“Qual é a lógica por trás de…?” – Revelações sobre o trabalho com meios digitais

Por Cristina Maher, professora de Filosofia do Ensino Médio
Luiza Moraes, professora de LPL do F2
Ricardo Buzzo, professor de Ciências Humanas do F2

Já há algum tempo, a equipe de professores da Escola da Vila vem se debruçando sobre o desafio de pensar o lugar e os sentidos do trabalho com meios digitais na escola. Quando viajamos para a Argentina para integrar a Jornada Implementación de Los Medios Digitales en Educación Básica, levávamos na bagagem algumas certezas, entre elas a de que o trabalho com meios digitais não deve ser tomado como um fim em si mesmo. Muitos foram os momentos, ao longo daquela intensa semana de estudos, em que fomos levados a questionar algumas de nossas convicções. Esse questionamento não resultou na desqualificação de nosso ponto de partida, mas certamente nos obrigou a voltar a examiná-lo.

Se continuamos partindo do pressuposto de que os meios digitais são ferramentas para a aprendizagem de outros conteúdos, agora também temos clareza de que eles são conteúdo em si, na medida em que trabalhamos com a formação de práticas de linguagem atrelada à formação cidadã. O que está em jogo é a formação de sujeitos capazes de exercer práticas sociais de interpretação e de produção que passam pelos meios digitais. Não se trataria, dessa forma, nem de conhecer os meios digitais simplesmente porque eles potencializam a aprendizagem de outros conteúdos e muito menos de ensiná-los apenas como técnicas que precisam ser dominadas. Ao contrário, ensinam-se meios porque eles contribuem para a aprendizagem de outros conteúdos e também porque isso é essencial para formarmos leitores, escritores, falantes e ouvintes em nosso espaço e tempo. Ou seja, se queremos alfabetizar nossos alunos para que leiam criticamente os discursos que circulam em nossa sociedade, não há outra maneira que não incluir em nossos currículos os meios digitais.

Além de nos ajudar a repensar os objetivos do trabalho, a jornada de estudos organizada por Flora Perelman e Vanina Esteves nos levou a descobrir novas respostas para uma pergunta que nos acompanhava desde o Brasil: de que maneira os meios digitais podem tornar mais significativo aquilo que queremos que os alunos aprendam? Entre as descobertas da viagem pedagógica, encontra-se uma constatação que surpreende justamente por sua aparente simplicidade: os meios digitais podem ajudar a tornar visíveis “processos” que eram invisíveis aos olhos dos estudantes. A potencialidade dessa constatação encontra-se em alguns dos marcos epistemológicos que sustentam o trabalho investigativo comandado por Perelman e Esteves.

Se o trabalho com meios digitais tem como sentido a formação de leitores, escritores, falantes e ouvintes em nosso espaço e tempo, ele parte do princípio de que as crianças e os adolescentes são sujeitos sociais que significam o mundo, transformando-o desde suas possibilidades interpretativas e de suas práticas sociais. Ao tirar os estudantes do papel de consumidores passivos dos meios digitais e ao colocá-los no papel de produtores, a escola os ajuda a entender as lógicas envolvidas nos processos de produção desses meios, levando-os a se tornar, por fim, usuários mais críticos. Nessa perspectiva, os meios digitais são tomados como objetos que correspondem a sistemas culturais, históricos, econômicos situados, que não apenas representam o mundo, mas que podem também transformá-lo.

Foi a partir desses marcos epistemológicos que constatamos nossa “simples” descoberta: tornar visíveis processos antes invisíveis parece ser o ponto de partida para a elaboração de propostas de ensino/aprendizagem com meios digitais. Flora Perelman, Vanina Esteves e outros professores e pesquisadores convidados nos apresentaram algumas sequências didáticas que explicitam esse princípio.

O desenho de uma sequência sobre notícias, por exemplo, parte das representações infantis sobre a produção jornalística e torna visível a elaboração desses textos como construção (e a partir daí é possível assisti-las não mais como representação fiel da realidade).

Como são produzidas as notícias_

Em um trabalho com o corretor ortográfico de editores de texto, propõe-se um uso analítico e reflexivo da ferramenta que permite ao aluno, além de colocar em jogo os seus conhecimentos sobre ortografia, perceber a língua como construção política. Ao apresentar aos estudantes mapas interativos, problematiza-se o processo colaborativo de produção de um mapa, ajudando-os a perceber a diversidade de forças e de interesses que formam o espaço e as representações sobre ele.

Open Street Maps

A produção de crônicas fotográficas coloca o aluno diante do desafio de construção de uma narrativa visual e, a partir do olhar sensível, interpretativo e reflexivo, ajuda-o a perceber o “acontecimento” como uma construção. A experiência de jogar determinado videogame foi transformada em situação didática, na medida em que o professor propõe orientações precisas e perguntas certeiras com a finalidade de levar o aluno a pensar em problemas sociais a partir de uma lógica de multicausalidade e de interesses de diferentes atores.

viedogame

Enfim, processos antes invisíveis para os alunos podem se tornar visíveis com a desconstrução, análise e, por vezes, produção dos meios digitais. A questão “qual é a lógica por trás da produção de notícias, do corretor ortográfico, dos mapas interativos, etc.?” acompanha todas as elaborações das sequências mencionadas. Essa trajetória resulta, intenta-se, na formação de usuários mais críticos dos meios digitais, de sujeitos que dominam as práticas sociais de leitura, escrita, oralidade, próprias de nosso tempo. Dessa forma, não temos mais meros receptores de notícias, ou não se vê mais a fotografia como janela da realidade, mas domina-se a lógica de construção dos discursos que circulam ao nosso redor. Não somos dominados pelas mídias digitais, mas as dominamos.

Assim, ao defender a implementação dos meios digitais na escola, não falamos em adotar uma postura de inovação pela inovação, ingenuamente celebrando as tecnologias. Não assumimos, também, que basta vestir os mesmos conteúdos em novas roupas – digitais. O uso significativo, que acontece a favor da aprendizagem do aluno, depende do saber pedagógico e do planejamento de situações didáticas ajustadas aos objetivos de aprendizagem – percebendo quais são os novos objetivos de aprendizagem que devem ser colocados diante das novas práticas sociais, e quais permanecem. Isso sempre com o intuito de contribuir com a formação de leitores críticos, escritores, falantes e ouvintes nos âmbitos da formação cidadã, da formação literária e da formação do estudante.

Os alunos estão na rede! E a escola, o que tem a ver com isso?

Por Larissa Aliberti e Priscila Demasi, professoras de Fundamental 1

Seguem youtubers – e há os que criam seus próprios canais e colecionam seguidores, criam grupos no WhatsApp, fazem buscas no Google, conhecem a “Siri”, acompanham séries, sabem dos últimos lançamentos em jogos online, constroem cidades no Minecraft, postam fotos no Instagram, fazem vídeos no Snapchat, acham o Facebook ultrapassado, ouvem música pelo Spotify… Nossos alunos são usuários de tecnologia, interessam-se por ela, são atingidos pelos seus mecanismos em diferentes âmbitos da vida social e da percepção de mundo. Numa dada realidade social, este é um fato: os meios digitais pularam os muros para dentro da escola! E nós, o que fazemos com isso?

Não se trata da vida fora da escola? Já não cuidamos de tantas coisas? São tantos conteúdos, tantas demandas, tantos planejamentos, tantas ideias, tantas provas a corrigir, tantos cadernos na nossa mesa… É preciso estabelecer prioridades! Mas não podemos ignorar o fato de que os meios digitais integram a nossa cultura e que nossos alunos são afetados por eles. A cultura contemporânea é midiática, formada por meios massivos de comunicação e tecnologia. Somos atores sociais imersos nesse caldo, que é atravessado por interesses de diferentes âmbitos: educacionais, sociais, políticos, culturais, entre tantos outros.

Olhar atentamente para esses aspectos e considerá-los na nossa ação educativa é partir do pressuposto de que nossa tarefa vai além dos currículos preestabelecidos para os contextos escolares, trata-se de atuar visando contribuir com uma formação cidadã das crianças e dos jovens que circulam nas escolas.

Nesse sentido, parece importante conhecer os usos que os alunos fazem dos meios digitais e elaborar propostas que tenham como objetivo aproximar-se de uma leitura crítica dos mesmos.

Saber o uso que os alunos fazem dos meios digitais? Para quê?!

“Como você não conhece?!”, a frase citada com olhos arregalados e entonação de espanto foi dita por alguns alunos de dez anos em uma situação em que comentavam sobre youtubers que seguiam. É para eles tão natural circular entre esses canais que o “não saber” gera estranhamento. Por caminhos variados, mas tendo como braço-forte o grande alcance e a força de se tornar parte da rotina, as redes sociais, os aplicativos, entre outros tantos aparatos, chegam sem pedir licença e fazem morada no cotidiano das crianças.

Como professoras, ouvimos os comentários que fazem em conversas informais, ficamos sabendo – e não é raro termos que intervir – em conflitos relacionados às redes sociais, como divulgação de fotos pessoais ou compartilhamento de senhas. Uma geração de links, senhas, abas, redes e conexões que chegam diariamente às escolas e com as quais damos de cara sem saber muito bem o que se passa, mas com a certeza de que esses meios digitais são parte do que vai constituindo essas crianças e jovens.

Com o intuito de conhecer um pouco mais sobre os meios digitais de que nossos alunos fazem uso, propusemos a duas turmas de 5ºs anos uma brincadeira ao estilo de um “Stop”. A proposta havia sido realizada com o grupo de educadores que participou da Viagem Pedagógica da Vila durante aula com Débora Nakache e Gabriela Rubinovich, em que trataram de propostas e experiências acerca do trabalho em escolas com a produção e leitura de meios audiovisuais.

Na brincadeira, deveriam entrevistar o maior número possível de colegas sobre quais meios costumam usar, dentre eles: onde ouvem música, o que assistem na TV, como se comunicam com os colegas a distância, se seguem algum youtuber, qual rede social mais usam, etc. Para as crianças, um momento de diversão; para nós, um bom quadro revelador dessa relação e uso dos meios.

Ao ler as respostas, tivemos a comprovação de nossas percepções sobre o grande uso desses meios na vida cotidiana das crianças. Em uma das turmas de 25 alunos, por exemplo, 19 seguem algum canal do YouTube, 13 utilizam WhatsApp, apenas 1 não acompanha uma série. Considerar essa realidade parece-nos um elemento importante se optamos por um trabalho que vise uma formação cidadã mais abrangente.

Ampliar potencialidades de saber mais sobre um tempo, sobre um espaço e sobre uma forma de conceber a sociedade e seus sujeitos é papel da escola, e não se pode desconsiderar que em nosso tempo e espaço os meios digitais são uma realidade. Se sabemos melhor como pensam os alunos, que ferramentas usam, que leituras – na maior parte das vezes ingênuas – fazem desses usos, podemos escolher caminhos e ajustar intervenções visando criticidade.

Mas afinal, o que cabe à escola?

As crianças usam os meios digitais de maneira intuitiva porque fazem esse manejo cotidianamente. Mas, no contexto escolar, é com a mediação do professor que pode haver reflexões mais intencionais sobre eles, possibilitando construir e desconstruir sentidos do que é observado e vivido.

“Os meios constituem uma dimensão fundamental de nossa experiência contemporânea. Estão em todas as partes, são cotidianos e permanentes. Não podemos fugir da presença deles e de suas representações. Dependemos deles para nos informar, para o prazer, para usar o tempo livre, para conforto e segurança. Estão com intensidade em nossa vida cotidiana.” (R. Silverstone)

Um ensino que considera o aluno como sujeito atuante, reflexivo, de um determinado espaço e tempo dinâmicos precisa oferecer situações nas quais ele possa olhar para os meios digitais como fruto de uma construção social e que, assim sendo, não são neutros ou isentos de intencionalidades, ao contrário, são resultados de escolhas, de recortes, de interpretações, assim como os livros, os filmes. O que determinará o caminho a trilhar e as propostas a serem construídas diante dessa nova realidade posta está muito mais relacionado à escolha do tipo de aluno que queremos ajudar a formar e a forma como enxergarmos nossas crianças do que o tipo de ferramenta ou tecnologia que serão usadas.

Para NAKACHE, os professores “deveriam ensinar-lhes [aos alunos] a orientar-se em um mundo contemporâneo, ensinar-lhes aquilo que a tecnologia por si só não pode ensinar e que um indivíduo isolado não pode construir”.(NAKACHE, 2003).

Todos os sites do mundo aparecem em uma pesquisa no Google? Você já reparou nas propagandas que aparecem no Youtube? Por que os programas de TV têm determinados cenários e trilhas sonoras, o que provocariam em quem assiste se as escolhas fossem outras? São muitas as possíveis perguntas que podem ser feitas dentro de um projeto de trabalho que procure promover o exercício de práticas sociais de interpretação e produção em meios digitais para que possam ampliar estratégias de entendimento de seus modos de funcionamento, suas lógicas de produção e circulação.

Os meios digitais na escola podem ser conteúdo e recurso de ensino, desde que as ferramentas escolhidas não ocupem o centro do trabalho, mas que estejam a serviço de resolver problemas postos tendo como grande objetivo a formação de alunos críticos que gradativamente passem a perceber que esses meios são produtos que geram determinados sentidos e significados para, dessa forma, desnaturalizá-los.

Finalizando, entendemos que compete à escola encarar a formação do usuário de tecnologias e converter seus usos em ricos processos de aprendizagem.


Referência Bibliográfica
NAKACHE, Debora; MUNDO, Daniel. Las transformaciones tecnológicas: de la TV a Internet. La continuidad en el discurso educativo. In: Estudios sobre comunicación, educación y cultura: Una mirada a las relaciones recientes en la Argentina. CARLI, Sandra (org), 2003. 

Reflexões sobre a Viagem Pedagógica a Buenos Aires

Como divulgado em nossas redes sociais, mês passado estivemos em jornada de estudos com grupo de profissionais da Escola da Vila na cidade de Buenos Aires.  A partir do primoroso trabalho organizado pelas investigadoras Flora Perelman e Vanina Estevez, nos debruçamos sobre a temática da Implementação de meios digitais no ensino básico.

A equipe participante retornou com muitas reflexões sobre os mais diferentes aspectos abordados durante essa imersão e hoje, damos início a um conjunto de posts com o objetivo de compartilhar parte daquilo que mais nos marcou dessa jornada tão instigante!

LAS PAREJAS PEDAGÓGICAS – VISITA AO INSTITUTO PLATERILLO

Por Irene Antunes e Miruna Kayano, orientadoras do F1 

Uma das atividades mais esperadas da Viagem Internacional 2017 a Buenos Aires era a visita ao Instituto Platerillo, escola de educação primária argentina com 25 anos de história, que conta há muitos anos com a parceria e assessoria de Flora Perelman e Vanina Estévez, coordenadoras de nossa viagem, no que diz respeito ao trabalho com tecnologia. Estávamos diante da possibilidade de conhecer melhor um trabalho de referência na introdução de meios digitais na educação básica: qual a estrutura da escola para oferecer uma potente inserção tecnológica? O que veríamos? Que recursos seriam apresentados? Como os professores trabalham com as tecnologias? Essas eram apenas algumas das muitas perguntas que nos acompanharam.

Após estarmos uma manhã inteira com a diretora fundadora, a diretora pedagógica e algumas professoras e alunos, pudemos, de alguma maneira, reformular muitas dessas perguntas. Vimos que a estrutura em si do Instituto Platerillo, por exemplo, não oferece um computador por aluno, ou mesmo uma lousa digital em cada sala de aula; mas, sim, possuem a tão conhecida sala de informática, e fazem dela um espaço de especiais parcerias. E foram elas que nos fizeram repensar grande parte das nossas perguntas. As parcerias pedagógicas.

Pareja pedagógica. Essas foram as palavras mais ouvidas ao longo da nossa manhã. A professora de sala regular junto com a professora da sala de informática formando uma dupla pedagógica. Ambas atuando desde o planejamento até o desenvolvimento e avaliação das atividades e projetos para que tenham sentido e sejam construídos pelos alunos enquanto aprendem. A força do trabalho com a informática, como chamam as TICs naquela escola tão singular na sua simplicidade aliada ao aprofundamento de seus projetos, está no compartilhamento das experiências, na possibilidade de enriquecimento e revisão dos projetos. A inserção das tecnologias, como nos foi ressaltado, nunca deve acontecer ao final do trabalho e jamais como envoltório de um produto final, mas sempre como um meio para favorecer uma maior aprendizagem pelos alunos. Por isso, é fundamental ter sempre em conta os objetivos de ensino: o que estão aprendendo os alunos? O que o uso da tecnologia irá favorecer? Como? Que novos saberes estarão em jogo? Se essas questões não estão postas, se as respostas estão obscuras, o uso da tecnologia precisa ser revisado; se um complexo e sofisticado recurso agrega apenas beleza ao produto final, mas possibilita pouca aprendizagem e manipulação pelos alunos, é de pouca utilidade.

Essa reflexão só é possível se temos acesso a conhecimentos específicos de informática, e por isso o trabalho com os meios digitais implica a necessidade de uma parceria com um professor especialista, um facilitador digital. Pautados nessa certeza, os projetos e o uso da tecnologia no Instituto Platerillo são discutidos, planejados e analisados na parceria pedagógica, junto, é claro, com os alunos. A potência do trabalho não está na estrutura nem nos recursos oferecidos, mas na clareza e constante revisão dos objetivos de ensino e dos processos de aprendizagem pelas parcerias de trabalho.

A tecnologia a favor do dinamismo nas aulas de inglês

Por Caroline Milan Brasilio,  Professora de Inglês – Unidade Granja Viana

As crianças estão cada dia mais conectadas. O mundo digital deixou de ser um mundo em paralelo e passou a fazer parte cotidiana da vida dos pequenos. Como podemos, então, tratar isso como uma vantagem nas aulas de inglês, tornando as aulas mais atrativas e dinâmicas, para atender às novas demandas das crianças já imersas no mundo tecnológico?

Palavras do cotidiano tecnológico de nossas crianças (download, share…) são utilizadas em inglês e já foram adotadas por elas e usadas habitualmente. Tutoriais no YouTube, filmes no Netflix, games online – o acesso a produções culturais e linguísticas do mundo todo por meio da internet; toda essa exposição ao idioma já acontece todos os dias, fora do contexto de sala de aula.

Estando nossa sala de aula também conectada com o mundo através da internet, temos então a possibilidade de explorar, de diferentes maneiras, situações de exposição e prática de inglês que tornam nossas aulas mais dinâmicas e interessantes, buscando a expansão do repertório de nossos alunos, por meio de oportunidades de contato com o idioma de formas diferentes no decorrer de seu percurso escolar.

Escola da Vila

Nas turmas de 1º ano, a leitura da série Knuffle Bunny é seguida de vídeos, gravados pelo autor e sua filha, personagem principal das histórias, narrando o livro – situação que traz aos alunos o contato com outros falantes de inglês, além do professor. As imagens, antes estáticas do livro, ‘ganham vida’ – a identificação dos alunos com a história é imediata, e o uso do idioma é feito de forma leve e interessante para os pequenos. Além disso, em todas as aulas há contato com canções e parlendas em inglês, pelos canais online como o Super Simple Songs.

Escola da Vila

Por meio do projeto Cartoon, presente nos cursos de 2º a 5º ano, nossos alunos assistem a desenhos animados em que o idioma é utilizado em situações cotidianas de comunicação, tendo contato com múltiplos falantes da língua. A partir dessa exposição, nossos alunos são conduzidos a analisar aspectos específicos do idioma, expressar suas opiniões sobre o material assistido em inglês e a produzir questionários que serão respondidos pelos colegas de outras séries. Esse transitar entre turmas também é um momento extremamente enriquecedor para os alunos, que têm a possibilidade de demonstrar seus conhecimentos e praticar com outros alunos que possuem experiências e contato diferentes com o idioma.

O interessante é notar que as propostas partem de situações reais de uso do idioma e possibilitam uma grande amplitude de desafios – aqueles menos experientes seguem modelos e se comunicam usando um repertório construído no projeto. Já aqueles mais experientes têm a oportunidade de explorar novos caminhos, testar seu próprio repertório e ampliá-lo ao entrar em contato com os cartoons autênticos.

A partir do Fundamental II, o dinamismo das aulas é potencializado por meio do uso de tecnologia em novos contextos. Na unidade Granja Viana, o uso de computadores pessoais nas salas de aula do 6º, 7º e 8º ano possibilita o uso e a prática do idioma em plataformas que favorecem o contato dinâmico com o professor e com material disponibilizado no Google Classroom e AVA; o uso de dicionários online, o contato com material genuíno produzido no idioma: diversas formas de exposição e prática de inglês. Por meio da escrita de e-mails para alunos de outros países no 6º ano, com a gravação de vídeos com notícias no 7º ano, na produção de um infográfico sobre a fome no mundo no 8º ano – a tecnologia apresenta aos alunos múltiplas oportunidades de contato e uso do inglês de modo dinâmico e atrativo.

Refletir e atualizar constantemente os recursos utilizados nas aulas de inglês que atendam a esse novo perfil de estudante, que por meio da tecnologia tem contato com uma gama imensa de conteúdo, que busca rápidas respostas e que tem contato com a língua em ambientes para além do contexto de sala de aula se faz necessário para que as aulas sejam sempre atuais e dinâmicas.

Programação e tecnologias digitais em 2016: ações dos cursos de extensão curricular

Por Helena Andrade Mendonça e Renata Akemi Maekawa

Neste ano tivemos algumas novidades nos cursos que são oferecidos aos alunos visando à exploração de aplicativos que possibilitam a programação de dados, além de uma experiência mais aprofundada com tecnologias contemporâneas. Ampliamos a oferta de cursos, abrindo turmas para alunos de 2º e 3º anos do Ensino Fundamental 1, e a proposta era que os pequenos explorassem aplicativos desenvolvidos para a faixa etária e pudessem construir suas histórias, animações e peças digitais com alguma interação. Algumas das produções desses alunos foram organizadas em um site e podem ser apreciadas, bem como vídeos dos alunos explicando suas criações.

Para o 4º e 5º anos oferecemos um curso chamado Programação e Criação de Jogos. No 3º trimestre propusemos aos alunos a gravação de vídeos nos quais eles explicassem jogos criados nas aulas. Veja alguns dos vídeos aqui e clique aqui para acessar o estúdio do curso e testar os jogos feitos com Scratch.

Para o Ensino Fundamental 2, no curso de mídias digitais, destacamos duas propostas: uma delas consistiu na criação de aplicativos para celular com o MIT App Inventor. Abaixo colocamos dois aplicativos desenvolvidos pelos alunos para Android. Clique aqui para instalar, testar e comentar. Os aplicativos foram desenvolvidos pelos alunos João Felipe e André do 6º ano. Clique aqui para assistir ao vídeo.

A segunda proposta foi a exploração de um mundo no servidor de Minecraft da escola chamado “Canyon das Tartarugas”, que oferece desafios de programação com o mod ComputerCraft EDU e a linguagem de programação LUA.

Esses cursos, que integram a oferta de cursos de extensão curricular da escola, possibilitam um aprofundamento em conceitos e habilidades específicas, relacionadas com o pensamento computacional, lógica e resolução de problemas, que são valiosos para além do tema: ciência da computação. Para disseminar esse trabalho ao longo do ano foram organizadas atividades em que os alunos dos cursos de programação apresentavam ou ministravam oficinas para os outros alunos da escola. Os alunos do curso de Programação: primeiros passos apresentaram e explicaram como foram feitos alguns de seus projetos para as classes de 2º ano da escola, mostrando animações sobre contos de um livro que a sala toda havia lido (assista ao vídeo aqui) ou jogos elaborados por eles (assista ao vídeo aqui).

Além disso, na Semana de Atividades Diversificadas (SAD), que ocorreu em maio deste ano, os alunos dos 4ºs e 5ºs anos ofereceram uma oficina de programação com Scratch para os 6ºs anos e os alunos do curso de Mídias Digitais promoveram uma atividade com jogos de realidade aumentada, que eles produziram no curso para alunos de 7º e 8º anos.

Nessas atividades, os alunos dos cursos atuam como monitores, e os participantes acabam ampliando as possibilidades de produção e criação nas atividades regulares.

Outro momento importante em 2016 foi a participação dos alunos do curso de mídias digitais (Ensino Fundamental 2) no SBGames, evento que reuniu desenvolvedores de games na USP, em agosto/2016. Eles puderam explicar e contar suas experiências na criação de um jogo de caça ao tesouro com realidade aumentada, além da criação de aplicativos para celular.

Todas essas experiências de apresentações, oficinas, trocas e explicações em vídeos foram bastante enriquecedoras, pois além de divulgar e propiciar a mais pessoas o contato com os projetos que envolvem linguagens de programação, permitem que os alunos dos cursos revisitem os seus percursos, refletindo sobre os conteúdos trabalhados, as escolhas que foram feitas, os desafios que encontraram ao longo do caminho, e os avanços que obtiveram. Seguimos animadas para continuar a avançar e inovar com os alunos no próximo ano.

Uso de material digital na escola

Por Helena Mendonça e Vania Marincek

Temos vivido uma situação, cada vez maior, de uso de materiais digitais na Escola da Vila. Dispositivos móveis cada vez mais acessíveis a grande parte dos jovens e crianças; melhoria gradativa e lenta da velocidade de acesso à internet; possibilidade de uso de ferramentas que antes estavam na mão de profissionais, são apenas alguns dos motivos desse movimento. Muitas escolas ficam entre a compra de conteúdo digital de grandes editoras, o uso tanto daqueles que são gratuitos quanto o desenvolvimento de outros dentro da instituição. São enormes os desafios em qualquer uma dessas empreitadas: repensar o material didático para o meio digital, avaliar o impacto de uso de tais materiais na escola, desde sua infraestrutura até a formação dos professores, ter pessoal capacitado para selecionar materiais, avaliá-los e organizá-los, acompanhar seu uso pelo aluno etc.

No fim de 2015, a escola decidiu iniciar o movimento de criação de cadernos pedagógicos digitais para as séries iniciais do ensino fundamental 2, bem como iniciar essa implantação com as turmas de 6º e 7º ano da nova unidade, na Granja Viana.

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Para elaborar esse novo material digital, usamos, por referência, os cadernos pedagógicos já existentes para o trabalho em sala de aula, cuidando para adaptá-los, e, muitas vezes, transformá-los para o novo suporte. Assim, desde o primeiro dia de aula deste ano, os alunos das duas turmas estão usando os cadernos digitais, bem como alguns ambientes virtuais de aprendizagem, para o trabalho educacional.

Ainda é muito cedo para avaliarmos todo impacto causado por essa mudança, mas tentaremos, aqui, listar alguns aspectos observados.

Infraestrutura é fundamental

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Essa constatação é absolutamente sabida por todos que se propõem a trabalhar com tecnologia na escola. O maior uso de dispositivos pessoais, materiais digitais, ambientes virtuais na escola, tudo isso exige boa infraestrutura. Para tanto, são fundamentais um bom planejamento e o investimento gradativo em frentes como suporte técnico, acesso à internet e compra de equipamentos. Se o caminho da escola é por um modelo BYOD (Bring Your Own Device) ou cada aluno traz o seu equipamento, o investimento na rede wi-fi é fundamental. Esse foi o caminho escolhido por nós e, além de implantarmos uma boa infraestrutura na Escola, preocupamo-nos também em planejarmos propostas a serem utilizadas com os alunos no caso de algum imprevisto, como a ausência de rede ou de luz.

Segurança digital, outro tema importante da infraestrutura

Quando a escola opta por um modelo no qual os alunos trazem os seus próprios aparelhos para a instituição, é necessário um amplo planejamento para garantir que haja segurança no acesso à internet. A escola deve ter mecanismos que garantam o bloqueio de sites inadequados e também de sites ou serviços que possam sobrecarregar a rede (não se pode prejudicar o trabalho educacional). São decisões importantes a serem tomadas: as redes sociais serão bloqueadas? Os alunos conseguem acessar conteúdos importantes para o trabalho? Os jogos serão bloqueados? É importante levar em consideração que existe uma gama enorme de jogos online e muitos deles podem ser usados com fins educacionais.

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Outro aspecto relacionado a isso, mas com caráter mais educacional, é o trabalho a ser desenvolvido com os alunos para que não se dispersem, às voltas com todas as possibilidades que o acesso à internet traz. As crianças e os adolescentes de hoje são usuários muito competentes de tecnologia, mas ainda sabem pouco sobre esse uso para além do lazer; assim, é natural que o primeiro movimento dos alunos seja o de buscar os jogos e os sites de divertimento, já conhecidos por eles também no momento de aula. Por isso, desde o início do ano, temos encaminhado, junto aos alunos, em muitas aulas, e, mais especificamente, nas aulas de Orientação Educacional, a discussão e o debate sobre as possibilidades de uso que a tecnologia promove, e as adequações para uma postura que contribua para a formação de cada um desses alunos como estudantes. As assembleias têm sido um espaço bastante profícuo para a discussão e a construção dessa cultura.

Toda equipe pedagógica deve conhecer o material e os ambientes usados

Os procedimentos de estudo dos alunos só podem ser acompanhados e avaliados se toda equipe pedagógica conhecer o funcionamento técnico dos materiais e ambientes virtuais usados. Um aluno com problemas de organização, por exemplo, pode atribuir sua dificuldade a alguma questão técnica; se a equipe estiver pronta para ajudá-lo, pode-se voltar o foco para a falta de organização, que possivelmente aconteceria com ou sem o uso de tecnologias. Nesse sentido, foi muito importante que toda a equipe estivesse familiarizada com o material digital desde o início do ano, pois isso possibilitou o planejamento de intervenções no sentido de ajudar os alunos a entenderem todos os procedimentos necessários para o uso diário, já na primeira semana de aula.

A dinâmica de trabalho com o digital altera o trabalho educacional

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Isso não é novidade, mas é algo que exige tempo e reflexão por parte da equipe pedagógica. Tomar a decisão, por exemplo, de que não haverá mais caderno de papel para que o aluno faça anotações, requer pensar em como o aluno e o professor poderão acessar esse caderno, como serão feitas as anotações – texto, imagem, desenho, se/como esse caderno poderá ser acessado se não houver internet etc, e definir procedimentos padrões para todas as disciplinas. É importante aqui retomar o porquê do uso do caderno e a importância das anotações pessoais, antecipando aspectos dessa situação, agora em meio digital, que podem impactar os estudos. Com relação a isso, na escola já contávamos com um trabalho bastante específico e detalhado de orientação de estudos que visa contribuir para que cada aluno desenvolva procedimentos importantes para seu desempenho escolar, o que temos notado é que a organização do material na forma digital pode contribuir para esse trabalho, pois ajuda a organizar as propostas de forma mais orgânica e completa, já que é possível inserir links, desenhos, tabelas etc, com muito mais facilidade.

O acompanhamento do uso do material é fundamental

Se o uso de tecnologias na escola tem o objetivo de aprimorar os processos de ensino e aprendizagem, melhorar a forma como o aluno e o professor aprendem e ensinam, ampliar a diversidade e a qualidade de materiais consultados, dentre outros vários objetivos, o acompanhamento é fundamental para que as estratégias aplicadas pelos professores e os procedimentos empregados pelos alunos estejam alinhados com essas frentes; por isso, estamos acompanhando, passo a passo, essa implantação com observações em sala de aula e espaços sistemáticos de discussão sobre os principais sucessos e problemas para que os ajustes ocorram em consonância com o trabalho.

Os alunos se apropriam rapidamente das tecnologias

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Não estamos falando nada de novo, já que os alunos nasceram com toda essa tecnologia disponível, não é verdade? Em termos. Os alunos normalmente fazem uso das tecnologias para entretenimento. A apropriação de ferramentas e ambientes para o trabalho educacional acontece na escola. É certo que o funcionamento dos recursos normalmente não apresenta muitas dificuldades, mas os procedimentos de estudo, a organização, continuam sendo desafios para os alunos, principalmente levando em consideração a faixa etária com a qual estamos trabalhando: 6º e 7º ano do ensino fundamental 2. Esses procedimentos já seriam desafios naturalmente, visto que muitos alunos de início do F2 necessitam de um apoio específico para se organizar com tantas demandas distintas das do F1. Sabendo disso, desde o início, fizemos um trabalho de acompanhamento da apropriação dos procedimentos pelos alunos que passou por um percurso de orientação para: o uso dos materiais em sala de aula, o acompanhamento individual dos alunos que precisaram de mais ajuda pela orientação, e a parceria com as famílias.

Os pais precisam conhecer o trabalho

Os pais, em sua maioria, não cresceram com as tecnologias digitais e, menos ainda, usaram esse tipo de material na escola. Se um dos elementos mais importantes da aprendizagem é o estudo em casa (parte fundamental do trabalho do estudante) e se considerarmos importante o apoio das famílias, principalmente em determinadas faixas etárias, os pais devem compreender minimamente como o material funciona, como os ambientes são acessados, onde estão as lições de casa, como seu filho acessa a agenda e organiza seus estudos. Para garantir que os pais pudessem também apoiar seus filhos em casa, procuramos orientar esses responsáveis individualmente e também em reunião de pais, apresentando o trabalho, solicitando que entrassem no caderno pedagógico digital e nos ambientes virtuais usados, ensinando-os também a acessar os recursos utilizados por seus filhos, como a agenda, as lições de casa e o caderno digital de anotações.

Estamos ainda no início desse processo de implantação, mas a rápida apropriação dos procedimentos de estudo pelos alunos, assim como a boa equação da gestão do tempo em sala de aula e da utilização dos instrumentos de apoio ao trabalho, fazem-nos acreditar que estamos trilhando um bom caminho.

Unidade Granja Viana – os desafios e as delícias de uma implantação

Por Vania Marincek 

Implantar uma escola é uma tarefa repleta de desafios. Desde a concepção e a organização do espaço em função da proposta pedagógica, passando pelo funcionamento e chegando ao dia a dia da sala de aula, tudo precisa ser pensado e planejado em detalhes.

Estamos no terceiro ano da implantação da unidade da Granja Viana e, nesse período, já podemos ver que construímos uma escola cheia de vida, com alunos instigados a querer saber sempre mais e com todos, alunos, professores e pais, sendo todo o grupo muito implicado com tudo o que acontece na escola. A sintonia é tanta que parece que a escola já existe há muitos anos.

Para chegar a isso em tão pouco tempo, a experiência acumulada pela Escola da Vila nesses 36 anos de existência tem contado muito. Sabemos como uma escola funciona, sabemos como fazê-la funcionar. Temos um projeto pedagógico sólido, que se reconstrói cotidianamente pelo trabalho de todos, um currículo consistente que alicerça os fazeres de professores e alunos, e temos como princípio promover e apoiar a formação contínua de nossos professores. Mas sabemos também que a escola se constrói a cada dia, e ganha sentido à medida que se constitui como comunidade de todos aqueles que dela participam.

Na Granja, temos buscado construir esse sentido em cada uma de nossas ações.

Nas situações em sala de aula, voltadas para a aprendizagem dos alunos, e que também contam com a participação, direta ou indireta, dos pais; na organização de eventos culturais pensados com cuidado e carinho para a participação de toda a família; nas reuniões de pais, que buscam apresentar a essas famílias um pouquinho de nosso trabalho; nos momentos cotidianos de entrada e saída, em que pais e professores trocam notícias; nas conversas e entrevistas individuais, que vão dando a conhecer aos pais o nosso olhar para as aprendizagens e a nossa forma de trabalhar, e de estabelecer, para cada um de nossos alunos, parcerias ricas e produtivas com as famílias.

Nossa experiência de tantos anos, construída com as duas primeiras unidades, contribuiu para que os alunos da Unidade Granja pudessem começar sua nova vida escolar imersos na cultura da Escola da Vila. O currículo, o material didático, a forma, bastante peculiar, de encaminhar o trabalho em sala de aula, e de gerir de forma respeitosa as relações entre alunos-alunos e professor-aluno se fizeram presentes desde o primeiro dia de aula da nova unidade.

Essa mesma experiência contribuiu para muito mais do que isso. Pudemos introduzir na unidade da Granja inovações que já vínhamos gestando e que vêm ganhando forma e substância ao serem implantadas. Propostas que reforçam nossas escolhas de trabalho pautadas nos valores que são a referência da Escola da Vila: autonomia, cooperação e conhecimento.

No Fundamental 1, as salas de aula, construídas com paredes removíveis, possibilitaram a organização da rotina prevendo momentos durante a semana em que alunos de séries diferentes trabalham juntos. Nesses momentos, duas salas se transformam em uma única, ampla, que comporta diversos agrupamentos, previamente pensados pelas professoras de forma a garantir a troca entre os alunos e o avanço de cada um. Essa organização, implantada no início do ano passado, possibilitou um ambiente de trabalho produtivo em que parcerias preciosas e inesperadas se formaram e contribuíram para as aprendizagens.

Também, desde o ano passado, introduzimos na rotina semanal das turmas de 4º e 5º ano momentos destinados a promover as aprendizagens de base das áreas de Matemática e Práticas de Linguagem. Nesses, os alunos dessas duas turmas são organizados em pequenos grupos de trabalho por conteúdos diferentes, sempre relativos a aspectos em que precisam avançar na compreensão.

Já no Fundamental 2, segmento que começou a ser implantado este ano, também há na grade um horário em que alunos de 6º e 7º ano se organizam, em grupos, por projetos que integram as áreas de Práticas de Linguagem e Ciências Humanas, ou Matemática e Ciências Naturais – as tutorias. Nessas aulas, o grupo de alunos conta sempre com o apoio das professoras de área e da professora-estagiária, o que garante um atendimento bem próximo a cada grupo. Essa organização foi pensada para não fragmentar o conteúdo e para apresentá-lo aos alunos da forma como é na vida real: situações reais que entrelaçam as diferentes áreas de conhecimento.

No primeiro trimestre na tutoria de Práticas de Linguagem e Ciências Humanas, os alunos escolheram para investigar temas bastante distintos e diversos: moda no século XIX; os uniformes e a moda; capoeira; futebol; as grandes invenções (avião); arte e entretenimento; o youtube. Essas pesquisas já estão sendo finalizadas.

Na tutoria de Matemática e Ciências Naturais, as investigações giraram em torno dos seguintes temas: as viagens espaciais, os eclipses, as informações do sistema solar e o lançamento de foguetes. Os resultados desse trabalho puderam ser conhecidos por toda a escola no evento do último sábado, dia 30 de abril, quando os pais, os alunos e a professora lançaram o foguete construído em sala de aula, e tiveram a chance de visitar todos os trabalhos que foram organizados pelos próprios alunos, na forma de exposição.

foguete foguete

Mas a mudança mais significativa que está acontecendo na implantação do Fundamental 2 diz respeito ao uso da tecnologia para o apoio ao trabalho em sala de aula. Iniciamos 2016 com as turmas de 6º e 7º ano, e todo o material didático está organizado em forma digital. Cada aluno tem seu computador e trabalha o tempo todo com ele, pois grande parte das propostas acontecem em meio digital. Para os alunos, esse foi um novo desafio. Havia muito a aprender, desde o cuidado com seu equipamento, passando por dominar as possibilidades de uso da agenda eletrônica, do controle das lições e das anotações de aula… As aulas das primeiras semanas foram planejadas para que aprendessem também os procedimentos de uso desse novo material. Como previmos, em pouco tempo, a grande maioria dos alunos se apropriou desses procedimentos, e essa aprendizagem seguirá acontecendo com o tempo, à medida que os estudantes forem ganhando cada vez mais familiaridade com a proposta e o material. Do ponto de vista das aprendizagens, já podemos afirmar que o material digital apresenta muito mais possibilidades de troca entre os alunos, de devolutivas específicas de trabalhos e de organização do material produzido por eles, do que a forma tradicional de organização em livros e cadernos.

Importante ressaltar que, nesse processo de mudança, o desafio que nos colocamos foi o de abraçar o digital, com todas as suas múltiplas possibilidades, muitas, sequer sonhadas nem imaginadas antes, sem deixar de lado as tecnologias tradicionais. Em nossas propostas em sala de aula, coexistem computadores, lápis, papel, lousa e todo e qualquer tipo de recurso que possibilite que os alunos aprendam sempre e cada vez melhor. Esse é um princípio que norteia o trabalho em toda a Escola e não só nessa situação específica do Fundamental 2.

Melhor do que contar ou saber sobre o que tem acontecido nesse início da nova unidade é poder participar disso tudo vivendo a cada dia a delícia de fazer parte de um projeto consistente, e que, por isso mesmo, pode se transformar e buscar novas respostas aos desafios que se colocam.

O trabalho com podcasts no 2° ano do Ensino Médio

Podcast

Por Angela Kim Arahata, Maíra Carmo Marquez e Nilson Joaquim da Silva

As discussões e reflexões críticas sobre as novas tecnologias são uma constante na Escola da Vila e, na disciplina de LPL, não poderia ser diferente. Em 2015, no primeiro trimestre dos segundos anos do Ensino Médio, nós, professores, ousamos tentar buscar novidades, exercitar a implantação de novos trabalhos com novas linguagens e novas formas de letramento e de convivência com os alunos e seus – nossos – contextos. E mais: ousamos desafiá-los a refletirem um pouco mais sobre o modo de atuação deles em face da internet e das relações contemporâneas com a rede, através da utilização do recurso do podcast para um trabalho com a poética de Drummond que fosse mais criativo e antenado de forma crítica com os novos tempos.

Propusemos que os discentes recorressem à ferramenta do podcast para o exercício de interpretação da poética de Carlos Drummond de Andrade e, em particular, da obra Sentimento do Mundo (1940). Tal ferramenta tecnológica é uma espécie de “programa de rádio virtual” que, na forma de um arquivo de áudio digital, possibilita, de modo simples e dinâmico, fazendo uso dos próprios arquivos e aplicativos fornecidos pela internet, um sem fim de possibilidades de atuação, do aprender e do ensinar.

Os alunos participaram também de uma oficina de criação, declamação e musicalização de poesia, cujo produto compôs os programas elaborados por eles. Para isso contamos com o apoio do coordenador cultural e professor de Música Vicente Régis, que, em diálogo com a área de LPL, de forma multidisciplinar, orientou os alunos a como usar aplicativos de edição de áudio oferecidos na rede, por exemplo, o soundation, para a musicalização de poemas e para a edição do “programa de rádio virtual”.

Os resultados?… Compartilhamos alguns deles, em seguida, in loco – ou talvez fosse melhor usar a expressão latina in situ –, com a apresentação de três desses “programas de áudio”, produzidos por grupos distintos, um de cada sala da segunda série do Ensino Médio – no primeiro dos links, você encontrará, ainda, o roteiro do podcast, produzido pelos próprios alunos.

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Roteiro do podcast




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Ambientes que comunicam

Por Marisa Szpigel – Zá

Visualidade: vista, miragem, aspecto cambiante (do dicionário Michaelis). A visualidade dos espaços de todas as escolas pelas quais passamos durante nossa jornada em Nova York comunicavam significados. A visualidade não se apresentava apenas pelas exposições e pelos murais repletos de trabalhos realizados por crianças e jovens, mas também, e principalmente, pelo agir dos estudantes e professores nos espaços. Ambientes coletivos de trabalho, que muito se distanciavam do referente de uniformização e homogeneidade sem surpresas que normalmente estão relacionados ao ambiente escolar. Cada uma das escolas que pudemos conhecer oferecia lugares convidativos e que sugerem familiaridade, eles nos mostravam que foram construídos  ao longo do tempo pelos protagonistas  dos processos ali implicados, de modo a revelar singularidades e  construção coletiva simultaneamente.

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3Na escola Quest to learn todas as propostas são apresentadas aos alunos no formato de games. Observamos que os alunos utilizam os ambientes virtuais e reais  de acordo com a atividade. Não há uma sala  de aula por série, mas os alunos circulam pelas salas e cada professor tem sua sala. Os murais, repletos de produções de todos tipo comunicam os processos de produção. Além disso, chamou atenção o fato dos professores terem um espaço de trabalho (como mostra a primeira imagem) dentro da sala.

Assim como ocorre nos ambientes virtuais que se constituem por redes complexas e carregadas de informações, nessas escolas salas, corredores, bibliotecas e ateliês também se apresentavam como redes complexas, com poucos (ou nenhum) espaços vazios. Mais do que salas de aula e ateliês, os ambientes nos davam ares de laboratórios, onde a experiência e a investigação, os processos e as aprendizagens, são transparentes.

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Como gabinetes de curiosidade, objetos, comentários, reflexões, sistematizações, mapas  conceituais, fotografias, materiais e muitos trabalhos de arte  invadiam os ambientes dentro e fora das salas de  aula da Blue School.

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A cena está mais para gabinete de curiosidades e museu de tudo do que para museus especializados e separados por disciplinas e áreas. Está mais para museu-laboratório do que para museu-vitrine. E, novamente, vale frisar, assim como nas redes, a multiplicidade e a polifonia estavam sempre presentes nos ambientes por onde passávamos e eles nos tornavam imersos nos processos.

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Pode-se concluir que os ambientes reais reproduzem a complexidade dos ambientes virtuais, no entanto, o fazem em sua concretude, pois materializam os conteúdos presentes na vida de nossas crianças e jovens, que desde muito cedo estão em contato com os ambientes virtuais. O que ocorre é que os estudantes transitam com familiaridade na multiplicidade sem perigo de dispersões, estão habituados a perceber diversos estímulos simultâneos e abertos para experiências novas de contato e descobertas sensoriais que talvez, na contemporaneidade, só possam ser conhecidas no ambiente escolar.

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Na escola em que fomos visitar e conhecer mais de perto as propostas de Reggio Emília, materiais de todo tipo, desde os mais industrializados até os mais naturais são investigados pelos alunos em ambientes organizados pelos professores.  Os registros feitos pelas crianças durante o processo de produção são expostos nas paredes e  em murais.

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A visualidade dá visibilidade às transformações do mundo. Se as tecnologias digitais afetam as formas de perceber e compreender o mundo, isso implica em inventar novos modos de agir nele. Não se trata de substituir a argila por computadores. Vimos nos corredores que caixotes de madeira e carrinhos de tablets podem coexistir. O que mudou foi o modo de pensar, e cabe a nós, educadores, refletir sobre os diálogos possíveis. Como a tecnologia está (ou deveria estar) conciliada com a produção artesanal e o contato com as diferentes qualidades de matérias e materiais? Neste contexto, a arte apresenta-se como campo que potencializa entrelaces.

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Na Bank Street a arte invade todos os ambientes: salas de aula, corredores, biblioteca e ateliê. Durante as propostas os alunos trabalham autonomamente dentro da sala e pelos corredores. Os professores também, tanto os que estão ministrando as aulas quanto outro que estão realizando seus estudos e planejamentos, tornando transparente também o fazer docente.

O cenário muda.

Por Francisco Eduardo Bodião (Chicão) e Helena Andrade Mendonça

Ano novo, momento de recomeçar, mas também, de renovar-se e iniciar novos projetos… Temos a tarefa de falar de uma novidade da escola para os alunos dos terceiros anos do ensino médio: a possibilidade do uso dos próprios dispositivos de acesso à internet em sala de aula. A escola já oferecia notebooks aos alunos e professores conforme a necessidade de uso, mas quando falamos do uso dos próprios notebooks, netbooks ou tablets, a coisa muda de figura.

São muitas as novidades tecnológicas e diversas as previsões futurísticas para uma sociedade que é cada vez mais virtual. Como escola, estamos sempre acompanhando discussões e avaliando tendências, mas principalmente investindo cada vez mais na capacidade de nossos alunos acumularem repertório, compartilharem estratégias e desenvolverem senso crítico para administrarem o volume de informações, cada vez mais frenético, das redes sociais, conseguindo selecionar aquilo que for do seu interesse. Esta iniciativa acompanha um cronograma interno de maior inserção no mundo virtual, que respeite e seja coerente com o projeto pedagógico da escola.

Com os alunos do ensino médio, já avançamos muito com essas ações, garantindo inclusive uma maior relevância para a interação virtual, entre professores e alunos com o uso do AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem) da Escola. Além disso, diversas ações de formação do professor, com o acompanhamento de assessoria externa, têm sido propostas com o objetivo do uso significativo das tecnologias nas práticas de sala de aula. Entendemos que esse uso traz benefícios ao processo de ensino e aprendizagem quando traz novas possibilidades de interação mediando a relação entre aluno, professor e conteúdo, organiza e registra o percurso, permite um maior acompanhamento do aluno pelo professor e amplia ainda mais o repertório de ambos.

Em  2012 iniciamos outra etapa de nosso cronograma interno, os alunos dos 3ºs anos poderão usar seus equipamentos pessoais para fazer seus registros, pesquisas e acompanhar as aulas. A primeira preocupação que ocorre a nós todos (pais e professores principalmente) é como administrar a indisciplina virtual em sala de aula, essa será mais uma preocupação a ser incorporada à nossa rotina. Apostamos principalmente na maturidade de nossos alunos e na preocupação pessoal de cada estudante em potencializar seu aprendizado e estratégias de estudo,  no ano em que encerram sua escolaridade básica e apostam em seus projetos pessoais e de ingresso na Universidade.

Contamos com problemas, sempre,  pois essa é uma condição inicial para qualquer planejamento, principalmente no que se refere a atividade educativa. As surpresas e o inusitado são elementos de reflexão  da equipe e de nossos alunos  para o enfrentamento das dificuldades e a construção de soluções com o maior grau de consenso e discussão possível.