Ambientes que comunicam

Por Marisa Szpigel – Zá

Visualidade: vista, miragem, aspecto cambiante (do dicionário Michaelis). A visualidade dos espaços de todas as escolas pelas quais passamos durante nossa jornada em Nova York comunicavam significados. A visualidade não se apresentava apenas pelas exposições e pelos murais repletos de trabalhos realizados por crianças e jovens, mas também, e principalmente, pelo agir dos estudantes e professores nos espaços. Ambientes coletivos de trabalho, que muito se distanciavam do referente de uniformização e homogeneidade sem surpresas que normalmente estão relacionados ao ambiente escolar. Cada uma das escolas que pudemos conhecer oferecia lugares convidativos e que sugerem familiaridade, eles nos mostravam que foram construídos  ao longo do tempo pelos protagonistas  dos processos ali implicados, de modo a revelar singularidades e  construção coletiva simultaneamente.

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3Na escola Quest to learn todas as propostas são apresentadas aos alunos no formato de games. Observamos que os alunos utilizam os ambientes virtuais e reais  de acordo com a atividade. Não há uma sala  de aula por série, mas os alunos circulam pelas salas e cada professor tem sua sala. Os murais, repletos de produções de todos tipo comunicam os processos de produção. Além disso, chamou atenção o fato dos professores terem um espaço de trabalho (como mostra a primeira imagem) dentro da sala.

Assim como ocorre nos ambientes virtuais que se constituem por redes complexas e carregadas de informações, nessas escolas salas, corredores, bibliotecas e ateliês também se apresentavam como redes complexas, com poucos (ou nenhum) espaços vazios. Mais do que salas de aula e ateliês, os ambientes nos davam ares de laboratórios, onde a experiência e a investigação, os processos e as aprendizagens, são transparentes.

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Como gabinetes de curiosidade, objetos, comentários, reflexões, sistematizações, mapas  conceituais, fotografias, materiais e muitos trabalhos de arte  invadiam os ambientes dentro e fora das salas de  aula da Blue School.

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A cena está mais para gabinete de curiosidades e museu de tudo do que para museus especializados e separados por disciplinas e áreas. Está mais para museu-laboratório do que para museu-vitrine. E, novamente, vale frisar, assim como nas redes, a multiplicidade e a polifonia estavam sempre presentes nos ambientes por onde passávamos e eles nos tornavam imersos nos processos.

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Pode-se concluir que os ambientes reais reproduzem a complexidade dos ambientes virtuais, no entanto, o fazem em sua concretude, pois materializam os conteúdos presentes na vida de nossas crianças e jovens, que desde muito cedo estão em contato com os ambientes virtuais. O que ocorre é que os estudantes transitam com familiaridade na multiplicidade sem perigo de dispersões, estão habituados a perceber diversos estímulos simultâneos e abertos para experiências novas de contato e descobertas sensoriais que talvez, na contemporaneidade, só possam ser conhecidas no ambiente escolar.

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Na escola em que fomos visitar e conhecer mais de perto as propostas de Reggio Emília, materiais de todo tipo, desde os mais industrializados até os mais naturais são investigados pelos alunos em ambientes organizados pelos professores.  Os registros feitos pelas crianças durante o processo de produção são expostos nas paredes e  em murais.

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A visualidade dá visibilidade às transformações do mundo. Se as tecnologias digitais afetam as formas de perceber e compreender o mundo, isso implica em inventar novos modos de agir nele. Não se trata de substituir a argila por computadores. Vimos nos corredores que caixotes de madeira e carrinhos de tablets podem coexistir. O que mudou foi o modo de pensar, e cabe a nós, educadores, refletir sobre os diálogos possíveis. Como a tecnologia está (ou deveria estar) conciliada com a produção artesanal e o contato com as diferentes qualidades de matérias e materiais? Neste contexto, a arte apresenta-se como campo que potencializa entrelaces.

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Na Bank Street a arte invade todos os ambientes: salas de aula, corredores, biblioteca e ateliê. Durante as propostas os alunos trabalham autonomamente dentro da sala e pelos corredores. Os professores também, tanto os que estão ministrando as aulas quanto outro que estão realizando seus estudos e planejamentos, tornando transparente também o fazer docente.

Uma ideia sobre “Ambientes que comunicam

  1. Zá, obrigada por compartilhar a experiência da viagem!! Gostei muito de suas reflexões e tenho certeza que elas já estão presentes no seu fazer docente. Muito interessantes as fotos e muito instigantes. Parece que o processo da construção do conhecimento fica exposto e compartilhado no espaço escolar… Muito legal!! Bj,
    Carla

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