Cada aluno é o único mestre de sua aprendizagem

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Por Zélia Cavalcanti

A busca de uma avaliação escolar sintonizada com os avanços dos alunos tem sido recorrente entre nossos professores. E, nesse sentido, o desenvolvimento de procedimentos avaliativos que, além de informarem o que foi ou não aprendido por uma classe, contribua para que cada aluno autorregule seu processo de aprendizagem é um dos focos do processo formativo interno.

A busca de boas respostas para as questões que esse aspecto do trabalho docente envolve vem recebendo, já há vários anos, a inestimável contribuição de Charles Hadji, professor emérito da universidade de Grenoble Alpes, autor de referência quando a questão diz respeito às características dos instrumentos de autoavaliação suscetíveis de contribuir progressivamente para a autorregulação do aluno.

O professor Hadji tem vários livros publicados no Brasil, já esteve entre nós há alguns anos para um Seminário Internacional, contribuiu com o livro comemorativo dos trinta anos da Escola da Vila − 30 Olhares para o futuro − e esta semana, passando por São Paulo, voltou à nossa escola, a convite do Centro de Formação, para ser entrevistado por nossa equipe sobre aspectos desse tema sempre tão instigante no conjunto da atividade pedagógica, e  que voltaremos a abordar no Programa ZDP 2015.  Assim, socializaremos com as escolas parceiras os conhecimentos já construídos e as respostas que temos encontrado para as questões que o exercício de um olhar avaliativo − que considera o aluno como “único mestre de sua aprendizagem”− coloca.

Nessa entrevista, Hadji respondeu às perguntas e ampliou nossas perspectivas sobre como um processo pedagógico fundado na avaliação/regulação pode favorecer a melhoria da aprendizagem, e que condições o planejamento do professor deve considerar para facilitar a autorregulação dos alunos. Nesse contexto, pôde também esclarecer conceitos relacionados aos critérios avaliativos que precisam ser considerados em uma tarefa complexa, e falar sobre as relações entre avaliação formativa e diferenciação.

Ao se referir às relações entre avaliação formativa e diferenciação, esse grande professor nos ofereceu, como sempre o faz por intermédio de seus textos, a medida da qualidade de sua reflexão pedagógica.

Há uma família de correntes inovadoras que trabalha no mesmo sentido, o de uma melhor implicação do aluno em sua aprendizagem. Por isso, é coerente articular um mesmo processo: avaliação formativa, pedagogia diferenciada e trabalho metacognitivo. Mas, mesmo inserido em um processo tradicional e em um sistema de pedagogia uniforme (uma única classe, pedagogia transmissiva), pode-se praticar uma avaliação formativa. Basta ter vontade de esclarecer detalhadamente para cada aluno seus resultados, de maneira a ajudá-lo a progredir. Isto será mais difícil que num sistema que multiplica os períodos de trabalho e de observação individuais.

O tempo não para… nem o nosso Centro de Formação

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Por Zélia Cavalcanti

 

A programação de nosso Centro de Formação para 2014 só se encerrará no dia 8 de novembro, com o tão aguardado seminário com a doutora Emilia Ferreiro, mas já estamos trabalhando na programação a ser oferecida em 2015.

A Programação de Verão, planejada para a semana de 19 a 24 de janeiro, teve seus cursos definidos, e em breve será comunicada aos profissionais que nos acompanham pelas redes sociais, visitam nosso site, têm seus endereços postais em nosso cadastro. Como sempre acontece, procuramos organizar um conjunto de propostas formativas que, na medida do possível, possa responder às expectativas informadas por um número significativo de educadores durante as avaliações das atividades realizadas neste ano.

Também foram definidos os conteúdos de trabalho das jornadas do Programa ZDP. Em 2015 vamos convocar os profissionais parceiros inscritos nesse programa para aprofundar a reflexão sobre um tema sempre presente e nada fácil para as escolas: a avaliação da produção dos alunos. Isso porque os desafios de inovação que vêm se impondo à escola nas últimas décadas apontam para a necessidade de se trabalhar com processos de avaliação que contribuam para que os professores, diante da diversidade encontrada entre os alunos, possam regular mais adequadamente os processos de ensino/aprendizagem, garantindo que todos tenham seus tempos de aprendizagem respeitados para avançar e aprender o que precisam. Além do que, cada vez mais, se mostra fundamental o trabalho com processos de avaliação que incluam todas as aprendizagens, valorizando as experiências e as vivências que não resultam em aprendizado de conteúdo. Para que a cada jornada esses diferentes aspectos possam ser abordados de forma competente, convidamos especialistas de referência para o tema, tais como: Alicia Camilloni, Charles Hadji e Alfonso Bustus, que já confirmaram sua participação. Alicia Camilloni fará duas palestras; Charles Hadji responderá às questões de alguns professores, em vídeo legendado; Alfonso Bustus participará de um conjunto de intervenções mediadas pelas novas tecnologias de informação e comunicação.

Outra decisão importante para o planejamento do ano que logo se inicia foi a de começar a preparar, desde já, a Viagem Pedagógica 2015. Continuaremos percorrendo e conhecendo boas experiências educacionais nos Estados Unidos, desta vez em Nova York, e as instituições que estarão no roteiro dos viajantes já foram escolhidas e visitadas por uma representante de nossa equipe.

Com essa comunicação “antecipada” queremos sinalizar a todos que recebem nossas notícias e aos que frequentam nossos cursos que, a partir de agora, procuraremos divulgar todos os eventos do cronograma de ações estáveis já em janeiro durante  a programação de verão: quais serão e quando iniciaremos os cursos anuais de Atualização e Formação, quais cursos online vão compor a programação de cada semestre, em quais datas ocorrerão as programações de outono, inverno e primavera na Vila. Assim, os colegas que costumam frequentar nossas atividades poderão se planejar com antecedência para atender, durante o ano, às necessidades de atualização que identificam em sua prática profissional.

Corpo é pensamento

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Por Andréa Polo

Há três semanas, participei da Primavera na Vila, do Centro de Formação da Escola da Vila, na qual propus um curso intitulado “Atividades corporais em sala de aula: como e por quê?”. Essa experiência suscitou algumas reflexões que aqui compartilho…

Eu, como propositora, e os muitos professores de várias regiões do Brasil, passamos o dia pensando sobre a necessidade de tratarmos do corpo como um todo, sem a clássica divisão corpo/mente. O corpo? Aquele que por vezes quase não existe dentro da sala de aula e que percebe apenas o pulso do sangue quando corre na aula de educação física? É esta relação que pretendemos? É este o caminho que perseguimos? Perguntei aos participantes qual a parte de seus corpos que avaliavam que mais usavam para dar aula e a maioria respondeu que a BOCA era a “queridinha” dos professores em geral! Outros comentaram que era impossível destacar qualquer parte, mas, quando solicitei que calculassem o tempo que seus alunos passavam sentados em suas cadeiras, na mesma posição, por dia, semana, mês e ano, muitos ficaram assustados!

Basta pensar em nossa vida na escola quando éramos crianças para lembrar que havia hora para movimentar e hora para parar. Mas, parar é ficar estático?

Ouço colegas comentando sobre as “atividades” em contraposição ao tempo livre e me pergunto: Não estaríamos sempre em atividade? Dormir, acordar, andar, comer, pensar, parar… Atividades que, juntas ou separadas, completam nossa rotina. Quando fazemos um cálculo, estamos em atividade, mas quando corremos ou pulamos corda na escola, usufruímos o tempo livremente e estas escolhas não são consideradas atividades.

Ora, são várias as concepções que os docentes trazem para suas salas de aula quando o assunto é corpo e movimento, algumas fragmentadas, que “descorporificam” os indivíduos na medida em que não incluem o corpo e o movimento como parte integral das situações vividas na escola, e outras que olham para essas situações como momentos de explosão: “Depois as crianças voltam mais calmas para a sala”. Então é necessário agitar tanto assim para depois acalmar? Assim, vamos aprendendo a desconsiderar o próprio corpo, as relações infinitas com os demais saberes construídos, e inúmeras possibilidades de movimentos vão ficando cada vez mais “travadas”.

O corpo não é impedimento nem obstáculo para a aprendizagem, muito pelo contrário! Não deixamos o corpo em estado de “congelamento” enquanto fazemos uma lição difícil, assim como não abandonamos nosso poder de síntese quando dançamos! Tudo está interligado, tudo isso junto constitui um indivíduo mais consciente de seus saberes e fazeres. Falar em corporeidade, portanto, é buscar fortalecer um corpo-sujeito, superando o conceito de corpo-objeto a que tanto estamos acostumados.

Enquanto observo meus alunos brincando de imitar animais, vejo flexibilidade, destreza, rapidez, força, mansidão, e não preciso saber fazer igual para favorecer aquelas relações. Meu corpo traz a história dos “meus movimentos” construída na rua onde brincava de amarelinha, pegador e esconde-esconde. Aberta e sensível às necessidades das crianças, promovo temáticas e manifestações que colocam em jogo, no dia a dia da escola, o corpo integralmente participativo: na arrumação de diferentes espaços para brincadeiras, na organização da sala e do parque para propostas específicas, na proposição de desafios advindos da necessidade de cada faixa etária e nas diferentes opções para reconhecer, em si e no outro, as potencialidades de se encontrar na dança, na massagem, no cafuné, num chute bem colocado…

As crianças que sentem infinito prazer em falar sobre as histórias, pensar sobre os números, escolher as tintas que vão usar numa pintura, são as mesmas que usam seu instrumental corpóreo para tomar todas essas decisões. Como disse brilhantemente Edith Derdyk: CORPO É PENSAMENTO.

Um pouquinho de Emilia Ferreiro

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Por Andréa Luize

O Centro de Formação da Escola da Vila promoverá, em novembro próximo, um seminário com a ilustre professora Emilia Ferreiro.

As inúmeras pesquisas realizadas ou orientadas por ela vêm permitindo, há muitos anos (desde a publicação de Psicogênese da língua escrita nos anos 80), a construção de uma importante perspectiva didática sobre o ensino da língua. As decisões didáticas que tomamos nessa área têm origem nos conhecimentos sobre os processos de aprendizagem dos alunos, muitos deles revelados pelos trabalhos dessa investigadora sobre a apropriação da escrita alfabética, sobre o uso da pontuação, sobre as relações iniciais com a ortografia, sobre a produção e a revisão textuais, entre outros aspectos.

Por defender uma concepção abrangente de alfabetização, entendida como progressiva inserção do sujeito na comunidade de leitores e de escritores, nas culturas do escrito (sic), sempre marcada por demandas históricas e sociais, Ferreiro enfrenta correntes que divergem dessas ideias, como as que querem ressuscitar métodos de ensino obsoletos ou mesmo as que buscam desmembrar a formação de leitores e de escritores em alfabetização e letramento. Esse enfrentamento se dá por meio de novas investigações em torno do tema do ensino e avança para a análise da contribuição das tecnologias para os processos de aprendizagem. E é também sobre isso que ela falará para algumas centenas de profissionais, no dia 8 de novembro, na palestra “O ingresso nas culturas do escrito: o papel da escola no início do século XXI”.

Quem desejar se aproximar das ideias mais recentes dessa grande pesquisadora pode começar assistindo a um vídeo em que Ferreiro trata dessa concepção de alfabetização e comenta por que discorda do uso da expressão “alfabetização digital”, em conversa promovida pela Revista Nova Escola.

E para quem quiser saber mais sobre esse assunto em livros, artigos e conferências, seguem algumas sugestões.

FERREIRO, Emilia. O ingresso na escrita e nas culturas do escrito – seleção de textos de pesquisa. São Paulo: Cortez, 2013. (Especialmente os capítulos 18 e 19.)

FERREIRO, Emilia. Passado e presente dos verbos ler e escrever. São Paulo: Cortez, 2002.

Conferência intitulada “Leer en la era digital” – realizada pelo Ministerio de Educación de España.

Formação interna compartilhada: um novo desafio

Connected push pins

Por Zélia Cavalcanti

A ideia de formação continuada em serviço, isto é, dentro de cada unidade escolar, tem se difundido e encontrado muita receptividade entre os profissionais que coordenam escolas, sejam elas privadas ou públicas.

No entanto, não é raro ouvirmos em cursos para orientadores e coordenadores pedagógicos, que as tarefas envolvidas nesse aspecto do trabalho são o que tem se mostrado mais difícil de gerenciar dentre as funções de gestão pedagógica. Dizem que mesmo que consigam avaliar as principais necessidades da equipe, não encontram tempo, em meio a tantas tarefas cotidianas para planejar e estabelecer, e em que cronograma as ações nesse sentido serão desenvolvidas. Ao que se soma a dificuldade de encontrar, dentro da própria equipe gestora, quem possa incluir na agenda já repleta, um horário para dirigir e acompanhar os professores durante essas atividades.

A equipe de gestores da Escola da Vila também enfrenta essas mesmas dificuldades. Nesse sentido, o Centro de Formação sempre foi um aliado importante, na medida em que se ocupa da organização de algumas atividades de formação interna e, principalmente, promove as ações de formação e atualização abertas ao público, das quais nossos professores participam e, com isso, também se beneficiam da interação e do diálogo com profissionais de outras escolas.

Através dos anos, esse desejo de compartilhar processos de atualização e formação com outras instituições − básico para as atividades do Centro de Formação −, tem se expandido. A criação do Programa ZDP, ativo desde 2002, é um exemplo disso.

Agora vamos ampliar esse movimento de compartilhamento. A Escola da Vila passa este ano a socializar também o programa de formação interna de seus professores, com outras instituições, promovendo com isso mais um canal de interação e diálogo entre professores da Vila e profissionais de outras escolas, e principalmente contribuindo com a gestão desse aspecto em outras instituições.

A partir deste semestre, um conjunto de temas envolvendo conteúdos fundamentais para a formação pedagógica geral será trabalhado em diferentes momentos. Começaremos com ações voltadas a professores especialistas, objetivando contribuir para a retomada de temas dos quais muitos profissionais se afastaram durante o processo de especialização em um ou outro conteúdo curricular. A primeira delas, agora no dia 20 de setembro, durante a Primavera na Vila, abordará um tema indissociável do objetivo de formar para a autonomia intelectual no processo pessoal de aprendizagem: “Formar leitores competentes em diferentes áreas curriculares”.

Ainda antes do final do ano promoveremos outro encontro, voltado para a formação da competência para a escrita em situações de comunicação envolvendo diferentes conteúdos e destinatários. Em 2015 seis outros temas serão abordados, sempre em datas pré-agendadas, e aos sábados.

Nosso desejo é que o compartilhamento da formação interna entre equipes de várias instituições possa favorecer o fortalecimento da comunidade de aprendizagem pedagógica que a Escola da Vila, através do Centro de Formação, alimenta há 34 anos.

Imersão tecnológica e formação de professores

05_09_2014

Por Helena Andrade Mendonça

Qual a melhor forma de capacitar o professor para o uso de tecnologias? Sabemos que as tecnologias funcionam como amplificadoras da prática pedagógica, ou seja, se a proposta já é boa, normalmente as tecnologias chegam para aprimorá-la. O contrário também é verdadeiro, os problemas se tornam ainda maiores. Dessa forma, o foco de uma formação deve sempre ter atrelado o técnico ao pedagógico? Em que medida?

Essas são algumas das questões que nos fazemos sempre que pensamos em ações de formação junto aos professores. Na Vila, o cardápio é bem variado, tentamos organizar oficinas mais técnicas, de recursos que já usamos pelo menos em uma proposta de sala de aula, sempre com um objetivo principal, por exemplo, recursos para a organização de linhas do tempo, esquemas, para edição de vídeo e outros. Além disso, procuramos também promover espaços, nas reuniões pedagógicas, para a discussão de práticas que tenham usado alguma tecnologia de forma inovadora, criativa, e que possam ser conhecidas e analisadas pelos colegas.

Participamos, recentemente, de uma oficina organizada pelo centro de inovação Krause Institute, cujo objetivo principal é formar professores para o uso de tecnologias. Foi um dia de imersão tecnológica. Nossos professores, Kyle e Elizabeth, começaram com uma proposta de discussão sobre o uso de redes sociais na sala de aula, e trouxeram questões bastante importantes sobre o uso de Facebook, Twitter e outras redes/ comunidades, como Edmodo, Google+, Youtube, Pinterest, para o trabalho com os alunos, mas principalmente para a construção de uma PLN (Professional Learning Network) ou rede profissional de aprendizagem com o uso dessas comunidades. Vimos também e pudemos explorar recursos diversos da web 2.0, como ferramentas de produtividade, de curadoria de conteúdos digitais, de colaboração, comunicação e criação.

Ainda, para finalizar, exploramos algumas ferramentas para o trabalho com portfólios digitais, formas de uso com os alunos e ferramentas que possibilitam a organização de arquivos/mídias diversas de forma simples, mas com possibilidades de design bastante interessantes. Algumas dessas ferramentas foram o Google Sites, Weebly, Wix e outros. Vimos e pudemos explorar muitos recursos e possibilidades, foi intenso e proveitoso. No final do dia, alguns ficaram com aquela sensação de “só sei que nada sei”, comum aos que estão começando a frequentar o mundo virtual.

“Não se desespere diante de tantas ferramentas, informações e novidades; aprofunde-se no que tem utilidade para você.” 

“Não entre em pânico diante da máquina, principalmente quando parecer que ela não vai funcionar e nem fazer o que você quer que ela faça. Lembre-se de que é você quem a controla e não ela quem controla você. E se isso não estiver parecendo ser verdade, conecte-se a alguém que possa te ajudar!”

Frases de Elizabeth Calhoon selecionadas por Adriana Cury, diretora da Santi em seu blog.

São muitos os aplicativos disponíveis e vasto o ambiente virtual. A seleção do aplicativo ou conteúdo adequado não é uma tarefa simples. A ampliação do repertório  é um fator fundamental; precisamos conhecer e saber selecionar, pois a questão não é a sobrecarga de informações, mas sim a falha nos filtros utilizados.

Continuamos refletindo sobre a formação dos professores visando o uso de aplicativos e recursos diversos, mas, mais importante que isso, acreditamos ser fundamental, para o trabalho de qualquer professor, a revisita à sua prática, levando em consideração questões que são profundamente impactadas pelo digital, como as relações de interação entre o aluno, o professor e o conteúdo; o abundante acesso à informação e a necessidade de filtros; a autoria e “a morte do autor isolado”, como diz Cassany ¹; o valor do compartilhamento e da colaboração nos meios virtuais; possibilidades de criação, levando em conta a multimodalidade e as outras várias presentes em nossa sociedade atual que vive entrando e saindo do mundo digital.

¹ Cassany, D. La Metamorfosis Digital em TIC en la escuela, nuevas herramientas para viejos y nuevos problemas, Las, org. Goldin, Daniel/Kriscautzky, Marina/Perel

Grupo de Estudos online, isso é possível?!?!

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Por Andréa Luize

Se essa pergunta me fosse feita há dois ou três anos atrás, minha resposta seria rápida e contundente: “É claro que não!”. Porém, passado algum tempo – pouco, na verdade! – e passadas algumas experiências – enriquecedoras! -, minha opinião, hoje, é bem diferente, e minha resposta é: “É claro que sim!”.

Na última Programação de Verão do Centro de Formação, ofereci um curso com a intenção de discutir as contribuições de pesquisas recentes sobre o processo de apropriação da escrita alfabética e sobre o que significa alfabetizar para as demandas do mundo atual. Embora tenha feito uma boa avaliação dessa ação formativa, considerei que seria muito potente termos a possibilidade de ler, efetivamente, e discutir essas pesquisas de forma ainda mais intensa, mais aprofundada, algo que não é viável no formato desse curso. Daí a ideia de estruturar um Grupo de Estudos.

A opção presencial – considerando o tempo, os compromissos, a possibilidade de integrar pessoas de diferentes localidades e, ainda, outros aspectos inerentes à vida numa metrópole – foi logo descartada, dando lugar à opção online. Contribuiu para essa escolha o fato de que o Centro de Formação já havia iniciado ações formativas assim estruturadas e com boas avaliações, tanto de seus formadores quanto do público participante.

E se era para encarar o desafio de organizar e tutorar um Grupo de Estudos, e a distância, nada melhor do que realmente investir no meu tema de maior interesse, meu tema “de coração”: a alfabetização inicial.

Assim, o Grupo de Estudos, intitulado “Por que alfabetizar não é fazer a criança ficar silábica, silábica-alfabética e alfabética?”, iniciou-se em abril deste ano. Agora, no segundo bloco temático, o debate gira em torno de duas pesquisas mais recentes, realizadas e orientadas por Emilia Ferreiro. No bloco anterior, discutimos o que é alfabetizar para o mundo de hoje e qual o papel das tecnologias nas salas de aula da educação infantil e do início do fundamental I. Mais adiante, ainda nos debruçaremos sobre a leitura e a escrita no dia a dia dessas séries iniciais da escolaridade, tematizando a organização curricular, as propostas didáticas e a tarefa de avaliar as aprendizagens.

Dentre as várias atividades que temos realizado, destaco os fóruns de discussão e as atividades síncronas. No caso dos fóruns, elejo para comentar, em especial, o fórum de conversa permanente, um espaço para uma “troca de figurinhas sobre aquilo que nos tira o sono quando se trata de alfabetização inicial”. Inúmeros foram os temas que já surgiram nessa conversa. Entre eles estão: intervenções mais potentes, análises de produções, ensino ou não dos nomes das letras, a questão do letramento, avaliação das aprendizagens, propósitos das situações didáticas. Esse fórum, que se manterá aberto do início ao final do Grupo de Estudos, tem rendido discussões maravilhosas, muito produtivas, e contado com a participação intensa das integrantes do Grupo de Estudos.

Em atividades síncronas (conversas virtuais realizadas com agendamento prévio), debatemos questões ou textos trabalhados acerca de uma temática. Na conversa mais recente, discutimos o compromisso alfabetizador das séries iniciais, a diferença entre metas e expectativas de aprendizagem e, por conta de questões trazidas pelas participantes, avançamos, tratando de temas que abarcam também o ensino da leitura e da escrita ao longo de todo o fundamental I. Mais uma vez, foi um momento rico de intercâmbio e que não se encerra ali, pois o fórum citado acima permite dar continuidade a essas conversas.

O Grupo de Estudos conta, este ano, com 13 participantes extremamente envolvidas com as propostas e discussões. Para mim, tem sido uma experiência de troca e de atualização das mais potentes e, conforme podem ver a partir do depoimento de algumas participantes, elas também partilham dessa opinião.

COMENTÁRIOS DE PARTICIPANTES

“Nada a acrescentar, só confirmar que essa possibilidade nos aproxima de um tema tão gostoso e ao mesmo tempo denso, e que a possibilidade de fazê-lo online nos ‘facilitou’ o acesso, muitas vezes impossível.” (Luciana Pierry Cardoso – Santos – SP)

“Sinto-me privilegiada de participar deste grupo que tem participantes muito envolvidos e uma formadora que nos faz pensar, refletir e aos poucos transformar nossa prática!!!! Admiro e participo das ações formativas da Vila já há dez anos, moro em uma cidade do interior de São Paulo e o deslocamento para a capital sempre foi um empecilho para participar mais destes momentos de formação. Com o grupo de estudos online, esta barreira foi transposta e não importa mais o lugar físico… Todos estamos juntos ao toque do dedo!!!!” (Fernanda Maria de Oliveira Costa – Mococa – SP)

“O Grupo de Estudos veio ao encontro das minhas expectativas quanto ao desejo de participar de um estudo aprofundado sobre a alfabetização à luz de novas pesquisas acerca da aprendizagem da leitura e da escrita. Os recursos tecnológicos utilizados, com a mediação de uma educadora que une muito bem teoria e prática, vêm possibilitando, mesmo à distância, o diálogo reflexivo com profissionais envolvidos nesse processo e a ampliação do olhar sobre a nossa ação pedagógica.” (Christiane Maia Azeredo – Niterói – RJ)

“Andrea, sua síntese retrata com primor o que estamos vivenciando. A dinâmica do grupo de estudo online está configurada de forma a aproximar todos. Embora estejamos de fato distantes, as atividades síncronas, o fórum permanente de conversa, o espaço para indicações de leitura e vídeos, os vídeos de atividades, as apresentações de síntese dos temas com sua voz nos ‘dando aula’ como se estivéssemos em uma sala de aula, tudo isso me traz uma sensação de proximidade. Sinto como se formássemos mesmo uma turma.” (Tatiana de Souto Pina – Rio de Janeiro – RJ)

“Estou muito feliz com esta iniciativa da Escola da Vila. O curso online veio pra ficar! A formadora consegue manter a dinâmica e o interesse do grupo, como se estivéssemos presentes na sala de aula. Os temas abordados são de grande importância para nós e ter que atender aos prazos das entregas das tarefas nos obriga a manter uma disciplina e uma organização com as leituras, embora este seja o grande desafio em meio a tantas demandas da escola. Estou adorando fazer parte deste grupo!” (Paula Klein – Niterói – RJ)

Conversa de Professor 3: reflexões sobre o atendimento à diversidade

15_08_2014

Por Zélia Cavalcanti

Como aconteceu nos últimos dois anos, em meados de julho lançamos um novo número da revista Conversa de Professor, divulgando reflexões pedagógicas gestadas durante o planejamento escolar e socializadas com a equipe durante o anual Simpósio Interno da Escola da Vila.

O processo de produção dessa publicação se inicia nas primeiras semanas de trabalho de cada ano, quando nossos profissionais são convidados a dedicar atenção especial a um determinado tema relacionado à atividade docente, sobre o qual terão que escrever já que, no segundo semestre, durante o simpósio interno, será ele o centro das apresentações e discussões.

Em 2013, o foco dessa atenção foram os procedimentos de ensino que melhor atendiam à necessária relação entre os princípios da interação e da diversidade. Cada profissional, grupos de série ou segmento deveria identificar, descrever e analisar os mais eficientes em termos da produção de novas e melhores aprendizagens para todos.

No percurso investigativo para a identificação de quais seriam, dentre as propostas já em uso, as mais adequadas em função dos conteúdos específicos e do momento de escolaridade de cada grupo de alunos – aquelas que envolviam um conjunto de ajudas diferenciadas para que todos os alunos de uma mesma classe aprendessem determinados conteúdos, mesmo estando em diferentes momentos do processo de aprendizagem – professores e orientadores, da Educação Infantil ao Ensino Médio, reconheceram que trabalhar em parceria, com colegas de série ou segmento, era um caminho não só possível, mas também desejável e proveitoso. Viram também que, em algumas condições específicas, envolvendo conteúdos a ensinar e o momento de aprendizagem de alguns alunos de seu grupo, a produção de um suporte material específico era fundamental. Selecionamos, para o terceiro número de Conversa de Professor, dez artigos que exemplificam esses encaminhamentos e as parcerias que se mostraram indispensáveis para os resultados alcançados.

Nas edições de 2012 e 2013, cerca de dois mil exemplares impressos foram distribuídos a educadores de escolas parceiras e aos inscritos nas ações de formação, presenciais, organizadas pelo Centro de Formação; e uma versão digital do formato impresso foi também disponibilizada na área de publicações do site.

Agora, em 2014, seguindo a política de digitalização da comunicação do Centro de Formação, decidimos iniciar a transição para transformar essa publicação em revista digital. Nesse sentido, para esse número, não teremos mais a versão impressa, apenas a versão digital, disponibilizada no site também com possibilidade de leitura em tablets e smartphones. E, em 2015, ao ser publicada, já estará redesenhada para atender as características das edições eletrônicas.

Conheça Conversa de Professor 3

De Conversa em Conversa

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Por Zélia Cavalcanti

Esse será o terceiro ano em que a Escola da Vila divulgará parte da reflexão escrita de seus profissionais através da revista Conversa de Professor, publicação composta por artigos derivados de textos que sistematizam as inquietações pedagógicas e educacionais emergentes das reuniões pedagógicas e das supervisões de áreas curriculares, escritos para Simpósio Interno (*) que se realiza anualmente no segundo semestre letivo.

A cada número dessa revista, o que comanda a escolha dos artigos a serem publicados é o conteúdo que foi selecionado como eixo temático dos trabalhos apresentados durante o Simpósio Interno do ano anterior. Escolha que não é nada fácil, dado o volume e a qualidade do conjunto de reflexões escritas que chega a nossas mãos para a edição de cada número da Conversa, preparada e publicada no final de junho para ser distribuída aos muitos professores, coordenadores pedagógicos e orientadores educacionais que participam das ações de formação que o Centro de Formação oferecerá a partir de julho.

Essa variedade no público destinatário e o leque de interesses, que sabemos existir entre profissionais dedicados à educação escolar, fez com que, desde o início, procurássemos publicar conjuntos de textos em que as relações com a construção de conhecimento pudessem ser exemplificadas por meio de práticas de ensino de diferentes conteúdos, em classes de todos os segmentos, e também na formação de professores. Em outras palavras, artigos que possibilitassem a socialização de fontes de conhecimento pedagógico, colaborassem com a construção de procedimentos didáticos, e sugerissem boas práticas a serem levadas às salas de aula, da Educação Infantil ao Ensino Médio.

Em 2012 e 2013, nossa revista foi publicada em edição impressa de 2.500 exemplares que, distribuídos internamente e nas programações de inverno, verão, primavera e outono na Vila, e em alguns cursos itinerantes, praticamente esgotaram, restando aos interessados a possibilidade de leitura em sua versão digital.

Conversa de Professor No 3 já está sendo gestada e estará disponível em www.cfvila.com.br (publicações) na segunda semana de julho. Tem como eixo a reflexão que os professores de diferentes segmentos, classes e disciplinas,  realizam para que em seus planejamentos possam atender às diferentes necessidades de aprendizagem presentes em cada turma de alunos; isto é, para dar ajudas que se ajustem aos diferentes momentos do percurso de aprendizagem de cada aluno ou grupo de alunos em cada um dos conteúdos escolares.

Aguardem.


(*) O Simpósio interno da Escola da Vila é um evento, que ocorre sempre no segundo semestre,  para a socialização de reflexões e boas práticas que realizamos há mais de dez  anos e no qual participam todos os profissionais da área pedagógica.

“É extremamente triste estar sozinho quando se encontra a beleza.”

Bartolomeu Campos de Queirós, conferência durante o Simpósio do Livro Infantil e Juvenil, Colômbia-Brasil, Bogotá, 7-9/10/2007

09_05_2014

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Por Aline Evangelista Martins*

A declaração de Bartolomeu Campos de Queirós, título deste post, é um dos motes do trabalho com leitura compartilhada na Escola da Vila. Quem já esteve numa sala de aula repleta de jovens extasiados diante de um poema, um conto ou um trecho de romance sabe o quanto é tocante presenciar o encontro com a beleza e o natural desejo de compartilhar o estranhamento, a emoção, enfim, a experiência estética.

Esse impulso de buscar o outro para falar sobre o que é impactante evidencia-se em muitas outras situações do nosso dia a dia na escola: no burburinho da sala dos professores, não faltam relatos de momentos interessantes das aulas, comentários sobre produções, discussões sobre o que os alunos falaram, o que pensaram, o que fizeram. É difícil estar sozinho quando tantas coisas interessantes acontecem. E é muito bom encontrar os colegas para falar sobre tudo isso. Quem já esteve numa sala dos professores repleta de ideias, análises, inquietações e deslumbramentos sabe do que estou falando…

A busca por alguém com quem dividir o impacto é também muito recorrente nos momentos de correção e de análise da produção dos alunos. É bem rotineiro observar, na biblioteca, na sala dos professores e em outros espaços de trabalho da escola, docentes que rompem o silêncio e a solidão do trabalho avaliativo para comentar com colegas uma frase, um parágrafo, um texto inteiro: “Veja o que esse aluno escreveu!”. “Desculpe, vejo que você está ocupada agora, mas queria só te mostrar essas respostas que foram dadas para a questão 2 da prova!”. Quem já se esmerou em preparar o plano de um curso, elaborar uma prova para avaliar as aprendizagens e, por fim, analisar as respostas dos alunos, sabe o quanto a avaliação pode ser mobilizadora.

Avaliar é, antes de tudo, buscar  informação. Avaliamos porque precisamos nos informar sobre a concretização do planejamento. Para tanto, é essencial  saber como cada um dos nossos alunos pensa, posiciona-se e produz a partir daquilo que aconteceu nas aulas. A análise dessa informação determina os rumos das etapas seguintes, afinal, a partir dela, são feitos os ajustes no plano inicial. Por outro lado, a avaliação dá ao aluno um retorno sobre o seu desempenho em relação às expectativas de aprendizagem e possibilita a autorregulação, ou seja “a capacidade de exercer controle sobre as suas atividades e, em particular, as suas aprendizagens” (Hadji, 2011, p. 45).

Pode parecer estranho começar uma reflexão sobre avaliação comentando o encontro com a beleza. Mas o nosso cotidiano na escola evidencia que as duas esferas estão muito próximas. No momento da avaliação, vemos a concretização do nosso currículo, o resultado das nossas intervenções, a aprendizagem dos nossos alunos, aquilo que eles constroem, por onde caminham, que questões formulam, que dúvidas têm, que erros cometem. Dúvidas, reflexões, perguntas, formulações, erros: tudo isso é construção de conhecimento. Quem já se dedicou à tarefa de avaliar sabe que encontrar nos instrumentos da avaliação a voz daquele que aprende é, sim, muito bonito. Por isso não resistimos ao desejo de compartilhar.


HADJI, Charles. Ajudar os alunos a fazer a autorregulação da sua aprendizagem: por quê? Como? Pinhais: Editora Melo, 2011.

(*) Aline é coordenadora da área de LPL e responsável por vários cursos, presenciais e online,  oferecidos nas programações do Centro de Formação da Escola da Vila, entre os quais “Avaliação da produção escrita: desafios e possibilidades”.