Sustentabilidade, um valor inegociável

Escola da VilaEscola da Vila

Sem canudinhos, com segunda-feira sem carne e andando de bicicleta, salvaremos o planeta?

Por Susane Lancman, coordenação do Ensino Médio

Quando era pequena não me lembro de qualquer preocupação planetária, no máximo perdi algumas noites pensando se o Alien, o oitavo passageiro, poderia de fato existir, por outro lado tinha o E.T. que amenizava a insônia… Um passado não tão distante e bem mais leve, quando comparado ao presente em que crianças e jovens percebem que o planeta corre perigo real.

A finitude dos recursos naturais, a poluição do ar, o aumento da temperatura, os desastres naturais… enfim, é premente que algo seja feito. Problemas enormes, desafios gigantescos e soluções que podem parecer ridículas: abolir canudinhos, segunda-feira sem carne, andar de bicicleta. Afinal sabemos que os vilões estão longe de ser o canudinho, a produção do metano pelas vacas e o gás carbônico de carros. Assim, reduzir a complexidade para ações corriqueiras pode parecer patético.

No dia 15 de fevereiro, o professor Edson Grandisoli fez a palestra de abertura do ano do Ensino Médio sobre sustentabilidade, assunto difícil por várias razões: escutamos e vemos em demasia as mazelas no planeta e nos sentimos impotentes diante de tamanha problemática. O professor apresentou formas de reduzir o problema com ações simples e inúmeros exemplos de chamar a atenção para o assunto, contudo gerou um incômodo em muitos de nossos alunos. Explico: seria de se supor que jovens se sentissem aliviados ao perceberem que podem impactar positivamente o planeta, contudo nossos alunos sabem que essas ações simples não modificam a forma de funcionamento em nossa economia, que exige aumentar cada vez mais o consumo, então as ações para “cuidar do planeta” parecem simples alegorias.

Sem dúvida há uma incompatibilidade entre o nosso sistema econômico, que exige um alto nível de produção e consumo, e a preservação ambiental, mas será que é possível ter uma política de consumo sustentável? Será que é possível lidar com os limites ecológicos, uma economia capitalista e promover a justiça social?

No início da palestra, o professor pediu que disséssemos a palavra que nos vem à mente quando pensamos em sustentabilidade, e a palavra mais dita foi MEIO AMBIENTE. No final da palestra, fez a mesma questão e o resultado foi a palavra VALOR. Creio que era esse o grande objetivo do encontro, nossos alunos pensarem na sustentabilidade como um valor inegociável, portanto se impactarem para pensar em formas de agir mais sustentáveis. Isso significa que é preciso ter ações relacionadas ao macrossistema em que sejam modificadas tanto a estrutura de produção de forma que as necessidades das pessoas sejam supridas usando o mínimo de recursos, quanto em nossa esfera pessoal e comunitária com ações aparentemente “alegóricas”.

A temática permeará o ano letivo da Escola da Vila com várias ações voltadas a pensarmos de forma mais sustentável, agirmos de forma mais sustentável e sermos mais sustentáveis.

#SustentaVila