Pinóquio, um clássico para ser ouvido

Não há como não concordar com Calvino quando define que “um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer” (2007, p.11). Ora, se há um clássico que ainda tem muito a nos contar, essa obra é As aventuras de Pinóquio de Carlo Collodi.

Carlo Collodi é o pseudónimo de Carlo Lorenzini (1826 – 1890), nascido em Florença. Collodi era o nome de uma pequena aldeia, na Toscana, onde sua mãe nasceu. De origem modesta, era o mais velho de nove irmãos. Na juventude tento a vida eclesiástica, mas a abandonou o seminário para trabalhar como jornalista durante as duas guerras pela independência e reunificação do Reino da Itália (1861). Sua obra dedicada às crianças começou em 1875, traduzindo os contos de fadas franceses de Charles Perrault (1628 – 1703).

Antes de começar a publicar a obra que o tornaria conhecido e atravessaria as fronteiras geográficas, Collodi criou uma série infantil cujo protagonista era o vilão Gianettino (1876). Em 1881, começou a publicar em capítulos a série Histórias de um boneco no jornal infantil Giornale dei Bambini, que mais tarde se constituiria em As aventuras de Pinóquio que conhecemos hoje.

Ilustração de Pinoquio de E. Mazzani para a 1ª Edição de As Aventuras de Pinóquio, a história de um boneco de Carlo Collodi.

As aventuras de Pinóquio tornou-se mundialmente famoso através da adaptação dos estúdios Disney na década de 1940 nos EUA. Aliás, a Disney foi uma das indústrias culturais de massa mais eficientes de todos os tempos e de enorme penetração na sociedades,  ditando lógicas e modelos próprios da sociedade estadunidense, da potência mundial que se constituía. Enfim, Pinóquio passa a ser conhecido e a fazer parte de um inconsciente coletivo. O filme, porém, sofreu alterações na linguagem e em seu conteúdo, tornando-o mais palatável, o que, de certa forma, empobreceu a obra de Collodi.

Pinocchio (1940).KPA Honorar & Belege—United Archives GmbH/Alamy

Embora o Pinóquio de Disney seja encantador, quem teve a oportunidade de ler a obra em tradução integral ou no original, sabe do que estou falando. Pinóquio é um romance de formação. Suas ‘aventuras’ são antes conflitos humanos, violentos, e para as crianças italianas daquele tempo, e também às contemporâneas, contribuiu para enviar mensagens sobre a importância do trabalho, da seriedade, da honestidade, da solidariedade, da família. Pode parecer um parecer um tanto tradicional, mas não é bem assim. Haja vista que Pinóquio é adotado e criado pelo velho, solteiro e esquentado Gepeto, personagem que é retratado por Disney como uma pessoa passiva. Nada disso.

O heroi de Collodi segue sua saga até se tornar um menino de verdade. Apesar de, como todo heroi, receber ajuda de seres maravilhosos, Pinóquio não é poupado das agruras do crescimento em sua jornada. Sofre. Sofre todas as consequências das suas escolhas. Afinal, a vida é feita de escolhas e crescer não é fácil…

Já deu para perceber por que As aventuras de Pinóquio é um clássico?

Mesmo que você ou seus filhos já tenham assistido a qualquer adaptação, vale muito a pena ler a obra integral.

E, pensando nesse período da quarenta, a gente está fazendo a leitura capítulo a capítulo da edição da Iluminuras, traduzida por Gabriella Rinaldi.

Pinóquio segue sendo um personagem encantador, carismático, moleque travesso desde sua tenra idade, quando era um tronco de madeira e muito parecido com cada um de nós.

As aventuras de Pinóquio / Carlo Collodi. São Paulo : Iluminuras, 2002.

Link para os capítulos já disponíveis:

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Fontes: https://www.britannica.com/topic/The-Adventures-of-Pinocchio

Para saber mais: http://naogostodeplagio.blogspot.com/2016/06/carlo-collodi-no-brasil.html

Referência bibliográfica: CALVINO, Italo. Por que ler os clássicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. 279 p

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