Projeto Cicerone: a voz do aluno

Cicerone

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Por Sônia Barreira 

Nesses muitos anos viajando com o Centro de Formação da Escola da Vila nas famosas Viagens Pedagógicas, temos conhecido incontáveis experiências escolares, das mais variadas linhas: alternativas inovadoras, convencionais, tecnológicas, criativas, enfim, propostas com um DNA próprio e identidade forte, alicerçadas nos fundamentos de seus projetos pedagógicos. De modo que qualquer uma delas sempre nos fez pensar na nossa, de vários pontos de vista.

Deveríamos flexibilizar mais o espaço e a seriação? O uso das tecnologias está muito tímido? A interação entre maiores e menores está bem utilizada? A audiência real para os projetos dos alunos poderia ser mais garantida? As paredes estão devidamente “vestidas” com as produções dos alunos?

Mas algumas experiências simplesmente nos causam aquela perplexidade: por que não pensamos nisso antes? Uma delas é a ideia de colocar os próprios alunos a apresentarem a escola às novas famílias e futuros alunos. A primeira vez que isso nos chamou a atenção foi na Escola Sunion, de Barcelona. Aliás, quase tudo naquela instituição nos marcou positivamente. Lá, escola secundária, todo aluno é responsável por contribuir com algum “serviço” na escola (xerox, distribuição de correspondência, atendimento, etc, além da limpeza, da qual, todos devem participar) por algum tempo semanal. Foi nesse processo que tivemos alguns alunos nos ciceroneando, num tour pela escola. Através de seus olhares pudemos conhecer os valores daquele projeto tão inovador.

Mais tarde, na viagem ao Canadá, o mesmo aconteceu no Ontario Institute for Studies in Education, com alunos relativamente pequenos, que nos ajudaram a compreender como a metodologia de inquirement based funcionava nas diferentes salas de aula.

Na viagem para a Califórnia, recebidos pelos alunos da HTH, de Chula Vista e Point Loma, em San Diego, pudemos – em diferentes grupos, questionar mais a fundo os alunos sobre os diferenciais da escola, buscar contradições, entender os pormenores. Nessas escolas, os cicerones são denominados embaixadores, e surpreendem seus interlocutores pela clareza em destacar os valores das escolas, seus projetos para diversas faixas etárias, os resultados que eles próprios observam.

As vivências nessas situações distintas nos fizeram concluir que, além da experiência única para nós, de termos a escola desvendada pelos próprios alunos, a situação era também bastante significativa para aqueles que se esforçavam por comunicar aquilo que viam na escola como relevante para sua formação, as vantagens formativas dos projetos ou conteúdos estudados, o potencial para a aprendizagem de certos encaminhamentos.

Conhecer o projeto pedagógico no qual está inserido, acreditar nele, saber reconhecer seu valor e, acima de tudo, dar sentido às suas experiências escolares é extremamente importante para o aluno. Esses sentimentos ajudam no engajamento dos estudantes, na atitude positiva para os desafios e no ambiente favorável para o aprendizado.

Por essas razões, demos início, em 2016, mais precisamente no mês de abril, à constituição de um grupo de alunos, por adesão espontânea, que está passando por um processo de discussão e de preparação para poderem ciceronear visitantes que queiram conhecer o projeto pedagógico da Escola da Vila.

Acreditamos que essa iniciativa vai fortalecer os laços dos alunos com a escola, além de proporcionar uma experiência muito significativa aos visitantes: conhecerem a escola e suas propostas através dos próprios estudantes.

A partir deste mês de maio, aqueles que se inscreverem poderão ter o privilégio de serem guiados por esses jovens entusiastas da nossa Escola. Ganharemos todos, certamente.

E, conforme tenhamos alguns relatos dos alunos e alunas sobre essa experiência, compartilharemos com vocês por esse canal!

4 ideias sobre “Projeto Cicerone: a voz do aluno

  1. Que ótima iniciativa, Sônia! Um fato curioso, relacionado ao tema do post: estou ministrando um curso online, por isso a minha mesa de trabalho está cheia de coisas da Vila. Laura começou a xeretar, examinou a marca da escola por um tempo e perguntou se as 3 bolinhas representam o nome da escola. 1a bolinha = ESCOLA; 2a = da; 3a = VILA. Pedi uma nova hipótese e ela arriscou, seguindo a lógica da marca da escola dela: “são os alunos brincando” . Conversei um pouco sobre as bolinhas e pensei: será que todos os nossos alunos sabem o que elas representam? Enfim, esse pode ser um bom tema para discutir com os cicerones…

    • Oi Alessandra,
      Neste primeiro ano abrimos para inscrição apenas de alunos do F2 e EM que tivessem interesse, depois disso eles reafirmaram o interesse participando de duas atividades: um formulário de levantamento de conhecimento sobre o tema, e uma reunião preparatória. Quem perdeu a chance de se inscrever poderá fazê-lo no próximo ano.
      Obrigada pela leitura.

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