O valor formativo de uma viagem pedagógica.

Colégio Collaso i Gil – Vínculo com o conhecimento e com uso significativo das Tic

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Por Sônia Barreira

Há anos promovemos viagens pedagógicas. Reunimos um grupo de pessoas interessadas num determinado tema, especialmente aquelas que fazem parte de nossas redes de profissionais da educação, identificamos experiências relevantes, profissionais de referência, e estruturamos um período de estudos, observação e debates.

É claro que nunca uma experiência em educação pode ser integralmente transportada para uma outra realidade. No entanto, não há escolas, projetos ou atividades que não possam, de alguma maneira, disparar uma reflexão, promover uma mudança, inspirar uma ideia.

Porém, algumas equipes e escolas chamam a nossa atenção de modo singular, instigam através do contraste. Na Escola Colasso I Gil, tivemos a oportunidade de entender como, numa realidade tão desfavorável para o avanço das aprendizagens, a equipe da escola consegue tantas conquistas.

Para compreender, é preciso contextualizar um pouco o bairro do Raval. Trata-se de uma zona pobre, no centro de Barcelona, para onde chegam (ou chegavam) os imigrantes de todas as etnias e países: latino-americanos, paquistaneses, marroquinos, etc. A Escola tem mais alunos filhos de imigrantes (que mal falam as línguas da região, o catalão e espanhol) do que espanhóis. O diretor nos conta que já houve salas em que se falavam mais de 15 idiomas distintos!

A equipe técnica (diretiva) tem três pessoas, o diretor, a chefe de estudos (que corresponderia à nossa coordenação pedagógica) e a secretária, e estão nesta mesma unidade escolar há muito tempo. Todos dão aulas também, pois, em Barcelona, é inimaginável cargos técnicos sem a devida complementação em aula! Menciono isso porque me parece que este detalhe faz toda a diferença para o andamento do trabalho – os coordenadores conhecem a verdadeira escola: os alunos, os pais, os processos de trabalho e suas modificações ao longo do tempo.

A escola cumpre a função de escola e, ao mesmo tempo, de assistência social, de modo que os problemas e afazeres do dia-a-dia são tão diversos e complexos que ela se torna incomparável com as demais instituições escolares! E lá, no meio desta dificuldade toda, encontramos duas professoras, Núria Cervera e Anna Pérez, que não se contentaram em oferecer mais do mesmo para seus alunos! Elas desenvolveram projetos interdisciplinares utilizando uma série de recursos tecnológicos de dar inveja a qualquer escola privada brasileira, cheia de equipamentos e cursos de treinamento aos professores.

As professoras se apoiaram e juntaram as turmas para poder atender melhor aos alunos. Eram mais de 50 que trabalhavam em subgrupos. Uns criavam histórias em forma de filmes de vídeo usando o Pinnacle Studio para a edição, outros elaboravam posters sobre o percurso que a comida faz no corpo até ser digerida, usando uma das várias ferramentas gratuitas da web 2.0 usadas pelas professoras, chamada Glogster (http://www.glogster.com), e outros ainda nos mostravam, orgulhosos, o levantamento dos prédios modernistas de Barcelona, usando um aplicativo de geolocalização que permite a gravação das vozes dos alunos e a elaboração de um guia de áudio com o Woices (http://woices.com/).

Crianças pobres, filhas de pais possivelmente desempregados na atual Espanha em crise, mas desafiadas por professoras comprometidas, estavam engajadas em suas pesquisas, orgulhosas de seus produtos, generosas e disponíveis, nos explicando detalhadamente o que haviam aprendido com este projeto!

Mais tarde, para finalizar este percurso, conversamos com as professoras, que revelaram seu processo formativo: participaram de algumas comunidades virtuais de troca de experiências com outros professores e fizeram esta parceria, o que permitiu uma gestão mais adequada das duas turmas, em subgrupos. A escola possuía uma boa estrutura de rede, o que facilitava o acesso à internet, e os aplicativos foram explorados, muitas vezes, com a ajuda dos próprios alunos.

“Bem, entendemos que não há como ignorar esta questão e tratamos de nos capacitarmos. Fomos atrás de aprender, para não deixarmos nossos alunos alheios ao mundo virtual.”

Uma beleza! Sorte nossa termos podido conhecer experiência tão gratificante!

Uma ideia sobre “O valor formativo de uma viagem pedagógica.

  1. Sônia, muito interessante seu relato. Não há dúvida que alguns profissionais da educação fazem toda a diferença na vida de alunos com condições tão adversas!!! Com certeza essa atitude os ajuda a serem agentes e autores de seus processos de aprendizagem. Realmente uma experiência gratificante para vcs.
    Abraço,
    Carla

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