“Para fazer uma boa escola você tem de pensar não apenas no que vai ter nela, mas principalmente naquilo que você não vai permitir, de modo algum, que exista nela”

Por Sonia Barreira 

Com essas palavras, Larry Rosenstock, CEO e um dos fundadores da High Tech High (HTH) nos explicou grande parte do que vimos no uso do espaço dessas escolas. Não há sinal de entrada ou entre as aulas, não há chamada por alto-falante, não há uniforme, não há cadeiras individuais. Essas escolhas foram fundamentais para o clima que observamos em todas as unidades dessa rede de escolas “charter”, que visitamos na semana passada.

Os alunos andam livremente e ninguém os interpela para saber o que estão fazendo neste ou naquele canto. Estão trabalhando, certamente! A confiança e a liberdade estão claramente configuradas.

E trabalhar aqui pode adquirir muitos formatos:

1
Alunas de oitavos anos organizando uma Feira Cultural que farão no centro de San Diego.

2
Alunos de sétimos anos montando uma catapulta movida pelo computador, usando um kit de Arduino.

3
Alunas de sextos anos pesquisando sobre a fome no mundo. Elas estão usando os computadores que a escola disponibiliza por turma, no sofá da sala de aula.

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Atendimento individual feito por uma professora no horário de trabalho pessoal da turma de sétimo ano.

Isso é possível porque a escola adota a metodologia de trabalho em projetos (PBL) e os alunos têm perfeitamente claro o que devem fazer, por que, e até quando! O valor dado ao protagonismo do aluno concretiza-se em todos os projetos que observamos.

Cada série é composta por quatro turmas de 26 alunos aproximadamente, que partilham um espaço comum. No entanto, cada duas dessas turmas fazem parte de um mesmo time, com os mesmos professores.

As salas das duas turmas são separadas por uma parede retrátil, que é aberta em muitos momentos dos projetos para que os alunos possam trabalhar juntos. São, portanto, quatro salas de aula, que se transformam em duas quando necessário, com um espaço comum entre elas, usado para guardar mochilas, fazer atividades diferentes, interagir com os colegas. Fechando-se essas salas, dois gabinetes ficam reservados aos professores para planejamento, atendimento individual, estudo. Complexo para descrever, mas excelente para conviver e trabalhar na escola!

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Essa mesma estrutura se repete para todas as séries, em todas as escolas que visitamos. Mas, como disse anteriormente, o espaço não seria nada especial se não houvesse um funcionamento que potencializasse seu uso pedagógico.

Cada turma tem dois professores, um que ministra ciências e matemática, outro responsável por humanidades e língua. Cada dupla, responsável por um time, faz também o trabalho do orientador educacional, ou parte dele, são os chamados “advisors”, que reservam duas aulas semanais de 45 minutos cada para conversar com os alunos sobre sua vida, conflitos, dilemas, ou simplesmente para conviverem. Além disso, os alunos têm uma hora para artes, esportes, teatro.

Salas de aulas, horários e distribuição das tarefas na equipe são três elementos que ajudam a viabilizar e enfatizar o trabalho colaborativo entre os professores e os alunos.

O enfoque metodológico usado por todos é o PBL (aprendizagem baseada em projetos). Trata-se de uma modalidade organizativa da prática que contém pelo menos oito características.

A primeira delas é a necessidade de o projeto abordar conteúdos significativos, não apenas no sentido de serem interessantes para o aluno, mas principalmente relevantes para sua formação; a segunda é que um projeto deve fomentar o desenvolvimento de competências para o século XXI (criatividade, comunicação, colaboração e pensamento crítico); a terceira diz respeito à pesquisa e investigação, que o projeto deve levar os alunos a fazer: estas devem ser aprofundadas e o aluno deve consultar fontes distintas e usar múltiplas linguagens para tal; a quarta característica do PBL é a questão norteadora, que deve ser apresentada no início do projeto e ser suficientemente ampla, aberta e motivadora; a quinta, need to know, essas questões devem ser bem elaboradas para que possam criar a necessidade de saber ou de aprender – que vai garantir que o projeto seja prático (hands on), mas implique conceitos e aprendizagens teóricas; a sexta característica dos projetos dessa natureza é garantir a voz e a escolha por parte dos alunos, ou seja, um protagonismo acentuado deve ser previsto, permitido e incentivado; a sétima, que deve estar presente no projeto, é a garantia de que as atividades promovam revisão e reflexão, de modo que o aluno tenha a vivência do esforço, da construção de saberes e de habilidades; por fim, na oitava, todos os projetos devem garantir uma audiência real, uma apresentação ou exibição dos trabalhos, que seja realizada não apenas para os professores e colegas de turma, mas para convidados, pais, profissionais, outros professores e colegas de outras turmas.

O uso do espaço da High Tech High pode ser entendido apenas no contexto dessa metodologia. Caso contrário, o visitante desatento pode pensar que uns alunos estão estudando, e outros estão, literalmente, reformando a escola.

6
Espaço externo preparado para o trabalho em grupos.

 7
Ateliê de artes da High School (Ensino Médio).

 8
Projeto de biologia – Alunos de segundo ano do Ensino Médio extraem DNA de frutas.

 9
Alunos de oitavo ano em discussão na aula de matemática.

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Alunos preparando a parede para expor seus trabalhos.

12
Um subgrupo prepara uma apresentação para os pais enquanto os demais alunos estão na sala de aula.

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Alunos sentados no chão, no corredor, lendo um texto em grupo.

 Microsoft Word - Parafazerumaboaescola.docxSala de aula de sexto ano, tarefas variadas, professor invisível.

Uma ideia sobre ““Para fazer uma boa escola você tem de pensar não apenas no que vai ter nela, mas principalmente naquilo que você não vai permitir, de modo algum, que exista nela”

  1. Prezados

    Sempre tivemos acompanhando o excelente trabalho de voces . Parabens pela continuidade de um trabalho de qualidade e contemporaneo .

    Gostariamos de informacoes sobre os Cursos e Viagens da Escola da Vila e das possibilidades de participacao .

    Abracos

    Mary Ferraz
    Diretora da Escola Parque

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