Sobre fazer parte da comunidade escolar

No dia seguinte ao evento “Um pouquinho de Brasil”, Daniela, uma mãe da escola, escreveu sobre a participação de sua família no evento e nos brindou com uma reflexão sobre o que é fazer parte de uma comunidade. Agradecemos à Daniela Giaquinto pela parceria e por nos autorizar a postar suas palavras.

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Por Daniela  Lopes Giaquinto

“Começo esse ‘pensamento traduzido em palavras escritas’, relatando a minha conversa com o Diego, meu filho de 3 anos, no carro.

“- Vamos para o “Um Pouquinho de Brasil” na sua escola, Diego.
– Mas esse não é o caminho da minha escola!
– Ah… mas é que você estuda na Unidade Butantã e nós estamos indo para a Unidade Morumbi.
– Tem duas escolas?
– Sim, filho, na verdade tem três, porque tem a Unidade Granja Viana. Mas é tudo a mesma escola.
– E é tudo minha?
– Sim!
– Ebaaaa!!!”

E lá, enquanto Diego sofria pela falta de coordenação motora para fazer uma pipa (rs), fiquei pensando na importância que esse nosso passeio tinha. Isso porque não se tratava de um evento direcionado para o segmento dele, embora fosse aberto a todos. As atividades eram propostas para o Fundamental I, e o Diego ainda levará alguns anos para fazer parte desse grupo.

Fato, gosto de prestigiar os eventos da escola do meu filho. Por ser professora, sei o trabalho que dá organizar esses eventos e uma maneira de apreciar tal empenho é comparecer. Mas a minha intenção é mais do que prestigiar a escola e os profissionais envolvidos nesse projeto. Minha intenção é fazer parte da comunidade escolar. Conhecer as pessoas que fazem parte do dia a dia do meu filho, seus amigos (que conheço todos e sei seus nomes), os pais dos seus amigos, com quem compartilho impressões, experiências e a fé de que “tudo vai dar certo”, os professores e os orientadores, os que estão com ele hoje e os que fazem parte dessa comunidade, e todos os profissionais que dividem comigo a presença dele, desde a direção até a moça que passa pano no chão do banheiro. Quero que meu filho entenda que cada pessoa dessas faz parte de uma engrenagem que só funciona porque todos compõem uma equipe. Equipe da qual ele faz parte.

Fazer parte.

Acho que o motivo principal pelo qual gosto de me sentir pertencente a essa comunidade escolar está ligada à crença de que as crianças também aprendam observando modelos. E o que eu quero que o Diego aprenda ao observar como me relaciono com sua escola é que ela não é feita “para ele” mas “com ele”. Que saiba que, desde pequenino como é hoje, ele colabora com a construção e a manutenção desse lugar, com sua forma de ser e existir. Eu penso a escola como um organismo vivo, que pulsa, respira e pensa. E quero que o Diego entenda que ele é parte do que inspira e expira desse organismo, que é a vida que corre (no caso dele, literalmente!) pelos corredores, parques, salas de aula, mundo… Uma vez que compartilho dos princípios que fundamentam essa instituição, acredito que faça sentido o Diego ir se apropriando deles à medida em que os compreenda, e que os adote em sua maneira de viver.

Conhecer o trabalho dos mais velhos é conhecer o próprio trabalho (e vice-versa), afinal, ele, de alguma forma, compartilha dessas descobertas. Os grandes já estiveram onde ele está. Os pequenos chegarão lá e, nesse dia, serão “os grandes”. Nos retroalimentamos de curiosidade, descoberta, aprendizado e, sim, do prazer que dá aproveitar o resultado.

Quero ainda que ele entenda o quanto valorizo sua vida acadêmica e que o que entendo por ela é muito mais do que as notas no boletim. É o convívio, a participação, a arte, a capoeira, a música, a culinária… O conjunto da obra, figura e fundo, individual e coletivo.

Por fim, espero que meu filho aprenda a apreciar a vida nessa comunidade, que aprenda a participar dela da melhor forma e que isso se traduza em ser feliz na escola, mesmo quando as coisas forem difíceis, mesmo quando houver desafios a cumprir. Acho que posso chamar isso de amor. E é isso… Quero que ele aprenda a amar a sua escola, porque ele a representa e ela também o representa.

Talvez alguém me diga:

– Mas, Dani, e se depois disso tudo ele não sentir dessa forma? Afinal, vocês são diferentes, ele pode não ter vontade, quando mais velho, de participar tão de perto dessa comunidade…

Eu responderei:

– Pode ser. Não há como garantir que ele ame a escola ou que queira se envolver tanto assim. Mas, no mínimo, poderemos dizer que, num sábado ensolarado, abraçamos os amigos e juntos curtimos um passeio muito legal…

ps #euamoavila

5 ideias sobre “Sobre fazer parte da comunidade escolar

  1. Daniela,

    Que delicia e emoção ler seu texto.
    Minhas filhas que já foram “pequenas” e agora são “grandes”, e sinto esta conexão muito forte nossa com a escola.
    A mais velha já saiu da escola. Está no cursinho e foi bem difícil a adaptação dela no cursinho. Ela dizia bem triste que não era como a Vila, que ninguém se aproximava, ninguém compartilhava nada.
    Para mim, ainda é bem difícil pensar que uma delas já se formou na escola e que não está mais, mas….ainda tenho a mais nova (que logo tb se formará).
    Sei que a saudade desta escola, como mãe será enorme, mas construí a presença dela dentro do meu coração !!!
    bj
    Sandra Nascimento

    • Que bom ler este relato! Como mãe, que estou passando por um momento difícil de decisão, entre matricular meus filhos na unidade Granja Viana ou deixá – los na escola que estão, ao ler esse relato sinto que a escola da Vila realmente tem muito mais do que apenas uma boa proposta pedagógica!

  2. Querida Juliana,

    Penso que quando escolhemos uma escola para nossos filhos, estamos escolhendo parceiros de vida. Na minha experiência,a Vila não poderia ter sido parceiro melhor !!!
    Bjs com carinho,
    Sandra

  3. Esse relato realmente emociona quem está dentro e quem está fora.

    A vila está transformando meu filho João de 07 anos em uma criança prazerosa por tudo. Ele aproveita o máximo os amigos, professora, Biblioteca, Capoeira, etc

    Em casa ele leva tudo isso para a vida dele já com todos os seus 07 anos

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