Uma comunidade de aprendizagem em Nova Iorque

Por Sônia Barreira

No mês de abril, estivemos durante dez dias em Nova Iorque com um grupo de 30 educadores vindos de diversos lugares do país, representando escolas muito diversas em tamanho, origem e projeto.

Da mesma maneira, nossa programação contemplou atividades com diferentes finalidades, o que fez da viagem uma experiência fecunda de aprendizagens variadas, algumas diretamente transferidas em forma de propostas para nossas escolas, outras de lenta digestão, assimiladas no plano de desenvolvimento pessoal, mas que certamente, mais cedo ou mais tarde, far-se-ão notar no contexto profissional.

O ponto alto das nossas viagens é sempre o entrosamento do grupo, as trocas e as amizades que surgem desta convivência intensa. Em nossas práticas, procuramos realizar atividades que permitam expandir os conhecimentos de todos para além das questões estritamente educacionais.

Para melhor contextualizar as visitas às escolas, por exemplo, solicitamos à Aline Evangelista, educadora que trabalhou na Escola da Vila por muitos anos e que vive atualmente em Washington, uma pequena palestra introdutória sobre o contexto educacional americano e as políticas governamentais dos últimos anos, o que nos ajudou muito para compreendermos melhor o que vimos a seguir. Com a mesma intenção, em uma grande roda de conversa, procuramos alinhavar as impressões pessoais, destacar as principais questões conceituais e indicar pontos de aprofundamento posteriores.

Porém, a novidade desta Viagem Pedagógica foi a chance que tivemos de ampliar nossa relação pessoal com a Arte.

A arte contemporânea, entre o estranhamento e a compreensão

Ao visitarmos dois grandes espaços que em sua coleção abrigam obras de artistas importantes para se compreender as transformações ocorridas na Arte, o grupo se viu diante de questões fundamentais que estão presentes também na prática pedagógica. Rupturas com o suporte tradicional na pintura, eliminação do pedestal tradicional na escultura, uso de materiais não convencionais na produção artística, sentir o corpo presente e o espaço ser incorporado na concepção da obra, foram alguns dos princípios abordados e presenciados ao longo das visitas que fizeram parte da viagem.

No MoMA, Museu de Arte Moderna, obras de Picasso, Braque, Matisse, Pollock, Brancusi, foram ponto de partida para as reflexões acerca das provocações que as vanguardas trouxeram para a produção artística, e consequentemente, seu impacto direto nas aulas de arte. Nesta atividade, o grupo foi presenteado com belas e competentes monitorias das nossas professoras de arte que compuseram a delegação da Escola da Vila, Karen Greif Amar, Zá Szpigel e Luisa Furman. Nossos agradecimentos ao trabalho sensível e consistente que realizaram, ajudando-nos a compreender melhor o que veríamos no dia seguinte.

No Dia: Beacon, museu de arte contemporânea, que apresenta uma coleção de obras de artistas como Louise Bourgeois, Walter de Maria, Sol LeWitt, Fred Sandback, Richard Serra, entre outros. A questão principal que permeou as conversas e ampliou as reflexões foi o estranhamento causado pelas propostas que a arte contemporânea nos traz, tanto em relação à arte quanto na prática pedagógica, quando insere questões como o espaço, o tempo, o cotidiano, a vida. Compreender de que forma esses aspectos foram modificando a produção em arte contextualiza e consequentemente provoca pensar a arte em algo vivo, que acompanha o tempo em que está inserida, reduzindo o estranhamento e ampliando as possibilidades de diálogo com o mundo.

Nas próximas semanas, trataremos de publicar outras reflexões provocadas pela viagem, tais como:

– A tecnologia aliada às atividades manuais e a experimentação de materiais diversos;

– Os jogos como estratégias de aprendizado envolvimento e motivação;

– As construções, propostas de engenho e reflexão sobre o espaço;

– O convite à metacognição e à comunicação dos processos e aprendizagens.

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