Adeus a Alberto Uderzo

Por Fernanda Passamai Perez

Semana passada, no dia 24 de março, Asterix e seus companheiros da pequena aldeia na Gália Antiga ficaram órfãos. Nós leitores também. Albert Uderzo (1927 – 2020) foi se encontrar com o amigo René Goscinny (1926 – 1977) em outros mundos. O desenhista morreu dormindo em sua casa, em Neuilly-sur-Seine, na região parisiense.

Uderzo teve uma parceria muito produtiva e de longa duração com Goscinny. Ambos nasceram na França, mas só foram se conhecer em 1951, quando Goscinny, que morava em Nova Iorque à época, foi convidado a voltar à Paris como contratado pelo World Press/International Press, agência em que Uderzo trabalhava.

A dupla desenvolveu grande afinidade e amizade, criando vários personagens, entre eles, Oumpah-pah, o pele vermelha (Oumpah-pah le Peau-Rouge), um nativo norte americano da tribo Shavashavah (Sávánás) forte e cheio de virtudes que se torna amigo de um oficial francês, Humberto-da-massa-folhada (Hubert de la Pâte), e que é chamado por Oumpah-pah de Escalpe-duplo devido a sua peruca. A série de Oumpah-pah foram publicadas no jornal Titin[1] entre 1958 e 1962.

As aventuras de Asterix surge em 1959, a partir da criação de uma revista chamada Pilote em parceria com o editor François Clauteaux, quando buscavam um heroi tipicamente francês. Em princípio, O Romance de Renart[2] parecia o mais promissor, mas para nossa sorte, outra editora já estava se inspirando nele. Depois de pesquisarem a fundo a história francesa, fecharam sua criação entre a Gália e os Gauleses[3]. Em em 29 de outubro de 1959, a 1ª edição da Pilote apresenta As Aventuras de Astérix. O sucesso foi instantâneo, de cara são vendidas 300 mil cópias. A dupla, Goscinny como redator e Uderzo como desenhista, trabalharam juntas até a morte de René em 1977. A partir da morte do amigo, Uderzo assume sozinho a publicação de Asterix, criando a ”Les Éditions Albert René”. O personagem criado por eles, Asterix, é um heroi justo, sagaz e perspicaz. A seu lado estão sempre o amigo atrapalhado e esquentado, Obelix, o entregador de obeliscos que na infância caiu no caldeirão da poção que dá superpoderes aos aldeões, e seu cãozinho Ideiafix. Juntos vivem diversas aventuras nas quais enfrentam as guarnições romanas que precisam dominar sua aldeia para que possam declarar a conquista da Gália. Todas as aventuras terminam com uma grande festa com muitos javalis, a comida preferida de Obelix, e bebida. As aventuras de Asterix é uma sátira regada com muito humor e política. Em algumas delas, são retratados também atores e atrizes, além de personagens históricos famosos como Júlio César e Cleópatra.

O meu preferido é O legionário. Asterix e Obelix decidem se alistar na legião romana para resgatar Tragicomix, noivo da belíssima Falbalá, por quem Obelix é apaixonado. Se você não leu, corre, é demais!!! O recruta egípcio que pensa que está em férias é impagável!!!

 

Desde seu lançamento, Asterix já vendeu mais de 380 milhões de cópias em 111 idiomas.

Ah, René Goscinny ainda participou da criação de outro querido personagem ao lado de Jean-Jacques Sempé: O pequeno Nicolau. É, bem, mas essa é uma outra história…

Até a próxima!!!

Para saber mais:

Encyclopeadia Britannica: https://www.britannica.com/biography/Rene-Goscinny

Veja como Uderzo desenhava os personagens de As aventura de Asterix, o gaulês? Basta acessar

https://www.youtube.com/watch?v=AwK4UW0ZSXc

[1]Tintin, inicialmente Le journal de Tintin, foi um periódico belga de histórias em quadrinhos realistas da segunda metade do século XX, também conhecido como Kuifje, na versão neerlandesa. Subtitulado Le journal des jeunes de 7 à 77 ans (O Periódico para os Jovens de 7 a 77 anos), foi uma das principais fontes de criação de quadrinhos do cenário francobelga e […] o título principal, As Aventuras de Tintim. A primeira publicação é de 1946 […].Foi interrompida definitivamente em 1993″.  Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Le_Journal_de_Tintin

[2] “O Romance de Renart (Le Roman de Renart), escrito entre 1170 e 1250, consiste num conjunto de 27 poemas, em versos octossilábicos, reunidos, ao longo do século XIII, de forma incoerente e caótica, que pertencem a vários autores, na maioria anónimos, mas dos quais se destaca Pierre de Saint-Cloud. As personagens destas histórias são animais, sendo a mais importante a raposa (renart, ou renard, isto é, uma raposa), e nelas se parodia as canções de gestas e os romances corteses que enalteciam a sociedade cavaleiresca. Fonte: https://www.infopedia.pt/$romance-de-renart

[3] O termo gauleses designa um conjunto de populações celtas que habitava a Gália (em latimGallia), isto é, o território que corresponde hoje, grosso modo, à França, à Bélgica e à Itália setentrional proto-históricas, provavelmente a partir da Primeira Idade do Ferro (cerca de 800 a.C.). […] Os gauleses foram conquistados por Júlio César, nas Guerras da Gália e durante o período romano foram assimilados em uma cultura galo-romana. Durante a crise do terceiro século (século III), houve um breve Império das Gálias. Com a chegada dos francos, durante o período das migrações (século V), a língua gaulesa foi substituída pelo latim vulgar […]. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Gauleses

mapa da Gália no século I a.C.

 

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