Insistência, persistência e crença.

Chegada do 2º dia no hotel Meliah, Angra dos Reis.

 

Por Washington Nunes – coordenador de esportes da Escola da Vila

Há muito tempo o esporte é um fenômeno mundial que provoca na população um grande  fascínio. E, na maioria das vezes, estes atletas estão muito distantes de nós, por isso, não temos ideia da rotina de treinos a que eles se submetem para a preparação de uma determinada competição.

Por conta disso, resolvi escrever um pouco a respeito de um atleta desconhecido da mídia, mas muito conhecido por nós. Ele é professor de Educação Física e de capoeira e dá aulas o dia inteiro. Também é marido e pai, portanto, tem uma agenda cheia diariamente.

Como então, esse cara resolve treinar das 4h30 às 6h da manhã, correndo de 15 a 20 km diariamente, fazer musculação e dar conta dessa rotina? Muitos poderão perguntar: – Pra quê? Bem, essa é uma resposta que só quem vive no esporte pode explicar.

Por que o camarada quer subir a montanha? Por que quer correr uma maratona? Por que quer acordar cedo em pleno domingo e ir jogar tênis?

Porque está escrito em seu DNA.

Porque fazer esporte é ir vencer a si próprio todos os dias, independentemente do desafio.

Porque mesmo perdendo, ficando por último ou vencendo um objetivo pessoal que ninguém fica sabendo, o corpo dele sabe. Todas as suas células e músculos, todas as ligações nervosas e isso, bombardeado de adrenalina, endorfina e alegria, faz com que durma o sono dos anjos ou dos reis.

Tudo isso, pra acordar no dia seguinte às 4h30 da manhã e começar  outra vez.

Quero dedicar esse texto a todos os esportistas, anônimos ou famosos, mas, principalmente ao Marcola, que faz parte da equipe de professores da Escola da Vila e que acabou de participar do desafio de 600k São Paulo/Rio de Janeiro.

Sua equipe, a Capivara no Barranco, ficou em 4º lugar com um tempo de 32 horas e 45 minutos, correndo em média 10 horas por dia.

Pra que?

Pra saber que é possível começar e terminar um desafio. Apenas isso. E dormir o sono dos sonos.

Valeu, Marcola.

Uma proposta pra gente grande!

Por Fabio Menezes

Dentro do âmbito escolar, todos nós sabemos o quanto os adolescentes se afastam das atividades físicas por diversos fatores: vestibular, baladas, reuniões com os colegas e muito estudo. Essas atividades fazem com que o tempo se torne escasso e as práticas e vivências motoras acabam ficando sempre para o segundo plano.

Refletindo sobre adolescência e atividade física, o grande desafio passou a ser: como tornar significativo, para esses alunos, os conteúdos (necessários e importantes) da atividade física?

A resposta estava em ir “ao” encontro e não “de” encontro aos alunos e o caminho foi recriar um ambiente de prática/crítica/conhecimento que tornasse as aulas mais atrativas.

Novas propostas, com materiais diferentes e alternativos, tornaram as aulas motivantes e desafiadoras. Para que pudéssemos lidar bem com um grupo exigente e crítico, tanto no contexto escolar quanto no social, e favorecer o aprendizado, precisamos respeitar as diferenças, adequar o material à necessidade do aluno e planejar possíveis sucessos para todos.

A ideia é que a Educação Física se apresente como uma área de conhecimento da cultura corporal de movimento, traduzida em jogos, brincadeiras, esportes, atividades circenses, ginásticas e dança. Essas atividades, desenvolvidas a partir de um trabalho coletivo que se baseia em responsabilidade e cooperação, fortalecem o desenvolvimento integral do aluno, auxiliando na formação do cidadão que vai produzir, reproduzir e transformar essa cultura.

Desenvolvemos atividades como jogos de quadra, ginásticas em forma de circuito e massagem corporal que contribuem para o processo da “autonomia” (responsabilidade), na medida em que implica em reflexão, aquisição de conhecimento e formação de vínculos afetivos, além de estimular a capacidade de tomar decisões segundo sua própria concepção de mundo. Também desenvolvemos oficinas de confecções de brinquedos, jogos cooperativos, dinâmicas em grupo e brincadeiras populares, que estimulam diretamente a cooperação – capacidade do individuo de operar junto com o outro de forma harmoniosa, manifestando-se no plano intelectual, afetivo e social, inserido no processo coletivo sem perder sua individualidade.

Dois eixos de trabalho se destacam, procurando oferecer orientação para um melhor estilo de vida e saúde.

1-   “Fitness school”: uma forma de realizar com o adolescente as práticas de academias – no formato circuit training – que desenvolvem um olhar crítico e consciente sobre o próprio corpo. Após as primeiras aulas, os alunos começam a se conhecer melhor e podem lidar mais confortavelmente com seus limites e estabelecendo metas de trabalho para um melhor desenvolvimento muscular e postural. Além disso, s temas como alimentação, alterações de peso, rendimento muscular, uso de energéticos e substâncias que alterem o metabolismo orgânico, por exemplo, são discutidos com os alunos. Os objetivos são de esclarecer dúvidas, criar um senso crítico, despertar o interesse pela prática da atividade física, criar vínculos de confiança e desenvolver um programa de educação corporal através das vivências práticas motoras dentro da escola.

2-   Outro desafio foi trazer para os alunos algo que envolvesse arte e corpo e as atividades circenses despertaram grande interesse. Trabalhando dentro de um contexto motor, social e fisiológico – a prática circense seria alcançada pelo prazer do movimento espontâneo, o que nos permitia assegurar a continuidade da educação do corpo no conjunto da escolaridade. Enfim, propiciar ambientes favoráveis para uma boa prática corporal, onde os alunos possam se sentir seguros para explorar novas vivências, colecionando experiências positivas na relação com o corpo em movimento.

Ao longo destes anos de trabalho com o Ensino Médio, pudemos constatar que as estratégias utilizadas geraram maior envolvimento dos alunos, mais respeito pela área e maior interesse pela prática corporal saudável.

Cuidar do corpo é uma tarefa contínua e, mesmo em um período difícil, acreditamos que conseguimos oferecer aos adolescentes uma prática corporal prazerosa e contextualizada.

 

 

Aprendizados que pais e filhos podem experimentar com um acampamento de férias.

Por Washington Nunes

As férias escolares estão chegando e, em uma metrópole como São Paulo, o que não falta é opção para crianças e adolescentes: parques públicos e de diversão, cinema, teatro, restaurantes, clubes…

Aliar recreação e aprendizagem é uma das preocupações dos pais ao pensar nessas diversas opções e o acampamento de férias surge como uma excelente alternativa.

Os acampamentos proporcionam atividades bem diferentes do dia a dia, pois, na rotina urbana, as crianças crescem cercadas por aparelhos tecnológicos (que cumprem importantes papéis de educação, lazer e entretenimento), e lá elas se veem obrigadas a se separar de seus computadores e celulares e, em contato com a natureza, interagir de outras maneiras para se divertir, se relacionar e aprender.

Os monitores dos acampamentos criam brincadeiras e atividades com o intuito de promover a amizade e integração e até mesmo crianças tímidas se soltam e criam vínculos de respeito, carinho e amizade pelo grupo.

Ao viajarem sem os pais, o jovem aprende a cumprir obrigações consigo, com os colegas de quarto, com os monitores e com as regras do acampamento.

Para alguns pais, separar-se das crianças é motivo de insegurança mesmo sabendo que são poucos dias e conscientes de que proteção em excesso pode ser prejudicial ao desenvolvimento dos filhos. Mas, mesmo assim, algumas questões sempre aparecem:

Como deixar o filho viajar sozinho sem a proteção de algum parente ou amigo?

Será que ele vai conseguir se virar sozinho?

A autonomia vem com a necessidade de tomar decisões, acatar novas regras e gerenciar novas responsabilidades. Deixar crianças e adolescentes viajarem sozinhos e em grupo estimula a independência e é uma grande oportunidade para vivenciarem e resolverem situações-problemas sozinhos, fazerem escolhas longe da supervisão dos pais e cuidar e se responsabilizar pelos seus pertences.

Para os pais pode ser um aprendizado ter que conviver com a separação momentânea, com a ideia que o filho não precisa mais dele (o que nunca vai acontecer) e perceber um comportamento mais independente por parte da criança.

A questão entre pais e filhos é: todos estão preparados para esse momento?

Se estiverem, pode ser uma boa alternativa para as férias de julho.

A epidemia de obesidade apontada pelo IBGE

Por Washington Nunes Silva Junior

O IBGE, no último senso, juntamente com a secretaria nacional de vigilância da saúde, apontaram em pesquisa recente uma mudança significativa na silhueta do brasileiro, que passou a ganhar quilos a mais em todas as faixas etárias.

Para qualquer profissional que trabalha com a saúde, este é um dado que chama a atenção e que nos coloca em estado de alerta.

Divididas em faixas etárias de 5 a 9 anos, 10 a 19 anos e acima de 20 anos, todas as faixas etárias apresentaram um aumento do sobrepeso entre 200 e 300% !

O crescimento econômico, o trânsito, a falta de atividade física, o uso de utensílios eletrônicos (divertidos, interessantes e que já fazem parte da nova sociedade) mudaram totalmente o quadro de estímulos físicos, jogos e brincadeiras ao ar livre. Também a importação de hábitos alimentares, principalmente da cultura norte-americana, com os famosos “fast foods”, excessivamente gordurosos e com grande apelo de cores e sabores, contribuíram para este aumento. Percebemos que essas mudanças são lentas, mas a ameaça de uma epidemia de obesidade é apontada pela secretaria de vigilância da saúde: mantido o atual ritmo, o Brasil terá, em 13 anos, o mesmo número de obesos dos Estados Unidos.

Ainda dentro da área da saúde, muitos pediatras têm se surpreendido com o surgimento de patologias ligadas ao sobrepeso e à obesidade que não faziam parte da literatura médica para faixas etárias tão precoces.

O sobrepeso e a obesidade podem levar a graves problemas psicológicos (como a falta de interesse em muitas atividades motoras, por não conseguir executá-las ou por não querer se expor à sua execução, deixando a autoestima baixa) e físicos (como o desgaste de articulações, aumento da pressão arterial, que, dependendo do grau, pode levar à obesidade mórbida, que, por sua vez, tem consequências como diabetes, cegueira, amputação de membros e até a morte).

Falando assim, parece um filme de terror, mas, o mais importante, sempre, é que busquemos hábitos saudáveis: alimentação regrada com oferta equilibrada de alimentos e racionalizar o tempo gasto com televisão, internet e jogos eletrônicos com atividade física.

Um grande exemplo disso aconteceu em uma atividade de 7º anos: um passeio ciclístico com pais e filhos desfrutando uma manhã ao ar livre no parque Villa-Lobos. Atividade física moderada, alimentação equilibrada e lazer: uma boa arma contra o sobrepeso.

O equilíbrio em tudo que fazemos deve ser o objetivo de todos.

Vamos ficar atentos!