“Mas TODOS os meus amigos conversam pelo Face…”

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Por Fernanda Flores

Cada vez mais precocemente, acompanhamos crianças de 10 anos que, para além do convívio na escola, interagem frequentemente via skype, messenger, whatsapp, enfim, “batem papo” e trocam experiências para além dos muros da escola mediados por uma interface, por um aparelho eletrônico.

Percebemos que, geralmente, o convívio nesses ambientes, muito diferente do que acontece na escola, raramente conta com a mediação de adultos, e, mais que isso, não está condicionado pelo olhar do outro e por suas reações não verbais.

Observamos que as crianças trazem para o nosso ambiente, em suas falas sobre problemas decorrentes de conversas virtuais, a falsa sensação de que aquilo que escrevem uns para os outros não está submetido às mesmas convenções sociais sob as quais pautamos as relações mediadas pelo “olho no olho” que vivem na escola.

Além disso, muitos são convictos de que suas senhas “pessoais” ou a distância física pertinente à situação protegem-nos de qualquer coisa, seja dos pais saberem sobre o quê conversam e como se tratam, ou de poderem excluir ou ser pouco cuidadosos com algum colega quando conversam em grupos fechados, pois, assim, acham que nunca ninguém descobrirá.

Ora, conhecendo o desenvolvimento moral nessa faixa etária, percebemos o quanto estão a construir recursos e instrumentos para lidar com as consequências das escolhas e das posturas adotadas no silêncio de seus quartos, além da pouca possibilidade dada pela idade, de anteciparem decorrências de algumas de suas ações.

Assim, reforçamos aqui duas ideias para reflexão:

1. Como crianças que são, precisam da supervisão da família, com limites claros quanto aos usos desses ambientes, com franca conversa acerca de direitos e deveres, responsabilidades compartilhadas com os adultos sobre como usam e pautam suas conversas na rede, exclusivamente, com pessoas conhecidas.

2. Família e escola precisam abordar esse tema e suas consequências na vida das crianças. À escola, cabe propor contextos e análises que ajudem a considerar válidos, em qualquer ambiente no qual convivam, os princípios de respeito mútuo e de solidariedade, além de valorizarem o diálogo como principal ferramenta para se esclarecer desentendimentos e diferenças.

Indicamos aqui algumas leituras que podem ser úteis para refletir sobre desafios da educação de filhos e filhas aos 10, 11, 12 anos..:

Limites: três dimensões educacionais. Yves de La Taille. Editora Ática.

Ética Para Meus Pais. Yves de La Taille. Editora Papirus.

Ética Para Meu Filho. Fernando Savatér. Editora Martins Fontes.

Novos Desafios Da Convivência: desatando os nós da trama familiar. Lydia Rosemberg Aratangy. Editora Rideel

5 ideias sobre ““Mas TODOS os meus amigos conversam pelo Face…”

  1. Sinceramente, acho meio cedo discutir esse tema. Essas tecnologias existem a pouquíssimos anos e não se sabe ainda qual é a consequência de seu uso.

    Como regra geral, tudo o que vem em excesso não faz bem. Pronto.

    • Avi,

      É certo que se trata de algo novo e, como tal, ocupa funções muito distintas na vida das pessoas. Há pensadores de muitas esferas nos alimentando com reflexões e há também estudos em curso em diversas áreas sobre o impacto dos usos dessas interfaces de conversação à distância nas relações interpessoais, de trabalho, entre outras.

      Nosso compromisso na escola é trazer às famílias questões para reflexão, para que o tema, mesmo que novo, seja olhado como um fenômeno, com prós e contras, e que se oportunize e estreite com as crianças conversas sobre a natureza dessas experiências, seu excesso, e se possa resignificar valores que não caducam como o respeito mútuo, as maneiras pelas quais se tratam, o que as próprias crianças percebem de como usam essas possibilidades.

      Obrigada por acompanhar nosso blog!

      Fernanda

  2. Acompanho o blog da Escola com freqüência e gosto demais dos temas abordados, bem como do conteúdo. Desta vez, fiquei com vontade de escrever, até porque é um dos itens de escolha para a próxima reunião de pais. Sempre acho melhor olharmos para o que está acontecendo e tentar acompanhar. Tenho sobrinhos adolescentes e se ignorarmos o que vem por aí, podemos nos ver numa situação complicada pela frente. Sabe aquele ditado: melhor prevenir do que remediar. Obrigada dicas – de leitura inclusive.

    • Ana Regina, que bom que o blog te proporciona bons temas para reflexão, esse é um de nossos objetivos principais.
      Abraço,
      Fernanda

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