vida: uma negociação árdua e extenuante, no dia a dia escolar e familiar, daquilo que querem preservar da infância, tal como o conforto e a distensão, e o que querem ganhar da vida adulta que se espreita no horizonte, como a independência supostamente ampla e irrestrita.

Mas cabe-nos olhar mais detalhadamente as coisas se quisermos sair do senso comum e se pretendemos levantar elementos que nos ajudem a lidar com aqueles que pretendemos educar. E se há algo que pode caracterizar nosso papel é a tensão que caracteriza a prática educativa e que pode variar de figura e de intensidade no convívio com aqueles que educamos, sejam filhos ou alunos, mas que nunca cessa.

Tanto na escola como na família, há momentos de carinho, de comunhão, de troca com esses adultos, sem dúvida alguma. No caso da família, as férias são a oportunidade de ter algumas dessas vivências com maior frequência do que no dia a dia. Mas em todos os casos, é preciso considerar que há uma luz que nunca se apaga completamente. É como a chama-piloto dos antigos aquecedores a gás, que mantinha o aparelho aceso, pronto para ferver a água do encanamento, em qualquer momento do dia ou da noite, ao longo de toda a sua existência. E talvez seja isso o que mais desgasta no papel daquele que educa: o fato de nunca desligarmos totalmente. Por mais que nos propusermos a isso, estar dentro de um cinema ou levantar o jornal e deixar-se absorver por notícias banais já é uma opção. E, como toda opção, carrega em si a responsabilidade da escolha.

Os lares dos anos 70 tinham em casa uma caixa mágica chamada TV em cores, na época acusada de paralisar a infância diante de sua luz animada. Aquelas crianças, que hoje são pais, veem-se diante de muitos outros recursos que anestesiam a tensão da educação. E, como toda anestesia, consistem num mero disfarce de alguma dor ou tensão.

Outros, mais radicais, poderiam apontar para a abundância de entorpecentes, tão diversificados e com poder de ação mais intensificados, que circulam pelo mercado legal ou ilegal, na mesma proporção do aumento dos canais de TV nas últimas décadas. E, com eles, a promoção permanente dos prazeres e limites que devem ser extrapolados, com urgência, como referência de realização pessoal.

Não raro os adultos se queixam do imediatismo dos jovens que se assustam diante de uma lição de casa ou da obrigação de estudar. Alguns alunos nem sequer se assustam, mas apenas não compreendem por onde devem começar, pois há um sentido de dever que não foi lá muito desenvolvido. Para além de pensar em um mundo fartamente irrigado com drogas e gadgets, é preciso pensar que estes últimos compõem o dia a dia familiar pelas mãos dos próprios adultos.

Como já foi dito, a tensão da chama-piloto pesa, e muito, para esses adultos. Por isso a anestesia não é só opção de crianças e adolescentes. Ela cumpre um papel de distensão na medida em que, uma vez tendo as crianças hipnotizadas diante de um tablet, os adultos conseguem ler jornal, conversar, lavar a louça, trabalhar ou relaxar.

Pouco se considera o tempo do final de semana para ajudar a família a fazer algumas das tarefas realizadas apenas por adultos. Um adolescente arrumando a cama, descarregando as compras do supermercado do carro, ajudando o pai no trabalho ou trocando uma lâmpada são imagens que parecem ser de um país muito distante, especialmente se comparadas à vida diária da classe média paulistana.

Isso para não falarmos em aproveitar as férias para fazer um trabalho voluntário, um estágio ou alguma coisa que, minimamente, ou mesmo simbolicamente, procure retribuir as oportunidades oferecidas pela família e, por que não, pela sociedade. O filme  Supersize me (2004) concentra-se no aumento do consumo mínimo do McDonald’s ao longo dos anos, mas seria muito obtuso reduzi-lo a isso e não pensar em um mundo que elevou a níveis para lá de insalubres os padrões mínimos de consumo e lazer. E é claro que não falamos apenas de saúde física, mas principalmente de saúde mental e “cultural”.

A pergunta que fica não é porque os alunos e os filhos se espantam com um dever a ser realizado nas férias, seja ele escolar, doméstico ou do mundo laboral. O que sim devemos olhar é por que oferecemos tão pouco, quando temos a ilusão de fornecer muito.

É evidente o bem que pode fazer a uma família descansar, e descansar junto. Mas não podemos nos iludir de que nesse momento não há educação, não há papéis. Ao contrário, os papéis nunca cessam. O tempo de distensão e os meios para fazê-lo são sempre escolhas que compõem a educação do filho. É preciso entender que, depois de uma refeição, algo ou alguém lava aquela louça. Pode-se dormir até tarde se for essa a opção, mas algo, em algum momento, deve evitar escamotear a regra mais básica de qualquer forma de vida: até o Animal Planet ensina que não existe almoço grátis, nem na savana africana, nem em nossa confortável paisagem doméstica.

Isso não significa exercer o sadismo para mostrar como a vida é dura, de forma alguma. Mas apenas acreditar que eles podem, ao longo de 30 alegres dias, em Paris, em Boiçucanga ou na Vila Gomes, ler um ou dois livros e fazer uma lista de exercícios.

Não se trata de apontar as falhas deles, mas de nos olharmos no espelho e observar nossas opções cotidianas. É o sentido de dever que parece estar enfraquecido, junto com a capacidade dos adultos para suportar a tensão de seu papel.

E depois da Festa Junina a gente vai ficar de férias?

Escola da Vila
Desenho de aluno da Educação Infantil

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Por Daniela Munerato

Para as crianças é assim. Algum evento importante e esperado ajuda a marcar o tempo, lembrar e retomar o que vai acontecer. As férias de julho são breves, mesmo assim vamos correr o risco de ouvir repetidamente: “amanhã já tem escola?” ou “quando voltaremos para casa?”.

Minha sugestão é ajudarmos as crianças na organização e no aproveitamento desse tempo. Elas estão a construir essa noção e precisam de alguns recursos para organizá-la. Assim, ficam mais tranquilas quando as ajudamos antecipando o que está porvir e retomando situações já vividas.

Para quem se anima, uma dica divertida de marcar esse tempo é produzir um calendário de férias. A folha do mês de julho pode ser feita em conjunto ou impressa e colada ao alcance das crianças! Pintar finais de semana, marcar início e término das férias, dias especiais em que um amigo vai visitá-la ou aniversário de alguém querido, por exemplo. Combinem de pintar ou realizar uma marca, conforme os dias forem passando. O calendário representa um marcador temporal conhecido pelas crianças, já utilizado por nós aqui na escola desde o Grupo 1! Vale lembrar que ele é para as crianças, ou seja, mais uma brincadeira de férias para fazerem juntos!

Outra dica é aproveitar para ver as fotos de férias passadas. Se não estiverem impressas, um aconchego na frente do computador para lembrar momentos vai ser interessante, e quem sabe escolher alguma especial para enquadrar. As fotos não precisam ser somente de viagens, mas de momentos diversos, histórias que precisam ser lembradas, um cinema com amigos, um chá de bonecas, uma exposição. As crianças têm a possibilidade de acompanhar seus percursos, crescimento, lembrar momentos simples e especiais e, por que não, planejar repeti-los!

Em dias de frio, as cabanas cairão bem, se chover, façam bolinhos. Descubram pequenos tesouros como pedrinhas ou tampinhas coloridas para brincar. Chame os amigos para um filme com pipoca, de acordo com a disponibilidade dos pais, e assistam a filmes que marcaram outras gerações, como O Mágico de Oz, Pippi Meialonga, O Garoto (de Chaplin), Beleza Negra, A Noviça Rebelde, ET – O Extraterrestre, etc.

Serão tantas oportunidades interessantes que outra dica é a produção de um diário de férias! Pode-se desenhar nele, colar ingressos, fotos, anotar brincadeiras aprendidas, filmes vistos, receitas… Serão registros de um tempo fora da escola, que poderá ser retomado quando retornarem às aulas e forem convidados a compartilhar com os amigos.

E, por fim, é hora de guardar a mochila e a lancheira da escola e contar os dias para o nosso reencontro. Nós aqui na escola estaremos aguardando nossas alunas e alunos com saudades dos abraços apertados, das histórias cheias de detalhes, das gargalhadas, prontos para enfrentarmos juntos os encantos e novos desafios do segundo semestre!

Tarefa complexa ou complicada?

Por Divino Marroquini, professor de Química do Ensino Médio
e Daniel Mauro Justi, professor de Biologia do Ensino Médio

 

A educação para a alimentação é um tema, entre outros, que família e escola compartilham durante o crescimento das crianças e adolescentes. Temos hoje uma grande quantidade de informação, pela internet, TV e revistas, a respeito do que se deve ou não comer, de vários tipos de dietas para emagrecer, ganhar massa muscular ou de dietas restritivas quanto às fontes alimentares, tais como o ovolactovegetarianismo e o veganismo. De um ponto de vista curricular, vemos a importância de possibilitar aos alunos uma reflexão sobre tais informações perante o conhecimento científico, o que ocorre nos vários segmentos da escolaridade com diferentes abordagens e níveis de complexidade, porém sempre incluindo um olhar do aluno sobre seus próprios hábitos alimentares.

No curso de Biologia do 2º ano do Ensino Médio, os alunos realizam uma tarefa complexa sobre a temática “Nutrição”, cujo objetivo é promover a discussão acerca dos nutrientes e de seus valores calóricos, além de uma comparação entre as calorias ingeridas e aquelas que são gastas nas atividades físicas. Primeiramente, cada aluno é convidado a realizar o seu recordatório alimentar, o registro de todos os alimentos que consome durante três dias. Além disso, registram as atividades físicas praticadas nesses dias. Em seguida, utilizando as informações dos rótulos dos produtos industrializados consumidos e de tabelas confiáveis, como a Tabela de Composição Alimentar (TACO), publicada pela Unicamp, os estudantes contabilizam as quantidades de calorias, proteínas, carboidratos e lipídios ingeridas. Também determinam a energia despendida durante as atividades físicas de uma semana.

Escola da Vila

Mas como se determinam as calorias que existem em um alimento, tal como aparecem na tabela TACO?

Para responder a essa pergunta, os alunos realizaram no laboratório um experimento com castanhas-do-pará e nachos industrializados. Um recipiente com água, de volume conhecido, é posicionado sobre a castanha, que é levada à combustão, de forma que o calor liberado pela queima do alimento aqueça a água. Com um termômetro, fazem a medição da temperatura da água antes e depois da queima da castanha. Os dados permitem aos alunos que determinem quanta energia aqueceu a água, que corresponde à energia que aquela massa de castanha pode liberar ao ser digerida. Todo esse procedimento foi repetido para o nacho industrializado.

Escola da Vila

É interessante notar que os conceitos de Física, envolvidos nos cálculos realizados, foram desenvolvidos no curso de Ciências Naturais do 9º ano do Ensino Fundamental II, quando os estudantes realizaram um experimento com o objetivo de estabelecer a relação matemática entre a quantidade de calor recebida por um corpo e sua massa, sua variação de temperatura e a natureza do material. A sequência possibilitou que os próprios alunos propusessem o modelo matemático envolvido no fenômeno, em vez de receber uma fórmula pronta, o que é muito importante para a compreensão profunda das inter-relações das grandezas físicas. Ao relembrarem a fórmula que deduziram há dois anos, eles estão aptos a medir a quantidade de calorias que estava presente no alimento. Percebemos, nessa retomada, uma atividade de grande valor pedagógico, visto que os estudantes reutilizam aquela expressão, mas dando-lhe novo significado pela contextualização em um tema do cotidiano.
Escola da Vila

Com os dados em mãos, os alunos determinam as calorias por unidade de massa do alimento e comparam qual dos dois, castanha ou nacho, fornece mais calorias e, assim, podem investigar sua composição para entender o motivo dessa diferença. A atividade realizada é também um momento importante para disparar a discussão dos limites e contornos que o experimento apresenta, sendo fundamental para a compreensão das incertezas nesses resultados.

Para a comunicação desse experimento, os alunos produzem um relato de experiência sobre todas as etapas da tarefa complexa, desde como fizeram o recordatório alimentar, passam pelo experimento e chegam à discussão dos hábitos alimentares que permeou as várias etapas da tarefa.

Escola da Vila

Podemos ver, enfim, as possibilidades de aprendizagem que uma tarefa como essa propicia. Refletir sobre um tema de grande importância para a vida, desenvolver competências de leitura, escrita, manipulação de aparelhos, tomada e análise de dados, avaliação de resultados, e retomar para ressignificar conhecimentos adquiridos no cotidiano e nas séries anteriores. Por isso, a chamamos de tarefa complexa… Não porque pretende ser complicada, e, sim, porque conjuga objetivos de aprendizagem diversos perante temas que são multifacetados, pela sua própria realidade.

Famosxs da internet

Digital beggar por Eduardo Salles
Ilustração de Eduardo Salles

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Por Helena Mendonça

Você conhece a Giovanna do forninho? Ou a Chloe, que, em um vídeo caseiro, não entende por que sua irmã chora com a notícia recebida da mãe? A notícia do encontro dessas duas personagens que ficaram famosas ao se tornarem sucessos virais na internet causou estranhamento em muitos que não acompanham a avalanche de memes* das redes sociais. Elas se tornaram personagens principais ao divulgarem uma grande marca de tecnologia, que propunha uma busca na internet, para quem não as conhecia. Uma boa jogada de marketing que traz à tona o vazio e a rapidez com que os famosos da internet vêm e vão.

Assistindo aos vídeos que as fizeram famosas, podemos citar o que a Profª Paula Sibilia apresenta em seu livro “O show do eu”¹. Uma das ideias trata do desejo da exaltação da própria vida com o crescente acesso às mídias e redes sociais e de como a capacidade criativa da sociedade e a curiosidade sobre a vida alheia se tornam uma mercadoria. O que é ser famoso? O que é ser um influenciador? Esse também foi tema de um dos vídeos do Porta do Fundos recentemente. Uma entrevistadora que tenta entender o porquê da “famosidade” de uma pessoa que se tornou sucesso na internet, mais especificamente no Instagram e Snapchat. Algumas das perguntas da entrevista: “Por que as pessoas curtem as suas fotos? Quem é você? Por que você é famosa?” E a resposta: “As pessoas começaram a curtir e depois outras curtiram porque as primeiras curtiram e aí eu fiquei famosa…”.

Para além de ter um canal no YouTube, saber editar um vídeo, tentar entender o que dá mais curtidas e conhecer estratégias para que os espectadores vejam o vídeo até o final, é fundamental questionarmos esse movimento, analisarmos os vídeos construindo critérios com os estudantes, discutindo sobre o tema e levando em consideração que a maioria dos jovens segue, assiste e compartilha esse material. Eles participam desse movimento, surfando nessa onda muitas vezes sem se questionar sobre os valores envolvidos nessas ações.

Por causa dessas e outras práticas particulares do mundo digital, é fundamental que as práticas educacionais sejam revisitadas. Temas como a pesquisa, seleção e apresentação de dados encontrados na web, a criação de produtos digitais e seus diferentes formatos e formas de representação, a comunicação e as redes sociais, o trabalho e a economia, bem como o ativismo social digital, são alguns dos temas que também devem estar presentes na escola. Um dos documentos que temos usado como referência de currículo de educação digital para os alunos traz como uma das habilidades da convivência digital a compreensão do impacto social das tecnologias digitais. Entender e avaliar a capacidade que as tecnologias têm de impactar positivamente ou negativamente os indivíduos e a sociedade em suas questões sociais, econômicas e culturais é um dos temas de trabalho que constroem a formação do estudante. Outros temas igualmente importantes são a proteção da informação digital pessoal e de outros, o respeito ao direito de privacidade, o reconhecimento de dilemas éticos e as consequências legais no uso e na apropriação de material digital, bem como o impacto do digital no direito de propriedade intelectual.

A atenção à qualidade do material que é oferecido às crianças e aos jovens não é algo novo, a programação da televisão foi um grande motivo de discussão na época da sua popularização. Talvez a maior diferença agora seja a possibilidade de criação de material, agora digital; criação esta que se torna possível com ferramentas cada vez mais acessíveis, fartos canais de distribuição e um enorme público à disposição.

Nesse sentido, a escola tem promovido diversas ações visando a construção de conhecimento com o digital, levando em consideração também as questões didáticas que são impactadas por essa mudança. Essas ações vão desde o aprendizado técnico de recursos disponíveis para diferentes fazeres, passando pela formulação de critérios de produção, análise de referências, contato com diversas possibilidades, até a discussão sobre temas mais ligados ao universo digital, mencionados acima, a criação individual e coletiva e finalmente publicação e a interação com os diferentes públicos. Assim esperamos formar estudantes conscientes e críticos perante o universo digital.


(*) Memes: imagens ou vídeos que são remixados pelos usuários e se tornam virais, ou seja, são compartilhados por muitas pessoas, às vezes remixados e compartilhados novamente.

¹SIBILIA, Paula. O show do eu: a intimidade como espetáculo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.

Publicação relacionada:
YouTube, YouTubers e a Escola 

Visita à Escola Parque

Por Sônia Barreira e Fernanda Flores, direção pedagógica da Escola da Vila

Recebemos a equipe da Escola Parque e da Escola Balão Vermelho no dia 19 de maio para apresentar nossa escola e nosso projeto pedagógico. Ao preparamos as apresentações nos perguntávamos o que devíamos ressaltar, quais os destaques e quais os principais desafios que nossa equipe enfrenta nos últimos anos. Esse processo, a visitação e o encontro nos levaram a olhar nossa escola sob uma perspectiva diferente da habitual.

Normalmente imersas no dia a dia, essa oportunidade nos levou a constatar algumas conquistas históricas das que nem sempre nos damos conta: a estabilidade dos projetos, a fartura de documentação pedagógica produzida pela equipe, a superação de desafios que nos colocamos ano a ano. Temos uma produção intensa e avançamos de modo orgânico, lembrando o funcionamento de um organismo vivo, interdependente e pulsante.

Na sexta-feira, dia 9 de junho, nos tornamos visitantes. Fomos recebidas com acolhimento e entusiasmo pela equipe da Escola Parque. Inicialmente, tivemos uma apresentação feita pelos diretores e conhecemos os pilares de um Projeto Pedagógico de 47 anos de idade! Como o nosso, em transformação permanente, revisado e atualizado constantemente.

Escola da Vila visita a escola Parque

Em seguida, os grupos se dividiram por segmento. Pela Educação Infantil e Fundamental 1, as equipes de coordenação e orientação apresentaram as características principais do trabalho que realizam e tivemos oportunidade de, mais uma vez, aprofundar conhecimento sobre aquilo que nos aproxima e aquilo que fazemos de formas próprias, podendo trocar experiências e desafios que as escolas enfrentam nessas etapas da escolaridade.

O Fundamental 2 e o Ensino Médio foram brindados com apresentações dos próprios alunos, que nos contaram sobre projetos propostos a eles e vividos com intensidade e curiosidade próprias de alunos engajados e comprometidos. Algumas propostas dialogam com ações realizadas na Escola da Vila, outras, totalmente únicas, pareciam responder às demandas que conhecemos, portanto inspiradoras e instigantes.

Escola da Vila visita a escola Parque

Escola da Vila visita a escola Parque

A escolha por parte dos alunos, tema que nos desafia atualmente, parece ter sido bem equacionada na Parque, muito embora disponham de um tempo didático mais amplo que o nosso, ainda assim, nos estimulou a reconsiderar a organização de alguns mecanismos de trabalho.

A distribuição do trabalho na equipe técnica foi outro elemento novo para nós, e boa parte das reuniões foi gasta para entendermos quem faz o quê, e a relação daquelas funções com as nossas aqui na Vila. Coordenador, orientador, psicopedagogo não equivalem diretamente aos nossos cargos. Pensar na forma de realizar o trabalho fora da sala de aula também resultou em conversas férteis e reflexões intensas.

Escola da Vila visita a escola Parque

O passeio guiado pelas dependências da escola da Barra, finalizando a Semana do Ambiente, nos mobilizou a pensar no trabalho que fazemos com a sustentabilidade e protagonismos dos alunos. Podemos mais!

Escola da Vila visita a escola Parque

Escola da Vila visita a escola Parque

Olhar o dia a dia de uma escola é inspirador, conhecer soluções pedagógicas e educacionais de uma equipe que compartilha os mesmos valores que a nossa é desafiador. Agradecemos a todos os profissionais da Escola Parque a generosidade com a qual se dedicaram a nos receber.

Ah, a Vila Literária!

Vila Literária

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Por Vicente Régis, coordenador do Setor Cultural,
com a participação de Francisco Zardo de Melo, aluno do 6º ano

No segundo semestre, no dia 21 de outubro, teremos a quarta edição da Vila Literária. Para quem não o conhece, este é um evento de celebração da literatura, da poesia, da metáfora e da arte. Momento de celebração da coragem de se jogar em uma produção artística que revela um pouco mais do que somos, de nosso imaginário. Momento de entrar em contato com artistas que fazem do ato de inventar, escrever e contar histórias, recitar poemas ou criar oficinas seu principal caminho no mundo. Momento de celebração da literatura como linguagem que nos constrói, nos diverte, nos emociona e nos informa.

Além das oficinas, exposição de trabalhos de ilustradores, intervenções artísticas, oficinas diversas e uma feira de troca de livros, entre outras surpresas, teremos a premiação do IV Concurso Literário, concurso este que conta, a cada edição, com a participação de mais e mais estudantes do 2º ao 5º ano do Fundamental 1.

Este concurso prevê um processo de escolha de destaques que serão homenageados no dia do evento, e alguns dos textos são escolhidos pelo Grupo de Teatro do Ensino Médio para serem encenados ao público presente.

Mas o que um concurso escolar tem de importante? Entendemos que o real ganho de um convite como este está em estimular a produção literária autoral dentro da escola, abrir espaço para mais uma situação de produção textual, porém com menos tutoria dos adultos, espontânea e de livre adesão.

Acreditamos que os grandes ganhadores deste concurso são os alunos e as alunas que participam, que se empolgam e abraçaram o convite! Isso porque escrever um texto para um concurso é uma atividade bastante potente para o desenvolvimento da escrita e da habilidade de inventar narrativas e afins, que complementa a formação literária feita em sala de aula, quer seu texto ganhe destaque ou não. Quando as crianças se atiram em uma tarefa como esta, faz-se necessário lançar mão de muitas das competências desenvolvidas em anos de processos relacionados ao ato de escrever. E isso vale muito mais do que a seleção dos destaques.

Convidamos o aluno Francisco Zardo de Melo, atualmente no 6º ano, que participou das edições anteriores, para compartilhar seu depoimento!

“Ah, a Vila Literária!

É uma experiência incrível. Você se dedica um tempo, mas não é um tempo mal gasto. É um tempo gostoso, um tempo muito bem gasto. Na primeira vez, foi uma empolgação incrível. Descrever uma bruxa, usando a pura imaginação. Após muito trabalho, ver seu texto reconhecido, subir em um palco pra falar pra um monte de gente. Ter esse reconhecimento é demais!

Na segunda vez, estava mais tranquilo. Já tinha mais experiência como leitor. Tinha que escrever sobre minha família, alguma história engraçada. Escrevi sobre a vinda de uma humilde família portuguesa em busca de novos ares em território brasileiro. Escrevi com muito empenho, e me restou esperar. E, de novo, acabei ganhando. A mesma sensação, a mesma empolgação. Falei de novo para um montão de gente. Nem tanta gente, mas a empolgação traz a sensação de uma multidão. De novo a sensação de reconhecimento. Essa experiência que levo até hoje e vou levar para toda a minha vida. Um trabalho, um tempo, muito bem gasto, e que traz alegria, reconhecimento, empolgação e diversos sentimentos incríveis que todos vão levar para toda a sua vida, cada um de um jeito.

Bom, essa é minha experiência com a Vila Literária e com tudo que a Vila nos traz de literatura.” 

Aguardamos ansiosos as inscrições de todos os textos de nossos alunos e alunas para mais uma emocionante edição!

E, para os leitores interessados, compartilhamos aqui as revistas das edições anteriores com todos os textos entregues na I, II e III Vilas Literárias!!!

Acampamento de férias: um convite à aventura

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Por Washington Nunes, coordenador de esportes

Existem algumas ações desenvolvidas pelo Setor de Esportes que tiveram, ao longo da história, duas origens bem interessantes.

A primeira tem a ver com a criação de uma atividade que os professores do setor, a coordenação e a direção julgam ser importante para o desenvolvimento das crianças. Isso aconteceu com a implantação da Capoeira, da Oficina Lúdico-motora e Esportiva, do Tênis, da Oficina de Esportes, da Escalada e de todos os treinamentos das diferentes modalidades: Basquetebol, Futsal, Handebol e Voleibol.

A segunda surge de uma demanda apresentada pelas famílias. Nesse caso, alguns pais nos procuram ou nos mandam sugestões e, a partir daí, verificamos como viabilizar sua implantação. Foi o caso da Escolinha de Futsal, que foi criada a partir de várias solicitações de pais.

E, no meio dessas duas, houve a criação de uma que envolveu sugestões de alunos, professores e pais: o Acampamento Esportivo de Férias.

Para alguns alunos, a ideia de continuar a praticar sua modalidade favorita em meio ao período de férias seria muito legal.

Já para os pais que não conseguem conciliar as férias do trabalho com as férias escolares dos filhos, o acampamento tem a capacidade de aliar recreação e aprendizagem, pois os filhos podem participar de diferentes atividades, estar em um local que oferece conforto, segurança e o acompanhamento de professores da Vila.

E, por último, os professores viram nessa atividade uma ótima alternativa de conhecer os alunos em um ambiente mais informal e dar continuidade a ações de práticas corporais e esportivas.

Um acampamento de férias pode contribuir com o desenvolvimento integral dos participantes, porque, por meio de propostas esportivas, recreativas, culturais, de jogos e brincadeiras, surge “um convite à aventura” de conhecer pessoas, conviver, integrar, ter papel dentro de um grupo social, ter liberdade e autonomia com um toque especial para a segurança e em contato com a natureza.

Por tudo isso, acredito muito na força que o acampamento tem para o desenvolvimento dos alunos.

Ao viajarem sem os pais, as crianças e os jovens aprendem a cumprir obrigações consigo, com os colegas de quarto, com os monitores e com as regras do acampamento.

“Viajar sozinhos” oferece às crianças e aos jovens poderem vivenciar e resolver situações-problemas, fazer escolhas longe da supervisão dos pais e cuidar e se responsabilizar pelos seus pertences. Isso desenvolve a autonomia, pois surge a necessidade de tomar decisões, acatar novas regras e combinados e gerenciar novas responsabilidades.

Para os pais pode ser também um aprendizado, pois terão que conviver com a separação momentânea, com a ideia de que o filho não precisa mais dele (o que nunca vai acontecer) e perceber um comportamento mais independente por parte da criança.

O Setor de Esportes realizará em julho a nona edição do acampamento.

Que bom que conseguimos, ao longo de tantos anos, dar continuidade às ideias dos que auxiliaram em sua construção.

Um abraço, e para os que vão embarcar conosco, até julho!