Pânico na biblioteca

Por Angela Müller de Toledo

Já pensou se você fosse obrigado a ficar sentado num pequeno tapete vermelho da biblioteca da sua escola lendo livros de criancinhas por duas horas sem poder sair ou conversar? E se a bibliotecária fosse uma MEGERA que usasse uma arma estranha para lançar batatas nas crianças que fizessem bagunça?

Pois foi exatamente o que aconteceu com os irmãos Marcos e Duda quando eles foram forçados a passar duas intermináveis horas, três vezes por semana, na Biblioteca Municipal da cidade em que moravam.

Dona Angela, a bibliotecária, era temida por todos. Não tolerava risinhos nem brincadeiras, muito menos o atraso na devolução dos livros.  Além disso, não gostava que os meninos mexessem nas estantes e os ameaçava com castigos terríveis.

Este livro foi escrito pelo mesmo autor de Artemis Fowl, mas é muito mais divertido.

Aliás, se eu fosse você, eu me apressaria em lê-lo, só pra saber como Marcos e Duda se livraram dessa enrascada. Mesmo porque, parece que tem uma tal de dona Angela circulando pelas bibliotecas da Escola daVila…

COLFER, Eoin. Pânico na biblioteca. Trad. RytaVinagre. Ilust. Tony Ross. Rio de Janeiro: Record, 2005.

 

A cor da magia

Por Angela Müller de Toledo
Se você não é daqueles que desistem na primeira dificuldade do texto, indico sem pestanejar o primeiro livro da série Discworld de Terry Pratchett: “A cor da magia”. Fantasia e humor elevados à última potência é o resumo deste livro.

Imagine um mundo plano, em forma de disco, sustentado por quatro elefantes que vagam pelo espaço em cima da carapaça de uma tartaruga gigantesca. Pois é, e isso é só o começo, pois Discworld é um mundo com grande concentração de magia pura, onde acontecem coisas tão mirabolantes que os próprios magos se admiram.

Neste primeiro volume os dois principais personagens são um mago fracassado, reprovado pela Universidade de Magia, e um turista ingênuo e inconseqüente, um vendedor de seguros em busca de aventuras numa terra de bárbaros.

O que torna tudo isso tão interessante é o humor irreverente que permeia a história. Absolutamente tudo da vida contemporânea é ridicularizado pelo autor, principalmente a tecnologia e o consumismo.  Em estilo cinematográfico – duas ou mais ações rápidas acontecendo ao mesmo tempo em cenários diferentes com o corte indicado pela diagramação da página muito mais do que pelo escrito – Pratchett ironiza também o próprio gênero fantasia.

Se você superar a dificuldade das primeiras páginas não vai querer parar de ler os 13 títulos da série lançados no Brasil.

 

PRATCHETT, Terry. A cor da magia. Trad. Márcio Grillo El-Jaick. São Paulo: Conrad, 2001.

AQUISIÇÕES RECENTES FEV. 2013

Bichos sinistros: um livro sobre ratos, baratas, aranhas e escorpiões, de Humberto Conzo Junior (WMF Martins Fontes)

Um gato no telhado, de Ana Maria Machado (Salamandra)

Meu tio lobisomem: uma história verídica, de Manu Maltez (Peirópolis)

 

O menino e a rolinha, de Jorge Fernando dos Santos (Positivo)

Contos inacabados,de J. R. R. Tolkien (WMF Martins Fontes)

Ilusões perdidas, de Honoré de Balzac (Estação Liberdade)

 

Contos de lugares distantes

Por Angela Müller de Toledo
Há muito não ficava tão feliz ao ler um livro de contos (fruição?!). Talvez porque depois de Bradbury eu não conheci histórias que envolvessem situações tão inusitadas, em cenários tão surpreendentes, com personagens tão estranhos, mas com um resultado literário tão poético.

Um búfalo conselheiro, um estudante de intercâmbio que prefere alojar-se na despensa da casa, um escafandrista andando pela cidade, uma estranha casa com um pátio interno onde as estações não correspondem ao tempo exterior, duas crianças em expedição científica aos “misteriosos lugares distantes”, gravetos com questões existenciais, e por aí vai…

São histórias que requerem atenção, mas é aquela atenção sossegada, que deixa a mente aberta para o absurdo, para a intuição, aceitando que as histórias têm uma lógica própria.

No final, voltando sobre os títulos e com a ajuda das belíssimas ilustrações, o leitor começa a compreender as ideias por trás das palavras. Aliás, não poderíamos chamar as imagens deste livro de ilustrações simplesmente, pois elas não ilustram o texto verbal, elas o complementam, as duas linguagens contam as histórias.

O autor é um reconhecido quadrinista australiano e na biblioteca temos mais dois livros dele: A chegada (maravilhoso!) e A árvore vermelha.

TAN, Shaun. Contos de lugares distantes. Trad. Érico Assis. São Paulo: Cosac Naify, 2012

Filha de feiticeira

Por Angela Müller de Toledo

História em forma de diário de uma adolescente chamada Mary que viveu na Inglaterra do séc. XVII.

A garota morava com a avó à beira de uma floresta quando a anciã foi presa e enforcada por praticar bruxaria.

Para tentar escapar do mesmo destino, Mary embarca para a América na esperança de poder viver numa sociedade mais tolerante. Porém, não é isto o que acontece, pois nada será fácil para ela, a começar pela exaustiva viagem de navio.

Trata-se de uma narrativa ágil, na qual não faltam intrigas, mistério e uma boa dose de aventura. A protagonista é uma menina inteligente, perseverante, fiel à sua própria natureza e valores. Mary faz seu caminho na vida apesar de todas as dificuldades. O leitor ficará surpreso ao perceber quantas das questões dela são comuns aos jovens de hoje.

O texto é profundo e bonito. Mary é uma feiticeira, mas sua história é bem diferente da do bruxinho Harry Potter. É para aqueles que têm maturidade suficiente para entender o quanto pode ser difícil ser diferente numa sociedade preconceituosa.

REES, Célia. Filha de feiticeira. Trad. Manoel PauloFerreira.São Paulo:Cia dasLetras, 2002.

 

A ponte

Por Angela Müller de Toledo

 

A ponte sobre o rio que passa nessa história é estreita, e andar nela só dá para ser um de cada vez.

O gigante e o urso começaram a travessia cada um de um lado da ponte e se encontraram no meio. Nenhum dos dois quer saber de voltar para dar passagem ao outro. Será que só existe essa solução?

O rio, que presenciou toda a cena, é o único que sabe o final dessa história. E eu também, claro, porque já li o livro, adorei, e recomendo aos alunos da escola.

Aliás, esse rio sabe de muitas coisas que acontecem por onde ele corre. Nas ilustrações há várias dicas de outras histórias que poderiam ser contadas: a de um pescador, a de um balonista, a de certo fidalgo que encontra um moinho de vento, e outras mais.

 

JANISCH, Heinz. A PONTE. Ilust. Helga Bansch.Trad. José Feres Sabino. São Paulo: Brinque Book, 2012

 

Um cachorro para Maya

Por Angela Müller de Toledo

Se você gosta de histórias que envolvem animais de estimação leia  este livro que tem como protagonista a menina Maya, que deseja muito ter um cachorro.

Ela sabe o trabalho que dá, sabe também que um filhotinho depende completamente de seu dono para sobreviver, mas está disposta a encarar a responsabilidade.

No entanto, seus pais relutaram bastante em atender o pedido da menina mas, finalmente, ela conseguiu.

Conseguiu?

 

MURRAY, Roseana. Um cachorro para Maya. Ilust. Lúcia Brandão. 2ºed. São Paulo: Salamandra, 2003.

Como viver para sempre

Por Angela Müller de Toledo

Se você já conhece o lindo livro ilustrado Como viver para sempre, de Colin Thompson, fique sabendo que há outro com o mesmo título, em formato menor, sem ilustrações, e que conta a mesma história, só que de uma forma mais completa, com mais texto e muito mais cheia de aventuras.

Pedro é um menino de dez anos que mora no último andar de um ENORME museu em que seu avô é zelador. Desde pequeno Pedro gostava de andar pelos intermináveis corredores, salas e depósitos do museu, descobrindo objetos antigos e passagens secretas. Fazia essas excursões à noite, depois que os visitantes tinham ido embora e que as 97 chaves das salas de exposições tinham sido entregues ao seu avô.

Dentro do museu havia também uma biblioteca imensa, com inúmeras galerias e centenas de estantes abarrotadas de livros. Durante o dia era tudo bem movimentado, normal, com os pesquisadores e bibliotecários andando de cá para lá, mas quando o museu fechava… a biblioteca tornava-se uma enorme cidade, as galerias transformavam-se em ruas e os livros em casas habitadas por pessoas incríveis ou monstros perigosos.

Bem, isto é realmente um “tiquinho de nada” da história. Ela envolve ainda um misterioso livro que contém o segredo da vida eterna, um pai desaparecido, um gato muito esperto, uma grande amiga, várias fugas desesperadas e uma Criança Anciã.

Recomendo as duas versões para as férias, você não vai se arrepender.

 

THOMPSON, Colin. Como viver para sempre. Trad. Gilda de Aquino. São Paulo: Brinque-Book, 1997.

THOMPSON, Colin. Como viver para sempre. Trad. Ibraíma Dafonte Tavares. São Paulo: Brinque-Book, 2006.

A fenda do tempo / Contos da montanha

Sugestões de leitura da bibliotecária ninja para as férias (referência para os que leram o livro Pânico na biblioteca)

Para os que apreciam ficção científica, aventura e humor: A fenda do tempo.

É a história das viagens no tempo do cientista Bildamaster Zarp, mais conhecido como Bilda, e das confusões causadas por uma ilustre visitante do passado.

 

 

Para quem gosta de narrativas tradicionais, mitos, lendas e contos de fadas, as três histórias de origem japonesa que estão no livro
Contos
da montanha vão encantar. Não faltam nelas os monstros, bruxas e objetos mágicos característicos desse tipo de narrativa além, é claro, de um bravo Samurai.

 

HIRATSUKA, Lúcia. Contos da Montanha. São Paulo: SM, 2005

JACOB, Dionísio. A fenda do tempo. Ilust. Fernando Vilela. São Paulo: SM, 2005

Viviana, rainha do pijama

Por Angela Müller de Toledo
Um livro bem bacana para as férias é o que traz a história de Viviana, mais conhecida como “a rainha do pijama”. A menina resolveu fazer uma festa e convidar vários  bichos. Será que eles poderão comparecer?

Aposto que você vai gostar dos bilhetinhos que eles mandaram para a Viviana.

 

WEBB, Steve. Viviana, rainha do pijama. Trad. Luciano Vieira machado. São Paulo: Salamandra, 2006.