Por que professores precisam fazer cursos online?

cursos online

Por Zélia Cavalcanti

Em 2001, quando a Escola da Vila se aventurou em ações de formação online e criou a Escola de Professores¹ com quatro cursos relacionados à alfabetização, a internet era discada, acessível a poucos professores, e muito menos a escolas, as ideias relacionadas ao papel das TIC nos processos de ensino e aprendizagem começavam a ser desenvolvidas, e ainda não se ouvia falar em ensino híbrido. Mesmo assim, algumas dezenas de educadores, a despeito dos reduzidos recursos de comunicação que seus computadores ofereciam, se aventuraram por uma região ainda praticamente deserta. Foram pioneiros numa modalidade de atualização profissional que, de lá para cá − e lá se vão 15 anos −, se tornou uma necessidade inegociável.

Qualquer pessoa − um familiar ou um professor − que deseje ou precise educar crianças e jovens nascidos na era digital  tem de conhecer e saber usar o amplo espaço de possibilidades que o universo online coloca à disposição de quem tenha acesso a algum dos diferentes aparelhos disponíveis: conhecer por meio de navegações exploratórias, pelas veredas digitais oferecidas em diferentes formatos − sites de conteúdos ou de busca, redes sociais, múltiplos aplicativos etc. −  e saber utilizar de forma consciente, isto é, a partir de uma atitude de análise crítica sobre o valor educacional dos espaços a que crianças e jovens poderão ter acesso em casa ou na escola. Em outras palavras, quem pretende educar precisa ser mais que um “habitante” desse universo: tem de saber intervir, limitar, orientar, sugerir, acompanhar seus rebentos ou alunos.

Porém, diferentemente dos pais, os professores devem ir mais além: precisam conhecer o universo online como espaço de aprendizagem. Saber, sobretudo, das vantagens e desvantagens que oferece frente à experiência das situações de ensino e aprendizagem presenciais, e aprender a utilizar aquelas que beneficiarão sua docência.  E, para isso, não basta ler sobre o tema, ouvir palestras sobre as vantagens e desvantagens das TIC em sala de aula, e identificar as diferenças entre as “velhas” e as “novas” formas de ser um bom professor, sem dúvida, procedimentos importantes, mas não suficientes. Os professores têm de colocar “a mão na massa”, ou melhor, os dedos no teclado e os olhos nas telas.

Quero dizer que acredito não haver melhor maneira de o professor aprender como se ensina e se aprende utilizando as mídias digitais, colocando-se no lugar do aprendiz, experimentando ser um aluno online. Isso porque, enquanto se atualiza em um tema que considera importante para a prática pedagógica, o professor pode refletir e aprender sobre a qualidade das propostas e interações que um ambiente virtual de aprendizagem pode promover, conhecer seus recursos e desafios específicos. Além de, pelas próprias características da modalidade, poder gerenciar com muito mais autonomia os tempos e espaços que disponibilizará para essa atualização, característica não menos relevante diante das numerosas responsabilidades da tarefa docente.

Se lá pelos idos dos anos 2000 nossos “pioneiros” na formação online tiveram de enfrentar o desafio de incipientes recursos tecnológicos para a realização de propostas, a grande maioria dos professores, hoje, não tem mais esse problema, inclusive porque não vive sem as funcionalidades oferecidas pelos Smartphones.  Ou seja, os professores têm à mão (literalmente) aparelhinhos suficientemente inteligentes para se transformarem na porta de entrada para o presente e o futuro de sua profissão.

Por isso, não é negociável.


¹ Ambiente construído em parceria com um portal de fornecimento de conteúdos para a sala de aula.

Grupo de Estudos online, isso é possível?!?!

1

Por Andréa Luize

Se essa pergunta me fosse feita há dois ou três anos atrás, minha resposta seria rápida e contundente: “É claro que não!”. Porém, passado algum tempo – pouco, na verdade! – e passadas algumas experiências – enriquecedoras! -, minha opinião, hoje, é bem diferente, e minha resposta é: “É claro que sim!”.

Na última Programação de Verão do Centro de Formação, ofereci um curso com a intenção de discutir as contribuições de pesquisas recentes sobre o processo de apropriação da escrita alfabética e sobre o que significa alfabetizar para as demandas do mundo atual. Embora tenha feito uma boa avaliação dessa ação formativa, considerei que seria muito potente termos a possibilidade de ler, efetivamente, e discutir essas pesquisas de forma ainda mais intensa, mais aprofundada, algo que não é viável no formato desse curso. Daí a ideia de estruturar um Grupo de Estudos.

A opção presencial – considerando o tempo, os compromissos, a possibilidade de integrar pessoas de diferentes localidades e, ainda, outros aspectos inerentes à vida numa metrópole – foi logo descartada, dando lugar à opção online. Contribuiu para essa escolha o fato de que o Centro de Formação já havia iniciado ações formativas assim estruturadas e com boas avaliações, tanto de seus formadores quanto do público participante.

E se era para encarar o desafio de organizar e tutorar um Grupo de Estudos, e a distância, nada melhor do que realmente investir no meu tema de maior interesse, meu tema “de coração”: a alfabetização inicial.

Assim, o Grupo de Estudos, intitulado “Por que alfabetizar não é fazer a criança ficar silábica, silábica-alfabética e alfabética?”, iniciou-se em abril deste ano. Agora, no segundo bloco temático, o debate gira em torno de duas pesquisas mais recentes, realizadas e orientadas por Emilia Ferreiro. No bloco anterior, discutimos o que é alfabetizar para o mundo de hoje e qual o papel das tecnologias nas salas de aula da educação infantil e do início do fundamental I. Mais adiante, ainda nos debruçaremos sobre a leitura e a escrita no dia a dia dessas séries iniciais da escolaridade, tematizando a organização curricular, as propostas didáticas e a tarefa de avaliar as aprendizagens.

Dentre as várias atividades que temos realizado, destaco os fóruns de discussão e as atividades síncronas. No caso dos fóruns, elejo para comentar, em especial, o fórum de conversa permanente, um espaço para uma “troca de figurinhas sobre aquilo que nos tira o sono quando se trata de alfabetização inicial”. Inúmeros foram os temas que já surgiram nessa conversa. Entre eles estão: intervenções mais potentes, análises de produções, ensino ou não dos nomes das letras, a questão do letramento, avaliação das aprendizagens, propósitos das situações didáticas. Esse fórum, que se manterá aberto do início ao final do Grupo de Estudos, tem rendido discussões maravilhosas, muito produtivas, e contado com a participação intensa das integrantes do Grupo de Estudos.

Em atividades síncronas (conversas virtuais realizadas com agendamento prévio), debatemos questões ou textos trabalhados acerca de uma temática. Na conversa mais recente, discutimos o compromisso alfabetizador das séries iniciais, a diferença entre metas e expectativas de aprendizagem e, por conta de questões trazidas pelas participantes, avançamos, tratando de temas que abarcam também o ensino da leitura e da escrita ao longo de todo o fundamental I. Mais uma vez, foi um momento rico de intercâmbio e que não se encerra ali, pois o fórum citado acima permite dar continuidade a essas conversas.

O Grupo de Estudos conta, este ano, com 13 participantes extremamente envolvidas com as propostas e discussões. Para mim, tem sido uma experiência de troca e de atualização das mais potentes e, conforme podem ver a partir do depoimento de algumas participantes, elas também partilham dessa opinião.

COMENTÁRIOS DE PARTICIPANTES

“Nada a acrescentar, só confirmar que essa possibilidade nos aproxima de um tema tão gostoso e ao mesmo tempo denso, e que a possibilidade de fazê-lo online nos ‘facilitou’ o acesso, muitas vezes impossível.” (Luciana Pierry Cardoso – Santos – SP)

“Sinto-me privilegiada de participar deste grupo que tem participantes muito envolvidos e uma formadora que nos faz pensar, refletir e aos poucos transformar nossa prática!!!! Admiro e participo das ações formativas da Vila já há dez anos, moro em uma cidade do interior de São Paulo e o deslocamento para a capital sempre foi um empecilho para participar mais destes momentos de formação. Com o grupo de estudos online, esta barreira foi transposta e não importa mais o lugar físico… Todos estamos juntos ao toque do dedo!!!!” (Fernanda Maria de Oliveira Costa – Mococa – SP)

“O Grupo de Estudos veio ao encontro das minhas expectativas quanto ao desejo de participar de um estudo aprofundado sobre a alfabetização à luz de novas pesquisas acerca da aprendizagem da leitura e da escrita. Os recursos tecnológicos utilizados, com a mediação de uma educadora que une muito bem teoria e prática, vêm possibilitando, mesmo à distância, o diálogo reflexivo com profissionais envolvidos nesse processo e a ampliação do olhar sobre a nossa ação pedagógica.” (Christiane Maia Azeredo – Niterói – RJ)

“Andrea, sua síntese retrata com primor o que estamos vivenciando. A dinâmica do grupo de estudo online está configurada de forma a aproximar todos. Embora estejamos de fato distantes, as atividades síncronas, o fórum permanente de conversa, o espaço para indicações de leitura e vídeos, os vídeos de atividades, as apresentações de síntese dos temas com sua voz nos ‘dando aula’ como se estivéssemos em uma sala de aula, tudo isso me traz uma sensação de proximidade. Sinto como se formássemos mesmo uma turma.” (Tatiana de Souto Pina – Rio de Janeiro – RJ)

“Estou muito feliz com esta iniciativa da Escola da Vila. O curso online veio pra ficar! A formadora consegue manter a dinâmica e o interesse do grupo, como se estivéssemos presentes na sala de aula. Os temas abordados são de grande importância para nós e ter que atender aos prazos das entregas das tarefas nos obriga a manter uma disciplina e uma organização com as leituras, embora este seja o grande desafio em meio a tantas demandas da escola. Estou adorando fazer parte deste grupo!” (Paula Klein – Niterói – RJ)

Cursos online – O papel da tecnologia educacional: o formador e o aluno online

Por Helena Andrade Mendonça

Em 2013 começamos a enfrentar o enorme desafio de oferecer cursos online como parte das atividades de formação continuada pelo Centro de Formação. A principal motivação se deu por conta dos professores, de São Paulo e também de outros lugares do país, que nos procuravam com dificuldades de participação em nossas ações presenciais.

Nossa experiência com o uso de ambientes virtuais de aprendizagem, nos cursos presenciais e semipresenciais estava apenas no início, e, na velocidade do avanço das tecnologias, começamos a planejar e a explorar esse universo dos cursos online.

Já na definição dos cursos e no início da conversa, um dos temas que chamaram nossa atenção foi o conceito de presença citado por autores de referência no assunto.

Em ambientes online há uma maior possibilidade de ocorrer uma sensação de perda entre os alunos — perda de contato, perda da conexão e, como resultado, uma sensação de isolamento. Consequentemente, deve-se dar atenção ao desenvolvimento intencional da presença. (Palloff e Pratt, 2007)¹

Segundo Tori (2010)² há três diferentes tipos de distância: espacial, temporal e transacional. A espacial diz respeito a distância física entre o aluno e o professor; a temporal está ligada às propostas síncronas — web conferência, chat — e assíncronas — fórum, e-mail; e a transacional é a percepção psicológica de presença ou afastamento, que pode ocorrer tanto virtual quanto presencialmente, e que se dá, sobretudo, pelas interações em meios digitais.

Nosso objetivo, então, passou a ter foco no desenvolvimento da percepção da presença com o uso de recursos digitais, já que a maior parte dos nossos alunos nunca havia frequentado um curso online e, consequentemente, precisaria ser ambientado para explorar um novo espaço para estudar: o virtual.

Dessa forma, as primeiras semanas de curso foram planejadas para uma exploração mais técnica dos recursos e ferramentas que seriam utilizados, mas principalmente para que todos os participantes “chegassem”, ocupassem seus lugares e tomassem um café ou um chá conosco, no ambiente que seria usado por seis ou sete semanas.

Nossa experiência, nessas semanas iniciais, foi intensa. Usamos fóruns, chat, telefone e Skype, dando suporte, fazendo contato e tentando estabelecer uma sensação de presença com muitos dos mais de 180 participantes dos cursos online do mês de setembro. Como alguns contatos eram feitos por Skype, houve situações em que recebemos o sinal de vídeo de professores que estavam em sala de aula, assim como pudemos entrar em locais — para nós, que estamos em São Paulo –, tão distantes como uma escola rural do estado do Tocantins.

Tem sido um trabalho árduo e de muito aprendizado, que não seria viável sem as tecnologias e sem a sensação de presença que elas podem proporcionar. Agradecemos aos alunos, professores, técnicos, funcionários e a todos os envolvidos em mais este desafio.


¹ Palloff, R., Pratt K.. O Instrutor Online, estratégias para a excelência profissional. Ed. Penso, 2007.

² Tori, R.. A presença das tecnologias interativas na educação.Revista de Computação e Tecnologia  v. 2, n. 1, 2010. Disponível em  http://revistas.pucsp.br/index.php/ReCET/article/view/3850

Notícias do curso online “Uma abordagem estética para a análise de obras infantojuvenis”

11_10_2013

Por Aline Evangelista Martins

A escolha de livros de literatura que são adotados ou indicados nas rodas de biblioteca é uma das grandes responsabilidades do professor. Muitos fatores entram em jogo e interferem na seleção: os interesses dos alunos, as experiências de leitura que desejamos proporcionar, as aprendizagens literárias pretendidas, a diversidade de gêneros, o equilíbrio entre a literatura contemporânea e os grandes clássicos e, evidentemente, a qualidade dos títulos.

Mas, afinal, em que consiste a qualidade literária? Que referencial teórico o professor pode levar em conta para analisar e criticar os livros? O curso “Uma abordagem estética para a análise de obras infantojuvenis” tem como objetivo acolher essas questões e oferecer percursos de estudo que  possibilitem a construção de respostas para elas.

Ao longo de todo o curso, os participantes atuam como críticos: leem materiais teóricos e consideram as contribuições dos autores para analisar e valorar narrativas infantojuvenis. Devido ao constante diálogo entre os alunos, a formadora e a teoria, as análises vão se tornando cada vez mais consistentes e interessantes e o grupo vai se configurando como uma comunidade de críticos que leem, analisam, valoram, fundamentam, questionam…

E o mais curioso é que o grupo é formado por 29 pessoas, que se encontram em 14 cidades diferentes! Cada um em seu espaço, e dentro dos limites de seu tempo, entra no ambiente virtual, para estudar e discutir os conteúdos. Em um de nossos fóruns, vemos, por exemplo, uma professora de Campo Grande que tem seu depoimento comentado por uma colega de São Paulo; este segundo comentário logo é discutido pela colega de Santos! Por outro lado, há participantes que trabalham na mesma escola, encontram-se pessoalmente todos os dias e, eventualmente, nesses encontros, comentam os textos lidos e as tarefas realizadas, mas têm como sala de aula o mesmo espaço virtual frequentado por quem está a milhares de quilômetros.

Se, por um lado, essa modalidade oferece muitas facilidades, sobretudo relacionadas à possibilidade de administrar o tempo e de dissolver as barreiras que o espaço impõe, por outro, é preciso bastante dedicação às leituras e às atividades semanais. Cada um dá a sua contribuição para as discussões coletivas e para os trabalhos em grupo e, nessa trama criada mediante a contribuição de todos, os estudos literários avançam, a reflexão sobre literatura infantojuvenil se amplia e se aprofunda e todos ganhamos, tanto pelos conhecimentos relacionados ao tema do curso, quanto pela possibilidade de experimentar novas formas de viabilizar a construção compartilhada de conhecimento, algo que está no centro das nossas preocupações como educadores.

E os cursos online da Escola da Vila?

16_08_2013

Por Zélia Cavalcanti

Já escrevemos para anunciar, para falar sobre o andamento, e para avaliar alguns aspectos  dos cursos online que o Centro de Formação começou a promover no primeiro semestre deste ano oferecendo aos profissionais que apostam na necessidade de atualizar a própria formação um conjunto de temas sobre os quais refletir, discutir com colegas e a partir dos quais possam enriquecer aspectos que se colocam como desafios da prática pedagógica que realizam. Agora vamos contar por que pretendemos não só continuar, mas principalmente ampliar as ações formativas dentro dessa modalidade.

Primeiro, porque o número de pessoas que, de imediato, se candidatou para realizar os primeiros cursos foi surpreendente, e mesmo dobrando o número de turmas, algumas inscrições não puderam se efetivar. Esse referencial nos indicou que, mesmo acostumadas com as ações presenciais, nosso público confia em nossas possibilidades de estruturar propostas “a distância”. E não pretendemos decepcioná-lo: Queremos trabalhar  cada vez mais nessa modalidade, que permite atender tanto aos educadores que vivem  fora de nossa cidade como àqueles que, em função da agenda de trabalho e vida doméstica têm dificuldade  para se deslocar e assistir aos cursos presenciais.

Exemplos do que  os  alunos disseram sobre a modalidade online.

“Flexibilidade de tempo e espaço, possibilitando que cada um participe e se organize de acordo com as demandas específicas do seu dia a dia.”

“ Sem dúvida nenhuma, a maior vantagem é o próprio aluno poder gerenciar seu tempo para as leituras e realização das atividades.”

“Facilidade por não precisar se locomover. Aglutina pessoas de várias localidades.”

“A facilidade de acessar a qualquer hora ou dia ou lugar … Pessoa de diversas regiões puderam trocar experiências, e isso é ótimo.”

Um segundo motivo para que a oferta de cursos se multiplique e se diversifique diz respeito diretamente ao fato de o modelo técnico-pedagógico, idealizado para o trabalho, ter se mostrado eficiente, pois não só respondeu bem às nossas expectativas em relação à qualidade das propostas e interações que o ambiente virtual de aprendizagem poderia promover, como atendeu satisfatoriamente às necessidades dos profissionais matriculados nas primeiras turmas, nos aspectos que imaginávamos poderiam ser “dificultados” pela modalidade: qualidade e agilidade da comunicação e das interações entre tutores e alunos (como grupo e individualmente).  Algo em torno de 90% dos inscritos apontaram a opção ótima, na avaliação desses quesitos.

Exemplos do que os alunos disseram:

“Tomando como exemplo a qualidade desse curso, posso afirmar que excedeu minhas expectativas, pois já fiz outros cursos online e nenhum apresentou tanta qualidade e compromisso de ambas as partes envolvidas (professores e alunos).”

“A organização foi muito boa, as sínteses contribuíram bastante, e os textos e vídeos foram fundamentais. Os vídeos pude compartilhar com meu grupo de professoras.”

“O nível deste curso foi excelente, comparado até aos cursos presencias.”

E, por fim, um terceiro motivo é que, ao lado das avaliações positivas, ocorreram também comentários que apontaram para a necessidade de rever e fazer alterações importantes no modelo inicial. As alterações mais significativas dizem respeito ao número de semanas em que cada curso se desenvolverá. Nesse sentido, vamos ampliar o tempo tanto para atender melhor às dificuldades técnicas relativas à adaptação do aluno ao AVA, assim  como para que as propostas sejam realizadas; os tempos definidos inicialmente  nem sempre foram suficientes, seja para os alunos seja para as intervenções dos tutores.

Exemplos do  que os alunos disseram:

“Demorei certo tempo para me ambientar na plataforma de estudo, até porque foi minha primeira experiência online.

“Prazos de entregas de materiais foram curtos.”

Assim, animadas com o que consideramos o sucesso dessa nova forma de contribuir com a qualidade do trabalho que educadores de diferentes partes do país realizam, ampliamos o leque de cursos online para esse semestre, e já nos lançamos ao desafio de estruturar novos formatos a serem oferecidos a partir do próximo ano.

Cursos online: novos desafios para o Centro de Formação

Por Zélia Cavalcanti

Já há alguns anos, e cada vez com mais frequência, nosso Centro de Formação recebe pedidos para que, aproveitando as possibilidades que as novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) vêm  oferecendo,  ampliemos com cursos online a quantidade de ações de formação profissional realizadas fora da cidade de São Paulo: sejam cursos de atualização, formação permanente ou pós-graduação. Ultimamente, parte do público paulistano, que reside e trabalha distante da Unidade Morumbi, onde os cursos acontecem, tem sinalizado compartilhar desse desejo; compreensível para quem mora numa metrópole sobre pneus como a que vivemos.

Buscar uma resposta de qualidade a essa solicitação tem se mostrado um desafio e tanto para uma equipe que trabalha há décadas,  e com  bons resultados,  em cursos na  modalidade presencial. Mas como desafio é coisa que não costumamos desprezar e, até, pelo contrário, estimula nossa atividade diária, assim que a Escola da Vila implantou boas condições de trabalho em ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) para seus alunos, começamos a experimentar as possibilidades de incorporá-los em ações de formação: criamos um curso de formação continuada semipresencial na área de matemática, e propusemos aos professores dos cursos de pós-graduação a incorporação de um  AVA a cada disciplina.

Essas duas experiências, e os bons resultados obtidos, mostraram-se muito importantes, pois forneceram boas respostas tanto para as questões que precisaríamos enfrentar para nos adaptarmos às especificidades de capacitação online, quanto sobre a disponibilidade de nosso público para atividades  a distância.

Em relação ao primeiro aspecto, a versatilidade da plataforma Moodle possibilitou traduzir para a modalidade online princípios inegociáveis à prática construtivista, como interação, respeito à diversidade, intervenções ajustadas ao saberes do grupo e de cada aluno, entre outros.  E quanto às respostas do público, pudemos verificar que a desconfiança (resistência) inicial é vencida assim que o aluno observa a qualidade superior, tanto das aprendizagens derivadas de situações em que precisa opinar, discutir, explicar, refletir por escrito sobre  textos, ideias de colegas  e situações apresentadas por meios audiovisuais; quanto do acompanhamento  realizado pelo professor-tutor durante toda a programação.

Tendo como ponto de partida essas garantias, concluímos que seria possível começar a criar e oferecer cursos online de atualização, inicialmente dentro da área com mais experiência consolidada de formação: práticas de linguagem. E, então, decidimos “colocar a mão na massa”.

Assim, em fevereiro de 2013, lançaremos algumas  propostas dentro dessa nova modalidade, esperando que possam, como as ações presenciais,  proporcionar  boas situações de aprendizagem aos que, de perto ou de longe,  compartilham conosco o valor inestimável da formação permanente.