Um Pouquinho de Brasil – o papel dos eventos na formação das famílias

Por Karen Greif

“Um Pouquinho de Brasil” é um convite a participar de perto da produção artística realizada pelos alunos do Ensino Fundamental 1. Ano após ano, temos o prazer de encontrar as crianças e seus familiares nesse evento, que é tão querido por todos. Quando os trabalhos começam a preencher as paredes e os espaços da escola, todos já sabem que esse dia especial se aproxima! Investir em um espaço de troca entre a comunidade escolar e a escola por um evento como esse contribui para a formação dos alunos na medida em que podem compartilhar suas aprendizagens com a comunidade escolar nas exposições e oficinas oferecidas.

O conjunto de produções dos alunos de uma mesma série possibilita visualizar como cada aluno se apropria do conteúdo trabalhado, transformando saberes em arte. Apreciar as diferentes produções, conversar sobre os processos que levaram à realização desse produto promove a integração entre a família e a escola por intermédio de seu protagonista – o aluno. É ele quem apresenta, através do universo da arte, suas descobertas, escolhas e decisões tomadas sobre os desafios propostos ao longo de um trimestre de estudo.

A presença de um público curioso e atento ao que faz sentido para cada um dos estudantes promove uma interação poética potente, pois, além de poder visitar e se encantar com os trabalhos expostos, todos estão convidados a participar de uma das oficinas organizadas para esse dia. Nesse ano, as oficinas oferecidas foram “Pipas”, “Pintura com corantes naturais”, “Peixinhos da Áurea”, “Modelagem”, “Livretos e Cordel”, “Bordado”, “Construção de brinquedos”, “Abayomi”, “Vila do Cangaço – povo do sertão”, “Construção de instrumentos musicais”, “Pintura com modelo vivo”, “Experimentações com sombras”, “Dragão e Barangandão”, “Oficina de Maculelê e Capoeira”. Juntos vivenciaram situações características de um ateliê, como o compartilhar ideias e planejamentos, dificuldades e soluções. A oportunidade de estar lado a lado com as crianças interagindo, criando e trocando, favorece a construção conjunta de valores importantes ligados à produção artística. Nesse dia, a escola se transforma em um espaço para viver e aprender arte.

Veja as fotos do evento no flickr.

O tempo da arte

5_05_2014

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Por Karen Greif Amar

Imagine você estar frente a imagens que reproduzam obras de um artista e seu desafio, nesse momento, é organizá-las de forma que apresentem, em ordem cronológica, a trajetória desse mesmo artista mostrando as transformações ocorridas ao longo de seu percurso. O que levaria em conta para realizar essa tarefa?

As hipóteses levantadas pelos alunos na hora em que precisam se posicionar quanto ao desafio lançado não se distanciam de sua experiência desenhista, já que o que possuem de mais concreto para guiá-los nessa tarefa é o próprio percurso enquanto estudante.

 “Eu acho que ele foi do mais fácil e foi indo para o mais difícil, que nem essas pinturas”.

Na fala de um aluno, a hipótese que relata essa trajetória – o artista parte das formas simples, geométricas e mais fáceis de fazer para depois, bem velhinho e muito craque, pintar paisagens cheias de detalhes.  Aqui encontramos em jogo dois processos de percursos diferentes entrando em contato, ambos relacionados com o tempo. O processo cognitivo do aluno que se desenvolve na infância ainda recente na memória, que é utilizado como referência, e o processo criativo do artista, desenvolvido ao longo de seu trabalho. Que estratégias utilizamos na escola para que o aluno disponha de elementos para compreender o próprio tempo e o tempo do outro?

O artista brasileiro Alfredo Volpi tem sua obra como ponto de partida para que alunos do 3º ano investiguem o tempo tendo como eixo norteador a trajetória de um artista. Tenho certeza de que os alunos iniciam assim, um olhar diferenciado e único sobre os percursos pessoais de trabalho em arte – dos artistas e deles mesmos – e esse momento dispara um olhar investigativo que os acompanha ao longo do estudo em arte na escola. Por ter um caminho muito claro em suas diferentes fases, Volpi tem o poder de encantar os alunos dessa série a ponto deles se questionarem sobre os aspectos que permeiam as investigações, as escolhas e as pesquisas de um artista.

Por que ele pintava dessa forma quando já estava bem velhinho? Por que escolheu produzir seu próprio material de trabalho? Por que Volpi começou pintando paisagens e terminou na abstração? Por que pesquisar a trajetória de um artista é importante?

O tempo de um percurso carrega com ele aspectos distintos que são insubstituíveis. Toda e qualquer referência, escolha e ação, diretamente influencia o caminho percorrido por um artista. No caso do Volpi, isso fica muito claro para os alunos na medida em que pesquisam como seu trabalho se transformou. A escolha por usar uma tinta produzida por ele mesmo, a maneira como ele se envolveu com as cores e as formas, tornando-as os elementos principais de sua pesquisa, são aspectos importantes desse estudo.

Através do trabalho, os alunos resgatam o seu próprio percurso desenhista, e, por esse motivo, compreender como Volpi partiu da figuração para a abstração, que é o caminho contrário dos alunos até então em suas produções, é uma surpresa. Mas não é somente nesse momento da escolaridade que se deparam com a possibilidade de refletir sobre a própria produção. Com o intuito de desenvolver um percurso de criação em arte, ao longo da escolaridade são muitos os momentos em que eles desenvolvem um trabalho no ateliê. Nesses momentos. o que está em jogo é a capacidade de investigar e dar forma, utilizando os diferentes materiais da oficina, às próprias ideias, vontades, inquietações, questões pessoais, desejos e curiosidades. Ter e entrar em contato com o seu próprio tempo.

Nesses momentos, é interessante perceber os diferentes interesses dos alunos! Diante de um ateliê coletivo, que ferve com produções tão particulares ocorrendo simultaneamente, é claro que a vontade de misturar materiais, investir em um procedimento de que se gosta muito, experimentar fazer algo que o colega está fazendo, traz uma convivência em harmonia com dúvidas, incertezas e tentativas de algo que não se sabe ainda muito bem o que é.

Chego aqui novamente no aspecto que parece dar forma a todos os outros que envolvem o fazer artístico – o tempo. E com o tempo pode-se ganhar e aprender mais sobre si, sobre o outro, sobre as transformações – na arte, na produção e no que permanece.

Um evento colorido

18_09_2013
Clique na foto para acessar o álbum completo no flickr

Por Luisa Furman, Vicente Régis e Karen Amar

No dia 25 de agosto, aconteceu o evento mais colorido da escola. Um pouquinho de Brasil reuniu um público de 927 pessoas, alunos e famílias do Fundamental I, para apreciar, fazer e conversar sobre arte.

Neste ano, criamos um site do evento, para que nossa comunidade se preparasse para esse dia, conhecendo antes as atividades oferecidas e as exposições dos trabalhos de cada série.

Aumentamos o número de oficinas, incluímos teatro de sombras, flip book, extensores do corpo e a contação de histórias, com o Canta e Conta. Algumas oficinas se relacionavam diretamente com o conteúdo trabalhado em oficina, como a de modelagem e bordado, por exemplo. Outras antecipavam estudos que acontecerão nesse terceiro trimestre, como a de extensores do corpo e o teatro de sombras.

O convívio com outras famílias, o estar em ateliê participando desse momento com professores, orientadores e os amigos da classe faz com que o evento se torne um grande espaço que se transforma, ganhando outros trabalhos, movimento e outras produções, além das que estavam expostas.

Os trabalhos selecionados para a mostra fazem parte dos estudos realizados pelos alunos ao longo do primeiro ou segundo trimestre. São pinturas, desenhos, argilogravuras, vídeos, modelagens e bordados, produções que se destacam dentro dos projetos do qual fazem parte. Compartilhar as produções realizadas com a família e amigos é de grande importância para cada um de nós, alunos e professores de arte, já que, durante muitas aulas, esse conteúdo, ao qual o trabalho exposto se refere, fez parte e foi desenvolvido por todos.

Pensando no corpo

foto x

Por Larissa Glebova 

Foi pensando em como meu corpo entra em contato com as coisas do mundo e se desenvolve a partir do que foi experienciado, revelando novas formas de pensar, de sentir alegria, de refletir e de agir, depois de um longo tempo sendo deixado de lado e esvaziado das atribuições de sentido, que meu olhar encaminhou-se para a observação da prática educativa e, assim, para a investigação dos potenciais do corpo nas aulas de arte, mesmo que dentro de uma pesquisa inicial.

O corpo comunica e estabelece relações com tudo à nossa volta. Ele é também o registro de nossa história e experiências. As primeiras experiências na vida são corporais; a criança percebe e se relaciona com o mundo por meio das sensações visuais, físicas e auditivas, gerando um inconsciente corporal. Às vezes, ao olhar a postura do corpo de alguém que conhecemos ou os movimentos realizados, conseguimos compreender o que aquela pessoa queria expressar ou como está se sentindo. Quando acontece algo que não esperávamos e nos assustamos ou somos surpreendidos, imediatamente o corpo salta ou recua, antes de analisarmos racionalmente o que está acontecendo.

Na arte, o corpo há muito tempo tem seu espaço como forma de expressão. Quando falamos em expressão do corpo, naturalmente pensamos em teatro e dança, mas o corpo também está presente nas artes visuais. Muitos trabalhos de arte utilizam o corpo do artista ou pedem que o corpo do espectador participe na apreciação ou interação.

As aulas de arte acontecem na oficina, um espaço bem diferente da sala de aula. Quando as crianças entram nesse espaço, o corpo se expande, entra em sintonia com o lugar. Não temos carteiras, não existe lugar certo para se sentar e, a cada aula, esse espaço pode ser alterado, na disposição das mesas, bancos, uso da varanda, etc. Será que as atividades precisam ser feitas usando a mesa como apoio para o suporte a ser trabalhado, e o banco como apoio do corpo?

É comum observamos uma criança desenhando e, ao mesmo tempo, ela está movimentando alguma parte do corpo, está cantando ou prefere desenhar em posições não convencionais. Nas crianças, o corpo e o pensamento estão juntos.

Algumas propostas podem estimular o uso do corpo, como utilizar o chão para apoio de um trabalho grande, usar o banco para um trabalho muito pequeno, utilizar a parede para apoiar a folha e trabalhar verticalmente, experimentar outra parte do corpo para desenhar, experimentar uma brincadeira dançada da cultura popular, etc. Muitas são as possibilidades que podem convocar o corpo com a prática artística em ateliê.

O corpo é poesia. O corpo é pensamento. O corpo é relação. O corpo é expressão. O corpo é ação, é arte. O corpo é uma festa!

Modos de olhar

Por Marisa Szpigel – Zá

A fotografia, linguagem explorada pelos estudantes do oitavo ano, dispara ações que rompem com os modos de olhar cotidianos. Entre elas, a possibilidade de olhar detalhes que estão bem perto, mas que passam despercebidos e são quase invisíveis. Os elementos que estão distantes, os limites que o olho alcança também podem ser observados.

As propostas para trabalhar com a linguagem fotográfica são inúmeras, mas, determinar que o campo de investigação seja o espaço, os lugares por onde as pessoas circulam (ou não circulam), implica em uma operação complexa: ao mesmo tempo clicar e pensar sobre a relação que se estabelece com o lugar onde a foto é realizada. Afinal, para fotografar, é preciso estar no lugar.

Nelson Brissac faz uma reflexão importante sobre as relações entre as transformações na cidade e os modos de olhar: “Mudanças na estrutura urbana, na arquitetura, nos meios de comunicação e transporte viriam alterar profundamente a própria constituição da realidade. Hoje o real é ele mesmo uma questão. As autopistas de alta velocidade – além da informatização – transformam por completo o perfil das grandes cidades e, portanto, a nossa experiência e nossa maneira de ver. O indivíduo contemporâneo é em primeiro lugar um passageiro metropolitano: em permanente movimento, cada vez para mais longe, cada vez mais rápido. A velocidade provoca, para aquele que avança num veículo, um achatamento da paisagem”.

É curioso pensar como o visor da câmera, que recorta a paisagem, ao invés de diminuir, pode ampliar as chances de um olhar mais cuidadoso. A máquina fotográfica, desse modo, é encarada como ferramenta que funciona como extensão do olho, que, na busca de um foco, instrumentaliza o olhar.

Os elementos próprios da linguagem fotográfica vão apurando a observação e não ocupam o lugar de mero formalismo. São eles que permitem uma reflexão sobre o campo de visão. Por exemplo, quando pedimos um enquadramento panorâmico, queremos que o olhar abarque uma grande extensão, provocando uma análise desde o que está próximo até o mais longínquo, uma busca pelo horizonte, tão pouco visitado e tão escondido na paisagem.

Fotografar para revisitar a escola

Quando convidamos os estudantes a caminhar pela escola para fotografar, para revisitar os lugares por onde passam diariamente, queremos de algum modo provocar uma situação na qual o tempo de olhar seja outro, mais lento e contemplativo. A própria ideia de fotografar em preto e branco coloca uma restrição que rompe com o olhar que já traz as imagens prontas, mastigadas. Além disso, os estudantes são orientados a buscar na paisagem elementos geométricos, os contrastes entre luz e sombra, experimentar diferentes ângulos e enquadramentos. Todas as orientações exigem uma busca aguçada, um novo modo de olhar.

Quando os estudantes são desafiados, por exemplo, a buscar na paisagem formas geométricas, torna-se mais visível a ação do homem sobre os espaços. As relações entre as áreas construídas e os elementos da natureza se evidenciam por superfícies de diferentes qualidades, tais como texturas, simetrias, nuances de cinza e contrastes. Além disso, as fotografias de qualidade geométrica agradam ao olhar do observador e, muitas vezes, surpreendem o fotógrafo, por sua organização, composição e ritmo.

  • Alan Cottini Gruenewald 8º ano B Alan Cottini Gruenewald 8º ano B
  • Antonio Pedro Ayd Zellmeister 8º ano D Antonio Pedro Ayd Zellmeister 8º ano D
  • Carolina Firmino Cotrim 8º ano D Carolina Firmino Cotrim 8º ano D
  • Giovana Nannini Sambi 8º ano A Giovana Nannini Sambi 8º ano A
  • Giulia de Almeida Valadares 8º ano C Giulia de Almeida Valadares 8º ano C
  • Jerônimo Favareto Ramos 8º ano D Jerônimo Favareto Ramos 8º ano D
  • Maria Feitosa Martins 8º ano A Maria Feitosa Martins 8º ano A

Para registrar o movimento da rua

Após o primeiro mergulho na fotografia como linguagem, os estudantes vão para a rua. Desta vez, com o olhar fotográfico mais preparado, o desafio é perceber um pouco o movimento da cidade. Na própria ação de clicar, pensar: “Como clicar em um lugar em que não se está protegido pelos muros da escola?” e refletir: “O que acontece no entorno da escola enquanto estudamos?”.

O objetivo de fotografar as ruas próximas à escola é favorecer a articulação entre os aspectos documentais e os formais já trabalhados anteriormente. Por esta razão, os jovens foram convidados a explorar os planos – desde os mais próximos aos mais distantes, a escala de cinzas, elementos geométricos e pessoas interagindo com o espaço. A saída para fotografar o entorno da escola tem também por objetivo preparar os estudantes para a terceira proposta de fotografar no centro histórico de São Paulo.

  • Beatriz Manasia Schroter 8º ano C Beatriz Manasia Schroter 8º ano C
  • Daniel Liberatore de Lima 8º ano C Daniel Liberatore de Lima 8º ano C
  • Francisca Maria Ramos 8º ano A Francisca Maria Ramos 8º ano A
  • Guilherme Quinoneiro Gothardo 8º ano C Guilherme Quinoneiro Gothardo 8º ano C
  • João Victor Miguel da Silva 8º ano A João Victor Miguel da Silva 8º ano A
  • Matheus Pedroso Ajzenberg 8º ano B Matheus Pedroso Ajzenberg 8º ano B
  • Pedro Lozano Fernandes Nascimento 8º ano C Pedro Lozano Fernandes Nascimento 8º ano C
  • Thiago Fonseca Palomares 8º ano D Thiago Fonseca Palomares 8º ano D

 

Fotografar pessoas é mais do que fazer um retrato. Estabelece-se uma relação entre o fotógrafo e o fotografado, o que implica em parar para pensar como um olha para o outro. Se a pessoa fotografada percebe que será clicada, como vai reagir? E se as pessoas estão ao longe? Fotografar pessoas coloca a questão: pedir ou não permissão para fazer a foto? Esta foi uma questão que foi discutida antes da saída. A apreciação ajuda bastante em relação à tarefa de fotografar pessoas. Quando diante das fotografias do fotógrafo Cristiano Mascaro, a figura humana é elemento da paisagem, mais uma entre outras. Nesse caso, as pessoas nem percebem que estão sendo fotografadas. Mas o fotógrafo as percebe como silhuetas, figuras sem rosto. Não importa quem são; são parte da paisagem urbana e misturam-se com ela.

Quando a expressão corporal ou facial é o foco, como fazer isso? Pedir para fotografar pode tirar a espontaneidade da relação da pessoa com o espaço, com o acontecimento. Cartier-Bresson é exemplar nessa difícil relação entre o fotógrafo e o fotografado, quando capta o momento decisivo. Pierre Verger, francês naturalizado brasileiro, também foi importante para compreender como o fotógrafo pode fotografar de dentro do acontecimento, para captar a expressão do povo na relação com a cultura. Cabe a cada estudante entender o momento, refletir e decidir como agir diante do difícil dilema.

  • Alexandre Marques Cardoso 8º ano D Alexandre Marques Cardoso 8º ano D
  • Erica Andrade Cox 8º ano B Erica Andrade Cox 8º ano B
  • Flávia Suplicy Luz 8º ano D Flávia Suplicy Luz 8º ano D
  • Gabriela Jannini Sawaya Oliveira 8º ano A Gabriela Jannini Sawaya Oliveira 8º ano A
  • Giovanna Rossetto 8º ano A Giovanna Rossetto 8º ano A
  • Julio Freitas Damato 8º ano C Julio Freitas Damato 8º ano C
  • Luara Macari Nogueira 8º ano D Luara Macari Nogueira 8º ano D
  • Marina Appolonio Teixeira Jorge Carlomagno 8º ano D Marina Appolonio Teixeira Jorge Carlomagno 8º ano D
  • Paulo Galvão de França Amaral 8º ano A Paulo Galvão de França Amaral 8º ano A

Olhar a cidade

“Existe uma figura muito curiosa e fascinante, que dedica seu tempo a vagar pelas ruas, no intento de observar o que acontece ao seu redor, de captar algo de mais perene no cenário urbano. Este passante se locomove a pé e sem pressa, como requer qualquer “trabalho” de análise da vida cotidiana que se preze. Tal personagem atende pelo nome de flâner, termo criado por Baudelaire em Paris do século XIX, definido por ele como um modo de olhar: “uma pessoa que caminha pela cidade a fim de experimentá-la”. Esta é a frase que inspira a ideia de propor a visita dos alunos do 8º ano ao centro histórico de São Paulo, para provocar descolamentos na cidade, instigar a experiência de ser estrangeiro em sua própria cidade e por que não dizer, como propõe Nelson Brissac, fazer com que os estudantes vivenciem o olhar estrangeiro, contrapondo-se ao olhar atual: “(…) capaz de ver aquilo que os que lá estão não podem perceber. Ele é capaz de olhar as coisas como se fosse pela primeira vez e de viver histórias originais”.

  • Alan Cottini Gruenewald 8ºano B Alan Cottini Gruenewald 8ºano B
  • Manuela Castilla Russo-Correa 8ºano C Manuela Castilla Russo-Correa 8ºano C
  • Maria Feitosa Martins 8ºano A Maria Feitosa Martins 8ºano A
  • Maria Isabel Moncada Sanchez 8ºano C Maria Isabel Moncada Sanchez 8ºano C
  • Myrian Simões Hrosz 8ºano B Myrian Simões Hrosz 8ºano B
  • Pedro Henrique Mendonça Gonzalez 8ºano B Pedro Henrique Mendonça Gonzalez 8ºano B
  • Rafael Pereira Barbosa Lopes Garcia 8ºano B Rafael Pereira Barbosa Lopes Garcia 8ºano B
  • Thiago de Souza Hachisu 8ºano B Thiago de Souza Hachisu 8ºano B
  • Bernardo Athayde Massena 8ºano A Bernardo Athayde Massena 8ºano A
  • Francisca Maria Ramos 8ºano A Francisca Maria Ramos 8ºano A
  • Francisca Maria Ramos 8ºano A Francisca Maria Ramos 8ºano A
  • Juliana Kasmanas Godinho 8ºano A Juliana Kasmanas Godinho 8ºano A
  • Julio Freitas Damato 8ºano C Julio Freitas Damato 8ºano C
  • Laura Barcellos Rodrigues 8ºano A Laura Barcellos Rodrigues 8ºano A
  • Leticia Lopes Zuffo 8ºano B Leticia Lopes Zuffo 8ºano B
  • Lucas Barbosa Karmann 8ºano C Lucas Barbosa Karmann 8ºano C

 

A visita ao centro histórico de São Paulo abre a possibilidade de investigações mais particulares. Alguns estudantes se identificam mais com a dimensão poética da fotografia, e outros, com a dimensão mais documental.

  • João Freire Gibran 8º ano C João Freire Gibran 8º ano C
  • João Freire Gibran 8º ano C João Freire Gibran 8º ano C
  • João Freire Gibran 8º ano C João Freire Gibran 8º ano C
  • João Freire Gibran 8º ano C João Freire Gibran 8º ano C
  • João Freire Gibran 8º ano C João Freire Gibran 8º ano C

 

“As imagens que escolhi para compor este trabalho tem relação com o corpo no espaço. Uma das coisas que mais me chamou atenção no centro da cidade de São Paulo é a quantidade de moradores de rua em situação de miséria. Por isto decidi escolher estas cinco fotos. Na minha visita ao centro, pude perceber que tenho mais facilidade em fotografar imagens com caráter poético do que documental. Particularmente eu gosto muito das duas fotos de pés, pois acho uma forte representação da situação em que vivem estas pessoas (imagens 3 e 5). Estas fotos foram tiradas no Largo do Paissandu, que, durante a minha visita, estava lotado de moradores de rua.” – João Freire Gibran, estudante do 8º ano C.

O olhar do viajante – em Paraty

A última sessão de fotografia ocorre em Paraty. Durante o trabalho de campo, os estudantes são orientados a carregar consigo as ferramentas do artista viajante, no caso, a máquina fotográfica, para, a qualquer momento, poder clicar os momentos que consideram importante registrar.

Diferente do flâner, o olhar do viajante carrega maior carga documental. Por esta razão, durante todo o trabalho a arte e a história estão articuladas.

“A produção dos artistas viajantes está diretamente ligada ao ato de viajar; os registros que realizam em desenho e fotografia apresentam vocação documental, acompanham os deslocamentos no espaço, descobertas de paisagens e tipos humanos”. Caminhar na cidade, manusear mapas, buscar os patrimônios históricos, conversar e entrevistar moradores, fotografar e desenhar, para conhecer a história do Brasil, a própria história: questão que toca na identidade.

  • Alessandro de Mattos Silva 8º ano B Alessandro de Mattos Silva 8º ano B
  • Paulo Galvão de França e Amaral 8º ano A Paulo Galvão de França e Amaral 8º ano A
  • Alessandro de Mattos Silva 8º ano B Alessandro de Mattos Silva 8º ano B
  • Giovanna Rossetto 8º ano A Giovanna Rossetto 8º ano A
  • João de Campos Galindo 8º ano D João de Campos Galindo 8º ano D
  • João Pedro Gouveia Pamboukian 8º ano A João Pedro Gouveia Pamboukian 8º ano A
  • Martina Guessi Balieiro 8º ano D Martina Guessi Balieiro 8º ano D
  • Martina Guessi Balieiro 8º ano D Martina Guessi Balieiro 8º ano D
  • Martina Guessi Balieiro 8º ano D Martina Guessi Balieiro 8º ano D
  • Paulo Galvão de França e Amaral 8º ano A Paulo Galvão de França e Amaral 8º ano A

Em última instância, propor um trabalho com fotografia nos dias de hoje vai além do mergulho na linguagem. Podemos dizer que, no contexto do projeto, o objetivo é conhecer sobre fotografia, mas, na dimensão da formação pessoal, é transformar os modos de olhar.

Para ver os alunos do oitavo ano atuando durante o trabalho de campo em Paraty, clique aqui.

M.A.C.A.C.A (Movimento dos Amigos do Caprichado e Amado Caderno de Arte)

Por Andrea Aly

– Quem tem desenho para mostrar? (mãos se levantam, agitadas, como se pudessem falar: EU, EU, EU!)

– Andrea, posso começar, por favor? Eu fiz um desenho incrível!

E assim começa a roda de apreciação. Uma criança mostra o desenho que fez no seu caderno, e as outras pensam em palavras que possam trazer um significado pessoal sobre o desenho mostrado – essa é a regra! A escolha das palavras é bastante variada e segue critérios diferentes. As palavras devem sintetizar algo que o aluno observou sobre o desenho ou sobre como ele foi feito, por exemplo: abstrato, listrado, veloz, pintado, “multicolor”, com personagem, monocromático, desenho de observação, etc. É nessa hora que as ideias que aparecem e são comentadas na roda acabam ampliando seu entendimento a respeito do universo gráfico, influenciando muito a produção no caderno dos alunos. Com este jogo de apreciação, vamos a cada dia construindo um repertório do grupo sobre a prática e o pensamento do desenho.

O repertório de palavras, de elementos gráficos, os detalhes dos trabalhos, a ocupação da página do caderno com o desenho e os temas que surgem durante a roda são frutos de longas conversas sobre esses aspectos, que sempre estão presentes nos cadernos apresentados.

E isso é o MACACA (Movimento de Amigos do Caprichado e Amado Caderno de Arte – M.A.C.A.C.A), um movimento com direito a carteirinha, contrato e a uma condição principal: desenhar muito, experimentar propostas que nunca ousou e ter orgulho de seu caderno de desenhos! É uma exclusividade dos quartos anos nas aulas de arte!

A proposta é promover o uso do caderno de uma maneira diferente, inovadora, com muita experimentação, invenção, diversão e aprendizagens!

Com o MACACA, todos são convidados a inventar novas propostas, alternadas com as da professora, para produzir no caderno. Temos uma caixa onde ficam guardados os bilhetinhos com propostas de desenho que serão feitas pelos alunos. Algumas são incríveis e inimagináveis, como, por exemplo, fazer um desenho de 20 metros em seu caderno… Os alunos morrem de rir quando pegam um bilhete como este e se divertem com temas estranhos, materiais que nunca usaram no caderno e, principalmente, têm a chance de experimentar propostas muito diversas, enriquecendo o seu repertório a cada dia.

Estes bilhetinhos, assim como a proposta da professora, não agradam sempre. Às vezes, a decepção impera, mas nada que não passe rapidamente.

Um belo dia, o bilhetinho sorteado foi: “Fazer 11 jogadores de um time.” E as meninas, em coro: “Ah, não!” E, assim mesmo, foram encorajadas a desenhar os jogadores que quisessem para compor sua coleção de desenhos. E, quando terminam e mostram, visualizam como cada um elabora o desenho de uma maneira tão particular e diferente dos outros.

E, neste desenhar e falar sobre desenho, se vão nossas aulas de arte. Pelo menos, o começo de todas elas. E que este ano seja todo assim, cheio de desenhos deliciosos para iluminar nossos dias!

Algumas considerações sobre a nova escultura da Vila


Por Bartolomeo Gelpi

Recentemente, a Escola da Vila adquiriu uma nova obra de arte, a escultura O Descanso da Sala, 2006, de José Spaniol, artista brasileiro e pai da escola. Dando continuidade à sua política de comprar e permutar com artistas obras de arte, a Vila nos permite o convívio com mais esta obra, o que, como é sabido por todos os que já cotejaram uma obra com sua reprodução, possibilita relações muito mais generosas e legítimas à natureza do trabalho do que quando o fazemos através de uma reprodução.

A cadeira duplicada de Spaniol foi colocada no gramado ao lado da biblioteca da unidade Morumbi. Abordando a obra dentro do conjunto de trabalhos do artista, podemos identificar algumas características recorrentes, como a multiplicação de um elemento, a dualidade deste, a utilização de formas feitas para conter ou abrigar algo, etc. Porém, as particularidades da forma desta escultura e, principalmente, sua relação com o entorno formam o viés adotado nesta tentativa de aproximação que inicio aqui.

Ainda que o título reforce a ideia da ausência de humanos – pois, se uma cadeira descansa, é porque não há humano algum para sentar-se nela – não deixa de ser uma ausência evocativa. Dentre todo o mobiliário típico de uma casa tal como nós a entendemos, talvez a cadeira seja aquele que mais fortemente evoca a presença de uma pessoa. Se comparada a outros móveis de uma sala, com os quais nosso corpo não assume uma proximidade tão grande durante o uso, como um armário ou mesmo uma mesa, percebemos isso com facilidade, mas a característica se mantém mesmo quando confrontamos uma cadeira, por exemplo, com uma cama. Ambas são feitas para suportar nossos corpos, mas é no uso da cadeira que assumimos posição semelhante à do próprio objeto (quando sentados, nossas pernas se tornam paralelas às da cadeira, nossas nádegas ao assento, as costas ao encosto), o que não ocorre no caso da cama (deitada numa cama, uma pessoa terá suas pernas perpendiculares à perna daquele móvel, sua cabeça tampouco será paralela ao espaldar do móvel).

Se pensarmos no contexto da escola, esta evocação é atendida de pronto pelo estudante; a cadeira é o móvel que o acomoda durante a maior parte de suas práticas discentes. Porém, vale lembrar que, no meio acadêmico, ela descreve uma disciplina (“a cadeira de estética está a cargo do professor fulano de tal”). Em um possível modo de ver esta escultura, estudantes e professores estão ali representados nas extremidades de um mesmo corpo. Como estas extremidades se ligam pela inversão de uma mesma forma, podemos tomá-la como metáfora de pormenores e vieses que regem esta relação: pergunta e resposta, autoridade e confronto, demanda e realização, juventude e maturidade, etc.

Após algumas esculturas da mesma família de trabalhos feitas de madeira, Spaniol passou a utilizar o aço na sua série de móveis duplicados/invertidos, lustrados a ponto de refletirem tudo a seu redor. A superfície refletora, percebida nas estreitas faixas que descrevem os planos que delimitam este sólido, delega ao entorno a responsabilidade de definir suas cores, ou ainda mais, posto que só vemos a cadeira quando ela reflete algo. Uma vez que não possui cor e textura próprias que explicitem seu material, a superfície refletora delega ao entorno a função de defini-la. Assim, o prédio da biblioteca, as plantas da escola, os transeuntes e mesmo o céu particularizam esta como a “nossa” cadeira, a cadeira da Vila.

Dando um passo para trás, abrindo nosso plano de visão, sua proximidade com a biblioteca faz com que esta escultura possa ser vista ao mesmo tempo em que nossos estudantes e professores, sentados à biblioteca, fazem suas lições, trabalhos, corrigem provas aplicadas, discutem apresentações a serem feitas, enfim, exercitam suas cabeças e expandem seus conhecimentos. Nosso mais alto edifício ecoa a verticalidade dos quatro metros da peça, como que a sugerir, por este parentesco formal, alguma coerência com a natureza do edifício. Posto isso, cabe dizer que ali, além da biblioteca, temos salas de aula, direção pedagógica e o auditório da escola, ou, em outras palavras, o local para pesquisa, planejamento, aprendizagem, diretrizes e debate.

De par com esta remissão a determinados fazeres do edifício, a já citada verticalidade deve ser observada para além do simples paralelo formal. Símbolo de ascensão, progresso, tomada de consciência, a verticalidade, mesmo quando dada em diversas culturas pela forma de animais apoiados sobre suas patas de trás, empinados, erguidos, representa o próprio Homem. Em uma dessas representações zoomórficas da verticalidade a serpente erguida, como a serpente de plumas, símbolo da união de forças contrárias, seria uma entidade representando a súbita hibridação das espécies aparentemente irreconciliáveis: união inesperada de matéria pesada aderente ao solo e de substância alada… Esse réptil retesado na sua vontade de transcender à sua condição é a imagem pela qual é representado o advento do homem, do ser dotado de um sentido que lhe permite agir em função de uma realidade invisível, ausente do mundo das aparências. *

Certamente, José Spaniol não pretendia fazer de sua escultura um manifesto pró-educação (seria redutor para a obra trancá-la dentro disto). Porém, dentre as muitas possibilidades de interpretação desta escultura e, mais uma vez, na especificidade de relações que se dão, aqui, com a nossa escultura, é difícil não vê-la como um generoso lembrete e estímulo às nossas mais altas aspirações em nossas práticas cotidianas como estudantes e educadores em geral.

*CHEVALIER, Jean e GHEERBRANDT, Alain. Dicionário de Símbolos (pp. 946 e 947). 17ª edição. Rio de Janeiro, Ed. José Olympio, 2002.

Conversas em roda

Por Karen Greif Amar

A aula começa; estão todos do grupo sentados ao redor da mesa, e alguns ainda conversam, entusiasmados, sobre algo de engraçado ocorrido no parque. Duas meninas falam sobre cabelos, enquanto outros alunos e alunas abrem o caderno de Arte, procurando o último desenho realizado durante a semana.  A tarde tem um tom de cor bonito, e os cadernos folheados pelas mãozinhas afoitas criam uma trilha sonora de outono. Duas meninas argumentam que hoje é o dia delas começarem a roda, afinal de contas na semana passada foi a vez dos meninos. Não tenho como negar. Na outra aula, os meninos me pegaram ainda no corredor e pediram para começar a roda, pois tinham um desenho incrível.

Hora de começar, peço silêncio. Falo um “bom dia” meio fora de hora, afinal já são mais de quatro da tarde, e ele ecoa sem retorno. Aos poucos, organizamos a roda e fazemos combinados de quem será o terceiro e o quarto a mostrar o caderno. Um dos alunos conta que seu caderno está perdido não lembra aonde, uma aluna diz que está triste pois o seu foi esquecido em casa. Sua amiga, acho que em solidariedade, talvez, não tem nenhum desenho novo para compartilhar. Pergunto se ela tem certeza, talvez tivesse começado algo novo… não tem mesmo.

Ele está na minha frente, os olhos brilhando, os braços envolvendo o caderno num aperto, avisando que será o último. Combinado!

Todos atentos, hora de começar. Os alunos, um a um, começam a mostrar e contar sobre o trabalho feito, ou ainda em andamento,  em pensamento gráfico e construção…

Lembro muito bem de um dos meus primeiros textos escritos para o  Simpósio Interno da Escola da Vila sobre o caderno de Arte e o quanto esse objeto é significativo para os nossos pequenos estudantes.  Mais uma vez, me pego pensando sobre isso, e percebo o quanto esse assunto faz parte de minhas reflexões como professora dessa área.  Valorizar o caderno de Arte do aluno é valorizar seu percurso de estudante, de desenhista, sua própria história. Ver desenhos de outros alunos durante o momento da roda, perceber diferentes maneiras de representação (de alunos, a sua própria e de artistas) alimenta o próprio desenhar, pois assim pode-se refletir sobre sua prática desenhista. Nesse sentido, oferecer ao aluno a possibilidade de abrir o seu mundo, por meio do seu caderno, e apresentá-lo aos amigos da classe é uma situação indescritível. Só sabe disso quem está lá. Contar sobre o desenho, colagem ou recorte feito, os projetos, as experiências da linha, cor, forma e o conhecimento que construiu até então sobre desenho revela o aluno como descobridor de seu próprio caminho.  Um percurso, ainda sem um final definido.

Em seu “Livro Sobre Nada”, Manoel de Barros diz que “há muitas maneiras sérias de não dizer nada,  mas só a poesia é verdadeira”. Eu acredito que o desenho também é verdadeiro.

A roda chega ao fim, é a vez dele. Em alto e em bom som ele diz: “Eu tenho uma surpresa, e vocês não vão acreditar nesse desenho que eu vou mostrar!”.  Seu sorriso não cabe no rosto. E nem o meu.

Lugar de encontro

Por Marisa Szpigel

O dia 25 de agosto foi dia de encontro na Escola da Vila. Isto porque “Um Pouquinho de Brasil”, evento que sempre acontece no último sábado de agosto, tem como proposta reunir as famílias para apreciar os trabalhos realizados pelos alunos da escola e também para participar de oficinas. A ideia é cultivar o hábito de compartilhar saberes, e, entre muitos outros, o saber que se faz mais presente neste dia é o saber fazer.

Quando apreciamos os trabalhos das crianças, logo ficamos a imaginar como fizeram, qual foi o percurso percorrido, o que pensaram, enfim, como chegaram a estes resultados. As oficinas pensadas para este dia têm por objetivo revelar parte deste processo tão intenso. São propostas que dialogam com os estudos das crianças, que favorecem estabelecer relações novas com o que estão aprendendo no dia-a-dia das aulas de arte. Queremos colocar o processo em evidência.

Entrelaces entre arte e cultura

Cada ambiente deste dia tão aguardado é pensado de modo a potencializar conexões entre o fazer, o apreciar e o pensar. Por exemplo, este ano, os boizinhos de argila
realizados pelos alunos dos primeiros anos estavam expostos bem próximos da oficina de argila proposta por Bia Camargo. Logo ao lado, os Figureiros de Taubaté mostraram suas delicadas chuvas de galinha feitas de barro pintado com o azul tão peculiar às suas criações.

No caminho para a oficina de pipa, alegremente ministrada pelo professor de Educação Física Fábio, estavam as telas pintadas pelos terceiros anos. Muitas destas telas mostravam a possibilidade de brincar com formas e cores, assim como fez Alfredo Volpi, um dos mais importantes artistas brasileiros. E o que é fazer pipa? É construir com formas e cores, para depois colocar a composição para voar.

As ilustrações dos alunos dos quartos anos mostram as complexas imagens elaboradas a partir da leitura de contos populares. É… quem ilustra um conto, aumenta um ponto (ou uma linha…). O divertido é ver como, a partir de uma mesma narrativa, muitas imagens podem ser criadas. Os alunos estudaram as imagens de J. Borges e as ilustrações de Ricardo Azevedo, experimentaram a linha da gravura e a linha do desenho para elaborar as ilustrações, repletas de uma diversidade de linhas.
Ali, bem pertinho, estavam as xilogravuras dos nonos anos. Se, no quarto ano, a matriz para fazer gravura é uma placa de argila, no nono, o desafio está em elaborar uma imagem cortando a madeira. No nono, a arte popular é retomada, as referências são aprofundadas. J. Borges é apreciado, ao lado de Samico e Goeldi.

Linhas coloridas para bordar e tramar estavam no salão, logo na entrada da escola. Organizadas em aconchegantes cantinhos ficaram as bordadeiras, mães de crianças que frequentam o Instituto Acaia, ONG que atende a comunidade no entorno do Ceasa, e a oficina de tear, cuidadosamente pensada por Clarissa, artista e ex-aluna da Vila. Quem experimentou bordar viu na ponta da agulha que a tarefa não é simples. A própria experiência transforma o olhar. Por esta razão, ali, bem pertinho, estavam os bordados tão delicados dos alunos dos primeiros anos.

Quem esteve lá experimentou um pouquinho de Brasil: os entrelaces entre a arte e a cultura.