MEU AMIGO JIM

por Leonardo Souza Martins
6ºA – Unid. Butantã

Título: Meu amigo Jim
Autor: Kitty Crowther
Editora: Cosac Naify

O livro “Meu amigo Jim” apresenta um pássaro melro chamado Jack, que mostra detalhadamente como ele gosta do mar e a sua amizade com Jim, a gaivota. Uma relação sem brigas, só com bons momentos. O autor também remete ao preconceito de raça.

Na verdade os momentos em que há preconceito ocorrem quando seu amigo Jim convida Jack, o pássaro preto, para conhecer sua casa em uma ilhota. Ao chegar na ilha, todas as gaivotas brancas olham de um modo estranho para o melro. Jack pergunta a seu amigo o por que o olhar estranho. Jim responde: “ É normal. É a primeira vez que veem um pássaro todo preto.” Pelas imagens, todas as gaivotas olham de cara feia ou assustada para Jack. Assim, há uma passagem que mostra as gaivotas rejeitando Jack, dizendo que ele é uma ave esquisita, que não gostam dele. O melro fica triste e volta para casa com seu amigo. Não podemos maltratar os outras pela sua aparência.

Percebemos que o autor mostra os sentimentos que os negros sentem quando os maltratamos deste jeito, quando declaramos que eles são esquisitos, que não importam. No final do livro Jack descobre um baú cheio de livros que ele então começa a ler. Toda noite lia um para Jim, mas uma gaivotinha escutava às escondidas. Ele conta para sua mãe que o pássaro preto lia muito bem. A mãe o visita, e ama a história. Surpreendida conta para suas amigas sobre Jack e suas histórias, que conta para o resto da vila. A cada dia novas visitas batiam na porta, e toda a noite todas as gaivotas ouviam uma história contada por Jack. Este trecho da história nos dá o olhar que as pessoas com pele escura também tem dons que agrade os outros. Todos tem algo de bom para compartilhar com os outros, todo mundo pode servir alguma ação que agrade.

A história calma dá a visão do afeto sentimental humano pelos negros, a tristeza. Como a espécie mais inteligente (humana) maltrata a si mesma por um motivo bobo, a cor da pele?

VERDADEIRA AMIZADE

por Antônio Terahata Scatolini Menten
6ºA – Unid. Butantã

Título do conto: O amigo devotado
Livro: O jovem rei e outras histórias
Autor: Oscar Wilde
Editora: Ática

No conto “O amigo devotado”, um pintarroxo* explica o que é um mau exemplo de companheirismo a um ratão do banhado e a uma pata, narrando a história da amizade de Hans e do Moleiro, ambos de classes sociais muito desiguais, porém Hans ainda continua a deixar ser aproveitado pelo Moleiro, o mais rico dos dois.

Nesta obra, o autor Oscar Wilde esconde muitos significados, pequenos, porém profundos, como a forte vontade de continuar a ter um amigo, sem perdê-lo em qualquer circunstância, até sacrificando muitos, de seus próprios bens, somente para agradar o outro: “O pobre e pequeno Hans estava muito ansioso para ir trabalhar no seu jardim, pois havia dois dias que suas flores não eram regadas, mas não lhe agradava recusar um pedido do Moleiro, já que era seu grande amigo” este trecho do livro passa uma idéia, de ser uma obrigação ajudar um amigo, e não algo bom e agradável, outro dos motivo de não ser uma boa amizade e sim, um tipo de exploração.

A amizade entre o Moleiro e o pequeno Hans é a pura exploração. Hans é um jardineiro muito bom em sua profissão e que ama seu jardim, porém o Moleiro todo dia de primavera, verão e outono vai buscar flores no jardim de Hans, dificultando a vida do pequeno jardineiro. O inverno é a única época que o Moleiro não visita Hans pois ele não tem flores para vender, tornando esta a época mais difícil para Hans pois ele ganha a vida vendendo suas flores.

Uma certa noite escura e chuvosa, o filho do Moleiro cai da escada, se machucando, em vez de chamar o médico o Moleiro foi até a casa de Hans, pedindo a ele que fosse e chamasse o médico, mesmo Hans pedindo emprestada a lanterna do Moleiro pois estava escuro, o tal nega pois nada de errado pode acontecer com a lanterna que era nova, então Hans vai até o médico e o chama mas, ele só tem um cavalo então Hans tem de voltar a pé, a chuva estava muito mais forte e Hans se perde. Na manhã seguinte seu corpo é encontrado em um buraco fundo que tinha enchido de água.

Na narrativa, Hans é a pura devoção feita de afeição tola, e o Moleiro é a manipulação derivada do aproveitamento.

*um pássaro

SEGUINDO A SI PRÓPRIOS

Título: Entre Cabras e Ovelhas
Autor: Joanna Cannon
Editora: Morro Branco
472 páginas

Resultado de imagem para Entre Cabras e OvelhasEm uma pequena Vila no Interior da Inglaterra, o misterioso sumiço da Sra. Creasy é o novo assunto das fofocas da vizinhança. Ninguém sabe ao certo o que aconteceu ela, mas todos arriscam opiniões sobre o seu desaparecimento. Mas mesmo com diversos julgamentos, as pequenas Grace e Tilly não se conformam com as opiniões alheias e passam seus dias à procura de novas pistas, de porta em porta. Mais uma porta a bater para Grace e Tilly, mais um segredo a esconder para os adultos. Essa é a história relatada por Joanna Cannon em seu livro “Entre Cabras e Ovelhas”, publicado no ano de 2016.

Na prolongação da leitura é bastante questionável o porquê do título do livro, mas em um certo momento do enredo o padre, personagem coadjuvante, diz a seguinte frase: “As pessoas são como cabras e ovelhas, se se desviarem da estrada ou pararam de seguir seus pastores, se perdem, e se elas se perdem é preciso que se achem novamente”. Essa frase é totalmente reveladora, pois com ela podemos ver que o título se aplica totalmente ao enredo.

O livro mostra como na vida existem dois tipos de pessoas: Os pastores, os que guiam, os que criam, os que escolhem, os que influenciam. E as cabras e ovelhas, as que seguem, as que  indiretamente são influenciadas, as que não escolhem. Mas mesmo os pastores são cabras e ovelhas, mesmo os pastores acabam seguindo outros pastores.

A obra trata de forma sutil como indiretamente a sociedade está cheia de seguidores sem rumo com o propósito de se encaixarem. Em sua frase, o padre comenta que é preciso se encontrar caso se perca, isso mostra a necessidade do ser humano de se encaixar, de não se perder, mesmo se quando perdidos acabamos nos achando mais do que localizados. Ninguém está livre de seguir o que a sociedade impõe, incluindo os ditadores de padrões. A obra consegue nos fazer pensar em diversos ângulos, “Entre Cabras e Ovelhas é uma excelente experiência literária para refletir”.

MEDO OCULTO ENTRE AS PÁGINAS

por Mariana Sequeira Rocha
6ºA – Unid. Butantã

Resultado de imagem para Fallen Lauren Kate CAPATítulo: Fallen
Autora: Lauren Kate
Editora: Galera Record
406 páginas

Uma cidadezinha normal, igual a maioria das outras, onde na maioria dos dias o Sol brilha constante no céu, onde tudo era legal, onde tudo parecia perfeito, tão perfeito que até se tornava um tanto assustador, é o cenário onde o livro “Fallen”, de Lauren Kate, se passa. Ali era onde vivia a protagonista dessa história, Lucinda, uma menina de 16 anos que sempre viu sombras a sua volta, vultos pretos, e sombrios, rodeando seus momentos felizes, escuros e amedrontadores, trazendo apenas o medo e a escuridão para sua vida.

Antes ela as via perto de lagos, rios, ou lagoas escuras, onde o Sol não se expunha. Ou de florestas, estranhas e com uma neblina densa, que deixava as pálpebras de Luce pesadas, na maioria das vezes, como se pudessem se fechar a qualquer momento, deixando que no momento em que elas se fecharem o corpo caísse junto ao chão, fazendo com que ela acordasse com o impacto. E onde, em uma noite com o céu totalmente escuro, onde não havia nenhuma estrela sequer, foi nesta noite que aconteceu, aconteceu o inesperado, aconteceu algo que mudaria completamente sua vida.

Em uma floresta escura, com um lago perto dela, um pouco afastado da cidade, foi onde houve um incêndio. Esse cenário invadia a cabeça da garota diversas vezes depois do incidente, e não tinha nada que ela pudesse fazer para tirá-la de lá. E isso trouxe mais sombras para perto dela, as lembranças frequentes de um lugar e de uma noite, que a aterrorizava a qualquer momento. E depois daquilo tinham mais vultos lhe seguindo e lhe assustando. Se espremendo por baixo de portas, percorrendo quilômetros em segundos, tomando conta do tempo, e das lembranças de Luce. Depois de um tempo, depois do que aconteceu perto de uma floresta, a menina começou a vê-las em qualquer lugar e a qualquer momento.

As sombras representam o medo, que aparece em todo o momento, e de repente, invadindo lugares, quebrando barreiras, porém todos falam que isso é coisa de sua cabeça. Ninguém mais vê, apenas você, o que faz tudo ficar mais assustador. Isso também acontece com as sombras de Luce. Isso acontece com ela. Luce sente medo daqueles misteriosos vultos a sua volta, perto dela, mais precisamente, ela sente medo do medo. Medo de sentir medo.

Elas aparecem em qualquer momento, e cada vez conseguem fazer mais coisas com a garota. No começo nunca haviam encostado nela, apenas aparecido de vez em quando, aqui e ali, sem nem chegar perto da garota, mas depois de um tempo começaram a puxá-la, empurrá-la, jogá-la contra paredes, arremessá-la no chão, e até afastá-la daqueles que ama.

As sombras ocupam discretamente todos os momentos felizes de Luce, nos sonhos, nas lembranças, nos sentimentos, e em tudo que ela acredita e que a faz feliz, se escondendo em cada página da história da menina, aterrorizando até os momentos mais bonitos. E quando as sombras finalmente tem forças o suficiente, tomam conta dessa felicidade, aos poucos, tirando dolorosamente tudo o que ela ama de perto dela. Afastando tudo aquilo que pode fazê-la parar de temê-las. Fazendo com que ela fique longe daqueles que podiam protegê-la.

Um dia, assim que entra no internato Sword & Cross, Luce conhece um menino chamado Daniel. Assim que olhou para ele, as sombras tomam conta do lugar. As sombras estavam se movendo por todo lugar, tapando a visão de Luce, do menino, elas estão como se implorando para que ela não prestasse atenção nele. Como se implorando para não cometer o mesmo erro de sempre.

Mas que sempre? Nunca havia visto aquele menino na vida, apesar de sentir que já lhe conhecia, de algum lugar desse longo mundo. Nunca havia falado com ele, apesar de sentir sua voz vibrando dentro de seu peito, apesar de ouvir isso em sua mente. Ela nunca havia visto ele correndo, apesar de saber que ele era bem rápido. Ela nunca havia o abraçado, apesar sentia que quando fizesse isso ela se sentiria voando pelos ares. E no momento em que ela o viu, ela soube que a amava , mas  que não podia amá-lo. E isso a assustou. Sentia que ele lhe escondia alguma coisa, mesmo não o conhecendo. Ela sentia que ele sabia de algo que ela não sabia, ou que, pelo menos não deveria saber. Não podia saber, como se aquilo pudesse prejudicá-la. Como se o conhecimento pudesse ferir alguém. Pode. Sempre pode. E sempre poderá. Principalmente com Lucinda.

“Todos acreditam em alguma coisa.”. E ela acreditava, sim, acreditava, e como acreditava. Acredita que algum dia ela conseguiria afastar aquelas sombras de perto dela. Acreditava que valia a pena lutar pela única coisa que não era traiçoeira, pela única coisa que trazia paz a ela, pela única coisa que as sombras não podiam tirar de perto dela. O amor.

As sombras representam um pouco o medo do que é real, o medo em si, o medo de estar ali naquele momento, e não ser salva, e morrer dentro daquela escuridão. Morrer por aquilo que todos acham que é irreal, morrer por aquilo em que você nunca deveria ter acreditado.

Todos temos medos, coisas que nos assustam, e todos sabemos o que é se sentir sufocado por algo irreal. Se sentir preso por um nada, por algo que não deveria conseguir te manipular, mas quanto mais forte o seu medo é mais ou menos, mais ele consegue mandar em você. Nós temos medo de sofrer por algo que obviamente não existe, ou que pelo menos não deveria existir. Todos nós sabemos o que é saber que algo não vai te fazer mal, que nem as sombras da Luce no começo, que apenas apareciam e não lhe faziam nada. Mas mesmo assim temos medo, e tentamos evitar tudo que faz com que aquele sentimento pare.

“Era difícil de explicar, mas subitamente se deu conta de que, assim como ela, todo mundo tinha um passado. Todos provavelmente escondiam coisas que não queriam dividir. Mas ela não conseguiu concluir se isso a fazia se sentir mais ou menos isolada.” Todos à volta de Luce tinham histórias tão aterrorizantes quanto a de Luce, às vezes até mais, mas que haviam às vencido, e que todos tinham vencido o medo que aqueles lembranças traziam para perto dela. Agora era a vez de Luce, e isso a assustava, como quase qualquer coisa que lhe lembrasse das perseguições que aqueles vultos faziam.

A Lauren Kate apresenta muito bem o medo nas páginas desse livro, e, nas mesmas páginas, Luce vive e conta sua historia, novamente e repetitivamente, depois de 17 anos, que sempre foi a mesma, sempre, apesar de alguns detalhes, que mudam a cada certo tempo. E a cada 17 anos, ela volta. Para reviver tudo aquilo, mais uma vez, na esperança de dessa vez conseguir. Na esperança de dessa vez poder descobrir mais coisas sobre si mesma, e não morrer apenas de ouvir certas palavras. Na esperança de dessa vez poder amá-lo.

UMA RESENHA EXEMPLAR

por Leonardo Cassiano De Almeida Mota
6º A – Unid. Butantã

Livro: Garota exemplar
Editora: Intrínseca
Autor: Gillian Flynn
432 páginas

Na obra de  Gillian Flynn ,“Garota exemplar”, um elemento que está muito presente durante a obra, é o “medo”.

Nick Dunne e Amy Dunne eram casados. No dia do 5° aniversário de casamento deles dois, a esposa dele desaparece da casa deles. E com isso seu esposo fica com muito medo de acontecer alguma coisa com Amy (maus tratos, morte etc). Deixou-o tão preocupado, que tenta fazer de tudo para achá-la, chamando polícia em sua casa e investigando o caso, junto com pressão e a escuridão que começou a rondar a sua vida a partir daquele dia. Em todos os capítulos, Nick falava sobre o caso e chega um ponto do livro que ele fica tão maluco com este momento de sua vida, que acaba virando o principal suspeito do caso, pois seu comportamento mudou totalmente que levou ele a ficar diferente também. E com a ajuda de sua irmã gêmea, ele tenta provar sua inocência e investigar o caso de sua esposa ao mesmo tempo. A mãe de Nick havia sido diagnosticada com câncer, e com isso se mudaram para Nova York.

Depois disso ele ficou preguiçoso e Amy ficou brava por causa de sua infidelidade. Isso chegou a um ponto de que ele acabou ficando tão preocupado com o caso, que sem querer acabou acontecendo, que ele acabou virando o principal suspeito do caso de Amy, pois ficou “louco” para ter ela de volta e tudo isso foi por causa de sua infidelidade, que acabou gerando seu medo.

E por isso na obra de “Garota Exemplar”, eu acho que o “Medo” está muito envolvido no livro, que os personagens principais são Nick e Amy.

Se você conhece alguém que gosta de livros que a cada capítulo vai te deixando mais curioso para saber o que aconteceu, a obra de “Garota exemplar” é uma obra muito boa para esse tipo de pessoas.

No livro, o medo, acaba mudando os próprios personagens, Nick era uma pessoa muito legal sempre conversava com seus amigos e o medo acabou o alterando, pois depois que Amy sumiu, o comportamento dele mudou completamente, por isso o medo muda os personagens.

SOBRE SE DECIDIR – RESENHA NOAH FOGE DE CASA

por Rachel Brant Leroy
6ºA – Unid. Butantã

Livro: Noah foge de casa
Editora: Companhia das Letras
Autor: John Boyne
193 páginas                          

Sobre se decidir
A história do livro “Noah foge de casa”, escrita por John Boyne, conta sobre Noah, uma criança de apenas 8 anos que resolve fugir de casa para se livrar de problemas que nem ele mesmo sabe direito que existem, ou, se sabe, não admite. A mãe do menino, doente,  acaba tendo atitudes inesperadas e divertidas, porém incomuns para Noah. Isso acaba fazendo o leitor pensar que tudo o que ela faz, quer apenas aproveitar os tempos que não teve com seu filho antes da sua morte.
“Um dia, Noah Barleywater saiu de casa ainda cedo, antes do sol raiar, antes dos cachorros acordarem, antes do orvalho parar de cair no campo”. Ao sair de casa com o objetivo de chegar a uma cidade que goste, passa por duas cidades estranhas que não o agradam muito, e ao invés das pessoas ignorarem-no como qualquer que poderia aparecer na rua, o culparam por coisas como comer uma maçã.  Até que em um momento chega em uma pequena aldeia onde é recepcionado por uma árvore comum, mas que acaba chamando a sua atenção e, sem perceber, a encara por 1 hora. Noah percebe que o que chama a sua atenção é a construção desalinhada que fica atrás e entra nela, percebendo que é uma loja de brinquedos. O que ele não sabe é que tem algo de mais esperando lá dentro.
O livro “Noah foge de casa” trata indiretamente de uma reflexão para o leitor sobre problemas na família e desejos que não podem ser realizados, em uma história fantástica e maravilhosa. Noah foge de casa por coisas estranhas que vem acontecendo. Sua mãe está doente e toda vez que ele questiona o que está acontecendo, apenas o ignoram ou mentem, fazendo-o ficar na dúvida e se iludir, pensando e temendo a verdade. E é com partes como essa que o leitor vai descobrindo o que está acontecendo:

“ – Desculpe, Noah – ela disse com uma voz cansada. – Mas acredite, não precisa se preocupar. Foi só um pequeno mal-estar. Deve ter sido o algodão doce.
– Mas você não comeu algodão-doce – Retrucou Noah olhando para ela.”

Quando chega na loja de brinquedos do velho, Noah começa a querer viver ali, fabricar brinquedos, morar com o dono, começa a ter desejos que não podem se realizar, ele esquece que tem uma casa, uma família, e que tem apenas seus 8 anos de idade.

“ – Então talvez eu possa ser apenas o seu aprendiz – Sugeriu Noah –  O senhor poderia me ensinar tudo o que sabe. Eu poderia ajudá-lo e…

   – Noah – Disse o velho – Você se esqueceu que já tem casa.

   – Tenho? – Disse o menino

   – Claro que tem.”

“Noah foge de casa”, escrito por John Boyne, autor também de “O menino de pijama listrado”, é muito recomendado para o público infanto juvenil, já que é narrado por um simples menino que ainda está descobrindo o que deve fazer. Sugiro o livro para aqueles que sempre tem vontade de ler mais e mais, pois o velho da loja, contando suas histórias para o menino, acaba contagiando os leitores como se estivesse na verdade contando para eles. Com um final inesperado, o livro acaba com uma grande revelação.

O AMOR MOVE O MUNDO

por Joaquim Lira Viana
6ºA – Unid. Butantã

Livro: A Droga do Amor
Editora: Moderna
Autor: Pedro Bandeira
176 páginas

Na obra “A droga do Amor”, o autor Pedro Bandeira escreve de uma maneira delicada e inovadora sobre uma trama policial infanto-juvenil. A história envolve sequestros e assassinatos, mas também prova a importância do amor, de como ele move o mundo e os que não o têm, ficam tristes e solitários.

O livro trata de cinco adolescentes que tem um grupo, Os Karas. Esses desvendam assassinatos, crimes e sequestros, junto com o detetive Andrade. Um dia, o cientista americano Bartholomew Flanagan encontra a cura da praga do século, a morte, que a imprensa acaba dando o nome de A Droga do Amor. A droga será testada oficialmente pela primeira vez no Brasil, onde o criador também receberá o Prêmio Nobel da Paz após o esperado sucesso. Enquanto isso, Magrí, a única menina dos Karas, está em Nova Iorque, se preparando para competir no Campeonato Nacional de Ginástica. Já no Brasil, Chumbinho, Calu, Miguel e Crânio, os outros integrantes, discutem por causa de seu amor por Magrí, significando o fim dos Karas. Então, Chumbinho convoca Magrí, que finge sua contusão para voltar ao Brasil e tentar ressurgir com a turma. Coincidentemente, no avião da volta para o Brasil, Bartholomew Flanagan, o criador da Droga do Amor, está poltronas a frente de Magrí, a espera do grandioso teste final. Após pousarem, no salão de desembarque, Bartholomew é sequestrado e junto com ele, o remédio capaz de mudar o mundo.

Podemos provar o quanto o amor é importante na sociedade quando a própria imprensa põe o nome da droga de a Droga do Amor, pois eles sabem que precisamos de amor para viver, e que a morte não pode permanecer. Mas também provamos isso quando o próprio autor põe o nome do último capítulo de “O amor pode mudar o mundo”, ou quando o detetive Andrade fala: “[…] acreditava realmente estar numa pista muito segura para a criação do soro que curasse a maldita praga que faz com que o amor entre as pessoas transforme-se em morte”, afirmando que a praga do amor (que deriva da vida) é a morte.

O livro tem momentos comoventes que os cinco amigos passam juntos para descobrir o culpado por trás do sequestro da tão aclamada Droga do Amor, que é de pular o coração da boca. Assim, o livro torna-se um suspense clássico, fazendo o autor contar a história com uma linguagem rica e bonita, mostrando cada detalhe de cada passo dos amigos para resolverem o caso. Pedro Bandeira constrói muito bem os personagens, conseguindo designar cada personalidade, o que não é fácil, e com muita maestria, consegue fazer com que a história flua, que a cada página dê mais vontade de ler.

A SURPREENDENTE GENTILEZA POR TRÁS DE FERA

por Lara Campos de Almeida de Castro Monteiro
6ºA – Unid. Butantã

Livro: A Bela e a Fera
Editora: Universo dos livros
Autor: Elizabeth Rudnick, Cely Couto
216 páginas

Você já percebeu que muito do que você pensa de alguém, todas as suas características ruins, toda a maldade e a arrogância, pode desaparecer com a presença do amor? Que cada palavra que você diz a alguém a provoca um sentimento diferente?

Bela deseja para sua vida muito mais do que sua pequena cidade enfadonha e monótona, Villeneuve, pode lhe dar. Lá, ela é destacada do resto dos moradores por causa de uma independência grandiosa e um estranho amor pelos livros, segundo o ponto de vista dos aldeões. Bela quer um futuro tão empolgante quanto as histórias que lê. Seu pai, Maurice, vai a uma espécie de feira, mas no caminho encontra um castelo semimorto, onde entra em busca de hospedaria. Lá é aprisionado por uma Fera, e esse castelo tem uma história oculta, obscura e sombria. Ele guarda muitos segredos como objetos vivos e maldições. O destino de Bela muda para sempre ao arriscar sua liberdade quando assume o lugar do pai como prisioneira, jurando a ele que escaparia em segredo. Felizmente, os objetos mágicos são gentis com ela e a tiram daquela “cadeia”. A Fera é extremamente arrogante com Bela, tentando ser gentil, o que recebe em troca é um comportamento triste e desumano. A garota tenta fugir do castelo, mas é atacada por lobos pelo caminho. Surpreendentemente a Fera encontra Bela na floresta e a salva daquela gigante alcateia. Depois disso, a relação entre a Bela e a Fera começou a mudar. Eles começaram a caminhar juntos pelo jardim, a conversar sobre literatura e a jantar juntos. Essa obra nos faz perceber que mesmo as pessoas mais arrogantes podem te surpreender com seu lado gentil.

Bela é surpreendida pelo lado gentil de Fera diversas vezes durante a obra. Como no  instante em que ele a salva dos lobos. “Ao se virar, ela ficou perplexa ao ver a Fera. Ele havia saltado no meio da alcateia”. São nos momentos mais decisivos que o nosso lado doce e amável desperta. Nessa ocasião a Fera provou que tinha um pequeno  borrão de amor por Bela, senão, não a teria salvado.

Quando Bela e a Fera começaram a compartilhar mais de seus momentos, a Fera a surpreende outra vez quando completa um verso do livro favorito da garota. “O amor não pode transpor a forma e a honra. O amor não vê com os olhos, vê com a mente.” –  Para a sua surpresa, a voz profunda da Fera se juntou a dela e eles terminaram o verso em uníssono: “Por isso é alado, cego e tão potente.” Bela desconsidera escapar do castelo, pois o borrão de amor que Fera tinha por ela se dividiu em dois, e parte dele foi para o coração da garota.

A cada momento que compartilhavam, esse borrão crescia no coração dos dois amantes. Ao longo dos momentos que passaram juntos, eles se conheceram mais. Tinham bem mais em comum do que imaginavam, e isso os tornava cada vez mais próximos. Ao longo da obra, a Fera fica mais gentil, muitas vezes a solidão e a falta do amor que nos deixam arrogantes, pois como nos tratam é como tratamos os outros.

A Fera tem um passado sombrio que poucos de nós podemos imaginar que um príncipe um dia teve. Ser tratado de uma forma desumana  vai além de um passado triste que não conseguimos superar. Muitas vezes, memórias infelizes nos afundam na escuridão e no ódio, nos afastam  do amor, principalmente quando ele não está por perto. Quando  recebemos um pouco de companhia, essas memórias vão desaparecendo de nossas mentes e o amor ressurge em nossa alma.

Essa obra, um romance imperdível, é uma história sensível e delicada que mostra a importância do carinho, afeto e amor.

ENTRE JULGAR E SE JULDAGO

por Dora de Carvalho Frankenberg
6ºA – Unid. Butantã

Livro: Entre cabras e ovelhas
Editora: Morro Branco
Autor: Joanna Cannon
472 páginas

“Entre cabras e ovelhas”, de Joanna Cannon, é um livro complicado que apresenta muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo. A história se baseia em uma pequena vila na Inglaterra, onde Sra. Creasy repentinamente desaparece, sem dar nem um aviso. Com isso vem a lembrança do bebê que foi roubado há 10 anos, e todos os vizinhos, que borbulham em fofocas,  por algum motivo decidem colocar a culpa de todos os acontecimentos em um único senhor, Walter Bishop. O tal passa a ser excluído por todos os outros, e é julgado em qualquer pequena situação.

O livro apresenta dois pontos de vista. O do narrador onisciente, e a narrativa delicada da pequena Grace, de 10 anos, que tem enorme necessidade em contar todos os mínimos detalhes. “Era sexta-feira de manhã. Tilly e eu estávamos sentadas na sala da frente com o catálogo de roupas da Kays e uma garrafa de refrigerante. As cortinas estavam fechadas para manter o calor lá fora, mas ainda assim ele dava um jeito de entrar, e cada vez que eu virava uma página, o papel brilhante colava em meus dedos e não queria se soltar“. Grace e sua melhor amiga, Tilly decidem que é dever delas arrumar a vila, e com a indicação de um padre, passam de casa em casa procurando por deus.

      O livro nos mostra de maneira marcante e profunda como estamos acostumados a definir alguém por algo que deduzimos. Todos pensam que sabem às ideias que o Sr. Bishop tem sobre o mundo, apenas pelo modo como ele age, fotografando tudo e todos, e seu modo quieto de ser. O menosprezo é fortemente apresentado no livro por todos, que estão acostumados em julgar sem saber. Apenas julgar. “Era sexta-feira de manhã. Tilly e eu estávamos sentadas na sala da frente com o catálogo na sala da frente com o catálogo de roupas da Kays e uma garrafa de refrigerante. As cortinas estavam fechadas para manter o calor lá fora “. A vida de Walter Bishop por trás do que todos sabem é diferente e serena, e Grace e Tilly parecem ser as únicas a se importarem em entender seu outro lado, aquele que todos preferem esquecer, ou até descartarem a possibilidade desse lado existir. É interessante ver que as únicas que se importam com o homem são duas crianças. Ver que tão pequenas pessoas sentem a necessidade de entender mais sobre isso mostra que nós nos construímos, formamos nossa opinião. Se Grace e Tilly seguissem a ideologia da vila, elas nunca ousariam a trocar palavras com o estranho Walter Bishop.

         Todos guardam segredos, e a única pessoa que sabe de tudo é Margaret Creasy. “Margaret era a única que sabia de tudo. Agora nossos segredos estão soltos, sem rumo. Ninguém sabe o que esperar. Se Margaret estiver morta, nossos segredos morreram com ela “. Margaret era a única que conversava com Walter. Era a única pessoa que o entendia. Com seu sumiço, ele é ainda mais . É bonito e ao mesmo tempo triste ver como ele pensa sobre como o julgam. “Acho que você pode suportar qualquer coisa se às experimentar por tempo o suficiente(…)”

“-Às pessoas acreditam em coisas mesmo sem saber se são verdadeiras – Eu disse.

– Porque, todo mundo acredita na mesma coisa, isso faz com que se identifiquem. É como se pertencessem ao mesmo grupo. – Disse Walter.

– Como um rebanho de ovelhas – Disse Tilly

         John Creasy, o marido, também desamparado com o desaparecimento de sua amada esposa, passa a se excluir de tudo e todos, que começam a estranhá-lo, como se não entendessem a sua dor. Comentários como “Ela está morta, certeza” ou “Se fosse para voltar ela já teria voltado” o deixam para baixo, e ninguém parece se importar.

         É uma linda narrativa para quem está se descobrindo, ou quer alterar sua visão sobre o mundo e refletir sobre suas ações.

SER APROVADO PARA SE APROVAR

por Clara Ferreira Mendonça
6ºA – Unid. Butantã

Livro: Extraordinário
Editora: Intrínseca
Autor: R.J. Palácio
315 páginas

O livro “Extraordinário”, de R.J. Palácio, trata de August, um garoto que tinha uma deformidade no rosto, por conta disso, aprendia em casa, e nunca tinha ido a escola. Um dia seus pais decidiram colocá-lo em um colégio, o garoto precisa socializar com as outras crianças, e isso o faz passar por situações de preconceito e constrangimento apenas por ser como é.

Apesar de August não ter piorado, ele se sente mais feio e sofre mais quando não pode evitar que as pessoas vejam seu rosto. Pois quando ninguém via sua   aparência, ele não se sentia tão mal.

Quando pequeno, Auggie usava o tempo todo um capacete de astronauta que escondia completamente seu rosto. Nunca é dito com certeza no livro, mas pode se crer que mesmo quando pequeno ele já se sentia diferente dos outros. Quando foi mandado para a escola precisou parar de usar seu capacete, o que o fez se sentir mais feio do que antes e sofrer mais do que sofria antes.

Há um  trecho do livro em que ele chega em casa chorando porque se sente diferente, isso não acontecia quando ele usava seu capacete, pois não viam seu rosto.

Tem uma frase no livro que diz uma coisa parecida com o que foi dito aqui, ela é: “A única razão de eu não ser comum é que ninguém além de mim me enxerga dessa forma.” August fala isso, e se você parar para pensar, essa frase quer dizer a mesma coisa que se trata essa resenha, quando Auggie usava o capacete, as pessoas não viam seu rosto, então não viam ele como alguém diferente dos outros, mas quando as pessoas precisam ver seu rosto, então o veem como alguém diferente, o tratam como alguém diferente e o fazem se sentir diferente.

Isso tudo mostra o quanto a opinião alheia interfere no nosso cotidiano e como as pessoas parecem precisar da aprovação dos outros para se aprovar também. Esse é sem dúvida, um livro que vai tocar qualquer leitor.