Aside

Queridos leitores,

Neste momento todos nós precisamos mesmo ficar em casa, mas isso não precisa ser tão ruim. Tem várias coisas boas pra se fazer em casa, e uma das mais gostosas é conhecer muitas e muitas histórias novas! Pensando nisso, vamos reforçar aqui a publicação de sugestões de livros, leitura de histórias, declamação de poesia e também os textos escritos por nossos maravilhosos alunos e alunas. 

Esperamos que vocês gostem!

Equipe da Biblioteca

HENRI CARTIER-BRESSON

Nossas bibliotecas não têm somente livros literários. Revistas, jornais, enciclopédias e outros materiais sobre outras áreas, além da literatura, também fazem parte do nosso acervo.

Hoje, nosso perfil será sobre um fotógrafo chamado Henri Cartier-Bresson!

Esse simpático francês da foto, nascido em 1908, começou, antes da fotografia, a estudar pintura – o que parece ter depois criado uma estética em suas criações fotográficas. Os instantes que são revelados por ele são dignos de uma pintura.

Após uma temporada na África, na Costa do Marfim, no começo de 1930, Henri começa a tomar gosto pela fotografia e, em 1932 quando compra sua primeira câmera Leica, fez uma viagem com amigos pela Europa e sua produção fotográfica começa.

Nos anos antes da Segunda Guerra Mundial, trabalhou na assistência de direção e fotografia de cinema, principalmente com o diretor Jean Renoir e também fez alguns documentários próprios.

Mas quando chegou a Segunda Guerra ele serviu no exército francês como cabo na unidade de Cinema e Fotografia. Foi capturado pelo exército alemão na Batalha da França, em 1940 e tentou fugir algumas vezes, mas só conseguiu em 1943.

Place de l’Europe, Gare Saint Lazare, Paris, 1932

Detalhes do cotidiano foram frequentemente retratados em suas fotos. Após seu envolvimento na guerra, fotografou muitos países em diversos tempos diferentes e realizou muitas exposições mundo afora. E com outros fotógrafos fundou uma agência de fotografia, a Magnum Photos, em 1947.

A fundação que leva seu nome, situada na França, cuida de seus materiais e produção, além de apresentar exposições de outros fotógrafos e fotógrafas.

Rue Mouffetard, Paris, 1954

Faleceu aos 95 anos de idade, em 2004.

Como não pode deixar de faltar, aqui estão os livros dele ou sobre ele em nossas bibliotecas. Além desses, há a Coleção Folha Grandes Fotógrafos em que ele aparece em vários volumes:

CARTIER-BRESSON, Henri. Henri Cartier Bresson: fotógrafo. São Paulo: SESI, 2017. 342 p. ISBN 9788550402499.

CARTIER-BRESSON, Henri. Henri Cartier-Bresson. São Paulo: Cosac Naify, 2011. 1 v. (Photo poche ; 1). ISBN 9788540500006.

ADEUS A ALBERTO UDERZO

Por Fernanda Passamai Perez

Semana passada, no dia 24 de março, Asterix e seus companheiros da pequena aldeia na Gália Antiga ficaram órfãos. Nós leitores também. Albert Uderzo (1927 – 2020) foi se encontrar com o amigo René Goscinny (1926 – 1977) em outros mundos. O desenhista morreu dormindo em sua casa, em Neuilly-sur-Seine, na região parisiense.

Uderzo teve uma parceria muito produtiva e de longa duração com Goscinny. Ambos nasceram na França, mas só foram se conhecer em 1951, quando Goscinny, que morava em Nova Iorque à época, foi convidado a voltar à Paris como contratado pelo World Press/International Press, agência em que Uderzo trabalhava.

A dupla desenvolveu grande afinidade e amizade, criando vários personagens, entre eles, Oumpah-pah, o pele vermelha (Oumpah-pah le Peau-Rouge), um nativo norte americano da tribo Shavashavah (Sávánás) forte e cheio de virtudes que se torna amigo de um oficial francês, Humberto-da-massa-folhada (Hubert de la Pâte), e que é chamado por Oumpah-pah de Escalpe-duplo devido a sua peruca. A série de Oumpah-pah foram publicadas no jornal Titin[1] entre 1958 e 1962.

As aventuras de Asterix surge em 1959, a partir da criação de uma revista chamada Pilote em parceria com o editor François Clauteaux, quando buscavam um heroi tipicamente francês. Em princípio, O Romance de Renart[2] parecia o mais promissor, mas para nossa sorte, outra editora já estava se inspirando nele. Depois de pesquisarem a fundo a história francesa, fecharam sua criação entre a Gália e os Gauleses[3]. Em em 29 de outubro de 1959, a 1ª edição da Pilote apresenta As Aventuras de Astérix. O sucesso foi instantâneo, de cara são vendidas 300 mil cópias. A dupla, Goscinny como redator e Uderzo como desenhista, trabalharam juntas até a morte de René em 1977. A partir da morte do amigo, Uderzo assume sozinho a publicação de Asterix, criando a ”Les Éditions Albert René”. O personagem criado por eles, Asterix, é um heroi justo, sagaz e perspicaz. A seu lado estão sempre o amigo atrapalhado e esquentado, Obelix, o entregador de obeliscos que na infância caiu no caldeirão da poção que dá superpoderes aos aldeões, e seu cãozinho Ideiafix. Juntos vivem diversas aventuras nas quais enfrentam as guarnições romanas que precisam dominar sua aldeia para que possam declarar a conquista da Gália. Todas as aventuras terminam com uma grande festa com muitos javalis, a comida preferida de Obelix, e bebida. As aventuras de Asterix é uma sátira regada com muito humor e política. Em algumas delas, são retratados também atores e atrizes, além de personagens históricos famosos como Júlio César e Cleópatra.

O meu preferido é O legionário. Asterix e Obelix decidem se alistar na legião romana para resgatar Tragicomix, noivo da belíssima Falbalá, por quem Obelix é apaixonado. Se você não leu, corre, é demais!!! O recruta egípcio que pensa que está em férias é impagável!!!

 

Desde seu lançamento, Asterix já vendeu mais de 380 milhões de cópias em 111 idiomas.

Ah, René Goscinny ainda participou da criação de outro querido personagem ao lado de Jean-Jacques Sempé: O pequeno Nicolau. É, bem, mas essa é uma outra história…

Até a próxima!!!

Para saber mais:

Encyclopeadia Britannica: https://www.britannica.com/biography/Rene-Goscinny

Veja como Uderzo desenhava os personagens de As aventura de Asterix, o gaulês? Basta acessar

https://www.youtube.com/watch?v=AwK4UW0ZSXc

[1]Tintin, inicialmente Le journal de Tintin, foi um periódico belga de histórias em quadrinhos realistas da segunda metade do século XX, também conhecido como Kuifje, na versão neerlandesa. Subtitulado Le journal des jeunes de 7 à 77 ans (O Periódico para os Jovens de 7 a 77 anos), foi uma das principais fontes de criação de quadrinhos do cenário francobelga e publicou algumas séries famosas, como Blake & MortimerAlixMichel VaillantRic HochetBruno Brazil e o título principal, As Aventuras de Tintim. A primeira publicação é de 1946 (para a edição belga, 1948 para a francesa). Foi interrompida definitivamente em 1993. Além da versão em neerlandês na Bélgica, internacionalmente existiram três versões em outras línguas: a grega (entre 1969 e 1972), a portuguesa (entre 1968 e 1982), e a egípcia (em árabe) (entre 1971 e 1980)”. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Le_Journal_de_Tintin

[2] “O Romance de Renart (Le Roman de Renart), escrito entre 1170 e 1250, consiste num conjunto de 27 poemas, em versos octossilábicos, reunidos, ao longo do século XIII, de forma incoerente e caótica, que pertencem a vários autores, na maioria anónimos, mas dos quais se destaca Pierre de Saint-Cloud. As personagens destas histórias são animais, sendo a mais importante a raposa (renart, ou renard, isto é, uma raposa), e nelas se parodia as canções de gestas e os romances corteses que enalteciam a sociedade cavaleiresca. Esta recolha de textos deriva de uma longa tradição de histórias sobre animais, escritas em latim; das fábulas de Esopo, que foram recolhidas e agrupadas, na Idade Média”. Fonte: https://www.infopedia.pt/$romance-de-renart

[3] O termo gauleses designa um conjunto de populações celtas que habitava a Gália (em latimGallia), isto é, o território que corresponde hoje, grosso modo, à França, à Bélgica e à Itália setentrional proto-históricas, provavelmente a partir da Primeira Idade do Ferro (cerca de 800 a.C.). Os gauleses dividiam-se em diversas tribos ou povos, por vezes federados, cada um com cultura e tradições originais. Os arqueólogos ligam as civilizações gaulesas à civilização celta de La Tène (chamada assim a partir do nome do sítio descoberto no lago NeuchâtelSuíça). A civilização de La Tène expandiu-se no continente na Segunda Idade do Ferro e desapareceu na Irlanda, durante a Idade Média. Os gauleses foram conquistados por Júlio César, nas Guerras da Gália e durante o período romano foram assimilados em uma cultura galo-romana. Durante a crise do terceiro século (século III), houve um breve Império das Gálias. Com a chegada dos francos, durante o período das migrações (século V), a língua gaulesa foi substituída pelo latim vulgar […]. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Gauleses

mapa da Gália no século I a.C.

 

SEIS HOMENS, DE DAVID MCKEE

ROALD DAHL

Roald Dahl é um dos nossos escritores preferidos!

Você sabia que ele, além de criar tantos personagens que vivem conosco desde a infância, trabalhou em uma petrolífera na África, foi roteirista para televisão e cinema e pilotou caças durante a Segunda Guerra Mundial?

Pois então! Mas vamos do começo…


Roald Dahl nasceu em 1916, no País de Gales, país que faz parte do Reino Unido. Filho de pais noruegueses, recebeu seu nome em homenagem ao explorador norueguês Roald Amundsen (que fez parte da primeira expedição ao Polo Sul!).

Em meados de 1930 começou a trabalhar na empresa petrolífera Shell, ainda no Reino Unido, mas logo foi ao Quênia, Tanzânia, entre outros países africanos trabalhar com o abastecimento de petróleo nessas regiões.

Em 1939, no início da 2º Guerra Mundial, Dahl ingressou na Royal Air Force. Realizou treinamentos, dirigiu caças em missões, sofreu um acidente em uma queda de um avião (que quase lhe custou a visão!), trabalhou na inteligência e deixou o serviço como Líder de Esquadrão.

Após essa turbulenta parte da vida, começa a escrever e é aqui que temos a seção que mais nos interessa.

Desde “Os Gremlins”, de 1943 (seu primeiro livro infantil que tem uma adaptação para o cinema com uma história bem diferente da do livro) a “Os Minpins”, lançado em 1991, seus livros nos encantam por muitos motivos. Grande parte deles são escritos sob o ponto de vista de uma criança. E isso torna os livros muito mais divertidos.

Nesses quase 50 anos de escrita, de ficção a poesia, Dahl nos trouxe personagens muito marcantes como Charlie Bucket e Willy Wonka, o senhor e a senhora Peste, o senhor Raposo, Jorge e seu remédio para a avó e Matilda, entre muitos outros.

Além disso também escreveu contos para adultos e participou de roteiros de alguns filmes para cinema e TV (adaptados de obras suas ou não), entre eles a série “Alfred Hitchcock Presents” (1955-1962) e o filme “Com 007 Só Se Vive Duas Vezes” (1967).

Faleceu aos 74 anos, em 1990, esse grande contador de histórias que, em 2008, ganhou um prêmio com seu nome (o Roald Dahl Funny Prize) para premiar ficções infantis bem-humoradas 🙂

Temos, em nossas bibliotecas, muitos livros traduzidos para o português e alguns no original, em inglês:

 

BIBLIOTECA, CASA DE BORBOLETA

Por Fernanda Passamai Perez

Quem é aluno da unidade Morumbi da Escola da Vila e visitou a biblioteca no último mês sabe que a biblioteca recebeu hóspedes. Quando retornamos do Carnaval estavam lá, lindas e protegidas em seus abrigos: duas crisálidas.

Na semana anterior, notamos um grande número de lagartas circulando pelas escadas, banheiros e biblioteca. Fizemos de tudo para deixá-las no jardim, não teve jeito. O ambiente acolhedor e as histórias contadas e comentadas nas rodas de biblioteca foram irresistíveis essas duas.

Apesar de sabermos tratar-se de crisálidas (ou pupa), um dos quatro estágios da metamorfose (transformação) desses insetos, não sabíamos se eram borboletas ou mariposas. Aos poucos, através das pesquisas nos livros da biblioteca e observações, fomos entendendo um pouco melhor nossas discretas e silenciosas hóspedes. Descobrimos que, independente de ser borboleta ou mariposa, elas já haviam passado pela fase do ovo (1ª fase), quando ficaram todas juntas na planta que ia alimentá-las na próxima fase: lagarta. Nesta fase, as lagartas (2ª fase) saem de seus ovos (eclodem) e correm para se alimentar.

Ah, sabe do que eu lembrei? … da história Uma lagarta muito comilona (A very, very hungry caterpillar), de Eric Carle. 

Lembra, como ela comeu, comeu, comeu até … até encher bastante a barriga e depois teceu seu casulo (3ª fase). Sabe por que elas fazem isso? Porque quando ela sai de seu casulo, ela não come mais nada. Nadinha de nada.

Depois que ela sai do casulo é aquele surpresa…bem, voltando para as hóspedes, para nós seria uma grande surpresa: borboleta ou mariposa? Pois, apesar de todos os esforços de professores, biólogos, alunos e curiosos (eu) ninguém sabia dizer o que sairia daqueles casulos.

Mas duas coisas a gente sabia, a 3ª fase de pupa durava em média 20 dias e já podíamos sugerir nomes para elas. Então, a data prevista para o “parto” ficou estimada para 13 de março, sexta-feira. Fizemos uma urna para receber as sugestões.

Na segunda –feira, dia 16 de março,  observamos que a pupa restante – uma delas desapareceu misteriosamente – estava vazia. Buscamos por todos os cantos da biblioteca. Nada. Só no dia seguinte, avistamos duas lindas borboletas na escada. Ah, vocês deve estar pensando:  mas como sabem que são borboletas?

Porque, agora, fora do casulo, pudemos observar melhor o padrão das suas asas e pesquisar novamente. E, tchan…tchan…tchan… trata-se de borboletas Brassolis astyra, da família das Ninfalídeos/Brassolinae !!!!

A borboleta recém-saída do casulo, abrindo e secando as asa

Agora sim, após sua carinha e belas asas, podemos então escolher uma nome para  ela. O que vocês acham? Abaixo a relação de nomes sugeridos por vocês:

1. ALINE
2. ARIAYL
3. BIA
4. BIRBD
5. BORBOLETA-LETA
6. BUTTERFREE
7. CHICO
8. CLARA
9. CRISEIDA
10. DOUGLAS
11. FERNANDINHA
12. JOUE
13. JUCO
14. LEO
15. LETA
16. LIKA
17. LOLA
18. LOLI
19. LUA
20. LUARA
21. LUCIA
22. LULU
23. LULUBELA
24. MARI
25. MARIA LAURA
26. MARIPOSA
27. MARIPOSA-MARI
28. MAURINHO
29. MEL
30. MOTHER
31. NINA
32. RAFAEL
33. REX
34. RURS
35. SAFIRA
37. SOFIA
38. SOL
39. STEFANO
40. STONS
41. TUTURITU
42. VENOMOTH

Agora é com vocês! Para votar, deixe um comentário, ali no balãozinho.

Até mais!


PARA SABER MAIS:NetNature: Guia de identificação de campo para lepidópteros de São Paulo. Disponível em: https://netnature.wordpress.com/2013/08/13/guia-de-identificacao-de-campo-para-lepidopteros-de-sao-paulo/

Agência de informação Embrapa: Fauna de Lepidópteros do bioma cerrado. Disponível em: https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Agencia16/AG01/arvore/AG01_81_911200585235.html

PINÓQUIO, UM CLÁSSICO PARA SER OUVIDO

Não há como não concordar com Calvino quando define que “um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer” (2007, p.11). Ora, se há um clássico que ainda tem muito a nos contar, essa obra é As aventuras de Pinóquio de Carlo Collodi.

Carlo Collodi é o pseudónimo de Carlo Lorenzini (1826 – 1890), nascido em Florença. Collodi era o nome de uma pequena aldeia, na Toscana, onde sua mãe nasceu. De origem modesta, era o mais velho de nove irmãos. Na juventude tento a vida eclesiástica, mas a abandonou o seminário para trabalhar como jornalista durante as duas guerras pela independência e reunificação do Reino da Itália (1861). Sua obra dedicada às crianças começou em 1875, traduzindo os contos de fadas franceses de Charles Perrault (1628 – 1703).

Antes de começar a publicar a obra que o tornaria conhecido e atravessaria as fronteiras geográficas, Collodi criou uma série infantil cujo protagonista era o vilão Gianettino (1876). Em 1881, começou a publicar em capítulos a série Histórias de um boneco no jornal infantil Giornale dei Bambini, que mais tarde se constituiria em As aventuras de Pinóquio que conhecemos hoje.

Ilustração de Pinoquio de E. Mazzani para a 1ª Edição de As Aventuras de Pinóquio, a história de um boneco de Carlo Collodi.

As aventuras de Pinóquio tornou-se mundialmente famoso através da adaptação dos estúdios Disney na década de 1940 nos EUA. Aliás, a Disney foi uma das indústrias culturais de massa mais eficientes de todos os tempos e de enorme penetração na sociedades,  ditando lógicas e modelos próprios da sociedade estadunidense, da potência mundial que se constituía. Enfim, Pinóquio passa a ser conhecido e a fazer parte de um inconsciente coletivo. O filme, porém, sofreu alterações na linguagem e em seu conteúdo, tornando-o mais palatável, o que, de certa forma, empobreceu a obra de Collodi.

Pinocchio (1940).KPA Honorar & Belege—United Archives GmbH/Alamy

Embora o Pinóquio de Disney seja encantador, quem teve a oportunidade de ler a obra em tradução integral ou no original, sabe do que estou falando. Pinóquio é um romance de formação. Suas ‘aventuras’ são antes conflitos humanos, violentos, e para as crianças italianas daquele tempo, e também às contemporâneas, contribuiu para enviar mensagens sobre a importância do trabalho, da seriedade, da honestidade, da solidariedade, da família. Pode parecer um parecer um tanto tradicional, mas não é bem assim. Haja vista que Pinóquio é adotado e criado pelo velho, solteiro e esquentado Gepeto, personagem que é retratado por Disney como uma pessoa passiva. Nada disso.

O heroi de Collodi segue sua saga até se tornar um menino de verdade. Apesar de, como todo heroi, receber ajuda de seres maravilhosos, Pinóquio não é poupado das agruras do crescimento em sua jornada. Sofre. Sofre todas as consequências das suas escolhas. Afinal, a vida é feita de escolhas e crescer não é fácil…

Já deu para perceber por que As aventuras de Pinóquio é um clássico?

Mesmo que você ou seus filhos já tenham assistido a qualquer adaptação, vale muito a pena ler a obra integral.

E, pensando nesse período da quarenta, a gente está fazendo a leitura capítulo a capítulo da edição da Iluminuras, traduzida por Gabriella Rinaldi.

Pinóquio segue sendo um personagem encantador, carismático, moleque travesso desde sua tenra idade, quando era um tronco de madeira e muito parecido com cada um de nós.

As aventuras de Pinóquio / Carlo Collodi. São Paulo : Iluminuras, 2002.

Link para os capítulos já disponíveis:

As aventuras de Pinóquio, C

As A

 

Fontes: https://www.britannica.com/topic/The-Adventures-of-Pinocchio

Para saber mais: http://naogostodeplagio.blogspot.com/2016/06/carlo-collodi-no-brasil.html

Referência bibliográfica: CALVINO, Italo. Por que ler os clássicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. 279 p

ANDRÉ NEVES

Olá!

Seguimos com a apresentação de perfis das nossas escritoras e escritores. Hoje temos o caso de um ilustrador que sempre escreveu, com outros autores ou sozinho, histórias muito poéticas e que trazem muitas reflexões. Trata-se do pernambucano, radicado em Porto Alegre, André Neves.

Ele nasceu em 1973, em Recife e se formou em Relações Públicas e em Artes Plásticas.

De 1997, quando lançou seu primeiro livro como ilustrador, já ganhou duas vezes o Prêmio Jabuti (que premia a excelência em produção literária nacional), uma em 2011 pela categoria Infantil, com o livro Obax e a outra em 2013, pela categoria Ilustração de Livro Infantil e Juvenil, com o livro Tom.

Suas ilustrações brincam muito com o brincar e conversam bastante com o texto das criações das histórias. Sua infância em Recife parece trazer muitas referências para seus livros.

Em 2004 recebeu ainda o “Prêmio Açorianos” de melhor ilustração. E também recebeu por parte de sua obra selos “Altamente Recomendável”, concedidos pela FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil).

Ele tem um blog (que não é atualizado desde 2013) que tem informações de livros que ele fez, homenagens que recebeu, outros prêmios que ganhou e ilustrações que não estão em livros.

Temos em nossas bibliotecas 34 títulos deste autor, 19 em que ele aparece como ilustrador ou co-autor e 15 em que ele é o autor principal.

Ei-los:

                                                                                                   

ATO GRATUITO OU CLARICE 100 ANOS!

por Fernanda Passamai Perez

Quando me comunico com crianças é fácil, é maternal.
Quando me comunico com adulto, estou na verdade me comunicando
com o mais secreto de mim mesma.
Com o Adulto é triste e solitário.
A criança tem a fantasia, é solta”.

Esta declaração é da escritora Clarice Lispector ao jornalista Julio Lerner naquela que seria sua última entrevista, gravada para o programa “Panorama” da TV Cultura em 01/02/77. Clarice faleceu em 9 de dezembro do mesmo ano.

Nascida em Chechelnyk, na Ucrânia em 1920, Clarice estaria fazendo 100 anos. Após sua mudança de país com a família, chegou ao Brasil em 1921 e foi naturalizada brasileira. Sua presença na literatura brasileira e mundial se fez presente desde a publicação de seu primeiro romance Perto do Coração Selvagem, em 1944, pela editora A Noite. Neste mesmo ano o romance é laureado com o Prêmio Graça Aranha. Em 1985 sob a Direção de Suzana Amaral, A hora da estrela ganhou as telas do cinema. Para o público infantil, inspirada em seus filhos, criou histórias fantásticas como “A mulher que matou o peixe”; “O mistério do coelho pensante”; “Quase de verdade” e “A vida íntima de Laura”. I-M-P-E-R-D-Í-V-E-I-S!!!! São histórias divertidas com certa dose de drama e provocações. Elas possuem diversos níveis de leitura e agradam tanto aos pequenos quantos aos leitores mais experientes.

Suas obras foram traduzidas para o francês, inglês, alemão e espanhol. Em 2011, o americano Benjamin Moser publicou uma das biografias mais completas a respeito da escritora. De longe a definitiva.

Fato curioso foi sua participação em 1975 no 1º Congresso Mundial de Bruxaria, em Bogotá, capital da Colômbia, com o texto “Literatura e Magia”. Segundo Clarice sua participação aconteceu devido ao comentário de algum crítico que teria dito que ela não escriva como escritora, que sua palavra e sua ideia ultrapassavam o mundo da escrita de tão encantatória, mágica, cheia de forças ocultas.

Ao visitar o Cairo, no Egito, comenta em carta ao amigo Fernando Sabino sobre seu encontro com a Esfinge: “Não a decifrei, mas ela também não me decifrou”.

Portanto, ao invés de tentar decifrar Clarice, meu convite é para viver sou obra. Com vocês:

Ato gratuito

Muitas vezes, o que me salvou foi improvisar um ato gratuito. Ato gratuito, se tem causas, são desconhecidas. E se tem consequências, são imprevisí­veis. O ato gratuito é o oposto da luta pela vida e na vida. Ele é o oposto da nossa corrida pelo dinheiro, pelo trabalho, pelo amor, pelos prazeres, pelos táxis e ônibus, pela nossa vida diária enfim – que esta é toda paga, isto é, tem o seu preço.

Uma tarde dessas, de céu puramente azul e pequenas nuvens branquí­ssimas, estava eu escrevendo à máquina – quando alguma coisa em mim aconteceu. Era o profundo cansaço da luta.

E percebi que estava sedenta. Uma sede de liberdade me acordara. Eu estava simplesmente exausta de morar num apartamento. Estava exausta de tirar idéias de mim mesma. Estava exausta do barulho da máquina de escrever. Então a sede estranha e profunda me apareceu. Eu precisava – precisava com urgência – de um ato de liberdade: do ato que é por si só. Um ato que manifestasse fora de mim o que eu não precisava pagar. Não digo pagar com dinheiro mas sim, de um modo mais amplo, pagar o alto preço que custa viver.

Então minha própria sede guiou-me. Eram 2 horas da tarde de verão. Interrompi meu trabalho, mudei rapidamente de roupa, desci, tomei um táxi que passava e disse ao chofer: vamos ao Jardim Botânico. “Que rua?”, perguntou ele. “O senhor não está entendendo”, expliquei-lhe, “não quero ir ao bairro e sim ao Jardim do bairro.” Não sei por que olhou-me um instante com atenção.

Deixei abertas as vidraças do carro, que corria muito, e eu já começara minha liberdade deixando que um vento fortí­ssimo me desalinhasse os cabelos e me batesse no rosto grato de olhos entrefechados de felicidade.

Eu ia ao Jardim Botânico para quê? Só para olhar. Só para ver. Só para sentir. Só para viver. Saltei do táxi e atravessei os largos portões. A sombra logo me acolheu. Fiquei parada. Lá a vida verde era larga. Eu não via ali nenhuma avareza: tudo se dava por inteiro ao vento, no ar, à vida, tudo se erguia em direção ao céu. E mais: dava também o seu mistério.

O mistério me rodeava. Olhei arbustos frágeis recém-plantados. Olhei uma árvores de tronco nodoso e escuro, tão largo que me seria impossí­vel abraçá-lo. Por dentro dessa madeira de rocha, através de raí­zes pesadas e duras como garras – como é que corria a seiva, essa coisa quase intangí­vel que é a vida? Havia seiva em tudo como há sangue em nosso corpo.

De propósito não vou descrever o que vi: cada pessoa tem que descobrir sozinha. Apenas lembrarei que havia sombras oscilantes, secretas. De passagem falarei de leve na liberdade dos pássaros. E na minha liberdade. Mas é só. O resto era o verde úmido subindo em mim pelas minhas raí­zes incógnitas. Eu andava, andava. Às vezes parava. Já me afastara muito do portão de entrada, não o via mais, pois entrara em tantas alamedas. Eu sentia um medo bom – como um estremecimento apenas perceptí­vel de alma – um medo bom de talvez estar perdida e nunca mais, porém nunca mais! achar a porta de saí­da.

Havia naquela alameda um chafariz de onde a água corria sem parar. Era uma cara de pedra e de sua boca jorrava a água. Bebi. Molhei-me toda. Sem me incomodar: esse exagero estava de acordo com a abundância do Jardim.

O chão estava às vezes coberto de bolinhas de ararueira, daquelas que caem em abundância nas calçadas da nossa infância e que pisamos, não sei por que, com enorme prazer. Repeti então o esmagamento das bolinhas e de novo senti o misterioso gosto bom. Estava com um cansaço benfazejo, era hora de voltar, o sol já estava mais fraco.

Voltarei num dia de chuva – só para ver o gotejante jardim submerso

Nota da autora: peço licença para pedir à pessoa que tão bondosamente traduz meus textos em braile para os cegos que não traduza este. Não quero ferir os olhos que não vêem.


Aprendendo a Viver / Clarice Lispector. São Paulo: Rocco, 2004.

Para saber mais:

COTIDIANO ESCOLAR

por Alana Vaz*

Acordar cedo, desligar o despertador e levantar, mais um dia de aula ou batalha com o consciente.  Algo normal em questão de força emocional e física.

Comer algo, se arrumar, e enfim sair de casa. Enfrentar o caminho até a escola e então chegar ao lugar onde te causa tantas emoções, tanto como alegria e entusiasmos como tédio e cansaço.

A hora que se passa com as aulas é diferente, e pode causar uma angústia pelo tempo. Ou rápido de mais ou realmente devagar, como se cada aula fosse um sopro ou como se todo minuto passado fosse ficando cada vez mais longo.

Bate o sinal, hora do intervalo, como o meu lanche e vou até a biblioteca. Meu refúgio mental está lá dentro. Onde tudo se espairecer e pode-se encontrar certa ordem momentânea nos pensamentos. Acabou o intervalo. Voltei para a sala.

As aulas depois do intervalo geralmente são monótonas e sonolentas, o que faz ser mais difícil de entender as coisas, deixando meus pensamentos confusos e ao mesmo tempo preocupados, por querer entender a matéria.

Tirando os momentos de puro desvio de atenção, onde no meio da aula, viajo para um mundo completamente diferente, mas, logo me acho de volta na sala, sentada com a voz do professor ecoando no fundo da minha cabeça.

A aula acabou, mas, ainda não vou para a casa, tem muita coisa a ser feita e decido ficar mais um pouco, vou parar na biblioteca, um canto de paz e tranquilidade para a minha consciência. Termino o que eu preciso e então tenho que partir para casa.

Mesmo caminho de volta, coloco o fone para me distrair ao máximo pelo longo percurso, penso em visitar um amigo para que o dia termine um pouco melhor do que de costume, porém, decido que é melhor ir direto para casa.

Já em casa, vou tomar banho para que possa então encerrar o dia letivo e rotineiro. Em direção da cama vejo o livro que tanto queria ler antes do início das aulas, mas que ficou desinteressante depois de todas as responsabilidades apresentadas.

Enfim, vou para a cama dormir, deito e então passasse um turbilhão de pensamentos em minha mente, o que me faz ficar acordada e pensativa por um tempo, até que de repente pegue no sono e termine mais um dia.

Aquamare


* Alana Vaz é aluna do 1º ano Ensino Médio, apaixonada por livros e frequentadora assídua da biblioteca da unidade Morumbi