Inglês na Educação Infantil: uma experiência em que se aprende brincando, cantando, jogando e conversando

Por Meire Goto e Sofia Rousseaux, professoras de Inglês da Educação Infantil

Apresentar uma língua estrangeira para os pequenos estudantes da Educação Infantil pode parecer, à primeira vista, um desafio difícil de mensurar. Muitas dúvidas dos pais em relação à aprendizagem efetiva do inglês confirmam essa questão: eles anseiam por ouvir as crianças falando e compartilhando o que aprenderam nas aulas. Mas, muitas vezes, as crianças limitam-se a contar: “hoje fizemos uma brincadeira”, pois detalhar o que aprenderam não é tarefa fácil, especialmente quando esse aprendizado está em processo inicial. Mas, afinal, o que é que as crianças da Educação Infantil fazem nas aulas de inglês? Como aprendem?

Por se tratar de crianças de três a seis anos, o foco nesse momento está principalmente na proposição de atividades, brincadeiras e histórias que contemplem elementos que acreditamos serem fundamentais para entrar em contato com uma língua que, a princípio, não faz parte do cotidiano da criança fora do espaço escolar. Embora muitos pequenos e pequenas estejam expostos à língua inglesa de maneira indireta, seja por meio de filmes, músicas e até mesmo possuam familiares estrangeiros, a proposta do inglês na Escola da Vila traz um aprendizado que não poderia ser concretizado senão por meio da vivência da criança em um grupo. As rodas, por exemplo, permitem à criança entrar em contato não apenas com uma língua diferente da nossa, mas também aprendê-la por meio de diversas atividades grupais.

Para cada roda, propomos um pequeno ritual: começamos com uma música de boas vindas, como Hello, Hello, e apresentamos e explicamos, em inglês, uma atividade que consiga aproximá-las do universo da língua e da cultura inglesas. Para isso, as brincadeiras e histórias precisam estar permeadas de elementos lúdicos, visuais e sonoros, despertando a curiosidade e a atenção das crianças. Um olhar, alguns panos, brinquedos e músicas convidam-na a adentrar no universo da fantasia, da brincadeira, do faz de conta. “Eu entendi o que você falou! Você disse para abrirmos a caixa! Open, please!”

Ao entrar em contato com brincadeiras e Nursery Rhymes de significado próximo às cantigas que elas já possuem em seu repertório, é possível estabelecer uma relação, e, aos poucos, as crianças percebem que aprender uma nova língua não é tão difícil assim. Deparamo-nos com aqueles momentos em que a criança faz uma associação por conta própria: “Eu conheço essa brincadeira do Duck, duck, goose! Ela parece o Pato, pato, ganso, porque, olha… Pato é duck. E goose é ganso!”. Além de preciosidades que escutamos, como “I see vocêêê eee”, ao acharem um amigo que se escondia, numa outra brincadeira.

Parece-nos importante, também, reiterar o corpo como uma magnífica ferramenta de aprendizado. É impossível dissociar cabeça e corpo na hora de aprender. Infelizmente, nós adultos acabamos esquecendo esse detalhe. Para os pequenos e pequenas da Educação Infantil, a hora de se movimentar, dançar, cantar e fazer rodas de Nursery Rhymes é momento de internalizar e assimilar a língua como um todo. De experienciar a língua, e, enfim, de viver o inglês.

A força da formação em inglês

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Alunos do 1º ano do Ensino Médio lendo Catcher in the Rye

Por Sandra Baumel Durazzo

A visão clássica dos cursos de inglês, e, portanto, a forma como se costuma medir o conhecimento desse idioma, passa pela nomeação de uma série de regras gramaticais. Assim, considera-se que sabe inglês aquele que enumera a quantidade de unidades da gramática sobre as quais já fez listas de exercícios.

Fazer um recorte curricular para esta área requer estabelecer opções de referenciais teóricos e modelos de proficiência alinhados aos objetivos formativos da escola como um todo. Os nossos alunos são preparados para compreender e intervir na sociedade de maneira responsável, justa e solidária. E aprender línguas estrangeiras é uma potente maneira de promover a compreensão da diversidade existente dentro e fora das comunidades. Paralelamente, é necessária uma reflexão sobre o papel da língua inglesa no mundo atual. Por ser hoje o idioma oficial das interações internacionais de qualquer natureza, a fluência em inglês permite aos jovens interagir com membros dessas comunidades internacionais, receber informações e produções culturais, e expor suas ideias fazendo-se compreender.

A meta, então, é formar usuários competentes. Mas o que significa competência linguística? Quais os critérios para definir os parâmetros de excelência?

Na definição de competência linguística, as teorias sobre linguagens tendiam a centrar-se em habilidades linguísticas e componentes. As habilidades englobam escuta, fala, leitura e escrita, e os componentes de conhecimento englobam gramática, vocabulário, fonética e ortografia. Esses modelos não indicavam como as habilidades e o conhecimento se integravam. Eles não consideravam a competência do “outro” em uma conversação. Em uma situação de comunicação real, há negociação de significado entre duas ou mais pessoas. Envolve antecipação de como o ouvinte responderá à sua fala, entendimento e mal-entendidos, algumas vezes, adequação da própria linguagem para garantir a compreensão, e relações de diferentes ou similares graus de poder e status. A consequência direta dessa abordagem ampla de competência é a inclusão de aspectos culturais no currículo, como estudo de autores e obras literárias representativas da língua inglesa oriundas de diversos países do mundo; o aprofundamento de temas curriculares de outras áreas do conhecimento por meio de estudo usando fontes originais em inglês; o contato com falantes proficientes por meio de convidados e intercâmbios virtuais; e os projetos comunicativos e de investigação que colocam os alunos em contato com produções de diferentes áreas, disponíveis em inglês.

Os parâmetros para avaliação da excelência dos nossos alunos baseiam-se em referenciais internacionais usados também pelos testes internacionais conhecidos como Toefl, Ielts e Cambridge. Esses descritores confirmam a opção curricular adotada no sentido de desenvolver capacidades de comunicação, focar em práticas de linguagem usando o idioma estrangeiro e colocar o aluno ativo como centro dos cursos. Por exemplo, considere-se o descritor de proficiência escrita do Marco Comum Europeu para Ensino de Inglês: “Espera-se que o aluno seja capaz de escrever textos claros, detalhados, sobre uma variedade de assuntos relacionados com temas conhecidos, sintetizando e valorando argumentos e informações provenientes de um extenso número de fontes.”. Analisando essa descrição, percebe-se que a meta de escrita é fazer com que os aprendizes saibam reconhecer ideias apresentadas por outros falantes, selecionar intencionalmente informações, posicionar-se frente a pontos de vista, etc., e articular tudo isso em um texto escrito de autoria. Isso pode parecer estranho àqueles que seguem a visão simplista de que escrever bem significa apenas usar corretamente determinadas regras gramaticais, ou seja, apenas um dos múltiplos aspectos da competência linguística. Esse exemplo mostra que um currículo eficaz necessita apresentar aos alunos desafios que os coloquem nessa posição crítica, ativa, quando estão diante de uma proposta de escrita em inglês. A mesma abordagem é válida para as outras habilidades discursivas e usada nas escolhas curriculares.

Os alunos da Escola da Vila recebem com tranquilidade propostas complexas como ler clássicos da literatura inglesa; discutir temas como a definição de fome e nutrição; assistir a uma TED talk de 25 minutos tomando notas para depois escrever um resumo; realizar seminários explorando a linguagem do cinema; compreender as particularidades da sonoridade da língua explorando o dicionário ou fazendo comparações; enfim, uma lista interminável de situações nas quais se percebe o protagonismo dos alunos no controle do uso do idioma.

A força da formação em inglês na Escola da Vila está refletida na apropriação do conhecimento pelos alunos. E, claro, no orgulho da equipe ao conviver com eles nas aulas e saber de suas conquistas pelo mundo após sairem da escola.

As Tic e o curso de língua inglesa: uma parceria potente e construtora

Por Diana Pessoa e Maria India Bonduki

O uso da tecnologia é latente para todos na nossa sociedade, inundada pela presença de computadores, notebooks, tablets, smartphones e etc. Mas e a sala de aula? Como fica nesse cenário? Como a escola pode se utilizar dessas ferramentas para potencializar as aprendizagens?

Essas e outras perguntas têm fomentado importantes discussões na nossa comunidade escolar. Discutem-se meios que possibilitem que as TIC (Tecnologias da informação e comunicação) deem suporte ao compartilhamento de ideias e atividades, auxiliando, então, na construção de conhecimento de forma mais colaborativa. Buscam-se maneiras que permitam um maior protagonismo dos alunos.

Inserido nesse contexto institucional, o curso de inglês do Fundamental 1 tem buscado cada vez mais ampliar o uso dessas tecnologias dentro e fora da sala de aula. O maior desafio é utilizar estas plataformas de modo a maximizar a experiência com a língua e buscar formas de contato que não sejam meros substitutos das “mídias tradicionais” (caderno, lousa, livro, etc.). Porém, ao mesmo tempo em que a tarefa parece desafiadora, ela se mostra muito potente para a criação de situações de comunicação real em língua inglesa.

Passaremos, agora, a descrever alguns projetos que, utilizando plataformas e ambientes virtuais, potencializam e potencializaram a comunicação e as aprendizagens em língua inglesa no Fundamental 1.

Nos 4º anos, ao longo do 2º trimestre, os alunos usaram a plataforma virtual Google Sites para escrever e compartilhar seus Self-portraits: um texto no qual eles tinham a tarefa de se descreverem, contando um pouco mais sobre sua família, suas preferências e seus gostos. Esse texto foi compartilhado com os colegas de outras turmas, que puderam ler e comentar. Ao interagir com colegas de outras turmas, as crianças tiveram a oportunidade de viver uma situação comunicativa mais próxima do real, já que tiveram que buscar a melhor maneira de se fazer entender e puderam trocar informações, fazer comentários, tudo isso utilizando a língua inglesa. Ademais, percebemos um grande envolvimento de crianças que se expõem menos na sala de aula e principalmente em discussões coletivas. Sentindo-se mais à vontade, puderam expor suas ideias e fazer seus comentários.

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Alunos concentrados, escrevendo seus Self-portraits.

No terceiro trimestre, no Projeto British Rock, os alunos dos 4ºs anos se deparam com lições de casa no ambiente virtual de aprendizado (AVA) da escola. Muitas dessas atividades exigem que assistam a videoclipes selecionados pela equipe e deixem comentários baseados em modelos, também disponíveis nesse ambiente. Além de conhecerem importantes artistas, momentos e fatos culturais, as crianças podem trocar ideias, comentar, sugerir outros sites e músicas, expor suas opiniões, de modo que não só se transpassam os muros da escola, já que essa tarefa é feita em casa, mas também se rompem as barreiras entre as turmas, considerando que todos os alunos de todos os 4ºs anos dialogam e compartilham de um mesmo espaço e canal de comunicação.

Outro momento importante do projeto British Rock e garantido pelo uso da tecnologia é a utilização de tablets em sala para fazer pesquisas sobre importantes ícones do Rock, como Elvis Presley e The Beatles. Nessas atividades, as crianças têm acesso a websites oficiais desses artistas e podem ler textos originais (sem a interferência de adaptações), ouvir músicas, ver vídeos e ainda observar fotos interessantes, possibilitando qualidade e autonomia no ato da pesquisa.

Os tablets e os ambientes virtuais ainda foram usados para auxiliar o desenvolvimento da compreensão e produção oral. Uma das atividades mais desafiadoras, assim como divertida, aconteceu em meados do 3º trimestre, quando as crianças foram estimuladas a escutar músicas da época (Rock ‘n’ Roll britânico dos anos 1960) e tentar transcrevê-las. As canções foram disponibilizadas no AVA. Assim, as crianças poderiam escutá-las e se desafiar novamente quantas vezes quisessem, de forma bastante autônoma, em casa.

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Crianças ouvem e transcrevem músicas, numa situação de muita concentração e trabalho colaborativo.

O 5º ano teve uma oportunidade bastante rica de interação. No 2º trimestre, eles criaram páginas com folhetos virtuais de locais de importância turística do Brasil, após uma rica pesquisa. Estas páginas serão compartilhadas com alunos de uma escola parceira no Canadá. Por isso, ao elaborar o site, os alunos tiveram que se preocupar com a qualidade das informações, com os objetivos de um texto informativo e de um site destinado a turistas, com as características dos seus destinatários, com a organização das informações e com o uso de estruturas e vocabulário pertinentes a esse tipo de texto.

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5º ano elaborando o site, com muito cuidado com os detalhes.

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Tela de apresentação do site elaborado pelo 5º ano.

Observamos que a existência de um destinatário real despertou uma motivação genuína, tanto nos alunos dos 4ºs anos como nos alunos dos 5ºs anos. E sabemos que esse é o ingrediente fundamental para o processo de construção de conhecimento.

Desse modo, vemos que o uso desses recursos tecnológicos auxiliou no engajamento dos alunos tanto no momento de trabalho com tecnologia quanto em outros momentos, como discussões coletivas, jogos, pesquisas e entrevistas em sala de aula, proporcionando autonomia e um maior protagonismo na construção do conhecimento.

A formação do leitor literário also in English!

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Por Maria Paula Barros

Um idioma, além de ser o grande reflexo de uma cultura, é, principalmente, um meio de acesso às manifestações culturais que constituem um povo. Assim, um dos objetivos do ensino de idiomas em nossa escola é o de proporcionar situações de aprendizagem que promovam conhecer muito além de suas estruturas gramaticais e palavras desgarradas, pois mergulhamos nas práticas reais de seus usuários.

Com esse forte propósito, intensificamos o trabalho de formação do leitor de literatura em língua inglesa nas salas de Fundamental 1.

“Falar sobre literatura abre caminhos de investigação intelectual que levam à exploração de importantes questões e percepções sobre valores humanos, motivações, comportamentos e interações, sobre responsabilidade pessoal e consequências de nossas ações. Falar sobre literatura leva a entendimentos profundos sobre um texto em particular, sobre literatura em geral e sobre a vida”.

Joy F. Moss

Nessa perspectiva, observamos que a interação entre literatura e língua estrangeira constitui-se como potente estratégia para estimular as descobertas das crianças, não só em relação aos usos da língua, como também para a construção de ideias e novos conhecimentos.

Selecionamos obras singulares dos mais variados autores, que permitem aos nossos alunos explorarem este rico mundo de linguagem e experiências humanas.

Alguns exemplos:

O envolvimento dos alunos com as diversas obras de Dr. Seuss possibilitou que se familiarizassem progressivamente com sons, estruturas e articulações específicas da língua, além de construírem confiança e fluidez na produção oral. Conheceram clássicos desse autor e tiveram a oportunidade de discutir temáticas mais amplas retratadas nas obras, como o consumismo, em How The Grinch Stole Christmas, e a preservação ambiental, em The Lorax.

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3ºs anos
Após a leitura de Love Monster, de Rachel Bright, nossas conversas sobre a apreciação e compreensão da obra foram tão interessantes, que decidimos trocar experiências literárias com a autora. E, para nossa surpresa, Rachel Bright prontamente se disponibilizou a contribuir, fornecendo curiosidades sobre sua vida, obra e projetos futuros. Para que essa troca comunicativa acontecesse, os alunos utilizaram seus conhecimentos do idioma para se expressar e se empenharam para ser compreendidos. Assim, trabalhamos o uso de certas expressões gramaticais pela necessidade real de trocar informações com um falante nativo da língua inglesa.

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Nessa perspectiva, as obras de Oliver Jeffers, carregadas de elementos que conduzem à introspecção e autodescoberta, possibilitaram discussões interessantíssimas em nossos 5ºs anos – e o melhor, em inglês! O trecho a seguir representa parte do diálogo iniciado após a leitura do livro The Heart and the Bottle, história de uma menina que, para se proteger, decide guardar seu coração em um lugar seguro, uma garrafa.

Student 1: I think the bottle is something that protects the heart.

Teacher: It protects the heart… from what?

Student 1: Because… now… she is alone now. The bottle protects her curiosity.

Student 2: The bottle was the emptiness of her heart.

Teacher: You guys, do you know what emptiness means?

Student 3: É tipo… empty. É quando está vazio, não tem nada.

Teacher: So why does she feel this emptiness?

Student 2: Because her father disappeared.

Teacher:  What do you guys think happened to her father?

Students: He died!

Student 2: So she felt sad and tried to fill this emptiness with memories, curiosity and emotions.

A conversa continuou com outros alunos compartilhando impressões e confidenciando que já vivenciaram momentos em que se sentiram sozinhos e com um vazio, como o descrito no diálogo.

Percebemos o quanto os títulos escolhidos favoreceram o estreitamento do vínculo com a língua inglesa e a ampliação do repertório lexical do idioma. Mas, além disso, o trabalho com esses livros justifica-se principalmente pela oportunidade que os alunos têm de continuar desenvolvendo a sua capacidade de percepção das coisas do mundo, vivendo experiências literárias marcantes, enquanto se constituem usuários do inglês como língua estrangeira.

Deixamos, para quem se interessar, o link com a narração original de The Heart and the Bottle, de Oliver Jeffers. Enjoy it!

One, two, three, gravando!!!

Por Vicente Régis – Coordenação do Setor Cultural

Dando continuidade ao processo de buscar relações entre a música e outras áreas do conhecimento em projetos curriculares, inauguramos este ano um projeto de gravação das canções das aulas de inglês dos primeiros anos do Fundamental 1.

As canções foram todas ensinadas nas aulas de inglês durante o ano, pelas “teachers” Juliana Machado Lima, Gabriela Galindo e Larissa Nunes, que aproveitaram a situação para caprichar ainda mais na pronúncia das palavras e na melodia das canções. 1ºA e 1ºB gravaram Hello Goodbye, Rainbow Song e Goldilocks. Os alunos do 1ºC gravaram Love Me Do, 1,2,3,4,5 Once I Caught a Fish Alive e  If You Are Song. 1ºD e 1ºE gravaram Skidamarink, Ba Ba Black Sheep e You Are My Sunshine.

Um projeto como este é uma oportunidade para aprender a cantar um pouco melhor, aprender um pouco mais sobre a língua inglesa e ainda produzir um registro que pode ser guardado para sempre. Espero que apreciem este material e possam ouvir com as crianças muitas vezes. Um forte abraço.

Clique no nome da música para ouvi-la e na seta ao lado do nome para fazer o download do arquivo

Temas transversais da formação escolar, em inglês!

Por Sandra Baumel Durazzo – coordenação de línguas estrangeiras, F2 e EM

Meio ambiente, reciclagem, direitos humanos, direitos da criança e do adolescente, inclusão, distribuição social de recursos naturais ao redor do mundo, contrastes culturais… O que todos esses temas têm em comum? Eles fazem parte de uma série de aulas ministradas aos alunos da Escola da Vila durante todo o ensino fundamental. Até aí, nada de novo. São temas atuais, parte importante da formação de cidadãos críticos, pensantes, que possuem informações para se posicionar frente a questões relevantes do mundo globalizado de hoje.

A grande sacada é que essas aulas são ministradas em inglês! Fazem parte de um projeto que visa ampliar a proficiência no idioma estrangeiro, além de abordar questões como as listadas acima. A informação é fornecida por convidados, que vêm fazer palestras ou ser entrevistados pelos alunos, artigos de jornais eletrônicos publicados ao redor do mundo ou sites de organizações internacionais, como a ONU. Já foram recebidos diretores de ONGs como a Casa Filadélfia, especialistas em áreas específicas como inclusão de deficientes, além de uma palestra, que foi ministrada por representantes da secretaria de educação de Londres à direção da Escola da Vila, quando eles nos visitaram, em 2008, e que reproduzimos para os alunos desde então.

Os professores de inglês são os maestros desse estudo, que promove situações de leitura, escrita, audição e fala, criando, assim, uma vivência nova para os alunos. A maior frequência dos encontros, recomendação dos especialistas em aprendizado de línguas estrangeiras, é outro dos benefícios trazidos por este curso.

Com certeza é uma iniciativa inovadora, que tem dado bons resultados. A premissa por trás do sucesso é de que inglês, assim como qualquer idioma, se aprende com a experiência. Quanto mais rica essa experiência, tanto do ponto de vista da forma quanto do conteúdo (tema), melhor!

Tradutores eletrônicos: inimigos ou aliados? Como e quando fazer uso deles?

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Sandra Tatiana Baumel Durazzo – coordenação de línguas estrangeiras

Os tradutores eletrônicos, Google e outras ferramentas, soam para muitos como a solução para comunicar-se em qualquer idioma. Se os computadores podem converter qualquer texto imediatamente, para quê estudar tanto????

Os cursos de línguas estrangeiras da Escola da Vila, tanto em inglês quanto espanhol, trabalham exatamente na direção oposta a essa visão. Os alunos são levados a perceber o idioma estrangeiro como forma de expressão de cultura, que abrange também uma visão de mundo. Nessa perspectiva, percebem que a língua expressa mais do que simples palavras, que ela é viva e se modifica de acordo com as mudanças da sociedade, com o propósito da comunicação, com a relação entre os interlocutores.

Recentemente, os alunos do 9º ano discutiram essa questão nas aulas de inglês. Uma das explicações de como funcionam os tradutores, extraída de um artigo publicado em revista semanal de grande circulação, diz: “… os computadores do Google trabalham com pares de textos em línguas diferentes e calculam a probabilidade de palavras de uma delas corresponderem a termos da outra…“   Uma primeira discussão girou em torno dessa afirmação. O que significa probabilidade? Peguemos o exemplo da palavra manga – qual é a mais “provável” de aparecer em textos? A fruta ou a parte da vestimenta? Pode-se compreender um texto substituindo uma pela outra?

Após esse disparador, foi proposta a análise de uma tradução do livro Catcher in the Rye, que eles lerão em versão original no 1º ano do ensino médio. O narrador desse livro é um adolescente que usa muitas gírias e expressões coloquiais. A discussão começou propondo a leitura de um trecho da versão traduzida por Álvaro Alencar, Antonio Rocha e Jório Dauster. Os tradutores usam expressões como lenga-lenga. O que é isso? O que significa “lenga”? Qual é o correspondente em inglês para essa expressão em português? Deparar-se com essas perguntas foi rico para que os alunos percebessem como as expressões são temporais, requerem um conhecimento profundo do que se quer dizer, nesse caso, expressar o estado de ânimo do protagonista.

Em seguida, os alunos fizeram o processo inverso. Tomando outro trecho do mesmo livro, na versão original em inglês: “… before I got pretty run-down…” O que significa “run-down”? Qual é o sentido do adjetivo “pretty” nessa frase? Qual é o significado mais frequente do adjetivo “pretty” (que provavelmente seria a escolha dos tradutores eletrônicos)?

Finalmente todos testaram os tradutores, colocando um texto escrito por eles no tradutor, e depois, traduzindo novamente para a língua original. Esse processo demonstrou claramente a impossibilidade de um programa de computador acessar todas as informações necessárias para uma boa tradução: quem fala, para quem, para quê, quando, onde, etc.

É claro que os tradutores têm seu valor. Para listas, palavras específicas, até mesmo textos curtos e precisos como manuais de instrução técnica, os tradutores ajudam e muito! As versões mais recentes estão cada vez melhores e podem oferecer resultados satisfatórios até para os leitores mais exigentes. Como todos os avanços tecnológicos, sabendo usar, serão bons aliados. Mas por trás de toda máquina, é preciso ter um ser humano pensante!

A leitura no curso de inglês do 5º ano.

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Por Vera Lemos – Coordenadora de inglês – Fundamental 1

Sabemos quão prazerosa pode ser a leitura de um bom livro, sabemos também que as crianças adoram ouvir histórias, por isso desde pequenos esses momentos são privilegiados na escola também nas aulas de inglês.

Nos primeiros anos do Fundamental 1, as crianças ouvem histórias do seu próprio repertório, dessa vez em inglês, tendo assim a oportunidade de entrar em um novo universo a partir de um contexto já conhecido por eles. Gradativamente trazemos histórias que despertam o interesse e a curiosidade dos alunos e que também venham ao encontro do interesse da faixa etária.

Esse ano, nos 5ºs anos, devido ao sucesso das rodas de leitura, optamos por trabalhar com dois livros: Lisa in New York e A Helping Hand. O primeiro está relacionado à temática do projeto trabalhado no 2º trimestre, informações turísticas. Essa leitura complementará e possibilitará o contato em outro contexto com o tema do projeto leaflets.  Durante as aulas do projeto, os alunos exploram folhetos turísticos originais em língua inglesa para ampliar as competências de leitura e o seu conhecimento acerca de outros países. Já o livro, conta a história de uma menina que ganha uma viagem para Nova York e narra suas experiências vividas em outro país. O outro título trata da história de dois amigos que saem para um passeio de bicicleta, fatos inesperados acontecem e eles devem se ajudar.

O objetivo das propostas com os paradidáticos é que os alunos desenvolvam a competência leitora e ampliem seus conhecimentos acerca da escrita.  Queremos que os alunos sintam-se estimulados a ler livros em inglês, percebendo que já possuem recursos para tal, ainda que não dominem todas as palavras.  Essas leituras acontecem no início do 2º trimestre, nas rodas de leitura (reading time).

É muito importante que as famílias os estimulem, valorizem a leitura e incentivem seus filhos a realizar essa prática, inclusive com outros títulos, compartilhando e ampliando esses momentos em casa.

Acampamento em inglês.

Por Vera Lemos – Coordenadora de inglês do fundamental 1

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Os acampamentos em inglês proporcionam às crianças momentos de interação, descontração e novas descobertas com o idioma.

É fascinante para eles descobrir que podem se comunicar em ambientes e em situações diferentes das propostas em sala. Eles têm a oportunidade de experimentar novas vivências, conhecer novas brincadeiras, novos professores e monitores que falam inglês como nós, com pronúncias e sotaques diferentes. Mas todos se comunicam e os alunos compreendem que estudar um idioma é entender e se fazer entender onde quer que estejamos.

Esses momentos colocam nossos alunos em uma situação real de comunicação. Apesar de vivenciarem situações inéditas e diferentes do contexto de sala de aula, isso não os deixa inibidos ou inseguros. Muito pelo contrário, sentem-se tão estimulados, tão envolvidos, que passam a falar inglês entre eles. Percebem, então, que a comunicação é sempre possível e que, para isso, não é necessário entender todas as palavras, mas o importante é participar integralmente de todas as atividades e integrar-se com os colegas e com os professores de inglês que estão lá como companheiros, favorecendo também um novo olhar e um vínculo diferente entre eles.

Além disso, percebem na prática que os temas dos projetos intensamente trabalhados em sala de aula estão presentes a todo o momento e isso nos mostra que estamos atingindo os objetivos que esperávamos: o uso do idioma em situações reais de comunicação, pois sabemos que o inglês que deve ser aprendido em escolas hoje em dia não é mais de fachada. Não basta decorar algumas expressões e regras gramaticais. Sabemos que, no mundo de hoje, é necessário se apresentar e defender ideias com fluência e correção, negociar, dialogar, convencer, falar, ouvir e escrever. Enfim, o queremos é que nossos alunos se tornem usuários competentes da língua estrangeira, e durante o acampamento essas vivências são favorecidas, pois desde a hora que se levantam até a hora de se deitarem as atividades permitem uma interlocução constante com todos, favorecendo, assim, o uso e a prática do idioma.

Inglês: quanto mais cedo melhor.


By Teachers Juliana Machado e Gabriela Galindo

Muitos pais chegam a nós com perguntas a respeito da real necessidade/relevância do ensino do inglês tão cedo. Quando se pensa em crianças de 6 e 7  anos, uma das coisas que vem a mente é a maturidade cognitiva dos alunos e se as aulas de inglês não prejudicariam o processo de aprendizagem da língua portuguesa.

Sabemos que conhecimentos prévios são muito importantes para a construção de um novo conhecimento. Sendo assim, o fato de já estarem familiarizados com o código por meio do qual uma língua é expressa (nesse caso, a língua portuguesa), serve como base para levantamento de hipóteses para a aproximação à língua estrangeira.

Outro fator relevante é saber que a aquisição da pronúncia acontece de forma mais eficaz com as crianças menores, pois recentemente passaram por esse processo com a língua materna. Seus ouvidos ainda estão “abertos” para a sonoridade da linguagem, conseguindo diferenciar particularidades dos idiomas. É por isso que o foco do processo está na ampliação das competências orais (produção e compreensão).

É sempre importante lembrar que quanto maior for o tempo de exposição à língua, maior será a fluência desse aprendiz no segundo idioma.

So, let’s speak English guys!