Relações Interpessoais

Na Vila, acreditamos que todos os atores da nossa comunidade – alunos, educadores/funcionários, pais e familiares – têm seu papel no processo educacional. No ambiente escolar, as relações interpessoais – sempre próximas e afetivas – se constroem na perspectiva de um novo papel social para os alunos, o de estudantes, que aprendem a conviver numa coletividade, a colocar e respeitar limites, a viver e resolver conflitos inusitados, a manifestar opiniões e desejos, a ouvir e negociar.

O contexto escolar é especialmente favorável à construção da cidadania, e os adultos assumem como parte de sua responsabilidade profissional a educação para a vida na esfera pública, o que inclui disposição para o diálogo, para a relação positiva com as diferenças, para a tolerância e para o respeito mútuo.

Como estudante, desde cedo o aluno aprende a ser um produtor de conhecimento: cria teorias, experimenta, justifica, tenta convencer seus colegas ou é convencido por eles, busca novas informações e as relaciona com as que tinha antes, constrói novas teorias, e assim sucessivamente. O desenvolvimento de uma tal postura intelectual demanda grande esforço pedagógico e estímulo permanente ao protagonismo dos estudantes, e o professor tem aí um papel fundamental: ele define o que é preciso ensinar, planeja as lições de modo que os alunos tomem-nas para si e não as vejam como meras tarefas a serem feitas para o professor, ajuda-os a se organizarem para aprender, controla sua aprendizagem e procura conduzi-los à autorregulação.

O cuidado com a organização do material individual e coletivo começa na Educação Infantil e se desenvolve sistematicamente ao longo dos anos, para que o estudante assuma com autonomia sua responsabilidade no trabalho escolar. As lições de casa fazem com que os alunos aprendam a estudar por si e o façam por compromisso pessoal. O hábito deve decorrêr de uma prática sistemática e regular, mas principalmente significativa.

A tarefa de educar é partilhada por todos os professores, e as equipes de cada segmento são essencialmente cooperativas. O professor é, acima de tudo, um educador cujas ações estão voltadas para a formação geral do indivíduo, e não apenas para o ensino de conteúdos acadêmicos. Os alunos identificam nos adultos da escola posturas e discursos convergentes e reconhecem, progressivamente, que todos integram a mesma equipe. O espírito coletivo facilita a gestão do cotidiano, e as normas que regulam o convívio são poucas mas úteis, pois foram criadas visando a um ambiente adequado para a aprendizagem e a formação geral dos alunos.

Na cultura institucional da Escola da Vila, os alunos são acompanhados e orientados, e as punições acontecem sempre no contexto da aprendizagem.

Em função da desejável convergência entre os valores da escola e os da família, a comunicação com os pais é frequente e acontece em diferentes instâncias. Nas reuniões, eles são informados sobre diversos aspectos da aprendizagem de seus filhos e, quando necessário, há atendimentos individualizados. Usam-se também telefone, email e entrevistas com a orientação educacional ou a assistente de direção, meios mais ágeis, para questões funcionais do dia-a-dia.